Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Moçambique - “O Veredicto” une música, teatro e dança no Centro Cultural Moçambique-China

O musical “O Veredicto” sobe ao palco na próxima sexta-feira, no Centro Cultural Moçambique-China, com a proposta de unir teatro, canto, dança e performance visual numa reflexão sobre as histórias, vivências e expressões que compõem o património cultural moçambicano. Mais do que um espetáculo, os promotores apresentam a iniciativa como um apelo à valorização da cultura nacional e à aproximação do público às produções artísticas do país.


Durante a conferência de imprensa de apresentação do musical, o produtor Zé Pires afirmou que a obra pretende contribuir para o resgate da música moçambicana, que, na sua perspetiva, tem perdido espaço junto da própria sociedade.

“Fazemos com este musical, com esta obra que é um teatro musicado, um clamor a toda a sociedade para o resgate e a recuperação da nossa música como uma plataforma importante que foi praticamente abandonada pela própria sociedade.”

Segundo Zé Pires, a principal razão da criação do espetáculo é formar novos públicos e incentivar os moçambicanos a voltarem às salas de espetáculo.

“A essência deste espetáculo, aquilo que foi a razão por que foi criado, é a construção de uma audiência, a formação de audiências.”

O produtor reconheceu que um dos maiores desafios enfrentados pelos artistas nacionais é conquistar público para os seus eventos.

“Hoje em dia temos muita dificuldade de ter um espetáculo de música ou de qualquer arte sem a gente ter uma casa cheia. Estamos com uma casa de 1500 lugares e, para a ter cheia, é um transpirar que vocês não estão a imaginar.”

Também presente na conferência de imprensa, o artista Roberto Chitsondzo alertou para o que considera ser um progressivo afastamento dos artistas e do público em relação à cultura moçambicana.

“Nós, artistas, fugimos da nossa essência como artistas para ser melhor aplaudidos. A sociedade deixou de escutar a sua própria cultura para dar mais ‘likes’ àquilo que é dos outros.”

Embora reconheça a importância das influências internacionais na formação dos artistas, Chitsondzo defendeu que é necessário valorizar mais a produção cultural nacional.

“Eu próprio aprendi a cantar com músicas provenientes de outros sítios. Mas isso não significa que devemos deixar de ouvir e promover aquilo que é nosso.”

O artista criticou ainda a escassa presença de conteúdos culturais em alguns programas de entretenimento, considerando que a divulgação do trabalho dos criadores nacionais continua a ser insuficiente.

“Aquilo que a gente assiste ali é fofoca, aberrações, insultos. Daquilo que deveriam apresentar sobre os nossos colegas, eu não vejo nada.”

A organização acredita que “O Veredicto” poderá contribuir para aproximar o público da arte moçambicana, promovendo uma reflexão sobre a identidade cultural e reforçando o papel da música, do teatro e da dança como instrumentos de preservação do património nacional. Arnosso Cuco – Moçambique in “O País”


terça-feira, 26 de agosto de 2025

Moçambique - Residência artística junta 16 jovens artistas da CPLP em Maputo

Na passada quinta-feira, arrancou, em Maputo, a residência artística que junta 16 jovens artistas emergentes de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. O resultado das próximas três semanas de criação e troca artística será apresentado ao público num espectáculo multidisciplinar, no palco do Centro Cultural Moçambique-China, no próximo dia 12 de Setembro.


A iniciativa integra o “Resistência e Afirmação Cultural”, projecto que visa investigar e recriar manifestações artísticas ocorridas durante o processo de libertação colonial dos PALOP e de Timor-Leste, assim como durante as lutas antifascistas em Portugal, promovendo uma releitura crítica da produção cultural.

Para esta residência, organizada numa parceria entre a Associação Cultural Scala e a Khuzula, foram recebidas mais de uma centena de candidaturas de artistas dos sete países. O espectáculo final, que cruza teatro, música, dança e poesia, reunirá em palco mais de 50 intervenientes, entre residentes e outros moçambicanos que integram a banda e asseguram toda a produção técnica. O produto final será filmado e documentado, para que, mais tarde, integre a plataforma digital CASA, uma biblioteca virtual das artes performativas dos países envolvidos no projecto.

Para Sol de Carvalho, da Associação Scala, Director-Geral da Residência, a iniciativa assume particular relevância no contexto das comemorações dos 50 anos das independências dos PALOP.

Citando um dos entrevistados do projecto, Sol aponta que a guerra acabou, mas as feridas ainda sangram no corpo da nossa história. “O palco é onde vamos expor essas cicatrizes e, quem sabe, iniciar a sua cura. Esta residência não dá respostas, mas lança pistas, provoca diálogos e, sobretudo, junta ideias”, disse, acrescentando que “no fim, a ideia é criar colectivamente em residência, assinando colectivamente a obra final”.

Júlia Novela, Produtora Artística da Residência (Khuzula), fala sobre a fusão artística. “O importante é ter a simbiose, a conexão, a união para criar algo novo.

Não importa se é o semba de Angola, a morna de Cabo Verde, o gumbé da Guiné-Bissau, a marrabenta de Moçambique, o puxa de São Tomé e Príncipe, o tebe-tebe de Timor-Leste ou a balada de Portugal. No fundo, é tudo conversa de irmão.”

O projecto Resistência e Afirmação Cultural é coordenado pela Associação Cultural Scala, de Moçambique, e reúne sete instituições dos países de língua portuguesa. A iniciativa conta com o apoio do PROCULTURA, uma acção do programa PALOP–TL e UE, financiada pela União Europeia, co-financiada e gerida pelo Camões, I.P., e co-financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, que dispõe de um orçamento total de 19 milhões de euros e tem como objectivo contribuir para a criação de emprego nas actividades geradoras de rendimento na economia cultural e criativa nos PALOP e em Timor-Leste. O projecto conta ainda com o apoio estratégico do Governo de Moçambique e da Rede de Centros Culturais Portugueses nos PALOP. Eugénia Rosa – Moçambique in “O País”


sexta-feira, 14 de março de 2025

Moçambique - Obedes Lobadias lança “Labiríntimos ou poemas mal escritos” na cidade de Maputo

No próximo dia 26 de março, às 17h30, no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, o poeta e escritor moçambicano Obedes Lobadias vai lançar a sua mais recente obra, intitulada “Labiríntimos ou poemas mal escritos”.



Conhecido como “o homem que faz acontecer”, Lobadias traz nesta obra uma coletânea de poemas que desafiam as convenções literárias ao explorar temas existenciais, sociais e introspectivos. O título instiga os leitores a questionarem os limites da poesia e a reflectirem sobre a subjectividade da escrita.

O evento contará com a presença de escritores, artistas e amantes da literatura, que vão proporcionar um momento de diálogo sobre a poesia contemporânea em Moçambique.

A entrada é gratuita, e os interessados podem obter mais informações através dos contactos 876 691 326 e 856 556 556. Daniel Matlombe – Moçambique in “Moz Entretenimento”


terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Moçambique - Campeonato Moçambicano de Poesia Falada avança na sexta edição

A Palavra e Palavras Eventos vai realizar a sexta edição do Moz Slam – Campeonato Moçambicano de Poesia Falada. O evento, que se realizará de 23 a 25 deste mês, no Gil Vicente Café e Bar, e, na final, no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, pretende ser um marco na promoção da arte da poesia falada em Moçambique. 

“O Moz Slam configura-se como um espaço de celebração, resistência e valorização da palavra, reunindo 22 poetas, sendo 12 da cidade de Maputo e 10 da cidade de Quelimane, que irão competir por um lugar de destaque nos maiores palcos internacionais”, afirma a organização, que entende que a poesia falada vai além da expressão de sentimentos, igualmente, denuncia, questiona e transforma. 

Ainda para a organização, o Moz Slam é uma plataforma de resistência que dá voz às lutas e histórias do povo moçambicano, ao mesmo tempo em que promove a cultura e a arte da poesia falada no país. 

A edição deste mês, além da participação de 22 poetas – 12 de Maputo e 10 de Quelimane – que irão mostrar ao mundo a força de suas palavras, vai contar com a participação internacional. E o vencedor desta edição do Moz Slam terá a oportunidade de representar Moçambique em eventos de renome mundial, a destacar:  Campeonato Africano de Poesia Falada (Fevereiro), o evento irá seleccionar os 10 maiores poetas africanos, que irão representar os seus países e o continente africano no Mundial de Poesia Falada, que vai ocorrer no México, em Novembro de 2025; o Campeonato Mundial de Slam Poetry (Maio, em Paris), em que o vencedor terá a oportunidade de representar Moçambique na competição internacional de poesia falada, designadamente Campeonato Mundial de Slam Poetry, em Paris.

A competição será realizada em três dias intensos de apresentações e batalhas poéticas: Semifinais (23 e 24 de Janeiro), no Gil Vicente Café e Bar, em Maputo, das 16h às 19h. 

A grande final (25 de Janeiro), vai acontecer no Centro Cultural Moçambique-China, das 16h às 20h.

O julgamento das apresentações será feito por um júri composto por 5 pessoas. Nesta edição, duas personalidades serão convidadas para compor o júri nas semifinais e três entre a plateia. Para a grande final, três jurados convidados e dois jurados da plateia irão avaliar os participantes. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Moçambique - Novo romance de Mia Couto traz um diálogo com a História

Mia Couto lançou o seu novo romance, A cegueira do rio, esta quinta-feira, no Centro Cultural Moçambique-China. A obra literária traz um diálogo com a História de Moçambique, tendo Niassa como um espaço central.

Às 18 horas desta quinta-feira, A cegueira do rio, de Mia Couto, atraiu diversos leitores ao Centro Cultural Moçambique-China, na Cidade de Maputo. Numa audiência concorrida, o escritor apresentou uma obra literária que, sendo ficção, dialoga com um certo tempo, um certo espaço e uma certa circunstância de um território que hoje é Moçambique.

A cegueira do rio, na verdade, é um romance que atravessa o tempo para, num movimento anacrónico, recuperar do passado episódios dignos de ficção. “Este livro, mais uma vez, foi-me suscitado por um diálogo com a História. Há um episódio verídico, que aconteceu em 1914, em Niassa, na fronteira com a actual Tanzânia, que me suscitou uma grande curiosidade porque aquilo é um incidente militar, a guerra ainda estava a começar na Europa, em África não havia ainda. E é um incidente num lugar que não queria existir e que todos quiseram apagar”, disse o escritor.

A fim de dar expressão a um enredo e a um território, Mia Couto fez duas viagens a Niassa. Na província menos povoada do país, o escritor encontrou o que precisou para o seu romance ganhar densidade e essa espécie de ligação à realidade. “Eu acho que a literatura pode fazer esse exercício de nos convidar a ir a esse passado, porque a literatura não está à procura de culpados ou de apontar dedos às pessoas”, sublinhou.

No Centro Cultural Moçambique-China, o novo romance de Mia Couto foi apresentado ao público numa cerimónia realizada em jeito de sarau, com leituras dramatizadas/performances garantidas por Negro, Letícia Deozina e Rita Couto e momento de conversa conduzida por Daniel da Costa.

Para o escritor e jornalista Daniel da Costa, “Sente-se aqui que ele [Mia Couto] está à procura de um certo rumo, de mais chão na sua escrita. Em todas as escolhas que ele faz, parece-me que estava a pegar a periferia e a colocá-la no centro”.

Na cerimónia de apresentação do romance, a Ministra da Cultura e Turismo considerou que A cegueira do rio é um importante contributo para a literatura moçambicana. Por isso, recomendou a leitura do livro do escritor que tem levado a boa imagem de Moçambique além-fronteira.

A cegueira do rio é um livro editado pela Fundação Fernando Leite Couto. José dos Remédios – Moçambique in “O País”


terça-feira, 1 de outubro de 2024

Moçambique - Mia Couto lança novo romance esta quinta-feira, 03 de Outubro

Nesta quinta-feira, a partir das 18 horas, o Centro Cultural Moçambique-China, na Cidade de Maputo, vai receber a sessão de lançamento do novo romance de Mia Couto, intitulado “A cegueira do rio”.

No seu novo livro, Mia Couto escolhe uma aldeia no Norte de Moçambique como palco de um acontecimento que marca o início da Primeira Guerra Mundial no continente africano. O inesperado incidente militar abre espaço para uma série de misteriosos eventos que culminam com o desaparecimento da escrita no mundo. Livros, relatórios, documentos, fotografias, mapas surgem deslavados e ninguém mais parece ser capaz de dominar a arte da escrita. Os habitantes dessa aldeia são chamados a restabelecer a ordem no mundo, ensinando aos europeus o ofício da escrita e as artes da navegação.

De acordo com a nota de imprensa da Fundação Fernando Leite Couto, que edita o livro, “A cegueira do rio” será apresentado pelo escritor Daniel da Costa, num evento que terá momentos de leitura e performance com Negro, Rita Couto e Letícia Deozina.

A sinopse

Factos e personagens deste livro foram inspirados em eventos reais ocorridos numa e na outra margem do Rio Rovuma, que separa Moçambique da Tanzânia. O primeiro evento foi a insurreição popular que ficou conhecida como a «Revolta dos Maji-Maji» em protesto contra a cultura forçada do algodão. Encabeçada por um líder espiritual chamado Bokero, esta sublevação ocorreu entre 1905 e 1907 e a resposta das autoridades coloniais alemãs resultou num dos mais graves massacres da história de África. Pensa-se que entre 200 e 300 mil camponeses foram assassinados.

O segundo evento consistiu no assalto alemão ao posto militar português de Madziwa em agosto de 1914. Um sargento português e 11 sipaios africanos foram mortos nesse ataque.

No resto, tudo o que se relata neste livro tornou-se verdadeiro a partir do momento em que foi escrito. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 28 de novembro de 2023

Moçambique – Mia Couto lança “Compêndio para desenterrar nuvens”

Ao todo, o novo exercício literário de Mia Couto tem 142 páginas. Com o título “Compêndio para desenterrar nuvens”, a obra literária é uma viagem pelo universo do conto, onde o autor escreve, principalmente, sobre as relações humanas e sociais.

Editado pela Fundação Fernando Leite Couto, o livro “Compêndio para desenterrar nuvens” será lançado em cerimónia esta terça-feira, a partir das 18 horas, no recém-inaugurado Centro Cultural Moçambique-China, localizado no Campus Principal da Universidade Eduardo Mondlane, na Cidade de Maputo.

Segundo a nota da editora, antes dos textos de Mia Couto serem contos, foram crónicas publicadas na imprensa, o que se pode constatar na nota do editor do próprio livro; “Os contos recolhidos nesta colectânea foram publicados mensalmente na revista Visão [Portugal]. O autor aproveitou esta oportunidade para introduzir pequenas alterações”, que, ao longo das histórias, transportam o leitor a uma dimensão sustentada por diferentes crises e peripécias.

Neste livro, Mia Couto revive o ambiente social do seu país, coloca as personagens a personificarem sentimentos e emoções carregadas de acontecimentos quotidianos.

Na mesma nota de imprensa, a Fundação Fernando Leite Couto avança que “Estas estórias flutuam entre o real e o imaginário, territórios quase invisíveis se pensarmos no universo moçambicano, habitado por muitas histórias. Mia Couto traz personagens e cenários improváveis, com a poeticidade que lhe é característica, com uma narração que dá tempo ao leitor para levantar o seu próprio voo para um mundo em que todas as coisas tem vida própria”.

“Compêndio para desenterrar nuvens” é constituído por 22 contos, entre os quais “O culto dos pesarosos”, “O nome do pai”, “O eterno retorno”, “Viver de graça, morrer de raça”, “Lição de caligrafia” e “Desenterrar nuvens”. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Moçambique - Associação Kulungwana distingue artistas na terceira edição da Gala dos Prémios Mozal Artes e Cultura

A Associação Kulungwana vai organizar no Centro Cultural Moçambique-China, na próxima sexta-feira, a terceira edição da Gala dos Prémios Mozal Artes E Cultura – um dos maiores eventos de premiação no sector das artes e cultura do país.

A atribuição anual dos sete prémios a jovens artistas de sete categorias – Artes Visuais, Cinema e Audiovisuais, Fotografia, Dança, Teatro, Design de Moda e Vestuário e Música – vem prestar reconhecimento por via de uma premiação aos novos talentos de diferentes domínios das artes, assumindo-se como uma marca que destaca os artistas, criadores ou intérpretes – com domínio da sua técnica e expressão, apresentando propostas coerentes, mostrando empenho profissional e pensamento original e inovador – na opinião do júri.

Os prémios têm como objectivo incentivar e divulgar os novos criadores, reforçando o apoio às suas criações e à promoção dos valores da arte contemporânea, com enfoque nos artistas moçambicanos em afirmação, entre os 21 e os 40 anos, residentes no país ou no estrangeiro, que se tenham candidatado com propostas realizadas no exercício da sua actividade, nos 18 meses anteriores à abertura das candidaturas. Assim, portanto, sexta-feira será o dia do anúncio dos vencedores dos prémios que incluem uma distinção monetária individual de 120 000Mts, nas sete distintas modalidades.

No dia 19 de Outubro foram anunciados os nomeados para a edição 2023, uma lista de 19 nomeados no total: Artes visuais – Luís Miguel de Sousa Santos, Jorge Caetano Fernandes, Nuno Silas Fulane; Cinema e audiovisuais – André Bahule, Carlos Noronha, Leia Nhambe; Fotografia – Anésio Manhiça, Elísio Nguenha, Ildefonso Colaço; Dança – Mai Júli Machado, Osvaldo Passirivo; Teatro – Francisco Mário Baloi, Rita Silva Couto; Música – Case Buyakah, James Macamo, Xixel Langa; e Design de moda e vestuário – Amirah Celeste Pinheiro Adam, Alberto Correia Adelino, Elio Gabriel. In “O País” - Moçambique