O Expansão teve acesso ao documento que serve de base ao acordo agrícola do nosso governo com as autoridades brasileiras, onde estão referenciados os compromissos que cada uma das partes envolvidas tem de assumir. Confira o que cada um tem de fazer na notícia publicada
Estas são as responsabilidades de cada
uma das partes envolvidas, de acordo com o documento que foi desenhado pelos
governos dos dois países. Para que venha a concretizar-se, deve ser concluído e
assinado até ao mês de maio.
Soluções bilaterais
- Disponibilização de terras com potencial agrícola
- Estabelecimento de segurança jurídica plena para investidores
- Elaboração de legislação para os fins da parceria
- Estruturação de linha de crédito específica
- Envolvimento institucional para tropicalização de tecnologias
- Desenvolvimento de sistemas sustentáveis de produção agropecuária
- Inclusão da população local no processo produtivo
Compromissos do governo de Angola
Disponibilizar 500.000 hectares de terras aráveis, em região com solo e
topografia adequadas para produção de grãos e com histórico pluviométrico para
plantação de duas safras por ano (Planalto de Camabatela)
Garantir concessão do direito de superfície aos
produtores rurais ou empresas participantes do programa, com prazo de 60 anos,
renováveis, em áreas livres de ocupação e de disputas
Oferecer garantia soberana para as linhas de
financiamento a serem do BNDES e Banco do Brasil
Habilitar o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) a
ser o agente emissor de cartas de crédito do BNDES, para as operações amparadas
nas linhas de crédito direccionadas ao programa
Estabelecer condições de taxas de juros similares às
previstas no "Aviso 10" do Banco Nacional de Angola (BNA) e firmar os
contratos com produtores rurais ou empresas em moeda nacional (Kwanza)
Determinar que o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA)
estabelecerá contratos com os produtores rurais ou com as empresas
participantes do programa sem exigir a presença de cidadãos angolanos nas
sociedades
Oferecer garantias, via Fundo de Garantia de Crédito
(FGC), para as operações firmadas entre o BDA e os produtores rurais ou
empresas
Garantir financiamento de bancos locais para apoio ao
programa, como valor suplementar aos créditos oferecidos pelo Brasil
Autorizar o uso de sementes com biotecnologia, inclusive
geneticamente modificadas, desde que tenham sido aprovadas no Brasil e em pelo
menos um outro país ou bloco, como EUA, China ou União Europeia
Estabelecer legislação e mecanismos de protecção dos
direitos dos obtentores de sementes
Permitir a repatriação de lucros e dividendos gerados nos
empreendimentos do programa
Garantir que serão emitidas licenças de exportação para
uma parte da produção agropecuária gerada nas áreas do programa
Estabelecer fluxo prioritário para análise dos pedidos de
visto de trabalho para cidadãos brasileiros que venham trabalhar nos projectos
do programa
Prever mecanismos de consulta e diálogo com comunidades
locais, assegurando que não haja conflitos fundiários e que as comunidades
locais sejam integradas na iniciativa
Compromissos do governo do Brasil
Disponibilizar linha de crédito do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com recursos para financiamento de
exportações do Brasil para Angola de máquinas, veículos de carga e sistemas de
armazenamento de grãos
Disponibilizar linhas de crédito à exportação do Banco do
Brasil, com recursos para financiamento de exportações do Brasil para Angola
(sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas, bioinsumos, animais vivos,
produtos veterinários, máquinas, etc)
Disponibilizar garantias/seguro de crédito à exportação
via Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF)
Disponibilizar suporte técnico-científico aos projectos a
serem desenvolvidos no âmbito do programa, a partir de ações da Cooperação
Técnica Brasileira, a serem conduzidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (EMBRAPA)
Compromissos dos produtores rurais brasileiros
Formar e capacitar técnicos e demais colaboradores, com
prioridade para contratação de trabalhadores das regiões mais próximas aos
locais de implantação dos projectos agropecuários
Desenvolver um programa contínuo de qualificação
profissional, inclusive com envio de colaboradores para formação no Brasil
Transferir tecnologia, conhecimentos técnicos e de gestão
Garantir os direitos trabalhistas dos colaboradores
Apoiar os cultivos das comunidades próximas aos
projectos, com serviços mecanizados, insumos e assistência técnica
Apoiar as escolas técnicas locais, com capacitação e
oferta de vagas de estágio
Apoiar os serviços de saúde e ensino públicos nas áreas
de abrangência dos projectos
Construir agrovilas, com adequada infraestrutura de
saneamento e energia
Adoptar práticas agrícolas sustentáveis, incluindo o
plantio directo e cumprir a legislação ambiental angolana
Assegurar que uma parte da produção
seja destinada ao abastecimento do mercado interno angolano, em apoio à
segurança alimentar. Miguel Gomes – Angola in “Expansão”
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