Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Portugal – Universidade do Porto vai ser destino "Erasmus para estudantes norte-americanos"

A adesão ao programa "Study in Portugal Network" da FLAD promete afirmar a Universidade como "destino de excelência" para estudantes dos EUA


A Universidade do Porto vai integrar a Study in Portugal Network (SiPN), uma iniciativa da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) que tem como objetivo reforçar o posicionamento de Portugal como destino académico de excelência para estudantes norte-americanos.

A adesão da U.Porto à SiPN foi formalizada no passado dia 21 de maio, numa cerimónia realizada no edifício da Reitoria. “Acho que é um dia muito feliz”, sublinhou Maria Joana Carvalho, Vice-Reitora da U.Porto com os pelouros das Relações Internacionais, Responsabilidade Social e Desporto, destacando o papel do programa “na atração de estudantes norte-americanos para Portugal e, neste caso, esperemos muito para a Universidade do Porto”.

Para a responsável, o passo agora dado evidencia “a qualidade quer do ensino, quer da investigação” da U.Porto, ao mesmo tempo que reforça uma relação já longa e sólida com a FLAD em áreas como a cooperação científica, a mobilidade e o desenvolvimento de programas académicos.

A entrada da Universidade na SiPN representa, assim, uma evolução natural dessa parceria. “Esperemos agora aumentar um bocadinho” essa colaboração, nota Joana Carvalho, apontando para o objetivo de “promover mobilidades de maior duração, complementando a oferta já existente de cursos de verão e de inverno”. A ambição passa também por “reforçar o posicionamento estratégico da Universidade junto dos estudantes americanos”.

Do lado da FLAD, Michael Baum destacou o alinhamento do programa com a missão da fundação de “criar pontes entre Portugal e os Estados Unidos”. A integração da U.Porto responde ainda a um “objetivo de longa data”: expandir a rede para além de Lisboa e desenvolver programas semestrais noutras regiões do país.

“A Universidade do Porto é um parceiro de excelência”, afirmou o membro do Conselho Executivo da FLAD, lembrando o reconhecimento internacional da instituição e a diversidade da sua oferta formativa.

O modelo agora em desenvolvimento permitirá que estudantes norte-americanos frequentem a U.Porto durante um semestre — ou mesmo um ano letivo —, acompanhando as aulas regulares lado a lado com estudantes portugueses e internacionais. “Será uma espécie de Erasmus para alunos norte-americanos”, explicou Michael Baum, sublinhando a importância de proporcionar uma experiência académica imersiva, mas também cultural.

Entre as mais-valias que se abrem aos estudantes norte-americanos está a possibilidade de contactarem com conteúdos ligados à realidade portuguesa — da história e da arte ao território e à cultura do Norte —, através de unidades curriculares lecionadas em inglês. A aposta passa por valorizar aquilo que é distintivo do país e da região, contribuindo para uma experiência enriquecedora que, nas palavras do responsável da FLAD, pode funcionar como “um chamativo para o aluno voltar ao Porto e a Portugal para o resto da vida”. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 16 de março de 2026

Portugal - Estudantes da Universidade de Coimbra promovem nova edição da maior competição de robótica da Região Centro do país

O BotOlympics está de regresso para a sua 11.ª edição, afirmando-se como a maior competição de robótica da Região Centro. O evento decorrerá nos dias 19, 20 e 21 de março, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), no Polo II. A grande final terá lugar na praça central do Alma Shopping, no dia 22 de março.


Organizado pelo Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Associação Académica de Coimbra (NEEEC/AAC) e pelo Clube de Robótica da Universidade de Coimbra (CR/UC), o evento conta com o apoio institucional, do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR Coimbra), do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC), da FCTUC e da Câmara Municipal de Coimbra.

O principal objetivo do BotOlympics é dar a conhecer o mundo da robótica e da Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, através de uma abordagem divertida e acessível. A iniciativa procura inspirar os mais jovens e despertar o interesse por uma área que desempenha um papel determinante no futuro tecnológico.

A competição distingue-se por reunir, no mesmo espaço, alunos do ensino básico, secundário e superior. Esta partilha intergeracional promove a troca de experiências e o contacto direto com diferentes níveis de conhecimento.

Ao longo de quatro dias, os participantes poderão viver momentos de aprendizagem, desafio e convívio. A programação inclui ainda atividades paralelas e desafios surpresa preparados pela organização.

O evento integra também o BotKids, que terá lugar no Alma Shopping, no dia 21 de março. Este momento será dedicado a demonstrações e desafios abertos ao público, especialmente direcionados aos mais novos, aproximando a comunidade da robótica e da tecnologia.

A edição de 2026 contará com três provas distintas. A “RoboRoad Adventure”, integrada na Prova ISR e destinada ao ensino básico, desafia os robôs a percorrer uma estrada com cruzamentos e obstáculos, tomando decisões corretas até ao destino.

A “Robot Delivery”, correspondente à Prova Bot’n Roll e dirigida ao ensino secundário, simula um serviço de entregas, exigindo o transporte eficiente de caixas para os respetivos pontos de descarga.

Por fim, a prova “Polícia e Ladrão”, integrada na Prova FCTUC e destinada ao ensino superior, propõe a recriação de uma perseguição, na qual um robô polícia deve capturar um robô em fuga, testando rapidez e precisão.

Mais informações podem ser consultadas na página oficial do evento. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Moçambique – Estudantes vão continuar a estudar ao relento na província de Nampula

Com o ano lectivo à porta, volta o debate de turmas ao relento e o seu impacto pedagógico. É que nos dias de chuva, milhares de alunos ficam sem estudar. Nampula equaciona recorrer aos parceiros de cooperação para a montagem de tendas para aulas.


O ano lectivo 2026 inicia a 27 de Fevereiro, com abertura oficial, e as aulas arrancam em todo o país no dia 2 de Março. As escolas preparam-se para receber os alunos, com os professores já na fase terminal da preparação dos programas.

“E já fizeram actas, já fizeram planificações quinzenais, quase já receberam o material, já está tudo pronto. Nós só estamos à espera do dia chegar e daí arrancarmos”, confirmou Horácio Luís, Director-adjunto Pedagógico de uma das escolas de Nampula.

Entretanto, há uma situação que inquieta: Novo ano, e velhos problemas.

A Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vai funcionar com mais de 3500 alunos e porque as salas convencionais são poucas, muitos alunos estudam ao relento, para a preocupação de pais e encarregados de educação.

“Quando chove não há nada, não costumam dar aulas porque os alunos ficam debaixo das árvores. Aí não têm hipóteses de ficar para estudar”, lamenta Cidália João, encarregada de educação.

Durante o período lectivo, as árvores servem de salas de aula. São turmas que correspondem a cada árvore. É lá onde parte dos alunos da Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vão iniciar o ano lectivo e o chão está húmido, justamente porque ainda é período chuvoso.

E em Nampula são muitas escolas que estão na mesma situação e condições, onde os alunos poderão ter as suas aulas debaixo das árvores.

Horácio Luís confirma que a situação vai continuar, até porque não houve acréscimo das salas de aula. “No ano passado nós tivemos 30 salas ao ar livre, no relento, e espero que também este ano este número vai permanecer porque as salas que tivemos no ano passado são as mesmas”, disse.

Ou seja, cresce o número de alunos a cada ano e o ritmo de construção de novas salas é muito baixo. Na falta da melhor solução, a direcção provincial de Educação em Nampula pensa em recorrer às tendas.

“Estamos num período chuvoso, estamos a rezar para que não haja catástrofe, mas como sabem nós trabalhamos com parceiros, sempre temos tido backups. A educação sempre sofreu por conta das épocas chuvosas, como também da época ciclónica”, frisou William Tuzine, Director de Educação em Nampula.

Até ao ano passado, ao nível da província de Nampula, estimava-se que cerca de 290 mil crianças estudam ao relento, pelo menos no ensino primário, um cenário que provavelmente não vai alterar bastante, mas para pior. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Macau - Universidade da Cidade de Macau recebe inscrições para curso de língua e cultura portuguesas até ao dia 11

A segunda edição do “Curso Intensivo de Língua e Cultura Portuguesa” da Universidade da Cidade de Macau (UCM) tem inscrições abertas até ao dia 11. As seis sessões previstas decorrem de 4 de Março a 15 de Abril, num horário pós-laboral, e destinam-se a estudantes e professores de Português Língua Estrangeira (PLE)


A Universidade da Cidade de Macau (UCM) prepara-se para lançar a segunda edição do “Curso Intensivo de Língua e Cultura Portuguesa”, dedicado ao ensino de ferramentas linguísticas e culturais necessárias a uma compreensão mais profunda de Português Língua Não Materna (PLNM) e de Português Língua Estrangeira (PLE). O prazo de inscrição termina no dia 11 deste mês.

O curso é feito ‘online’, num horário pós-laboral das 18h às 21h, e destina-se a estudantes e professores de PLE. As seis sessões decorrem de 4 de Março a 15 de Abril, com a atribuição de um certificado de frequência no final. A primeira sessão tem como tema “Aprender e ensinar português em diversidade” e será ministrada por Maria José Grosso, professora visitante na Universidade de Macau (UM) – a única docente da lista que não lecciona na UCM. No cartaz de apresentação do curso, lê-se que este primeiro capítulo vai introduzir algumas práticas pedagógicas inclusivas destinadas ao público de língua materna chinesa que estuda português.

A segunda sessão, a decorrer no dia 11 de Março, tem como tópico “Natureza, amor e família: temas de literatura nas práticas de compreensão e de escrita em PLE”. Sara Augusto, fotógrafa e docente de Português, propõe a defesa da utilização de textos literários na sala de aula de PLE – um tema ainda controverso, sobretudo nas fases mais iniciais do processo de ensino-aprendizagem. A formadora vai partilhar textos poéticos em português, para estimular “a aquisição de vocabulário e de estruturas do funcionamento da língua”, e ainda em chinês, de forma a “motivar e envolver os alunos para uma leitura literária que convoca outros sabores e impressões para lá da aquisição linguística”.

Na terceira sessão, a 25 de Março, o professor Pedro Caeiro vai apresentar o tema “Estratégias para incentivar a participação dos estudantes de uma língua não materna”. Este módulo pretende exaltar a importância da participação em sala de aula para a aprendizagem da língua e “as diferentes formas como essa participação pode ser avaliada”, tanto no período lectivo como através de actividades extracurriculares.

Já no dia 1 de Abril, segue-se uma quarta sessão leccionada pelo professor Romeu Foz e centrada no tema “A lexicultura no ensino de PLNM/PLE”. No cartaz de apresentação, explica-se que esta formação tem como objectivo “explorar a dimensão cultural implícita em determinados termos e expressões presentes tanto no discurso quotidiano como no literário”. Será também dinamizada uma discussão sobre a forma como “esta abordagem metodológica pode constituir uma ferramenta pedagógica enriquecedora” no contexto do ensino de PLNM e PLE.

No dia 8 de Abril, a quinta sessão incide sobre o tópico das “Ferramentas digitais para o desenvolvimento dos recursos didáticos”. O professor Daniel de Jesus, também da UCM, vai explicar a forma como as ferramentas digitais podem ser usadas para “produzir recursos didáticos de forma mais eficiente e inovadora”, para diferentes contextos e públicos.

Por fim, a sexta e última sessão acontece no dia 15 de Abril e tem como tema “Desenvolver o ensino intercultural nas aulas de PLE: teorias e práticas”. A professora Miranda Sui vai abordar algumas das teorias e práticas pedagógicas relativas ao ensino intercultural, bem como as suas implicações na prática docente e na adaptação e avaliação de materiais didáticos, por exemplo. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”



domingo, 1 de fevereiro de 2026

Moçambique - Universidade Pedagógica de Maputo garante que modernização do sistema académico não vai prejudicar estudantes

A Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) assegura que o processo de modernização do seu Sistema Integrado de Gestão Universitária não vai trazer prejuízos aos estudantes, apesar dos constrangimentos registados nos últimos dias no acesso às notas, à situação financeira e aos pedidos de declarações académicas. A garantia foi dada pelo Diretor do Registo Académico da instituição, Célio Sengo, durante uma entrevista concedida à STV, na sequência do crescente descontentamento manifestado pela classe académica.


A intervenção do responsável surge num momento em que vários estudantes, sobretudo do regime pós-laboral, relataram dificuldades no acesso à plataforma digital da universidade, situação que gerou dúvidas, reclamações nas redes sociais e receios quanto a uma eventual perda de dados académicos. Segundo Célio Sengo, os problemas estão associados ao processo de migração de dados do sistema antigo para uma nova plataforma tecnológica, concebida para responder às atuais exigências da instituição.

“Estamos a migrar os dados do sistema antigo para um novo sistema, mais moderno e ajustado à realidade atual da universidade. Isso não significa perda de informação nem prejuízo para os estudantes”, afirmou, esclarecendo que a atualização resulta da evolução institucional, da introdução de novos planos curriculares e da necessidade de alinhar o sistema académico ao plano estratégico da UP-Maputo.

O diretor reconheceu que a transição gerou dificuldades pontuais, sobretudo no acesso inicial ao novo sistema, que passou a exigir regras mais rigorosas de segurança, como a criação obrigatória de senhas fortes. “Alguns estudantes tiveram dificuldades nesse processo, outros não conseguiam visualizar de imediato a situação financeira, mas são situações que já estamos a resolver”, explicou.

Para minimizar os impactos, a universidade optou por manter, em simultâneo, o sistema antigo e o novo, permitindo que os estudantes continuem a aceder aos serviços académicos sem interrupções. “O sistema anterior continua ativo. Quem tiver dificuldades no novo pode recorrer ao antigo sem qualquer problema”, garantiu Célio Sengo, sublinhando que a migração está a ser feita de forma gradual e acompanhada pelo feedback dos utilizadores.

O responsável atribui parte do alarme gerado nos últimos dias ao facto de muitos estudantes terem acedido diretamente à nova plataforma, sem perceberem que o sistema antigo permanecia operacional. Ainda assim, considera legítimas as preocupações. “É normal que haja receios quando se introduz um novo sistema. Essas preocupações ajudam-nos a identificar falhas e a melhorar”, disse.

Uma das questões mais sensíveis abordadas na entrevista prende-se com a situação dos estudantes que estão afastados da universidade há vários anos ou que concluíram as cadeiras, mas ainda não defenderam os seus trabalhos finais. Questionado sobre este grupo, o diretor foi taxativo ao afastar qualquer risco de perda de notas ou do histórico académico. “Todos os dados estão salvaguardados. Migração significa transportar toda a informação do sistema antigo para o novo, incluindo estudantes antigos”, assegurou.

Célio Sengo explicou ainda que, mesmo após a desativação definitiva do sistema antigo, este continuará acessível internamente para consultas específicas, reforçando que a integridade dos dados académicos está garantida. O maior risco, segundo referiu, não está ligado ao sistema, mas ao cumprimento dos prazos regulamentares de duração dos cursos, situação que pode obrigar alguns estudantes a solicitar a reintegração.

Quanto ao calendário, a UP-Maputo não avança com uma data exata para a conclusão do processo, mas aponta o presente semestre como período de transição, com a expectativa de iniciar o segundo semestre já com o novo sistema plenamente funcional. “Tudo vai depender do volume de reclamações e sugestões que formos recebendo. Os estudantes é que orientam este processo”, afirmou.

Relativamente às inscrições, o Diretor do Registo Académico anunciou que os estudantes internos deverão iniciar o processo na segunda semana de fevereiro, em data a ser comunicada oficialmente. Já os novos ingressos deverão inscrever-se a partir de março, após a divulgação dos resultados dos exames de admissão, estando ainda em análise a plataforma que será utilizada.

Com estes esclarecimentos, a Universidade Pedagógica de Maputo procura acalmar os ânimos e reafirmar que a transição tecnológica, apesar dos percalços iniciais, está a ser conduzida com salvaguarda dos direitos e do percurso académico dos estudantes. Laves Macatane – Moçambique in “O País”


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Portugal – Universidade do Porto a caminho de máximo histórico na mobilidade internacional

Só em 2025/2026, 2425 estudantes de 84 nacionalidades já fizeram ou vão fazer uma mobilidade académica na Universidade. Números reforçam tendência dos últimos anos


A Universidade do Porto já superou, em 2025/2026, a barreira dos 2400 estudantes acolhidos ao abrigo de programas de mobilidade no ensino superior, número que, a confirmar-se a tendência dos últimos anos, poderá evoluir para um novo máximo histórico da instituição.

Numa altura em que ainda estão por fechar os dados do ano letivo em curso, são já 2425 os/as estudantes de 84 nacionalidades que passaram ou ainda vão passar pelas 15 faculdades da U.Porto para realizar uma mobilidade de estudos. Um registo que supera largamente os 2058 de estudantes de 63 nacionalidades registados em igual período, no letivo 2024/2025, o qual culminou com um máximo histórico de 2741 mobilidades IN, provenientes de 95 países.

Se as previsões de concretizarem, a U.Porto vai assim reforçar a tendência verificada no pós-pandemia de Covid-19, período em que ultrapassou sempre a barreira das 2000 mobilidades por ano. Durante o pico da pandemia, o número de estudantes de mobilidade acolhidos pela U.Porto ficou-se pelos 938 (e, 2020/2021), subindo para 1927 em 2021/2022, 2240 em 2022/2023 e 2283 em 2023/2024.

Somando todos os registos desde 2018, a U.Porto ultrapassa o número das 17.000 mobilidades acolhidas nos últimos oito anos letivos, com Brasil, Espanha e Itália a liderarem o “top” das nacionalidades mais representadas.

Refira-se que aos estudantes de mobilidade há ainda que juntar os mais de 5000 estudantes estrangeiros que estão atualmente inscritos num curso completo na U.Porto. No seu conjunto, os estudantes internacionais – de grau e de mobilidade – representam já cerca de 20% de toda a comunidade estudantil da Universidade.

Brasil e Erasmus lideram “contingente” de mobilidade

Entre as nacionalidades mais representadas no “contingente” de estudantes de mobilidade IN deste ano, destaca-se uma vez mais o Brasil, com 469 estudantes, seguido pela Itália (322) e pela Espanha (311).

Alemanha (192), França (140), Polónia (211), República Checa (74), Suécia (52), Países Baixos (47), Bélgica (46), Turquia (42), Grécia (34), Finlândia (31) e Macau, SAR China (30) são outras nacionalidades em destaque numa listagem que inclui ainda a China, Índia, Jordânia, México, Palestina, Síria, Tanzânia, Uzbequistão ou o Vietname.

Nota também para os 54 estudantes portugueses que optaram por deixar as suas instituições de origem para cumprir um período de estudos na U.Porto ao abrigo do Programa Almeida Garrett.

Boas-vindas à distância

Dos estudantes que optaram por fazer uma mobilidade na U.Porto em 2025/2026, 1088 chegam já no próximo mês de fevereiro para fazer a sua mobilidade ao longo do segundo semestre. E, à semelhança do que aconteceu nos últimos anos, a Universidade decidiu “antecipar” a sua chegada com um programa de receção online, organizado pelo Serviço de Relações Internacionais (SRI).

Realizada entre os dias 19 e 23 de janeiro, em formato online, a 10.ª edição da Pre-Arrival Week teve como objetivo promover um primeiro contacto entre os estudantes de mobilidade IN e a instituição, assegurando assim um soft landing e uma rápida integração na Universidade e na cidade.

No total, foram dinamizadas dez sessões online com a participação de 1134 estudantes (inscritos). Para além de receberem informações sobre o funcionamento da U.Porto, os participantes puderam ainda frequentar um crash course de Português, participar numa Pausa Ativa orientada pelo Centro de Desporto da U.Porto (CDUP-UP), ou conhecer as atividades da ESN Porto.


Nestas sessões partilharam-se ainda dicas/conselhos sobre como ultrapassar as dificuldades que poderão surgir durante a mobilidade. Foi o caso da sessão dinamizada em parceria com a Polícia de Segurança Pública e que teve como objetivo fornecer aos estudantes um conjunto de informações úteis e práticas para uma estadia segura na cidade. Já a psicóloga Rita Começanha, dos Serviços de Ação Social da U.Porto (SASUP), partilhou um “guia” de soft skills úteis para a adaptação e integração dos estudantes.

Esta semana preparatória será complementada com as habituais Reuniões de Registo, onde os estudantes terão direito a um acolhimento personalizado – presencial ou online – e receberão mais informações sobre a Universidade e a cidade do Porto.

A decorrer em formato presencial e virtual, estas reuniões terão lugar – no caso do formato presencial – no edifício da Reitoria e incluirão a entrega de cartão de estudante e do kit de boas-vindas à instituição. Universidade do Porto - Portugal




sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Timor-Leste - Parlamento aprova, na generalidade, projeto que revoga pensões vitalícias a deputados e ex-dirigentes

O Parlamento Nacional aprovou, na generalidade, o projeto de lei que revoga as pensões vitalícias atribuídas a deputados e ex-dirigentes políticos, após dias de protestos estudantis. A proposta reuniu consenso entre as principais bancadas, ao contrário de outra iniciativa que previa integrar os titulares dos órgãos de soberania no regime geral da segurança social, rejeitada pela maioria


O Parlamento Nacional aprovou, na generalidade, o Projeto de Lei n.º 11/VI (3.ª), que revoga a pensão mensal vitalícia atribuída a deputados e ex-titulares dos órgãos de soberania, bem como outros benefícios associados. A proposta, apresentada pelo Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), pelo Partido Democrático (PD) e pelo partido Kmanek Haburas Unidade Nasional Timor Oan (Khunto), obteve 61 votos a favor, nenhum contra e nenhuma abstenção.

A aprovação surge na sequência de uma manifestação pacífica organizada pelos Estudantes Universitários de Timor-Leste (EUTL), que durante três dias exigiram a revogação da lei que garante pensões vitalícias a antigos deputados e dirigentes políticos. Em resposta, o Parlamento agendou para esta quinta-feira (25/09) o debate de dois projetos de lei relacionados com a segurança social e a eliminação destas pensões.

Recorde-se que a Lei n.º 7/2017 atribui pensões vitalícias e benefícios a ex-dirigentes políticos: o Presidente da República recebe 100% do salário base, o Primeiro-Ministro 90% após um mandato completo, e deputados, ministros e secretários de Estado entre 60% e 90%, conforme os anos de serviço. A lei garante ainda assistência médica gratuita no exterior, passaporte diplomático e, em caso de falecimento, pensão para familiares. A legislação anterior, de 2007, já previa regalias adicionais, como viatura, residência, gabinete, escolta e assistência médica para altos cargos do Estado. Os valores da pensão variam entre 975 e 2.025 dólares americanos por mês, consoante o cargo e a duração do serviço, acrescidos de outros benefícios.

A Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN) e o Partido da Libertação Popular (PLP) apresentaram o Projeto de Lei n.º 10/VI (3.ª), que cria o Regime Jurídico de Segurança Social dos Titulares dos Órgãos de Soberania. O objetivo é acabar com o regime especial das pensões vitalícias e integrar os titulares dos órgãos de soberania no Regime Geral de Segurança Social Contributiva. No entanto, a proposta obteve apenas 22 votos a favor, 38 contra e uma abstenção.

Em plenário, a deputada Nurima Alkatiri (FRETILIN) defendeu que o Projeto de Lei n.º 10 responde às reivindicações dos manifestantes. “Em vez da pensão vitalícia, todos — políticos e cidadãos — devem integrar um sistema de segurança social. Funciona como um fundo comum, em que todos contribuem mensalmente, para depois, na velhice ou no fim do trabalho, receberem apoio. Isto é justiça, igualdade e transparência. A pensão vitalícia tem de ser eliminada, não pode haver privilégios”, afirmou.

A deputada sublinhou ainda que a mudança exige responsabilidade: “Não se pode alterar uma lei sem considerar as suas consequências. A reforma deve garantir estabilidade. Ouvimos os jovens dizer basta de privilégios. Por isso, o sistema de segurança social é mais justo e transparente para todos”.

Já Maria Angelina Sarmento (PLP) lembrou que o artigo 56 da Constituição da República Democrática de Timor-Leste (C-RDTL) assegura a todos os cidadãos o direito à segurança e assistência social, cabendo ao Estado organizar um sistema adequado, dentro da sua disponibilidade. Citou ainda o artigo 16 (universalidade e igualdade), que garante os mesmos direitos e deveres a todos os cidadãos, e o artigo 95.º, n.º 2, que define a competência do Parlamento Nacional em legislar sobre o estatuto dos deputados e dos ex-titulares de órgãos de soberania.

“A política pública de Timor-Leste tem ampliado a desigualdade social, privando os cidadãos de direitos básicos. É preciso reformar leis que alimentam estas desigualdades, mas sem reduzir a proteção jurídica do Estado. É necessário equilibrar direitos e deveres entre cidadãos e ex-titulares”, defendeu.

Luís Roberto (Khunto) considerou a lei da pensão vitalícia “discriminatória”. “Durante a luta pela libertação, muitos timorenses perderam a vida, mas, depois da independência, apenas alguns grupos beneficiaram. Se falarmos de economia, devemos revogar totalmente esta lei e investir noutros setores produtivos. Muitos jovens querem emigrar porque não há recursos para os empregar aqui, enquanto nós continuamos a beneficiar do dinheiro do Estado”, afirmou.

Armando dos Santos (PD) reforçou que chegou o momento de mudar a lei. “Assim podemos estimular o crescimento económico, criar emprego e melhorar a sobrevivência do povo”, destacou.

Gabriel Soares (CNRT) manifestou apoio total à proposta n.º 11. “Devemos eliminar por completo a pensão vitalícia e todas as suas regalias, desde a primeira legislatura de 2002 até ao fim do mundo. Isto não pode voltar a acontecer no nosso país”, disse.

A discussão na especialidade do Projeto de Lei n.º 11/VI (3.ª) realizou-se hoje, 26 de setembro. Joana Silva – Timor-Leste in Diligente


quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Timor-Leste – Primeiro-ministro diz que pensão vitalícia é um desperdício do dinheiro do povo

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou que a pensão mensal vitalícia atribuída a antigos deputados e outras figuras do Estado é um desperdício do dinheiro do povo. “Já chega, pode-se acabar totalmente, eu não tenho problema. O povo não me pediu para receber, mas sim para corrigir comportamentos errados que apenas desperdiçam o dinheiro do povo neste Estado”, disse Xanana aos jornalistas após uma vista ao comando-geral da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).


Xanana Gusmão destacou que a quem tem competência para decidir eliminar a pensão vitalícia é o parlamento timorense.

O primeiro-ministro timorense deslocou-se ao comando da PNTL para felicitar “o profissionalismo” com que garantiu a segurança durante os três dias de protestos dos jovens universitários timorenses.

Os estudantes universitários timorenses saíram à rua a semana passada para a exigir o cancelamento da compra de novas viaturas para os deputados, o fim da pensão vitalícia, a revisão à lei sobre liberdade de reunião e manifestação e o adequado financiamento para os setores produtivos no debate do próximo Orçamento do Estado, que terá início em outubro.

Os cinco partidos que compõem o parlamento timorense comprometeram-se com as exigências dos estudantes no último dia de protestos, depois de já terem aprovado uma resolução parlamentar a cancelar a compra de viaturas.

Deputados dos partidos no Governo e da oposição apresentaram já duas propostas de projeto-lei para acabar com a pensão vitalícia de deputados e antigos titulares de órgãos de soberania.

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, também já defendeu o fim das pensões vitalícias, exigida pelos estudantes universitários timorenses. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Timor-Leste - Organizações da sociedade civil apoiam estudantes contra injustiças

Várias organizações da sociedade civil de Timor-Leste juntaram-se ontem ao terceiro dia de protesto dos estudantes universitários em Díli para denunciar as injustiças sociais que permanecem no país


“Também nós conhecemos e sentimos as injustiças no nosso país”, disse à Lusa Pipitu Kadalak, coordenador da comunidade LGBTQ timorense, após um discurso público na manifestação em frente ao Parlamento Nacional. “Vejo que o povo não vive bem. Trabalhei anteriormente na PLAN Internacional, em áreas rurais, e constatámos que muitas pessoas vivem em situação de pobreza, muitas não têm acesso a água potável, não têm acesso a infraestruturas de qualidade, nem a uma educação adequada. Isto constitui uma grande falha do Estado, que afirma ter compromisso com o desenvolvimento, mas na realidade não apresenta resultados”, lamentou o activista.

O coordenador da comunidade LGBTQ criticou também os deputados por não apresentarem resultados das suas ações de fiscalização.  “Os deputados dizem que fiscalizam junto do povo, mas onde estão os resultados? Isso é o que exigimos”, afirmou Pipitu Kadalak.  “Enquanto eles [os deputados] não eliminarem as pensões vitalícias e não melhorarem as condições de vida da população, nós continuaremos firmes ao lado dos estudantes”, disse.

Também junto dos estudantes estava a organização que luta pelos direitos das pessoas com necessidade especiais. “Timor-Leste transformou-se num Estado falhado. As escolas estão degradadas, em ruínas, não há professores suficientes, o setor da saúde enfrenta dificuldades, a agricultura está fragilizada e a taxa de má nutrição aumenta. Eles não veem isso?”, questionou Justino da Costa, representante do movimento de pessoas com necessidades especiais.

Justino da Costa também declarou apoio aos estudantes universitários para “formar uma força de resistência contra a injustiça no país”. “É preciso acabar com as pensões vitalícias para pôr fim ao poder abusivo e alocar esses recursos para setores estratégicos”, disse Justino da Costa, salientando que o subsídio dado às pessoas com deficiência é de 60 dólares.

O diretor executivo da Associação HAK, organização não-governamental de defesa dos direitos humanos, Feliciano da Costa, também deixou críticas aos deputados por discutirem assuntos que apenas defendem os seus interesses.  “Caros elementos da PNTL que estão aqui presentes, com uniformes já gastos e salários que os governantes nunca se preocuparam em rever. Mesmo assim, pedem aos polícias que vos garantam segurança”, disse Feliciano da Costa.

Feliciano Costa falou também em defesa do mar de Timor-Leste, lamentando a falta de condições para o seu patrulhamento.  “Se possível, comprem barcos para a Polícia Marítima, para que possam sobreviver e equipem-nos com uniformes”, disse aos deputados e aos governantes timorenses, pedindo-lhes que na discussão do próximo Orçamento de Estado se foquem na segurança, educação, saúde e infraestruturas básicas.

O terceiro dia de protestos dos estudantes universitários timorenses, o dia com o maior número de pessoa, está a decorrer sem incidentes. Os jovens estão também a receber apoio dos cidadãos timorenses, que estão a contribuir com água e alimentos. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 18 de abril de 2025

Timor-Leste - “Lutar para aprender”: Estudantes deslocados vivem em condições precárias para poder estudar

Em Timor-Leste, centenas de jovens abandonam as suas casas nos municípios para estudar em Díli ou noutras cidades. A maioria vive em casas arrendadas com condições mínimas, sem apoios institucionais. O custo do sonho educativo é, muitas vezes, a fome, o medo e o sacrifício da dignidade



Na procura de melhores oportunidades educativas, estudantes provenientes de municípios distantes enfrentam sérias dificuldades ao viver em casas arrendadas nas cidades. Sem apoio suficiente, lidam diariamente com problemas financeiros e condições de habitação precárias.

Em Timor-Leste, muitos jovens das zonas rurais mudam-se para Díli para frequentar o ensino secundário ou superior. Esta realidade reflete a ambição de melhorar as suas perspetivas de futuro, mas traz consigo inúmeros desafios. Entre os principais estão as despesas com renda, alimentação, transportes e materiais escolares — custos muitas vezes suportados sem qualquer tipo de apoio.

As casas onde vivem são, frequentemente, pequenas, degradadas e sem condições mínimas de higiene ou segurança. Estas limitações afetam não só a saúde física e mental dos estudantes, mas também o seu desempenho académico. Para além disso, enfrentam a saudade do lar, o choque com o ambiente urbano e o peso de terem de gerir autonomamente o seu dia a dia.

O apoio das famílias e das instituições de ensino é muitas vezes insuficiente, tornando esta jornada ainda mais dura para jovens que apenas procuram estudar.

Testemunhos de resistência: quando estudar é um ato de sobrevivência

Florindo da Conceição Pires, estudante do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Nacional de Timor Lorosa’e (UNTL), natural de Mape, em Covalima, partilha as dificuldades que enfrenta devido à sua origem humilde e à falta de recursos. Para garantir as suas necessidades básicas, vende cigarros à noite, depois das aulas. Vive sozinho numa casa arrendada com condições limitadas, por opção própria.

“Antes, morava com amigos para dividir as despesas, mas percebi que o ambiente não favorecia o estudo. Faltava sentido de comunidade, o que afetava os meus valores e dedicação. Por isso, decidi viver sozinho, apesar das dificuldades, e comecei a vender cigarros à noite. A minha mãe, que é agricultora, não tem meios para me apoiar, por isso tive de encontrar alternativas.”

Manuel Transiano Salsina, estudante da Universidade Oriental de Timor Lorosa’e (UNITAL), vive numa casa arrendada em Becora. Tal como Florindo, vende cigarros para sobreviver e manter os estudos. “Às vezes, quase chega o dia de pagar a casa e não tenho dinheiro. Nessas alturas, sinto um grande peso, porque o senhorio não gosta de atrasos. Em relação à comida, costumo partilhar com amigos no campus, antes de voltar ao trabalho à noite.”

Manuel paga 50 dólares por mês de renda, sem incluir eletricidade. Só têm água à noite, mas, segundo ele, isso já é o habitual e não representa o maior problema.

Abriela Joana Nunes Gago, estudante da UNTL, é natural de Ermera. Vive numa casa arrendada cuja renda mensal — 30 dólares, excluindo água e luz — é paga pela mãe. Para ajudar no sustento, faz trabalhos de desenho, embora nem sempre consiga encomendas. “A maior dificuldade é a comida. Às vezes não tenho nada para comer. Quando isso acontece, ajudo os vizinhos — quase todos agricultores — na colheita, em troca de algum alimento.”

A casa onde vive tem apenas 3×2 metros. Para Abriela, vinda de uma família simples, trabalhar e estudar é uma rotina de sacrifício constante.

Faustino Camões, estudante de Ciência Política na UNTL, já vive em casas arrendadas há sete anos. Mudou-se três vezes por falta de condições adequadas.  “Já vivi em sítios onde havia muitos conflitos entre jovens. Uma vez senti-me ameaçado ao chegar tarde a casa.”

Atualmente, vive em Manleu, numa casa com condições mais seguras, mas continua a enfrentar problemas com o abastecimento de água. “A água só está disponível de manhã, e às vezes nem isso. Chego a passar dois ou três dias sem tomar banho antes de ir para o campus.”

Além disso, as casas de banho e sanitas partilhadas são insalubres e difíceis de usar. “A casa tem 40 quartos, uma casa de banho e uma sanita exterior. É muito difícil.”

Escolheu ficar devido ao ambiente tranquilo e à flexibilidade do proprietário nos pagamentos. Consegue pagar os 60 dólares mensais, com água e luz incluídas, graças ao seu trabalho numa instituição pública. O quarto onde vive tem 3×4 metros.

Apoio institucional: tímido, desigual e insuficiente

A diretora-geral do Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura (MESCC), Maria Filomena Lay, defende que a qualidade do ensino não deve depender da localização geográfica. “As instituições, sejam novas ou antigas, devem seguir os mesmos padrões de infraestruturas, recursos e currículo. No entanto, sabemos que há instituições em municípios com menor qualidade. Alguns professores não estão disponíveis ou acumulam funções, o que compromete o ensino.”

Reconhece que muitos estudantes vindos dos municípios enfrentam dificuldades sérias. “Muitos deslocam-se para estudar e pagam as propinas por conta própria. Vivem em quartos arrendados sem condições mínimas.”

Apesar de algumas instituições terem começado a construir residências estudantis, ainda não existe um plano nacional de apoio.  “Durante a pandemia, os apoios foram pontuais e urgentes. No futuro, poderão surgir medidas mais consistentes, mas cada instituição tem autonomia para gerir a situação dos seus alunos.”

A Ministra da Solidariedade Social e Inclusão, Verónica das Dores, afirma que o ministério está a prestar apoio a estudantes deslocados, mas recusou detalhar as medidas. “Estamos a apoiar estudantes de fora, tanto ao nível dos custos escolares como da alimentação. No entanto, cada caso é avaliado individualmente pela equipa técnica, que determina o tipo de apoio a prestar.”

O Reitor da UNTL, João Soares Martins, confirmou que a universidade não tem um programa específico para apoiar os estudantes deslocados. “A decisão de viver numa residência privada é uma escolha pessoal. A UNTL só dispõe de dormitórios para estudantes do curso de Engenharia, no polo de Hera.”

Acrescenta que os alunos com dificuldades podem procurar ajuda no Campus Ministry ou junto da pró-reitora para os assuntos estudantis. “Estamos mais concentrados nas atividades letivas e extracurriculares. Não temos uma resposta direta para a questão da habitação.”

Já o Institute of Business (IOB) apresenta uma abordagem diferente. O Vice-Reitor II, Vacio Sarmento Soares, afirma que entre 70% e 75% dos alunos do IOB vêm de fora do município onde está localizado o campus. “Disponibilizamos residências estudantis para estes casos. Desde 2018, temos um programa chamado ‘regime especial’, que concede bolsas de estudo parciais a estudantes de três municípios por ano. A redução nas propinas pode chegar aos 50%.”

Uma juventude em movimento: migração interna por necessidade

José Monteiro, diretor executivo da Timor-Leste Coalition for Education (TLCE), reconhece que ainda não foi feito um estudo sobre a urbanização estudantil, mas salienta a responsabilidade do governo nesse planeamento.

“Em todo o mundo, é o governo que deve planear e gerir os locais onde os estudantes podem viver com segurança e acesso a serviços. Em Timor, muitos jovens vivem em terrenos do Estado sem autorização, ou constroem junto à estrada, em busca de oportunidades para estudar ou trabalhar.”

Acrescenta que não é raro ver vários jovens a partilhar uma mesma pensão para conseguir pagar a renda. “No passado, havia regulamentos para estas pensões, mas hoje são ocupadas por mais de uma pessoa para dividir custos. O custo da renda ainda é acessível, mas os preços da água e da luz estão a aumentar.”

A migração interna em Timor-Leste tem impacto direto na redistribuição da população. Segundo o Censos 2022, mais de 235 mil timorenses vivem atualmente num município diferente daquele onde nasceram — 17,5% da população. Todos os municípios, com exceção de Díli, perderam população. As maiores perdas foram registadas em Viqueque (16,1 mil), Bobonaro (17,5 mil) e Baucau (21,1 mil).

Esta mobilidade está diretamente ligada à procura de melhores oportunidades, sobretudo em Díli, onde se concentra a maioria das instituições de ensino superior e oportunidades de emprego. Milhares de estudantes e famílias mudam-se para a capital na esperança de um futuro melhor — mesmo quando a única coisa que os espera é um quarto exíguo, uma refeição incerta e um sonho por cumprir. Lourdes do Rêgo – Timor-Leste in Diligente


domingo, 26 de janeiro de 2025

Nações Unidas - Estudo da UNESCO mostra vantagens de proibir telemóveis nas escolas

O número de países que proibiram o uso de telemóveis nas escolas está a aumentar rapidamente e estudos realizados na Bélgica, Espanha e Reino Unido, mostram que a medida está a dar bons resultados



A retirada dos telemóveis das escolas, de acordo com estudos realizados na Bélgica, Espanha e Reino Unido, citados num relatório da UNESCO, melhora os resultados da aprendizagem, especialmente para os alunos com fraco aproveitamento escolar.

Também foi demonstrado que é benéfico para combater o bullying (violência sistemática sob diversas formas), melhorar a concentração e a autoestima face aos efeitos nocivos das redes sociais, especialmente entre as raparigas.

Os resultados foram apresentados ontem pela UNESCO no Dia Internacional da Educação e que indicam que no final de 2023 as restrições tinham sido aplicadas em 60 sistemas educativos, enquanto no início de janeiro de 2025 o número subiu para 79 países. 

Os dados constam de uma atualização especial do Relatório de Monitorização Global da Educação (GEM), produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para monitorizar o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A ideia não é bloquear totalmente o acesso, mas estabelecer condições adequadas que permitam maior equilíbrio. "Os alunos precisam de aprender sobre os riscos e as oportunidades que acompanham a tecnologia e não estar totalmente protegidos deles. Mas os países precisam de dar melhores orientações sobre quais as tecnologias permitidas nas escolas e quais não são, e sobre a sua utilização responsável", pode ler-se no relatório da UNESCO.

"Só a tecnologia que tenha um papel claro no apoio à aprendizagem deve ser permitida na escola", refere o relatório.

Como exemplo da forma como os países têm estado a implementar controlos é referido que em França foi sugerido o alargamento da chamada "pausa digital" a mais turmas, ou na China, cidades como Zhengzhou pedem agora aos pais um consentimento escrito para a utilização do telemóvel, mesmo para fins pedagógicos.

Menos comuns são os casos em que as medidas foram flexibilizadas, como na Arábia Saudita, que reverteu as suas proibições após a oposição de grupos de defesa de pessoas com deficiência, de modo a que os telemóveis pudessem ser utilizados para fins médicos.

Nalguns países, os níveis de restrição são heterogéneos de acordo com as especificidades regionais, como em Espanha, onde apenas três das 17 regiões (País Basco, La Rioja e Navarra) já introduziram proibições. In Sapo Tek – Portugal com “Lusa”


terça-feira, 1 de outubro de 2024

Moçambique - Mozal oferece a jovens 120 bolsas de estudo para 2025

São cento e vinte estudantes nacionais que vão beneficiar de bolsas de estudo oferecidas pela multinacional Mozal, no âmbito da sua responsabilidade social. O projecto vem sendo desenvolvido desde 2018 e formou mais de 390 jovens nos ensinos técnico e superior.


Com a disponibilização de mais 120 bolsas de estudo, a Mozal diz que pretende dar oportunidades a jovens sem condições mínimas para continuar com os estudos após a conclusão do ensino médio. As bolsas incluem estudantes com necessidades especiais.

A presente edição 2025 oferece inscrições para as áreas de engenharias, Ciências Exactas e Ciências Sociais, nas Universidades Eduardo Mondlane e Industrial Armando Emílio Guebuza e no Instituto Industrial e Comercial da Matola parte dos beneficiários. No leque, serão, também, incluídos 10 centros ao longo das províncias, excepto Inhambane.

A Mozal acredita que a formação é um dos factores determinantes para o desenvolvimento de habilidades humanas e técnicas necessárias para o aumento dos níveis de empregabilidade e de geração do auto-emprego em prol do desenvolvimento do nosso país.

“O acto que hoje presenciamos é a continuidade das acções do Programa Mulher na Indústria. É um programa que começou em 2018 com o objectivo de capacitar e inserir a mulher nas actividades do setor industrial, onde a sua participação ainda é relativamente baixa”, defende Gil Cumaio, director dos Assuntos Externos da Mozal.

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) recebe de braços abertos a iniciativa e afirma que “bolsas parecem um número, e nesta questão não é a gente falar só de número, mas há pessoas por trás dessas bolsas. Por cada pessoa, pretende-se desenvolver um projecto de vida”, diz Diniz Juízo, representante da UEM, que defende que esta é uma forma de a Mozal devolver para a sociedade aqueles ganhos que, como empresa e como indústria, tem tido nesta sua empreitada.

Os beneficiários prometem que vão usar da melhor forma as oportunidades oferecidas. O programa lançado esta terça-feira, assim como nas edições anteriores, vai incluir aulas gratuitas de preparação para exames de admissão para os potenciais beneficiários das bolsas de estudo. Jaime Inácio – Moçambique in “O País”


segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Lusofonia - “Era Uma Vez… A Minha Língua”: Uma celebração da criatividade juvenil na literatura e na ilustração

A Associação de Comunicação de Língua Portuguesa (Somos – ACLP) vai lançar hoje a segunda edição do seu concurso de contos e ilustração infantojuvenil, “Era Uma Vez… A Minha Língua”. Esta iniciativa tem como objectivo incentivar a criatividade, a literacia e a expressão artística dos jovens estudantes dos países de língua portuguesa


O concurso “Era Uma Vez… A Minha Língua” convida à participação de escolas de países de língua oficial portuguesa, nomeadamente da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Estes países ou regiões incluem Macau, Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe.

Destinado a alunos do quinto e sexto anos de escolaridade, com idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos, este concurso tem como objectivo desenvolver as capacidades de escrita e de ilustração. Cada escola seleccionada apresentará um conto original em português, que poderá ser elaborado por alunos individuais ou por grupos de alunos. Após a entrega, os contos serão partilhados entre todas as escolas participantes para ilustração, promovendo a colaboração e o envolvimento entre alunos de diferentes regiões.

O tema deste ano, “A Minha Língua”, celebra e realça a diversidade linguística e cultural da comunidade lusófona. Ao centrar-se em narrativas e experiências pessoais, o concurso procura salientar as formas como o português serve de veículo para contar histórias e para o intercâmbio cultural. Depois de ilustradas, as histórias serão publicadas num livro que inclui traduções para chinês, promovendo assim a língua portuguesa junto do público de língua chinesa e facilitando o diálogo intercultural.

Os contos e ilustrações apresentados serão avaliados por um corpo de júris das comunidades literária e artística, incluindo a escritora portuguesa Adélia Carvalho e o cartoonista brasileiro Cau Gomez, que contribuirão com a sua experiência para o processo de selecção, assegurando um elevado padrão de avaliação. A instituição vencedora na categoria de conto receberá um prémio de 7500 patacas, enquanto a instituição que produzir a melhor ilustração será premiada com 5000 patacas. Estes prémios destinam-se a inspirar a criatividade e a motivar professores e alunos a participarem activamente no concurso.

Para além do concurso em si, a Somos – ACLP planeou ainda uma série de actividades educativas destinadas a aprofundar o conhecimento dos participantes sobre literatura e a melhorar as suas capacidades criativas, incluindo a organização de workshops de escrita criativa e oportunidades para os alunos conhecerem e aprenderem com autores publicados. A iniciativa alinha-se ainda com a missão mais alargada do Somos – ACLP de promover o intercâmbio cultural e o respeito pela diversidade linguística no mundo lusófono.

O concurso “Era uma vez… A Minha Língua” é um evento significativo para jovens escritores e jovens ilustradores da comunidade lusófona. À medida que a data de lançamento se aproxima, cresce também a expectativa pelo concurso, que promete ser uma experiência inspiradora e enriquecedora para os alunos, escolas e comunidades participantes envolvidos neste diálogo intercultural através da língua e da arte. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 16 de maio de 2024

Macau - Mais de três mil alunos interagem com a língua portuguesa desde a infância

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude afirmou que há actualmente mais de 3000 alunos em Macau que estudam num ambiente de língua portuguesa desde a infância. Revelou ainda que o Programa de Iniciação de Aprendizagem da Língua Portuguesa, lançado no ano passado, conta agora com 150 alunos, estando a produzir “resultados positivos”


As autoridades reiteram a importância atribuída à promoção da educação da língua portuguesa, indicando que mais de três mil alunos locais estão, desde a infância, a estudar num ambiente educativo de língua portuguesa. Na edição de ontem do “Fórum de Macau”, programa matutino do canal chinês da Rádio Macau, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) afirmou que vai ainda “aprofundar” o desenvolvimento integrado das escolas oficiais da língua portuguesa, bem como das turmas bilíngues.

Choi Man Chi, chefe do Departamento do Ensino Não Superior da DSEDJ, frisou que foi lançado no ano passado o Programa de Iniciação de Aprendizagem da Língua Portuguesa, que atraiu a participação de cerca de 150 alunos do ensino secundário. “O resultado do programa está a ser positivo”, destacou.

Segundo a representante do organismo, o Programa de Iniciação de Aprendizagem da Língua Portuguesa prevê um curso de aprendizagem com duração de quatro anos, destinado aos alunos cuja língua materna não é portuguesa e com interesse de prosseguir os estudos de ensino superior em Portugal. Para além das aulas de português, o curso oferece ainda actividades culturais, abrangendo culinária, música portuguesa e pintura em azulejos.

“A aprendizagem da língua portuguesa pode tornar-se ainda mais dinâmica”, disse. Choi Man Chi acrescentou que o programa vai organizar visitas dos alunos em áreas com ligação à língua portuguesa, como os bancos, a Assembleia Legislativa e determinadas empresas, com o intuito de aprofundar os seus conhecimentos sobre profissões e indústrias relevantes.

Em Macau abriu mais uma escola privada com elementos de programas portugueses e internacionais neste ano lectivo de 2023/2024, segundo Choi, sublinhando que, entretanto, as escolas do ensino técnico-profissional de ensino não superior têm se empenhado em melhorar a competência de tradução chinês-português dos seus estudantes, promovendo o ensino da língua portuguesa. A responsável deixou ainda a garantia de alargar o escopo das bolsas de estudo para ajudar a formação de quadros qualificados de língua portuguesa.

No programa da rádio de ontem, alguns cidadãos telefonaram para sugerir o reforço do ensino das línguas em Macau, bem como a realização de actividades familiares para aprender português. Um outro residente manifestou preocupação sobre o desenvolvimento rápido da inteligência artificial, que poderá substituir os tradutores chinês-português.

Choi Man Chi, em resposta, disse que, com a evolução da sociedade, as disciplinas relacionadas com a tecnologia, como a inteligência artificial, tornaram-se mais populares entre os estudantes de Macau que vão estudar para Portugal.

“No passado, a sociedade local necessitava de mais talentos de língua portuguesa nas áreas da tradução e do direito”, referiu Choi Man Chi, salientando que as autoridades reforçaram agora a educação dos alunos em competências integradas e aplicadas, tendo alargado os programas subsidiados para o estudo de alunos locais no estrangeiro, incluindo disciplinas como farmácia, economia, bio-engenharia, inteligência artificial e matemática. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 29 de março de 2024

Portugal - Universidades de Macau e Aveiro assinam acordos em várias áreas

Uma visita à Universidade de Aveiro foi mais uma paragem da deslocação a Portugal de uma delegação de instituições de ensino superior de Macau e representantes dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude. O encontro serviu para assinar um protocolo de colaboração e discutir assuntos da cooperação, da promoção de projectos de intercâmbio e troca de estudantes, assim como de colaboração na área da investigação científica


A cooperação entre instituições do ensino superior de Macau e de Portugal foi o tema base do encontro que uma comitiva do território, composta por dirigentes de universidades e representantes da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), fez à Universidade de Aveiro. Na reunião, foram discutidos assuntos relacionados com o intercâmbio entre as instituições de ambos os lados, bem como a promoção de projectos de cooperação, de troca de estudantes e do intercâmbio académico na área da investigação científica.

De entre as principais áreas disciplinares, a Universidade de Aveiro destaca-se na engenharia electrotécnica e electrónica, ciência dos materiais, ciências do ambiente, entre outras, ocupando o 344º lugar do ranking mundial das universidades e leccionando para 14 000 alunos.

Durante o encontro, o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e reitor da Universidade de Aveiro, Paulo Jorge Ferreira, fez uma apresentação sobre a situação do desenvolvimento da internacionalização da instituição, a situação geral da cooperação com as empresas, as vantagens das áreas disciplinares e o seu modelo de gestão.

Ao mesmo tempo, sob o testemunho do subdirector da DSEDJ, Teng Sio Hong, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, a Universidade da Cidade de Macau, a Universidade de São José e o Instituto de Enfermagem Kiang Wu assinaram acordos de cooperação com a Universidade de Aveiro. O objectivo é reforçar a cooperação em várias áreas, nomeadamente de intercâmbio académico entre as instituições de ensino superior de Macau e de Portugal, e de promoção de projectos de intercâmbio e de troca de estudantes.

Antes, já outros protocolos haviam sido rubricados, como a parceria entre a Universidade Politécnica de Macau e o Centro Científico e Cultural de Macau em Lisboa, para reforço nos domínios da ciência, da cultura e da educação, e o acordo entre a Universidade da Cidade de Macau e a Universidade Lusófona no âmbito do desenvolvimento de novos projectos de cooperação entre as duas universidades, nas áreas da docência, disciplinares e de formação de quadros qualificados.

Em nota enviada às redacções, a DSEDJ revela que “coordena, de forma contínua, a integração de recursos das instituições de ensino superior”, promovendo o intercâmbio e a cooperação entre as instituições de ensino superior de Macau e de Portugal, “com vista a auxiliar na formação dos quadros qualificados necessários” para o desenvolvimento da estratégia de diversificação adequada “1+4” de Macau. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”