Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 4 de julho de 2026

Timor-Leste - Morreu o padre João Felgueiras, missionário jesuíta que estava no país desde 1971

O padre João Felgueiras morreu esta sexta-feira, 3 de julho, em Díli com 105 anos, avançou à Lusa fonte da residência dos jesuítas na capital timorense

João de Vasconcelos Baptista Felgueiras natural das Caldas das Taipas, no concelho de Guimarães, foi ordenado sacerdote em 1950 e residia em Timor-Leste desde 1971, tendo completado 105 anos em junho.

João Felgueiras dedicou a sua vida à educação e à língua portuguesa, mesmo quando estava proibida em Timor-Leste, durante a ocupação indonésia.

O antigo Presidente português Jorge Sampaio condecorou o padre jesuíta em 2002 como Grande Oficial da Ordem da Liberdade, pela sua luta pela preservação da língua portuguesa em Timor-Leste.

Em 2016, foi condecorado pelo ex-chefe de Estado timorense Taur Matan Ruak com a insígnia da Ordem de Timor-Leste.

Em 2022, voltou a receber uma condecoração por um Presidente de Portugal, quando o ex-chefe de Estado Marcelo Rebelo de Sousa o distinguiu com a Grã-Cruz da Ordem de Camões.

“Sinto-me português e timorense. Vim para aqui como missionário para trabalhar, enquanto a Companhia de Jesus quisesse e assim foi até agora. Todos contribuímos”, explicou em entrevista à Lusa há quatro anos, quando inaugurou a ampliação da Escola Amigos de Jesus, que fundou.

“O passado foi vivido, e estou contente de ter vivido em paz, não fiz nada contra ninguém, nada de mal contra o povo e estou contente poder ter contribuído alguma coisa”, salientou o homem que educou várias gerações de timorenses.

Presidente timorense lembra "figura excecional" da história do país

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, recordou o padre João Felgueiras como uma “figura excecional” da história timorense e um "profeta da educação e solidariedade".

“A República Democrática de Timor-Leste despede-se hoje de uma figura excecional da nossa história contemporânea, cuja vida foi integralmente dedicada ao serviço do próximo, à educação, à dignidade humana e à construção da nossa identidade nacional”, afirmou, numa declaração divulgada pela Presidência timorense.

“Num tempo em que a língua portuguesa era proibida e a identidade cultural do nosso povo era profundamente ameaçada, o padre Felgueiras escolheu permanecer ao lado do povo timorense, partilhando os seus sofrimentos, as suas esperanças e a sua resistência”, lembrou o também prémio Nobel da Paz.

José Ramos-Horta destacou também que o padre Felgueiras foi um “educador incansável”, que dedicou a vida à formação de jovens, promoção da língua portuguesa e à “criação de espaços de ensino e de dignidade humana, entre os quais se destaca a Escola Amigos de Jesus, projeto que simboliza o seu compromisso permanente com a educação como instrumento de liberdade e transformação social”.

O Presidente timorense reconheceu também o padre João Felgueiras como um “profeta da educação e da solidariedade” e que o seu legado vai permanecer nas instituições que ajudou a construir, mas também nas gerações de timorenses que educou. In “Diário de Notícias” – Portugal com “Lusa”


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Timor-Leste e Guiné-Bissau: Xanana Gusmão pede desculpa, mas não fala de acusações de “demência” e “pedofilia”

Xanana Gusmão pediu desculpa à Guiné-Bissau e cancelou a Missão de Bons Ofícios da CPLP após ter classificado o país como “Estado falhado”. Enquanto Bissau acusou o líder timorense de “demência” e falta de legitimidade, vozes internas questionam a autoridade moral de Timor-Leste


O Primeiro-Ministro de Timor-Leste, Kay Rala Xanana Gusmão, pediu desculpa à Guiné-Bissau, depois de ter classificado o país como um “Estado falhado”. A declaração provocou forte reação das autoridades guineenses, que acusaram o líder timorense de falta de legitimidade moral e recorreram a ataques pessoais. Xanana pediu desculpa, mas não respondeu às acusações de demência, senilidade e pedofilia feitas pelo porta-voz do Conselho Nacional de Transição (CNT).

“Já pedi desculpa ao Governo transitório da Guiné-Bissau. Não estou a defender-me. Estou com a cabeça baixa”, declarou esta segunda-feira, 16 de fevereiro.

Na sequência da polémica, o chefe do Governo anunciou o cancelamento da Missão de Bons Ofícios da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) à Guiné-Bissau, decisão tomada em conjunto com o Presidente José Ramos-Horta. A missão, que integraria representantes de Angola e São Tomé e Príncipe, tinha como objetivo interceder pela libertação dos detidos na crise de 26 de novembro de 2025 e apoiar a restauração da ordem constitucional. Estava prevista para decorrer entre 18 e 21 de fevereiro.

As declarações que desencadearam a crise diplomática foram proferidas na quinta-feira, 12 de fevereiro, após um encontro com o Presidente da República. Xanana Gusmão afirmou que, após o recente golpe militar, a Guiné-Bissau deixou de ser apenas um “Estado frágil” para se tornar um “Estado falhado”, sublinhando que Timor-Leste já havia ajudado a estruturar o sistema eleitoral guineense.

Em resposta, o Governo de transição da Guiné-Bissau emitiu, no mesmo dia, um comunicado oficial considerando que as afirmações revelam “falta de dignidade, postura política e moral”. A nota questiona o percurso político de Xanana Gusmão e refere que José Ramos-Horta “tem sido associado, no debate público, a posicionamentos considerados controversos, que levantam dúvidas sobre a sua estabilidade e coerência política”. O executivo guineense sublinha que “estes fatores tornam difícil compreender como figuras com esse perfil assumem responsabilidades de liderança” na CPLP e garante que “não aceita, nem aceitará qualquer tentativa de humilhação pública”.

No dia seguinte, em conferência de imprensa em Bissau, o porta-voz do CNT, Fernando Vaz, classificou as palavras do Primeiro-Ministro timorense como um “erro diplomático” e “delírio de uma cabeça em decadência”. Questionou ainda a legitimidade de Timor-Leste para assumir um papel de mediação. “Quem diz que a Guiné-Bissau é um Estado falhado é quem nomeia indivíduos para mediar o conflito na Guiné. Se somos um Estado falhado, o que estão a fazer aqui?”

Vaz afirmou também que “a idade não trouxe sabedoria” a Xanana Gusmão e considerou que, antes de qualificar outros Estados, o líder timorense deveria refletir sobre a situação interna do seu país. “Timor-Leste é um Estado fachada, que sobrevive sob tutela de potências externas e não tem legitimidade para exportar diagnósticos de fracasso.”

Segundo o porta-voz, a pretensão de Timor-Leste em assumir a presidência da CPLP “não é uma oportunidade de união, mas sim o anúncio de um funeral moral para a organização. Como pode uma comunidade que se diz de pais e irmãos ser liderada por uma dupla de marginais políticos que alternam entre o cinismo diplomático e a demência senil?”.

Afirmou também que enquanto Xanana Gusmão exibe a sua demência popular em nações soberanas de Estados falidos, “esquecendo-se da sua própria captura vergonhosa num bordel, longe de qualquer ato de bravura, Ramos-Horta atua como relações-públicas do oportunismo. São dois lados da mesma moeda”.

“A Guiné-Bissau é um Estado soberano, forjado na luta pela libertação nacional, e não aceita ser diminuída por quem confunde a sorte política com o mérito pessoal. Esta dupla de saltimbancos só deve ser habilitada para mediar pedofilia e demência, sendo presunção a mais pretender ser mediadora para a Guiné-Bissau”, criticou.

Virgílio Guterres analisa declarações de Xanana Gusmão e cancelamento da missão da CPLP à Guiné-Bissau

O Provedor dos Direitos Humanos e Justiça (PDHJ), Virgílio Guterres, avaliou as declarações do Primeiro-Ministro timorense, Kay Rala Xanana Gusmão, sobre a Guiné-Bissau, considerando que, embora a afirmação tenha sido forte, não deve ser interpretada como um ataque direto ao povo guineense.

“Acredito que o Primeiro-Ministro identificou o problema. Ele colocou o dedo na ferida, mas a linguagem utilizada não soou bem aos ouvidos do Governo de transição na Guiné-Bissau”, afirmou Virgílio Guterres.

O Provedor salientou ainda que, enquanto o regime guineense pode ter-se sentido ofendido, muitos cidadãos e alguns políticos da Guiné-Bissau interpretaram a declaração de Gusmão como um reflexo da realidade e não como uma ofensa. “A verdade não ofende o povo, mas ofendeu o regime”, disse.

Em relação à resposta oficial da Guiné-Bissau, que manifestou “profunda indignação e veemente repúdio” às declarações do chefe do Governo timorense, Virgílio Guterres defendeu que o restabelecimento do diálogo depende da postura dos líderes guineenses. “Qualquer processo relativo à Guiné-Bissau vai depender dos políticos do país, bem como do apoio da população. Uma coisa é certa: golpes de Estado não são solução. Já ocorreram dezenas de golpes e demonstraram que não constituem uma medida correta nem eficaz para o povo guineense”, afirmou.

O Provedor enfatizou ainda que Timor-Leste, na qualidade de presidente da CPLP, tem a obrigação de continuar a promover o diálogo e a restaurar os princípios da organização, que incluem a promoção do Estado Democrático e do Estado de Direito.

Sobre o cancelamento da Missão de Bons Ofícios da CPLP à Guiné-Bissau, Virgílio Guterres expressou preocupação quanto às possíveis consequências políticas. “A democracia está em risco na Guiné-Bissau. A violação dos direitos humanos, a detenção arbitrária de políticos da oposição e de ativistas de direitos humanos são questões que necessitam de supervisão internacional, e a ausência dessa supervisão pode desestabilizar o país”, alertou.

Questionado sobre as acusações de pedofilia e de demência dirigidas ao Primeiro-Ministro timorense, Virgílio afirmou que se tratam de ataques pessoais. “A questão em foco não é sobre abuso sexual ou pedofilia; o ataque pessoal é a clássica arma dos ignorantes quando faltam argumentos”.

Para restaurar a estabilidade e a dignidade da Guiné-Bissau, o Provedor sublinhou que é fundamental que os líderes guineenses cumpram os compromissos históricos de independência e soberania e respeitem os princípios de democracia e Estado de Direito. “O povo guineense deve colocar os interesses da nação à frente dos interesses partidários ou de grupos específicos”, concluiu Virgílio Guterres.

Parlamento reage à crise diplomática com apelos à responsabilidade institucional e defesa da imagem do Estado

No Parlamento Nacional, o deputado da FRETILIN, Antoninho Bianco, comentou a polémica envolvendo a declaração do Primeiro-Ministro sobre a Guiné-Bissau, destacando a necessidade de evitar insultos públicos em organizações, sejam pequenas ou grandes, como a CPLP.

“Acho que dentro do princípio de uma organização, sobretudo da CPLP, não podemos e não devemos perder energia com insultos. Insultar pessoas em público não é bom”, afirmou Bianco.

O deputado sublinhou que a diplomacia deve ser conduzida com respeito e compreensão, evitando ataques verbais que possam prejudicar relações internacionais. “Na regra da diplomacia, não é bem assim. Ajudar uns aos outros é normal. No passado, enfrentámos situações difíceis, e outros países também nos ajudaram sem reservas. É importante usar palavras apropriadas, para que o nome de Timor-Leste não seja prejudicado pelo comportamento de uma ou duas pessoas”, declarou Antoninho Bianco.

Bianco reforçou ainda a importância da solidariedade entre países, especialmente em momentos de crise. “Neste momento, outro país está a enfrentar uma situação difícil, por isso precisamos de ajudar. As relações entre países e povos devem visar o interesse humano e do Estado”, concluiu.

Florentinho Ximenes “Sinarai”, deputado da FRETILIN, questionou a recente deslocação do Presidente da República ao estrangeiro, levantando dúvidas sobre o enquadramento da visita e os custos associados.

“Esta deslocação resultou de um convite formal de alguma entidade estrangeira ou partiu de uma iniciativa nossa? Estamos a enviar cartas para que nos convidem? Porque foi gasto tanto dinheiro público?”, questionou o parlamentar.

O deputado associou ainda a visita presidencial às declarações recentes das autoridades da Guiné-Bissau, que acusaram líderes timorenses de promoverem a prostituição.

“É este o resultado da visita? O Governo de Timor-Leste deve responder de imediato às declarações da Guiné-Bissau. Não podemos permitir que um país fale de nós dessa forma. Foi na sequência dessa deslocação que a situação evoluiu para este ponto”, afirmou Florentinho Ximenes.

A Presidente do Parlamento Nacional, Fernanda Lay, reagiu às declarações do deputado da oposição, afirmando que “a CPLP já sancionou a Guiné-Bissau, que neste momento se encontra fora da Assembleia Parlamentar da CPLP (AP-CPLP)”.

Sobre a possibilidade de uma resposta oficial às acusações, a líder parlamentar questionou a existência de fundamentos concretos. “Devemos perguntar se há verdade ou não nas afirmações. Se não houver factos, estamos apenas a perder tempo”, afirmou.

Fernanda Lay sublinhou que Timor-Leste já prestou apoio à Guiné-Bissau em diversas ocasiões e considerou não haver razão para responder a declarações que classificou como desprovidas de argumentos. “Timor-Leste já ajudou muitas vezes. Não há motivo para responder a quem apenas utiliza insultos. É verdade que estamos a promover prostituição? Todos nos conhecemos, Timor é um país pequeno”, declarou.

A Presidente do Parlamento acrescentou que, apesar da indignação, é necessário evitar uma escalada verbal. “Podemos ficar zangados, mas não devemos gastar energia a responder a quem não apresenta argumentos políticos consistentes”, concluiu.

“Não há legitimidade moral para comentar a situação de outro Estado quando o próprio país pode caminhar para a bancarrota”

O jurista Armindo Moniz afirmou que, relativamente a assuntos externos, é necessário basear posições em dados e factos devidamente apurados. “Quanto às declarações do Primeiro-Ministro, creio que podem ter implicações nas relações bilaterais entre Estados-membros da CPLP”, disse.

Para o jurista, a segunda questão prende-se com a situação interna de Timor-Leste. Segundo o Banco Mundial e outros investigadores, o país poderá enfrentar risco de bancarrota nos próximos anos. “Perante este cenário, não há legitimidade moral para comentar a situação de outro Estado quando o próprio país pode caminhar para a bancarrota”, afirmou, referindo-se a Xanana Gusmão e José Ramos-Horta.

“De acordo com alguns estudos, dentro de três ou quatro anos Timor-Leste poderá enfrentar sérias dificuldades financeiras. Porque é que não traçam políticas para prevenir essa situação, promovendo poupança e evitando o desperdício de recursos públicos?”, questionou.

Armindo Moniz acrescentou que, se o Primeiro-Ministro e o Presidente da República falassem na qualidade de académicos ou observadores internacionais, poderiam emitir opiniões com base em dados e análises. “Mas são titulares de órgãos de soberania. A prioridade deve ser exercer as suas funções para prevenir riscos internos. Nessas circunstâncias, não têm legitimidade moral para comentar outro Estado”, criticou.

O jurista acusou ainda os dois governantes de não enfrentarem os problemas estruturais do país. “Há desperdício de recursos, multiplicação de cargos ministeriais e recrutamento de assessores que pouco contribuem para o desenvolvimento. Isso fragiliza o Estado”, afirmou.

Moniz referiu também o aumento de contratações de funcionários casuais para cumprir promessas políticas, considerando que tais práticas não trazem benefícios ao país. “Isto revela má gestão. Enfraquecer instituições independentes, como a Comissão Anticorrupção, é facilitar um caminho que pode conduzir à bancarrota”, concluiu.

A troca de acusações públicas — que passou do plano político para o ataque pessoal — expôs fragilidades diplomáticas entre dois Estados-membros da CPLP e levantou dúvidas sobre a capacidade da organização para atuar como mediadora em contextos de crise. Entre o pedido de desculpas de Xanana Gusmão, o cancelamento da missão e as críticas internas à gestão do país, a polémica ultrapassa a dimensão bilateral e projeta-se sobre a credibilidade internacional de Timor-Leste e da própria comunidade lusófona. Joana Silva – Timor-Leste in Diligente


segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Timor-Leste – Presidente da República promulga lei que revoga pensão vitalícia dos deputados

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, promulgou a lei que revoga a pensão vitalícia dos deputados e ex-titulares dos órgãos de soberania, mas pediu ao Governo uma transição racional, justa e digna. “Ao promulgar esta lei, faço-o depois de profunda ponderação. Sei que ela afetará a vida de líderes e militantes da longa luta pela independência. Esta lei não retira os seus direitos como veteranos e direitos consagrados a uma reforma digna e justa”, afirmou José Ramos-Horta, numa declaração à imprensa após promulgar a lei.


Na declaração, o Presidente timorense recomendou ao Governo que na execução da lei “considere uma transição racional e justa, assegurando soluções dignas”. “O caminho da democracia é feito de escolhas difíceis. A grandeza de uma Nação mede-se não apenas pela coragem de reformar, mas também pela humanidade com que trata os seus cidadãos, incluindo aqueles que servem o Estado”, salientou o Presidente timorense.

O parlamento timorense aprovou na quinta-feira, na generalidade, um projeto de lei para revogar a pensão mensal vitalícia para deputados e ex-titulares de órgãos de soberania. O projecto de lei foi aprovado por 61 dos 65 deputados que compõem o parlamento nacional. A revogação da lei da pensão vitalícia foi feita no âmbito de um acordo estabelecido com os estudantes universitários, após três dias de intensos protestos, e que levou também ao cancelamento da compra de viaturas para deputados.

No âmbito do acordo, os deputados comprometeram-se também a rever a lei sobre a liberdade de reunião e manifestação e a assegurar o adequado financiamento para os setores produtivos no debate do próximo Orçamento do Estado, que terá início em Outubro. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 3 de julho de 2025

Myanmar - Afirma estar contra a adesão plena de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, desvalorizou a posição do Myanmar, que afirmou estar contra a adesão plena de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), prevista para Outubro.


“Uma decisão [foi] tomada em cimeira pelos chefes de Estado, não haverá outra que possa alterar aquela decisão. (…) Myanmar não participa a nível de cimeiras de chefe de Estado, nem a nível ministerial, como sanção aplicada pela própria ASEAN na sequência do golpe de 2021”, afirmou o Presidente. “Não faz a mais pequena diferença”, acrescentou José Ramos-Horta num encontro com os jornalistas na Presidência timorense, em Díli, quando questionado sobre a posição de Myanmar.

Notícias ontem divulgadas em vários órgãos de comunicação social asiáticos indicam que Myanmar enviou uma carta à presidência da Malásia da organização a manifestar que não apoia a adesão de Timor-Leste, porque “não adere ao princípio de não interferência em assuntos internos consagrada na carta da ASEAN”.

Na sequência golpe de Estado de 1 de Fevereiro de 2021, Myanmar foi sancionado e não participa nas cimeiras de chefes de Estado e de Governo, nem nos encontros ministeriais.

Os líderes da ASEAN aprovaram em Abril de 2021 um consenso de cinco pontos para a junta militar no poder no Myanmar aplicar, mas que até hoje não foi concretizado.

A adesão plena de Timor-Leste à ASEAN vai acontecer na cimeira de chefes de Estado e de Governo a realizar em outubro na Malásia, que assume a presidência rotativa da organização asiática.

Os Estados-membros da ASEAN chegaram a um acordo de princípio em novembro de 2022 para integrar Timor-Leste na organização regional, passando o país a ter estatuto de observador e a poder participar em todas as reuniões, incluindo nas cimeiras.

A ASEAN foi criada em 1967 pela Indonésia, Singapura, Tailândia, Malásia e Filipinas e tem como objetivo promover a cooperação entre os Estados-membros para garantir a paz, a estabilidade e o desenvolvimento económico, social e cultural da região. Integram também a ASEAN o Brunei Darussalam, Camboja, Laos, Myanmar e o Vietname. In “Ponto Final” - Macau



segunda-feira, 30 de junho de 2025

Ásia - Marca deixada pelos portugueses “não foi apagada”, diz Ramos-Horta

O Presidente de Timor-Leste considera que a marca deixada pelos portugueses na Ásia não foi apagada e que as comunidades luso-asiáticas espalhadas pela região são a “prova viva desta verdade incontornável”. O chefe de Estado falava na sessão de abertura da quarta Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas, que terminou ontem


O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, afirmou que a marca deixada pelos portugueses na Ásia não foi apagada e que as comunidades luso-asiáticas espalhadas pela região são a “prova viva desta verdade incontornável”.

“A marca deixada pelos portugueses na Ásia não foi apagada pelo tempo. As nossas comunidades são a prova viva desta verdade incontornável. O resultado é algo que perdura: o nascimento de comunidades simultaneamente europeias e asiáticas”, disse José Ramos-Horta.

O chefe de Estado falava na sessão de abertura da quarta Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas, que terminou ontem, com a participação de comunidades do Sri Lanka, Malaca (Malásia), Myanmar, Macau, Tailândia, Goa (Índia) e das Flores e Jacarta (Indonésia).

De acordo com Ramos-Horta, aquelas comunidades não estão apenas “ligadas a Portugal”, mas também umas às outras, porque os “portugueses administraram os seus territórios asiáticos com um sentido de interligação”. “Laços culturais, administrativos e religiosos uniam Goa e Malaca, Flores e Sri Lanka. Durante um período, Timor chegou a ser administrado pelo Governador de Macau”, disse, explicando que a igreja também teve um papel central naquela ligação. A igreja, segundo o Presidente, trouxe a fé, mas também a “educação formal, escrita e disciplina espiritual”.

Lembrando que as comunidades descendentes de portugueses na Ásia são “frequentemente invisíveis nas narrativas nacionais” e “esquecidas pelos manuais escolares”, o Presidente salientou a importância de se juntarem para lembrar, mas [também] para reinventar”.

“Esta conferência dá-vos espaço para reflectir sobre o passado”, mas também, continuou o chefe de Estado, para uma “oportunidade de moldar o próximo capítulo da história”, que será discutido com a proposta da Declaração de Díli, que foi aprovada este domingo, e com a criação da Associação das Comunidades Portuguesas da Ásia. “Esta associação será mais do que uma rede de pessoas e comunidades. É uma promessa e um compromisso: preservar, registar e capacitar. Reconhecer o valor das comunidades muitas vezes marginalizadas ou esquecidas”, disse José Ramos-Horta.

Segundo o Presidente, a Associação das Comunidades Portuguesas da Ásia dará voz às comunidades lusófonas com governos e instituições internacionais, apoiará a investigação e a sustentabilidade económica, mas também ajudará a proteger as histórias e identidades dos povos.

Numa mensagem, lida pela embaixadora portuguesa em Díli, Manuela Bairos, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, manifestou o apoio do Governo português aos objetivos da conferência, a disponibilidade para acolher um encontro em Portugal, bem como “acompanhar os esforços de institucionalização do projecto que a conferência de Díli se propõe a promover”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 21 de maio de 2025

Timor-Leste – Presidente da República propõe criação de universidade conjunta com a Indonésia

O Presidente timorense, José Ramos-Horta, propôs a criação de uma universidade conjunta entre Timor-Leste e a província indonésia de Nusa Tenggara Timur (NTT), que inclui a parte ocidental da ilha de Timor.



“Hoje aproveito a oportunidade para publicamente propor uma nova era de cooperação entre Timor-Leste, a Indonésia, em geral, e a província de NTT, em particular. Proponho a criação de uma universidade técnica de alta qualidade que atravessa a nossa fronteira terrestre comum, um campus universitário com faculdades, edifícios e equipamentos, partilhados, geridos por ambos os nossos países em ambos lados da fronteira”, afirmou Ramos-Horta.

O chefe de Estado discursava na cerimónia para assinalar o 23.º aniversário da restauração da independência, que decorreu no Palácio da Presidência, em Díli, e contou com a participação dos membros do Governo, parlamento e corpo diplomático, entre outros. Presentes estiveram também um representante do general Agus Subiyanto, chefe das Forças Armadas da Indonésia e o brigadeiro-general João Xavier Barreto Nunes, comandante regional das Forças Armadas da Indonésia para a Região Oriental.

Defendendo o reforço dos laços históricos, familiares, culturais, sociais e económicos com a NTT, o Presidente salientou que a universidade, em língua inglesa (língua oficial da Associação das Nações do Sudeste Asiático) seria vocacionada para as ciências e tecnologia, agricultura, gestão de recursos hídricos, energias renováveis, ambiente e empreendedorismo.

“Uma universidade que poderíamos chamar ‘Timor Island International University’ [Universidade Internacional da Ilha de Timor], cofinanciada pelos governos timorense e indonésio, com a participação de universidades selecionadas em ambos os países, e apoiadas por parceiros estrangeiras que queiram associar-se a este projecto”, disse José Ramos-Horta.

Na intervenção, o chefe de Estado timorense pediu também para se avançar para uma “nova era” simplificada e digitalizada, com a eliminação das barreiras que “impedem ou atrasam o desenvolvimento”.

“Eliminação de qualquer tipo de barreiras e obstáculos, de ordem comercial, legal, administrativo e institucional, ao intercâmbio cultural, ao estabelecimento de negócios, à criação de indústrias e ao movimento de cidadãos, em especial trabalhadores e estudantes”, salientou. O Presidente pediu também às autoridades indonésias a emissão automática de vistos a estudantes correspondendo ao período do ciclo de estudos, em vez da obrigatoriedade anual de renovação de visto. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 14 de março de 2025

Timor-Leste - Transferência de pacientes para hospital em Atambua gera controvérsia

A possibilidade de encaminhar pacientes timorenses para tratamento em Atambua, Indonésia, está a gerar forte polémica em Timor-Leste. Enquanto o Presidente da República, José Ramos-Horta, defende a medida como uma alternativa viável para reduzir custos, várias entidades consideram-na uma vergonha nacional e um sinal da degradação do sistema de saúde do país



A eventualidade do governo encaminhar pacientes timorenses para tratamento no Hospital Geral Regional Gabriel Manek, em Atambua, Indonésia, está a gerar forte controvérsia em Timor-Leste. O Presidente da República, José Ramos-Horta, defende a medida como uma solução para reduzir custos, mas deputados da oposição e especialistas alertam para a perda de soberania e a falta de investimento no sistema de saúde nacional. Críticos classificam a decisão como uma “vergonha nacional”, questionando a transparência do acordo e a qualidade dos serviços médicos na Indonésia.

A discussão intensificou-se após o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, ter afirmado que a recomendação partiu de Ramos-Horta e que a parceria com o hospital indonésio permitiria reduzir os elevados custos dos tratamentos no exterior, nomeadamente em Singapura e na Malásia.

A medida levanta críticas entre vários setores da sociedade, que consideram inaceitável que o Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), o maior hospital de Timor-Leste, seja ultrapassado por uma unidade distrital indonésia. Para muitos, esta decisão demonstra a degradação do sistema de saúde nacional e a falta de investimentos para o melhorar.

A deputada Maria Angelina Sarmento, do Partido Libertação Popular (PLP), criticou a decisão, considerando que a transferência de pacientes para Atambua “diminui a dignidade de Timor-Leste”. Para a deputada, a medida transmite a ideia de que os recursos humanos e a qualidade do HNGV são inferiores aos de um hospital municipal indonésio.

“Timor-Leste deveria ter apostado num hospital de nível internacional dentro do país. Se continuarmos a depender de hospitais estrangeiros, estaremos apenas a fortalecer os sistemas de saúde dos outros enquanto o nosso permanece atrasado”, afirmou.

Preocupações com transparência e qualidade dos serviços

Além da questão da soberania, surgem dúvidas sobre a transparência nos acordos bilaterais e a qualidade dos serviços médicos em Atambua. A deputada da FRETILIN, Nurima Ribeiro Alkatiri, manifestou preocupação com a falta de investimento nos hospitais e centros de saúde nacionais.  “O foco deveria ser o fortalecimento do nosso próprio sistema de saúde, em vez de transferências para outros países, que perpetuam a fragilidade do setor”, destacou.

Nurima Alkatiri acrescentou que, embora o governo justifique a decisão com o alto custo dos tratamentos no estrangeiro, não está claro porque se optou por Atambua, um local que, segundo declarações do próprio Presidente da Indonésia, enfrenta dificuldades em responder às necessidades locais.

“Se Atambua tem falta de recursos para os próprios cidadãos, como poderá garantir assistência adequada aos pacientes timorenses?”, questionou.

O académico e jurista Armindo Moniz também levantou dúvidas sobre a qualidade dos serviços prestados no hospital indonésio, explicando que Atambua é classificado como hospital de grau C, enquanto o HNGV deveria, teoricamente, ter uma classificação superior.

“Se estamos a transferir pacientes do nosso hospital nacional para um hospital de classe C, isso significa que o HNGV é um hospital de classe D? Se for esse o caso, o nosso sistema de saúde está numa situação gravíssima”, alertou.

Desigualdade no acesso à saúde

Outro ponto de crítica diz respeito à desigualdade no acesso aos serviços de saúde. Segundo Moniz, a transferência para Atambua destina-se apenas aos mais pobres, sob o pretexto de reduzir custos, enquanto os líderes políticos continuam a viajar para tratamentos de luxo no estrangeiro.

“Se o governo quer cortar despesas, porque não reduz os salários dos assessores, ministros e deputados, ou elimina subsídios injustificados dos membros do Parlamento Nacional?”, questionou.

Maria Angelina Sarmento criticou o governo, alertando que “o Estado está a falhar no seu dever de garantir assistência médica digna aos cidadãos”.

Deputados da oposição têm criticado repetidamente a falta de investimento na saúde, especialmente nos debates sobre o Orçamento Geral do Estado (OGE). Segundo Maria Angelina Sarmento, o governo rejeitou propostas para reforçar o orçamento do setor, canalizando verbas para infraestruturas que beneficiam apenas alguns grupos.

“O setor da saúde continua subvalorizado porque o governo não reconhece as pessoas como o fator mais importante. Um país que não investe no bem-estar do seu povo está a comprometer o seu próprio futuro”, alertou Maria Angelina. A deputada reforçou que um investimento adequado no setor da saúde contribuiria não só para a melhoria do bem-estar da população, mas também para o crescimento económico.

“A solução não passa apenas por reduzir os custos com tratamentos no exterior. O problema real é a incapacidade e falta de vontade do governo em criar um sistema de saúde eficiente dentro do país”, frisou Nurima Alkatiri.

Propostas para um sistema de saúde mais autossuficiente

A oposição defende que, em vez de depender de hospitais estrangeiros, o governo deveria investir na criação de centros especializados em oncologia e cardiologia no país, uma necessidade reconhecida, mas que não recebeu qualquer alocação orçamental para 2025. “Essa era uma promessa do governo, mas agora parece que deixou de ser prioridade”, lamentou Nurima Alkatiri.

Além disso, a deputada propõe modernizar e equipar os hospitais nacionais e regionais para garantir um atendimento de qualidade; reforçar a formação e retenção de médicos timorenses, promovendo a especialização dentro do país; garantir o fornecimento contínuo de medicamentos e equipamentos médicos; implementar programas de prevenção e diagnóstico precoce para reduzir a necessidade de tratamentos dispendiosos e criar parcerias com universidades e hospitais estrangeiros para capacitar profissionais timorenses.

Maria Angelina Sarmento também pediu uma avaliação rigorosa das decisões da junta médica, denunciando alegados interesses financeiros de alguns elementos do Ministério da Saúde na seleção de pacientes para tratamento no exterior. “Há relatos de que certas pessoas influenciam as transferências para hospitais estrangeiros por interesses privados. Isto deve ser investigado”, afirmou.

Questionadas sobre as dívidas do governo a hospitais estrangeiros, as deputadas afirmaram que é obrigação do executivo encontrar soluções rápidas, de forma a não prejudicar ainda mais os pacientes timorenses que necessitam urgentemente desses tratamentos no exterior. Antes de estabelecer novos acordos de transferência de pacientes, o governo deve primeiro resolver as dívidas pendentes.

Caso haja suspeitas de irregularidades nos pagamentos, Maria Angelina Sarmento defendeu que “primeiro devem ser resolvidos os pagamentos pendentes e, depois, iniciada uma investigação para identificar eventuais responsáveis que possam estar a transformar esta situação numa oportunidade de negócio para interesses privados”, afirmou.

As deputadas sublinharam que o Parlamento Nacional tem o dever de fiscalizar e que esse papel deve ser exercido através de audiências com o Ministério da Saúde e outras instituições relevantes. No entanto, denunciaram que “a maioria parlamentar tem defendido o governo cegamente, mesmo quando são evidentes as falhas graves que têm ocorrido no setor e as suas consequências. Desta forma, a fiscalização tem-se tornado um mero cumprimento de burocracias, cujos relatórios muitas vezes não refletem os problemas identificados durante as audiências e inspeções, enfraquecendo assim o impacto que poderiam ter e que é necessário”, lamentaram.

Em 2024, a bancada da oposição do PLP apresentou uma denúncia ao Ministério Público sobre a adjudicação direta à empresa Salimagu para o fornecimento de medicamentos ao Instituto Nacional de Farmácia e Produtos Médicos. No entanto, até ao momento, o problema continua por resolver.

Armindo Moniz realçou que o governo precisa de alocar um orçamento adequado para melhorar os recursos e as infraestruturas de saúde. Segundo ele, isso permitiria reduzir a necessidade de enviar pacientes para o exterior e ajudaria a desenvolver um sistema de saúde autossuficiente no país. “O HNGV tem recursos humanos suficientes, mas os equipamentos precisam de mais atenção. O governo deveria cortar verbas de ministérios irrelevantes e eliminar subsídios desnecessários aos membros do governo e do Parlamento Nacional. Isso tem de acabar”, defendeu.

Além disso, Moniz recomendou que o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, faça uma remodelação governamental e coloque profissionais qualificados à frente do setor da saúde. “Deveria demitir a Ministra da Saúde, Élia Amaral, e nomear alguém com verdadeira capacidade para liderar o setor. Esta é uma questão técnica e deve ser conduzida por um profissional competente”, concluiu.

Ramos-Horta defende medida, Xanana promete avaliação

José Ramos-Horta justificou a proposta alegando que a transferência para Atambua permitiria uma resposta mais rápida e acessível às necessidades dos pacientes, especialmente quando o HNGV não tem equipamentos disponíveis ou estes estão avariados. “É mais barato enviar os pacientes para Atambua do que para Jacarta ou Singapura”, afirmou o Presidente da República.

O Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, por sua vez, garantiu que a decisão ainda será avaliada e que o governo entrará em contacto com a Ministra da Saúde, Élia dos Reis Amaral, para examinar as condições do hospital antes de encaminhar pacientes.

“O Presidente disse que há técnicos qualificados lá. Se há doenças que não conseguimos tratar aqui, devemos analisar a experiência deles. Não podemos continuar a gastar milhões todos os anos em Singapura ou na Malásia”, explicou Xanana.

O chefe do governo também mencionou que Timor-Leste firmou uma parceria com Brunei Darussalam para formar profissionais de saúde timorenses em diversas especialidades, o que poderá reduzir a dependência externa no futuro. “No caso da cardiologia, por exemplo, se conseguirmos especializar os nossos médicos, não precisaremos mais de enviar pacientes para Singapura ou Austrália”, concluiu.

A decisão do governo continua a gerar divisões. Enquanto a liderança defende a transferência como uma solução económica, a oposição e especialistas defendem que sem investimentos urgentes no sistema de saúde nacional, a dependência de hospitais estrangeiros só irá agravar-se. Rilijanto Viana – Timor-Leste inDiligente


terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Vietname – Presidente da República de Timor-Leste participa em fórum das nações do sudeste asiático

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, viajou para o Vietname para participar no Fórum do Futuro da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e para fortalecer as relações de cooperação regionais.

“O Fórum do Futuro da ASEAN representa uma plataforma crucial para o diálogo e a colaboração, à medida que trabalhamos para construir um sudoeste asiático mais integrado e resiliente”, afirmou o Presidente timorense, citado num comunicado divulgado à imprensa.

Segundo José Ramos-Horta, a participação de Timor-Leste naquele fórum demonstra o compromisso do país com a “cooperação regional” e a disponibilidade para “contribuir de forma significativa para a visão partilhada da ASEAN de desenvolvimento sustentável e prosperidade”.

“À medida que avançamos no nosso processo de adesão, estamos empenhados em trabalhar em estreita colaboração com os nossos vizinhos para enfrentar desafios comuns e aproveitar oportunidades para o crescimento coletivo”, acrescentou o chefe de Estado.

Durante a visita ao Vietname, que termina quarta-feira, o também prémio Nobel da Paz vai realizar reuniões bilaterais com o Presidente vietnamita, Luong Cuong, e com o secretário-geral do Partido Comunista do Vietname, To Lam, para “reforçar os laços diplomáticos” e “aprofundar a cooperação regional e o desenvolvimento”.

No Fórum do Futuro da ASEAN, José Ramos-Horta, que viajou acompanhado de uma delegação do Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense, vai proferir um discurso na cerimónia de abertura e participar numa sessão de perguntas e respostas. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 9 de julho de 2024

Angola - José Ramos Horta proferiu palestra na Academia Diplomática Venâncio de Moura

O Chefe de Estado da República Democrática de Timor-Leste, José Ramos Horta, proferiu, esta terça-feira, uma palestra com o tema "Timor-Leste, a região e o mundo”, na Academia Diplomática Venâncio de Moura, em Luanda


O Presidente timorense fez uma retrospectiva da luta pela independência, os desafios económicos e sociais superados e os passos dados em direcção a uma governação democrática e inclusiva.

Durante a palestra, o estadista reconheceu o papel exemplar de Angola na resolução de conflitos, pacificação e a reconciliação nacional, destacando a importância das licções aprendidas de Angola para outros países que enfrentam actualmente situações similares, abordou questões ligadas as boas relações bilaterais entre os dois países, questões regionais e o papel do multilateralismo no cenário internacional.

O Presidente José Ramos Horta, que cumpre uma visita de Estado de 72 duas a Angola, percorreu, também, as várias áreas que compõem a Academia Diplomática Venâncio de Moura, acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Téte António, e do director daquela instituição de estudos diplomáticos, Marcos Barrica. 

Na segunda-feira, Angola e Timor-Leste assinaram três instrumentos de cooperação, um dos quais um é o Memorando de Entendimento entre a Academia Diplomática Venâncio de Moura e o Centro de Estudos Diplomáticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação da República Democrática de Timor-Leste.

A Academia Diplomática Venâncio dispõe de cursos de capacitação para diplomatas, de línguas, de especialização, entre outros.

Inaugurada a 12 de Novembro de 2020, pelo Presidente da República, João Lourenço, é um órgão do MIREX e tem como patrono o saudoso ministro das Relações Exteriores Venâncio da Silva Moura, cuja homenagem é rendida a 25 de Fevereiro, dia do seu nascimento. Xavier António – Angola in “Jornal de Angola”

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Timor-Leste – Presidente da República defende recrutamento local de timorenses para trabalharem em Portugal

O Presidente de Timor-Leste defendeu que o recrutamento de timorenses para trabalharem em Portugal devia ser feito localmente ou à chegada ao país, para evitar “falsas agências de emprego” e “combater o “tráfico humano”. O que “faria todo o sentido é que qualquer timorense que queira trabalhar em Portugal, chegando lá, fosse apoiado por agências vocacionadas para o efeito e fossem logo trabalhar”, disse José Ramos-Horta, quando questionado pela Lusa sobre a decisão de Portugal de passar a exigir comprovativo de meios de subsistência para atribuir visto de trabalho a cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). “Eu compreendo, do lado de Portugal que haja precauções”, disse o chefe de Estado, dando como exemplo o Japão, que abriu um programa para contratar trabalhadores estrangeiros, mas que chegam ao país já com contrato e emprego garantido.

O objectivo, explicou Ramos-Horta, é “evitar que vão milhares de pessoas de repente e só depois é que começam a procurar emprego”. Nesse sentido, o Presidente timorense defendeu também que deviam instalar-se em Timor-Leste agências portuguesas de contratação de trabalhadores. “Fazem entrevistas e recrutamento aqui, toda a papelada é feita, para evitar falsas agências de emprego, combater o tráfico humano, falsas agências de viagens. Muitos timorenses que foram para Inglaterra, há 20 anos, primeiro foram para Portugal e foi uma agência portuguesa que organizou tudo e que continua a apoiar timorenses”, salientou.

O secretário das Comunidades Portuguesas, José Cesário, anunciou terça-feira que os cidadãos lusófonos que pretendam entrar em Portugal com um visto de trabalho da CPLP vão ter de comprovar meios de subsistência até arranjarem trabalho, ao contrário do que estava anteriormente previsto. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, já tinha afirmado em 09 de maio que o Governo português está a trabalhar em “acordos laborais” com países lusófonos para identificar necessidades de mão-de-obra, nomeadamente na agricultura e regular o fluxo de imigrantes.

Portugal e Timor-Leste assinaram em outubro um memorando de entendimento sobre Mobilidade Laboral com o objetivo de facilitar a migração legal de trabalhadores timorenses para território português, assegurando os seus direitos laborais e de proteção social. Segundo os Censos de 2022 de Timor-Leste, os seis principais destinos de emigrantes timorenses são o Reino Unido, Irlanda, Coreia do Sul, Austrália, Indonésia e Portugal. In “Ponto Final” - Macau

 


sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Timor-Leste - Escritor Luís Cardoso condecorado pelo Presidente José Ramos-Horta

O Presidente timorense condecorou ontem o escritor Luís Cardoso com o Colar da Ordem de Timor-Leste, em reconhecimento pelo seu trabalho literário e pelo papel que teve durante a luta pela autodeterminação do país

José Ramos-Horta destacou o “privilégio e o prazer de trazer de volta a Timor-Leste, à sua terra natal, o grande escritor timorense ‘Takas’”, que comparou com “Mia Couto, o Pepetela e outros grandes escritores de Cabo Verde, Brasil e Portugal”.

“’Takas’ orgulha-nos e enriquece a cultura e a literatura timorense. Temos procurado incentivar a leitura e através do escritor ‘Takas’ queremos também tentar incentivar ainda mais a leitura entre os nossos jovens”, destacou.

Intervindo na cerimónia, Luís Cardoso, conhecido como ‘Takas’, expressou o seu profundo agradecimento pela condecoração, admitindo que o momento o deixou “profundamente emocionado”, especialmente por considerar que o seu contributo ao país tem sido apenas literário.

“Um prémio literário acontece na vida de um escritor quando se acredita no valor e qualidade do seu trabalho. Uma condecoração é algo que o Estado concede aos seus cidadãos por serviços relevantes”, afirmou. “Não tenho feito nenhum trabalho relevante pelo meu país durante estes 20 anos, a não ser prestar o meu contributo para a existência de uma literatura timorense”, disse.

Luís Cardoso deixou agradecimentos aos pais, que lhe deram “uma educação dedicada, apesar de todos os esforços”, à mulher e à filha, que o acompanharam nesta visita ao país, e em especial aos professores. “Aceito esta condecoração como homenagem aos meus professores timorenses que me ensinaram a ler e a escrever”, afirmou, recordando depois, por nome, os seus ‘mestres’, nas escolas onde estudou na ilha de Ataúro, em Soibada, em Fuiloro. E depois deixou um apelo, mostrando-se otimista que a literatura timorense possa expandir-se e crescer. “Juntos engrandecemos a literatura do nosso país. Timor tem um povo extraordinário, tem uma história extraordinária, uma liderança extraordinária que conduziu o povo à independência, tem uma literatura oral extraordinária. Acredito que mais cedo ou mais tarde teremos também escritores extraordinários em Timor-Leste”, afirmou.

No decreto de condecoração, o chefe de Estado recorda, além do trabalho literário, o papel de Luís Cardoso durante a luta pela independência, período em que exerceu funções de representação do Conselho Nacional da Resistência Maubere (CNRM) em Portugal, quando trabalhou diretamente, entre outros, com o próprio Ramos-Horta.

A condecoração foi entregue numa cerimónia no Palácio Presidencial que marca a primeira visita de Cardoso a Timor-Leste em quase uma década e durante a qual o vencedor do Prémio Oceanos visitará várias regiões do país. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 23 de março de 2023

Timor-Leste - Director da Escola Portuguesa de Díli discute com PR opções para ampliar instalações


O director da Escola Portuguesa de Díli (EPD) disse ter reafirmado ao Presidente timorense o empenho da instituição no ensino e divulgação da língua portuguesa e a vontade de expandir as atuais instalações, que estão sobrelotadas.

“Vim apresentar cumprimentos ao Presidente da República e dizer que a EPD continua na senda da divulgação do português, do ensino do português e da dinamização da cultura e da língua portuguesa”, disse Manuel Alexandre Marques aos jornalistas, no Palácio Presidencial.

“O Presidente recomendou que continuemos a trabalhar, a divulgar o português entre todos os nossos alunos, e que façamos do português também uma ferramenta de comunicação entre povos, fazer com que a língua portuguesa seja um veículo de comunicação com todos e entre todos”, explicou depois do encontro com o chefe de Estado, José Ramos-Horta.

Manuel Alexandre Marques, que assumiu funções este mês, recordou o papel importante da EPD no reforço das capacidades linguísticas em português da nova geração, afirmando que é essencial, para isso, ampliar a escola para responder à crescente procura. “Estamos com uma sobrelotação e também falámos sobre isso, sobre a vontade do Estado português de ampliar a escola. Estão a ser estudadas várias opções. Todo o processo está em estudo, inclusivamente pelo Governo para podermos melhorar a EPD que é uma escola de referência em Timor-Leste e vai continuar a ser”, explicou.

A questão do alargamento da EPD foi um dos temas em debate na agenda da visita que o secretário de Estado da Educação português, António Leite, efetuou na semana passada a Timor-Leste.

No caso da EPD, e como António Leite referiu à Lusa, há “três possibilidades em cima da mesa (…) partindo do princípio de que se vai alargar a escola”, estando a nova direcção a analisar o assunto antes de negociações mais amplas para que a decisão final seja tomada, disse António Leite.

“No passado já houve um projeto [de ampliação]. Mas temos uma lista de espera de 600 crianças, o que tornaria a EPD uma das maiores escolas portuguesas no estrangeiro. Vamos dar tempo à nova direcção para conhecer a escola, tomar o pulso”, explicou.

As opções são construir um piso adicional sobre um dos blocos actualmente existentes, “possível do ponto de vista de engenharia”, dividir a escola em dois polos, semelhante aos agrupamentos escolares em Portugal, com uma parte dos ciclos num polo e outra noutro e, finalmente, a “mais radical, que é de construir de raiz a escola noutro sítio”, acrescentou Leite.

A EPD tem actualmente mais de mil alunos e uma lista de espera que ultrapassa os 600. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


 

terça-feira, 7 de março de 2023

Timor-Leste – Presidente da República condecora director cessante da Escola Portuguesa de Díli


O Presidente da República timorense condecorou ontem o diretor cessante da Escola Portuguesa de Díli com a Medalha da Ordem de Timor-Leste, em reconhecimento pelo trabalho de liderança do seu mandato.

Acácio de Brito foi ontem condecorado por José Ramos-Horta numa cerimónia no Palácio Presidencial em Díli, durante a qual o chefe de Estado destacou o trabalho do director cessante ao longo dos seus sete anos à frente da EPD. “A Medalha é um reconhecimento pelos esforços que Acácio de Brito desenvolveu na Escola Portuguesa de Díli, pela ação desenvolvida em resultado da calamidade das cheias de março de 2020 e o papel na reconstrução”, refere-se no decreto da condecoração.

José Ramos-Horta destacou o papel de Acácio de Brito, que terminou oficialmente o seu mandato esta semana, sublinhando a importância da Escola Portuguesa de Díli no espaço educativo nacional.

“Há pessoas que servem uma instituição ou sociedade durante algum tempo e ao partirem de regresso à sua terra deixam obras e gratas recordações. O amigo Acácio esteve connosco sete anos, vai partir, mas deixa uma bela obra”, afirmou. “O resultado está à vista: mais de mil alunos, mais de 95% timorenses, de famílias simples e pobres e de famílias mais bafejadas pela vida. Conheço a escola, conheço a obra, conheço a liderança de qualidade de Acácio de Brito, incluindo nos tempos de grandes desafios”, disse.

Ramos-Horta recordou que os professores e funcionários da escola “salvaram crianças” nas cheias 2020 e que a EPD “produziu jovens que honraram todos os timorenses” com boas classificações em competições internacionais.

O chefe de Estado recordou que a EPD serviu de inspiração, aquando do seu primeiro mandato, para o projecto que incentivou de criação das antigas escolas de referência, hoje Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE).

“Disse na altura que para ganharmos a batalha da língua portuguesa em Timor-Leste teríamos que repicar em todo o país o modelo da Escola Portuguesa”, recordou, referindo-se ao projecto que está hoje em 12 dos 13 municípios do país e na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA). “A EPD vai continuar, aumentar, talvez com mais uma escola em Oecusse, outra em Baucau. As CAFE vão consolidar, melhorar e expandir. Timor-Leste necessita disso, é incontornável para o futuro de Timor-Leste”, vincou.

Intervindo na cerimónia, Acácio de Brito agradeceu o apoio da liderança timorense ao projeto da EPD, e em particular nos esforços de reconstrução depois das cheias, e a toda a comunidade escolar pelo trabalho desenvolvido. “Recordo momentos dramáticos que vivemos durante as cheias de 13 de março de 2020. Recordo também a pandemia que nos obrigou a todos a um trabalho fantástico”, afirmou.

Em declarações à Lusa, depois da cerimónia, Acácio de Brito destacou os grandes desafios do mandato, em particular a resposta às cheias, considerando que a EPD “está melhor” do que quando chegou. “Isso é facilmente constatável em todos os aspetos, com mais alunos, com resultados. Cerca de 97% dos alunos são timorenses e é uma escola com belíssima qualidade, que devemos aos belíssimos professores, funcionários, pais e alunos”, disse. “Cumpri todos os objetivos que estavam traçados e introduzimos outros, incluindo o ano zero, e a inovação, com apoio adicional a alunos com maiores dificuldades em língua portuguesa”, sublinhou.

Entre os projectos que procurou desenvolver o único que, disse, não conseguiu implementar, foi o da expansão da escola, iniciativa que, considera, ainda é essencial.

Criada em 2009, a Ordem de Timor-Leste pretende “com prestígio e dignidade, demonstrar o reconhecimento de Timor-Leste por aqueles, nacionais e estrangeiros, que na sua atividade profissional, social ou mesmo num ato espontâneo de heroicidade ou altruísmo, tenham contribuído significativamente em benefício de Timor-Leste, dos timorenses ou da humanidade”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


 

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Timor-Leste - Presidente José Ramos-Horta destaca os 101 anos do padre João Felgueiras

Jesuíta natural de Caldas das Taipas vive há 53 anos naquele país

O Presidente da República Democrática de Timor-Leste, José Ramos-Horta, visitou o padre jesuíta João Felgueiras, que vive naquela ilha do Sudeste Asiático há mais de 50 anos, apelidando-o de “profeta” e invocando a sua naturalidade: “Só pode ter vindo de Guimarães”.

Através das redes sociais, o chefe de Estado timorense lembra que o padre João é natural de Guimarães, “cidade Berço de Portugal” e local onde “Afonso Henriques tramou contra a mãe, consolida o poder, avança para o Sul, expulsa os Mouros e no Ano Cristão de 1143 fundou Portugal”.

E elogia: “Um homem de tão invejada longevidade, ainda lúcido e animado aos quase 102 anos de idade, só pode ter vindo de Guimarães herdando o ADN do Primeiro Rei de Portugal. Em Timor-Leste há mais de 50 anos de missão de servir com total entrega”.

Ramos-Horta adiantou que a conversa com o padre João foi “animada” e durou “mais de uma hora”, com o jesuíta a dirigir “uma oração” pela “saúde e sabedoria” do governante.

Em reportagem da Agência Lusa, datada de maio de 2022, o padre João Felgueiras é descrito da mesma forma em que hoje recebeu o Presidente daquela recente nação: “Sentado, ao lado da pequena capela do Centro Juvenil Padre António Vieira, em Díli, num banco castanho de madeira algo desgastado, o cabelo curto e fino e do mesmo branco da barba e da batina até aos pés, tapados com sapatos beges claros, quase da cor da pele”.

Natural de Caldas das Taipas, concelho de Guimarães, é o mais novo de oito irmãos, três rapazes e cinco raparigas: “Somos dois padres e quatro religiosas, uma família de missionários”, disse, considerando-se “português e timorense”.

“Vim para aqui como missionário para trabalhar, enquanto a Companhia de Jesus quisesse e assim foi até agora. Todos contribuímos. O passado foi vivido, e estou contente de ter vivido em paz, não fiz nada contra ninguém, nada de mal contra o povo e estou contente poder ter contribuído alguma coisa”, explicou na mesma reportagem.

Felgueiras foi um educador que dedicou mais de metade da sua vida a Timor-Leste e aos timorenses, vivendo até hoje, na alma, todas as lutas da população.

Em maio de 2016, quando o então chefe de Estado Taur Matan Ruak condecorou o padre Felgueiras com a Insígnia da Ordem de Timor-Leste, lembrou a sua dedicação como “educador infatigável de sucessivas gerações de timorenses, e na preservação da nossa identidade nacional e promoção do desenvolvimento cultural do país”.

Antes, em 2002, foi condecorado como Grande Oficial da Ordem da Liberdade, pelo então Presidente português, Jorge Sampaio, em reconhecimento da sua luta pela preservação da língua portuguesa em Timor-Leste.

A educação, e a educação em língua portuguesa, foram os grandes motes da vida de João Felgueiras.

Mesmo nos tempos mais duros, quando ensinar português era proibido, dedicou-se ao ensino da língua, escondido e na clandestinidade, sempre com o sonho de ver nascer uma escola.

Finalmente, em 2017, viu nascer esse projeto, a ampliação da Escola Amigos de Jesus, projeto de vida do jesuíta que vive há 53 anos em Timor-Leste e que ensinou português na clandestinidade.

No dia da inauguração, a 04 de fevereiro de 2017, João Felgueiras falava do sonho que se concretizava, mas cuja primeira pedra tinha começado a ser construída muito antes, fruto da atividade pastoral dos padres jesuítas durante a ocupação indonésia.

Anos antes, em maio de 1999, João Felgueiras já falava, apaixonado, sobre a sua terra, e a versão inicial da ‘escola’ era uma casa e algumas árvores onde algumas centenas de timorenses aprendiam português, meio às escondidas.

Na altura, o padre Felgueiras recordava que houve períodos em que falar português em Timor-Leste representava quase uma condenação imediata:

“Nos primeiros anos houve muitos timorenses que foram perseguidos e maltratados por terem livros em português. Houve alguns que morreram apenas porque usavam a língua portuguesa”, contou na altura.

Diz-se motivado pelos “bons exemplos”, que teve em casa, na família, na escola e na Companhia de Jesus: “Como que um jardim sempre a acompanhar-me de valores, que me ajudaram muito a transmitir esses valores aos outros”.

Em 2021 perdeu o seu maior amigo em Timor-Leste, o também jesuíta padre José Martins, de Barcelos, de quem sente grandes saudades.

“Era um grande amigo que tínhamos cá. A vida é assim. tenho pena e uma saudade muito grande. Tenho lá a fotografia dele ao pé das dos meus irmãos. Um amigo desde o princípio, que viveu todos os problemas ao meu lado”, disse. In “O Minho” - Portugal