Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 23 de junho de 2026

Angola - Plataforma Kukubela lecciona aulas de línguas maternas com foco no resgate

Há dois anos dedicada ao resgate e à valorização das línguas africanas, com maior incidência nas línguas nacionais, a plataforma Kukubela, criada por um grupo de jovens angolanos, aposta no ensino de kikongo, kimbundu, umbundu, cokwe e lingala


Os planos de aulas, disponíveis na Play Store e na App Store, contemplam conteúdos básicos e avançados e já beneficiaram cerca de 37 mil utilizadores ao longo deste período de actividade.

Entre os utilizadores encontram-se cidadãos de Angola, Brasil, Reino Unido, França e Bélgica, interessados em aprender línguas nacionais e africanas. “Temos alunos no mundo inteiro.

Aliás, olhando para essa perspectiva de difundir as nossas línguas a nível mundial, é possível aprendê-las com base no inglês e no francês. Isso serve de apoio para os nossos irmãos que vivem na diáspora e que não dominam o português, mas gostariam de aprender as línguas nacionais. Assim, quem fala e entende inglês ou francês pode aprender as nossas línguas”, explicou o professor Moisés Cudi Muena. Antónia Gonçalo – Angola in “O País”


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Brasil - Líder indígena afirma que o país pode ter o primeiro partido político dos povos indígenas

Marcos Terena, do Mato Grosso do Sul, participou no Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas, na ONU, em Nova Iorque. Segundo ele, o sonho de criar uma legenda partidária para defender os povos originários “não morreu” e continua a ser debatido por vários representantes indígenas de norte a sul do país


O Brasil pode ver nascer, nos próximos quatro anos, o primeiro partido político dos povos indígenas. O objetivo é criar uma legenda para representar os povos originários nos mais altos escalões do poder e decisões nacionais, que afetam a vida de todos os cidadãos brasileiros.

A declaração é do líder indígena Marcos Terena. Nascido no Mato Grosso do Sul, ele integra a luta pelos direitos dos povos indígenas, há várias décadas, inclusive em Brasília, onde vive e trabalha.

Mais de mil indígenas na ONU

Terena veio a Nova Iorque para participar da 25.ª Sessão do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas. Este ano, o encontro debateu o acesso à saúde para os indígenas incluindo durante conflitos.

Nessa entrevista à ONU News, Marcos Terena garantiu que o sonho de fundar o próprio partido não morreu para os indígenas e está a ser debatido por lideranças da causa de norte a sul do Brasil.

“O indígena, hoje no Brasil, tem ideologia também de esquerda, de direita. Tem muita gente que apoia o agronegócio. Tem muita gente que apoia o movimento de esquerda, né? Mas a construção do Partido Indígena, talvez quando esses indígenas se elegerem, seja possível através de uma recomendação dos próprios indígenas. Eu espero que sejam eleitos nessa eleição como senadores, como deputados federais e estaduais também.

ONU News: Então o sonho ainda existe?

Marcos Terena - Existe. A gente não pode matar esse sonho. Esse é um sonho de representação. Você imagina um Parlamento indígena com 300 membros que não são necessariamente partidários, mas que são 300 membros que vão representar sociedades indígenas distintas, línguas distintas dentro do Congresso Nacional?”

Pobreza extrema e conceito ideológico

O Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas foi aberto pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e pela presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock. Com mais de mil indígenas e integrantes da sociedade civil.

Guterres lembrou que os povos indígenas representam 6% de toda a população global e quase 19% das pessoas que vivem em pobreza extrema no mundo.

À margem do evento, com mais de mil pessoas, Marcos Terena contou que há avanços registados não somente no Brasil, como em outras partes do mundo, mas que somente uma força política dedicada aos povos originários poderia levar mais melhorias à vida dos indígenas brasileiros

Para Marcos Terena, que participou da criação do Fórum Permanente sobre Assuntos dos Povos Indígenas, em 2006, na sede da ONU, é preciso ainda criar “um conceito ideológico indígena” dentro do Brasil para que as crianças possam saber, desde pequenas, que são parte de uma nação advinda desse grupo étnico e de outros como europeus e africanos. Uma lição que iria além dos atuais livros escolares que retratam este encontro de culturas e raças.

Línguas esquecidas ou rejeitadas?

“A educação que é levada para as crianças hoje na aldeia é a educação formal levada do homem branco para os indígenas. Ou seja, não há uma educação nascida do sistema educacional de cada comunidade. Se fosse, seria uma maravilha porque prepararíamos as nossas crianças a não esquecer a língua. A primeira coisa que o indiozinho esquece é a língua porque ele tem de aprender o famoso bê-á-bá do português. Então, quando ele chega ali no Ginasial, ele já não quer mais falar (a língua indígena). Ele pode até entender. Como é o meu caso da criança. Tem vergonha da sua língua, da sua origem, da sua tradição. O sistema de educação é cruel. Ele anula a cabeça do indígena. Tira a gente de uma situação de dignidade indígena, dos vários povos e transforma ele num zumbi, andando de lá para cá no meio da cidade.”

Ministério e Câmara

Em fevereiro deste ano, a página do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, no Brasil, divulgou um artigo sobre a presença de representantes indígenas em audiências públicas da Corte.

Presentes a um encontro em Brasília, representantes dos povos Tikuna, da Amazónia, e Fulni-ô, de Pernambuco, defenderam mais candidaturas de indígenas. O evento incluiu interpretação das línguas indígenas tikuna, yaathe (fulni-ô) e kaingang.

Em 2018, o Brasil elegeu a primeira mulher indígena para a Câmara de Deputados, Joênia Wapichana. O primeiro deputado indígena da Câmara foi Mario Juruna, que venceu o pleito em 1982.

Há três anos, foi criado o Ministério dos Povos Indígenas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o Ministério, o Brasil tem 305 povos indígenas e uma população de mais 1,7 milhão de pessoas. Monica Grayley – Brasil ONU News


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Guiné Equatorial - Uma jovem apresenta "Mbôlo", um aplicativo móvel para aprender os idiomas nacionais

Esther Envoro Aguilar, da Guiné Equatorial, apresentou uma candidatura intitulada "Mbôlo" à Secretária de Estado da Educação, Constancia Mangué Obiang Lima, no dia 21 de janeiro.


Esta é uma ferramenta digital inovadora, concebida para a aprendizagem e promoção das línguas nacionais: Fang, Bubi, Ndowe, Bisio e Fa'dambô.

Após mais de três meses de desenvolvimento, o projeto "Mbôlo" foi lançado com o objetivo de preservar, disseminar e facilitar a aprendizagem de cinco línguas do país. A iniciativa procura garantir que as futuras gerações possam aprender, compreender e manter vivas estas línguas nacionais, fortalecendo assim a identidade cultural do país por meio da educação e da tecnologia.

A criadora do aplicativo explicou á Secretária de Estado da Educação que muitas das línguas indígenas da Guiné Equatorial estão ameaçadas de extinção, o que a motivou a criar o Mbôlo como uma ferramenta para preservar essa identidade linguística e cultural. O aplicativo também foi adaptado a novas formas de aprendizagem digital.

Constancia Mangué Obiang Lima avaliou positivamente a ideia da mulher guineense equatorial, observando que "Achei muito interessante, porque a nível nacional não existe nenhuma iniciativa como esta."

"Crianças, jovens e guineenses na diáspora podem aprender os idiomas dos diferentes grupos étnicos da Guiné Equatorial", disse Esther Envoro Aguilar. Amélia Garçonete – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Angola - Especialistas analisam diversidade do português e das línguas nacionais

Os linguistas Miguel Lubuato e Peres Sassuco, bem como os académicos Reinaldo Tomás e Khilson Khalunga analisaram, na quinta-feira, em Luanda, a diversidade linguística angolana falada por diferentes etnias, com grande importância cultural e histórica para o país


Os especialistas abordaram diversas temáticas durante a conferência sobre as “Línguas Angolanas”, realizada no auditório da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Jean Piaget.

O linguista Miguel Lubuato abordou o tema “O kimbundu e os 50 anos da Independência de Angola: avanços e retrocessos”. Durante a dissertação, o especialista explicou que, actualmente, o kimbundu é falado por cerca de três a quatro milhões de pessoas.

O académico referiu que se existe a pretensão de ter um país inclusivo e com um maior número de falantes das diversas línguas Bantu, é necessário que as políticas públicas sejam abrangentes e consistentes a fim de as línguas nacionais não desaparecerem como forma de preservar a identidade cultural de um povo.

Se o país não tiver políticas públicas abrangentes e consistentes, alertou o especialista, não só o kimbundu, como também as demais línguas correm o risco de extinção.

A literatura, explicou, é uma das áreas da ciência que permite a renovação das línguas angolanas, mas existe pouca produção. Porém, referiu, é necessária uma maior produção literária, porque quando se faz o uso dos idiomas nas artes, há renovação das palavras.

O kimbundu, disse, actualmente, é reconhecido institucionalmente como uma língua nacional, e surgiram várias iniciativas para a padronização e documentação do idioma, mas houve uma limitação a estes avanços.

“Estes avanços foram limitados por retrocessos estruturais e sociais por causa da centralização do português como língua de ensino. O kimbudu, apesar da sua importância cultural, permanece em desvantagem”, enfatizou.

Miguel Lubuato aplaudiu a iniciativa do Tribunal Constitucional em traduzir a Constituição da República em oito línguas nacionais e, de igual modo, os órgãos de Comunicação Social, como a Televisão Pública de Angola (TPA) e a Rádio Nacional de Angola (RNA) que transmitem programas em línguas nacionais.

O linguista e professor Peres Sassuco dissertou sobre o “Sistema de Classe e Prefixos Nominais em bantu: uma abordagem morfológica do cokwe”, ao passo que o académico Khilson Khalunga analisou a questão “Sistema de Classe e Prefixos Nominais do Dialecto Kiphala: uma abordagem morfológica”, moderados por Leonilde António.

O professor Reinaldo Tomás dissertou sobre a “Multifuncionalidade dos Morfemas Prefixados no Léxico das Línguas Angolanas”.

Valorização e preservação

O coordenador do Círculo de Estudos Literários e Linguísticos Litteragris, Hélder Simbad, explicou que o encontro serviu para analisar o panorama das línguas angolanas, valorização e preservação. “A língua portuguesa não ajuda a solucionar todos os nossos problemas, mas, também, não pensamos em banir o português, simplesmente pretendemos dar outro estatuto aos diferentes idiomas que temos em Angola”, clarificou.

Hélder Simbad disse que a União dos Escritores Angolanos (UEA), a Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto e a Universidade Jean Piaget se juntam a esta iniciativa do Litteragris. Armindo Canda – Angola in “Jornal de Angola”


segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Angola - Qualidade do ensino das línguas tem impacto na literatura

A qualidade do ensino das línguas, sobretudo, o português por ser a mais falada, tem impacto positivo na produção literária no país, afirmou, em Luanda, o escritor e poeta Ras Nguimba Ngola

Em declarações ao Jornal de Angola, disse que a literatura é uma arte que tem como instrumento primordial o uso da língua, por isso, o ensino da mesma é fundamental. O escritor explicou que a literatura socorre-se muito ao ensino e à educação.

Mas, se o ensino apresentar muitas debilidades, detalhou, então, as pessoas poucas domínios terão da língua falante. Resumiu que poucos escrevem e nem lêem nas línguas nacionais, razão pela qual, acredita ser um desafio grande das instituições académicas ligadas ao ensino das línguas em promover os idiomas locais, de maneira que os autores tenham domínio das mesmas.

Ras Nguimba Ngola contou que está a preparar uma nova obra literária, para o ano de 2025. O livro, argumentou, será no estilo prosa, cujo pano de fundo é a violência doméstica nos dois sentidos: do homem para com a mulher e vice-versa. “Estamos a preparar mais uma obra literária e esperamos apresentar no primeiro semestre do próximo ano”.

O também poeta apontou Jomo Fortunato, Lopito Feijóo, José Luís Mendonça, Trajanno Nankhova Trajanno (em memória), João Mayomona, Abreu Paxi, David Mestre, João Tala e Pepetela como referências na literatura.

Estes homens das letras, disse, foram as referências locais que o ajudaram a compreender melhor o texto poético, a forma da poesia. Quanto à observação que faz da literatura actualmente, Nguimba Ngola respondeu que, tem uma dinâmica boa. “Os escritores das gerações anteriores continuam na mesma dinâmica e a publicar, este fenómeno, continua a ficar cada vez mais visível, mas, temos ainda deficiência na questão da própria produção literária”, alertou. Armindo Canda – Angola in “Jornal de Angola”


terça-feira, 19 de novembro de 2024

Angola - Pepetela lamenta a desvalorização das línguas nacionais angolanas

O escritor Artur Pestana “Pepetela” lamentou, sexta-feira, em Lisboa, a desvalorização das línguas nacionais, que têm cada vez menos falantes


O escritor reflectiu, entre outros assuntos, sobre a questão da necessidade de políticas de promoção das línguas nacionais durante a sua intervenção na rubrica literária “Autor do Mês”, promovida pela Livraria Lello, sediada em Lisboa, Portugal.

“Estamos a perder as nossas línguas. A maioria das crianças angolanas só brinca, lê e fala em português”, lamentou.

Figura incontornável da literatura lusófona da atualidade, Pepetela foi o autor escolhido no mês de Novembro pela emblemática livraria portuguesa.

Moderada pelo jornalista português Sérgio Almeida, a sessão de conversa com o autor aconteceu na tarde de sexta-feira e contou com a presença de vários amantes da literatura deste autor que tem nas transformações da sociedade angolana a sua maior fonte de inspiração, que se expressa tanto em romances sarcásticos ou hilariantes. Em mais de uma hora de conversa, leitores e admiradores da obra do escritor angolano tiveram a oportunidade de ouvir e conhecer mais sobre a história e a contribuição de Pepetela para a literatura e cultura de língua portuguesa.

Um dos maiores escritores da língua portuguesa, Pepetela disse que escreve porque a escrita o ajuda a pensar melhor aquilo que vê, tendo argumentado que nunca quis ser professor, mas que acabou por ser na maior parte da sua vida, tendo leccionado no ensino universitário. O autor explicou que há mais de dez anos que já não dá aulas, uma profissão que decidiu por acreditar que lhe permitiria continuar a escrever.

“Ser escritor profissional tem as suas vantagens e desvantagens, como a falta do convívio com a classe de jovens com os quais cruzava quando dava aulas na faculdade. Comecei a escrever histórias com os 8 ou 9 anos de idade, ainda nas redacções escolares. Os professores entenderam-me apoiar, ao invés de me castigarem”, recordou.

Pepetela revelou que ao longo de décadas de carreira continua a escrever por prazer, sem permitir que isso seja um esforço, razão pela qual disse não “se sentir pressionado” em atender aos pedidos de admiradores e editores sobre novas sequências das obras já publicadas.  

Questionado sobre o espaço dominante que a música assume no panorama cultural em relação à literatura, Pepetela percebeu que este cenário é antigo. O escritor fez saber que a música sempre foi a expressão principal de manifestação, sublinhando que mesmo quando a escrita se desenvolve, a música já era um meio de grande relevância no país nos séculos passados.

Novo livro a caminho

Figura obrigatória da literatura angolana actual, Pepetela completou, no dia 29 de Outubro, 83 anos de vida, dos quais mais de metade dedicada a narrar em livros a história recente da vida do país. Na semana de comemoração de aniversário comunicou a notícia do lançamento do seu novo romance, intitulado “Tudo-Está-Ligado”, sob chancela da editora Dom Quixote, uma das mais prestigiadas da lusofonia. Segundo a sinopse, o novo romance Pepetela leva os leitores numa viagem que vai desde a formação dos reinos no Planalto Central à atualidade, explorando episódios pouco conhecidos da história do país. Ainda sem data de lançamento a história do novo livro inicia em Benguela, sua terra natal. O muito aguardado novo romance de Pepetela já está à venda nas livrarias portuguesas e marca o regresso do conceituado autor, seis anos após o seu último livro, “Sua Excelência, de Corpo Presente”.

Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos “Pepetela” nasceu em Benguela, em 1941. Licenciado em Sociologia, em Argel (Argélia), durante o exílio, foi guerrilheiro do MPLA, político e governante. Fez o ensino primário na sua cidade natal, partindo depois para o Lubango (Huíla), onde prosseguiu os estudos. Em 1958 foi para Lisboa ingressando no Instituto Superior Técnico onde frequentou o curso de Engenharia até 1960. Pepetela tornou-se militante do MPLA em 1963 e quando abandonou a vida política optou pela carreira docente na Faculdade de Arquitectura de Luanda onde deu aulas de sociologia. Traduzido em diversas línguas, em 1997 foi reconhecido com o Prémio Camões, a maior distinção literária da língua portuguesa. Tem publicado entre outros, os livros “As Aventuras de Ngunga” (1973), “Muana Puô” (1978), “Mayombe” (1980), “O Cão e os Caluandas” (1985), “Yaka” (1985), “Lueji” (1989), “Geração da Utopia” (1992), “O Desejo de Kianda” (1995), “Parábola do Cágado Velho” (1997), “A Gloriosa Família” (1997), “A Montanha da Água Lilás” (2000) e “Jaime Bunda, Agente Secreto” (2001) e “Sua Excelência de Corpo Presente” (2018). Na sua galeria constam ainda os prémios Correntes de Escrita, em 2020, Rosalia de Castro, do Centro PEN Galiza, em 2014, Nacional de Literatura (1981), Nacional de Cultura e Artes (2002), Especial dos Críticos Literários de São Paulo (1993), Internacional da Associação de Escritores Galegos (2007), Príncipe Claus da Holanda (1993) e Grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Algarve, conferido em 28 de Abril de 2010. Pepetela foi, igualmente, distinguido com o título de Doutor Honoris Causa, pelo Conselho da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil, em 2022. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Moçambique - Luís Bernardo Honwana diz que o livro é o único instrumento para desenvolver o país

O escritor de “Nós Matámos o Cão-Tinhoso”, Luís Bernardo Honwana, defende que não existe nenhum outro instrumento, senão o livro, para que qualquer país se desenvolva em diversas áreas. Honwana falava durante uma palestra, na quinta-feira, na Livraria Fundza.


Luís Bernardo Honwana disse, durante o seu discurso na abertura oficial da 4ªedição da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024), organizada pela Associação Kulemba, cujo lema é “Encontro entre Literatura, Direito e Religião”, que Moçambique faz parte das nações que devem abraçar o livro para encontrar a solução de vários problemas.

Acrescentou ainda que a pobreza no país só será mitigada através dos livros, pois é nos manuais onde se encontra a chave que pode abrir as portas para a solução dos males existentes, especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança, tecnologia, entre outras.

O escritor vincou que este debate deve ser levado a sério, pelo que, o livro não pode ser visto, como acontece muitas vezes, como algo lúdico. Por isso, Honwana entende que já está na hora de se desenharem políticas sobre o livro.

O escritor fez comentários sobre a importância das línguas autóctones moçambicanas e disse ser vergonhoso observar a existência de pessoas que sentem o complexo de inferioridade quando se comunicam nas suas línguas de origem. Para ele, Moçambique deve orgulhar-se por ter vários idiomas.

Hoje, prosseguem as actividades do FLIB-2024. Por isso, às 18 horas, vai decorrer, no Centro Cultural Português na Beira, o debate sobre os temas: “Relação entre Literatura, Direito e Religião” e “Inventário da Memória”.

Luís Bernardo Honwana, conversou, na manhã da passada quarta-feira, na Universidade Licungo, Cidade da Beira, com docentes e estudantes de diferentes cursos.

No dia inaugural da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024), organizada pela Associação Kulemba, a qual está a decorrer estre esta quinta-feira e amanhã, sábado, na cidade da Beira, Luís Bernardo Honwana referiu-se a vários temas que mexem com a actualidade e o passado do país. Nessa ocasião, falou da falta de valorização das línguas bantu em Moçambique, defendendo que há ainda uma grande discrepância entre o que se diz e o que se pratica.

Ainda assim, o autor afirma que, mesmo depois de 50 anos de independência, não se pode afirmar que a língua portuguesa ocupou um espaço privilegiado no país, uma vez que exclui muitos moçambicanos em diversas áreas das suas vidas. Citou, a título de exemplo, o processo da construção da paz e da democracia e, também, o processo de ensino e aprendizagem. No primeiro caso, o autor defende que só se envolvem ou sentem-se envolvidos os que têm domínio da língua portuguesa, colocando, desta maneira, os outros como meros assistentes.

No segundo caso, o Luís Bernardo Honwana defendeu que, apesar de estar em andamento o programa bilingue de ensino, em algumas regiões, dá-se privilégio ao português.

Para Luís Bernardo Honwana, as línguas bantu continuam a representar a identidade dos moçambicanos em diversos contextos.

No final, o escritor desafiou os estudantes a pensarem soluções para os problemas do país e a não serem somente assistentes. Com isso, disse que os trabalhos de conclusão de curso devem ser pensados com o objectivo de resolver os desafios que Moçambique enfrenta.

Nesta terça-feira, Luís Bernardo Honwana também teve um encontro com os estudantes do Instituto de Formação de Professores de Inhamízua, onde afirmou que qualquer país que queira ser grande deve apostar na formação de quadros com capacidade de ser e estar perante as várias adversidades.

A quarta edição da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024) subordina-se ao tema “Encontro entre Literatura, Direito e Religião” e tem como convidado especial o escritor Luís Bernardo Honwana. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 25 de junho de 2024

Angola – Lançamento em formato digital do livro “Políticas Linguísticas e Educacionais em Contextos Africanos”

O linguista angolano Ezequiel Bernardo, a linguista moçambicana Ezra Alberto Chambal Nhampoca e a linguista brasileira Cristine Gorski Severo lançam em formato digital, o livro “Políticas Linguísticas e Educacionais em Contextos Africanos”


Segundo Ezequiel Bernardo, em declarações ao Jornal de Angola, os autores exploram o conceito africano Ubuntu como pano de fundo para pensar o sentido de educação tradicional em Moçambique, além do papel e da importância da educação multilingue em contextos angolanos rurais, em diálogo com as necessidades socioeconómicas das comunidades.

O linguista angolano pontualizou que a obra traz, igualmente, textos de especialistas sul-africanos da Universidade Nelson Mandela, que versam sobre os sentidos de revitalização das humanidades no contexto das línguas africanas, especialmente no ensino superior sul-africano. Este projecto tem o patrocínio institucional do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Brasil.

Ezequiel Bernardo é graduado em Linguística pela Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, tem o mestrado em Sociolinguística e Dialectologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, no Brasil, doutorando em Sociolinguística e Dialectologia na mesma Universidade Federal de Santa Catarina. É professor assistente do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) de Cabinda.

Ezra Alberto Chambal Nhampoca é doutorada em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil, e mestre em Linguística pela Universidade Eduardo Mondlane - Moçambique, onde é docente afecta à secção de Línguas Bantu, no Departamento de Línguas da Faculdade de Letras e Ciências Sociais.

Cristine Gorski Severo é doutora em Teoria e Análise Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil, e pós-doutorada em Políticas Linguísticas pela Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos da América. Pesquisa os temas "Políticas Linguísticas Críticas” e "Vozes sociais na relação entre o Brasil e os países africanos e linguística no contexto colonial”. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


terça-feira, 23 de abril de 2024

Brasil - Programa educativo promove integração entre línguas indígenas

O entendimento recíproco entre os povos indígenas e os formuladores e aplicadores das legislações brasileiras é o principal objetivo do Programa Língua Indígena Viva no Direito desenvolvido pela Advocacia-Geral da União (AGU) com os Ministérios dos Povos Indígenas e da Justiça e Segurança Pública. A iniciativa lançada em cerimônia em Brasília, na última quinta-feira (18), com a participação presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve seus princípios e objetivos publicados nesta segunda-feira (22), no Diário Oficial da União.


Entre as medidas previstas pela política pública a tradução da legislação brasileira, dos termos e conceitos jurídicos para as línguas indígenas, assim como a capacitação de legisladores e profissionais do Direito em conhecimentos relacionados a diversidade cultura e social desses povos. Os membros das comunidades também serão capacitados para maior acesso às legislações nacionais e internacionais, assim como às políticas públicas.

Segundo divulgação feita pela AGU, por meio de nota, o texto da Constituição Federal será o primeiro a ser traduzido nas línguas Guarani-Kaiowá, Tikuna e Kaingang, por serem as mais faladas no país. E para garantir a integridade cultural, o processo terá a participação de líderes e membros dos povos indígenas, que ajudarão a construir textos onde serão considerados a interação com os sistemas legais indígenas.

Os novos conteúdos serão divulgados entre as comunidades, advogados, órgãos dos Três Poderes, colegiados, universidades e organizações da sociedade civil que atuam em políticas públicas e em iniciativas que tratam dos direitos dos povos indígenas. Fabíola Sinimbú – Brasil “Agência Brasil” in “O Progresso Digital”


sexta-feira, 19 de abril de 2024

Angola - “Letras sobre as Línguas de Angola” com poema de Deolinda Rodrigues

A Academia Angolana de Letras lança, amanhã, às 15h00, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, a obra “Letras sobre as Línguas de Angola”. Trata-se de um conjunto de ensaios organizados por Paulo de Carvalho e António Quino, membros da direcção da Academia Angolana de Letras. Patrocinada pela Fundação Bornito de Sousa, a obra reúne textos de eminentes intelectuais da academia angolana


Em declarações ao Jornal de Angola, António Quino avançou que a obra traz textos da renomada linguista Amélia Mingas, falecida em 2019, do psicólogo Aníbal Simões, do jurista Bornito de Sousa, do pedagogo Filipe Zau, do linguista Mbiavanga Fernando, do crítico literário Manuel Muanza, do linguista Márcio Undolo e do antropólogo Virgílio Coelho. A obra traz, igualmente, para além dos textos dos organizadores, respectivamente o sociólogo Paulo de Carvalho e o docente António Quino, um texto da escritora e heroína nacional Deolinda Rodrigues "Languidila”, falecida a 2 de Março de 1967.

"Publicamos um poema inédito em kimbundu, magistralmente traduzido para português pelo também escritor Jofre Rocha, irmão de Deolinda Rodrigues”, revelou António Quino.

António Quino explicou que a obra traz uma abordagem pluridisciplinar a respeito das línguas da República de Angola, sem qualquer tipo de discriminação ou limitação na abordagem.

O escritor e ensaísta António Quino adiantou que, além de ser publicada na obra a Declaração da Academia Angolana de Letras sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, resultado de uma mesa-redonda a respeito do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90), o livro também transporta a visão de antropólogos, críticos literários, escritores, juristas, linguistas, pedagogos, psicólogos sociais e sociólogos, cada um deles a tratar a questão linguística sem tabus de qualquer espécie.

"Lembramos que na sua declaração, a Academia Angolana de Letras considera desfavorável a adesão de Angola ao Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90) por se tratar de um instrumento que não promove a unificação da grafia do idioma e por não convergir para a promoção e difusão da língua no país”, sublinhou.

"Letras sobre as Línguas de Angola” é o primeiro livro a ser publicado sob a égide da Academia Angolana de Letras desde a sua fundação, em 2016. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


domingo, 26 de fevereiro de 2023

Moçambique - Livro propõe padronização das línguas nacionais


Padronização da Ortografia de Línguas Moçambicanas” é o título do livro que propõe a uniformização da pronúncia e a escrita das línguas nacionais, que foi apresentado no dia 21, de fevereiro, na Universidade Eduardo Mondlane, na cidade de Maputo, no âmbito das celebrações do Dia internacional da língua Materna, assinalado a 21 de Fevereiro.

Segundo o Jornal Notícias, a obra, da autoria dos académicos moçambicanos, Armindo Ngunga, Carlos Manuel, David Langa, Inês Machung e Crisófita da Câmara, baseia-se no estudo de 19 línguas nacionais e é fruto de relatório do IV Seminário de Pesquisa de Línguas Moçambicanas.

Segundo o académico Armindo Ngunga, nas escolas usa-se as línguas moçambicanas de forma não padronizada, tal como acontece nas igrejas, nos órgãos de comunicação social, entre outros actores.

“Isso não nos permite traduzir, por exemplo, um instrumento legal como a Constituição da República, daí que o ideal é padronizar a forma de escrita para que os professores possam saber ensinar da melhor forma”, disse.

Acrescentou que “como cientistas fizemos a nossa parte. Cabe agora ao governo e à Assembleia da República produzirem os instrumentos legais para que se possa padronizar a ortografia das línguas nacionais”.

Já para a co-autora Inês Machungo, a obra é fruto de um seminário realizado em 2018, tendo para o efeito sido compilada informação contida nos relatórios parciais produzidos pelos grupos de língua que participaram no evento. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


 

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Canadá - Número recorde de canadianos relatam que o primeiro idioma não é nem o inglês nem o francês

O número de canadianos que falam predominantemente uma língua que não sejam as oficiais do país, ou seja inglês ou francês, bateu um recorde em 2021, de acordo com os novos dados dos censos divulgados nesta quarta-feira (17)

O inglês e o francês continuam sendo as línguas dominantes no Canadá de acordo com o Statistics Canada, mas o número de pessoas que falam uma outra língua em casa cresceu para 4,6 milhões, ou cerca de 13% da população.

Enquanto isso, pelo menos um em cada quatro canadianos relatou ter pelo menos uma língua materna além do inglês ou do francês. O aumento deve-se em grande parte a um elevado número de canadianos que relatam falar línguas do sul da Ásia, incluindo o hindi e o punjabi.

Além disso, sete em cada 10 canadianos cuja primeira língua é outra que não o inglês ou o francês disseram que também falam uma língua oficial em casa. In “Milénio Stadium” - Canadá


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Angola - O resgate dos «valores culturais» do país na voz de dezenas de artistas

Mais de 50 artistas, que cantaram em 10 línguas nacionais, deram o «pontapé de saída» ao projecto «Brilhar-Somos Angola». A ideia é «resgatar os valores ancestrais e culturais do País», assim como contribuir para a divulgação das línguas nacionais



Um grupo de mais de 100 elementos, entre cantores, juristas, bailarinos, jornalistas, produtores musicais, instrumentistas e empresários, sob coordenação-geral de Hirondino Garcia, criou, em meados do ano passado, o projecto Brilhar-Somos Angola, com o objectivo de "ilustrar os ritmos e os instrumentos culturais de Angola, expressar a variedade linguística e cultura do País e renovar a consciência de cidadania sobre a importância da cultura e dos valores da ancestralidade dos angolanos".

Para dar a conhecer o projecto ao mundo, foi lançado, em finais de Outubro último, o videoclipe Ngola, uma música em que os mais de 50 artistas participantes cantam em 10 línguas nacionais.

No âmbito do referido projecto, foi igualmente lançada, no programa televisivo Imoshi, da TPA, uma rubrica intitulada Brilhar, além de terem sido criadas páginas de redes sociais com o nome da iniciativa.

"Este é um projecto que arrancou como uma ignição espontânea. Não tivemos tempo de o escrever. Quando decidimos fazer um planeamento, já a canção estava pronta e em fase de mistura e masterização", revela Hirondino Garcia, o produtor e coordenador-geral do projecto, que salienta, por outro lado, que Brilhar-Somos Angola nasceu da "necessidade de resgate dos nossos valores ancestrais e culturais e da divulgação das nossas línguas maternas", com vista a "trazer o campo para a cidade e a cidade para o campo, movimentando a riqueza dos nossos ritmos, de forma a sermos uma nação una e indivisível”. Onélio Santiago – Angola in “Novo Jornal”



ARTISTAS:

António Nginga (Letra Nhaneka). Elias Dya Kimwezo. Dodó Miranda (Letra, Composição e Arranjos). Walter Ananás (Letra, Composição e Arranjos). Patrícia Faria, Fly, Sandra Cordeiro, Geri Sinedima. Beto Bungo (Letra Fyote). Moniz de Almeida (Letra Nganguela, Composição e Arranjos). Vladmiro Gonga. Kyaku Kadaff (Letra, Composição e Arranjos). Gersy Pegado. João Alexandre (Letra Kikongo). Indira Grandê, Toya Alexandre. Euros Bambata (Letra). Phathar Mak (Letra, Composição e Arranjos). Jeff Brown (Letra Umbundu). Medusa. Alexandre Kondjeni & Sikufinde (Letra Kwanhama). Antero Ekuikui (Letra Umbundu & Flauta). Sabino Henda (Letra Umbundu). Mito (Letra Kimbundu). Acácio (Letra Herero). Tony N´guxi (Letra Cokwe, Composição e Arranjos). A´mosi Just A Label (Letra Kikongo). Kanda (Letra Kikongo). Daniel Nascimento (Letra). Santos Católica. Kilandukilos (Percussão).

Letra, música e composição:

Projecto Brilhar - Somos Angola (Artistas Unidos Por Angola)