A semana de celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa termina num encontro de culturas com altos funcionários da organização incluindo o secretário-geral da ONU, diplomatas e representantes da diáspora na exaltação da força do idioma e da conexão lusófona
Na sede das Nações Unidas, em Nova
Iorque, a semana de comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa terminou
com um vibrante encontro de culturas, na noite de 7 de maio.
Altos funcionários da ONU, liderados pelo
secretário-geral António Guterres, juntaram-se a diplomatas, convidados
internacionais e residentes da diáspora nos Estados Unidos para demonstrar
afeto por um idioma que conecta quase 300 milhões de vozes em todos os cantos
do globo.
Conversas e exposição fotográfica
O espaço conhecido como Sputnik, na entrada da Assembleia
Geral da ONU, transbordava diversidade. Eram vozes de todos os cantos, unidas
pelo fascínio às nuances da lusofonia. Uma delas é a francesa Victoire
Mandonnaud, habituada a transitar entre o francês, o inglês e o espanhol, e intrigada
pela musicalidade da língua portuguesa, ela contou que expressão admira mais na
língua portuguesa.
Esta foi a sétima comemoração anual desde que a data foi instituída pela Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, em 2019. Ao longo da semana, o edifício abrigou conversas, uma exposição fotográfica e finalizou um ano de mais de 20 intervenções em português.
A festa na entrada do salão da Assembleia Geral reuniu
participantes atraídos pelo crescimento do idioma, pelo aumento do interesse de
Estados observadores e pela expansão da influência lusófona no cenário global
com países emergentes e com trânsito em quatro continentes.
Grande celebração
O ambiente descontraído logo abriu espaço para um
banquete com pratos típicos, diversão e tudo o que se espera de uma grande
celebração.
Dando início oficial ao evento, Mônica Grayley saudou os
presentes lembrando a ocasião que celebrava a diversidade do bloco que partilha
não apenas uma herança, mas as culturas e os povos que falam português e outras
línguas locais.
“Bem-vindos, excelências, senhoras e senhores, e
bem-vindos, caros amigos e colegas, à nossa celebração do Dia Mundial da Língua
Portuguesa e da diversidade cultural dentro da Comunidade de Países de Língua
Portuguesa, CPLP. Meu nome é Mônica Grayley. E hoje é Dia de Festa.”
Um marco histórico e o futuro na ONU
O embaixador Dionísio Babo Soares, de Timor-Leste, que
ocupa a Presidência da CPLP, em Nova Iorque, foi o primeiro a discursar. E
anunciou que em breve, o português será ensinado aos diplomatas da ONU.
“Este ano, assinalamos também um marco particularmente
significativo, o 30.º aniversário da Comunidade dos Países da Língua
Portuguesa. Ao longo destas três décadas, a ONU afirmou-se como um espaço de
concertação político-diplomática entre países unidos por uma língua comum.
Nesse espírito, estamos a trabalhar no lançamento de um curso de língua
portuguesa, a partir de setembro de 2026, dirigido a funcionários das Nações
Unidas e delegados em Nova Iorque, com o objetivo de reforçar o uso da nossa
língua no sistema multilateral.”
Solidariedade e multilateralismo
O convidado de honra da festa foi o secretário-geral da
ONU, António Guterres. Segundo ele, o trabalho da CPLP é um pilar de diálogo,
cooperação e parcerias, elementos vitais no atual cenário global. E a ONU
News assim como outras equipas de língua portuguesa pelo mundo reforçam a
amizade da ONU com as pessoas.
“Neste mundo marcado pela divisão e pela desconfiança,
uma comunidade de nações distribuídas por quatro continentes representa, por si
só, uma afirmação serena, mas poderosa. Um sinal claro de solidariedade e de
confiança naquilo que é possível construir em conjunto. É este o espírito que
as Nações Unidas hoje mais necessitam. O trabalho desenvolvido em língua
portuguesa na ONU Notícias, bem como pelas nossas equipas em todo o mundo
lusófono, contribui para aproximar as Nações Unidas das pessoas que servimos. O
multilinguismo não se reduz a uma questão de cortesia, é uma condição especial
para a compreensão entre povos, para a confiança entre os países e para um
multilateralismo capaz de produzir resultados. E a CPLP é a expressão desta
mesma atitude.”
A universalidade da língua é exaltada por aqueles que a
observam de perto. A embaixadora do Catar, Alya Ahmed Saif Al Thani, lidera os
representantes de 30 países observadores associados da CPLP, em Nova Iorque.
Ela disse que a língua portuguesa é falada por cerca de
300 milhões de pessoas em quatro continentes. É uma ponte de vida entre
culturas, um veículo para a história compartilhada e um instrumento poderoso
para o diálogo, a compreensão e a cooperação.
Na intervenção, ela lembra das ricas conexões históricas
entre a língua árabe e a portuguesa, formadas por séculos de intercâmbio
marítimo, aprendizagem de comércio e interações culturais compartilhadas.
A nação árabe orgulha-se de que muitas palavras do seu
idioma estão cravadas na língua portuguesa.
Força do Sul Global
Um dos coorganizadores do evento, o Brasil, foi
representado pelo embaixador, Sérgio Danese. Para ele, o idioma ajuda a afirmar
a defesa de interesses dos países em desenvolvimento do bloco.
“Eu acho que é um momento de celebração, é um momento de
reflexão também sobre como nós podemos utilizar ainda melhor a nossa língua
para fazer essa união, que nos ajuda tanto no multilateralismo, nesse momento
em que é tão necessário que nós reforcemos a ONU e as instituições
multilaterais em geral.”
Já Djazalde dos Santos Aguiar, representando São Tomé e
Príncipe, ecoou esse sentimento, descrevendo o português como um património
inestimável, vital para a cultura, o saber e a escrita.
“É uma língua extremamente rica, é uma língua
extremamente importante, sobretudo no Sul, quando é uma das mais faladas. E é,
como digo, um património inestimável que nós todos devemos abraçar, devemos
proteger e devemos continuar a reforçar a sua importância e a sua dinâmica. E
se vê em vários fóruns multilaterais, a língua portuguesa, os países de
expressão portuguesa têm sempre uma presença imprescindível, uma presença muito
forte e conseguem obter resultados. A língua portuguesa transporta, mesmo no nível
da cultura, no nível da literatura, no nível do cinema, das artes, quer dizer,
está presente em todas as dinâmicas da vida e do mundo contemporâneo
internacional. Absolutamente, ela continua atual, presente e com força.”
Ritmo que define os falantes
Com mais eventos previstos para este ano, em celebração
aos 30 anos da CPLP, que serão marcados em julho, a noite nas Nações Unidas não
poderia terminar de forma diferente: embalada por harmonia vocal e clássicos da
Bossa Nova.
A música do Duo Bossa Brasil, da nação com o maior número
de falantes, ecoou pelos salões da ONU, colorindo aquele pedaço de Nova Iorque
com harmonias.
Na instituição global, a comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa carregava a prova viva de que a língua portuguesa não apenas se fala cada vez mais; ela se sente, se canta e promove união. ONU News – Nações Unidas
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