Em mensagem, o secretário-geral das Nações Unidas destaca o português como pilar diplomático. A secretária-executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, reforça aposta em democracia e novos rumos, já os criadores de conteúdos exaltam a língua como ponte para descobertas
Neste 05 de maio, Dia Mundial da
Língua Portuguesa, as Nações Unidas enfatizam o papel estratégico do idioma
como uma ferramenta de multilateralismo e entendimento entre nações.
A mensagem do secretário-geral, António Guterres, aponta
o multilinguismo como a base para a compreensão mútua em tempos de fragmentação
global.
Renovação constante
O líder da ONU ressalta a pluralidade de vozes, de São
Paulo a Díli, de Lisboa a Maputo, como a maior força de uma língua que se
renova constantemente e carrega, nas palavras do poeta cabo-verdiano Corsino
Fortes, a pátria dentro.
Durante a sua última entrevista à ONU News sobre o tema,
em 2023, o líder das Nações Unidas destacou a força do idioma na disseminação
de uma cultura de paz.
"É a riqueza da diversidade. Eu estou a ouvi-la
falar em português do Brasil e é muito diferente no som do português que eu
falo, mas é isto que é a nossa riqueza comum. A língua portuguesa está em
quatro continentes e é uma ponte de união entre mulheres e homens de todo o
mundo e que podem utilizar a língua portuguesa para incrementar o diálogo e a
cooperação internacional e para serem todos eles fatores de paz. Porque a paz é
o bem mais precioso e, infelizmente, é um bem que estamos longe de dar por
adquirido neste momento."
Língua, cultura, histórias e tradições
Este ano, as celebrações destacam o 30.º aniversário da CPLP,
em julho. Na presidência do bloco, Timor-Leste reafirma a consolidação
democrática e o desenvolvimento de planos para o bem-estar comum.
Em pronunciamento antes do Dia Mundial da Língua
Portuguesa, o embaixador de Timor-Leste na ONU, Dionísio Babo Soares, falou do
impacto deste 05 de maio.
“O português liga-nos através de uma língua comum, mas
também de culturas, histórias e tradições diversas. É uma língua moldada por
muitas vozes, em diferentes geografias e gerações. Aqui nas Nações Unidas, os
países da língua portuguesa são participantes ativos no multilateralismo, na
promoção da paz e segurança, no desenvolvimento sustentável e na defesa e
promoção do direito internacional. Neste espaço, a nossa língua continua a ser
uma ponte para o diálogo e a cooperação.”
O grande marco da internacionalização do português
ocorreu em 2019, quando a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência
e Cultura, Unesco, oficializou a data global. O dia era celebrado pela CPLP
desde 2009.
Consolidando a união estratégica entre as nações
Mais do que um código de comunicação, a língua portuguesa
é o fio invisível que costura oceanos, aproxima culturas e projeta o futuro,
enfatiza a mensagem da secretária executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim.
De Lisboa, a líder do bloco lusófono destaca que a
celebração visa, não apenas um legado histórico, mas a vitalidade de um idioma
que se reinventa a cada sotaque e consolida a união estratégica entre as
nações.
“A língua é a esperança viva e próspera para um futuro
melhor, para a promoção da cidadania, para a criação de oportunidades, para o
fortalecimento dos laços de colaboração e entre as nossas nações. Neste dia de
celebração, é com grande apreço e reconhecimento que saúdo a promoção de
iniciativas por todos os Estados-membros da CPLP, pelos grupos junto das
organizações internacionais, pelos observadores associados, pelos observadores
consultivos, pelas nossas diásporas, pelas nossas sociedades, que são atores e
parceiros fundamentais para fortalecermos e difundirmos a língua portuguesa e a
diversidade que nos une como uma verdadeira comunidade de países e povos que
somos.”
Vivendo o quotidiano de milhões de falantes espalhados
por quatro continentes, a ONU News também ouviu jovens que têm na festa do
português o festejo de uma herança e de um “espaço de pertença” que ignora
fronteiras geográficas.
Português de influenciadores
A influenciadora digital síria, Nabila Yousif, considera
a língua portuguesa como algo que vai muito além de uma ferramenta de
comunicação por se tornar o portal para uma nova vida. Ela atua a partir do
solo brasileiro.
“Quando eu cheguei aqui no Brasil, na verdade, né. Eu não
tinha opção. Era obrigatório ou aprender ou aprender. E aí, a partir da
primeira semana, comecei eu mesma a estudar sozinha. E aí, decidi fazer um
grande investimento. Falei, meu pai colocou para nós uma professora para
ensinar a gente eu e as minhas irmãs. Fazia aulas intensivas três vezes por
semana, e eu estudava quase 24 horas por dia, assim, sem parar. Estudava o
tempo inteiro. Começava a escutar músicas do Luan Santana, sem entender. Eu assistia
novelas, Carminha, Salve Jorge. Também não entendia nada, mas eu colocava lá na
televisão e fazia assim, tipo, intensivo.”
DNA de uma cultura
Já o jovem angolano Baptista Miranda vê na língua o DNA
de uma cultura. Para ele, falar português no Brasil é um exercício constante de
descoberta.
“Esse lado do pessoal achar que o africano não. Talvez em
África não tenha países que falam português, porque realmente não se propaga
muito essa informação. É muito desconhecido. Então, eu fico muito feliz em ser
uma das pessoas também que leva essa mensagem para diante, que tem mais de
cinco, seis países em África que falam português, e tem culturas diferentes.
Então, eu gosto muito disso.”
Ao ser declarado o Dia Mundial da Língua Portuguesa pela
Unesco, o idioma de um universo de cerca de 300 milhões de pessoas em quatro
continentes foi elevado ao status de património global e reconhecido o seu
papel essencial no diálogo entre civilizações. Eleutério Guevane –
Moçambique ONU News
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