O chefe da diplomacia de Timor-Leste, Bendito Freitas, reuniu-se esta semana com a Interpol, a Austrália e a ONU para reforço da cooperação no combate à corrupção e ao crime transnacional, anunciou ontem o Governo timorense
Os encontros foram realizados em Doha,
Qatar, à margem da 11.ª sessão da Conferência dos Estados Parte da Convenção
das Nações Unidas contra a Corrupção, que começou segunda-feira e terminou
ontem.
“A Interpol manifestou disponibilidade para apoiar
Timor-Leste na capacitação de recursos humanos, com vista ao reforço das
competências nacionais no combate à corrupção, ao crime organizado e ao crime
transnacional, incluindo por mecanismos regionais da ASEAN [Associação das
Nações do Sudeste Asiático] e do recurso a tecnologias emergentes, como a
inteligência artificial, aplicadas à investigação criminal”, pode ler-se na
informação do executivo timorense.
Com a Austrália, o ministro dos Negócios Estrangeiros
timorense abordou o futuro “estabelecimento de uma parceria de cooperação
bilateral” naquelas áreas.
O encontro permitiu também “trocar pontos de vista sobre
a identificação de necessidades de capacitação de recursos humanos, em
particular para investigadores, bem como sobre a partilha de experiências e
boas práticas, incluindo no contexto da cooperação com os Estados-membros da
ASEAN”.
Bendito Freitas esteve também reunido com uma equipa do
Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) para “discutir
mecanismos de combate ao jogo ilícito, ao branqueamento de capitais, crimes
relacionados com drogas e a utilização de tecnologias digitais e de
inteligência artificial, tanto a nível regional como em Timor-Leste”. “As
partes analisaram possibilidades de cooperação no domínio da capacitação
técnica e do reforço das capacidades institucionais, incluindo a utilização de
equipamentos forenses para a investigação e deteção de crimes
transfronteiriços”, salienta o Governo.
A UNODC convidou o Governo de Timor-Leste para participar
numa conferência internacional sobre o combate ao jogo ilícito e ao
contrabando, a realizar-se em Viena, em 2026.
Nos encontros participaram também o Comissário da
Comissão Anticorrupção, Rui Pereira dos Santos, o diretor nacional da Polícia
Científica de Investigação Criminal, Vicente Brito, a procuradora-geral adjunta
da República, Angelina Saldanha, e a deputada Virgínia Ana Belo.
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime
(UNODC) alertou em setembro para a proliferação de redes criminosas em Oecussi,
enclave timorense no lado indonésio da ilha de Timor, salientando que as
recentes investigações mostram uma contaminação da região.
O documento da UNODC foi divulgado após uma investigação
das autoridades timorenses que resultou na detenção de 10 pessoas por suspeita
de envolvimento em atividade de exploração de jogos ilícitos e de burla
informática em Oecussi.
No mesmo relatório, a UNODC afirma também que uma pessoa
“que ocupa um cargo no governo de Timor-Leste” é um dos donos de um hotel que
“parece acolher empresas” com atividade criminosa.
Na sequência daquela denúncia pública, o Governo
timorense determinou cancelar as licenças concedidas para exploração de jogos e
apostas ‘online’, bem como proibir a atribuição de novas licenças,
devido a riscos para a segurança e estabilidade social.
Este mês, as autoridades timorenses
encerraram a casa de jogos Lotaria Dragon, em Díli, bem como os escritórios da
empresa Capital Ventures Timor por suspeita de jogo ilegal. In “Ponto
Final” – Macau com “Lusa”
Sem comentários:
Enviar um comentário