Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Estados Unidos da América - Luso-americanos unem gastronomia e diáspora em simpósio internacional na cidade de Newark

Dois empresários luso-americanos promovem sábado, em Newark, um simpósio gastronómico inspirado nas comunidades emigrantes que moldam o cenário culinário e cultural diversificado naquela cidade norte-americana


Denominado “Saboreie Newark”, o evento tem curadoria da Plusable, uma companhia de relações públicas fundada nos Estados Unidos pelos luso-americanos Isabelle Coelho-Marques e Carlos Ferreira, e reunirá ‘chefs’ locais e internacionais, assim como decisores políticos, para apresentar a diversidade gastronómica de Newark e o seu papel cultural na região.

“Com convidados internacionais de Portugal, Brasil, Itália, entre outros países, o evento destaca a forma como as comunidades emigrantes estão a moldar a identidade de Newark e como a gastronomia serve como um poderoso motor de crescimento económico e de narrativa global”, indicou a Plusable num comunicado enviado à agência Lusa.

Será um dia de demonstrações gastronómicas e diálogo global subordinado ao tema “A Taça Culinária: Unidos à Mesa”, a poucas semanas de Newark e outras cidades dos Estados Unidos receberem uma audiência global para o Campeonato do Mundo de Futebol.


“Desde as influências portuguesas, brasileiras e espanholas do Ironbound District até às ricas cozinhas africana, caribenha e sul-americana que se encontram em Newark, a cultura gastronómica da cidade reflete gerações de herança, resiliência e inovação”, sublinha.

O programa deste ano inclui painéis de discussão dinâmicos, como “Unir Cidades Através do Sabor” e “Receber o Mundo: Comida, Cultura e o Palco Global de Newark”.

No ano passado, o ‘chef’ português Gil Fernandes foi o convidado especial do evento. Já na edição deste ano, o destaque vai para o ‘chef’ brasileiro Nelson Soares, que fará uma demonstração culinária ao vivo.

De acordo com a organização, outro dos principais destaques da edição deste ano é um acordo formal de intercâmbio de estudantes entre Newark e Cascais, permitindo a dois estudantes da cidade norte-americana treinar durante seis semanas com o ‘chef’ Gil Fernandes no restaurante Fortaleza do Guincho, em Cascais.

“O ‘Saboreie Newark’ é um poderoso reflexo de quem somos como cidade — ousados, diversos e profundamente ligados a uma família global mais ampla”, disse o presidente da Câmara de Newark, Ras J. Baraka, citado no comunicado.

“Enquanto nos preparamos para receber o mundo para os jogos do Mundial de Futebol, este evento mostra não só os nossos sabores, mas também os nossos valores — união, oportunidade e orgulho. Reunir talentos locais e parceiros internacionais para o ‘Saboreie Newark’ fortalece a nossa economia, eleva as nossas comunidades e constrói pontes culturais duradouras que se estendem muito para além das nossas fronteiras”, acrescentou.

O programa, que é gratuito e aberto ao público, inclui ainda degustações de restaurantes locais, oferecendo aos participantes a oportunidade de experienciar em primeira mão a diversificada identidade culinária de Newark, cidade que acolhe uma das mais significativas comunidades portuguesas nos Estados Unidos.

“Acreditamos firmemente que Newark é a autêntica capital gastronómica da América e que a sua cena culinária tem o poder de impulsionar o orgulho cultural e o crescimento económico”, afirmou Isabelle Coelho-Marques, CEO da Plusable.

Em entrevista ao Bom Dia, por ocasião do evento de 2025, Isabelle Coelho-Marques e Carlos Ferreira explicaram que acreditam “que a construção de laços estratégicos entre a diáspora portuguesa e Portugal tem um potencial imenso, que ainda não está a ser explorado ao nível que poderia e deveria ser”. Os luso-americanos sentem que, em muitos casos, a diáspora portuguesa ainda é vista “como uma comunidade presa ao saudosismo de um Portugal que já não está em sintonia com o país da atualidade”.

A dupla sugere que se passe a valorizar os talentos que se destacam na diáspora e se desenvolvam estratégias sustentáveis para elevar a marca de Portugal ao nível que merece, alcançando ainda mais destaque global. “Nas nossas comunidades que residem no estrangeiro, cada vez mais emigrantes e luso-descendentes ocupam cargos de destaque nos países de acolhimento, mas, ainda assim, o coração continua em Portugal”, concluem. Leia a entrevista completa aqui. In “Bom dia Europa” Luxemburgo com “Lusa”




quinta-feira, 7 de maio de 2026

Timor-Leste - Culinária da Indonésia ganha espaço no país reforçando laços de amizade

A chef aprendeu a cozinhar com a mãe indonésia e ao chegar a Timor-Leste passou a vender pratos típicos com especiarias que foram caindo no gosto dos timorenses. De encomendas esporádicas, Egha passou a fornecer serviços de buffet a eventos


Uma chef mudou-se para o país vizinho, Timor-Leste, com o marido por causa do trabalho dele. Ao dividir o tempo aprendendo o novo idioma e um ritmo de vida diferente, ela decidiu dedicar-se ao que sabia fazer melhor, cozinhar os pratos aprendidos com a mãe na Indonésia.

Esta é a história de Egha, que conta ter aprendido a cozinhar antes mesmo de saber nomear os temperos que usava.  Ela lembra que foi muito incentivada pelo marido para abrir o próprio restaurante, mas após chegar a Timor-Leste, ele veio a falecer, de repente. E Egha voltou para a Indonésia.

Pratos esgotados para o almoço

Depois de um tempo de luto, a chef percebeu que o seu lugar era em Díli, onde ao lado do marido, descobrira a sua vocação. Arrumou as malas e retornou à capital timorense para realizar o sonho de recomeçar a vida fazendo o que fazia melhor: cozinhar. No início, vendia a comida para vizinhos e amigos, mas logo depois a produção teve de aumentar pela procura popular.

Egha cresceu tanto que abriu o próprio negócio de buffet integral. Ali, ela fornece pratos indonésios como o ayam krispi, ou frango frito crocante, além de pratos rotativos que na maioria dos dias, acabam esgotados na hora do almoço.

A história de Egha parece-se com a de muitos migrantes que tiveram os seus negócios afetados na época da pandemia da Covid-19. Muitos que haviam construído vidas tranquilas e estáveis ​​de repente viram-se sem trabalho e sem opções.

Egha decidiu abrir as portas da sua cozinha e começou a acolher outros migrantes que haviam perdido os seus empregos e não tinham para onde ir. Ela ofereceu trabalho, compartilhou os seus conhecimentos e deu a eles uma oportunidade para recomeçar.

Gado-gado, sucesso do público

Ao ser perguntada pela Organização Internacional para Migrações, OIM, ela diz que se há algum prato que melhor captura a alma deste warung, é o gado-gado.

À primeira vista, parece uma salada simples: legumes, ovos cozidos, tofu frito e tempeh. Mas o prato completa-se com o seu molho de amendoim – rico, cremoso, quente e perfumado – que transforma cada elemento em algo maior do que a soma das suas partes.

O nome gado-gado significa “mistura-mistura” em indonésio. Não existe uma única versão definitiva. O prato muda dependendo dos ingredientes disponíveis. Diferentes ingredientes, texturas e origens são reunidos sob o mesmo molho. Cada etapa importa e cada ingrediente desempenha o seu papel.

Hoje, Egha emprega cerca de 10 pessoas no seu warung, muitas delas migrantes. O trabalho sustenta a sua família, bem como as famílias daqueles que trabalham com ela. Para muitos funcionários, é mais do que um local de trabalho. É um lugar de pertença, onde podem reconstruir as suas vidas e apoiarem-se uns aos outros. Andrea Empamano - Organização Internacional para Migrações ONU News 


segunda-feira, 2 de março de 2026

Macau - Passeio Cultural do Coro Gulbenkian de Portugal no Hong Kong Arts Festival (HKAF) 2026

O aclamado Coro Gulbenkian de Portugal trará três apresentações ao Hong Kong Arts Festival (HKAF) deste ano, e está a ser organizado um passeio cultural para proporcionar uma compreensão mais profunda da cultura sino-portuguesa, da culinária e do desenvolvimento da música sacra.


Durante a primeira paragem do tour, os participantes podem optar por obter informações sobre a gastronomia macaense-portuguesa junto da famosa chef Antonieta Manhão (Neta), ou consultar o guia de viagem do HKAF para explorar locais como o Bairro de São Lázaro e a Igreja de São Lázaro.

A segunda paragem será conduzida pelo Diretor Diocesano de Música Sacra da Diocese de Macau, Andrew Leung, que guiará uma visita à Catedral da Natividade de Nossa Senhora, ao Seminário de São José e ao Arquivo Histórico e Património Diocesano, descobrindo a beleza dos órgãos instalados nas duas igrejas.

Para completar esta experiência culturalmente enriquecedora, os participantes irão desfrutar de música sacra portuguesa na Igreja do Seminário de São José, antes de organizarem o seu próprio jantar.

O evento é organizado pelo Hong Kong Arts Festival (HKAF).

Para mais informações e aquisição de bilhetes consulte a ligação aqui. Instituto Português do Oriente - Macau



quarta-feira, 23 de abril de 2025

Brasil – Jornal Mundo Lusíada foi tema de publicação científica sobre gastronomia portuguesa

Uma publicação científica sobre gastronomia portuguesa, publicada no Brasil, sublinha a importância de conteúdos apresentados no jornal Mundo Lusíada, para a preservação do patrimônio cultural alimentar lusitano no Brasil.



“A salvaguarda das tradições alimentares portuguesas no Brasil por meio do jornal Mundo Lusíada”, publicado em dezembro passado, é assinado pelos professores Marcos Roberto Pisarski Junior e Jean Carlos Vieira Santos, da Universidade Estadual de Goiás (UEG).

Os professores do curso de Gastronomia na UEG, na cidade de Caldas Novas, fizeram a pesquisa como parte da disciplina “História da Gastronomia”, com a abordagem de diversos países do mundo, entre eles Portugal.

Ao Mundo Lusíada, o professor Jean Santos defendeu que os jornais têm um papel fundamental na formação de opiniões dos acadêmicos e pesquisadores ao desenvolver o pensamento crítico. “Sugerimos como fonte de pesquisa, aos graduandos do curso, as publicações gastronômicas do Jornal Mundo Lusíada, pois acompanhamos as matérias desse veículo de comunicação há vários anos, principalmente relacionadas ao turismo, à cultura e à gastronomia. De modo geral, na disciplina ‘História da Gastronomia’, as discussões e reflexões permitem o entendimento da gastronomia não apenas de Goiás e do Brasil, mas como um fenômeno atinente a outros países” declarou.

O estudo aponta que, “no Brasil, o jornal Mundo Lusíada desempenha um papel importante na preservação das tradições alimentares portuguesas destacando-se pela publicação de receitas tradicionais”. A pesquisa investiga como o jornal contribui para a salvaguarda do patrimônio alimentar português no Brasil, com foco no fortalecimento da identidade cultural luso-brasileira.

Uma análise documental de edições publicadas nos últimos cinco anos, em formatos impresso e digital, foi feita a partir da relevância das receitas para a preservação da cultura alimentar.  E também incluiu uma revisão bibliográfica interdisciplinar nos campos da gastronomia, história, sociologia e comunicação.

“Os resultados mostram que as receitas publicadas, em sua maioria enviadas por colaboradores da comunidade luso-brasileira, reforçam o vínculo cultural entre gerações, promovendo um sentimento de pertencimento e continuidade. Conclui-se que o Jornal Mundo Lusíada atua como uma ferramenta importante na preservação e difusão do patrimônio cultural alimentar português, fortalecendo a memória coletiva e a identidade cultural em contextos de imigração” informam os pesquisadores.

A pesquisa também reconhece o papel do jornal não só na preservação como na promoção da cultura, unindo brasileiros e portugueses. “Além do papel de integração da comunidade luso-brasileira, cumpre a função de promover a imagem de Portugal como destino para turismo, gastronomia e vinhos da Europa, apresentando, com certa regularidade, receitas, resenhas sobre viagens e divulgações de eventos que acontecerão em terras lusitanas”.

O bacalhau

Um dos pontos da pesquisa cita, dentre as tradições alimentares lusitanas,  o uso do Bacalhau como a mais enraizada. “O ato de consumir um preparo à base de bacalhau pode remeter ao comensal um sentimento de pertencimento à sua pátria ou de seus ancestrais, fortalecendo e salvaguardando a identidade cultural portuguesa presente no coração dos imigrantes e seus descendentes”. 

Receitas que trazem, por exemplo, o Risoto de Bacalhau, o Leite Creme, ou o Bolo Rei, estão entre os assuntos com mais acessos no sítio do Mundo Lusíada, assim como o enoturismo e os vinhos portugueses. Dentre esses conteúdos muito acessados, estão artigos da escritora Renata Goulart, que assinou blog dedicado à gastronomia portuguesa Delícias no Tacho, e a chef e consultora gastronômica Bete Carneiro, que assinou uma coluna gastronômica no Mundo Lusíada retratando gastronomia e história.

“No caso do Jornal Mundo Lusíada, as receitas não apenas reforçam a tradição culinária, mas também promovem o imaginário coletivo sobre a cultura de além-mar, destacando-se como um elo entre o passado e o presente das práticas culturais no Brasil” conclui a pesquisa.

A publicação está em uma das principais revistas científicas nacionais da área do turismo (Revista Hospitalidade), e pode ser lida no sítio aqui.

Autores

O professor Marcos Roberto Pisarski Junior nasceu nos Estados Unidos da América (EUA) e possui descendência polonesa, e reside no Brasil desde criança. Cursou a graduação em Gastronomia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e o mestrado em Turismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atualmente, está no doutorado pela Universidad de Guadalajara (UdeG), no México.

Jean Carlos Vieira Santos, durante o doutorado na Universidade Federal de Uberlândia (MG), realizou o Programa de Doutorado no País com Estágio no Exterior da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (PDEECAPES) na Universidade do Algarve e, depois, cursou o pós-doutoramento em Turismo pela Faculdade de Economia da mesma instituição ao sul de Portugal.

Os professores também já participaram de eventos com ênfase na temática culinária e de alimentação em Portugal, sobretudo na Universidade de Coimbra. Vanessa Sene – Brasil In “Mundo Lusíada”


quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Goa - O tempero dourado que você verá nos festivais, tradições e muito mais

De 'Nag Panchami' a 'Bonderam' e à culinária local, a curcuma é uma parte inseparável da vida goesa


As chuvas incessantes deste ano levaram a um dilúvio. Se os campos de arroz nos khazans ficaram submersos pelos quarenta dias e quarenta noites bíblicos, como nos tempos de Noé, os vegetais nas encostas foram castigados pela chuva e apodreceram devido ao excesso de humidade do solo.

A curcuma que brotou novamente dos rizomas dormentes, no solo ou de um novo plantio, sobreviveu.

Os agricultores estão a colher folhas de curcuma desde o início de agosto para vender no mercado. Elas estão disponíveis em maços de vinte, cinquenta ou cem folhas, dependendo da procura local.

Comidas festivas

Attol (feito de grão-de-bico) ou methiamchi pez (preparado com grãos de feno-grego)no primeiro dia de agosto foi seguido por Nag Panchami, celebrado com patoleo em 9 de agosto.

No mesmo dia, comemoramos com um 'Balchão de Sexta-feira' dedicado a Alexyz, o famoso cartunista (que, aliás, também costumava fazer uma divertida página central, intitulada 'Domingo Xacuti', no GT Weekender antigamente).

Neste sábado, 17 de agosto de 2024, celebraremos o 'Patoienchem Fest' em Malar, na ilha de Divar, antes do Pasoi ou caminhada ao redor da vila, ambos organizados pelo festakar de Goa, Marius Fernandes. Também haverá um desfile de bandeiras com carros alegóricos no Bonderam pelo Sao Mathias Sports Club.

Os doces para todos estes eventos levam folhas de açafrão, que conferem um sabor delicado ao preparo.


A curcuma é uma especiaria fácil de cultivar, conhecida botanicamente como Curcuma longa e localmente como haldi ou holod. Ela tem propriedades antimicrobianas e é usada na ayurveda, medicina herbal local.

Quando uma empresa dos EUA tentou recentemente patentear algumas aplicações da curcuma, a Índia contestou com sucesso as alegações e impediu o patenteamento do tempero tradicional e da planta medicinal ayurvédica da Índia.

Infelizmente, a Índia não contestou a desqualificação da estrela do wrestling, Vinesh Phogat, nas Olimpíadas de Paris tão veementemente. Imagine ouvir o apito soando por cem gramas, não milhas!

Aplicações medicinais e culturais

A curcuma é um antisséptico tradicional, item de cuidado da pele e bem-estar na Índia, incluindo Goa. O uso da curcuma é relatado para prevenir Alzheimer e doenças cardíacas.

Estudos recentes indicam que o uso de açafrão também pode reduzir a incidência de cancro.

Ela tem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Dizem que a curcumina ajuda a superar sintomas de depressão, o que pode ser a razão pela qual um noivo recebe um copo de leite quente com açafrão na primeira noite após o casamento!


Começando com o Konsachem Fest em Raia, Salcete, em 5 de agosto, e continuando até Ganesh Chaturthi, a curcuma é parte de nossa cultura, religião e tradições. Até mesmo casamentos são precedidos por cerimónias como Haldi e Ros, ou unção da noiva com pasta de curcuma e leite de coco.

Nós, Goeses, usamos açafrão no nosso curry ou umonn, seja ele preparado com camarões, peixes ou vegetais. A curcuma também é um ingrediente importante da nossa Caldinha de camarão contendo dedo-de-maranhão, rabanete ou pepino maduro. Miguel Braganza – Goa in “Gomantak Times”

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Miguel Braganza - Ex-presidente do Comitê de Agricultura do GCCI, CEO da Planter's Choice Pvt Ltd, Diretor Adicional da OFAI e Garden

 





quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Portugal - Apresentadora propõe título “Doutor Honoris Causa” à escritora e gastrónoma cabo-verdiana Maria de Lourdes Chantre


Lisboa – A apresentadora da obra “História, Tradição e Novos Sabores da Cozinha de Cabo Verde” de Maria de Lourdes Chantre, propôs em Lisboa, a atribuição do título de “Doutor Honoris Causa” à escritora e gastrónoma cabo-verdiana.

A proposta foi feita por Otília Leitão, que apresentou a obra com a chancela de Rosa de Porcelana Editora, juntamente com Alice Matos, numa sala do Grémio Literário de Lisboa completamente cheia.

“A Universidade de Cabo Verde pode propor o título de Doutor Honoris Causa à gastrónoma Maria de Lourdes Chantre”, disse, considerando também a possibilidade da criação de um prémio com o nome da escritora, assim como a criação de um mestrado específico que possibilita o estudo da gastronomia cabo-verdiana.

Otília Leitão ainda parabenizou a autora por ter introduzido um capítulo no livro sobre as mulheres, tema que também mereceu congratulação da apresentadora Alice Matos.

“A obra é um acervo rico de saber e prática da cozinha cabo-verdiana”, considerou, acrescentando que o livro de 1100 páginas sobre a gastronomia cabo-verdiana a partir de uma perspectiva antropológica e cultural, constitui um momento “ímpar” da arte culinária.

Já para a prefaciador da obra, a escritora Dina Salústio, “ultrapassa a dimensão de um grande e belo livro de cozinha para ser um livro que, em subtítulo, poder-se-ia chamar: Cabo Verde uma viagem gastronómica pela história dos alimentos”.

“É um livro de culinária produzido por uma intelectual que nas suas paixões literárias inscreve um António Aurélio Gonçalves, um Jorge Barbosa, dois grandes escritores, amigos e gourmets, de quem usa particulares preferências para nos seduzir”, considerou Dina Salústio.

Maria de Lourdes Chantre é natural de Mindelo, São Vicente, onde nasceu a 11 de Outubro de 1939. Filha de Manuel Ribeiro de Almeida e de Estella de Castro Soromenho Silva Ribeiro de Almeida, foi casada com o professor Guilherme Chantre.

Formada em Secretariado, foi correspondente em Línguas Estrangeiras (Inglês e Francês) e Técnicas de Interacção Pessoal para Assistente de Direcção (ISLA), e é membro da Sociedade Portuguesa de Autores, sócia efectiva da Sociedade de Geografia de Lisboa e membro da Associação de Escritores Cabo-verdianos (AEC) e da Sociedade Cabo-verdiana de Autores (SOCA).

Maria de Lourdes Chantre é autora de “Cozinha de Cabo Verde” (1979), reeditado em 2001, “111 Receitas da Cozinha Africana” (1981), “Comida Saudável para o Coração” (1990), “Plantas Medicinais – Recolha da Sabedoria Popular e Na Cozinha Cabo-verdiana com CERIS”.

Além de participar em diversas confrarias, ministrou conferências, palestras e workshops sobre gastronomia e diversidade cultural.

A obra vai estar disponível nas livrarias em Cabo Verde a partir de Janeiro e a perspectiva da apresentação no arquipélago já existe e será numa data a indicar, conforme Márcia Souto da Rosa de Porcelana Editora. In “Inforpress” – Cabo Verde



 

segunda-feira, 29 de março de 2021

Macau - Chefes de gastronomia macaense, participam em acções de promoção em Hangzhou


Antonieta Manhão e Rita Cabral, chefes de gastronomia macaense, participam em acções de promoção em Hangzhou, China, até ao dia 11 de Abril, no âmbito da iniciativa “Sabores de Macau – Promoção de Gastronomia”, promovida pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST) em parceria com a Confraria da Gastronomia Macaense.

A acção de promoção decorre no Grand Café do Hotel Grand Hyatt Hangzhou, onde as duas chefes ensinam as características da gastronomia macaense a chefes de Hangzhou e a preparar, em conjunto, pratos macaenses para o jantar buffet da promoção. Segundo um comunicado da DST, Antonieta Manhão e Rita Cabral “têm não só transmitido aos chefes de Hangzhou as técnicas culinárias, que aprenderam de geração em geração, como também partilhado a forma como introduziram elementos inovadores nas técnicas culinárias tradicionais”.

Os pratos que têm sido confeccionados nesta iniciativa são tarte de sardinha, capa de caranguejo recheado, tostinha de queijo, salada de camarão, caldo verde, capela, galinha à Macau, arroz de pato, camarão com rabanete curry, serradura, gelatina agar-agar de xarope de figo e pastéis de nata.

Relatório à UNESCO este ano

Com esta acção de promoção, a DST “espera que os visitantes de Hangzhou e do Interior da China possam conhecer as tradições gastronómicas macaenses, as técnicas culinárias inovadoras e a cultura gastronómica de Macau, reflectindo os elementos de relevo desenvolvidos por Macau enquanto Cidade Criativa da Gastronomia – transmissão, inovação e intercâmbio”.

Sobre a distinção que Macau possui na qualidade de Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO, a DST adianta que vai apresentar “este ano o primeiro relatório de trabalho de quatro anos enquanto Cidade Criativa de Gastronomia”. “Tendo em conta que o Governo adoptou uma série de medidas eficazes de prevenção contra pandemia e a segurança alimentar destinadas ao sector da restauração, também será proposta a inclusão desta matéria no relatório”, lê-se no mesmo comunicado. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Estados Unidos da América - Emigrante portuguesa dá aulas de cozinha tradicional

A portuguesa Anabela Viralhadas, que vive na Califórnia desde 2016, lançou a série ‘online’ “Cooking with Bela” para ensinar culinária tradicional aos americanos interessados em aprender a fazer pratos típicos de Portugal

“A quarentena chegou e eu estava a sentir as pessoas muito tristes”, disse à Lusa Anabela Viralhadas, explicando que foi por isso que teve a ideia de começar a dar aulas de cozinha usando a plataforma Zoom. “Muita gente aderiu logo, porque gostam muito da minha comida”, acrescentou.

O público-alvo é sobretudo o americano e inclui pessoas com alguma ligação à comunidade portuguesa, que não têm grandes conhecimentos de cozinha. “Tenho muitas que dizem que a sogra é portuguesa e gostavam de lhe fazer uma surpresa”, explicou, ou em que “o marido é português e não sabem fazer nada”.

Desde maio, Anabela Viralhadas já ensinou a fazer pão, feijoada à portuguesa, sangria, pão de ló, pão com chouriço, serradura e queijadas de leite, entre outros pratos típicos.

“Ver um sorriso na cara de uma senhora de 60 anos que pela primeira vez conseguiu fazer pão na vida dela é fantástico”, admitiu a portuguesa, que vive em Brentwood, norte da Califórnia. “Acho que as famílias americanas são muito desconectadas nesse sentido”, frisou.

A maior dificuldade que sentiu foi a adaptação dos ingredientes. “Houve um desafio muito grande que era traduzir as receitas portuguesas para a qualidade dos produtos em vários países, o que não é fácil”, explicou.

“Aqui a farinha é pesadíssima em relação à farinha portuguesa e o açúcar é três vezes mais doce”, apontou, frisando que a manteiga e o leite também não são iguais. Para fazer as receitas normais, “e dar a conhecer a cultura portuguesa”, foi preciso experimentar e ajustar constantemente.

Nem sempre essa adaptação é possível, reconheceu. “Há uma coisa que não consegui: adorava a minha tarte de maçã em Portugal e aqui é difícil arranjar maçã reineta”.

Após a experiência dos últimos meses, Anabela Viralhadas está a começar a alargar o seu plano e a pesquisar alternativas sem glúten e vegetarianas, que irá abordar no futuro. Pretende também criar um formato individual.

“Agora estou com uma ideia nova de dar aulas particulares, porque notei que as pessoas ficam com vergonha de dizer que não sabem quando estão 20 pessoas numa classe de Zoom”, adiantou a portuguesa, notando que pode ser difícil para alguém com muito poucos conhecimentos acompanhar uma aula de grupo. “O que eu gosto mesmo é ensinar àquela pessoa que não sabe nada. O meu alvo são essas pessoas”, vincou.

Com as aulas a crescerem em popularidade junto do público norte-americano, Anabela começou também a ter alunos de outras partes do mundo, incluindo África do Sul e mesmo Portugal.

“Estou também a ter público português”, afirmou, o que a deverá levar a traduzir o seu ‘site’ e blogue, atualmente em inglês. “Mesmo portugueses de Portugal estão super interessados nas minhas coisas”, assegurou, algo que considerou notável e não planeado.

A periodicidade das aulas “Cooking with Bela” deverá passar a ser repartida entre grupos e particulares, com a portuguesa a apontar para três vezes por semana.

Antes da pandemia de covid-19 obrigar ao confinamento, Anabela estava a estudar contabilidade, um plano que agora está em suspenso. As aulas de culinária marcaram uma mudança na sua vida que foi inesperada.

“Gosto muito de conviver e tive sempre muitas amigas que gostavam da minha comida, dava festas, fazia comida para toda a gente e tentava explicar e ensinar”, contou. “A minha paixão pela cozinha esteve sempre em mim”, concluiu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Estados Unidos da América – Culinária portuguesa, um activo, apresenta-se na televisão em segunda temporada



A série Maria’s Portuguese Table, criada pela luso-americana Maria Lawton e primeiro programa de culinária portuguesa em inglês a chegar à televisão norte-americana, vai ter uma segunda temporada de dez episódios.

Com orçamento global de 600 mil dólares (539,5 mil euros), ou 60 mil dólares (53,9 mil euros) por episódio, a segunda temporada terá cinco episódios nos Açores, passando pela Terceira, Faial, Pico, São Jorge e Graciosa, e cinco episódios nos Estados Unidos, com Cambridge (Massachusetts), Nova Jersey e Nova Iorque no guião.

A ‘chef’, que contará novamente com a produtora Cineasta Digital do lusodescendente Dean Câmara para a realização da segunda temporada, está também a ponderar a hipótese de filmar no Havai, onde a influência da diáspora portuguesa na culinária continua a ser sentida.

“A nossa comida tem muita história”, disse à Lusa Maria Lawton, que passou dez dias nos Açores em novembro. “Na Terceira, por exemplo, há muitas influências mouriscas, flamengas e outras, e percebe-se que há história em cada refeição”.

A decisão de avançar para uma segunda temporada, depois de a primeira ter tido sucesso na cadeia de televisão pública PBS, foi tomada porque a luso-americana considera haver ainda muitas histórias para contar.

“Há mais para fazer e mostrar e vou dar o meu melhor para que aconteça. Porque tenho muito orgulho de tudo, de quem somos como portugueses”, sublinhou. O início das filmagens deverá acontecer nos Açores depois do verão de 2020, altura em que Maria Lawton calcula ter já metade do orçamento necessário disponível.

A ‘chef’ irá também, nessa altura, liderar duas viagens aos Açores organizadas pelo clube da PBS Rhode Island, uma iniciativa que surgiu por causa do ‘feedback’ que a estação recebeu ao passar a série.

“A PBS disse que os telefones não pararam de tocar desde que o programa foi para o ar e já repetiram a transmissão da série pelo menos quatro vezes”, explicou a ‘chef’. Maria’s Portuguese Table também chegou ao vale central da Califórnia com a PBS local e vai estrear na PBS em Buffalo, Nova Iorque, em 13 de janeiro.

A recetividade do público levou também a autora a criar uma versão da série em DVD, que estará disponível na Amazon a 29 de janeiro por 49,99 dólares. Além disso, Maria Lawton está em conversações com os serviços de ‘streaming’, sendo possível que o programa chegue ao Amazon Prime no início de 2020.

Referindo que o feedback dos luso-americanos foi “muito positivo”, o que mais surpreendeu a ‘chef’ foi a reação dos que não têm ligação à comunidade, dos quais ouviu “coisas incríveis” porque “não conheciam a beleza dos Açores”.

No voo para o arquipélago em novembro, contou Maria Lawton, dois casais abordaram-na e disseram que estavam a fazer a viagem por causa da série, e a ‘chef’ ouviu uma história semelhante com uma família num restaurante nas Furnas.

Agora, a autora está à procura de mais patrocinadores, porque o tamanho e orçamento da segunda temporada são mais robustos, com dois episódios adicionais. “Fiz história e sei que tenho isso. Porque foi a primeira série de comida portuguesa e viagens na televisão americana”, salientou.

Se for possível, Maria Lawton disse querer fazer uma terceira e quarta temporadas, nas quais gostaria de ir ao Corvo, Flores e Santa Maria e depois a Trás-os-Montes, de onde saíram os seus antepassados.

Nascida em São Miguel, Maria Lawton emigrou com a família para os Estados Unidos aos seis anos de idade. Em 2014, publicou o livro de receitas “Azorean Cooking: From My Table to Yours”, um best-seller que lhe abriu as portas e precedeu o desenvolvimento da série televisiva.

“Digo sempre que, para um país que descobriu o mundo, ainda somos um lugar que as pessoas estão a descobrir”, referiu, sobre a importância de mostrar o melhor da comida e dos portugueses. “Somos pequenos, mas poderosos”. In “Mundo Português” – Portugal com “Lusa”

domingo, 23 de outubro de 2016

França – Uma visita à culinária portuguesa


















O canal de televisão francês ARTE (Association Relative à la Télévision Européenne) dedicou um dos episódios do seu programa "A pleines dents!" a Portugal e à sua culinária.

Gerard Depardieu e Laurent Audiot são os visitantes que percorrem o país desde o Porto, mais concretamente do mercado do Bolhão até Troia, junto dos pescadores do rio Sado.


As imagens de qualidades, as cores que nos acompanham no dia-a-dia, a culinária onde só faltam (por enquanto) os cheiros, levam-nos a não perder este programa de aproximadamente 40 minutos.

Um programa em língua francesa, com pinceladas de português que poderá ver aqui. Baía da Lusofonia