Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 21 de julho de 2026

Moçambique - Obedes Lobadias lança programa de formação em declamação de poesia

O declamador, escritor e dinamizador cultural, Obedes Lobadias, lança o WORD – Workshop de Declamação de Poesia, uma iniciativa de formação artística concebida para o desenvolvimento técnico, interpretativo e performativo de declamadores e demais interessados na arte de dar voz, alma e vida à palavra.


Nesta fase inaugural, o projecto realiza duas edições consecutivas, nas cidades de Maputo e Xai-Xai, marcando o início de um programa que se fundamenta na convicção de que a declamação constitui uma importante expressão artística e um poderoso instrumento de promoção da literatura, da leitura, da oralidade e da sensibilidade humana, fortalecendo, simultaneamente, a capacidade de comunicação e afirmando-se como um activo estratégico para o fortalecimento das indústrias culturais e criativas e para o desenvolvimento humano, educativo, cultural, social e cívico. Mais do que uma oficina artística, assume-se como uma ferramenta de construção, crescimento e transformação.

A edição de Xai-Xai representa o compromisso do projecto com a descentralização das oportunidades de formação artística de qualidade, promovendo a partilha de conhecimentos, o intercâmbio de experiências e a valorização de novos talentos, numa abordagem predominantemente prática, criativa e transformadora.

O programa privilegia a prática, a experimentação e a reflexão crítica, proporcionando aos participantes ferramentas técnicas e criativas para o aperfeiçoamento das suas competências expressivas e performativas.

O WORD é orientado por Obedes Lobadias, destacado declamador de poesia em Moçambique. É também escritor, activista, director artístico e dinamizador cultural, com experiência significativa na concepção, curadoria, produção e gestão de eventos. Integra regularmente júris de concursos de declamação de poesia e é co-fundador do Declamatório, do sarau cultural “Ao vivo & em verso” e de outros projectos de diferentes áreas de intervenção. Corredor Nacional - Moçambique


sexta-feira, 1 de maio de 2026

Angola – 1.ª edição do Sarau Poético exalta beleza e sensibilidade

O Centro Cultural Teatro Mar, situado no Futungo de Belas, em Luanda, realiza, hoje, sexta-feira, 1 de Maio, a 1.ª edição do “Sarau Poético”, um evento que procura elevar as características, a beleza e a sensibilidade da poesia angolana num palco onde a arte é vivida com intensidade

Projectado como uma iniciativa cultural para enaltecer e celebrar a poesia enquanto forma de expressão artística e de reflexão, o Sarau Poético assume-se como um espaço onde os amantes e apreciadores da poesia são convidados a expressar sentimentos, retirar da alma o que pouco é dito, com palavras, e expô-las por meio da poesia.

Nesta edição inaugural, o evento contará com a presença do artista Astronauta, que assinará o início de um ciclo de eventos, com foco em poesia, orientado para a partilha de experiências, valorização da palavra e fortalecimento do vínculo entre poetas e o público.

Segundo a direcção do Teatro Mar, o sarau assumirá um carácter intimista, visando criar proximidade entre o público e o artista convidado, podendo, deste jeito, o artista interagir com a plateia e criar um ambiente envolvente por meio da sua arte.

A interlocutora, que preferiu não ser identificada por não ser a responsável da área de comunicação da organização, avançou-nos que, nas próximas edições, pretendem proporcionar um ambiente em que se pode fortalecer a confiança e o talento de poetas emergentes e consagrados, com estímulo à expressão individual e/ou colectiva e ao desenvolvimento artístico.

“Com esta iniciativa, o Centro Cultural Teatro Mar reafirma o seu compromisso com a dinamização cultural e com a criação de espaços dedicados à valorização da Poesia e dos Poetas”, disse a jovem. Ressaltou que o principal objectivo do Sarau é olhar para a arte e dar oportunidade a vozes conhecidas, assim como dar oportunidades a quem nunca foi ouvido.

“Dar voz à comunidade, com abertura à partilha de vivências, identidades e narrativas diversas”, frisou. Ressaltou que a poesia é das poucas expressões artísticas que nos permite interiorizar o significado cultural, expressar sentimentos e tornar um público-alvo participativo naquilo que é escrito e/ou declamado.

Avançou que o Sarau terá início a partir das 19h00 e promete ser um momento único e inesquecível, em que a arte da palavra estará no centro da atenção e, ao mesmo tempo, será o ponto de transformação e conexão. In “O País” - Angola


quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Moçambique - Ivandro Sigaval distinguido no Declamatório

O declamador, comunicador e activista moçambicano, Ivandro Sigaval, foi distinguido, ontem, no Declamatório, uma plataforma para conexões, partilha de conhecimento, experiências, oportunidades e desenvolvimento na arte de declamação de poesia


A distinção acontece no âmbito do subprojecto “Uma Conversa Aberta sobre Declamação de Poesia”, onde, além de oportunos debates sobre a arte de dar voz, alma e vida à palavra, através de uma rubrica designada TOP 05, procura-se compreender e destacar a influência e impacto dos declamadores, seja no seu meio artístico assim como no social em geral. É neste contexto que Sigaval, que já recebeu outros prémios nacionais e internacionais, foi o artista mais mencionado pelos seus pares, o que revela e confirma a sua influência e impacto positivos no movimento e no cerne social, onde, com a sua voz, certamente, vem fomentando mudanças.

Ivandro Sigaval, o seu talento e criatividade mantêm o movimento vivo, a sua voz é fonte da energia que alimenta o nosso universo, a sua alma verte em cada palavra, fundindo-se à nossa; com um estilo muito e sempre seu, cada vez que sobe ao palco, há novas vozes que se levantam, um Homem que se aprimora, um mundo que se transforma e encontram outra dimensão; e não é sobre menção, é sobre impacto e um olhar que se nega impávido, é sobre si, sobre a poesia, que tem em si um pulmão, e o seu declamar, que, para muitos, é fonte de inspiração e precisa nunca parar. Bem-haja!” – lê-se, na placa de reconhecimento, especial, entregue ao artista, na noite de ontem, em evento decorrido, no IPET – Instituto Politécnico de Tecnologia e Empreendedorismo, em Maputo, onde estiveram diferentes participantes, entre declamadores, músicos, entusiastas das artes, e o público em geral, desde crianças, adolescentes, jovens, a adultos; aliás, o evento combinou uma conversa interessante (que se propunha compreender, de forma  reflexiva e analítica, a necessidade ou preponderância, ou não, dos declamadores assistirem a saraus e outros eventos, de seus pares e não só) é um desfile de vários talentos, pois, desta vez, tratou-se de uma fusão e parceria com sarau cultural ao vivo & em verso, que já vai para sua décima quarta edição.

Chamada por Romana das Dores, quem moderava a conversa, entre o público e os declamadores convidados, Vera Rutte e Poeta da Sociedade, Ivânia Paquete, coordenadora do Declamatório, dirigiu o momento de tributo, tendo, o prestigiado, lido em alto tom o elogio especial e, de seguida, reagido com um breve discurso, que se resume no agradecimento aos protagonistas da iniciativa, incluindo o seu co-fundador, Obedes Lobadias, aos declamadores que o mencionaram e o seu dedicado e admirador público e parceiros de jornada que nele acreditam e o fazem merecer a distinção, e, no final, uma nota que, além de mais, instava os declamadores a, sem deixar de se aperfeiçoar e focar-se na sua identidade, originalidade e autenticidade, devem, sobretudo, dedicar-se ao exercício poético em si, e não, necessariamente ou somente, e de forma obsessiva, em ser bons. “está tudo bem em não ser bom poeta“.  – disse, naquele tom característico. 

Importa referenciar, que, na mesma ocasião, foi premiada a poeta mirim, Maray da Cruz, distinguida como a Melhor Performance do ao vivo & em verso – 2024, maior distinção daquele projecto que vem, ademais, descobrindo e projectando vozes e rostos, senão presentes e futuros potenciais actores da cena artística e criativa moçambicana. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sexta-feira, 25 de julho de 2025

Moçambique - Quatro vozes, uma alma: nasce “Poesia da Minha Terra”, uma celebração da identidade moçambicana

Foi lançado o projecto Sou poesia da minha terra, uma obra poética em formato áudio protagonizada por quatro das vozes mais reconhecidas da declamação em Moçambique: Obedes Lobadias, Eduardo Salmo, Ivânia Paquete e Romana das Dores.


Mais do que um simples exercício artístico, Poesia da Minha Terra apresenta-se como um movimento colectivo que se propõe a celebrar, questionar e reflectir a alma moçambicana através da palavra dita. São seis minutos intensos de festa, resistência e identidade, numa proposta sonora que mescla performance, ancestralidade e esperança.

Produzida pela Nrecords, fotografada pela Visionário Photography e dirigida por Obedes Lobadias e Eduardo Salmo, com o apoio técnico de Silmério Uaquessa, Ernesto Paulino e Jeremias Zavale, a obra ganha uma dimensão ainda mais profunda com a participação das BorboLetras, um movimento artístico infantojuvenil que integra crianças entre os 4 e os 15 anos de idade.

Poesia da Minha Terra é o grito de uma só alma por meio de múltiplas vozes. É a nossa forma de reflectir sobre tudo e todos. Um convite à festa e, ao mesmo tempo, à consciência colectiva”, sublinham os autores, que optam por deixar a obra falar por si, sem antecipar interpretações.

Disponível nas plataformas YouTube e Facebook, através da página oficial do projecto (Poesia da Minha Terra), o trabalho aborda temas como ancestralidade, liberdade, justiça social, cultura africana e moçambicana, propondo um olhar sensível e crítico sobre os caminhos da humanidade e a afirmação da identidade. In “Moz Entretenimento” - Moçambique



sábado, 3 de maio de 2025

Brasil – Escritor angolano Ismael Farinha declama poemas na cidade de São Paulo

O poeta angolano Ismael Farinha, autor do livro “Prelúdio: Dito Interdito”, participou, hoje, do Sarau denominado “Do Caiás”, que aconteceu no Casarão Multicultural, na cidade de São Paulo



Em declarações ao Jornal de Angola, Ismael Farinha disse que é para si uma honra receber o convite para declamar os poemas autorais fora de Angola, o que mostra que tem sido observado.

A actividade, explicou, é uma parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares, que fez o convite, e terá participação de poetas e poetisas brasileiros, e durante o evento vai declamar poemas autorais, com realce para “África”, “Muxima wua mi” e “Relógio do tempo”.

“Estes dois últimos poemas fazem parte do meu livro de poesia lançado no dia 27 de Fevereiro do ano passado”, informou.

Ismael Farinha referiu que se sente expectante, porque o convite mostra que tem sido observado, tanto é que estes reconhecimentos, convites ou parcerias que os artistas, em geral, vivem, acrescenta algum valor na carreira artística.

“Sinto-me lisonjeado e bastante feliz, porque é um ganho para mim, é o reconhecimento da minha carreira como poeta. Isso demonstra, também, a ponte que se tem criado entre Angola e o Brasil, em vários domínios das artes”, admitiu.

Ismael Farinha sublinhou que o convite que recebeu para participar do recital no Brasil traz para si um sentimento de dever cumprido pelo trabalho que vem desenvolvendo ao longo dos anos.

O poeta ressaltou que é fundamental que os artistas que se empenham sejam reconhecidos pelo trabalho que fazem.

O país, reforçou, vai celebrar o seu cinquentenário como uma nação independente e o Brasil foi o primeiro Estado do mundo a reconhecer a Independência de Angola. Com o convite, explicou, é o início da internacionalização da carreira enquanto poeta.

“Tenho trabalhado ao longo de dez anos com o escritor e jornalista brasileiro Roberto Leal, tenho participado com contos, crónicas e poesias na Revista Romira, no sentido de internacionalizar a minha carreira”, ressaltou o poeta. Armindo Canda – Angola in “Jornal de Angola”  


segunda-feira, 22 de março de 2021

Timor-Leste - Centro de Língua Portuguesa da Universidade Nacional Timor Lorosa’e “dá voz e rosto à expressão da poesia em Língua Portuguesa”

Díli – O Centro de Língua Portuguesa (CLP) da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), em parceria com o Centro Cultural Português da Embaixada de Portugal em Díli, a Fundação Oriente e a Plural Editores Timor-Leste do Grupo Porto Editora, assinalam o Dia Mundial da Poesia com a partilha em linha de poemas declamados.

A iniciativa decorre até dia 26 de março, no âmbito da Semana do Dia Mundial da Poesia, comemorada pelo CLP.

Tal como no ano passado, professores e alunos da UNTL, mas também outros interessados são convidados a gravar uma declamação de um poema em português de que gostem, que é partilhado na página de Facebook do CLP.

Paulo Faria, Coordenador Científico-Pedagógico do Projeto FOCO.UNTL (Formar, Orientar, Certificar e Otimizar) e do Centro de Língua Portuguesa – Camões na UNTL, explicou que se pretende “dar voz e rosto à expressão da poesia em Língua Portuguesa, num espaço livre e sem restrições de qualquer tipo”.

A iniciativa não fica confinada a Timor-Leste, mas abre-se ao mundo lusófono e “a todos os que acreditam na força e na presença da poesia que de alguma forma pode tornar o mundo melhor”.

“O objetivo é celebrar a diversidade e unidade da língua portuguesa na sua forma lírica, dos estudantes, professores e de todos os que se quiserem associar a esta iniciativa por todo o mundo onde se fala português”, contou Paulo Faria à Tatoli.

O responsável explica que a realização em linha desta atividade se deve à crise sanitária causada pelo novo coronavírus.

“A iniciativa realizada neste formato é consequência do período de confinamento que se vive um pouco por todo o mundo e particularmente em Díli. É nestes momentos que precisamos de reinventar formas de interação que não ponham em causa a saúde pública”, disse.

O responsável não duvida do sucesso da iniciativa, “porque todos somos seres que precisamos de comunicar, de interagir e partilhar os nossos sentimentos, as nossas emoções e o nosso pensamento”.

Referiu ainda a importância da poesia ao longo da história da humanidade.

“É através da poesia que se provoca a lógica e o sentido natural das coisas. A poesia não tem um fim em si mesmo. É a partir da leitura da poesia que se redescobre e aprofunda o conhecimento interior de cada ser humano”, disse.

“É a partir da poesia que somos capazes de compreender melhor o sentido velado de cada coisa, do mundo e do outro que se cruza connosco ou está nos antípodas”, acrescentou.

Na comemoração do dia em causa, o CLP-UNTL convida todos os interessados a participar nesta iniciativa, acompanhando a página do Facebook do CLP – https://www.facebook.com/clp.untl/.

O dia 21 de março foi proclamado como o Dia Mundial da Poesia na 30.ª Conferência Geral em Paris da UNESCO, em 1999, com o propósito de apoiar a diversidade linguística através da expressão poética e aumentar a oportunidade de línguas ameaçadas serem ouvidas.

A data serve para homenagear poetas, reviver tradições orais de recitais de poesia, promover a leitura, escrita e ensino de poesia, fomentar a convergência entre poesia e outras artes como teatro, dança, música e pintura, e aumentar a visibilidade de poesia nos media. Maria Auxiliadora – Timor-Leste in “Tatoli”

 


quinta-feira, 25 de abril de 2019

Macau - Concurso de declamação de poesia em português promove culturas e literaturas de língua portuguesa

Macau - O Instituto Politécnico de Macau (IPM) acolheu, na semana passada, mais um concurso de declamação de poesia em português, que reúne anualmente alunos de universidades macaenses e do interior da China, anunciou a organização.

Em 2019, a iniciativa que se realiza há 14 anos contou com a participação de 25 jovens provenientes de dez instituições. Além de quatro universidades de Macau, estiveram representadas seis faculdades do interior da China.

A organização distinguiu este ano três alunos de Macau: o primeiro prémio foi atribuído a um aluno da Universidade de São José, Carlos Angelo de Guzmán, o segundo foi conquistado por Lu Yuhan, do IPM, e o terceiro por Xie Hanuy, da Universidade de Ciência e Tecnologia.

"A competição é hoje um evento muito importante na promoção das culturas e literaturas de língua portuguesa, constituindo um estímulo e um incentivo à leitura", além de ser uma oportunidade "para apresentar o talento dos alunos que escolheram estudar português", destacou o IPM, em comunicado.

A iniciativa é co-organizada pelo IPM e pela Direção dos Serviços de Ensino Superior de Macau, com apoio da Fundação Rui Cunha e da Fundação Oriente.

Desde 2005, o IPM já convidou a participar no concurso mais de 30 instituições, sediadas em Macau e em vários pontos da China.

No ano letivo 2018/2019, o número de estudantes de português no IPM ronda os 500, de acordo com dados disponibilizados à Lusa no final do ano passado.

O IPM recebe ainda, todos os anos, 25 alunos do curso de licenciatura em tradução e interpretação chinês-português do Instituto Politécnico de Leiria. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

sábado, 21 de abril de 2018

Macau – Declamar poesia para melhorar o português

O Instituto Politécnico organizou a 13ª edição do Concurso de Declamação de Poesia em Português para Instituições de Ensino Superior da China que contou este ano com estudantes de quatro universidades locais e oito do Continente. Os alunos encaram o concurso como uma forma de melhorar o seu conhecimento de Português



Trinta estudantes de quatro instituições de ensino superior locais e oito do Interior da China estiveram no Instituto Politécnico de Macau (IPM) para participar na 13ª edição do Concurso de Declamação de Poesia em Português para Instituições de Ensino Superior da China.

Joshua Aslarona concorreu pela primeira vez. Tem 20 anos e está a frequentar o segundo ano da Licenciatura em Estudos Portugueses da Universidade de Macau. “Gosto de declamar poesia mas nunca tive oportunidade o fazer. É a primeira vez que participo num concurso de poesia, mas já não sou amador em termos de concursos de falar em público”, contou.

O jovem, que nasceu nas Filipinas mas cresceu em Macau, escolheu declamar o poema “Mãe” de Eugénio de Andrade. “Identifiquei-me muito [com o poema] porque estou numa fase de transição da minha vida em que tenho cada vez menos tempo para a minha família, para a minha mãe”, sublinhou, acrescentando que só agora começa a conhecer poesia de autores portugueses.

A decisão de estudar Português prende-se com o facto de lhe dar a possibilidade de trabalhar em várias áreas. “Posso ser jornalista, posso estudar direito ou ser tradutor-intérprete, se aprender chinês também, que já estou a aprender, mas é um pouco difícil”. Por agora, assegura, ainda não tem a certeza do que se segue ao fim da Licenciatura.

Verónica Ruan também ainda não sabe o que fará quando terminar os estudos. “Estou a estudar português na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim, no segundo ano. Vou interpretar ‘Cântico Negro’, de José Régio. É um poema muito intenso, tem muita emoção e eu gosto muito desse tipo de poesia”, sublinhou antes da competição a jovem de 23 anos que também aprecia textos de Fernando Pessoa.

A decisão de estudar Português foi fácil. “Gosto muito de línguas. Quando estava na escola secundária estudava muito bem inglês. As línguas são um talento meu. Portugal é um país muito bonito, tem uma cultura maravilhosa e uma história muito longa. Gosto muito da história dos descobrimentos”, destacou.

Quando terminar o curso admite a possibilidade de trabalhar tanto no estrangeiro como na China. “A minha língua é uma vantagem muito grande para trabalhar em Portugal, no Brasil ou na China como tradutora, intérprete ou jornalista”, apontou.

A aprendizagem do Português não tem sido difícil. “Gosto muito da gramática e de conversar com outras pessoas e acho que os portugueses são muito simpáticos. Este ano vou para a Universidade do Minho, em Braga, e vai ser um período muito interessante”, destaca.

Ao contrário das outras duas estudantes, Chu Xiaorui já sabe o que quer fazer quando terminar os estudos: investigação. Para o concurso do IPM escolheu interpretar um poema de Fernando Pessoa. “Gosto de Fernando Pessoa porque tem muitas perspectivas diferentes. É muito diversificado mas muito difícil. Estou no segundo ano, estou a aprender Português pouco a pouco, mas tenho algumas dificuldades. Em primeiro lugar, a linguagem, porque depende dos heterónimos”, sublinhou o jovem de 21 anos que estuda Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Pequim.

A decisão de estudar Português derivou da curiosidade que tinha em relação ao mundo lusófono. “Portugal e o mundo da Língua Portuguesa são pouco conhecidos no contexto da China, são pouco estudados. Gosto de Luís de Camões porque estou a estudar filósofos da Grécia Antiga e Luís de Camões tem um pouco a ver com eles. Queria estudar e descobrir mais sobre os poemas de Luís de Camões”, disse o aluno, que acabou por conquistar o primeiro prémio no concurso de ontem.

Voltar aos valores originais

Chu Xiaorui destaca ainda a importância de regressarmos aos valores originais. “Hoje em dia o mundo avança muito depressa. Todos os dias as pessoas trabalham, comem, mas os corações estão vazios. Os valores estão a perder-se eles podem ser encontrados nos filósofos gregos. Gostava de devolver estes valores às pessoas. Camões também destaca os seus sentimentos em relação à Pátria e Fernando Pessoa diz que é importante construir uma cultura nova, de futuro. Ambos os autores estão a tentar criar novos valores”, defendeu o jovem.

Quando terminar o curso, Chu Xiaorui gostava de prosseguir os seus estudos na área da Sociologia ou Filosofia, nos EUA. Posteriormente, gostaria de enveredar pelo ramo da investigação. “Gostava de voltar à Universidade de Pequim e fazer investigação usando fontes em Língua Portuguesa, que é uma língua que adoro”, sublinhou.

O concurso resulta na entrega de nove prémios, três em cada nível – elementar, intermédio e avançado. O segundo prémio, que foi atribuído a Liu Xingyu (Estrela), contou com o patrocínio pela Fundação Rui Cunha. Houve ainda um prémio especial, da responsabilidade da Fundação Oriente, para reconhecer a melhor declamação de poema relacionado com o Oriente, seja devido ao tema, seja pelo autor.

IPM ajuda Fundação da EPM a levar Português a Zhuhai e Hengqin

O Instituto Politécnico de Macau (IPM) está a cooperar com a Fundação Escola Portuguesa de Macau (FEPM) para implementar aulas de Português em duas escolas no Interior da China. “O que temos feito é ajudar a desbravar caminho porque o IPM conhece melhor a situação da China”, explicou Carlos André. “Foi através do IPM que a FEPM chegou a uma escola em Zhuhai, privada, que vai abrir a partir de Setembro e projecta-se já uma ou mais turmas e um centro de línguas onde haverá língua portuguesa. A segunda escola, não estive envolvido porque foi mais institucional, por parte do governador de Hengqin”, disse o director do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM. Carlos André acredita que a colaboração do IPM pode ser útil ao nível do recrutamento de docentes por já ter conhecimento da situação em mais de 30 universidades chinesas. “É mais fácil para nós fazer o recrutamento de bilingues e temos em carteira vários candidatos nativos, portugueses, para posições de ensino no Interior da China”. Além disso, o IPM produz materiais de ensino, recordou. Inês Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”