Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Austrália - Astrofísica portuguesa destaca-se na ciência mundial

O percurso de Elisabete da Cunha destaca-se como um exemplo da diáspora portuguesa. A astrofísica e investigadora acaba de lançar o livro “O que se passa acima das nossas cabeças”, uma obra que procura aproximar o grande público dos mistérios do Universo


Investigadora e professora na University of Western Australia, é atualmente uma referência internacional na área da astrofísica, tendo trabalhado com alguns dos mais avançados telescópios do mundo, incluindo o James Webb Space Telescope.

Nascida em Paris, foi em Barroselas (Viana do Castelo) que se deixou encantar pelo “céu estrelado” sobre o qual agora escreve. Elisabete da Cunha construiu um percurso académico entre Portugal e França, afirmando-se globalmente pela investigação sobre a formação e evolução das galáxias.

De acordo com o Sete Jornal, o livro foi escrito na Austrália, mas é direcionado ao público português. “O que se passa acima das nossas cabeças” acaba de chegar às livrarias com a chancela da Manuscrito. No referido livro, a autora convida os leitores a olhar para o céu de forma mais próxima e acessível, abordando questões como a origem do Universo, a natureza dos buracos negros e a possibilidade de existência de vida fora da Terra.

“Espero que este seja um livro que não só ensine, mas que mude a forma como olhamos para o céu”, explicou em entrevista com referido jornal.

Sara Fernandes, conselheira das Comunidades Portuguesas na Austrália, considera Elisabete da Cunha “um exemplo inspirador da diáspora portuguesa na Austrália, que liga ciência, cultura e identidade, e que leva o nome de Portugal aos mais altos níveis da investigação internacional”.

Sinopse

O céu esteve sempre lá. Mas o que sabemos, de facto, sobre o que acontece acima das nossas cabeças? O Universo sempre despertou a nossa curiosidade. É quase como se, instintivamente, soubéssemos que as respostas às perguntas mais antigas se encontram lá em cima. Neste livro, Elisabete da Cunha, astrofísica e investigadora, parte da nossa vontade de saber mais para explicar, de forma clara e acessível, o que a astronomia sabe hoje sobre o Universo e sobre o lugar que nele ocupamos.

Como nasceu o Universo e o que sabemos hoje sobre o big-bang? O que são, afinal, buracos negros. Porque é que as estrelas brilham e morrem? Estamos sós no Universo? Qual é o verdadeiro lugar da Terra na imensidão cósmica? Um livro essencial para todos os que querem viajar pelo Universo e compreender a sua imensidão. In ”Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 6 de março de 2026

Portugal - Docente da Universidade de Coimbra distinguida por organização europeia na área da Química

Teresa Pinho e Melo, docente e investigadora do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), foi nomeada, pela Chemistry Europe, Chemistry Europe Fellows, distinção atribuída a personalidades que se destacam pelo contributo excecional para a comunidade científica europeia, demonstrando excelência em investigação e inovação.


Os 22 Chemistry Europe Fellows serão formalmente distinguidos pelas respetivas sociedades nacionais e homenageados durante o 10.º Congresso de Química EuChemS, que decorrerá em Antuérpia, em julho.

A Chemistry Europe é uma organização que reúne 16 sociedades químicas de 15 países europeus e amplamente reconhecida pela publicação de revistas científicas de elevada qualidade. O programa Chemistry Europe Fellows, atribuído bienalmente, desde 2015, reconhece membros de excelência das sociedades que integram esta organização, tal como a Sociedade Portuguesa de Química, cujos serviços prestados e trabalho académico têm fortalecido continuamente a missão desta organização e das sociedades associadas.

O trabalho científico desenvolvido pela especialista da FCTUC, reconhecido nacional e internacionalmente, contribuiu de forma notável para o avanço da Química Orgânica, valendo-lhe este importante reconhecimento da Chemistry Europe. A nomeação dos novos Fellows sublinha a relevância e o impacto crescente da investigação europeia em química, bem como o talento e dedicação de vários cientistas.

Esta distinção é vitalícia e os Fellows atuam frequentemente como embaixadores da colaboração pan-europeia. Entre os anteriores distinguidos contam-se laureados com o Prémio Nobel, como Ben Feringa (Países Baixos), Jean-Marie Lehn (França) e Sir Fraser Stoddart (EUA).

A lista completa dos cientistas distinguidos está disponível aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 1 de julho de 2024

Até um dia destes!

Estimados leitores do Diário de Notícias, chegou o momento da despedida


Desde 2020, tenho vindo a partilhar conhecimentos e ideias, neste espaço semanal que, generosamente, o jornal me concedeu para partilhar os assuntos que me interessam e preocupam. Este foi um espaço ao qual trouxe questões relacionadas com as línguas, com as comunidades que as falam, com o poder que têm, modos possíveis para a sua gestão. Foi um espaço especialmente dedicado à língua portuguesa nos diferentes países, âmbitos e circunstâncias em que é usada, confrontando visões antigas e mais recentes, mas procurando sempre dignificá-la e promover o seu uso, difusão e desenvolvimento. Este foi, ainda, um espaço dedicado à valorização da literacia, da educação, da escola e dos seus agentes - não sendo uma pessoa religiosa, devo confessar que a educação é a entidade que mais prezo. Valores como a democracia, a igualdade de oportunidades, a cidadania e o desenvolvimento harmonioso das pessoas e das sociedades estiveram sempre no meu horizonte. Procurei sempre contribuir para o reforço da liberdade, a defesa dos direitos humanos, da diversidade, da tolerância e da paz.

A direção do DN entendeu ser agora o momento de dispensar a minha colaboração. Espero que o jornal possa recuperar das contrariedades que tem sofrido e continuar/voltar a ser um dos órgãos de informação que mais prestigiam a língua portuguesa e os seus leitores.

Fazendo um balanço pessoal destes últimos quatro anos, não posso deixar de agradecer a oportunidade que me foi oferecida para refletir sobre os diversos temas que aqui fui trazendo e compartilhando. Agradeço muito a oportunidade de estudar e as aprendizagens que fiz. Porque estudei e aprendi muito ao preparar estas crónicas, descobri muita informação a que, provavelmente, nunca teria tido acesso sem o pretexto de escrever um texto para o DN. Do meu ponto de vista, o balanço não poderia, portanto, ser mais positivo.

Agradeço aos colaboradores e responsáveis do DN com quem fui interagindo ao longo destes quatro anos o profissionalismo, a eficiência, a liberdade de pensamento e expressão e, acima de tudo, o respeito, a simpatia e a compreensão sempre demonstrados.

Agradeço também aos leitores do DN todo o tempo que dispensaram à leitura dos meus textos. Espero ter sido uma boa companhia e que tenha valido a pena.

Bem hajam! Margarita Correia – Portugal in Diário de Notícias


segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Moçambique - Felicidade Niquice, doutoranda da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, é um dos novos talentos científicos da África Subsariana

Felicidade Xerinda Niquice é uma das 30 jovens cientistas reconhecidas com o prémio L’Oréal-UNESCO For Women in Science Young Talents (Sub-Saharan Africa) 2023


“Foi na primeira vez que vi a casca de uma cebola ao microscópio que percebi que queria seguir ciência”. Quem o diz é Felicidade Niquice, estudante do Programa Doutoral em Segurança e Saúde Ocupacionais da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e uma das vencedoras da edição de 2023 do prémio L’Oréal-UNESCO For Women in Science Young Talents (Sub-Saharan Africa).

Investigadora e médica com especialização em medicina do trabalho, Felicidade afirma “sentir-se honrada por ter elevado o nome de Moçambique e da lusofonia na esfera científica”, após ter sido a segunda moçambicana a receber o prémio.

A razão da distinção deve-se ao projeto que a estudante da FEUP vem desenvolvendo no sentido de promover a saúde e segurança no trabalho nos hospitais de Moçambique, a sua terra natal.

“A avaliação e gestão de risco ocupacional em relação a patologias de disseminação em contexto hospitalar, como a Hepatite B, C e HIV, é um trabalho necessário e pertinente para a realidade moçambicana, uma vez que o sistema nacional de saúde não testa ou oferece tratamento para estas patologias prevalentes na comunidade”, explica Felicidade Niquice.


Sobre o prémio

Promovidos anualmente pela Fundação L’Oréal e pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, os  L’Oréal-UNESCO For Women in Science Young Talents Sub-Saharan Africa Awards visam capacitar jovens talentos naquela região do globo – uma vez que a comunidade de cientistas em África representa apenas 2,5% dos investigadores do mundo – e reforçar o compromisso de promoção da igualdade de género na ciência. Ao mesmo tempo, procura-se garantir um futuro mais justo e sustentável para o continente.

Desde a sua primeira edição, em 2010, este programa regional já apoiou mais de 200 investigadores africanos, garantindo-lhes apoio financeiro para que possam conduzir os seus projetos de investigação. Atualmente, o valor das bolsas atribuídas aos vencedores varia entre os 10000 euros (para estudantes de doutoramento) e os 15000 euros (para investigadores de pós-doutoramento).

A 14.ª edição do galardão reconheceu este ano 25 doutorandas e 5 investigadoras de pós-doutoramento na sua cerimónia anual, que decorreu no início de novembro em Kasane, Botswana. Universidade do Porto - Portugal











terça-feira, 5 de setembro de 2023

Portugal - Investigadora da Universidade de Coimbra ganha bolsa do European Research Council

Inês Pereira, investigadora no Centro de Geociências do Departamento de Ciências da Terra (DCT) da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra (FCTUC) acaba de conquistar um financiamento de 2,5 milhões de euros do European Research Council (ERC) para um período de cinco anos.

A Bolsa ERC Starting Grant vai ser aplicada no projeto FINGER-PT – Fingerprinting cold subduction and Plate Tectonics using key minerals, que tem início em janeiro de 2024 e visa desenvolver e testar novas ferramentas que permitam rastrear a evolução da tectónica de placas ao longo do tempo e, efetivamente, estabelecer quando é que tal dinâmica se iniciou.

«Apesar dos grandes esforços para compreender a evolução da tectónica de placas, ainda não sabemos exatamente quando é que esta incrível dinâmica começou a operar. Apenas sabemos que quando a Terra se formou há cerca de 4570 milhões de anos ela não existia e, hoje em dia, pelo menos desde há 1000 milhões de anos, existe», afirma Inês Pereira.

Segundo a investigadora do Centro de Geociências do DCT, esta bolsa permitirá a criação de dois novos laboratórios na FCTUC. Um dos espaços terá um instrumento único ao nível da Península Ibérica e para as Ciências da Terra, nomeadamente um sistema integrado de microscopia eletrónica de varrimento e espectroscopia Raman, enquanto o outro laboratório dará a possibilidade de trabalhar em geocronologia absoluta, a partir de um sistema acoplado de um laser e um espectrómetro de massa. Ambos irão ajudar a colmatar uma lacuna que existe a nível de acesso a este tipo de equipamento a investigadores da área das Ciências da Terra em Portugal.

«Para além de serem essenciais para a execução deste projeto, pretende-se que, a longo prazo, estes laboratórios se tornem uma referência nacional e internacional nas Ciências da Terra, e constituam uma excelente oportunidade para reforçar a formação dos nossos estudantes nas áreas da geoquímica e geocronologia», revela Inês Pereira.

A abordagem inovadora do FINGER-PT, explica a investigadora, «passa pela utilização de alguns minerais que tenham sido testemunhas da operação de zonas de subdução frias no passado da Terra. Tal só é possível através de uma análise detalhada e exaustiva do registo mineral, preservado em rochas sedimentares, utilizando ferramentas que nos permitam determinar a pressão, temperatura e idade de formação desses minerais. Um enorme desafio», conclui.

O projeto, que contará com o apoio dos professores Pedro Dinis (FCTUC) e Kenneth Koga (Université d’Orlèans), da investigadora Emilie Bruand (Geo-Ocean) e da equipa do Matteo Alvaro (Università di Pavia), decorrerá essencialmente na FCTUC, ainda que uma importante porção de trabalho venha a ser desenvolvido na Université d'Orlèans, em França. O FINGER-PT contempla ainda curtas estadias noutros institutos europeus e a realização de trabalho de campo em quatro continentes. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Portugal - Cientista da Universidade de Coimbra participa na 7ª Assembleia do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência da ONU

Filipa Bessa, investigadora da Universidade de Coimbra (UC), vai participar na 7ª Assembleia do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, que se realiza amanhã, 11 de fevereiro, em formato virtual, a partir da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.

Este ano, o Dia Internacional da Mulher e das Meninas na Ciência tem como tema “Equidade, Diversidade e Inclusão: a Água une-nos” e reúne especialistas de todo o mundo. A assembleia irá mostrar as melhores práticas, estratégias, soluções aplicadas e experiências no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, mais concretamente o ODS 6 - Água potável e saneamento.

Filipa Bessa, especialista na área da poluição marinha por microplásticos, vai focar a sua intervenção «nos desafios de proteção e restauro dos recursos aquáticos, nos desafios dos contaminantes emergentes e nas oportunidades que a Década dos Oceanos proporcionará no envolvimento em rede, com iniciativas de cooperação e ação coletiva».

«Precisamos capacitar cada cidadão para cuidar do oceano e permitir que todas as mulheres desempenhem papéis transformadores e ambiciosos na compreensão, exploração, proteção e gestão sustentável do nosso oceano. As mulheres estão envolvidas em todos os aspetos da interação com o oceano, mas muitas vezes as suas vozes estão ausentes no nível de tomada de decisão», afirma.

Para a investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), «é uma honra poder participar, enquanto mulher e cientista, nesta iniciativa que promove o contributo justo e balanceado de homens e mulheres na ciência e na sociedade e a partilha de histórias inspiradoras que nos ajudarão nos desafios que enfrentamos para a proteção da água – recurso vital para a sobrevivência da nossa espécie e do planeta».

O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência foi instituído pela ONU em 2015. Celebrado a 11 de fevereiro, este dia tem como objetivo promover a igualdade de direitos entre homens e mulheres em todos os níveis do sistema educacional, sobretudo nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Mais informação sobre o evento está disponível aqui. Universidade de Coimbra - Portugal

 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Moçambique – Investigadora ganha prémio da UNESCO para mulheres cientistas

A bióloga e investigadora moçambicana do Instituto Nacional de Saúde, Raquel Matavele, foi distinguida com o prémio Early Career Fellowship, iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), referiu uma nota oficial.

Raquel Matavele ficou entre as 15 investigadoras do continente africano e da região da Ásia-Pacífico vencedoras do prémio, de 50 mil dólares (42,3 mil euros), ao qual concorreu com um projeto relacionado com potenciais tratamentos para covid-19 em populações residentes nas zonas tropicais de África, através de plantas nativas para controlar a resposta inflamatória exacerbada que ocorre em casos graves, refere a nota do Instituto Nacional de Saúde (INS).

“Ao prémio em alusão candidataram-se investigadoras de cerca de 60 países de todos os continentes”, acrescenta o INS.

Raquel Matavele é licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Eduardo Mondlane, mestre em Biologia Celular e Molecular pela Fundação Instituto Oswaldo Cruz, no Brasil, e doutorada em Ciências Biomédicas pela Universidade de Antuérpia, na Bélgica.

A investigadora moçambicana é coordenadora do Programa de Doenças Endémicas de Grande Impacto Sanitário no INS.

Moçambique regista um total acumulado de 9296 casos de covid-19 com 66 mortos e 6104 recuperados (65% do total), segundo as últimas atualizações.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e quarenta e cinco mil mortos e mais de 35,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

terça-feira, 12 de março de 2019

Portugal - O que se sabe sobre os rios portugueses?

64 cientistas de todo o país uniram-se por uma causa comum: reunir toda a informação disponível sobre os rios de Portugal e partilhá-la com a sociedade, contribuindo para a promoção de uma consciência ecológica que reconheça a diversidade de ambientes e organismos dos rios portugueses e os impactos que as populações humanas têm sobre estes ecossistemas.

Desta união resultou o livro “Rios de Portugal. Comunidades, Processos e Alterações”, editado por Maria João Feio e Verónica Ferreira, investigadoras do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Ao longo dos 17 capítulos do livro, que é o primeiro a reunir o conhecimento científico sobre rios portugueses de forma tão ampla, e numa linguagem simples, acessível ao público em geral, são abordadas várias temáticas associadas aos rios. Assim, a obra começa pelos aspetos físicos fundamentais dos rios nacionais: a hidrologia e os sedimentos. Seguem-se oito capítulos dedicados aos organismos aquáticos: algas, fungos e bactérias, vegetação aquática e ribeirinha, invertebrados, peixes, anfíbios e répteis, mamíferos e aves.

Os capítulos seguintes apresentam os processos que decorrem nos rios, as atividades antrópicas que causam fortes alterações na qualidade dos ecossistemas, a monitorização ecológica, e a restauração dos rios degradados. O penúltimo capítulo é focado nos estuários e, finalmente, o último capítulo versa sobre as fontes termominerais que estão fortemente ligadas aos cursos de água.

O grande objetivo desta obra, segundo as editoras, «é compilar num único suporte a informação disponível sobre os rios de Portugal, e apresentá-la de modo acessível ao leitor. Esperamos que este livro contribua para o desenvolvimento de uma consciência ecológica que reconheça a diversidade de ambientes e de organismos dos rios portugueses e os impactos que as populações humanas têm sobre estes e que, consequentemente, leve a uma mudança de comportamentos com vista à preservação destes ambientes que fornecem serviços preciosos a essas mesmas populações, como por exemplo, água de boa qualidade, alimento, espaços de lazer e de contemplação.»

De uma forma geral, os cientistas pretendem apresentar o que se sabe sobre os rios de Portugal. Assim, o livro «poderá ser útil a qualquer pessoa com interesse pelo tema. Está escrito numa linguagem que se espera seja acessível ao público não científico, mas mantendo o rigor científico de modo a poder ser usado também em contexto académico. Poderá por isso ser útil a estudantes do ensino básico e secundário mas também universitário e aos respetivos professores, podendo complementar temas ligados a esta área», referem as investigadoras da FCTUC.

E apesar do grande número de investigadores envolvidos, Maria João Feio e Verónica Ferreira afirmam que a tarefa de coordenação foi fácil, pois «todos os autores estavam conscientes da dimensão e da relevância deste projeto e facilitaram muito o nosso trabalho como editoras.»

A versão eletrónica do livro é de acesso livre na UCdigitalis: aqui. Já a versão impressa e o ebook podem ser adquiridos via Amazon. Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

São Tomé e Príncipe - Equipa portuguesa está há oito anos a estudar a surdez nas crianças



Uma equipa de médicos e enfermeiros portugueses tem vindo a realizar missões humanitárias em São Tomé e Príncipe há oito anos. Objectivo: ajudar aquela população a ser auto-sustentável ao nível dos cuidados de saúde e investigar a prevalência de surdez nas crianças.

Foi em Fevereiro de 2011 que dois otorrinolaringologistas, dois enfermeiros e um audiologista portugueses rumaram a São Tomé e Príncipe naquela que seria a primeira de muitas outras expedições, no âmbito do projecto Saúde para Todos – Especialidades, desenvolvido pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF).

Os médicos previam encontrar vários casos de otites médias crónicas, ou seja, infecções persistentes do ouvido médio. Porém, depois de um primeiro contacto com a população, a equipa deu conta de um elevado número de surdez em crianças. Das 640 crianças observadas, 34% são surdas (13% das quais sofrem de surdez profunda) e 22% ouvem apenas de um ouvido (consideradas normouvintes), sendo que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um indivíduo é surdo se ambos os ouvidos tiverem surdez.

Regra geral, a surdez em crianças deriva de infecções e, como tal, é passível de ser tratada. No entanto, os médicos aperceberam-se de que muitos dos casos correspondiam a surdezes irreversíveis, pelo que decidiram dedicar-se ao estudo das possíveis causas desta patologia naquela população.

“Aquilo que verificámos na primeira missão é que, ao contrário do que estávamos à espera, que eram as tais otites médias crónicas, encontrámos muita surdez, mas com ouvidos normais, ou seja, não havia infecções. Tínhamos sobretudo a parte da surdez irreversível sem possibilidade de recuperação”, explica ao “Público” Cristina Caroça, investigadora da Universidade Nova de Lisboa e médica otorrino que liderou a equipa no terreno.

Desde a quarta missão até à penúltima, a 26.ª, mais de metade das crianças observadas, com menos de 15 anos, revelaram uma surdez com perda auditiva em pelo menos um dos ouvidos ou nos dois. “A grande maioria das crianças [mais de 50%] tem os dois ouvidos surdos ou uma surdez unilateral”, nota Cristina Caroça. No total, considerando a população toda da amostra (incluindo adultos e crianças), 32% dos indivíduos apresentam surdez bilateral neurossensorial, um tipo de surdez irreversível.

“Sabemos que a surdez condiciona muito o desenvolvimento socioeconómico de um país, porque um surdo não se integra tão facilmente numa sociedade ouvinte, não trabalha, fica isolado e não tem autonomia. Percebemos que, naquela população, este era um problema de saúde pública”, acrescenta a investigadora, cuja tese de doutoramento incidiu sobre a surdez em São Tomé e Príncipe.

Nas crianças, a “surdez apresenta um risco aumentado de baixa aprendizagem, abuso físico, social, emocional e sexual, podendo mesmo levar à morte”, escrevem os autores num artigo científico que resultou desta investigação, publicado em 2016 na Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial.​

Segundo os autores, em 2016 a OMS estimava que cerca de 5% da população mundial (360 milhões de pessoas) apresentava incapacidade auditiva, com elevada prevalência nos países em desenvolvimento da Ásia e África subsariana. Em Portugal, estima-se que existam mais de 26 mil surdos.

Quais as causas?

De forma a perceber quais os factores de risco que poderiam estar na origem da prevalência de surdez, os investigadores começaram a estudar as principais doenças que afectam a população de São Tomé e Príncipe.

Com base noutros estudos e nos dados recolhidos, os especialistas chegaram à conclusão de que a surdez nas crianças pode estar associada à ototoxicidade e a uma dose de medicação para a malária desadequada. “Aquilo que verificámos é que a surdez nas crianças associada aos antimaláricos é maior porque, muitas vezes, essas crianças fazem a medicação sem ser adequada ao peso”, explica ao “Público” Cristina Caroça.

Por outro lado, quando avaliaram a questão das vacinas e das doenças de saúde pública, os investigadores decidiram averiguar se a população estaria exposta ao vírus da rubéola (tendo em conta que a vacina não era administrada até ao final de 2017). Segundo a investigadora, quando uma mulher grávida é exposta ao vírus da rubéola, os filhos têm 60% de probabilidade de desencadear uma surdez neonatal.

À semelhança do que já tinha sido verificado em estudos anteriores, os dados revelaram uma possível ligação entre a rubéola e a surdez em crianças. “A relação da infecção pelo vírus da rubéola e a surdez é conhecida desde há longa data no âmbito da comunidade científica. Em São Tomé não se tinha conhecimento de diagnóstico da rubéola na comunidade, daí que o facto de se provar que existia rubéola [cerca de 80% da população abaixo dos 35 anos apresentava imunidade para esta infecção] levou à emergência da implementação da vacina”, explica a investigadora.

Outros dos factores de risco estudados dizem respeito às hemoglobinopatias (um conjunto de doenças de origem genética que podem ter implicações nos glóbulos vermelhos e causar anemia), que são prevalentes naquela região subsariana, e ainda ao défice de glucose-6-fosfato-desidrogenase (G6PD), que “pode levar a consequências nefastas ao nível do sistema nervoso central logo nos primeiros dias de vida” e que está associado à icterícia neonatal grave e consequente surdez neurossensorial neonatal e alterações cognitivas, explica ainda a investigadora.

Os especialistas avaliaram também possíveis causas da surdez ao nível da influência genética de outros povos (oriundos de países como Portugal e países nórdicos) e da consanguinidade, mas os resultados não se revelaram significantes.

Deste trabalho no terreno surgiram vários artigos científicos, publicados em revistas nacionais e internacionais (como a BMC Public Health e a International Journal of Medical Research & Health Sciences), e um recente prémio no âmbito do programa Projectos de Investigação em Medicina, promovido pelo Consórcio Tagus Tank (parceria entre o Grupo José Mello Saúde e a Universidade Nova de Lisboa), que valeu um financiamento de 20 mil euros para continuar a investigação.

Uma componente humana

A última missão, já em Janeiro deste ano, foi já a 27.ª em São Tomé e Príncipe e a equipa garante que tem vindo a aumentar o seu espectro de acção. Cada missão dura uma semana e, anualmente, são realizadas entre três a quatro missões. “Ao longo destas 27 missões as equipas foram aumentando e fomos orientando mais com vista aos problemas que fomos encontrando”, conta Cristina Caroça. Em 2018, foi a vez de o Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, ter conhecido de visita a este país algumas das pessoas por trás desta iniciativa.

Além das intervenções cirúrgicas e consultas médicas nos hospitais e centros e saúde, assim como rastreios nas escolas, a equipa de médicos portugueses tem vindo a pôr em prática um conjunto de medidas para ajudar a comunidade são-tomense. Até porque, garante a investigadora, estas missões não têm apenas um fim investigativo.

“Este projecto nasceu sobretudo pela componente humana. Nós só podemos ajudar se os ensinarmos, para eles fazerem as coisas, porque não podemos estar sempre ali ao lado. Temos de lhes dar instrumentos, para que se consigam desembaraçar”, explica Cristina Caroça, que salienta ainda o contacto com a população como um dos pontos-chave.

A formação de médicos e enfermeiros locais na especialidade de otorrinolaringologia tem sido “o passo mais importante”, nota a investigadora, além do apoio que prestam à comunidade através da telemedicina (que permite aos médicos portugueses estarem permanentemente em contacto) e da educação para a saúde com palestras, um workshop para enfermeiros sobre cuidados pré e pós-operatórios e jornadas anuais.

“Há uma necessidade de deixar algum legado e permitir que os médicos de São Tomé consigam ser auto-suficientes”, sublinha Cristina Caroça. Neste momento, existem dois médicos são-tomenses em formação para que, no futuro, sejam capazes de “realizar intervenções na ilha com segurança”.

O balanço é positivo, com um maior envolvimento dos profissionais de saúde locais e um crescimento favorável. “Nota-se uma evolução grande em termos de doentes com infecções dos ouvidos que estão cada vez menos activas e, por outro lado, os médicos estão mais conscientes da problemática e dos cuidados que devem ter”, garante a médica.

Além da aplicação da vacina da rubéola e da actividade cirúrgica, a investigadora destaca algumas medidas de sucesso postas em prática nos últimos anos, como o diagnóstico da própria surdez através de exames de audição, as sessões de terapia da fala (não só para a melhoria da voz, mas também para estimular a oralidade) e a adaptação de próteses auditivas a crianças e adultos jovens. Também a criação de uma língua gestual própria de São Tomé e Príncipe, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, permitiu uma maior integração dos surdos na comunidade e a criação de “um meio de contacto” entre eles, explica Cristina Caroça.

Por fim, a médica destaca a implementação do rastreio auditivo neonatal que teve uma cobertura de 16% no ano passado (num universo de cinco mil nascimentos), “de forma a detectar a surdez mais precocemente para também adaptar a criança à situação e integrá-la na sociedade”, tendo em conta as suas necessidades educativas e o estigma social.

Garante a investigadora que as missões irão continuar no futuro e o objectivo passa também pelo estudo do impacto que outras doenças como, por exemplo, a toxoplasmose têm naquela população. “Tudo medidas para evitar que haja um flagelo destas patologias que afectam o desenvolvimento das crianças”, conclui Cristina Caroça. E se dúvidas restassem, diz a médica, há já consultas marcadas para 2030. Filipa Mendes – Portugal in  "Público"

terça-feira, 31 de julho de 2018

Cabo Verde - Farol da inclusão no continente africano

Cidade da Praia – A partir do próximo ano lectivo, Cabo Verde vai ter legislação sobre a educação inclusiva, que está a ser preparada com apoio da investigadora portuguesa Célia Sousa, que considera que o país será “farol” da inclusão em África.

Depois de terem sido formados mais de 50 técnicos e professores de todo o país, Cabo Verde está a ultimar a legislação que vai regulamentar a educação inclusiva, um trabalho que começou no início do mês com apoio técnico da investigadora portuguesa Célia Sousa, coordenadora do Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID) do Instituto Politécnico de Leiria (IPL).

Em declarações à agência Lusa, na cidade da Praia, Célia Sousa notou que Cabo Verde tem “boas práticas” na área de inclusão, pelo que considerou ser “pertinente” o país lançar, no próximo ano lectivo, que inicia em Setembro, uma legislação que regulamenta a educação especial.

“Esta lei é de extrema importância por várias razões. Cabo Verde será um dos primeiros países do continente africano a implementar uma legislação que regulamenta a educação inclusiva”, disse a investigadora, considerando que o país dá um “passo de gigante” e vai passar a ser um “modelo” em África, onde existem cerca de 84 milhões de pessoas com deficiência.

Segundo o censo realizado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), em 2010 existiam em Cabo Verde 13948 pessoas com alguma deficiência, o que representava 3,2% da população.

“Cabo Verde será o farol da inclusão no continente africano”, prosseguiu, entendendo que quando se fala se educação inclusiva deve-se falar não só das pessoas com deficiência, mas também de pessoas de outras culturas e etnias.

Além de permitir que todas as crianças com deficiência estejam na escola, adiantou que a lei vai “mudar o paradigma da educação” em Cabo Verde, onde a “escola vai ter de pensar em todos”.

“Isto é de uma riqueza imensa porque vai permitir que se criem estratégias diferentes em sala de aula, que haja uma diferenciação do ensino, uma perspectiva diferente de como acolher as crianças, não é só uma questão de acolhimento, mas de direitos humanos”, prosseguiu a docente, dizendo que, a partir de agora, as crianças vão ter respostas adequadas de acordo com as suas capacidades.

“Com esta legislação também se deixa de ver a incapacidade da pessoa, mas passa-se a olhar para a pessoa pela capacidade, porque todos nós somos diferentes e temos capacidades completamente diferentes e é dessa diferença que nasce a riqueza de uma sociedade”, mostrou.

A lei vai abranger todas as crianças cabo-verdianas no sistema de educação, desde o pré-escolar ao ensino secundário, que terão de ter técnicas, materiais, adaptação às condições de avaliação, entre outras respostas no atendimento.

Célia Sousa avançou ainda que com a nova legislação haverá um “envolvimento crescente” da família, em que todos os pais e encarregados de educação serão ouvidos para darem o seu aval para que as medidas sejam implementadas.

A investigadora portuguesa sublinhou, por outro lado, que não é por causa de uma legislação que Cabo Verde vai se transformar num país inclusivo.

“Mas há momentos em que é necessário que a legislação saia para dar visibilidade. E tendo uma legislação, as famílias e o sistema educativo têm alguma coisa que regulamenta, alguma coisa que devem poder recorrer”, enfatizou.

A investigadora portuguesa afirmou à Lusa que a legislação vai ainda fazer com que as universidades cabo-verdianas criem cursos na área de educação especial para formar técnicos, algo que era “impensável” há uns anos porque não havia regulamentação.

Célia Sousa disse ainda acreditar que, com a criação de formação nesta área, as instituições de ensino superior cabo-verdianas poderão receber muitos alunos estrangeiros, principalmente do continente africano.

“Esta legislação vai operacionalizar uma mudança em todo o sistema educativo de Cabo Verde, desde o pré-escolar ao ensino superior”, salientou, esperando ver todas as crianças na escola, para que também possam fazer parte de uma “sociedade cabo-verdiana mais inclusiva”.

Também espera que isso se venha a reflectir em políticas de inclusão social, do turismo inclusivo e nas barreiras arquitectónicas, numa que a lei estipula que todos os edifícios escolares têm de providenciar as acessibilidades. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”