Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Brasil - Amazônia: cactus em lugar de árvores?

A primeira página do jornal suíço Le Temps, sobre uma foto mostrando fumaça e chamas queimando árvores, pergunta: Na Amazônia, os cactus suplantarão as árvores?

Essa pergunta decorre de um estudo publicado esta semana, na revista Nature Communications, revelando as desastrosas consequências climáticas da desflorestação da região, acompanhadas de uma diminuição constante das chuvas e da umidade. A consequência será uma gradativa passagem para o clima semi-árido do Nordeste, com a substituição das árvores frondosas por moitas de cactus, areia e poeira.

O desmatamento tinha mostrado uma ligeira diminuição na região amazônica, logo depois da eleição de Lula, mas voltou a crescer desde a metade do ano passado, com o retorno de queimadas criminosas com o objetivo de conquistar e preparar o terreno para imensas pastagens para gado. A alimentação desse gado exige também vastas áreas de plantio de soja, uma parte destinada à exportação.

Um outro estudo já havia sido divulgado, no ano passado, no qual se previa o risco de um ponto de não retorno, por volta de 2050, em grande áreas da região amazônica, com desequilíbrio do ecossistema e mudança climática. Assim, a região amazônica deixará de ser uma importante reguladora climática e perderá sua condição atual de preservadora da reserva da biodiversidade.

Faltando dois meses para a COP 30, a Conferência internacional de Belém, organizada pela ONU, sobre as mudanças climáticas, essas notícias preocupam, pois o desmatamento coincide com outros sinais preocupantes: o visível derretimento das geleiras no alto das montanhas em todo mundo, seguido por deslizamentos de encostas de montanhas, provocado por tempestades com chuvas em excesso, mais a tendência de aumento do nível dos mares com borrascas e temporais nas orlas marítimas.

De acordo com RTBF (televisão belga) a Floresta Amazônica não é mais o pulmão do mundo do mundo há dez anos, pois ela emite mais carbono do que absorvia, tendo perdido mais de 11 mil km2 de sua superfície arborizada nos últimos três anos, cerca de 17% da área nativa. À medida que avança o desmatamento, a área vai sendo ocupada por savanas e aumenta a temperatura por falta da umidade antes gerada pelas chuvas nas florestas. Assim, a previsão é a de que até 2035, haverá um aumento de 2,6 graus na temperatura da região, gerando seca e uma vegetação de cactus e caatinga, parecida com a do Nordeste.

Essa situação de seca se estenderá também às regiões vizinhas, diminuindo o volume de água nos rios, podendo afetar o fornecimento de água potável nas cidades próximas. O centro e o sul do Brasil também serão afetados com temperaturas mais elevadas. Já existem cidades paulistas onde os criadores de gado têm problemas com a água necessária para seus rebanhos. Para impedir o agravamento dessa situação só há uma solução: parar com o desflorestamento na Amazônia. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

Brasil - A desflorestação é responsável por quase 75% da redução das chuvas na Amazónia

 

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Brasil - A desflorestação é responsável por quase 75% da redução das chuvas na Amazónia

A desflorestação é responsável por quase 75% da redução das chuvas na estação seca na Floresta Amazónia, em comparação com 1985, de acordo com um artigo publicado na revista Nature Communications.


“Nos últimos 35 anos, a desflorestação foi responsável por aproximadamente 74% do declínio de 21 milímetros na estação seca e por 16,5% do aumento de 2°graus celsius (ºC) na temperatura máxima do ar à superfície”, indica o artigo referente ao estudo baseado em dados de satélite de grande escala.

A análise revela que a desflorestação associa-se à quantidade de chuva que diminuiu e a destruição da floresta da Amazónia, na América do Sul, é também responsável por 16,5% do aumento médio de 2ºC da temperatura registada na região (os restantes 83,5% do aumento são atribuídos às alterações climáticas).

O estudo mostra ainda que o clima da Amazónia não responde de forma linear à desflorestação e que as alterações mais acentuadas ocorrem no início do processo de destruição da floresta, entre os primeiros 10 e 40% da perda de cobertura florestal.

Os investigadores utilizaram dados de satélite que abrangem aproximadamente 2,6 milhões de quilómetros quadrados da Floresta Amazónia, entre 1985 e 2020, destacando que os efeitos da desflorestação e das alterações climáticas globais no clima da região também foram quantificados.

“Analisámos dados de longo prazo sobre as alterações atmosféricas e de cobertura do solo em 29 áreas da Amazónia Legal brasileira de 1985 a 2020, utilizando modelos estatísticos paramétricos para desvendar os efeitos da perda florestal e das alterações na temperatura, precipitação e taxas de mistura de gases com efeito de estufa”, indica o estudo.

Com os dados, tendo em conta a desflorestação atual, os autores preveem que em 2035 a região amazónica experimente um aumento médio da temperatura de 2,64ºC e uma redução da precipitação de 28,3 milímetros por estação seca, em comparação com os dados de 1985.

O estudo mostra como a destruição da Amazónia (considerada o “pulmão do planeta”), juntamente com o aumento das emissões globais, levou a uma transformação radical da floresta tropical.

A Amazónia é a maior floresta tropical da Terra e desempenha um papel fundamental na manutenção da estabilidade climática regional e global. In “Sustentix” – Portugal com “Lusa”


sexta-feira, 16 de maio de 2025

Brasil - Desflorestação caiu 32,4% em 2024

A desflorestação no Brasil caiu 32,4% no ano passado face a 2023 e, pela primeira vez em seis anos, registou-se um recuo da destruição em todos os biomas nacionais, informou a Rede MapBiomas.



A organização não-governamental (ONG) – que desde 2019 consolida os alertas de desflorestamento de todos os satélites utilizados pelo Governo, entidades académicas, entidades privadas e ONG do Brasil -, destacou no seu relatório anual que o número de alertas de destruição em áreas maiores que 100 hectares, por exemplo, teve uma redução de 31% face a 2023.

Ao longo do ano passado, a área média desflorestada por dia foi de 3403 hectares – ou 141,8 hectares por hora. No caso da Amazónia brasileira, foram devastados 1035 hectares por dia, ou cerca de sete árvores por segundo. No Cerrado, o ritmo da perda foi mais intenso, com perdas de 1786 hectares por dia.

Pelo segundo ano consecutivo, o Cerrado foi o bioma com a maior área desflorestada no Brasil, perdendo no ano passado 652.197 hectares de vegetação nativa, mais de metade (52,5%) do total desflorestado no Brasil no ano passado.

A Amazónia ficou em segundo lugar, com 30,4% da área desflorestada no Brasil (377.708 hectares), registando a menor área desflorestada dos seis anos da série histórica da sondagem do Mapbiomas, iniciada em 2019. Juntos, Amazónia e Cerrado responderam por quase 89% da área desflorestada do país sul-americano em 2024.

A Caatinga, bioma localizado no nordeste do país, vem em terceiro lugar, com 14% de área (174.511 hectares) devastados, seguida do Pantanal, localizado no centro-oeste do país, onde as perdas de vegetação no bioma corresponderam a 1,9% da destruição da no Brasil ou 23.295 hectares, da Mata Atlântica (1,1%, ou 13.472 hectares).

Já o Pampa, bioma no sul do Brasil, apareceu com a menor área desflorestada, com 0,1% de perda do total da área.

Todos os biomas brasileiros tiveram redução na área desflorestada em 2024, com exceção da Mata Atlântica, o bioma com a maior parte de sua área florestal já desmatada e que se localiza no litoral do Brasil. Esse bioma manteve-se estável após uma queda de quase 60% no desflorestamento observada em 2023 (13.212 hectares), na comparação com 2022 (29.721 hectares).

No relatório também se aponta que dois terços das Terras Indígenas do Brasil não registaram qualquer evento de desflorestação em 2024, ano em que apenas 33% das terras indígenas no Brasil tiveram ao menos um evento de desmatamento detectado. “Juntos, esses eventos somaram 15.938 hectares de perda de vegetação nativa dentro de Terras Indígenas, uma redução de 24% no desflorestamento face a 2023. Essa área equivale a 1,3% do total de vegetação nativa destruída no Brasil no ano passado”, conclui-se no relatório. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 13 de março de 2023

Brasil - Alertas de desmatamento na Amazónia batem recorde em fevereiro

O mês de fevereiro de 2023 apresentou um recorde de alertas de desmatamento na Amazónia para o período na série histórica elaborada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).


O INPE monitoriza a vegetação nativa com alertas de área desmatada e atualiza os dados a cada sete dias, sempre em relação à semana anterior. De acordo com os dados disponibilizados até à sexta-feira dia 17 de fevereiro, o território da Amazónia Legal teve pouco mais de 208 km² de área desmatada. Embora os dados sejam referentes a pouco mais de duas semanas, o número é maior do que toda a série histórica do mês. Em fevereiro de 2022, o antigo recorde, a área desmatada foi de 198,67 km². O INPE regista o desmatamento na Amazónia quase em tempo real, por meio de monitoramento de satélite. O equipamento detecta alterações na cobertura florestal de área mínima de 3 hectares.

Nove estados compõem a Amazónia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondónia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. No total, a área abrange 772 municípios. In “Milénio Stadium” - Canadá


quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Internacional - Desflorestação: Todos os anos arde no mundo uma área com cerca de 10 milhões de hectares, alerta ONU

Todos os anos a floresta perde cerca de 10 milhões de hectares, uma área superior à dimensão de Portugal e equivalente à da Islândia, segundo os dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que adverte para esta “alarmante” desflorestação global.

Este fenómeno, em conjunto com a agricultura e outras alterações do uso do solo, é responsável por 25% das emissões globais de gases com efeito de estufa, o que afasta cada vez mais o mundo de atingir os objetivos florestais e acabar ou inverter a desflorestação até 2030, de acordo com o último relatório do Programa UN-REDD, feito pelo Centro de Monitorização da Conservação Mundial (UNEP-WCMC) do Programa das Nações Unidas para o Ambiente e pela iniciativa Green Gigaton Challenge (GGC).

Para que as metas de 2030 possam ser alcançadas e assim se possa progredir em relação ao objetivo de 1,5°C do Acordo de Paris, é necessário que as emissões sejam revertidas, mais tardar até 2025, segundo o relatório

A defesa climática e a inversão da desflorestação na Amazónia foi um dos motes da campanha do agora presidente do Brasil Lula da Silva, que planeia convocar uma cimeira este ano com os presidentes dos onze países que partilham a maior área verde do planeta.

Com esta reunião, o líder brasileiro pretende restabelecer as medidas de combate à desflorestação na floresta tropical amazônica que foram abandonadas pelo seu antecessor Jair Bolsonaro durante o seu mandato, o que resultou num aumento de quase 60% de destruição florestal, com uma área média devastada de 11396 quilómetros quadrados por ano.

O desaparecimento de florestas tem sido causado maioritariamente pelos incêndios que, além de destruírem também a biodiversidade, libertam grandes quantidades de CO2 para a atmosfera.

Em 2022, arderam cerca de 786 mil hectares de floresta na União Europeia (EU), dos quais 39% em Espanha, e foram libertadas 28 milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera. Também na província argentina de Corrientes, no nordeste do país, há registo de 785 mil hectares queimados e na Bolívia 855.

Com estes números, a ONU acredita que será impossível limitar o aumento médio da temperatura global a 1,5°C sem que as florestas desempenhem um papel importante, tanto em termos das reduções maciças de emissões que podem ser conseguidas travando a desflorestação como do carbono adicional que pode ser sequestrado através de uma melhor gestão florestal e reflorestação. Beatriz Maio – Portugal in “MultiNews – Sapo”

 

domingo, 1 de janeiro de 2023

Brasil - Desflorestamento e fiscalização são os maiores desafios da agenda ambiental de Lula da Silva

A redução o desflorestamento, principalmente da Amazónia, e fortalecer órgãos de fiscalização do meio ambiente são os maiores desafios em 2023 do Presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, após a posse em 01 de janeiro.

A análise é do professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP) Pedro Luiz Cortês e do deputado federal Rodrigo Agostinho, ex-coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista que também participou da equipa de transição do futuro Governo que analisou a situação atual e os desafios do meio ambiente no país.

À Lusa, Cortês frisou que “uma das principais metas ambientais do governo Lula é zerar o desflorestamento” e avaliou que “ele vai encontrar dificuldades no início para que isso possa ser feito porque as estruturas do Ministério do Meio Ambiente, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foram desmontadas.”

“Hoje [os órgãos de fiscalização] têm uma carência grande de funcionários, inclusive para fazer a fiscalização em campo. E isso vai demandar a recontratação e contratação de mais funcionários e formação de equipas para que isso possa efetivamente para que essas pessoas possam efetivamente entrar em campo para fazer a fiscalização para combater o desflorestamento”, avaliou o professor da USP.

Já o deputado Rodrigo Agostinho que fez parte da equipa de transição acrescentou que Lula da Silva pretende fazer também logo nos primeiros dias do ano uma “revogação de muitos atos do Governo [do Presidente, Jair] Bolsonaro que estão atrapalhando o controlo do desflorestamento e reorganizar os principais colegiados para que a gente possa ouvir a sociedade.”

O parlamentar explicou que na transição a situação do meio ambiente não trouxe grandes surpresas já que os problemas da área já eram conhecidos.

“Conseguimos nos aprofundar um pouco mais em relação ao conhecimento que a gente tinha sobre os principais riscos, ameaças, desafios. E agora nós estamos orientando dentro do grupo de transição de Governo, orientando uma série de medidas que possam ser tomadas urgente para que a gente possa retomar o controlo e o comando e controlo do desflorestamento”, afirmou Agostinho.

“A prioridade número um do Ministério do Meio Ambiente tem que ser o combate ao desflorestamento. Além disso, a gente tem uma série de outras estratégias que estão sendo desenhadas e serão, enfim, apresentadas pelo próximo Governo”, acrescentou.

Segundo dados divulgados pelo órgão governamental Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) calculados pelo Observatório do Clima, durante o governo de Jair Bolsonaro houve um aumento de 59,5% da taxa de destruição da Amazónia, a maior alta percentual registada num mandato presidencial.

A pauta ambiental é considerada prioritária por Lula da Silva ao ponto dele ter, antes mesmo de assumir o cargo, participado da conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU) COP-27, em novembro passado, no Egito.

Cortês frisou que a presença de Lula da Silva no evento do clima da ONU indicou uma mudança de 180 graus e foi um sinal de que ele pretende adotar uma postura totalmente contrária ao do Presidente cessante, Jair Bolsonaro.

“Lula foi convidado a participar da COP-27 pelo Presidente do Egito. Ele teve lugar de fala no plenário, encontrou-se com vários líderes mundiais que enxergam nele um interlocutor muito importante. Assim, ele conseguiu já reintroduzir o Brasil nas discussões ambientais internacionais e ficou muito claro desde o discurso dele no momento que o resultado foi divulgado, que as alterações climáticas vão merecer uma atenção muito especial por parte do governo” destacou o especialista.

Sobre a importância do ambiente para a projeção internacional do Brasil Agostinho que também esteve na COP-27 realizada no Egito lembrou que o mundo inteiro aguardava ansioso pela volta do Brasil nas mesas de negociação sobre meio ambiente porque o país sempre um país importante neste debate.

“Acho que o Brasil vai precisar dar sinais para o mundo. Além do discurso que o mundo espera do Brasil. Sinais, principalmente no combate ao desflorestamento (…) É muito importante que o Brasil mostra para o mundo que tem condições, com cooperação internacional, com apoio de diversos países fazer sua ‘lição de casa’ e reduzir o desflorestamento”, concluiu o ex-líder da frente ambientalista da Câmara dos Deputados.

Na última quinta-feira, Lula da Silva confirmou o nome da ambientalista e deputada eleita Marina Silva como futuro ministra do Meio Ambiente.

A indicação dela, que é referência mundial e já foi ministra em governos anteriores do líder progressista (entre os anos 2003 e 2008), foi elogiada por especialistas que atribuem sua gestão anterior no Ministério do Meio Ambiente a queda expressiva da destruição da floresta amazónica.

Marina Silva coordenou a formulação do Plano de Ação para Prevenção e Controlo do Desflorestamento na Amazónia Legal (PPCdam), lançado em 2004, que conseguiu baixar a desflorestação da Amazónia de 27,77 mil quilómetros quadrados em 2004 para 4,57 mil quilómetros quadrados em 2012. In “Green Savers Sapo” – Portugal com “Lusa”

 

domingo, 9 de outubro de 2022

Brasil - Desflorestação recorde na Amazónia brasileira em setembro

A desflorestação na Amazónia brasileira atingiu 1455 quilómetros quadrados em setembro, um novo máximo para esse mês do ano, de acordo com dados oficiais divulgados.

A área desmatada na parte brasileira da maior floresta tropical do mundo aumentou 48% em relação a setembro de 2021, segundo o sistema de monitorização por satélite do Instituto Nacional de Investigação Espacial (INPE).

A desflorestação também ultrapassou ligeiramente o recorde durante um mês de setembro (1454 km2) a partir de 2019, de acordo com o INPE, que estabeleceu o sistema de monitorização em 2015.

De janeiro até ao final de setembro “a desflorestação já é 4,5% superior à de todo o ano de 2021”, disse a organização não-governamental (ONG) Observatório do Clima, levantando a possibilidade de o recorde histórico de desflorestação, registado em 2019, com 9178 quilómetros quadrados, poder ser alcançado ou mesmo ultrapassado.

“Quem se preocupa com o futuro da floresta, a vida dos povos indígenas e a possibilidade de ter um planeta ainda habitável deve votar para expulsar Bolsonaro da presidência a 30 de outubro”, disse Marcio Astrani, secretário-executivo do Observatório do Clima, numa declaração.

Embora o seu registo durante os seus dois mandatos (2003-2010) esteja longe de ser satisfatório, Lula da Silva prometeu aumentar as metas de redução das emissões de gases com efeito de estufa ao abrigo dos Acordos de Paris e relançar o Fundo Amazonas, que recebe financiamento internacional para proteger a floresta e combater a desflorestação.

Desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder em janeiro de 2019, o desmatamento médio anual na Amazónia brasileira aumentou 75% em comparação com a década anterior. In “Green Savers Sapo” - Portugal

 

domingo, 7 de novembro de 2021

Brasil - Emissões na Amazónia serão maiores devido aos incêndios

Os incêndios ocorridos na Amazónia brasileira nos últimos 15 anos aumentariam em 21% a quantidade de gases de efeito estufa gerados pela desflorestação, segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia (IPAM).

O problema, aponta a organização brasileira, que apresentou esta sexta-feira o estudo na 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), é que as emissões causadas pelos incêndios não são contabilizadas no país sul-americano.

Segundo os investigadores, os protocolos que existem atualmente consideram a floresta amazónica tão saudável como era há 500 anos.

Isso porque os estudos levam em consideração apenas as emissões imediatas causadas pelo fogo, mas não os gases emitidos posteriormente.

“A realidade é que as florestas queimadas agora emitem mais carbono do que absorvem de gases de efeito estufa, principalmente por causa dos incêndios e das mudanças climáticas”, disse a diretora de Ciência do IPAM e uma das autoras do estudo, Ane Alencar.

De acordo com o estudo, entre 1990 e 2020 os incêndios naquela que é considerada a maior floresta tropical do planeta geraram 1298 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) – incluindo combustão e decomposição – o equivalente ao emitido anualmente pelo Japão.

O fogo é o principal fator de degradação florestal na Amazónia brasileira.

Os incêndios consomem matéria orgânica depositada no solo, como folhas mortas, galhos e troncos, e compromete as árvores, e mesmo aquelas que permanecem de pé entram num processo gradual de declínio e eventual morte.

Isso acontece porque, quando o fogo penetra na floresta, avança lentamente e mantém as temperaturas baixas, destruindo o seu solo.

Portanto, áreas florestais degradadas contêm 25% menos carbono do que áreas preservadas e podem ser fonte de gases de efeito estufa nos próximos 10 anos.

Especialistas destacam que a metodologia em execução no Brasil não considera as emissões de incêndios não associadas à desflorestação, por não ser obrigatória, o que tem impacto na forma como devem ser apresentados os inventários nacionais à Organização das Nações Unidas (ONU).

Desde 1985, pelo menos 215000 quilómetros quadrados de vegetação nativa na Amazónia brasileira foram queimados pelo menos uma vez. Mais de metade desta área foi devastada pelo fogo várias vezes. In “Green Savers Sapo” – Portugal com “Lusa”

 

sábado, 28 de agosto de 2021

Vaticano - O abraço do Papa Francisco a indígenas brasileiros

Depois de inúmeros testes Covid-19 e quarentena de dez dias, duas lideranças indígenas do Pará participaram no Vaticano de um encontro com o Papa Francisco


Nessa semana, o Papa Francisco recebeu na antessala da Sala Paulo VI uma delegação do Movimento Laudato Si (até julho chamado Movimento Católico Global pelo Clima), que tem o foco de suas atividades na ecologia integral, mas também o compromisso internacional sobre o cuidado com a Casa Comum.

Duas lideranças indígenas do Pará presentes no encontro – Cacique Dadá Borari e Poraborari, da terra indígena Maró, município de Santarém, oeste do Pará – contaram que o Papa Francisco dançou o Surara – e na conversa deu a eles “uma esperança muito boa”, conforme entrevista da Vatican News.

As lideranças acompanham a movimentação em torno da votação do marco temporal pelo STF nesta quinta-feira, mas também falaram sobre os inúmeros testes realizados antes de chegar na Itália – incluindo a quarentena de 10 dias – e ao final exortaram todos a usar máscara, álcool gel, e ter cuidado consigo mesmo e com os outros.

Como foi o encontro com o Papa Francisco na manhã de hoje?

O encontro foi um encontro muito bom, por conta que o Papa nos recebeu com todo carinho, com toda essa pessoa que ele é, foi sensível, sensibilizou a luta indígena nossa no Brasil, principalmente lá do Baixo Tapajós, e ele nos garantiu que é possível a gente construir uma agenda, aonde a gente possa discutir exatamente esse grande problema que hoje ocorre no Brasil, que é possível a gente fazer aliança, que essa aliança seja feita entre nós do Brasil, a população indígena, e a liderança que ele é hoje aqui no Vaticano. Então ele deu uma esperança muito boa para gente, que a gente vai construir uma torre de liderança, que essa torre de liderança possa discutir exatamente esses grandes empreendimentos que ocorrem no Brasil.

Teve uma dança e um grito especial durante o encontro?

Foi muito legal, por conta que nós dançamos o Surara e o Papa Francisco entrou na roda com a gente, segurou na minha mão, e a gente conseguiu dançar o Surara, que nada mais é do que esse tom aqui… [canto indígena]. O Surara significa ‘somos guerreiros, eu sou guerreiro’ (…) significa que o Papa Francisco é um guerreiro forte aqui no Vaticano. Esse é o significado. E tem o grito ‘Surara!’, somos fortes.

Vai ser votado no STF o marco temporal. Como vocês estão acompanhando a mobilização em torno da votação, que teve inclusive o apoio nesses dias da CNBB, da REPAM, da CRB….

Estamos acompanhando, estamos bastante preocupados, porque está sendo discutido o futuro dos territórios indígenas, o futuro dos povos indígenas, porque se o STF referenda o marco temporal, significa dizer na prática de que todos os territórios indígenas, eles acabam sendo atribuído, criada regra geral para ter direito à demarcação de terra, os povos que estavam sob posse em 5 de outubro de 1988, quando foi promulgada a Constituição, o Brasil é signatário. E com isso é muito prejudicial por conta que a nossa história não começa em 88, nós estamos ocupando o Estado brasileiro muito antes da constituição do Estado brasileiro, nós já estávamos ali ocupando aqueles territórios. Então o STF precisa reconhecer a presença indígena no Brasil, precisa reconhecer os povos indígenas como pertencentes daquele território, o direito dos povos indígenas é um direito signatário, originário, e que o STF precisa referendar. E mais, a própria tese do marco temporal ela é inconstitucional. Vários juristas do Brasil já fizeram seus artigos de apoio, apontando a inconstitucionalidade da tese do marco temporal, há dois dias atrás, a ONU lançou um relatório também afirmando ndo e ponderando que o STF precisa julgar pela inconstitucionalidade da tese do marco temporal, porque a ONU também entende de que o marco temporal é uma tese inconstitucional para os povos indígenas no Brasil.

Como vocês veem o apoio da Igreja Católica à causa indígena?

A Igreja Católica tem sua importância no mundo, tem suas influências no mundo, e no momento em que o cacique recebe um convite para se encontrar com Papa Francisco, onde o Papa Francisco assume o compromisso em criar uma aliança pela defesa e a manutenção dos direitos originários dos povos indígenas, dos povos tradicionais, isso é muito importante porque a Igreja nada mais, nada menos, do que está reconhecendo o seu papel social, não só o papel religioso mas seu papel social para com os povos, que há muito tempo foram dizimados e invisibilizados.

Nós estamos vivendo este período de pandemia. Como foi para chegar à Itália para este encontro no Vaticano e como está a situação da Covid em sua aldeia.

Desde que a gente saiu da aldeia, aí chegamos na Cidade de Santarém, a gente teve que fazer exame de Covid, fizemos exames em São Paulo, aí depois fizemos quando chegou aqui na Itália, e todos os exames foram negativos, e quando eu cheguei aqui na Itália a gente teve que ir para a quarentena de 10 dias. Após a quarentena a gente voltou a fazer exame de novo, testou negativo e para entrar aqui no Vaticano também tivemos que fazer o exame, graças a Deus deu tudo certo, deu tudo negativo.

Nesse momento de pandemia na aldeia, a gente está seguindo as nossas próprias regras culturais, e a gente teve um grande problema que por conta… no início nós tivemos 40 pessoas na aldeia que foram vítimas da Covid, mas daí temos uma grande que é que a minha mãe, Edite Alves de Souza o nome dela, e ela com outro pajé, andaram fazendo os remédios caseiro e graças a Deus nenhum indígena precisou ir para o hospital de Santarém, para que recebesse intubação, graças a Deus ninguém veio [foi] e a gente só tratou, a mamãe, só tratou lá com os remédios caseiros que tem no próprio território. Então a sabedoria ancestral, voltada à medicina tradicional, ela foi positiva e graças a Deus todo mundo ficou bom, não deixou sequelas em ninguém e hoje a gente tá feliz, porque temos nossos saberes culturais que não deixa de somar com os saberes científicos. Mas a gente como a gente exige respeito da sociedade, nós também respeitamos a sociedade. Aí é por isso que eu concordei em fazer essa quarentena de 10 dias e a gente cumpriu a quarentena tudo na paz, tudo deu certo, espero sucesso a todo mundo, mesmo lá do meu país e aqui do país Vaticano e peço a todos, por favor: “Você que tá ouvindo neste momento, use máscara, use álcool gel e tenha cuidado que o que está em jogo não é a vida dos outros, mas é a nossa própria vida, a minha, a sua, a de todo mundo, vamos se cuidar.”

Reserva indígena

As reservas indígenas, com apenas 1,6% de toda a desflorestação sofrida pelo Brasil nos últimos 36 anos, são as áreas mais preservadas do país, segundo um estudo elaborado pela organização MapBiomas, divulgado pela Lusa.

De acordo com essa plataforma que reúne universidades, organizações não-governamentais e empresas de tecnologia, e que fez o estudo com a ajuda de imagens de satélite e inteligência artificial, entre 1985 e 2020 o Brasil desflorestou cerca de 820 mil quilômetros quadrados de cobertura vegetal, quase 9,64% do seu território e uma área equivalente ao dobro do tamanho do Paraguai.

Mas, de toda essa área perdida, apenas 13120 quilômetros quadrados, o equivalente a 1,6% do total, estavam em reservas indígenas já delimitadas ou que aguardam demarcação.

Essa pequena percentagem demonstra a capacidade de preservação ambiental das populações indígenas, cujos 488 territórios demarcados, segundo dados do Governo, ocupam 12% dos 8,6 milhões de quilômetros quadrados do país.

“A maior parte das terras indígenas preservou as suas características originais em 36 anos, o que comprova o valioso serviço ambiental que essas comunidades prestam ao Brasil”, afirmou, em comunicado, a MapBiomas, iniciativa que conta com o apoio tecnológico da Google e tem entre os seus associados organizações ambientais internacionais, como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e Conservación Internacional. In “Mundo Lusíada” - Brasil


quarta-feira, 21 de julho de 2021

Brasil - Desflorestação da Amazónia cresceu 51% em 11 meses


A desflorestação da Amazónia brasileira nos últimos 11 meses, de agosto de 2020 até junho de 2021, chegou a 8381 quilómetros quadrados, um crescimento de 51%, anunciou o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazónia (Imazon).

“Já vínhamos acompanhando esse aumento da desflorestação mensalmente. As áreas desflorestadas em março, abril e maio foram as maiores dos últimos 10 anos para cada mês. E, se analisarmos apenas o acumulado em 2021, a desflorestação também é a pior da última década”, frisou Antônio Fonseca, pesquisador do Imazon, uma organização não-governamental de preservação do meio ambiente.

Apenas em junho, uma área de floresta de 926 quilómetros quadrados foi devastada na maior floresta tropical do planeta dentro do território brasileiro, segundo a mesma fonte.

Os dados indicam que o território devastado na Amazónia seguiu tendência de crescimento, sendo o terceiro maior em 10 anos, conforme a monitorização do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, que utiliza imagens de satélite e de radar.

A organização não-governamental informou que a destruição da floresta continua a avançar pelos estados brasileiros do Pará e do Amazonas, primeiro e segundo estados do ranking dos que mais destruíram a floresta amazónica em junho.

Juntos, estes dois estados somaram 568 quilómetros quadrados de área devastada, 61% do registado nos nove estados da amazónia brasileira.

O terceiro estado que mais destruiu a floresta amazónica no Brasil foi o Mato Grosso (14%), seguido de Rondônia (11%), Acre (9%), Maranhão (3%) e Roraima (2%).

Já a análise da desflorestação por categoria do território indicou que 63% ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse, 22% em assentamentos, 13% em unidades de conservação e 2% em terras indígenas.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e tem a maior biodiversidade registada numa área do planeta, com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França). In “Green Savers” – Portugal com “Lusa”


 

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Costa do Marfim - Número de elefantes cai para metade e coloca espécie à beira da extinção

O número de elefantes na Costa do Marfim diminuiu para metade em menos de 30 anos, sobrando agora apenas cerca de 500 destes animais emblemáticos do país, anunciou esta quarta-feira (28) o Ministério da Água e das Florestas

Os elefantes, emblemas da Costa do Marfim, estão à beira da extinção neste país da África Ocidental: o seu número diminuiu para metade em 30 anos, sob os efeitos combinados da desflorestação e da caça furtiva, anunciou o Ministério da Água e das Florestas da Costa do Marfim.

“A nossa vida selvagem está em perigo, 208 espécies estão à beira da extinção; a população de elefantes tem diminuído ao longo dos últimos 30 anos, passámos de 1100 animais em 1990 para menos de 500 hoje”, disse à AFP o vice-chefe de gabinete no Ministério da Água e Florestas, coronel Marcial Kouame. “A população de paquidermes era de 100 mil na década de 1960”, quando a Costa do Marfim tinha 16 milhões de hectares de floresta, acrescentou o responsável.

A desflorestação associada ao cultivo do cacau reduziu a cobertura florestal para dois milhões de hectares em meio século, o que representa uma diminuição de quase 90%, e “pôs em perigo os últimos refúgios destes elefantes”, apontou o responsável da Costa do Marfim, o maior produtor de cacau do mundo, com uma quota de mercado de 40%.

A sobrevivência dos elefantes, que dão a alcunha à seleção nacional de futebol, é também ameaçada pela caça furtiva, bem como pelo crescimento da população e pela urbanização rápida. In “Milénio Stadium” – Canadá com “AFP”


sábado, 7 de novembro de 2020

Brasil - Desflorestação da Amazónia cresceu mais de 50% em outubro

A desflorestação da Amazónia no Brasil cresceu 50,6% em outubro face ao mesmo mês de 2019, atingindo uma perda de 836,23 quilómetros quadrados de cobertura vegetal, informou hoje o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)



Os registos de desflorestação na maior floresta tropical do mundo atingiram os níveis mais altos para um mês de outubro desde 2015, quando o indicador começou a ser medido pelo INPE, que calcula a área de floresta devastada com a ajuda de imagens de satélite.

Os números referem-se aos chamados "alertas de desflorestação" do sistema Deter, que alertam o Governo brasileiro sobre possíveis fontes de extração ilegal de madeira e permitem que os órgãos ambientais reforcem a fiscalização nessas áreas, mas não revelam a extensão total da perda de vegetação.

Segundo o INPE, a destruição da Amazónia nos 10 primeiros meses de 2020 atingiu 7.899 quilómetros quadrados, dado que indica uma queda de 6% em relação ao período de janeiro a outubro de 2019, quando foram devastados 8.425 quilómetros quadrados da maior floresta tropical do planeta.

Numa nota, a organização ambientalista Greenpeace destacou que o forte aumento da destruição da Amazónia no Brasil é resultado de omissões na política ambiental liderada pelo Governo brasileiro.

"Não é só o desflorestamento que está fora de controlo. Em outubro, foram 17.326 focos de calor na Amazónia, 120% mais do que no ano passado", afirmou Rômulo Batista, membro da campanha para a Amazónia da Greenpeace no Brasil.

O aumento da desflorestação registado em outubro ocorreu após três meses consecutivos de redução. Só em setembro, a queda foi de 33,7%, passando de 1.454 quilómetros quadrados de florestas devastadas, em 2019, para 964 quilómetros quadrados, em 2020.

A divulgação dos dados que apontam que a destruição da floresta amazónica no Brasil cresceu em outubro ocorre quando o vice-presidente do país, Hamilton Mourão, conduz uma viagem pela região com 12 diplomatas estrangeiros, incluindo um representante de Portugal, numa programação que contou com sobrevoos na floresta amazónica.

"Acabar com a destruição da floresta, a perseguição e mortes dos seus guardiões e as consequentes repercussões internacionais da política antiambiental adotada por este Governo, exigirá mais do que tentar enganar embaixadores com um sobrevoo", frisou o ativista da Greenpeace, citando a visita do governante.

Além dos dados do INPE, um estudo divulgado hoje pelo Observatório do Clima, plataforma que reúne 56 organizações que defendem o meio ambiente no Brasil, informou que as emissões de gases poluentes que contribuem para o efeito estufa no país cresceram 9,6% em 2019, impulsionadas principalmente pelas queimadas na Amazónia. In “Contacto” - Luxemburgo 

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Portugal - Doclisboa 2020 Questo è il piano, de Luciana Fina

 


QUESTO È IL PIANO, o último filme de Luciana Fina, estreia esta semana no Doclisboa, na sessão do próximo domingo, dia 8 de Novembro às 19h, no Grande Auditório da Culturgest.

Após a estreia em sala, e de acordo com a prática cinematográfica da cineasta, o filme terá uma versão para instalação que será apresentada em Dezembro no Musau Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), numa exposição com curadoria de Emília Tavares.

Questo è il piano é um poema visual realizado na problemática Primavera deste ano, nas florestas do litoral alentejano, focando o impacto de duas forças opostas: o apelo à sobrevivência da(s) espécie(s) e o indomável exercício da destruição. É a Cantata de Giovanni Battista Pergolesi “Questo è il piano” a dar-lhe o título. O filme nasceu na urgência da dolorosa observação de uma vasta operação de desflorestação, indiferente à paragem completa da vida social e de todas as actividades laborais, na primeira fase da pandemia. Nessa altura o convite da Cinemateca Portuguesa para integrar a programação da “Sala de Projeção” online surgiu como um incentivo decisivo para a realizadora, que, com o título Aqui e Agora, publicou nesse contexto os primeiros passos da construção do filme.



Nota intenções

Entre Março e Abril, enquanto se apelava à salvação da(s) espécie(s) e muitos clamavam pela reconsideração dos nossos modos de vida e do sistema que rege o desenvolvimento económico do país, numa área do Alentejo litoral outrora protegida e preservada, deparei com uma vasta operação de desflorestação que avançava entre as dunas, indiferente à pandemia, a devastação de uma grande área do território que põe em risco o ecossistema local e os seus recursos hídricos. Adquirida por um grande grupo americano especializado em turismo de luxo, que decidiu investir pela primeira vez num país europeu, essa ampla área do território e a sua riquíssima floresta de pinheiros e sobreiros é devastada e transfigurada para dar lugar a um campo de golf e um resort de luxo. Trata-se de uma vasta e desmedida operação que ameaça a floresta e os recursos hídricos da região ignorando por completo o perigo da desertificação, a gravidade do momento que atravessamos, o imperativo da protecção do ecossistema e de um desenvolvimento mais sustentável para o país, os equilíbrios indissociáveis da nossa existência.

É apenas uma das operações congéneres a que assistimos, com uma dimensão inédita para o Alentejo. É apenas uma das histórias de desflorestação, de ambicioso alcance. Durante a eclosão da pandemia foi penoso assistir ao prosseguir da devastação. Com carácter de urgência realizei "Questo è il piano", poema visual sobre a percepção do antinómico exercício da salvação e da destruição.

Realizando-o com carácter de urgência, não contei com um orçamento de produção e optei por optimizar os meios à minha disposição nessa contingência, um telemóvel e um gravador digital. LAFstudio - Portugal

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Brasil - Perdeu 500 mil quilómetros quadrados de vegetação natural em quase duas décadas

 


O Brasil perdeu cerca de 500 mil quilómetros quadrados de vegetação natural entre 2000 e 2018, revela hoje um levantamento divulgado pelo Instituto de Geografia e Estatística Brasil.

O estudo, intitulado “Contas de ecossistemas: o uso da terra nos biomas brasileiros (2000-2018)”, foi realizado com base em imagens de satélite e pesquisas de campo.

O documento “apresenta o grau de preservação dos ecossistemas” do maior país da América do Sul com uma “análise das áreas naturais remanescentes a partir das conversões do uso da terra em atividades como agricultura, pastagem e silvicultura”.

Em números absolutos, a maior perda de vegetação nativa brasileira neste período aconteceu na Amazónia, onde 269,8 mil quilómetros quadrados de mata nativa foram devastados, seguido pelo cerrado, que perdeu 152,7 mil quilómetros quadrados.

A cobertura florestal da Amazónia brasileira em 2000 representava 81,9% de sua área total, proporção que se reduziu para 75,7% em 2018.

Essa área foi substituída, principalmente, por pastos para criação de gado, que ocupavam uma área 248,8 mil quilómetros quadrados, em 2000, e se expandiram para um território de 426,4 quilómetros quadrados, em 2018, adianta o estudo.

O levantamento refere também que houve um gradual crescimento da área agrícola na região amazónica, passando de 17 mil quilómetros quadrados em 2000 para 66,3 mil quilómetros quadrados em 2018.

No cerrado, o cenário de perdas foi causado pela expansão acelerada da agricultura, que cresceu 102,6 mil quilómetros quadrados no período de 2000 a 2018, substituindo a vegetação campestre e a florestal.

“Em 2018, 44,61% das áreas agrícolas e 42,73% das áreas de silvicultura do Brasil encontravam-se no cerrado”, frisou o IBGE.

O bioma que teve as menores perdas no período analisado foi o Pantanal.

No período analisado, a vegetação nativa nesta área perdeu uma área 2,1 mil quilómetros quadrados, mas desde 2010, cerca de 60% das mudanças foram de áreas naturais campestres para pastagem com manejo, técnica para aumentar a produção de carne e leite.

Este bioma tornou-se alvo de grande preocupação de ambientalistas devido aos grandes incêndios registados este ano, que já destruíram cerca de 22% (mais de três milhões de hectares).

O Pantanal ocupa uma área de mais de 150 mil quilómetros quadrados na região centro-oeste do Brasil.

A Mata Atlântica, bioma localizado na região costeira do país e que historicamente foi o mais destruído porque sofre a ocupação humana mais antiga e intensa, conservava apenas 16,6% de suas áreas naturais, em 2018, a menor percentagem entre os biomas.

Na caatinga, um bioma semiárido que ocupa parte da região nordeste do país, houve uma diminuição da vegetação natural em 26,7 mil quilómetros quadrados ao longo do período analisado.

Segundo o IBGE, em termos percentuais, o pampa (designação dada às planícies incultas da América do Sul), bioma localizado na região sul do país, foi o que mais perdeu área natural (16 161 quilómetros quadrados), o que representa 16,8% de sua área total.

Neste período (2000-2018), 58% das áreas naturais do pampa foram convertidas em área agrícola, e 18,8%, em silvicultura, adianta o estudo Instituto de Geografia e Estatística Brasil (IBGE). In “Green Savers Sapo” – Portugal com “Lusa”

sábado, 12 de setembro de 2020

Brasil - Desflorestação na Amazónia brasileira cai 21% em agosto mas continua elevada




Os alertas de desflorestação na Amazónia brasileira caíram 21% em agosto face ao período homólogo de 2019, mas ainda são elevados, já que o resultado é o segundo pior desde 2015, informaram hoje fontes oficiais.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ligado ao Governo do Brasil, foram registadas novas áreas desflorestadas em 1359 quilómetros quadrados da Amazónia brasileira, frente ao recorde de 1714 quilómetros quadrados contabilizados em agosto de 2019.

Os dados são obtidos a partir de imagens de satélite que emitem alertas quando detetam alterações na cobertura vegetal daquela que é a maior floresta tropical do planeta, que ocupa cerca de 60% do território brasileiro.

Nos primeiros oito meses deste ano, os alertas de desflorestação diminuíram 4,94% na Amazónia em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo um total de 6099 quilómetros quadrados.

Organizações ambientais alertaram hoje que, apesar desse declínio, “os níveis de destruição na Amazónia continuam alarmantes”.

A organização não-governamental World Wide Fund for Nature Brasil (WWF-Brasil) indicou em comunicado que os números de agosto “não são suficientes para reverter a tendência de crescimento dos incêndios” no bioma (conjunto de ecossistemas), que “se alimentam da matéria orgânica” produzida pela desflorestação.

“Quem desflorestou agora vai precisar de queimar para ocupar o solo, e setembro é o segundo mês mais seco da Amazónia e uma das últimas oportunidades para fazê-lo”, o que ajuda a entender porque é que “os incêndios aumentaram 85% nos primeiros dez dias” deste mês, indicou Mariana Napolitano, gestora do Programa de Ciências do WWF-Brasil.

A Amazónia brasileira registou 29.307 incêndios em agosto último, face aos 30.900 no mesmo mês de 2019, que foram os piores da última década e geraram uma onda de indignação internacional, que não se repetiu este ano com a mesma intensidade.

Este ano, as atenções viram-se para o Pantanal brasileiro, considerada a zona mais húmida do planeta e que atravessa agora uma situação preocupante, ao enfrentar os piores incêndios das últimas décadas na região.

Nesse ecossistema, já foram registados 10.153 incêndios entre janeiro e agosto, o que representa um aumento de 221% em relação ao mesmo período do ano passado.

Situado na região centro-oeste, no sul da Amazónia, o Pantanal é uma planície que tem 80% de sua área inundada na estação chuvosa e é considerado um santuário onde ainda se encontra preservada uma fauna extremamente rica, que inclui animais como jacarés, arara-azul ou onças-pintadas, espécie classificada como “quase ameaçada” de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

Especialistas indicam que o aumento das chamas na zona húmida do Pantanal se deve ao aumento da desflorestação ilegal, que vem crescendo gradativamente a cada ano, causando uma série de mudanças climáticas, como a alteração do ciclo natural das chuvas.

Este ano não choveu o suficiente durante a temporada, o que baixou os níveis de humidade do Pantanal para os menores índices dos últimos anos.

De acordo com o serviço meteorológico brasileiro, enormes colunas de fumo, decorrentes dos incêndios na Amazónia e no Pantanal, já estão a chegar a cidades do sul e sudeste do país, como aconteceu no ano passado.

Organizações ambientais culpam o discurso “antiambiental” do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que defende a exploração dos recursos naturais na Amazónia, acabou com a demarcação de novas terras indígenas e, recentemente, disse que era “mentira” que o ecossistema tropical estivesse a arder. In “Green Savers Sapo” com “Lusa”