Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 2 de julho de 2025

México - Proíbe espetáculos com mamíferos marinhos em cativeiro

Medida histórica coloca o país entre os líderes na proteção do bem-estar animal com leis mais restritivas


Na quinta-feira, 26 de junho de 2025, o Congresso do México aprovou, por unanimidade, uma reforma à Lei Geral de Vida Selvagem, proibindo o uso de mamíferos marinhos em espetáculos de entretenimento, tanto em instalações fixas como móveis, segundo a revista Veja. “A medida aplica-se a espécies como golfinhos, orcas, leões-marinhos e focas, proibindo a sua reprodução, treino e exibição com fins lucrativos”, explica a mesma fonte.

A emenda visa proibir estritamente a captura selvagem, a criação em cativeiro ou a manutenção de mamíferos marinhos para qualquer fim que não seja a investigação científica para a conservação e preservação das espécies, tais como os esforços de reintrodução, repovoamento ou translocação destinados a restaurar as populações naturais, explica um comunicado da Humane World for Animals México.

O Mexico News esclarece ainda que a lei recentemente alterada foi apelidada de “Lei Mincho”, em homenagem a um golfinho que ficou gravemente ferido durante uma apresentação no Barceló Maya Grand Resort, no estado de Quintana Roo na Riviera Maya. O Sustentix, na altura noticiou esse acidente.

Na altura, a Profepa fechou este delfinário e multou a empresa em mais de 7,5 milhões de pesos, ou seja, 390 mil euros aproximadamente. De acordo com o Riviera Maya News, Mincho sobreviveu e ainda tem mobilidade adequada.

Situação atual e transição

A revista Veja diz que o México é atualmente um dos países com maior número de golfinhos em cativeiro: cerca de 350 indivíduos, o que representa aproximadamente 8% da população global em cativeiro, de acordo com dados de ONG e das autoridades ambientais.

A legislação estabelece que estes animais não serão libertados abruptamente, mas permanecerão sob cuidados em instalações temporárias enquanto se planeia o seu realojamento para cercados marinhos (espécies de reservas costeiras naturais). As entidades responsáveis terão 90 dias para apresentar um plano de gestão e 18 meses para se adaptar à nova regulamentação.

Um artigo da ANDA explica também que tanques de betão hoje utilizados deverão ser desativados, sendo obrigatória a substituição por ambientes com água salgada natural. O incumprimento da lei poderá resultar em multas elevadas e até no encerramento das instalações.

Repercussão e contexto internacional

A Humane World for Animals México, anteriormente denominada Humane Society International México, congratula-se com a aprovação unânime pelo Senado mexicano de uma emenda à Lei Geral da Vida Selvagem que proibiria o uso de mamíferos marinhos como golfinhos, leões marinhos e orcas em entretenimento em cativeiro, como espectáculos fixos ou itinerantes.

Claudia Edwards, diretora de programas da Humane World for Animals México, que apoiou o desenvolvimento do projeto de lei, disse em comunicado: “Esta votação representa um passo decisivo para acabar com a exploração de baleias, golfinhos e outros mamíferos marinhos para entretenimento e marca um grande avanço nos esforços de bem-estar animal e conservação no México. Felicitamos o Senado por reafirmar o compromisso do México com a proteção da vida selvagem e a promoção da coexistência sustentável entre humanos e animais”.

A legislação foi agora enviada para a Câmara dos Deputados. Se for aprovada, a proposta será transformada em lei, reforçando a proteção da vida selvagem em todo o país.

A Humane World for Animals México reconhece os esforços de Yolanda Alaniz, uma reconhecida especialista em mamíferos marinhos no México, que tem defendido a proibição dos óculos para mamíferos marinhos, juntamente com outros especialistas em bioética da Universidade Nacional Autónoma do México. É de salientar que, durante o debate no Senado, a maioria dos legisladores referiu a senciência dos animais em geral e dos golfinhos em particular para a aprovação do projeto de lei.

Com esta decisão, “o México junta-se a países como Canadá, França, Chile e Costa Rica, que já haviam adotado políticas semelhantes, sinalizando uma mudança global no entendimento sobre o papel dos animais selvagens na sociedade”, remata o Mexico News. InSustentix” - Portugal


segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Tailândia - Melco Resorts & Entertainment espreita oportunidades no país

Embora ainda aguarde esclarecimentos sobre os regulamentos dos futuros resorts com casinos na Tailândia, a Melco Resorts & Entertainment já abriu um escritório em Banguecoque para explorar oportunidades de investimento na “Terra dos Sorrisos”. Para Lawrence Ho, eventuais projectos em cidades como Banguecoque ou Phuket têm “grande potencial”



A Melco Resorts & Entertainment abriu um escritório de representação em Banguecoque, com o objectivo de explorar oportunidades de investimento na Tailândia, país que deverá abrir as portas à operação de casinos em resorts integrados, prevendo-se que o Parlamento aprove a respectiva legislação no corrente ano. A instalação de um escritório na capital tailandesa insere-se no quadro desse processo, embora a Melco ainda esteja à espera de clarificações sobre as regras e os regulamentos dos futuros complexos de entretenimento para determinar a dimensão de um eventual investimento no país do Sudeste Asiático, explicou o presidente e director executivo do grupo, Lawrence Ho, num evento promovido em Banguecoque para anunciar uma parceria com a “Thailand Creative Content Agency” (THACCA), organismo que abarca os sectores criativos e culturais e que foi criado pelo Governo tailandês com o intuito de converter o país numa referência mundial na área do “soft power”.

De acordo com o jornal “Bangkok Post”, Lawrence Ho reconheceu que cidades como Banguecoque e Phuket têm “grande potencial” para o desenvolvimento de resorts integrados.

Depois de ter abandonado a “corrida” ao jogo no Japão em 2021, deixando cair os planos para investir em Yokohama, o grupo Melco opera actualmente resorts com casinos em Macau, nas Filipinas e Chipre, e está a desenvolver um novo empreendimento em Colombo, capital do Sri Lanka, com abertura prevista para meados deste ano. Além disso, possui escritórios de representação em Hong Kong, Singapura, Filipinas, Chipre e agora na Tailândia.

Para já, a parceria entre a Melco e a THACCA está centrada no programa “Global Soft Power Talks”, uma série de eventos destinada “a elevar a identidade da Tailândia através de contribuições culturais, criativas e inovadoras no entretenimento, design, arquitectura e muito mais”, segundo explicaram as duas partes num comunicado conjunto. Agendada para o próximo dia 24 de Fevereiro, a primeira sessão deverá contar com intervenções da Primeira-Ministra tailandesa, Paetongtarn Shinawatra, e líderes globais nos sectores da gastronomia, “branding”, design, arquitectura e artes performativas, entre outros.

Promover os activos culturais da Tailândia

“A nossa parceria com a Melco capacita-nos para amplificar a identidade e os activos culturais da Tailândia, garantindo que as nossas indústrias criativas são reconhecidas e celebradas em todo o mundo. Através de iniciativas como as ‘Global Soft Power Talks’, pretendemos inspirar inovação, colaboração e oportunidades que irão fortalecer a presença da Tailândia no panorama mundial”, sublinhou Surapong Suebwonglee, presidente da THACCA.

Na mesma linha, Lawrence Ho sustentou que a “rica herança cultural e o potencial criativo” tornam a Tailândia num “líder natural em ‘soft power’”. “O nosso papel é trazer expertise global, promover a troca de conhecimento e capacitar os talentos tailandeses para que atinjam o seu potencial máximo no panorama internacional”, acrescentou, garantindo ainda que o “sucesso” da Melco reside na “capacidade de combinar luxo, cultura e criatividade para criar experiências transformadoras”.

Ao abrigo desta parceria, cinco cidadãos tailandeses “excepcionais” também terão a oportunidade de participar num programa de formação de três meses com especialistas mundiais em centros criativos globais, incluindo nos EUA, Reino Unido, Itália, França e Macau.

“‘Global Soft Power Talks’ é mais do que apenas um evento. É um movimento para redefinir a forma como a Tailândia se envolve com o mundo”, acentuou Surapong Suebwonglee.

Wynn Resorts vai comprar casino em Londres

A Wynn Resorts, accionista maioritária da Wynn Macau, estabeleceu um acordo para adquirir o casino “Crown London” ao grupo australiano Crown Resorts, por um montante não especificado. O negócio, que ainda carece das aprovações regulatórias, deverá ser oficializado no segundo semestre deste ano. “Esta aquisição de um activo icónico oferece-nos uma presença numa cidade de entrada global e criará um canal para os hóspedes do Wynn visitarem os nossos resorts, particularmente o Wynn Al Marjan Island, com inauguração prevista para o primeiro trimestre de 2027 em Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos”, disse o presidente executivo da Wynn Resorts, Craig Billings, citado no comunicado. Já a Crown Resorts frisou que a transacção apoia o seu foco no crescimento dos principais activos do grupo na Austrália, nomeadamente em Melbourne, Sydney e Perth. Anteriormente conhecido como “Aspinall’s”, o “Crown London” foi adquirido pela Crown Resorts em 2011. Este casino exclusivo para membros abrange dois imóveis históricos no luxuoso bairro de Mayfair, em Londres, disponibilizando 20 mesas de jogo, um restaurante e um lounge para entretenimento. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Macau - Lusofonia celebra 25 anos de história e “alguns braços-de-ferro”

Aquele que se transformou no “grande evento popular de Macau” faz 25 anos amanhã. O Festival da Lusofonia surgiu de um convite da Câmara das Ilhas e começou por juntar membros das diferentes comunidades dos países de língua portuguesa. Mais tarde, surgiram as associações que hoje fazem do festival um encontro de diferentes culturas. O Jornal Tribuna de Macau falou com actuais ou anteriores líderes de várias associações dos países lusófonos que contaram as suas memórias dos primeiros anos, o que esperam para o futuro e qual o significado desta festa que junta milhares de pessoas nas Casas Museu da Taipa


O Festival da Lusofonia celebra amanhã o seu 25º aniversário – são 25 anos de história, de convívio, de intercâmbio cultural, mas também de “alguns braços-de-ferro”. Tudo começou com um convite da Câmara Municipal das Ilhas dirigido às comunidades dos países de língua portuguesa para começar aquela que viria a ser a maior festa do mundo lusófono no território. Na altura, as associações que hoje fazem o Festival da Lusofonia ainda não tinham sido criadas.

Ao Jornal Tribuna de Macau, a presidente da Casa de Portugal recordou que a criação e continuidade do festival estavam envoltas em muitas incertezas. “Isto começou com uma iniciativa da Câmara das Ilhas, foi muito em cima da transição e havia dúvidas sobre se tinha pernas para andar. O que é certo é que foi crescendo e transformou-se no grande evento popular de Macau. A história é longa e é uma história de alguns braços-de-ferro, mas no fundo [o festival] teve sempre uma saída positiva e isso é que é importante”, afirmou Amélia António.

Na sua perspectiva, essa percepção é partilhada por todas as associações, apesar de todos os anos haver “grande frustração” nos apoios e na forma como muitas coisas foram tratadas. “Muitas vezes tivemos de fazer pressão para que as coisas se desenvolvessem, mas acho que isso faz parte da História e o que é importante é que tenha sido um grande evento popular sempre em crescimento”, prosseguiu. Para Amélia António, os braços-de-ferro “valeram a pena”.

Jane Martins, presidente da Casa do Brasil, recordou que na altura foi convidada como cidadã brasileira a viver em Macau – a Casa do Brasil só seria criada mais de 10 anos depois. “Telefonaram para mim e pediram se podia participar como representante da comunidade brasileira, porque naquela época não havia muitos brasileiros aqui, então iniciámos a primeira edição. Naquela época não havia assim o subsídio para fazer grandes decorações, e não tínhamos muitas ideias. Lembro-me de que disseram para pormos produtos brasileiros, que podíamos vender, que podia ser comida”, afirmou.

Foi já na altura que surgiu a ideia das caipirinhas, que se mantém até aos dias de hoje como a principal atracção da barraca do Brasil. “Pensámos que aqui nos restaurantes e nos bares não se vendia caipirinha, e como não havia cachaça também, a gente decidiu fazer com vodca, então tivemos a ideia de fazer caipirosca”, contou Jane Martins. A fama começou a aumentar ano após ano e em 2009 o Brasil passou a ser representado pela associação.

Outra das memórias que Jane Martins tem é de que no primeiro ano, em que choveu torrencialmente num dos dias, as barraquinhas eram “muito fracas”. “Trouxemos cá bailarinas de samba do Japão, eles queriam que trouxéssemos um ‘show’ brasileiro, então a gente conseguiu. Havia muita chuva, mas a festa realizou-se na mesma”, acrescentou.

Elias Colaço, que já esteve à frente da Associação de Goa, Damão e Diu, estava também no território quando se deu início ao festival. “Na altura não havia todas estas associações que há hoje. Fizeram um convite às pessoas e a minha família – a minha mãe e os meus tios – esteve muito envolvida. Agora as coisas estão muito diferentes e ainda bem. Mas, era muito engraçado, na altura avançava-se primeiro com o dinheiro e depois eles repunham e a construção das barracas era muito feita por carolice. No nosso caso, o meu tio é que fazia os desenhos e durante os primeiros anos fizeram-se stands temáticos”, apontou em declarações a este jornal.

Uma réplica de uma caravela da época, uma reprodução do fortim do mar de Diu e a porta dos vice-reis de Goa foram alguns dos temas dos primeiros anos. “Acompanhei a construção de alguns stands e era estarmos ali a noite inteira, no Carmo, até às seis da manhã. Serrar, cortar, pregar, pintar e tudo mais”, recordou. “A parte dos cozinhados era distribuída um bocadinho por todos, a minha mãe fazia umas coisas e outros faziam outras”.

Correr o mundo no espaço de centenas de metros

Para Elias Colaço, o Festival da Lusofonia é “um evento fantástico”. “Adoro a Lusofonia, gosto imenso de lá ir, gosto imenso de lá estar. Vou para lá e venho-me embora quando as portas fecham. É uma coisa fantástica tomar a noção de que naquele espaço de 200 a 300 metros corremos o mundo e passamos por vários continentes. Numa simples rua percorremos vários continentes e isso é uma coisa que só a Lusofonia consegue”, sublinhou.

Afirmando que o evento “é muito importante” para Macau, Elias Colaço lembrou que o interesse da comunidade chinesa relativamente ao Festival da Lusofonia tem crescido cada vez mais. “É muito importante porque são comunidades que existem e estão presentes em Macau há muitos anos e que têm dado o seu contributo cultural para Macau. E mais: do que tenho notado nos últimos anos, há um aumento de interesse da população chinesa, tanto local como não local, no festival”, prosseguiu.

Apesar do interesse crescente, Elias Colaço apontou que, devido à pandemia, nos últimos anos tudo tem sido feito “com a prata da casa”. Ainda assim, acredita que o Festival da Lusofonia tem pernas para continuar a andar, até porque “tem muito que ver com a política de aproximação da China aos países de língua portuguesa”. “Acho que ainda vai durar muitos anos. Se não mais 25, mais alguns”, concluiu.

Ada Sousa, presidente da Associação de Amizade Macau-Cabo Verde, disse ter “alguma reserva” quando questionada sobre se o festival duraria mais 25 anos na RAEM. “Não sei, muito sinceramente, até porque neste momento, por causa da covid, as fronteiras não estão abertas e temos sentido alguma falta de pessoal em termos logísticos. Precisamos de sangue novo e em Macau as pessoas têm saído”, lamentou.

Na sua opinião, a participação das pessoas que vêm do exterior, é uma parte muito importante do festival, mas que há quase três anos não existe. “É sempre uma grande alegria quando vêm pessoas dos países lusófonos porque trazem música, anedotas, contos, e uma pessoa sente que está em Macau, mas que está em casa, que estamos lá. É bom ter pessoas de fora para vir mostrar a cultura de cada um dos países, para sentirmos que Macau é verdadeiramente uma plataforma”, defendeu.

A Lusofonia, para Ada Sousa, “é reunir as pessoas” e “mostrar o calor” dos países de língua portuguesa. “É mostrar aquilo que temos para contribuir para a RAEM que queremos”, finalizou.

Na mesma linha, a presidente da Casa de Portugal sublinhou que as associações estão a sentir cada vez mais dificuldades e que para que o festival continue é preciso ter os meios necessários. “As associações estão a perder pessoas e a sentir cada vez mais dificuldades em conseguir fazer as coisas como gostam, como aspiram, como acham que devem continuar a fazer para que não se perca a qualidade. Portanto, neste momento com as indefinições que existem, com todas as nuvens que há no horizonte, com tudo isso só com uma bola de cristal poderia responder”.

Para Amélia António, o Festival da Lusofonia é um ponto muito importante de convívio entre as diferentes comunidades. “É um momento de grande confraternização, e é um momento muito marcante para a população local e a que visita Macau – agora mais limitada -, porque percebem e sentem como é que se vive em Macau. É sentir o clima de confraternização e de entendimento das comunidades que fazem parte de Macau”, descreveu.

“Macau é um local próprio que tem cultura, maneira de estar e de viver que são próprias, que o identificam enquanto espaço diferente. Acho que é de certa maneira uma coisa muito rica e nos tempos que correm, de desentendimentos confrontos, de problemas a nível mundial, esta forma pacífica e comunicativa e de entreajuda que se vive entre estas comunidades de Macau é qualquer coisa de importante para marcar a diferença com o que de desagradável e difícil se vive no mundo. Para mim, a lusofonia tem esse valor todo”, concluiu.

Já Helena Brandão, presidente da Associação dos Amigos de Moçambique, que participa no festival desde 2002, recordou que apesar da falta que sentiam dos produtos do país, do artesanato, assim como o facto de terem “pouca experiência” neste tipo de festa popular, guardaram boas memórias dos primeiros anos desta iniciativa. “Quem tivesse peças de artesanato, livros ou outros produtos moçambicanos emprestava-os para que pudéssemos expor. A associação não tinha nada e contávamos com ajuda de alguns elementos da comunidade”.

“A Festa da Lusofonia na minha opinião é um dos eventos mais importantes de Macau. Pelo significado, pelo envolvimento das comunidades de língua portuguesa, pelos encontros, pela diversidade, e sobretudo pela amizade e solidariedade entre a comunidade lusófona de Macau”, apontou.

A língua portuguesa como elemento de união

Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, recordou que no início a participação foi feita através do grupo dos Dóci Papiaçám. A chuva que caía naqueles primeiros anos, em que o festival era realizado em Junho por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, não lhe sai da memória.

Na sua opinião, este “é um festival que tem pernas para andar”. “Julgo que é do interesse da RAEM, do interesse do Governo Central, pelo menos de acordo com o discurso oficial há sempre um apoio à ideia da lusofonia ligado à ideia da plataforma e contacto com os países de língua portuguesa. É um festival que só fortalece o papel de Macau e é um bom cartaz turístico”, apontou.

O líder associativo frisou ainda que o Festival da Lusofonia “é um fenómeno fantástico”. “A Lusofonia é um fenómeno, é um movimento, é algo de positivo. Que haja mais Lusofonias! É um fenómeno importante na comunicação dos povos, é uma coisa para ser festejada, numa altura em que o mundo está como está”, prosseguiu.

Senna Fernandes realçou ainda o que de comum une estes países: a língua. “Num sítio tão pequeno como Macau e mesmo na China podemos encontrar pessoas com antecedentes culturais completamente diferentes dos nossos e estamos a comunicar. Eu valorizo isto. A Lusofonia tal e qual como a celebramos só acontece em Macau, é único. A Língua Portuguesa tem esta propensão para ligar os povos”, afirmou.

A Língua Portuguesa é também para Jane Martins um dos aspectos mais significativos deste festival. “Na Lusofonia a gente fala muito mais português do que em qualquer outro dia do ano, então é muito agradável, porque é uma reunião de amigos que você não vê o ano inteiro. E depois há muito interesse dos chineses pela cultura de qualquer outro país de língua portuguesa. Então para mim aquilo é uma reunião de falantes da língua portuguesa como não há outra igual em Macau. Isso é o que mais importa. Depois é a alegria das pessoas, comemorar aqueles três dias”, descreveu a presidente da Casa do Brasil.

Este ano, a cultura macaense foi escolhida para ser o foco do Festival da Lusofonia, que decorrerá entre amanhã e domingo, nas Casas Museu da Taipa. A edição deste ano da Lusofonia apresentará assim a gastronomia e o artesanato macaenses, e além de se centrar na cultura macaense propõe-se também a “salientar a história da viagem das culturas dos países lusófonos através do oceano e do seu estabelecimento nesta cidade”. A programação abrangerá espectáculos em patuá promovidos por associações locais macaenses e uma mostra de gastronomia macaense.

Ao longo de três dias, os expositores das comunidades portuguesas de Macau formadas por macaenses e pessoas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Goa, Damão e Diu, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste vão mostrar a sua música, artesanato, vestuário e acessórios, gastronomia e informações turísticas. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Macau - Aspectos culturais devem ser potenciados

Fundador da JEM – Media Consultancy e consultor de Conteúdos de Entretenimento e Ficção da TVI, José Eduardo Moniz está em Macau com Fernando Maia Cerqueira para “fazer uma série de contactos” com o objectivo de desenvolver projectos que liguem mais a RAEM aos restantes territórios onde a Língua Portuguesa é falada. Macau entra em cena como um “mundo que precisa de ser revelado ao mundo” porque “não é só jogo” e tem uma cultura diferente que gera “imensa curiosidade” nos outros países da Lusofonia.



“Macau é um ponto de encontro de civilizações”. “Há um conjunto de interesses comuns e capacidades que existem em todos os países que precisam de ter um ponto de união. Se conseguirmos trazer todas as capacidades de Portugal, Moçambique, Brasil, Angola e Macau para o mesmo ponto, é evidente que poderão nascer coisas relevantes para os diversos mercados”.


José Eduardo Moniz veio a Macau para “fazer uma série de contactos” relacionados com a actividade que exerce no campo da consultoria e com a experiência que detém no universo da Língua Portuguesa. “Fundei uma empresa de consultoria há uns anos e, no âmbito da actividade dessa empresa, desenvolvo acções em Portugal e fora de Portugal. É nessa perspectiva que cá vim, porque o universo da Língua Portuguesa é riquíssimo e abre-nos um amplo leque de oportunidades de negócio que, na prática, se traduz numa aproximação importante entre países e entre povos”, sublinhou em declarações ao Jornal Tribuna de Macau.

O fundador da JEM – Media Consultancy destaca que hoje em dia há “novas gerações de consumidores que continuam a ver e a procurar muitos conteúdos de todas as naturezas” apesar de se dispersarem na forma como os consomem. Assim, “o segredo está em descobrir as fórmulas certas para a potenciação destes conteúdos, independentemente da plataforma em que são vistos”.

“A minha ambição sempre foi contribuir para a criação de um mercado muito mais amplo do que temos em Portugal para a criação, produção e consumo de produtos em língua portuguesa”, referiu José Eduardo Moniz. A visita a Macau está relacionada com essa intenção.

“Vim analisar oportunidades de negócio e oferecer ‘know how’ de que a minha empresa dispõe para a criação de projectos e produtos que venham consubstanciar esse objectivo mais amplo que é criar um mercado com um significado muito maior do que existe hoje, tendo também em conta que Macau é uma região com enorme potencial, que está a crescer a olhos vistos, quer abrir-se ao mundo e dar-se a conhecer”, frisou.

Embora ainda seja “prematuro” indicar detalhes mais concretos sobre o projecto, José Eduardo Moniz garante que ele é ambicioso e tem uma visão “globalista”, tendo sempre em conta o crescimento de Macau nos últimos anos.

“A minha preocupação nesta altura é conseguir estabelecer pontes que consigam fazer com que aos olhos do mundo e, nomeadamente, aos olhos do mundo que fala Português, Macau seja percepcionado como uma região onde há muita coisa boa, susceptível de constituir atracção para muita gente, seja portuguesa, brasileira, angolana ou moçambicana”, explicou José Eduardo Moniz.

Além disso, “Macau é um ponto de encontro de civilizações”. “Há um conjunto de interesses comuns e capacidades que existem em todos os países que precisam de ter um ponto de união. Se conseguirmos trazer todas as capacidades de Portugal, Moçambique, Brasil, Angola e Macau para o mesmo ponto, é evidente que poderão nascer coisas relevantes para os diversos mercados”.

A RAEM traz também a eventuais projectos “um mundo que é preciso ser revelado ao mundo e uma cultura que é diferente”. “É indiscutível que este mundo português tem imensa curiosidade sobre Macau, da mesma maneira que Macau se quer dar a conhecer a este mundo da fala portuguesa, por isso, há esta consonância de interesses que, aliados à capacidade de gerar recursos financeiros, permitirá a tradução, no concreto, dessas ideias e projectos”.

Necessidade de se expor ao mundo

Ainda é cedo para revelar quando as iniciativas se podem materializar mas estarão sempre ligadas à produção de conteúdos e à percepção e satisfação de necessidades. “Foram várias as entidades e pessoas com quem conversámos. É possível que dentro em breve regresse”, garantiu José Eduardo Moniz.

O consultor de Conteúdos de Entretenimento e Ficção da TVI quer “deixar que o próprio tempo defina as datas em que as coisas ocorrem”. “Há uma enorme vontade de criar projectos, de os materializar, e pessoas inteligentes com energias consonantes normalmente conseguem chegar a acordos interessantes para toda a gente”.

“O objectivo é que aquilo que façamos não fique circunscrito a um único território, podendo abranger todo este universo de que falamos. Sempre tivemos uma perspectiva de internacionalização e é nessa base que funciono, seja naquilo que envolve vários países, seja em Portugal. Gosto de criar produtos que tenham perspectivas de aceitação noutros mercados”.

Neste campo, “Macau pode ser um pólo dinamizador de muitas das acções a desenvolver, não só pela riqueza cultural, mas também pela ‘necessidade’ de se expor um pouco mais ao mundo, porque Macau não é só jogo, é muito mais, e todos os aspectos culturais e questões que atraem milhões de pessoas devem ser potenciados e mostrados”, defendeu José Eduardo Moniz.

“Independentemente da curiosidade que o Oriente naturalmente exerce, há questões específicas de Macau que têm a ver com esta intersecção de culturas entre Portugal e Macau durante séculos, permitindo que estejamos perante um universo diferente de outras zonas do mundo”.

Por sua vez, Fernando Maia Cerqueira, também responsável pelos eventuais projectos, sublinhou que os que serão desenvolvidos no futuro resultarão de uma experiência na área da produção de conteúdos ajustados à “sofisticação” da oferta em diferentes plataformas. “Junta-se aqui uma outra parte que é a capacidade de percepcionar as questões que se colocam a quem pretende comunicar, até do ponto de vista institucional e corporativo que é um pouco a minha experiência, no sentido de olhar para o mundo e ver como se pode passar determinado tipo de interesse num mundo que é agressivo em termos comunicacionais”.

“Temos a juntar a isto o conhecimento que temos de Macau. José Eduardo Moniz passou por aqui várias vezes desde os anos 80 e eu conheço Macau há mais de 30 anos, fui fundador da Teledifusão de Macau. Temos um entendimento do que são as especificidades de Macau e entendemos bem o que é Macau do ponto de vista da génese, do nascimento deste território onde se fala a língua portuguesa mas que tem características de uma civilização poderosa, milenar e que lhe deu um certo exotismo”, destacou o mesmo responsável.

Esta conjugação de interesses, levou à intenção de concretizar projectos associados a um território que precisa de se expandir “no mundo da língua portuguesa”, frisou Fernando Maia Cerqueira, propondo-se a dar um “contributo relevante”. Inês Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”