Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 4 de julho de 2026

São Tomé e Príncipe – Anunciada a criação da Fundação Alda Espírito Santo no centenário da matriarca santomense

Personalidades nacionais e internacionais dos meios académico, cultural e institucional reúnem-se, durante dois dias, na capital santomense, para a Conferência Internacional que celebra o centenário de Alda Espírito Santo, figura incontornável da história, da cultura e da literatura de São Tomé e Príncipe.


“Alda do Espírito Santo não foi apenas uma nacionalista, não foi apenas uma poetisa, não foi apenas uma ativista cultural, não foi apenas uma pessoa generosa”, afirmou Inocência Mata, curadora da conferência.

“Alda do Espírito Santo afirmou-se como uma das vozes mais firmes da geração que sonhou, lutou e edificou a independência do nosso país”, destacou o Primeiro-Ministro, Américo Ramos.

Este encontro constitui um momento singular de valorização da vida, da obra e do legado da matriarca santomense, estando já em preparação a criação da Fundação Alda Espírito Santo.

“Uma fundação que funcionaria na Chácara, espero que ainda este ano isso seja possível, enquanto espaço permanente de investigação, preservação documental, promoção cultural e divulgação da sua obra, tornando-a acessível às gerações presentes e futuras”, anunciou Inocência Mata.

“Ao revisitarmos a vida e a obra de Alda Espírito Santo, somos chamados a reconhecer a força transformadora da palavra, o papel estruturante da educação e o valor da cultura como expressão profunda da nossa identidade”, sublinhou Américo Ramos.

Para o Chefe do Governo, a realização desta conferência representa um compromisso renovado com os valores que nortearam a vida de Alda Espírito Santo: a dignidade humana, a justiça social, a igualdade de oportunidades e a confiança num futuro melhor. José Bouças – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


segunda-feira, 13 de maio de 2024

Universidade do Porto celebra centenário da primeira viagem aérea de Portugal a Macau

Inauguração de mostra na Casa Comum e concerto de Banda da Força Aérea na FEUP são dois dos eventos programados para a tarde/noite de 15 de maio



Em 1924, Portugal participou na grande aventura de voar, realizando, com êxito, o primeiro raide aéreo Portugal-Macau. A viagem, a bordo do “Pátria”, realizou-se entre 7 de abril e 20 de junho. Para assinalar este êxito, a Universidade do Porto vai promover um programa de atividades, a decorrer no dia 15 de maio e com entrada livre para toda a comunidade.

As celebrações vão abrir com a inauguração, pelas 16h30, na Casa Comum (à Reitoria), de Portugal na aventura de voar, uma mostra que reúne, entre outros objetos, a hélice do “Pátria”, alguns troféus que a viagem arrecadou e vários painéis com texto e fotografias da época que contextualizam a história deste marco da aviação nacional.

A inauguração da mostra será antecedida de uma atuação da Banda da Força Aérea. Segue-se um painel de conferências que contará com a presença de Isabel Morujão (Universidade do Porto- CITCEM), Carlos Mouta Raposo (Diretor do Museu do Ar), Cátia Miriam Costa (ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa), Paulo Lage (FEUP) e Armando Malheiro da Silva (Universidade do Porto – CITCEM).

Pelas 21h30, haverá um concerto pela Banda da Força Aérea Portuguesa, no Anfiteatro da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP).

A mostra Portugal na aventura de voar ficará patente ao público até finais de junho.

A viagem de esmolas

Em 1922, o centenário da Independência do Brasil foi assinalado com a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, protagonizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. O sonho da aviação portuguesa era colocar Portugal no rumo da modernidade, competindo com as potências estrangeiras que, por essa altura, financiavam voos de longo alcance.

O voo de longo curso a Macau não teve financiamento do Governo. Brito Paes, Sarmento de Beires e o alferes mecânico Manuel Gouveia fizeram a viagem com um avião adquirido em segunda mão, em França. A compra foi custeada pelo dinheiro de um prémio oferecido a Beires e Paes por Charles Bleck (como resultado da primeira tentativa que fizeram de viagem aérea à Madeira, onde só não aterraram por causa do intenso nevoeiro sobre a ilha); e por uma subscrição pública aberta pelo Aeroclube de Portugal para completar o pagamento, a que se seguiram outras iniciativas para recolha de fundos: campeonatos de futebol, récitas, leilões, venda de livros, espetáculos de teatro e de música, etc.

O país mobilizou-se para apoiar esta viagem, numa altura política e socioeconomicamente adversa, o que levou os aviadores a classificarem este raide como uma viagem “de esmolas”. O avião escolhido foi um Breguet XVI, um antigo bombardeiro noturno de guerra, que transportava até 550 kg de bombas.

Já depois de dois terços do percurso percorrido, o “Pátria” sofreu um acidente ao aterrar de emergência na Índia. Para a sua substituição, foi, novamente, o povo português que pagou a compra do segundo avião na Índia, igualmente usado, que completaria a viagem até Macau.


Após o sucesso do raide, os três aviadores foram apoteoticamente recebidos pelas comunidades portuguesas de Macau, Hong Kong e Changai. No regresso para Portugal, de barco, fizeram diversas paragens em comunidades portuguesas na América, onde foram festejados. Em Lisboa, durante dias, os aviadores foram aclamados como heróis e condecorados com a Ordem de Torre Espada de Valor, Lealdade e Mérito pelo Presidente da República. Universidade do Porto - Portugal