Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 19 de julho de 2026

Moçambique - Camões – Centro Cultural Português e Catalogus lançam colectânea que celebra os 30 anos da CPLP com vozes da literatura contemporânea

O Camões – Centro Cultural Português e a Catalogus apresentam, no próximo 21 de Julho, às 17h30, em Maputo, a colectânea “As casas ainda respiram”, uma obra comemorativa dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O lançamento decorrerá nas instalações do Camões – Centro Cultural Português e reunirá textos de escritores e poetas da literatura contemporânea em língua portuguesa.


Com 170 páginas, a colectânea reúne excertos de romances, contos e poemas de autores oriundos do espaço lusófono, procurando celebrar a língua portuguesa como elemento de união entre diferentes povos e culturas. A publicação apresenta textos de Alice Pina, Álvaro Fausto Taruma, Ana Bárbara Pedrosa, Calila das Mercês, Camila Afonso, Cheila Delgado, Edson Incopté, Elisângela Rita, Eltânia André, Helena Abrahamsson, Israel Campos, Jamila Pereira, Rita Canas Mendes, Samuel F. Pimenta e Virgília Ferrão, oferecendo aos leitores moçambicanos um panorama da literatura contemporânea em língua portuguesa.

A obra resulta de uma iniciativa conjunta do Camões – Centro Cultural Português em Maputo e da Catalogus para assinalar as três décadas da CPLP, organização criada em Julho de 1996 e actualmente constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Cada texto evidencia diferentes identidades, perspectivas e experiências, reflectindo a diversidade cultural que caracteriza o universo literário dos países lusófonos.

Na apresentação da colectânea, o director do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, José Manuel Amaral Lopes, destaca que a celebração dos 30 anos da CPLP representa também a valorização de uma língua que aproxima povos, incentiva a criação literária e fortalece o diálogo intercultural, reafirmando a diversidade cultural como um dos maiores patrimónios da lusofonia. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


quarta-feira, 27 de maio de 2026

França - Associação Juventude Lusitana de Le Beausset festeja 20 anos

O Município de Terras de Bouro marcou presença nas comemorações do 20.º aniversário da Associação Juventude Lusitana de Le Beausset, que decorreram entre os dias 22 e 24 de maio, em França


No âmbito do processo de geminação entre Terras de Bouro e Le Beausset, a associação, juntamente com a Câmara Municipal de Le Beausset, convidou o executivo municipal terrabourense a participar nas celebrações. A delegação portuguesa integrou o presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, Manuel Tibo, e o vice-presidente, Adelino Cunha.

As comemorações incluíram diversas iniciativas de carácter cultural e social, destacando-se uma eucaristia franco-portuguesa, que contou com a presença do Padre António Lopes, pároco de Rio Caldo e capelão da Basílica de São Bento da Porta Aberta.

Segundo o município, esta celebração teve como objetivo assinalar a união entre as comunidades francesa e portuguesa da região, onde existe uma forte presença de emigrantes naturais de Terras de Bouro.

O município agradeceu ainda à associação e ao seu responsável, Manuel Pereira, pela iniciativa de reforço do intercâmbio cultural e social entre as duas localidades, assim como ao presidente da comuna de Le Beausset, Claude Alimi, pelo trabalho desenvolvido no fortalecimento do processo de geminação.

“Para o Município de Terras de Bouro, estas visitas assumem uma enorme importância na preservação e fortalecimento dos laços com a diáspora terrabourense, promovendo a proximidade entre comunidades e reforçando o sentimento de identidade e pertença às suas raízes. Estes momentos de partilha e cooperação representam também uma oportunidade privilegiada para valorizar a cultura, as tradições e os valores que unem Terras de Bouro e Le Beausset, consolidando uma relação de amizade, intercâmbio e fraternidade que importa continuar a cultivar para as gerações futuras”, lê-se na publicação feita nas redes sociais do município. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

UCCLA – Marca presença nas comemorações dos 450 anos da cidade de Luanda

A União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) estará presente nas comemorações dos 450 anos da cidade de Luanda, na sequência do convite endereçado ao Secretário-Geral da UCCLA, Luís Álvaro Campos Ferreira, pelo Governador Provincial de Luanda, Luís Manuel Nunes.


As celebrações, que decorrem sob o lema “Luanda - 450, um lugar de História e Cultura”, serão assinaladas com um conjunto de atividades comemorativas, tendo como local principal a Baía de Luanda, valorizando o património histórico e cultural da cidade e a sua relevância no espaço lusófono.

A coordenação das festividades dos 450 anos de Luanda é da responsabilidade da Administradora Municipal da Ingombota, Milca Cuesse Caquesse.

De referir que as comemorações dos 450 anos da cidade de Luanda decorrem até ao dia 31 de janeiro. 


quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Portugal - Conferência de Imprensa da Associação 25 de Abril sobre as comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril


COMUNICADO

Comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril

A situação política no nosso país, agravada há dias pelas tragédias dos incêndios e do Elevador da Glória, não aconselharia a que umas quaisquer comemorações, por mais importantes que sejam, como é o caso das Comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril, ocupassem um lugar de relevo nas preocupações dos portugueses e, designadamente, dos responsáveis políticos do país.

Porém, a gravidade da situação criada pelo Governo obriga-nos a fazer uma denúncia pública.

A evocação do passado de um povo, nomeadamente os actos mais determinantes da sua História, é uma decisão natural em qualquer sociedade.

No caso de Portugal são muitos os actos de grandeza e de heroicidade que nos permitiram estar prestes a atingir os 900 anos de História, com uma forte identidade nacional e uma cultura de que nos orgulhamos. É nesse quadro que se poderá criar um futuro de felicidade para os portugueses, mas como afirmou Péricles, essa felicidade só será alcançada com Liberdade, o que só é possível se para isso houver a coragem necessária.

Assim se compreende que, desde há 51 anos, os portugueses festejem a Liberdade alcançada no dia 25 de Abril de 1974, à qual, após um período mais conturbado da vida nacional, juntaram a Paz, a Democracia, a Justiça Social e a Fraternidade, um conjunto de atributos que passaram a ser conhecidos como os Valores de Abril. Esses Valores de Abril ficaram expressos na Constituição da República, a conquista maior de um Portugal que se viu libertado da ditadura e da guerra e viu abertas as portas à comunidade internacional, na qual se integrou de corpo inteiro.

Nada mais natural, portanto, que os responsáveis maiores do país tivessem decidido aproveitar a passagem dos 50 Anos do 25 de Abril para evocar todos os actos que contribuíram para a aprovação da Constituição da República, mas também para criar condições que permitam às gerações futuras poder aprender e saber como tudo aconteceu.

Ao levantar o problema que de seguida aqui abordamos, com a denúncia e chamada de atenção pública para o enquadramento e a situação respeitante à evolução e actual momento das comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de Abril, fazemos votos para que este comunicado não sirva de manobra de diversão dos importantes problemas que o país enfrenta.

No entanto, a situação que tem vindo a acontecer é suficientemente grave e obriga-nos a manifestar a nossa profunda repulsa e o nosso grito de condenação. O Governo embora legitimamente empossado através dos sistemas democráticos, tudo parece querer fazer para contrariar o que se espera de um Governo de Abril.

Comecemos por relembrar o processo de organização das Comemorações Oficiais dos 50 Anos do 25 de Abril.

Por decisão conjunta do Presidente da República e do Governo (Resolução do Conselho de Ministros 70/2021 de 04 de Junho) foi estabelecida uma organização responsável pelas Comemorações.

Foram constituídos dois organismos responsáveis:

1. A Comissão Nacional (CN), constituída pelo PR, que preside, e pelos titulares dos demais órgãos de soberania - Presidente da Assembleia da República (PAR), Primeiro Ministro (PM), Presidentes dos Tribunais Superiores (STJ, TC, STA, TC) e pelo Presidente da Direcção da Associação 25 de Abril (A25A).

A esta CN caberia a aprovação das acções concretas a desenvolver, no período definido para as comemorações, que começaria no dia 22 de Março de 2022 e decorreria até ao dia 12 de Dezembro de 2026 (homenagem aos Capitães de Abril de 1974 e aos estudantes contestatários de 1962 até às eleições autárquicas de 1976, últimas das quatro eleições livres resultantes da aprovação da Constituição da República).

2. A Comissão Executiva (CE) que, na dependência do Governo/Ministério da Cultura (MC), coordenaria e executaria as decisões da CN.

Com esta CE colaborariam as diversas entidades, para o efeito convidadas, a começar na A25A, independentemente do Programa específico que cada uma das mesmas entendesse promover, como aconteceu com a Assembleia da República, que decidiu realizar uma sessão solene das Comemorações dos 49 Anos do 25 de Novembro.

O Programa aprovado pela CN resultou essencialmente de propostas feitas pela CE, a isso se juntando um conjunto de iniciativas propostas pela A25A, enquanto parte integrante da própria CN. Nestas, pela sua natural importância e relevância, há a destacar a criação de um Centro Interpretativo do 25 de Abril (Clnt25Abril), que de imediato se tornou na iniciativa mais emblemática das Comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril.

Essa situação levou à "necessidade" da celebração de um Protocolo/Acordo que envolvesse as diversas entidades que se considerou que deveriam coordenar a implantação e a gestão futura deste Clnt25Abril – o Governo, a Câmara Municipal de Lisboa (CML), o Turismo de Lisboa (TL) e a A25A.

Esse acordo, que inclui as regras para a instalação, as verbas consignadas, o local da instalação e as responsabilidades de cada entidade no processo, veio a ser assinado no dia 12 de Janeiro de 2024, simbolicamente, no espaço definido para a instalação do CInt25Abril, precisamente as instalações da Praça do Comércio, em Lisboa, onde ainda se encontra o Ministério da Administração Interna (MAI).

O Governo mudou e no dia 2 de Abril de 2024 tomou posse o XXIV Governo Constitucional.

Na primeira reunião da CN realizada no dia 8 de Julho de 2024, com a sua composição devidamente remodelada, o tema do Clnt25Abril foi naturalmente abordado e o PM teve oportunidade de esclarecer que as verbas atribuídas estavam consignadas e retidas para o efeito e que o processo estava a seguir os seus trâmites.

O facto concreto é que nem as verbas alguma vez foram transferidas, nem a essencial libertação do espaço avançou.

Em Junho de 2025 o Governo voltou a mudar e tomou posse o XXV Governo Constitucional, mas a inércia relativamente ao Clnt25Abril manteve-se.

Após algumas insistências da A25A, junto do PR, foi convocada pelo mesmo uma reunião com o Ministro da Presidência (MP), o presidente da Direcção da A25A e a Comissária Executiva das Comemorações.

Nesta reunião, o MP informou:

• Por razões de segurança (que não especificou), o MAI já não vai sair das actuais instalações, onde estava previsto instalar o Clnt25Abril.

• Há ministérios que deixarão as actuais instalações e se transferirão para o novo Campus XXI – sendo um deles o Ministério da Agricultura (MA), actualmente na zona ocidental da Praça do Comércio, prevendo-se que isso aconteça em 2027.

• É intenção do Governo, entre outras possíveis utilizações que terão de ser discutidas com as várias entidades interessadas, nomeadamente a CML, utilizar essa zona ocidental da Praça do Comércio para instalar serviços culturais.

• Uma hipótese viável é destinar parte dessas instalações ao Clnt25Abril, mas essa solução apenas poderá ser analisada e discutida depois das próximas eleições autárquicas, pois pode haver mudanças na liderança da CML. No entanto, não invalida que o Governo possa ir analisando com a A25A as necessidades concretas para a instalação do Clnt25Abril.

• O Governo está aberto a estudar qualquer outra hipótese de instalação do Clnt25Abril, seja em Lisboa, seja noutro ponto do país.

Perante este cenário e estes factos, o Presidente da Direcção da A25A teve oportunidade de acentuar alguns pontos, que aqui repetimos e complementamos:

• O Estado, através dos seus maiores responsáveis, tomou uma decisão: criar o CInt25Abril, no decurso das Comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril.

• O Estado assumiu compromissos com diversas entidades envolvidas nesse processo.

• O Estado decidiu, de forma unilateral e arbitrária, não cumprir o compromisso oficialmente assumido.

• Estas circunstâncias fazem com que o Estado, por acção do seu Poder Executivo, se transforme numa entidade não credível, não confiável, isto é, sem o estatuto de "Pessoa de Bem".

• O Estado, embora já tenha decidido (há mais de um ano), e procedido em conformidade, não cumpriu o compromisso assumido, protelou uma natural e obrigatória informação às entidades envolvidas, não teve um mínimo de consideração para com as mesmas e não as informou da sua posição, daí resultando prejuízos inevitáveis e não contabilizáveis, nomeadamente o facto de terem vindo a ser feitos estudos e projectos, cujo pagamento não vemos estar previsto.

Inesperadamente, o Governo decidiu ignorar todos os compromissos assumidos, nomeadamente as competências da Comissão Nacional e da Comissão Executiva (que vem organizando, de forma exemplar, os actos constantes do programa comemorativo aprovado) e nomeou uma comissão “apartidária e independente” (!!!) para organizar as comemorações dos 50 anos do 25 de Novembro e dos actos daí resultantes.

Na resolução aprovada (Resolução do Conselho de Ministros n.º 132-A/2025), para além de outras incongruências, somos surpreendidos com a afirmação de que “com o 25 de Novembro (…) foi possível realizar em 25 de Abril de 1976 as primeiras eleições livres e democráticas em Portugal, por sufrágio directo e universal”.

Essa afirmação omite as eleições para a Assembleia Constituinte em 25 de Abril de 1975, essas sim as primeiras eleições livres e democráticas em Portugal, por sufrágio directo e universal, que tiveram o reconhecimento unânime, nos âmbitos nacional e internacional.

Porquê esta afirmação, do Conselho de Ministros?

Porquê o esquecimento/deturpação, apesar de os resultados então verificados terem sido altamente benéficos para as forças políticas que agora assim procedem?

Só vemos uma justificação: o 25 de Novembro que vão comemorar pretende ostensivamente ignorar a verdade histórica e tudo o que signifique liberdade, partidos políticos, democracia e fim da guerra, isto é, a essência do 25 de Abril.

Não vamos aqui escalpelizar esta situação, não podendo, contudo, deixar de manifestar o nosso total desacordo e condenação desta atitude do Governo, que consideramos inqualificável e incompreensível.

Como está previsto no programa aprovado pela Comissão Nacional, a Comissão Executiva está a preparar a evocação do 25 de Novembro e, para além de outras iniciativas, lançou já as coordenadas para um seminário a realizar, no próprio dia 25 de Novembro, nas instalações da Fundação Calouste Gulbenkian, que se prevê que seja presidido pelo Presidente da República.

Naturalmente, a Associação 25 de Abril rejeita quaisquer ligações institucionais à comissão criada pelo Governo para as Comemorações do 25 de Novembro.

Não podemos, contudo, deixar de reafirmar:

• A nossa profunda repulsa e condenação face a um inaceitável posicionamento e procedimento do Estado, para com a Associação 25 de Abril, o mesmo é dizer para com o próprio 25 de Abril de 1974.

• A constatação da inoperância dos serviços do Estado, servindo objectivamente a desvalorização do 25 de Abril, manietados por uma enorme burocracia, revelam uma enorme incompetência em assumir decisões e implementar as mesmas.

No entanto, como representantes dos que libertaram Portugal da ditadura e instalaram a Liberdade, a Paz, a Democracia e o Estado de Direito (onde cabem, não só o 25 de Abril, mas também todos os obstáculos que tiveram de enfrentar e ultrapassar – 28 de Setembro, 11 de Março, 25 de Novembro - para que isso fosse uma realidade), existe uma questão que consideramos essencial esclarecer e clarificar de vez.

Assume este Governo o 25 de Abril como acontecimento de importante relevância na História de Portugal?

Se sim, assume o Governo a vontade e a decisão de criar as devidas e necessárias condições para que essa História seja transmitida às novas gerações, facultando-lhes o poderem orgulhar-se de os portugueses terem protagonizado um acontecimento único na História Universal, na defesa dos Direitos Humanos, e dar-lhes alento para que evitem que em Portugal volte a haver uma noite escura, de repressão dos mais elementares desses Direitos? Ou o Governo, na senda de movimentos cada vez mais presentes, decide optar pela defesa de soluções que, inevitavelmente, nos levarão ao regresso dos tempos sombrios, esconjurados em 25 de Abril de 1974?

O tempo não é de hesitações. Impõe-se clareza e não ambiguidades.

Por fim, permita-se-nos um desabafo:

O Mundo está em mudança. Os horrores das ditaduras e dos autoritarismos aproximam-se a passos largos.

Os defensores dos Valores Humanos, dos Direitos da Liberdade, da Paz, da Igualdade, da Justiça, vêem aproximar-se pesadelos que julgavam erradicados de vez.

Em Portugal, tal como noutros espaços do planeta, o fantasma do terror está cada vez mais perto. Torna-se cada vez mais urgente que nos unamos à volta desses valores, à volta dos Valores de Abril!

Por isso, em momentos de eleições, pedimos aos diversos candidatos, seja nas eleições autárquicas que se aproximam, seja nas eleições presidenciais que também nos batem à porta, que se manifestem sobre este tema.

A Associação 25 de Abril interrogou-se se deveria ou não abandonar de imediato a Comissão Nacional e, consequentemente, a sua colaboração com a Comissão Executiva.

Porque os objectivos de defesa dos Valores que há 51 anos nos lançaram na epopeia libertadora de Portugal se conservam actuais e perenes, e por respeito a Sua Excelência o Presidente da República, acrescido da elevada consideração para com a Comissária Executiva, a Professora Doutora Maria Inácia Rezola, decidiu não o fazer e continuar a luta iniciada há 52 anos, e que mantemos, por um Portugal Livre, em Paz, Democrático, Justo e Solidário.

Por mais que os tempos actuais nos tentem convencer de que parece dificil ou até impossível, é necessário, volta a ser necessário e imprescindível, gritar, com força e vigor renovados:

25 de Abril, Sempre!

Lisboa, 18 de Setembro de 2025

A Direcção

Da Associação 25 de Abril

Comunicado

Vídeo da Conferência de Imprensa

 


 

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Galiza – Associação de Docentes de Português na Galiza (DPG) lança atividade escolar para celebrar os 500 anos do nascimento de Camões

Para celebrar os 500 anos do nascimento de Camões, a DPG lança uma proposta de atividade para as escolas galegas

Este ano comemora-se o quinto centenário do nascimento de Luís de Camões (1524-1580), e está a ser celebrado em Portugal e em várias comunidades lusófonas, em reconhecimento da sua importância para a literatura e, até, identidade portuguesas. E a associação de Docentes de Português na Galiza também quer fazer parte da celebração.

A proposta é para trabalhar nas aulas de português, e nas de galego ou outra qualquer se alguém assim quiser. O exercício para o alunado é escolherem um poema, treinarem a sua leitura e depois gravarem-se a o recitarem, a o declamarem ou a o lerem simplesmente. O resultado disso será um vídeo que produzirá a DPG com todas as pessoas que participem a lerem os versos do maior poeta da língua portuguesa que era tataraneto de um galego. 

Camões, autor de Os Lusíadas, é uma figura central na literatura e cultura de Portugal, e, por extensão, de todo o mundo de expressão portuguesa. Apesar de não se saber a data exata de seu nascimento, 2024 foi escolhido para marcar os 500 anos da sua vida e salientar a sua contribuição literária.

As comemorações começaram no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, celebrado a 10 de junho e continuam ao longo de todo o presente ano. Sendo que, no dia 1 de dezembro também se comemora a Restauração da Independência de Portugal da coroa espanhola de 1640, depois de 60 anos de «União Ibérica», da DPG lançam uma proposta de comemoração da vida e obra desta tão importante personagem que, aliás, tem uma origem galega quinhentista, pois o seu tataravô era um fidalgo e trovador da Costa da Morte. In “Portal Galego da Língua” - Galiza




terça-feira, 29 de outubro de 2024

Macau – Entrevista com José Cardoso Bernardes, presidente da Comissão Nacional de Portugal para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís Vaz de Camões

O ano de 2024 tem sido pródigo em várias celebrações de uma efeméride que muito toca a identidade lusitana: os 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões. Foi à volta do tema que o Jornal Tribuna de Macau entrevistou José Cardoso Bernardes, presidente da Comissão Nacional de Portugal para as Comemorações do V Centenário do Nascimento do poeta. Como parte do programa, que será apresentado em Lisboa dentro de dias, foram feitos contactos para a participação de Macau nas comemorações. “Acreditamos na resposta das entidades locais”, disse o professor catedrático, que se encontra no território para proferir algumas palestras. O académico salienta que a grande aposta no ensino de Camões tem de ser feita nos professores. “Eles são os mediadores e necessitam de formação camonística”, frisou


- Qual é o objectivo desta sua deslocação a Macau?

- Esta vinda estava prevista há um ano, quando eu ainda não exercia este cargo. O convite foi-me feito pela Universidade de Macau para vir proferir uma série de palestras e só lateralmente é que viria a falar de Camões. Entretanto, assumi o cargo em 12 de Setembro passado e a visita transformou-se numa espécie de cruzada camoniana. Portanto, não foi um convite que possa integrar-se no âmbito das comemorações.

- Sabemos que irá proferir várias palestras. Que temas vai abordar?

- Vou falar sobre o ensino de Camões, o ensino de Camões em Portugal, o ensino do poeta nas escolas portuguesas espalhadas pelo mundo. De resto, as comemorações camonianas vão ter uma grande componente dedicada ao ensino. Porque é na escola que os portugueses se encontram com Camões, é aí que se decide tudo. É aí que os portugueses guardam ou não guardam uma imagem boa do contacto com as obras do poeta e a percepção que nós temos é que a escola está em mudança profunda.

- E de que forma é possível levar a efeito essa reforma no ensino sobre Camões?

- Adaptar conteúdos que normalmente não causam estranheza a alunos portugueses, mas causam uma estranheza enorme a alunos de culturas muito diversas. E, portanto, as acumulações vão acentuar muito a dimensão do ensino. É preciso intervir, discutir, debater se realmente da maneira como estamos a ensinar Camões hoje se adequa às realidades novas. Se não for assim, é preciso ter a coragem de mudar, de ajustar.

- O que pode e deve ser feito para divulgar a obra de Luís de Camões nas escolas portuguesas no estrangeiro?

- É nosso propósito deslocarmo-nos a cada uma das escolas portuguesas no estrangeiro. Aqui em Macau, eu próprio vou fazer isso, vou falar para alunos, vou falar para professores e tenciono depois prolongar essa excursão pelas outras escolas, em Moçambique, Dili, Luanda, etc.

- Isso acontecerá ao longo do próximo ano?

- Será durante 2025 e 2026, porque as comemorações vão até 2026. Temos também programadas acções em todas as cátedras portuguesas espalhadas pelo mundo e nas universidades onde, não existindo cátedras, o departamento de português ou o ensino de português tem alguma importância.

- Há, então, uma grande vontade em falar do poeta aos alunos que se encontram fora de Portugal?

- Vamos empenhar-nos muito em falar de Camões para os portugueses da diáspora.

- O que está pensado para Macau?

- Macau tem muitas vantagens em relação a isso, porque tem a língua portuguesa e os alunos da Escola Portuguesa. Todos eles sabem ou julgam que já têm muito conhecimento de Camões, ainda que neste momento a Escola Portuguesa tenha mais alunos que não falam português, que não são de língua portuguesa materna, do que os que são oriundos de Portugal, o que havia antigamente. Eu costumo dizer que Camões é o primeiro poeta que incorpora a ideia de mundo na sua obra, ou seja, é possível falar de Camões a qualquer interlocutor independentemente de ele ser português ou não, independentemente de ele estar em Macau ou em Lisboa, porque as personagens e as situações que Camões criou, tanto n’ “Os Lusíadas” como na lírica, interpelam a espécie humana no seu todo.

- Houve algumas críticas porque o programa das comemorações dos 500 anos do nascimento de Camões tardava em aparecer. O que levou a que fosse delineado tão tardiamente? Não é quase como que uma desconsideração por Camões?

- Tenho dificuldade em responder a essa questão. Eu fui nomeado no dia 12 de Setembro deste ano e foi-me confiada uma tarefa que estou a procurar executar. O que aconteceu é que, entre 2021, data em que o Governo da altura nomeou uma pessoa para programar as comemorações, e a data da minha própria nomeação, eu não consigo dizer-lhe. Imagino e quero crer que essa pessoa fez o que pôde. Terá havido algum descaso do Governo, pelo menos foram as declarações que vieram a público. O Governo nomeou a pessoa, mas depois não lhe deu os meios. Eu quando assumi o lugar falei com a ministra que me convidou e coloquei condições.

- Que condições?

- Uma delas era dispor de meios, ainda que não abundantes, desde já lhe digo, mas meios para levar por diante um programa digno, e é isso que estou a procurar fazer. O programa está pronto, vai ser anunciado nos primeiros dias de Novembro e envolve muitas vertentes, académica, universitária, digamos convencional. Vamos organizar um dia para Camões em cada capital, distrito, território nacional e nas regiões autónomas. É um padrão. Já temos algumas confirmações, esse programa vai arrancar em Coimbra, no dia 12 de Fevereiro de 2025 e continuar no Funchal, no dia 31 de Março desse mesmo ano, e vai continuar pelas restantes capitais. O que nós queremos é envolver as comunidades educativas nesse dia.

- Como pretende estabelecer esse envolvimento?

- É muito importante para nós envolver os jovens, é muito importante para nós que os jovens guardem de Camões uma imagem prazerosa do seu contacto na escola. E esses dias para Camões têm como objectivo chegar ao grande público, mas com especial incidência nas escolas, nas comunidades educativas, nos jovens. É possível e necessário falar de Camões num congresso universitário, mas também é possível, e é muito desejável e muito necessário, falar de Camões de forma acessível a um rapaz, a uma menina, que tenham hoje 14 ou 15 anos. Não é fácil, mas é necessário.

- Em concreto, o que é que o programa prevê para Macau?

- Nós temos como princípio dirigirmo-nos às entidades locais, é isso que temos estado a fazer e acreditamos na resposta das entidades locais. Acredito que as universidades, o Instituto Cultural, o Instituto Português do Oriente, a Escola Portuguesa de Macau, se organizem. Estamos a aguardar respostas.

- Quais são as suas ideias?

- As comemorações têm de ser feitas de acordo com a escala, com as aspirações, com os desejos, com as necessidades que cada entidade local entende que se ajusta mais. Aqui em Macau já foi feito um congresso sobre Camões. A Rede da Ásia vai fazer agora o segundo congresso em 2025 na Ilha de Moçambique, mobilizando, no entanto, pessoas de Macau, mas eu confesso que valorizo muito uma ida de um professor à Escola Portuguesa de Macau, isso é como morar em Camões. Valorizo muito uma conferência que é proferida no Instituto Português do Oriente, na Fundação Rui Cunha, que é o que eu vou fazer. Não é preciso que haja uma sessão solene sobre Camões. São maneiras convencionais de o celebrar. Eu valorizo mais as pequenas iniciativas que chegam aos jovens, mas que sejam frequentes, regulares. Por exemplo, uma iniciativa que tenha impacto junto dos professores, porque eles são os mediadores e necessitam de formação camonística.

- Esse papel deve, então, caber às escolas?

- Em Portugal é assim, eu não sei o que acontece na Escola Portuguesa de Macau, que não conheço. Em Portugal nós organizamos acções de formação para os professores comparecerem, às vezes centenas de professores de Português, e uma grande percentagem desses docentes que ensinam Camões no 9º e 10º ano, nunca aprenderam Camões nas universidades. Isto tem de ser corrigido. Se uma pessoa vai ensinar Português a vida inteira, alguma vez tem de ter ouvido falar em Camões, porque depois o vai ensinar. E o problema é que Camões não pode ser ensinado como outro escritor qualquer. Um aluno de 14 ou 15 anos, que se abeira de “Os Lusíadas” sem um mediador qualificado, não consegue entender nada. Ou consegue entender pouco. Por isso é preciso apostar na formação de professores.

- Como é que Macau deveria comemorar Camões? Com uma sessão solene, com muitas flores, com grande aparato, ou com acções pontuais?

- Eu diria que com acções que sensibilizem os professores que têm essa missão. A missão de contagiar os alunos com o seu próprio entusiasmo. Eu optaria por esta modalidade. Camões disse sempre de si próprio que nunca teve sorte, mas nós tivemos sorte daquilo que ele deixou, que já não é mau. A sorte de Camões joga-se na escola. Para as pessoas que não tiveram a sorte de ir à escola, o poeta é uma espécie de ícone da pátria. E quanto mais longe se está da pátria, mais se valoriza esse ícone. Camões está na escola e é lá que os portugueses e aqueles que frequentam escolas portuguesas, o conhecem.

- Em relação ao poeta e à vida dele, há muitas incertezas e contradições. No que toca a Macau, o que há de concreto?

- À luz daquilo que hoje se sabe, e sabe-se mais hoje do que há cinco ou 10 anos, a presença de Camões em Macau é pelo menos muito provável. Claro que não está documentada com nenhuma certidão, mas é muito provável. Há documentos, pelo menos do século XVIII, que aludem àquele lugar como as pedras de Camões. Isto não é probatório, quer dizer, não certifica, mas o que prova é que há 250 anos a tradição que hoje existe já existia na altura.

- Aqui escreveu parte de “Os Lusíadas”?

- Isso também não se sabe, porque não há um único autógrafo de Camões, mas eu acho que ele nunca deixou de escrever os Lusíadas estivesse onde estivesse.

- Aquando da sua primeira deslocação a Macau, em 2014, visitou a gruta e o busto de Camões. As diferenças para o que ali se encontra hoje são pequenas. Com que impressões ficou do local?

- Tal como hoje se encontram, as lajes com o busto do poeta assinalam uma memória camoniana intensa e comovente. A tradição e também alguns documentos antigos associam aquele lugar à passagem de Camões por Macau. Ora, se o poeta esteve naquele ou noutro lugar, algures na década de 60 do século XVI, é certo que aí pensou e escreveu parte d’ “Os Lusíadas”. Pelo menos nessa fase da sua vida, ele estava sempre a escrever o seu poema. A escrever literalmente ou mentalmente. Não podia deixar de ter os versos a ressoar na sua cabeça. Para além da base histórica que parece ter, aquele lugar tem, por isso, uma força evocativa incomparável.

- Que conhecimento tem sobre o ensino do Português no estrangeiro? Na China, por exemplo?

- Diz-se que há um número crescente de universidades chinesas a desenvolver o ensino do Português, que antes estava confinado a Macau e hoje existe uma multiplicidade. Compreende-se que assim seja, a China tem uma grande presença em África e quer acentuar, há indicadores muito claros de que assim será. Portanto, tem muito interesse.

- Mas há também o inverso. Portugal recebe muitos estudantes chineses que querem aprender e aperfeiçoar o Português…

- Eu falo-lhe especificamente de Coimbra, que é onde vivo e dou aulas. Nós recebemos, mas em outras universidades do país também, contingentes crescentes de alunos que se deslocam a Coimbra para frequentar cursos anuais, já não apenas cursos de férias, para adquirirem proficiência no Português, e quando lhes perguntamos porquê, respondem que depois querem ir para África, para Moçambique, Angola, para o mundo lusófono, que é um mundo com potencialidades económicas enormes. E há muitos alunos de Macau que vão fazer esses cursos.

- Por tudo isso, a relação entre Macau e Coimbra parece forte e duradoura. Isso é uma realidade?

- Posso dizer-lhe que Coimbra sempre teve uma ligação muito forte ao território de Macau, até pela via desportiva, nós tivemos jogadores macaenses, como o Rocha, e depois o filho. Jogaram os dois na Académica de Coimbra e ainda hoje têm, que eu saiba, um restaurante famoso em Coimbra, onde se serve, dizem, a melhor comida macaense. Portanto, Coimbra tem uma relação tradicional com o território de Macau. Entretanto, vai chegar a Macau um vice-reitor da Universidade de Coimbra. O circuito Coimbra - Macau está sempre a funcionar. Está sempre aberto.

Quem é José Augusto Cardoso Bernardes?

José Augusto Cardoso Bernardes, de 66 anos, é professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde tem sobretudo regido cadeiras no âmbito da Literatura Portuguesa do século XVI e da Didáctica da Literatura. Foi membro do Conselho Nacional de Educação, tendo coordenado o Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos e o Centro de Literatura Portuguesa. Publicou “O Bucolismo Português”, “Sátira e Lirismo no teatro de Gil Vicente”, “História Crítica da Literatura Portuguesa Vol. II – Humanismo e Renascimento”, “Revisões de Gil Vicente” e “A Literatura no Ensino Secundário”. Assumiu, há pouco mais de um mês, o cargo de presidente da Comissão Nacional de Portugal para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Portugal - O ato de partilha mais generoso de Camões foi o da Língua – comissária das comemorações dos 500 anos

O ato de partilha “mais generoso” na busca de Camões foi “a Língua portuguesa”, que o poeta aperfeiçoou, afirmou neste 10 Junho a comissária das comemorações do 500.º aniversário do nascimento do autor d’”Os Lusíadas”


“Talvez o ato de partilha mais generoso dessa busca de Luís de Camões e do Portugal do seu tempo tenha sido a Língua portuguesa, a Língua que o poeta modelou e aperfeiçoou em versos de rara fineza”, afirmou Rita Marnoto, a comissária da estrutura de missão responsável pelas comemorações do quinto centenário do nascimento de Luís de Camões.

A também professora catedrática da Universidade de Coimbra discursava na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, na cerimónia de arranque das comemorações do quinto centenário do nascimento de Camões, iniciativa que integra o programa oficial do 10 de Junho.

Perante uma plateia onde estavam o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, José Aguiar-Branco, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, Rita Marnoto realçou a projeção da obra de Camões, quer no tempo quer no espaço, colocando o poeta no “patamar dos clássicos”, dos grandes autores “capazes de surpreender o seu próprio tempo e de continuar a questionar e a inquietar, ao caso, cinco séculos de história, até hoje”.

No seu discurso, a catedrática destacou também a forma como o Oceano Atlântico passou a ser navegado, ao longo de cinco séculos, “através da língua portuguesa”, através de viagens de poetas, nomeadamente de Camões.

No entanto, Rita Marnoto, não esqueceu que essas viagens de “experiência conhecimento” naquele oceano, foram também “viagens trágicas de negreiros, de tráfico humano e de corso, de deportação e de sofrimento”.

“Viagens de ‘morabeza’ [regionalismo do crioulo cabo-verdiano associado a amabilidade] e de saudade, em que a chegada nunca corta as amarras da partida”, acrescentou.

Na sua intervenção, a comissária realçou ainda a forma como Camões era um “ser insatisfeito”, que indagava pelos “meandros da intimidade, entre sonhos e desilusões” e que se destacava por refletir sobre o confronto “entre opostos ou a errância”.

Rita Marnoto notou também a forma como o poeta contamina a tradição literária, seja quando põe “uma mulher, Vénus” a achar a frota de Vasco da Gama, no final da sua viagem, ou quando põe em causa a ideia de beleza, tradicionalmente assente numa mulher “loura e com pele clara”.

“Os cabelos escuros de Bárbora e a sua pretidão são inconciliáveis com o padrão literário”, referiu a especialista, considerando que, o fascínio de Camões é tal, que o leva a “operar uma inversão do ideal de beleza”.

“Os seus cabelos pretos são tão belos, que há que rever a opinião que dá primazia aos louros, e a cor da sua pele faz com que seja a neve a querer mudar de cor”, notou.

Antes da comissária, discursou o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão que salientou a ligação que o poeta terá tido com a cidade, que é “uma forte candidata a ser reconhecida como lugar de formação do maior poeta de língua portuguesa”.

Na sua intervenção, Amílcar Falcão considerou que “a pátria de Camões não era tanto o Portugal real, mas o Portugal sonhado”.

“O Portugal tornado mundo na ilha dos amores. Nessa ilha sem tempo e sem lugar, onde apenas conseguem chegar os que superam os medos e se superam a si próprios”, vincou.

Também o reitor da Universidade de Coimbra destacou a “causa da língua portuguesa” como uma das causas que o poeta serviu, sublinhando que uma das grandes tónicas da obra de Camões foi “a busca do conhecimento, e a certeza de que essa será sempre uma busca inacabada”.

Comemorações

As comemorações do V centenário do nascimento de Luís de Camões arrancam oficialmente neste dia 10, dia em que se assinala também o aniversário da sua morte, estando prevista uma programação que se estenderá até 10 de junho de 2026.

Do programa das comemorações, comissariado pela professora, investigadora e especialista na obra de Luís de Camões Rita Marnoto, fazem parte espetáculos para teatro e cinema, iniciativas de comunicação através das redes digitais, programas para televisão e exposições.

Estão também previstas publicações especiais, um concurso escolar para professores e alunos, bem como ações de formação, segundo a programação apresentada pelo Ministério da Cultura na passada quarta-feira.

Entre as iniciativas para teatro e cinema, contam-se a representação da comédia “Filodemo”, em parceria com o Teatro Nacional D. Maria II, a elaboração de um breve filme de animação sobre a vida de Camões para os primeiros ciclos do ensino básico, e contratação de peças sobre o mesmo tema para apresentar em escolas.

Está prevista igualmente a realização de um ciclo de debates na Cinemateca Portuguesa sobre Camões, que terão por base os encontros da Biblioteca Nacional de Portugal e a colaboração com o Instituto do Cinema e do Audiovisual.

No âmbito da televisão, serão estabelecidas parcerias para leitura regular de poemas de Camões, será criado um programa em parceria com a RTP2 sobre o poeta e um documentário sobre a iconografia camoniana.

Será organizada uma grande exposição na Biblioteca Nacional de Portugal, intitulada “Revisitar Camões”, e exposições bibliográficas, uma itinerante para as escolas do 2.º e 3.º ciclos dos ensinos básico e secundário, e outra em parceria com o Instituto Camões, que percorrerá Goa, Macau, a Ilha de Moçambique e outros pontos do mundo onde se ensina a língua portuguesa.

No que respeita a publicações, há um plano especial de edições que inclui a reedição de livros e a publicação de inéditos, pela Biblioteca Nacional de Portugal, em parceria com a Imprensa Nacional Casa da Moeda.

As redes digitais vão desempenhar também um papel importante nestas celebrações, com a criação de uma plataforma de informação e acesso a conteúdos camonianos, a elaboração de um audiolivro de “Os Lusíadas” e da “Lírica de Camões” para distribuir pela rede escolar, em ficheiro de acesso livre, e a produção de uma série de 12 ‘podcasts’ sobre Camões, tendo cada episódio um convidado diferente. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


sábado, 25 de maio de 2024

Portugal - Diferentes organizações no país assinalam o Dia de África com iniciativas variadas

Lisboa - Música, ateliê de arte, exposição, gastronomia, debates e narração de contos africanos estão entre as iniciativas que várias organizações em Portugal têm programado para comemorar o Dia de Africa, assinalado este sábado, 25 de Maio.

A Federação Académica Africana de Portugal tem programado a segunda edição do “Dia d’África - Berço da Humanidade”, que irá decorrer no Teatro Thalia, em Lisboa, em que, de acordo com a agenda, entre as actividades, haverá um painel de discussão sobre “Desenvolvimento dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa”, com a oradora Teresa Damásio.

Para este sábado, o Município de Alvito, distrito de Beja, região do Alentejo, tem durante o dia um conjunto de actividades, das 09:30 às 18:00, com dois painéis em debate, sendo o primeiro sobre “África hoje, que desafios”, no auditório do Centro Cultura Raul de Carvalho, e o segundo painel sobre “Desafios na construção de futuros para estudantes africanos dos ensinos profissional e universitários em Portugal”.

O dia em Alvito também será marcado com projecções de vídeos sobre as “comunidades africanas”, degustação de pratos tradicionais africanos, lançamento do livro “Cantigas de mininus” de Mariana Ferreira, exposições e danças.

No município de Fundão, no distrito de Castelo Branco, através do Centro para as Migrações, assinala-se a data com uma “Apresentação do Dia de África e a sua história”, com performance de música africana no Atelier de Artes José Vilhena, passagem de modas com vestuários e penteados africanos e danças africanas.

Também na sua agenda, a Biblioteca Municipal de Oeiras tem programado a comemoração do dia, com uma minimaratona de contos africanos, visando “envolver a comunidade nesta celebração, num objectivo mais vasto que é o de contribuir para o diálogo intercultural entre povos”.

“Esta é uma actividade dirigida a todos aqueles que têm interesse e uma relação afectiva com África, independentemente da sua naturalidade. Definimos como objectivo o estímulo do diálogo intergeracional procurando-se envolver crianças, jovens, adultos e os mais velhos”, explicou o promotor do evento.

Por seu lado, o Museu Nacional de História Natural e da Ciência vai assinalar o Dia de África com um programa de actividades gratuitas, que engloba exposições obre “Panorama do Congo” e “Impulso Fotográfica”, uma conversa sobre “Ritmos africanos: do tradicional ao contemporâneo” com os construtores e executores de instrumentos Mbalango (Moçambique), Mick Trovoado (Angola) e Demba Diabaté (Guiné-Bissau) que no final darão um concerto.

Em Bragança, o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), conjuntamente com a Associação dos Estudantes Africanos em Bragança (AEAB), tem a decorrer de 20 a 25 de Maio, a Semana de África, que teve a abertura presidida pela Presidente da República, José Maria Neves, e com várias actividades programadas, incluindo o I Encontro de Escritores da Lusofonia (grÁfrica) e I Jornadas AfroCiências.

Ainda no dia 22 de Maio, o Núcleo de Estudantes Africanos do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política (ISCSP), da Universidade de Lisboa, promoveu, em celebração ao Dia de África, uma programação variada, que decorreu durante todo o dia com exposição e vendas de livros, artefactos e pinturas, gastronomia angolana, guineense e cabo-verdiana, desfile com roupa africana, debate sobre “África além-fronteiras: diáspora em diálogo” e momentos de poesia e música.

O 25 de Maio é comemorado como o Dia de África, porque foi neste dia, em 1963, que se criou a Organização de Unidade Africana (OUA), em Addis Abeba, na Etiópia, com o objectivo de defender e emancipar o continente africano.

Em 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o dia 25 de Maio como o Dia da África ou o Dia da Libertação da África e em 2002 a OUA foi substituída pela União Africana (UA) mas a celebração da data manteve-se.

Este dia recorda a luta pela independência do continente africano, contra a colonização europeia e contra o regime do Apartheid, assim como simboliza o desejo de um continente mais unido, organizado, desenvolvido e livre, e a data é celebrada em vários países de África e pelos africanos espalhados pelo mundo. In “Inforpress” – Cabo Verde


domingo, 14 de abril de 2024

França - Paris celebra 25 de Abril com evento cultural de primeira grandeza

Às 00h20 do dia 25 de abril de 1974, foi transmitida na rádio Renascença a canção “Grandôla Vila Morena de José Afonso”: foi lançado o sinal definitivo do golpe de Estado contra a ditadura. No final das contas, o ditador Marcelo Caetano – que sucedeu a Salazar em 1968 – foi deposto, marcando o fim da ditadura mais longa da Europa, 48 anos


Durante este período, muitos artistas (por vezes exilados) fizeram campanha contra o regime e a sua opressão: Sophia de Mello Breyner, Mário Cesariny, José Mário Branco, José Afonso, Luís Cília, Maria Teresa Horta… É a estes artistas que em Paris é prestada homenagem convocando a jovem cena portuguesa que é sua herdeira.

E são os seguintes os artistas que no dia 25 de abril vão celebrar a revolução dos cravos em Paris, às 20 horas, no Théâtre de la Ville-Sarah Bernhardt:

Maria Reis

Maria Reis (na foto acima) fará-nos ouvir, além das suas composições, canções de intervenção portuguesas das décadas de 1960 e 1970 como as de José Afonso e José Mário Branco. Hoje é uma das artistas mais procuradas da jovem cena underground portuguesa.

África Negra

Lendário grupo são-tomense fundado no início da década de 1970 por um açougueiro profissional e um guitarrista, o Africa Negra é o grupo mais conhecido do país. Com a independência das duas ilhas ao largo da costa do Gabão em 1975, rapidamente afirmou a sua influência fora do arquipélago. As suas melodias cativantes através da incomparável mistura de ritmos Puxa e Rumba fazem do Africa Negra um dos grupos mais antigos e lendários da cena lusófona. Um concerto único em Paris.

Tânia Carvalho & Joana Gama

A pianista Joana Gama e a coreógrafa e cantora Tânia Carvalho desmembram e estrangulam poemas e canções tradicionais portuguesas para lhes dar nova vida. Uma poética da desconstrução como único processo vitalista possível. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Angola - Exposição “Olhares do Sul” integrada nas comemorações dos 50 anos do 25 de abril de 1974

O Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a Embaixada de Portugal em Luanda, organiza a exposição “Olhares do Sul” no “Camões - Centro Cultural Português em Luanda”, integrada nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974.


Os curadores e dinamizadores da exposição, Helena Freitas (Centro de Ecologia Funcional), Jorge Varanda (Centro em Rede de Investigação em Antropologia) e Ana Margarida Dias da Silva, (Centro de História da Sociedade e da Cultura), vão estar presentes na inauguração, que se realiza no próximo dia 16 de abril, em Luanda, Angola.

Na semana seguinte ao 25 de Abril de 1974, a Representação da Companhia de Diamantes de Angola (Diamang), em Luanda, decidiu reunir e enviar jornais para arquivo junto da Administração em Lisboa. O objetivo desta decisão, referenciado numa comunicação confidencial com a sede, era informar do modo de sentir e interpretar da Imprensa de Angola no relativo aos acontecimentos correlacionados com a ação das Forças Armadas, que levou ao estabelecimento da Junta de Salvação Nacional.

O resultado desta iniciativa permite, hoje, vislumbrar “Olhares do Sul” representados pelas capas de jornais angolanos selecionados para exposição. Esta mostra apresenta 50 capas dos jornais: A Província de Angola, Diário de Luanda, Jornal de Angola, O Angolense, A Tribuna dos Musseques, O Comércio de Angola no período entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Abril de 1975.

Estes jornais fazem parte de uma coleção mais abrangente de recortes de imprensa organizada pela Secção de Relações Públicas da Diamang ao longo de 60 anos (1928-1988). O conjunto destes recortes abre várias janelas sobre o que foi a vivência do momento pós-revolução e permite perceber melhor o impacto e a reação imediata nestes territórios.

Esta exposição é um passo para melhor caracterizar o período do pós-Revolução em Angola e Portugal e assim compreender o emergir de narrativas e memórias históricas sobre este período. Espera-se abrir novos caminhos interpretativos, dialogantes e integradores, nos quais a cidadania, o futuro, a nação e a memória continuarão a ser discutidos.

Para mais informações consultar aqui. Universidade de Coimbra - Portugal



sexta-feira, 29 de março de 2024

França - Programa dos 106 anos da Batalha de La Lys

As quatro cerimónias que assinalam o 106.º aniversário da Batalha de la Lys, homenageando os soldados do Corpo Expedicionário Português (CEP) e as enfermeiras da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) que participaram na Grande Guerra em França, terão lugar no dia 13 de abril, em Richebourg e La Couture, e no dia 14 em Boulogne-sur-Mer e Ambleteuse


De acordo com um comunicado enviado pela embaixada ao Bom Dia, o embaixador de Portugal em França, José Augusto Duarte, presidirá às cerimónias em nome do Estado Português e será acompanhado pelo prefeito de Pas-de-Calais, Jacques Billant, pelo chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas Portuguesas, José Nunes da Fonseca, pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Francesas, Thierry Burkhard, pelo cônsul-geral de Portugal em Paris, Carlos Oliveira, pelos presidentes das Câmaras de Richebourg, La Couture, Boulogne-sur-Mer e Ambleteuse, pelo presidente da Liga dos Combatentes Portugueses, Tenente-General Joaquim Chito Rodrigues, pelo vice-presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Tenente-General Marco Serronha, e por uma delegação de militares das Forças Armadas Portuguesas na Bélgica

O programa começa às 10h45 de sábado no Cemitério Militar Português em Richebourg e continua às 12h15 junto ao Monumento aos Mortos em La Couture, incluindo honras militares à chegada das entidades, deposição de coroas de flores, hinos nacionais, leitura de um poema por alunos das escolas Marcel Lejosne e Sacré-Cœur, canto por um coro de jovens de La Couture e um Porto de honra oferecido a todos os convidados em La Couture.

Após o almoço de convívio (inscrição por correio eletrónico em lacouturecc@orange.fr), haverá uma missa às 16h00 na igreja católica de Saint-Pierre em La Couture.

As celebrações recomeçam no domingo, às 9h50, no cemitério oriental de Boulogne-sur-Mer, seguidas de uma comemoração religiosa às 11h00, diante da Cruz de Cristo no cemitério de Ambleteuse, e prosseguem com uma homenagem aos combatentes do CEP e às enfermeiras da CVP às 12h00, em frente ao monumento da Cruz Vermelha Portuguesa em Ambleteuse, incluindo discursos, deposição de coroas de flores, com a ajuda das crianças do Conselho Municipal da Juventude, homenagens aos mortos, hinos nacionais e saudação aos porta-estandartes. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Alemanha - Colónia comemora 50 anos do 25 de Abril

O Centro do Mundo Lusófono da Universidade Colónia, na Alemanha, começou um ciclo de comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, que inclui uma exposição e concertos, dirigido a portugueses e alemães


“É uma data muito importante para a cultura portuguesa”, sublinhou à Lusa João Martins, um dos organizadores desta iniciativa do ZPW – Zentrum Portugiesichsprachige Welt an der Universität zu Köln, que começou com a inauguração de uma exposição de homenagem a Adriano Correia de Oliveira no dia 02 de fevereiro.

“Tive contacto com algumas pessoas do Centro Artístico e cultural Adriano Correia de Oliveira, sediada em Avintes. É um músico que teve muito relevo na história do 25 de Abril […] descobri que tinham realizado uma exposição de homenagem […] e pensámos que seria interessante apresentar a exposição em Colónia”, adiantou.

Além da exposição, de entrada livre, foi lançado o livro de banda desenhada “O perigoso pacifista” e realizado um concerto de homenagem a Adriano Correia de Oliveira.

“Assim se começou a desenhar o programa. Colocar a exposição patente, traduzi-la para alemão e iniciar contactos para outros eventos e juntar outras associações”, destacou João Martins, a viver na Alemanha há 13 anos.

“Iremos realizar um concerto de fado de Coimbra no dia 15 de março, no dia 20 de abril teremos uma sessão de poemas de abril com crianças que estudam português em Colónia e um concerto no dia 25 de abril com o “Cantvs Portvgueses”, grupo constituído maioritariamente por estudantes da Escola Superior de Música de Colónia”, acrescentou.

As várias iniciativas são abertas a todo o público, focando-se em alemães e portugueses.

“Esperemos atingir o maior número de pessoas, tanto alemães como portugueses (…) A exposição dirige-se a um público mais universitário, mas não queremos direcionar unicamente a este grupo, tentamos fazer publicidade junto às comunidades portuguesas e redes sociais. É aberta a todas as pessoas, não se paga nada”, disse um dos organizadores.

João Martins considera que muitos alemães conhecem a história da revolução e os acontecimentos que rodearam o 25 de Abril de 1974.

“No meio académico é bastante conhecido. As pessoas que viveram o 25 de Abril, mesmo à distância, seguiram os acontecimentos, sabem o que é a ‘Nelkenrevolution’ (Revolução dos Cravos). E há muita gente, alemães, que conhecem detalhes específicos da história (…) Sabem que foi o ditador, Salazar, a guerra colonial”, apontou.

O Centro do Mundo Lusófono da Universidade Colónia organiza este ciclo de comemorações em cooperação com várias associações, entre elas a Sociedade Alemã para os Países Africanos de Língua Portuguesa (DASP) e a Embaixada de Portugal na Alemanha. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”