Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 23 de março de 2025

Itália - Banda desenhada do português António Jorge Gonçalves premiada em Bolonha

A banda desenhada infanto-juvenil “Dita Dor”, inspirada na infância do autor, António Jorge Gonçalves, durante a ditadura salazarista, ganhou o prémio internacional de melhor obra na categoria de banda desenhada infanto-juvenil, em Itália



O livro foi considerado a melhor obra na categoria de banda desenhada infanto-juvenil, no âmbito dos prémios internacionais da feira de Bolonha. Publicado numa coleção literária da Assembleia da República, dirigida aos mais novos, o livro inspira-se na infância de António Jorge Gonçalves, passada ainda em ditadura, uma vez que o autor tinha 9 anos quando aconteceu a revolução de 25 de Abril de 1974.

A partir da experiência pessoal do autor, em família, António Jorge Gonçalves aborda o tempo do Estado Novo e os primeiros anos de democracia, referindo não só momentos históricos (como a morte de Salazar, a Guerra Colonial, a revolução, etc), mas também as subtilezas do quotidiano e dos costumes dos portugueses.

Para a organização da feira, “Dita Dor” é um livro importante para os tempos atuais, pois “demonstra como, em pouco tempo, uma democracia se pode transformar numa ditadura, e pode ensinar os jovens a reconhecer os sinais do fascismo e a lutar pela liberdade”.

O livro foi lançado em 2024, no âmbito de coleção literária intitulada “Missão Democracia”, lançada pela Assembleia da República, a propósito dos 50 anos da “Revolução dos Cravos”.

Sobre o autor

Nascido em Lisboa em 1964, António Jorge Gonçalves descreve-se como um “autor de novelas gráficas, performer visual e professor”, como se lê na página oficial, mas também expõe regularmente e faz ilustração em nome próprio e para outros autores. “Barriga da baleia”, “Eu quero a minha cabeça” e “Estás tão crescida” são alguns dos livros ilustrados para a infância que o referido autor já publicou.

Refira-se que António Jorge Gonçalves soma já vários prémios, nomeadamente no Festival BD Amadora, no World Press Cartoon e no Prémio Nacional de Ilustração, que venceu na edição de 2013. Nos prémios da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, há ainda a destacar uma menção especial, na categoria de banda desenhada para primeiros leitores, para o livro “O Sr. Gato Mágico”, do autor brasileiro Henrique Coser Moreira, publicado pela Planeta Tangerina.

A feira de Bolonha já distinguiu a literatura ilustrada portuguesa em anos anteriores, em primeiros prémios e menções especiais. Em 2019, o livro “Atlas das viagens e dos exploradores”, de Isabel Minhós Martins e Bernardo P. Carvalho, venceu na categoria Não Ficção. Em 2015, “Lá fora: guia para descobrir a natureza”, de Maria Ana Figueiredo Peixe Dias e Inês Teixeira do Rosário, ilustrada também por Bernardo P. Carvalho, venceu na categoria Opera Prima. Ambos foram publicados pela Planeta Tangerina.

Considerada a mais relevante feira de negócios e dedicada ao mercado livreiro infantil e juvenil, a 62.ª edição da feira de Bolonha decorrerá de 31 de março a 3 de abril. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Macau - “A história colonial deixou para as gerações seguintes um legado de racismo e de injustiça”

Música, texto e imagem irão conjugar-se em cena para contar a História do Brasil, e a luta das populações negras e periféricas em busca de reconhecimento, direitos e dignidade. “Samba de Guerrilha – História do Brasil em três actos”, conta com a narração de Nádia Yracema, cenografia multimédia desenhada em tempo real por António Jorge Gonçalves, e música a cargo de Luca Argel e a sua banda, que estarão no palco do Teatro Broadway este sábado, dia 14 de Outubro.

A “ópera-samba” do artista carioca radicado no Porto é dividida em três actos, em que cada canção é antecedida por uma narração que faz uma contextualização histórica e social de cada momento. Composto por versões modernas de clássicos do samba, resultado de seis anos de pesquisa histórica, “Samba de Guerrilha” parte da premissa de demonstrar como a herança do colonialismo continua, ainda hoje, a condicionar a vida de milhões de pessoas, sob a forma de racismo, pobreza e discriminação social.

Ao Ponto Final, o músico e poeta falou das suas expectativas quanto à vinda a Macau, o processo criativo da encenação do espectáculo, e a importância de continuar a educar o público para desmantelar estigmas sociais que persistem mesmo após o fim do colonialismo.

É a primeira vez em Macau, quais são as suas expectativas?

Sim, é a primeiríssima vez. Estamos, acho que falo pela equipa toda, muito animados em levar o “Samba de Guerrilha” pela primeira vez para fora de Portugal. Eu, pessoalmente, estou curioso com tudo, não só com a parte do espectáculo, do festival, do público, mas também em conhecer o lugar, ver as ruas, provar as comidas, ouvir a língua… Tenho a certeza que vai ser uma viagem inesquecível.

Como foi o processo de selecção dos diferentes sambas que figuram neste espectáculo que traz a Macau? Foram as músicas que inspiraram o texto, ou foi-se encontrando músicas para ajudar a ilustrar a narrativa do espectáculo?

Todo esse processo faz parte de uma investigação continuada sobre a história do samba, que venho desenvolvendo desde pelo menos 2016, e que ainda não parou. Da primeira versão do espectáculo para a que vamos apresentar no dia 14, já houve alteração de repertório, e talvez ainda haja outras no futuro, conforme vamos descobrindo mais histórias. Eu acho que as histórias vêm sempre na frente. É a vontade de contá-las, dispô-las de uma maneira que nos ajude a compreender a realidade no presente. Alguns sambas ajudam a contar as histórias porque foram escritos enquanto elas aconteciam, são testemunhas do seu tempo. Por isso estão no espetáculo.

E a colaboração com o ilustrador António Jorge Gonçalves, como surgiu? Como funciona o processo de desenho em tempo real em palco?

Como eu estou o tempo todo de costas para a tela durante o espectáculo, nunca consegui ver em tempo real o que o António vai fazendo! É uma pena… Mas depois vejo os vídeos e fico maravilhado. O que nós queríamos era uma “cenografia” que tivesse a capacidade de complementar o texto e as músicas. Que não fosse apenas um pano de fundo, ou uma repetição daquilo que é dito, mas uma outra voz, que traz informações que às vezes as palavras não conseguem alcançar. E o António é perfeito para esta função, porque trabalha precisamente com essa mentalidade. Durante as músicas consegue transitar entre traços abstratos e figurativos, e durante a narração nos apresenta imagens documentais, que depois vai manipulando e subvertendo, conforme se desenrola a história.

Imagino que na concepção deste “Samba de Guerrilha” tenha tido em conta que este iria ser apresentado principalmente a portugueses e outros públicos de países lusófonos, que não são tão versados na história do seu país. Acha que o espectáculo consegue ser compreendido por todos?

Este é o nosso grande desafio. Será a primeira vez que o apresentamos a um público que pode maioritariamente não ser nem português, nem brasileiro. Pensando nisso, nós adaptámos um pouco o texto, enxugando referências que eram muito localizadas. No entanto, o “Samba de Guerrilha” sempre foi um projecto voltado, de raiz, para um público não especializado. Não temos a ambição de em uma hora e meia contar toda a história do samba. De jeito nenhum. A nossa ideia é abrir portas, apresentar um universo cultural muito rico, e estimular o público a continuar a desbravá-lo depois que as cortinas fecham.

Qual a importância para si de contar esta parte da história do seu país?

Transformar o presente, que é muito violento e desigual. A história, junto com a música, o texto, e a imagem, são as nossas ferramentas de eleição para compreender de onde vêm os problemas sociais da actualidade, e sensibilizar o público para a importância de interromper os seus ciclos. A história colonial que nos é comum deixou para as gerações seguintes um legado de racismo e de injustiça com o qual ainda não conseguimos romper. A importância do “Samba de Guerrilha” reside aí. Quem me dera um mundo onde ele não fosse mais necessário. Mas enquanto for, cá estaremos. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Macau - 12.º Festival Literário

Vem aí o 12.º Festival Literário de Macau: entre os dias 6 e 15 de Outubro, Macau vai acolher os autores Francisco José Viegas, Valério Romão e Yara Monteiro, depois de três anos sem um programa internacional. No dia 14 de Outubro, a ópera samba “Samba de Guerrilha”, de Luca Argel, vai ser apresentada no Teatro Broadway, e o festival contará ainda com as habituais apresentações de livros de autores locais, exposições, projecções de filmes, e ainda com homenagens póstumas a Luís de Camões, Henrique de Senna Fernandes, Pablo Neruda, W’H Auden e J.R.R. Tolkien


Entre os dias 6 e 15 de Outubro, a cidade volta a abraçar a literatura lusófona e não só, com mais um Festival Literário de Macau. Na sua 12ª edição, há três anos que o Rota das Letras não acolhia artistas internacionais. A ópera samba do brasileiro Luca Argel é o espectáculo de destaque: “Samba de Guerrilha – História do Brasil em três actos” subirá ao palco do Teatro Broadway a 14 de Outubro, com legendas em chinês e inglês. Os bilhetes já se encontram à venda.

A organização do festival revelou os primeiros nomes de escritores lusófonos que vêm a Macau:  Francisco José Viegas, Valério Romão e Yara Monteiro. Estes e outros escritores vão participar em diversas palestras que este ano irão decorrer maioritariamente na Casa Garden e na Livraria Portuguesa. A programação do Festival Literário incluirá ainda diversos eventos de lançamento de livros de autores locais, projecções de filmes, e exposições, num programa que será divulgado nos próximos meses, indicou a organização.

Como habitualmente, o festival também vai celebrar escritores conceituados do passado:  Luís de Camões, Henrique de Senna Fernandes, Pablo Neruda, W’H Auden e J.R.R. Tolkien são os autores de relevo na edição deste ano. O festival vai celebrar o 500.º aniversário do nascimento do maior poeta português, Luís de Camões, o autor da obra épica ‘Os Lusíadas’, que foi parcialmente escrita em Macau. Henrique de Senna Fernandes, respeitado escritor macaense e contador de histórias do Macau antigo, como na célebre obra “A Trança Feiticeira”, completaria 100 anos de idade no dia 15 de Outubro, data em que o festival também encerra. O legado de Pablo Neruda, W’H Auden e J.R.R. Tolkien, três escritores e poetas que coincidentemente faleceram há 50 anos, também será assinalado no Rota das Letras.

Ópera samba

Música, história e imagem irão conjugar-se em cena para contar a História do Brasil, e a luta das populações negras e periféricas em busca de reconhecimento, direitos e dignidade. O espectáculo conta com a narração de Nádia Yracema, cenografia multimédia desenhada em tempo real por António Jorge Gonçalves, e música a cargo de Luca Argel e a sua banda, que estarão no palco do Teatro Broadway no próximo dia 14 de Outubro. Com bilhetes já à venda, e com descontos “early-bird”, “Samba de Guerrilha – História do Brasil em três actos”, de Luca Argel, funde música e literatura.

O espectáculo criado pelo artista carioca radicado no Porto,  é “uma ópera-samba” dividida em três actos: composto por versões de clássicos do samba, que se revelam um “interessante instrumento de pesquisa histórica”, “Samba de Guerrilha” parte da premissa de demonstrar como “as velhas questões dos tempos coloniais e dos primeiros anos do Brasil enquanto nação, em especial a escravatura, continuam, ainda hoje, a condicionar a vida de milhões de pessoas, sob a forma de racismo, pobreza e todo o tipo de discriminação social”, indicou a organização em nota.

O primeiro acto começa com o “Samba do Operário, tema escrito pelo mítico Cartola em parceria com um português de Alfama, chamado Alfredo, que se estabeleceu no morro da Mangueira em fuga à ditadura de Salazar”.  Cada canção é antecedida por uma narração que faz a contextualização histórica e social de cada momento. “O contraste entre a voz que canta, de um homem branco e brasileiro, e a que conta, de uma mulher negra e africana, é bastante simbólico”, destacou a organização. O segundo acto recorda a abolição da escravatura, mas os dois “jongos” (estilo musical anterior ao samba) que se seguem demonstram “como tudo ficou quase igual, ou pior, levando ao êxodo para as grandes cidades, onde a marginalização continuou, como se percebe ao ouvir ‘Direito de Sambar’ ou ‘Agoniza mas Não Morre’”. No terceiro acto, os espectadores são introduzidos a João Cândido, marinheiro negro que, em 1910, liderou a Revolta da Chibata contra os castigos físicos ainda em vigência na armada. O “almirante negro” ficaria imortalizado no samba com o mesmo nome, samba proibido na altura pela censura, por a patente de almirante não poder ser associada à palavra negro.

Luca Argel nasceu em 1988 no Rio de Janeiro, Brasil, e é licenciado em música pela UNIRIO e mestre em Literatura pela Universidade do Porto. Tem livros de poesia publicados no Brasil, Espanha e Portugal, um dos quais foi semi-finalista do Prémio Oceanos 2017. Entre o trabalho como vocalista e compositor, seja em projectos colectivos ou bandas sonoras para cinema e dança, e a assinatura de programas de rádio dedicados à música brasileira, tem vindo a desenvolver a sua carreira a solo a um ritmo consistente e crescente, com êxitos como “Samba de Guerrilha” e “Anos Doze”.

António Jorge Gonçalves é um autor português de banda desenhada, cartoonista, performer visual, ilustrador, cenógrafo e professor. É autor de várias obras de desenho gráfico, e tem colaborado com vários escritores como Rui Zink, Ondjaki ou Mário de Carvalho na criação de livros onde texto e imagem se relacionam de forma exploratória. Recebeu em 2013 o Prémio Nacional de Ilustração em Portugal pelo livro “Uma escuridão bonita”, com Ondjaki. Fez cenografia e figurinos para várias peças de teatro. Através do método de Desenho Digital em Tempo Real e da manipulação de objectos em Transparency Overhead Projetor, tem criado espectáculos com músicos, actores e bailarinos. Recentemente, escreveu e realizou o filme/espectáculo “Lisboa quem és tu?” para ser projectado nas paredes do Castelo de São Jorge em Lisboa.

Nádia Yracema nasceu em Luanda, Angola. Começou a aprender e a representar com o Teatro Universitário de Coimbra, concluindo a sua formação no ano lectivo de 2007/2008, enquanto frequentava a licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra. Ingressou no curso de representação da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa em 2012. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Fundação Calouste Gulbenkian - CAM em Movimento: Lançamento do livro «Lugar do Voo»


O projeto concebido por António Jorge Gonçalves para os tapumes que envolvem a obra de requalificação do edifício do CAM deu origem ao livro «Lugar do Voo», agora apresentado pelo artista e pela curadora, juntamente com a nova fase do projeto.

No dia 7 de fevereiro, no Centro Interpretativo Gonçalo Ribeiro Telles, apresentamos o livro Lugar do Voo, da autoria de António Jorge Gonçalves. Com base no projeto desenvolvido pelo ilustrador para os tapumes que envolvem as obras do edifício do CAM na rua Dr. Nicolau Bettencourt, o livro conta a história do lugar onde hoje se situa a Fundação Gulbenkian pelos olhos de um pato-real, espécie comum no Jardim.

Simultaneamente, assinalamos a segunda fase do projeto dos tapumes, com o título Ontem vi o futuro. Este novo trabalho apresenta 48 desenhos que refletem sobre a incerteza do futuro e acompanha a cerca de tapumes colocada no topo da rua Sá da Bandeira em cruzamento com a avenida Duque de Ávila.

Esta sessão conta com a presença do autor António Jorge Gonçalves, de Raquel Alcobia, estudante e ativista do movimento Greve Climática Estudantil, da investigadora Isabel Gordo (IGC) e será apresentada por Ana Vasconcelos (CAM). Fundação Calouste Gulbenkian

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.