Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Economia Azul. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Economia Azul. Mostrar todas as mensagens

domingo, 14 de junho de 2026

Moçambique - Portugal disponibiliza conhecimentos e meios para o combate à pesca ilegal

O secretário de Estado das Pescas e do Mar português disse, na cidade de Maputo, que a pesca ilegal é um desafio global, estando Lisboa disponível para apoiar Moçambique com equipamentos e estudos para travar estes crimes nos seus mares


Não vale a pena Moçambique estar a comprar equipamentos que Portugal já tem, não vale a pena estar a estudar problemas que nós já estudámos. Nós estamos prontos, sim, para disponibilizar esses equipamentos, os resultados da nossa investigação científica, porque nós queremos mesmo que Moçambique olhe para o mar como um vetor estratégico, porque pode ser o mar o ponto de viragem para uma nova economia em Moçambique”, disse Salvador Malheiro.

O responsável falava em declarações à Lusa à margem da 3.ª Conferência da Economia Azul, que terminou sexta-feira, a propósito da pesca ilegal que afeta Moçambique, sobretudo ao longo do oceano Índico, defendendo ações coordenadas entre países para tentar travar este crime que Portugal também enfrenta.

“Nós, apesar de termos uma aposta muito maior na fiscalização e na colocação das forças de segurança no mar, também não temos o problema resolvido e este é um problema que temos que encarar de uma forma global e que temos que discutir as melhores formas de o atacar. Já percebemos que não é apenas com leis, é preciso muita fiscalização, mas sobretudo uma ação de sensibilização juntos dos pescadores, nacionais e internacionais”, alertando para as implicações do esgotamento dos recursos marinhos, declarou.

Relativamente a novos acordos para apoiar Moçambique no setor de mar e pescas, disse que está em preparação uma conferência “ao mais alto nível”, prevista para este ano, em Lisboa, indicando que nesse encontro os dois países vão estreitar relações nesta área.

“Em primeiro lugar, vamos colocar as nossas instituições de ciência e investigação científica a falar conjuntamente, quer as de Portugal, quer as de cá. Vamos colocar a respetiva autoridade marítima a conversar mutuamente, no sentido de nós termos partilha de informação, tecnologias e equipamentos. Por outro lado, vamos tentar ajudar Moçambique junto da Comissão Europeia, para que possamos ter um novo acordo (…) que defenda os interesses de Moçambique”, acrescentou.

Segundo o governante, na referida conferência serão mostradas as potencialidades de Moçambique aos empresários portugueses que querem investir neste setor.

Ao discursar no encerramento da conferência, Malheiro disse que Lisboa quer compatibilizar com Moçambique os regulamentos do setor de pescas e mar, colaborando na formação e ordenamento do espaço marítimo.

“Esta parceria bilateral tem algumas áreas que, na minha opinião, devem ser consideradas estratégicas, desde logo na compatibilização de regulamentos do setor das pescas, garantindo a sustentabilidade das capturas, abertura de novos mercados e o combate à pesca ilegal”, disse.

Portugal quer também parcerias com Moçambique no ordenamento do espaço marítimo, partilhando boas práticas de planeamento e de licenciamento sustentável, harmonizando e compatibilizando os diversos recursos do mar. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


quinta-feira, 12 de março de 2026

Cabo Verde e Portugal assinam memorando para reforçar cooperação no mar

Cabo Verde e Portugal assinaram um memorando de entendimento no domínio do mar para reforçar a cooperação institucional, técnica e científica entre os dois países, com foco no desenvolvimento da economia azul e na gestão sustentável dos recursos marinhos


“Assinámos este memorando de entendimento para hoje e para o futuro, mas com base numa análise profunda de tudo o que tem sido a cooperação entre Portugal e Cabo Verde no domínio do mar”, afirmou o ministro do Mar cabo-verdiano, Jorge Santos, durante a cerimónia realizada no arquipélago, na ilha de São Vicente.

Segundo o governante, o acordo permite consolidar a parceria entre os dois países num setor estratégico para o arquipélago, sublinhando o potencial da economia azul para gerar crescimento económico, emprego e novas oportunidades de investimento.

A cooperação deverá incidir, entre outros aspectos, na partilha de informação e dados científicos, na formação de recursos humanos e no reforço da capacidade institucional no domínio das políticas do mar.

Jorge Santos destacou ainda que o mar constitui uma das maiores riquezas de Cabo Verde e defendeu que a cooperação com Portugal pode contribuir para melhorar a organização do setor das pescas, a qualidade e certificação do pescado e o aproveitamento sustentável dos recursos marinhos.

O memorando foi assinado com o secretário de Estado das Pescas e do Mar de Portugal, Salvador Malheiro, e renova um entendimento anterior estabelecido entre os dois países em 2014.

Salvador Malheiro afirmou que a cooperação no domínio do mar tem sido consolidadas ao longo dos anos, refletindo as décadas de relações entre Cabo Verde e Portugal e o reforço dos laços institucionais e pessoais. “Temos uma ligação fortíssima pela nossa língua, mas antes da língua já tínhamos o mar que nos unia”, afirmou, acrescentando que a renovação do memorando surge num contexto em que a economia do mar e azul assumem crescente relevância a nível global. “Somos duas nações marítimas por excelência e chegou o momento de tirar partido dessa riqueza natural para melhorar a vida das pessoas”, disse, apontando que Cabo Verde tem sido “um país exemplo” na gestão do oceano e defendeu que o aproveitamento económico do mar deve estar sempre associado à sua preservação.

Além disso, avançou que estão a ser dados os primeiros passos para integrar Cabo Verde numa plataforma internacional dedicada à gestão do oceano. “Vamos com certeza concretizar essa integração de Cabo Verde numa plataforma internacional do mais alto nível, a chamada Alliance 100%, que visa, sobretudo, reconhecer esses países que olham para o mar e querem ter uma gestão a 100% do mar. E Cabo Verde pode contar com Portugal ainda para outros voos nesta matéria”, garantiu.

O governante acrescentou que Portugal está disponível para reforçar a cooperação com Cabo Verde em áreas como a pesca, o turismo náutico, a preservação dos ecossistemas marinhos e a construção e reparação naval.

Durante a visita de dois dias à ilha de São Vicente, Salvador Malheiro visitou várias infraestruturas ligadas ao sector marítimo e das pescas, nomeadamente os estaleiros navais, o Instituto do Mar e complexos de pesca. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Portugal - Cientistas encontram no mar alternativa a biocidas tóxicos

Péptidos produzidos por cianobactérias marinhas podem apresentar um desempenho superior ao dos biocidas comerciais amplamente utilizados na indústria naval


Um consórcio de investigadores liderado pelo CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, em colaboração com a Universidade de Lisboa e a Universidade do Porto, desenvolveu uma nova abordagem anti-incrustante (antifouling) baseada em péptidos naturais produzidos por cianobactérias marinhas. A prova de conceito descrita no estudo Engineered coatings containing cyclic peptides from cyanobacteria delay the development of a stable macrofouling community Engineered coatings containing cyclic peptides from cyanobacteria delay the development of a stable macrofouling community, demonstra que estes péptidos são capazes de substituir biocidas tóxicos que dominam o mercado de tintas anti-incrustantes usadas na indústria marítima.

Joana Almeida, investigadora do grupo de Interfaces Oceânicas Bioinspiradas do CIIMAR e líder deste estudo, explica que “a principal inovação deste trabalho está no uso de péptidos naturais produzidos por cianobactérias, que interferem seletivamente nos processos iniciais de colonização biológica, sem prejuízo para organismos não-alvo nem para a biodiversidade marinha”.

O resultado é um produto capaz de “controlar eficazmente a bioincrustação marinha sem recorrer à libertação contínua de biocidas tóxicos, abrindo caminho a uma nova geração de revestimentos anti-incrustantes ambientalmente responsáveis.”

Os desafios da bioincrustação marinha

A bioincrustação marinha, conhecida como biofouling, é um fenómeno natural que ocorre quando superfícies submersas, como cascos de navios, infraestruturas portuárias ou equipamentos de aquacultura, são colonizadas por bactérias, algas e invertebrados.

Este processo representa um dos maiores desafios operacionais e económicos para as indústrias marinhas, nomeadamente a indústria naval, aumentando os custos de manutenção dos navios, o consumo de combustível e de emissões.

Na atualidade, a resposta dominante a este problema é o uso de tintas que libertam continuamente biocidas tóxicos (cobre e outros compostos metálicos) impedindo a incrustação. Apesar da sua eficácia, estas soluções têm um elevado custo ambiental provocando poluição marinha, perda de biodiversidade e degradação dos ecossistemas. A sua ação é tão intensa que alguns biocidas, como o tributilestanho (TBT), já foram banidos pela União Europeia que tem exigido, através do Regulamento dos Produtos Biocidas (UE 528/2012), o desenvolvimento de alternativas ambientalmente seguras.

Joana Almeida explica que “a transição para soluções anti-incrustantes não tóxicas é inevitável face ao enquadramento regulatório europeu.” O estudo agora publicado na conceituada revista científica Trends in Biotechnology, do grupo Cell, apresenta uma solução inovadora de base natural que resolve todos os desafios acima: “essa transição é não só possível, como tecnologicamente viável”, acrescenta a investigadora do CIIMAR.

Uma alternativa eficaz e não tóxica

Durante as experiências realizadas os revestimentos funcionalizados com péptidos bioativos produzidos por uma estirpe de cianobactéria integrada na coleção LEGE-CC do CIIMAR, mostraram ser particularmente eficazes a interferir na formação de biofilmes e a inibir a fixação das larvas de mexilhão em laboratório e, portanto, atrasando as fases iniciais de colonização biológica em condições reais de ambiente marinho, um aspeto crucial no controlo da bioincrustação.

Ao interferirem nos processos de adesão e organização sequencial das comunidades incrustantes iniciais, nomeadamente através da modulação de sinais químicos naturais que orientam a adesão de bactérias e outros microorganismos, estes compostos reduzem o alojamento subsequente de macroalgas e invertebrados, sem recorrer a qualquer toxicidade química. Trata-se de uma estratégia baseada na modulação ecológica da bioincrustação inspirada em mecanismos de comunicação química existentes no oceano.

Segundo Joana Almeida, este “controlo das fases iniciais da bioincrustação é determinante para evitar o desenvolvimento das espécies mais problemáticas. Os nossos resultados mostram que é possível alcançar esse controlo usando a nosso favor os mecanismos naturais de colonização sequencial sem libertar compostos nocivos para o ambiente”.

Igualmente importante de referir é o facto de o estudo em questão demonstrar que estes péptidos produzidos por cianobactérias marinhas apresentam um desempenho comparável, e em alguns aspetos superior, ao de um biocida comercial amplamente utilizado na indústria (Econea®).

“Ao reduzir a libertação de poluentes no oceano, esta tecnologia tem o potencial de gerar benefícios ambientais claros, mas também ganhos económicos diretos para setores como o transporte marítimo, a aquacultura e as infraestruturas costeiras.” reforça a investigadora do CIIMAR.

Os impactos positivos estendem-se a setores como a pesca, a aquacultura e o turismo, contribuindo para oceanos mais saudáveis e para uma economia azul mais sustentável.

Do laboratório à indústria

No que toca ao potencial deste estudo, Joana Almeida explica que o trabalho realizado” vai além da investigação fundamental. Demonstrámos a incorporação funcional dos compostos em revestimentos e validámos protótipos em condições marinhas reais, aproximando a tecnologia de uma aplicação industrial.”

Este avanço representa, assim, uma progressão clara do nível de maturidade tecnológica, aproximando uma solução natural de uma aplicação industrial futura.

A tecnologia encontra-se já numa fase pré-industrial promissora. Os próximos passos passam por demonstrar a eficácia a longo prazo em diferentes ambientes marinhos, bem como otimizar os processos de produção e incorporação dos compostos a uma escala industrial competitiva.

Os resultados deste estudo abrem também novas perspetivas para a investigação e desenvolvimento de tecnologias anti-incrustantes inspiradas na natureza, com benefícios claros para o ambiente, a indústria e a sociedade, alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, as exigências europeias e posicionando-se como um passo decisivo rumo a oceanos mais limpos, resilientes e produtivos. Universidade do Porto - Portugal


quarta-feira, 11 de junho de 2025

Timor-Leste - Jovens lideram defesa dos oceanos enquanto especialistas exigem ação do Estado

Na Semana Mundial dos Oceanos, jovens assumem o protagonismo na proteção marinha, apesar da falta de apoio oficial. Ambientalistas e especialistas pedem medidas concretas e investimento para transformar os mares de Timor-Leste num motor sustentável de desenvolvimento


“Maravilha. Preservar o que nos sustenta” é o tema global do Dia Mundial dos Oceanos, celebrado a 8 de junho, desde 2008, por iniciativa das Nações Unidas. A data visa alertar todos os países para a importância vital dos oceanos e a urgência de os proteger.

Para assinalar a efeméride, o Governo timorense organizou, entre 1 e 8 de junho, várias atividades de sensibilização, como limpezas costeiras, seminários sobre a poluição por plásticos, uma galeria de arte ao ar livre e murais oceânicos no Palácio do Governo, a apresentação de novas espécies marinhas em Ataúro e uma Feira da Economia Azul e do Turismo Marinho no Centro de Convenções de Díli. As iniciativas abrangeram não só a capital como também outros municípios, incluindo Aileu, Ainaro, Lautém e Ataúro, com o objetivo de envolver a população na conservação ambiental e na proteção da biodiversidade marinha.

Timor-Leste comprometeu-se com a proteção dos ecossistemas marinhos e com o desenvolvimento de uma economia azul, apostando nos recursos marinhos como motor de crescimento económico sustentável. Apesar do potencial, persistem desafios sérios. Os resíduos plásticos continuam a acumular-se nas praias, apesar da política de “zero plástico”. A pesca tradicional, feita em pequena escala, contribui para a destruição dos recifes de coral, e as comunidades ainda não têm plena consciência da importância de preservar espécies protegidas, como peixes e tartarugas. O abate de mangais junto à costa também continua a ser uma prática comum, agravando os riscos ecológicos.

Face a este cenário, conservacionistas e ambientalistas apelam ao Governo para que avance com políticas sérias, programas estruturados e fiscalização eficaz, capazes de proteger os recursos marinhos e transformá-los num verdadeiro pilar da economia nacional.

João Ratão Magno, conservacionista, elogiou o compromisso assumido pelo atual Executivo com a promoção da economia azul. Sublinhou, contudo, que a sensibilização não basta: “As ações de limpeza são importantes, mas não chegam. É preciso medidas concretas para garantir que, no futuro, não continuemos apenas a limpar, mas a preservar de forma eficaz.”

Chamou ainda a atenção para a destruição dos recifes de coral, provocada por práticas locais. “O Cristo Rei tem um enorme potencial para o mergulho, mas durante a maré baixa, muitas pessoas entram no mar, pisam e partem os corais. Hoje, já é difícil encontrar peixe naquela zona. Se o acesso for limitado e respeitado, acredito que os recifes recuperam e os peixes voltam.”

O conservacionista salientou que os recifes de coral se localizam sobretudo em águas pouco profundas, até quatro metros da costa, o que os torna extremamente vulneráveis à ação humana e às alterações climáticas.

Criticou também o uso de redes de arrasto nas zonas costeiras, sublinhando que estas “varrem” o fundo do mar, destruindo os recifes e capturando até os peixes mais pequenos. “Os recifes são a casa dos peixes. Se forem destruídos, os peixes desaparecem e os pescadores ficam sem rendimento”, explicou.

Defende, por isso, a proibição da pesca tradicional nas zonas costeiras mais frágeis e a criação de alternativas sustentáveis. “O Governo deve investir numa indústria pesqueira moderna e fornecer barcos com maior capacidade, para que os pescadores possam ir para alto-mar e aliviar a pressão sobre os recifes costeiros.”

De acordo com documentos oficiais relacionados com o programa O Meu Mar, o Meu Timor, que define as diretrizes para o desenvolvimento da economia azul, as águas timorenses albergam mais de 1200 espécies de peixes de recife e 400 espécies de corais formadores de recifes. Destacam-se os 350 km² de recifes de coral no Parque Nacional Nino Konis Santana e os 98 km² em redor da ilha de Ataúro.

O jovem conservacionista lamenta que algumas comunidades continuem a capturar e matar espécies protegidas, como tartarugas marinhas e peixes-napoleão. “Na semana passada, estivemos em Manatuto e encontrámos comunidades que estavam a matar tartarugas. Ficámos indignados, mas disseram-nos que a sua sobrevivência depende desses animais”, relatou.

Lamentou também que, por falta de consciência ambiental, persistam práticas prejudiciais, como o corte de mangais na zona de Hera, para uso doméstico. “Estas ações contribuem para a degradação dos mangais. Ainda não temos guardas ambientais suficientes para proteger estas zonas”, alertou.

Sublinhou ainda a importância de o Governo introduzir a literacia oceânica no currículo escolar, desde o ensino primário até à universidade. “Se os estudantes aprenderem desde cedo sobre biodiversidade e ambiente, poderão influenciar as suas famílias e comunidades a participar na conservação deste recurso vital”, destacou.

Delvio da Costa Sequeira, ambientalista que organiza ações de limpeza nas zonas costeiras de Díli todos os fins de semana, reconhece que essas ações, por si só, não são suficientes. “Limpar não resolve o problema. Precisamos de criar consciência pública para combater o lixo na origem.”

Segundo Delvio, os resíduos mais comuns encontrados nas praias são roupas velhas, plásticos e garrafas, arrastados pelas ribeiras até ao mar. Propõe que o Governo instale redes de contenção em valetas e ribeiras que desaguam no oceano, como medida preventiva.

O jovem critica ainda a incoerência das autoridades: “Apesar da proibição oficial do uso de plásticos, continuam a usar-se nos grandes eventos organizados pelo próprio Governo. No fim, há sempre lixo espalhado pelas ruas.”

Delvio recorda que as praias de Díli, como a Praia dos Coqueiros e Tasi Tolu, foram em tempos locais de lazer e mergulho. “Hoje já ninguém nada ali. Está cheio de lixo e o cheiro é insuportável. Cristo Rei é o único destino para quem quer nadar. Isso mostra o nosso fracasso na gestão dos resíduos.”

Apelou também às autoridades locais para envolverem os moradores dos bairros em limpezas regulares, como forma de manter o ambiente limpo e saudável. “Na semana passada, pedi ao presidente da Autoridade Municipal de Díli para colocar os novos funcionários do saneamento nas zonas costeiras, em vez de os distribuírem apenas pelos bairros para limpar em redor das casas”, referiu.

Outra preocupação apontada por Delvio são as corridas de motocross organizadas aos fins de semana perto do Cristo Rei. “Esses eventos deixam lixo por todo o lado e danificam as árvores que plantámos. Esforçamo-nos para conservar estas áreas e, depois, outras pessoas destroem tudo.”

O jovem ambientalista lamenta ainda que o Governo invista grandes quantias em cerimónias, mas ignore os grupos juvenis que trabalham como voluntários em projetos ambientais. “Fomos plantar árvores em escolas. Pedimos sacos plásticos, sacos para viveiro e transporte. Disseram-nos que não havia dinheiro. Mesmo assim, fizemos tudo com os nossos próprios meios e mantivemos as plantações durante dois anos. No fim, o Governo apareceu apenas para cortar a fita na inauguração da escola verde. Mas não reclamámos. Fizemo-lo com dedicação e de coração”, concluiu.

Por sua vez, Jinu Braz de Araújo, fundador do grupo Lenuk Tasi, destacou que Timor-Leste está situado no coração do Triângulo dos Corais, uma das regiões com maior biodiversidade marinha do mundo. Este privilégio natural, porém, está ameaçado pelas ações humanas, o que o motivou a criar o grupo com o objetivo de sensibilizar e mobilizar as comunidades para a conservação marinha, especialmente das tartarugas.

As tartarugas marinhas são uma espécie protegida e em risco de extinção, uma vez que algumas comunidades ainda recolhem os ovos e matam os animais para consumo. No entanto, Jinu nota que já existem sinais de mudança. “Hoje em dia, quando as comunidades encontram tartarugas, contactam-nos imediatamente para que possamos recolhê-las e levá-las para o nosso centro de incubação em Kasait. Depois da eclosão, libertamos as tartaruguinhas de volta ao mar”, explicou.

Desde a criação do grupo Lenuk Tasi, entre 2023 e 2025, já foram libertadas cerca de seis mil tartarugas bebés. “O nosso objetivo é atingir um milhão de tartarugas libertadas até 2030, contribuindo para o programa ambiental das Nações Unidas conhecido como 30×30, que visa proteger 30% de todas as áreas do planeta até 2030”, afirmou.

Jinu reconhece que a meta é ambiciosa e que será necessário intensificar o trabalho junto das comunidades costeiras, promovendo a consciencialização sobre a importância da preservação das tartarugas.

Sobre a Semana Mundial dos Oceanos, o jovem elogiou o atual governo por começar a dar prioridade à conservação dos recursos marinhos como uma possível fonte alternativa de rendimento para o futuro. No entanto, defende que as ações de sensibilização não devem ocorrer apenas em datas comemorativas, mas sim integrar o quotidiano institucional.

“Durante a Semana do Oceano, vemos membros do governo e funcionários a limpar as zonas costeiras, mas nos restantes dias do ano isso não acontece, o que revela uma falta de continuidade”, lamentou.

Sublinhou ainda que o mais urgente é estabelecer mecanismos de presença e vigilância permanentes nas áreas marinhas protegidas. “Já existem guardas-florestais, mas ainda não há guardas costeiros. Em muitas zonas protegidas, são os grupos de conservação que fazem esse trabalho — e fazem-no de forma voluntária, o que limita a eficácia da proteção”, apontou.

Jinu lembrou que existe legislação para proteger a biodiversidade marinha, mas essa lei continua “no papel”, sem ser divulgada ou aplicada nas comunidades. “Reconhecemos que os governos anteriores fizeram alguns esforços, mas a implementação e a fiscalização ainda deixam muito a desejar.”

Segundo o jovem, a construção de uma verdadeira economia azul passa por uma parceria próxima entre o Governo e os grupos juvenis e comunitários que já estão no terreno. “Grupos como o Lenuk Tasi e outras associações de conservação devem ser ouvidas e integradas nas políticas públicas. Só assim será possível garantir uma gestão sustentável e participativa dos nossos recursos marinhos.”

Economia azul pode transformar-se num problema para Timor-Leste se não for bem planeada

Mário Marques Cabral, diretor executivo da Hadomi Costeira no Tasi (HACOSTA) — uma organização dedicada à investigação de recursos marinhos e conservação — alertou que, embora o Governo tenha definido a economia azul como uma das principais alternativas para impulsionar o crescimento económico do país, esta poderá tornar-se um problema no futuro se os riscos e desafios forem ignorados.

O especialista defendeu que o Governo deve promover uma estreita colaboração com instituições relevantes, nomeadamente economistas e ambientalistas, para juntos traçarem caminhos sustentáveis para o desenvolvimento da economia oceânica.

“Timor-Leste ainda não dispõe de legislação clara sobre a zona costeira, nem de um plano de ordenamento do espaço marítimo. Isso pode, no futuro, gerar conflitos de interesse. Se agora estamos a apostar na economia azul, é fundamental começar por analisar as nossas forças, fraquezas e ameaças, para então planear e distribuir responsabilidades, antes de o Governo avançar com o controlo direto”, sublinhou.

Cabral alertou ainda que, embora existam várias áreas marinhas protegidas no país, as suas tipologias ainda não foram devidamente definidas. “Antes de proteger uma área, é essencial sabermos o que lá existe, por que motivo estamos a protegê-la e quais os benefícios que isso traz para as comunidades locais. Sem isso, a proteção fica-se pelo papel e não tem impacto real”, afirmou.

Nesse sentido, revelou que a HACOSTA está atualmente a trabalhar com o Instituto Nacional de Tecnologia numa investigação sobre as áreas marinhas protegidas em Timor-Leste, com o objetivo de fornecer dados concretos ao Governo. “O estudo está em curso e esperamos publicar os resultados em outubro deste ano, para que toda a população e os decisores políticos possam conhecer melhor o potencial marinho do país”, explicou.

Ex-docente de Ciências Marinhas na Universidade Nacional Timor Lorosa’e, Cabral acredita que a economia azul poderá trazer benefícios significativos, mas só se houver equilíbrio entre o desenvolvimento económico e a conservação ambiental, sobretudo numa era de aceleradas mudanças climáticas.

Salientou que o desenvolvimento de infraestruturas portuárias, instalações pesqueiras e outras estruturas costeiras exige grandes investimentos, bem como a harmonização das leis nacionais com convenções internacionais como a UNCLOS (Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar) e a UNCBD (Convenção sobre a Diversidade Biológica).

Para garantir uma gestão eficaz e sustentável, considera essencial o investimento em investigação marinha, recolha de dados fiáveis e sistemas de monitorização. “É crucial envolver as comunidades costeiras e assegurar a sua participação ativa na conservação dos recursos. Temos de apostar com coragem em setores como a maricultura, as energias renováveis e a biotecnologia marinha. E é preciso assumir um compromisso sério com políticas adaptativas e uma visão de longo prazo”, reforçou.

Cabral defendeu ainda o desenvolvimento e implementação urgente do Planeamento Espacial Marinho como instrumento fundamental para assegurar a saúde, produtividade e biodiversidade das áreas oceânicas do país. Sublinhou também a importância de campanhas de reflorestação dos mangais ao longo da costa norte e sul, como medida de mitigação das alterações climáticas.

Por fim, apelou à inclusão da literacia oceânica nos currículos escolares, desde o ensino primário até à universidade. “Às vezes, vemos jovens timorenses a passear junto ao mar, mas que não sabem nadar — o que representa um risco para eles. Mas a literacia oceânica vai muito além disso: significa criar consciência, desde cedo, sobre a importância da conservação e proteção dos ecossistemas marinhos”, concluiu.

Governo incentiva população a proteger os oceanos e investir na sustentabilidade marinha

O Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, apelou à consciência ambiental da população durante o lançamento oficial da Semana Mundial dos Oceanos, no passado domingo, em Tasi Tolu. O chefe do Governo sublinhou a urgência de preservar os ecossistemas marinhos, alertando que “se não cuidarmos, no futuro, os nossos filhos enfrentarão grandes problemas”.

Destacando a riqueza da biodiversidade marinha timorense, Xanana defendeu que o mar deve ser protegido com responsabilidade, afirmando que os recursos existentes têm um grande potencial para impulsionar a economia nacional. “Estamos agora a começar a falar de economia azul. Vamos criar um parque marinho na ilha de Ataúro para que todos possam aprender, pois esse local está repleto de recursos”, afirmou. Acrescentou ainda que o Governo irá desenvolver áreas com potencial económico noutros municípios do país.

Segundo o documento governamental sobre a economia azul, Timor-Leste compromete-se a utilizar os recursos marinhos de forma sustentável, transformando-os numa base económica sólida. Entre as medidas previstas estão a criação de um parque e de um centro marinho em Ataúro, o desenvolvimento da aquacultura, da pesca sustentável, do ecoturismo marinho, da produção de sal e do cultivo de algas. O plano inclui ainda a expansão das áreas marinhas protegidas no Parque Nacional Nino Konis Santana, a restauração das florestas de mangais e o ordenamento do espaço marinho.

Xanana Gusmão sublinhou também que, em vários países, a economia azul já é uma fonte central de rendimento, defendendo que Timor-Leste deve aprender com essas experiências para explorar de forma responsável as suas riquezas marinhas ainda pouco aproveitadas.

Na mesma linha, o Presidente da República, José Ramos-Horta, durante a inauguração de uma galeria de arte ao ar livre no Palácio do Governo, na terça-feira, apelou à população das zonas costeiras e ribeirinhas para que não deite lixo de forma descontrolada. “Quando chove, toneladas de lixo vão parar ao mar”, alertou.

Ramos-Horta criticou o comportamento negligente de alguns jovens que participam em atividades desportivas nas praias e deixam o lixo para trás. “Todas as semanas fazemos limpezas nas praias, mas isso é apenas um exemplo para chamar a atenção dos jovens, que continuam a não ouvir. Eles não amam esta terra”, lamentou. “Somos nós, timorenses, que envenenamos as ribeiras e as praias”, sublinhou.

Como medida concreta, o Chefe de Estado propôs ao Governo que organize, de três em três meses, concursos de bairros e aldeias mais limpos e saudáveis, para promover o envolvimento da população na conservação ambiental. Acrescentou ainda que é fundamental investir na educação ambiental, para prevenir o corte de árvores e a caça de espécies protegidas tanto em terra como no mar.

No entanto, a realização da atividade em plena hora de ponta, numa das principais artérias da cidade, levou ao corte de estradas e causou grandes engarrafamentos, com muitas pessoas retidas no trânsito durante cerca de duas horas. Esta situação gerou críticas, não só pelo transtorno causado, mas também pela contradição com os próprios princípios da Semana dos Oceanos. Os engarrafamentos prolongados contribuem significativamente para a poluição atmosférica, através da emissão de gases com efeito de estufa e partículas poluentes, agravando o impacto ambiental que se procura precisamente combater com estas iniciativas. A incoerência entre o apelo à proteção ambiental e a organização logística do evento levanta questões sobre a eficácia e o planeamento sustentável destas celebrações. Rilijanto Viana – Timor-Leste in Diligente


terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Cabo Verde - Governo cria Fundo Climático e Ambiental

O fundo, que inicia com um capital social de 100 milhões de escudos, procura mobilizar e acelerar o financiamento de projectos e programas que promovam resiliência climática, conservação ambiental e transição para uma economia verde e azul



Conforme o Boletim Oficial, o Fundo Climático e Ambiental (FCA) está estruturado como uma sociedade anónima unipessoal e integra o sistema de governança climática do país de modo a cumprir os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris e da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Além disso, permitirá captar recursos de parcerias público-privadas, fundos internacionais e conversões de dívida em investimentos sustentáveis.

Segundo o governo, o FCA tem como objectivos reduzir emissões de gases de efeito estufa, promover energias renováveis, agricultura sustentável e resiliência costeira. O fundo também visa posicionar Cabo Verde como líder em acção climática entre os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS).

O BO explica que além do capital inicial integralmente subscrito pelo Estado, o fundo poderá expandir a sua capacidade financeira por meio de contribuições de parceiros internacionais e receitas diversas, como donativos, rendimentos de serviços prestados e taxas associadas a projectos ambientais.

Refere-se que em Outubro deste ano, o diploma que cria o Fundo Climático e Ambiental foi aprovado na especialidade pela 1ª e 3ª comissão especializada, tendo o ministro da Agricultura e Ambiente considerado que é um passo “significativo” para uma boa governação climática.

Em Janeiro, o FCA foi apresentado às Missões Diplomáticas, Organizações Internacionais e Regionais e em Julho, o Governo garantiu que o mesmo seria uma “operação financeira inovadora” e com “impacto zero” na dívida pública. Sheilla Ribeiro – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Portugal – Câmara Municipal de Matosinhos apoia projetos ligados à economia azul

A quarta edição do BluAct é promovida pela CM Matosinhos, em parceria com a UPTEC, e tem como objetivo apoiar o crescimento de projetos ligados à economia azul na região norte


A Câmara Municipal de Matosinhos, em parceria com a UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, está a promover a quarta edição do BluAct, um programa de apoio ao crescimento da economia azul que procura startups com ideias de negócio inovadoras, em particular que apresentem soluções com impacto na sustentabilidade do setor da água e da indústria conserveira.

Todas as startups selecionadas vão usufruir de um programa de mentoria para apoio ao desenvolvimento do modelo de negócio e preparação para a apresentação dos projetos empresariais no evento final.

O grande vencedor do BluAct vai ganhar 5 mil euros, prémio oferecido pela INDAQUA Matosinhos, além da participação gratuita na próxima edição da Escola de Startups da UPTEC. Além disso, os três primeiros classificados vão ter acesso a incubação gratuita na UPTEC Mar durante um ano, enquanto o projeto com maior impacto na indústria conserveira receberá 2 500 euros da Conservas Portugal Norte.

O programa vai apoiar ideias e/ou projetos de negócio relacionados com a pesca, transformação, conservação e comercialização do pescado; aquacultura, bio recursos e biotecnologia azul; portos, transportes e logística; indústrias navais e energias marinhas; náutica e turismo náutico, desde que produzam efeito na economia do mar.

Os workshops do BluAct 2024 vão decorrer nos dias 21 e 22 de novembro, na UPTEC Mar. Já o evento final de apresentação dos projetos decorrerá no dia 26 de novembro às 11h30, nas Instalações da Antiga Fábrica Vasco da Gama.

Esta quarta edição do programa é promovida pela Câmara Municipal de Matosinhos, em parceria com a UPTEC, INDAQUA e Conservas Portugal Norte, e tem como objetivo apoiar o crescimento de projetos ligados à economia azul na região norte.

As candidaturas estão abertas até 11 de novembro de 2024. Universidade do Porto - Portugal


sexta-feira, 31 de maio de 2024

Timor-Leste - Vai criar um Parque Marinho em Ataúro para promover a economia azul

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunciou na terça-feira a criação de um Parque Marinho em Ataúro, situado em frente a Díli, para promover a economia azul no país e pediu a ajuda dos parceiros internacionais.


O anúncio foi feito durante a IV Conferência Internacional dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, que decorre em Antígua e Barbuda, numa sessão sobre revitalização da economia de forma sustentável. “A iniciativa que Timor-Leste deseja anunciar publicamente nesta conferência é que queremos acelerar o desenvolvimento económico sustentável com a criação de um Parque Marinho na ilha de Ataúro”, afirmou Xanana Gusmão, citado num comunicado do seu gabinete enviado à imprensa.

Segundo o líder do Governo, a iniciativa vai contribuir para a conservação ambiental marinha e promover uma economia azul sustentável, criando postos de trabalho para os timorenses. Mas, segundo Xanana Gusmão, para concretizar a iniciativa é preciso “realizar pesquisas científicas e estudos sobre biodiversidade, desenvolver infraestruturas para proteger os recifes tropicais e criar uma estrutura de governação para uma economia azul”. “Não podemos fazer aquilo sozinhos. Precisamos de cooperação e parcerias internacionais”, afirmou o chefe do Governo timorense, salientando que espera que o desenvolvimento da economia azul em Timor-Leste seja um modelo de desenvolvimento sustentável para outros estados insulares.

Timor-Leste é dos países do mundo com maior biodiversidade marinha. A ilha de Ataúro, situada a 25 quilómetros a norte de Díli e com cerca de 10000 habitantes, tem o maior número médio de peixes de recife e corais fossilizados e é também um local frequentemente visitado por várias espécies de baleias e golfinhos. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Cabo Verde - Embaixador de Portugal “disponível” para cooperação “todo terreno” e ajudar no desenvolvimento da ilha do Sal

Espargos – O embaixador de Portugal, Paulo Lourenço, manifestou-se disponível para aquilo que chama de uma cooperação “todo terreno” e ajudar no desenvolvimento da ilha do Sal em várias dimensões.


Paulo Lourenço, que se encontra no Sal para uma visita de dois dias, para tomar pulso da realidade socioeconómica da ilha, manifestou essa intenção à saída do encontro com o presidente da câmara, Júlio Lopes.

“A Cooperação Portuguesa está inteiramente disponível, seguindo este velho lema: uma cooperação TT, isto é, a todo o terreno… um bocadinho em todo o lado. Portanto, renovar este compromisso da Cooperação Portuguesa com o desenvolvimento da ilha do Sal”, reiterou o diplomata.

Aludindo aos vários projectos que a Cooperação Portuguesa tem vindo a animar, Paulo Lourenço renovou a intenção de nos próximos meses, “fortalecer esta relação”, com a cooperação em várias dimensões, nomeadamente na área social, educação e outras.

“A Cooperação Portuguesa está disponível para apoiar projectos que sejam apresentados quer por parte das associações da sociedade civil, aqui no Sal, quer por parte do executivo municipal”, precisou.

O embaixador, segundo o qual tem sido uma visita “muito boa”, faz uma leitura “muito positiva” das oportunidades de investimento por parte das empresas portuguesas, também na ilha do Sal.

“Evidente que esta é uma ilha que é sobretudo conhecida pela oferta turística de sol e praia, mas lembrar que existem outras oportunidades de investimento aqui”, observou, referindo que a Embaixada de Portugal, juntamente com a equipa da IECEP tem estado a animar o interesse das empresas portuguesas, seja na área das energias renováveis, economia azul, do digital, turismo e outras, no sentido de terem Cabo Verde “no radar”.

“Julgo que temos competências que poderão ser interessantes trazer para as ilhas do arquipélago, inclusive aqui para a ilha do Sal”, palpitou, renovando que a embaixada tem vindo a estimular as empresas no sentido de voltar a olhar para Cabo Verde, tanto as que já cá estiveram e que agora não estão, como as que ainda não consideraram Cabo Verde.

“O que temos procurado fazer é mostrar às empresas as oportunidades que decorrem do actual momento, em que nós temos um país que tem sol, vento, recursos naturais, que hoje são valorizados no âmbito da transição e da acção climática, e que há novidades na frente do financiamento, isto é, mais alternativas de financiamento do que havia no passado, mesmo da parte de Portugal”, enfatizou.

Paulo Lourenço, concluiu dizendo que esta sua primeira visita oficial ao Sal, enquanto embaixador, tem sido aproveitada da melhor maneira, e que foi “um prazer voltar ao Sal”. In “Inforpress” – Cabo Verde


terça-feira, 24 de outubro de 2023

Portugal quer “ir além” das ligações culturais com Macau e apostar em novas áreas, diz secretário de Estado da Economia

O secretário de Estado da Economia defendeu ontem à Lusa, em Macau, que Portugal quer “ir além” das ligações culturais com a região chinesa e apostar em novas áreas de negócio como energias renováveis e economia azul. “Macau, visto por si, é um território que tem limitações geográficas, tem limitações até ao nível do seu potencial de mercado, e tem vindo a ser explorado até agora muito numa lógica daquilo que são as ligações culturais que existem com Portugal. Nós queremos ir além disso”, disse Pedro Cilínio, presente na abertura da 1.ª Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), organizada no âmbito da Feira Internacional de Macau (MIF).


As ligações culturais “promovem a base daquilo que pode ser um potencial de desenvolvimento de negócio futuro”, que passa “também por outras áreas de negócio, além daqueles que são os sectores que hoje em dia são pontes de ligação” e que são “potenciados pela presença portuguesa no território”, acrescentou Cilínio.

O secretário de Estado deu como exemplo os setores das energias renováveis ou da economia azul, apontando para a representação de empresas nestes setores na C-PLPEX. “O Fórum Oceano está aqui com uma representação muito forte, porque a área da economia azul é um tema importante para o desenvolvimento da Grande Baía, e Portugal, neste âmbito, tem um conjunto de ‘know-how’, de especialidades que podem vir a potenciar esse tipo de ligações”, considerou.

Quanto às queixas que têm sido vocalizadas por empresários portugueses sobre os obstáculos à entrada no mercado chinês, Cilínio disse que Portugal tem trabalhado “em contínuo” para que “sejam identificadas as dificuldades e encontradas as soluções” e para que estas “possam ser acauteladas naquilo que são os desenvolvimentos futuros para o território e para a Grande Baía”

A Grande Baía, sublinhou, “é um projecto muito interessante”, com “muitos passos a dar”. “Percebemos hoje que esse caminho e essa visão é muito clara e acreditamos que esses passos, que passam por tudo o que tem a ver com a facilitação dos negócios das empresas dos países de língua portuguesa nesta região irá acontecer”, disse.

Ao notar que China e Portugal estão a iniciar outro capítulo no palco da cooperação económica, Pedro Cilínio lembrou que, numa primeira fase, o investimento chinês “verificou-se por entradas em activos estratégicos e ativos relevantes em Portugal”. “Mas, neste momento, estamos a falar já de intenções de investimento concreto em áreas importantes para o desenvolvimento da nossa economia e é nessa fase que estamos a apostar”, referiu, nomeando áreas “de interesse para Portugal e para o espaço europeu”, como a mobilidade eléctrica e a sustentabilidade.

No primeiro semestre deste ano, o investimento chinês em Portugal “cresceu 10% face ao semestre anterior”, alcançando “cerca de 3,5 mil milhões de euros de investimento”, frisou. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 29 de junho de 2023

São Tomé e Príncipe - Universidades Lusófonas debatem Ambiente e Economia Azul

As organizações da Associação das Universidades de Língua Portuguesa iniciaram em São Tomé uma conferência de três dias para análise de questões sobre o ambiente e economia azul e outros problemas que preocupam a comunidade académica.


“Deterioração ambiental causada pelo desequilibro entre o homem e a natureza preocupam cada vez mais a comunidade académica, ambientalistas, empresários, decisores políticos, dado que estamos numa situação em que poderá existir incapacidade de responder as necessidades básicas dos seres vivos”, sublinhou o reitor da Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), Peregrino Costa.

Na abertura da trigésima segunda conferência da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), o reitor da USTP considerou que “a economia azul surge como modo de organização da sociedade humana com a capacidade de potenciar o oceano”, sendo um dos “desafios centrais do presente e futuro”.

“Isto significa que a economia azul e juntando a ela a verde, poderão ter um papel preponderante na contribuição para competitividade global de cada país dado que elas agregam muitos setores que poderão criar vantagens competitivas”, disse Peregrino Costa.

O reitor da USTP sublinhou potencialidades do mar de São Tomé e que é 160 vezes maior que o território terrestre do arquipélago, mas que destacou que “enquanto microestado insular o país enfrenta problemas diversos próprios das ilhas e dos pequenos países que afetam fortemente a implementação das políticas públicas”.

“São Tomé e Príncipe optou por se envolver num processo de transição para a economia azul de forma a valorizar e potenciar os aspetos naturais relacionados com os serviços ecossistémicos entendidos como suportes de desenvolvimento dos setores das pescas e da agricultura, transportes, comércio, energia, turismo, ecoturismo e concorram assim para o alcance dos objetivos de proteção e conservação da biodiversidade e dos ecossistemas das espécies ameaçadas”, indicou o reitor da USTP.

O presidente do Instituto Politécnico de Lisboa, Elmano da Fonseca Margato sublinhou a importância da interação entre as universidades lusófonas que tem especificidades próprias e que permitem a análises de diferentes temas, tendo referido que a AULP é “um espaço de diálogo de igual para igual” que os países “podem e devem aproveitar” para dar o seu “contributo para o desenvolvimento das suas sociedades”.

“Este é um movimento académico que está entregue aos reitores e aos presidentes dos institutos politécnicos e que não está dependente do poder político e eu acho que isso é uma mais-valia que nós devemos destacar. A academia é um espaço de liberdade onde nós aceitamos todas as convicções políticas, religiosas, orientações sexuais e é neste espaço de igualdade que nós nos entendemos com todos os nossos países e parceiros irmãos”, disse Elmano da Fonseca Margato.

Participam no trigésimo segundo encontro da AULP representantes de reitorias, académicos, investigadores e parceiros dos Estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), nomeadamente, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, bem como a Universidade de Macau. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


sexta-feira, 31 de março de 2023

Lusofonia - Associação das Universidades de Língua Portuguesa realiza encontro em São Tomé e Príncipe em Junho

A Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) realiza o seu XXXII Encontro sob o acolhimento da Universidade de São Tomé e Príncipe, em São Tomé e Príncipe, entre os dias 26 e 28 de Junho.


De acordo com nota de imprensa enviada às redacções ontem, a agenda do encontro abordará diversos aspectos em torno do tema central que é “Ambiente e Economia Azul”, sendo este distribuído por várias sessões: Desafios ambientais; Benefícios da Economia Azul; Educação, Língua e Desenvolvimento Inclusivo.

A organização abriu ainda a possibilidade à submissão de artigos académicos – com formatos específicos – sobre o tema, cujos resumos podem ser submetidos até dia 21 de Abril. As notificações de aceitação serão realizadas até 28 de Abril e a submissão dos artigos finais terá de ser feita até 15 de Maio.

Recorde-se que Macau tem como membros titulares universidades e institutos de ensino superior, bem como instituições de investigação, nomeadamente a Universidade de São José (USJ), a Universidade Politécnica de Macau (UPM), o Instituto de Formação Turística de Macau (IFT), a Universidade de Macau (UM), a Universidade da Cidade de Macau (UCM) e o Instituto Internacional de Macau (IIM). O Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM) e a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses são membros associados da AULP. Já a Fundação de Macau (FM) é uma das entidades parceiras e a AULP tem ainda um protocolo firmado com a Fundação Escola Portuguesa de Macau, no âmbito da estratégica de defesa da Língua Portuguesa no Oriente.

De acordo com os corpos sociais eleitos para o triénio 2021-2024, João Nuno Calvão da Silva, reitor da Universidade de Coimbra, é o presidente da AULP, sendo Rui Martins, vice-reitor da UM, um dos vice-presidentes da entidade – e igualmente membro honorário tal e qual o último Governador de Macau, Vasco Rocha Vieira – e Im Sio Kei, reitor da UPM, segundo vogal do Conselho Fiscal. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 3 de novembro de 2022

São Tomé e Príncipe – Nações Unidas disposta a estimular economia inclusiva

O coordenador do sistema das Nações Unidas diz haver oportunidades para apostar em economias verde e azul. O novo ciclo de governação deve definir valores para projetos de cooperação, empregos para jovens e mulheres serão destaque na parceria


As Nações Unidas em São Tomé e Príncipe apostam em estimular uma economia inclusiva alavancando o desenvolvimento sustentável e a inclusão.

Após as eleições legislativas de setembro, o país com mais de 215 mil habitantes prepara-se para dar início a um novo ciclo. A posse dos parlamentares é esperada para os próximos dias e, na sequência, a operação do novo governo formado após o pleito deste ano.

Prioridades

A ONU News, em Nova Iorque, falou com o coordenador residente das Nações Unidas em São Tomé e Príncipe.  Eric Overvest disse que, ainda na expectativa de detalhes finais sobre aplicação de fundos, já foi observado como mulheres e jovens precisam de atenção.



“Primeiro, o tema económico. É importante dar mais atenção ao setor da economia e do emprego para mulheres e a participação dos jovens na vida económica. As Nações Unidas ajudam com a solução de problemas específicos em formações para fomentar a participação de jovens e mulheres nesses setores. Está ainda o tema da proteção social, onde a ONU, em parceria com o Banco Mundial, também apoiou o processo de registos sociais. Para que pessoas não sejam deixadas para trás: as pessoas com deficiência, na situação da pobreza, tenham serviços médicos, de saúde de educação. Que as crianças mais pobres possam ir à escola e que pessoas com deficiência tenham acesso a serviços públicos.”

A cooperação com a ONU envolveu cerca de US$ 23 milhões em 2021. Para o novo ano, o quadro de financiamento para um período mais amplo da parceria ainda será confirmado após a nomeação do novo governo.

No entanto, o chefe das Nações Unidas em São Tomé e Príncipe diz haver potencial para crescimento e que os contatos estabelecidos até agora asseguram haver espaço para uma nova dinâmica económica.

“O governo começa o mandato no fim deste ano e as Nações Unidas iniciam um novo quadro de cooperação que cobre quatro áreas. Primeiro é a área social: educação e saúde de um país, é a economia azul e a economia verde. São dois setores muito importantes para São Tomé e Príncipe. São ilhas maravilhosas que têm muitos recursos na economia azul e na economia verde.”

Cargos parlamentares e ministeriais

Uma das medidas mais recentes pela inclusão no país foi o aumento da participação política das mulheres. A Assembleia da República adotou uma nova lei da paridade prevendo que uma cota de 40% assuma cargos parlamentares e ministeriais.

Eric Overvest vê o intercâmbio local com autoridades, jovens, mulheres e grupos vulneráveis como um dos maiores impulsos para o cumprimento dos alvos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em diferentes áreas.

“Agricultura biológica, ecológica e o turismo ecológico. Em terceiro lugar está o tema da governação e a importância de reforçar as capacidades das instituições públicas da justiça e do meio ambiente. Este é um país de carbono negativo que sofre com as ações das alterações climáticas. As Nações Unidas têm ações práticas para a questão de adaptação do país às alterações climáticas.”

A caminho do 47º ano de presença das Nações Unidas em São Tomé e Príncipe, o Quadro de Cooperação que cobriu o período de 2017-2021 mobilizou cerca de US$ 42 milhões da organização. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Macau - Fórum de Macau discute economia azul

Cerca de 400 pessoas estão a participar num colóquio sobre Economia Azul, organizado pelo Fórum de Macau, que vai decorrer até 13 de Outubro

A Economia Azul foi o mote para um colóquio online que teve início no final da semana passada e vai decorrer até 13 de Outubro. Organizado pelo Centro de Formação do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o evento digital está a ser realizado pela Universidade Cidade de Macau.

Os desafios e oportunidades da economia azul, o Direito do Mar e o Direito Marítimo, gestão dos mares costeiros, estratégias da economia azul, inovação e turismo azul sustentável são alguns dos temas que vão ser discutidos ao longo das sete sessões com palestras e intercâmbios online.

No âmbito do colóquio, será ainda realizada uma mesa-redonda sobre “A Economia Azul e a Sustentabilidade do Oceano”, com os representantes do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, da Universidade do Oceano da China, da Universidade do Oceano de Xangai e da Universidade do Oceano de Guangdong. A participar na iniciativa estarão quadros da função pública de nível de direcção de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, num total de 400 pessoas.

Na abertura do colóquio, o secretário-geral do Fórum de Macau realçou a importância da cooperação marítima para o Plano de Acção aprovado na quinta Conferência Ministerial. Ji Xianzheng disse esperar que as partes envolvidas possam “aproveitar Macau e a plataforma do Fórum para aprofundarem a cooperação nesta área, dando uma nova dinâmica à recuperação da economia global e ao desenvolvimento sustentável na era pós-pandémica”.

Já o director da Faculdade de Negócios da Universidade da Cidade de Macau, José Alves, referiu que a China e os Países de Língua Portuguesa possuem vastos recursos marítimos, existindo uma “enorme potencialidade” para a cooperação nesta área. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau