Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 23 de abril de 2025

Brasil - Universidade de Pernambuco amplia parcerias com universidades de Moçambique

Uma comitiva da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) realiza, até o próximo dia 26, missão oficial a Moçambique com o objetivo de ampliar parcerias institucionais e fortalecer os vínculos de cooperação acadêmica entre os dois países. No total, serão assinados nove convênios específicos com diversas faculdades da Universidade Pedagógica de Maputo e um convênio para realização de um Mestrado Interinstitucional (Minter) com a Universidade Save, na província de Inhambane.

Integram a comitiva a pró-reitora de Pós-Graduação, Carol Gois Leandro, que lidera a delegação; a diretora de Relações Internacionais, Cristiane Costa; e o professor Arnaldo Carneiro, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil. A missão teve início no último dia 21.

A programação da missão oficial inclui encontros com autoridades moçambicanas, como a ministra da Educação e Cultura, Samaria dos Anjos Tovela e o ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse, além de reunião diplomática com o secretário de Estado para Ciência e Tecnologia.

A visita prevê ainda a assinatura de Acordo de Cooperação com a Universidade Pedagógica de Maputo, na presença da diretora de cooperação Sarita Henriksen e de todos os diretores das faculdades da instituição. As atividades contam com o apoio e acolhimento do embaixador do Brasil em Moçambique, Ademar Seabra.

A agenda contempla visitas técnicas às diversas faculdades da Universidade Pedagógica e uma viagem à Universidade Save (UniSave), na província de Inhambane, para reunião com a reitora e troca de acordos firmados.

Entre os destaques, está a aula inaugural do convênio entre a Faculdade de Engenharia Civil da UP e o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFPE, ministrada pelo professor Arnaldo Carneiro, consolidando a cooperação em ensino e pesquisa na área de Engenharias. In “Mundo Lusíada” - Brasil 


terça-feira, 21 de novembro de 2023

Lusofonia - Lisboa recebe 4º Congresso de Engenheiros de Língua Portuguesa

No seguimento das edições anteriores do Congresso de Engenheiros de Língua Portuguesa, realizadas em 2014 em Macau e em 2018 em Maputo, cabe agora à Ordem dos Engenheiros acolher a quarta edição deste Congresso subordinado ao tema "Interconectividades: Engenharia, Inovação e Sustentabilidade”, que terá lugar entre os dias 27 e 28 de novembro de 2023, no Centro de Congressos de Lisboa.



Com a organização deste Congresso, cabe às Associações Profissionais de Engenheiros de Língua Portuguesa o nobre objetivo de facilitar os contactos entre entidades institucionais, académicas e empresarias por forma a fomentar o desenvolvimento ao nível nacional e das Comunidades de Língua Portuguesa.

Neste sentido, serão analisadas e discutidas neste Congresso as temáticas e questões relacionadas com aspetos científicos, tecnológicos e de gestão, indissociáveis do sucesso de políticas de cooperação multilateral, relevando o papel fundamental que a Engenharia desempenha na promoção da qualidade de vida e da proteção ambiental, na construção de infraestruturas resilientes para um mundo mais sustentável.

Pretende-se contribuir para, nomeadamente:

- Estabelecer uma plataforma para o fortalecimento das relações e da cooperação no âmbito das comunidades que integram a CPLP.

- Divulgar aos setores económicos deste especial grupo de comunidades as capacidades disponíveis nas diversas áreas da Engenharia, fundamentais para o seu processo de desenvolvimento socioeconómico.

Junte-se a nós no que será um Congresso repleto de reflexões e debate acerca do papel da Engenharia no desenvolvimento sustentável das Comunidades de Países de Língua Portuguesa! Ordem dos Engenheiros - Portugal

Inscrições para o evento aqui.


sábado, 14 de janeiro de 2023

Brasil - Empresa sugere auxiliar a Europa a contornar dependência energética da Rússia

Representantes da empresa de engenharia brasileira Liderroll, especializada no mercado de construção de gasodutos especiais em vários países, têm mantido contacto com responsáveis e autoridades suíças e portuguesas com o intuito de oferecer alternativas e encontrar soluções capazes de auxiliar a Europa a ultrapassar os desafios da crise energética, muito por conta do conflito entre Rússia e Ucrânia.

A nossa reportagem conversou com Paulo Roberto Gomes Fernandes, engenheiro eletricista, ex-professor Federal e CEO da Liderrol, que comentou que “tomou conhecimento do rascunho editado pelo conselho federal suíço de 23 de novembro de 2022 para a aplicação de um possível regulamento sobre restrições e proibições de uso de energia elétrica, com base na lei estadual de fornecimento de 17 de junho de 2016” e que “não tem dúvidas do que já defendeu em entrevistas anteriores sobre a necessidade de construção de um gasoduto para distribuir energia verde no velho continente”.

“Estou cada vez mais convicto do que afirmei, da minha linha de raciocínio, estratégia. A Europa vai viver mais uma corrida maluca do tipo “cada um por si”, no mesmo modelo das medidas contra o vírus SARS-CoV-19 (Covid-19) dependendo frontalmente da urbanidade, compreensão e colaboração de cada cidadão em cumprir obedientemente os regulamentos impostos pelas autoridades. As medidas que estão pensadas neste regulamento esboçado pelas autoridades suíças podem não ser eficazes até mesmo no seu território, muito menos em outros países”, defendeu Paulo Fernandes, que destacou que “a situação em si trará custo e responsabilidades para as autoridades à medida que demandará fiscalização de agentes da administração pública, exposição a riscos de acidentes automotivos e até perdas de vidas humanas para casos de apagões mais prolongados em unidades hospitalares, residências, hotéis e etc., que não contarem com geradores de emergência e ou que até não tenham acesso ao reabastecimento de Hidrocarboneto para estas máquinas, que vem a ser o derivado do petróleo do tipo óleo diesel”.

Este especialista sublinha ainda que, no documento suíço, “não há nenhuma ação para resolver e ou pacificar a dependência da matriz energética do país, mas somente ações paliativas de baixo impacto”.

“No rascunho temos medidas como limitar a utilização dos carros elétricos; restrições em serviços de streaming e outros dispositivos tecnológicos; corte de iluminação pública que comprometeria a segurança operacional; desconectar todos os aparelhos domésticos das tomadas do modo “pronto para uso”; limitação entre 18º a 20º da temperatura de aquecimento das casas; limitação do uso de utensílios domésticos; entre outros”, mencionou Fernandes, que disse que, no caso da Suíça, “há um caminho muito mais curto para se obter qualquer tipo de energia ou insumo de produção, do que caminhar para o lado Leste”. In “Agência Incomparáveis” - Brasil

 

sábado, 31 de outubro de 2020

Estados Unidos da América - Portuguesa criou uma das maiores empresas tecnológicas do país

 


Natural do Porto, Daniela Braga é licenciada em Letras, mestre em Linguística e doutorada em Linguística e Engenharia. A jovem portuguesa criou aos 37 anos a plataforma de inteligência artificial DefinedCrowd, considerada uma das 30 tecnológicas que mais têm crescido nos EUA

Antiga aluna da Universidade do Minho, Daniela Braga disse, em entrevista ao jornal online daquela instituição que adorava a camaradagem que existia; “os professores eram “gente boa” e tinham perspetivas diferentes daquelas que tinha tido na Universidade do Porto. Tenho saudades daqueles tempos!”.

Com uma forte paixão pelas letras – Daniela Braga aos 10 anos, já lia obras de Eça de Queiroz e de Júlio Dinis – queria ser crítica literária, mas acabou por singrar no mundo das novas tecnologias criando uma empresa que desenvolve solução no domínio linguístico.

A DefinedCrowd, que fundou e dirige, é considerada uma das 30 tecnológicas que mais têm crescido nos Estados Unidos.

Leia aqui a entrevista de Daniela Braga à Universidade do Minho. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Macau – Engenheiros da RAEM atentos a Hengqin como um mercado de oportunidades

O presidente da Assembleia Geral da Associação dos Engenheiros de Macau encara com optimismo o desenvolvimento em Hengqin. Eddie Wu salientou à Jornal Tribuna de Macau que o facto dos engenheiros de Macau poderem exercer na Ilha da Montanha é um passo em frente para posteriormente trabalharem na região da Grande Baía

Eddie Wu, presidente da Assembleia Geral da Associação dos Engenheiros de Macau (AEM), está expectante relativamente ao desenvolvimento do sector da engenharia civil de Macau em Hengqin. Na sua perspectiva, esta área continua a manter o seu estilo tradicional no território, enquanto no resto do mundo tem mudado rapidamente, sobretudo adaptando-se às novas tecnologias, defendeu em declarações ao Jornal Tribuna de Macau.

Nesse sentido, o reconhecimento das habilitações dos engenheiros e arquitectos da RAEM na Ilha da Montanha figura como uma oportunidade. “Hengqin pode tornar-se num campo de projectos piloto para os engenheiros de Macau exercerem a sua profissão na Grande Baía”, defendeu.

Segundo o acordo assinado com a China, os arquitectos e engenheiros podem exercer actividade profissional em Hengqin a partir de Dezembro. Eddie Wu explicou que, por um lado, a expansão do âmbito do trabalho dos engenheiros pode criar novas oportunidades para o sector, por outro, considera que o desenvolvimento sustentável do sector vai atrair mais pessoas a participar nessa área.

Eddie Wu foi reeleito recentemente como presidente da Assembleia Geral da AEM e Sio Chi Veng também foi reconduzido como presidente da Direcção. A tomada de posse realizou-se na sexta-feira passada, tendo sido presidida pelo Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário.

No que diz respeito ao foco do trabalho, Eddie Wu mencionou a revisão do Regulamento de Segurança contra Incêndios e a alteração do Regulamento Geral da Construção Urbana em 2021. “Vamos recolher as opiniões do sector para ajudar à revisão destas regras fundamentais”, acrescentou.

Em declarações a este jornal, Eddie Wu indicou ainda que as formações para engenheiros sofreram atrasos por causa da pandemia, por isso, a associação irá agendar novas acções nesse âmbito no segundo semestre para satisfazer as necessidades de procura. Segundo esclareceu, os engenheiros precisam de frequentar formação com duração de 50 horas no período de dois anos, pelo que a associação está a tentar ajudar nesse sentido.

Em relação aos engenheiros portugueses, Eddie Wu sublinhou que a sua inscrição na associação é sempre bem-vinda. Numa altura em que ainda não é possível ter reconhecimento mútuo da credenciação dos engenheiros de Macau e Portugal, Eddie Wu explicou que os engenheiros portugueses sem BIR de Macau também não podem exercer função no território. Mesmo assim, mostrou-se confiante na plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa para prestar apoio tanto aos engenheiros chineses como lusófonos. Viviana Chan – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Portugal – Projetos nacionais para o desenvolvimento de ventiladores para o combate ao covid-19

Quase um mês depois da pandemia por COVID-19 ser decretada, já foram alcançados protótipos funcionais e industrializáveis de ventiladores pulmonares portugueses. O JPN recolheu alguns projetos pioneiros na produção de aparelhos e complementos de ventilação no país



Antes da pandemia de COVID-19, Portugal não produzia ventiladores: importava-os. Agora, em fase de mitigação do vírus, estes equipamentos tornaram-se vitais. Vários modelos estão a ser desenvolvidos e linhas de produção estão a ser reorientadas para satisfazer as necessidades das unidades de saúde. Desde protótipos criados a partir de modelos de acesso livre (open source) a dispositivos desenvolvidos por universidades e centros de investigação, Portugal já apresenta vários equipamentos de ventilação produzidos em território nacional. O JPN reuniu alguns destes projetos pioneiros.

“Atena”: a primeira linha de produção de ventiladores portugueses



Depois de três semanas de cooperação com a comunidade médica, o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produtos do Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel (CEiiA), em Matosinhos, alcançou um protótipo de ventilador funcional e industrializável na passada quinta-feira (02). O projeto, denominado “Atena”, consiste na construção de ventiladores pulmonares mecânicos invasivos para assistir na insuficiência respiratória aguda causada pela COVID-19.

“Entrámos numa lógica de comunidade, numa lógica de rede, e envolvemos médicos, investigadores e também a indústria e fornecedores para perceber rapidamente como é que nos poderíamos agilizar”, explica Tiago Rebelo, membro da Direção da Unidade de Produtos e Serviços do CEiiA, na apresentação do projeto ao primeiro-ministro, no dia 27 de março.

O centro de investigação foi convertido numa linha de produção de ventiladores e compromete-se, assim, ao fabrico de 100 ventiladores já até ao final de abril, e 10 mil até setembro, com a colaboração dos parceiros industriais. Quem o diz é António Costa, aos jornalistas, na visita ao centro em Matosinhos.

Na passada quinta-feira (02), o CEiiA emitiu um comunicado a revelar as primeiras entidades a apoiar o ventilador pulmonar português. Entre elas estão a EDP, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação La Caixa/BPI e a REN. Como explica, no mesmo comunicado, José Rui Felizardo, CEO do CEiiA, esta colaboração foi “determinante” para reforçar a “capacidade de resposta no desenvolvimento destas primeiras 100 unidades”.

A produção em causa, que em condições normais levaria cerca de um ano, está a ser reduzida para dois meses pela equipa do CEiiA. O ventilador vai permitir uma utilização intuitiva e fiável e uma fácil descontaminação. Além disso, deve garantir um “funcionamento contínuo, sem falhas, por um período mínimo de 15 dias – 24 horas por dia – e ser compatível com outros componentes médicos”, como se pode ler no comunicado.

“Air4all”: o projeto que antecipou a necessidade de ventiladores



A Air4all é um projeto português que nasceu para oferecer ventiladores aos hospitais. Em declarações ao JPN, Helena Simão de Almeida, responsável pelo departamento de comunicação, explica que a realidade vivida em países próximos chegaria, eventualmente, a Portugal. “Apercebemo-nos de que os ventiladores estavam a apertar em Itália e o que se passava lá passaria cá também, posteriormente. Tentamos usar esse tempo que tínhamos, até à chegada do vírus, para criar e desenvolver ventiladores”, conta.

Depois dessa tomada de consciência, Pedro Monteiro, o coordenador do projeto, que “como está na área da mecânica [é diretor executivo da Morphis Composites], percebeu que haveria alguma coisa da parte dele que pudesse fazer, então começou a reunir uma equipa”, esclarece Helena Simão de Almeida sobre a fundação da Air4all.

O projeto reúne especialistas de várias áreas: investigadores do Instituto Gulbenkian, professores do Instituto Superior Técnico de Lisboa, médicos, enfermeiros e farmacêuticos, empresas industriais, engenheiros, entre outros profissionais. Por sua vez, a equipa que está diretamente ligada ao desenvolvimento dos protótipos está dividida em dois: uma está em Aveiro e a outra em Cascais.

O projeto nasceu no dia 13 de março e já conta com dois protótipos diferentes finalizados pelas duas equipas: um ventilador mecânico, criado pela equipa de Aveiro, e um pneumático, desenvolvido pela equipa de Cascais. “Ambos estão concluídos e em fase de aferição e já temos especialistas para isso: temos engenheiros e médicos intensivistas que vão validar os protótipos”, explica a responsável.

Após essa validação, fica a faltar a notificação do Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde – para que os projetos obtenham licenciamento. Por esse motivo, ainda não é possível avançar para a produção, apesar de já estarem a ser feitos contactos nesse sentido, como avança Helena Simão de Almeida. “A partir do momento em que temos o produto validado e notificado, podemos começar a produzir”, explica.

Cada ventilador custará, no máximo, cerca de dois mil euros. Algumas entidades que estão a apoiar financeiramente projetos semelhantes já deram um parecer positivo à Air4all. Se os meios financeiros disponibilizados não forem suficientes para as unidades que tiverem de ser produzidas, Helena Simão de Almeida explica que o crowdfunding será, então, uma opção. De qualquer das formas, “os valores irão exclusivamente para produção e distribuição dos ventiladores”, garante.

“Vent2Life” e “Open Air”: recuperação de ventiladores inoperáveis e construção em código aberto

A Vent2Life é uma plataforma que dá nova vida aos ventiladores que já não estão a ser usados nos hospitais. O procedimento é relativamente simples: os hospitais reportam problemas de equipamentos, os técnicos especializados encontram soluções para os reparar e, por último, o hospital aprova a sua recuperação. Depois de identificados e recuperados, a Vent2Life devolve os aparelhos às unidades de saúde portuguesas para a assistência de doentes com COVID-19.

Segundo o Diário de Notícias, a plataforma pretende recuperar 200 ventiladores pelo país, estando alguns já a ser analisados por especialistas que participam no projeto através da Faculdade de Ciências e Tecnologia da NOVA (FCT/UNL), do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e da Ordem dos Engenheiros Portugueses. Assim, a Vent2Life estabelece o contacto entre doadores de equipamentos inutilizáveis e especialistas capazes de os reabilitar.

Esta iniciativa está associada ao “Open Air”, que surgiu nos Estados Unidos pelas mãos de um investigador português, João Nascimento. O “Project Open Air” funciona, também, como uma ponte entre especialistas, das mais variadas áreas, e ideias que resolvam a escassez de material médico nesta batalha contra o novo coronavírus.

A produção de ventiladores de código aberto é uma delas – a ideia surgiu há três semanas e já terminou a primeira fase de desenvolvimento. São ventiladores de emergência para cuidados intensivos, criados com materiais industriais comuns por um grupo de voluntários portugueses. Depois dos testes laboratoriais bem sucedidos, a equipa registou a patente do ventilador “em nome da Humanidade, para que nenhuma entidade possa retirar proveitos económicos desta inovação”, como explica a organização em comunicado.

A grande vantagem passa pelo baixo custo de fabrico deste modelo minimalista, o que, ultimamente, facilita a sua produção em escala, a nível mundial. Os criadores do projeto asseguram que para produzir o equipamento são necessários “componentes baratos e de fácil acesso”, pelo que “pode ser produzido em massa e em qualquer parte do mundo, a um baixo preço e com grande rapidez”. Com o protótipo, que “cumpre os requisitos mínimos necessários à ventilação de doentes COVID-19”, a Open Air espera poder “salvar dezenas de milhares de vidas”.

“Pneuma”: o ventilador alternativo do INESC-TEC e FEUP



O “Pneuma” é o protótipo desenvolvido por uma equipa de engenheiros e médicos liderada pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Trata-se de um ventilador alternativo “com um balão autoinsuflável, de baixo custo e fácil montagem”, conforme se lê no comunicado enviado à imprensa.

Tal como os outros protótipos que têm sido desenvolvidos a nível nacional, foi criado para apoiar os hospitais portugueses no combate ao novo coronavírus. O grande objetivo do “Pneuma” é libertar os ventiladores “convencionais” para os casos mais graves, podendo ser usado nos pacientes que aguardam transferência para hospitais centrais. Em caso extremo de falta destes equipamentos, o “Pneuma” é uma opção.

O dispositivo permite controlar o volume, a frequência respiratória e a inspiração e expiração. Segundo Nuno Cruz, coordenador do projeto, “é rapidamente replicável, ou seja, é mais fácil, rápido e económico produzir soluções iguais a esta do que ventiladores novos”, lê-se no comunicado. Criado a partir de um trabalho original da Universidade de Rice, nos Estados Unidos, o protótipo mimetiza a utilização manual de um balão.

O modelo já foi testado em ensaios pré-clínicos e, neste momento, está a ser organizada a sua industrialização, produção e montagem. Nuno Cruz, investigador do INESC TEC e professor na FEUP, estima “poder colocar o projeto e um plano para entrega dos dispositivos nas mãos das autoridades de saúde dentro de duas semanas”.

A Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP) é a entidade que está a suportar os custos de produção de uma pré-série para testes em hospitais. As primeiras unidades serão entregues à Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte).

A equipa responsável pelo desenvolvimento do “Pneuma” é composta por entidades como a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), o Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), e o Centro Hospitalar Universitário do Porto – Hospital de Santo António.

O trabalho está a ser feito em pro bono, em contacto com o Infarmed, e os resultados obtidos serão propriedade intelectual aberta. A ideia é permitir a produção do modelo em qualquer país do mundo.

“Project Tube Connector”: um complemento para sistemas não invasivos



Paulo Roberto, anestesiologista no Hospital de Gaia e doutorado em Biomedicina, está a desenvolver um equipamento de ventilação alternativo para os doentes internados com COVID-19. Com a ajuda de Pedro Duarte Menezes, aluno de mestrado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), um protótipo funcional ficou pronto a 16 de março.

Este mecanismo – intitulado de “Project Tube Connector”- pretende complementar os sistemas de ventilação assistida não invasivos, disponíveis nas unidades de saúde. Ou seja, não se trata de um novo aparelho, mas sim de uma nova manga de conexão que liberta o ar expirado pelo doente. Resulta de uma colaboração multidisciplinar entre engenheiros, biomédicos e designers, e com empresas de impressão 3D e de fabrico de plásticos e borrachas.

A inovação não pretende substituir um ventilador normal mas, como diz o anestesiologista à Universidade de Aveiro (UA), pode ajudar quando se sentir a escassez dos mesmos. “Claro que ter mais ventiladores invasivos adequados é a solução ideal, mas até essas condições serem conseguidas podemos enfrentar a necessidade de ter equipamentos, que mesmo não sendo ideais, cumpram a função eficazmente”, afirma.

O protótipo passou nos testes de viabilidade realizados por uma equipa de engenheiros da Bosch Termotecnologia. “O teste de resiliência por 24 horas teve resultado positivo e o ventilador é capaz de se manter eficiente em operação contínua por esse período, sem variações significativas”, explica o médico à UA. Conclui-se, então, que este dispositivo pode ser acrescentado a um ventilador não invasivo e permitir uma intubação, e ventilação, bem sucedidas.

A implementação do conceito nas unidades de saúde ainda está a ser estudada. Paulo Roberto está a consultar colegas de profissão e tem vindo a estabelecer contacto com o Infarmed e o Ministério da Saúde sobre o protótipo.

A rede de politécnicos que se juntou para fazer dois protótipos

Também os Institutos Politécnicos de Viseu e de Coimbra criaram dois protótipos de ventiladores. No espaço de uma semana, as duas instituições desenvolveram os protótipos para tentar dar resposta à falta de ventiladores. O projeto resultou de uma colaboração com uma rede de politécnicos de norte a sul do país e de empresas. O anúncio já foi feito no dia 22 de março.

Após um processo de licenciamento junto do Infarmed, os dois modelos poderão ser depois fabricados em série, afirmou à Lusa o presidente do Instituto Politécnico de Viseu (IPV), João Monney Paiva. A ideia partiu de uma equipa de 15 a 20 pessoas de ambas as instituições.

Relativamente aos dois arquétipos de ventiladores de emergência, segundo João Monney Paiva, um deles é “baseado na operação de um motor elétrico” e o outro funciona “com base em ar comprimido pneumático”. Ambos foram baseados num modelo de acesso livre disponibilizado pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology).

De acordo com o presidente do IPV, já está montada uma rede de politécnicos de Beja, Bragança, Cávado e Ave, Guarda, Lisboa, Tomar e Viana do Castelo disponíveis a colaborar com máquinas usadas em contexto de aulas ou de investigação para apoiar na produção dos ventiladores.

Medtronic: a partilha global de um modelo de ventilador

Tal como o MIT, também a Medtronic – uma das maiores empresas a nível mundial no setor da tecnologia médica – partilhou especificações técnicas e manuais de fabrico de um modelo de ventilador. O objetivo é o mesmo: acelerar o aumento da produção global destes equipamentos e ajudar os médicos e doentes que estão a lidar com a COVID-19.

O modelo de ventilador em causa chama-se PB 560 e pode ser utilizado em vários tipos de cuidados. Fornece suporte respiratório a adultos e crianças, pode ser usado em hospitais ou em casa, e garante ainda suporte respiratório móvel.

A tecnologia e design do equipamento “tornam-no numa solução de ventilação importante para fabricantes, criadores, startups e instituições académicas que pretendem aumentar rapidamente o desenvolvimento e produção de ventiladores”, conforme se lê no comunicado de imprensa.

O ventilador PB 560 foi introduzido no mercado inicialmente em 2010 e, atualmente, é vendido em 35 países em todo o mundo. O produto e as suas especificações técnicas já podem ser consultadas, a empresa garante que outras informações em falta vão ser disponibilizadas em breve. Inês Pinto e Mara Tribuna – Portugal in “JPN-JornalismoPortoNet” da “Universidade do Porto”

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Portugal - Universidade de Lisboa vai abrir cursos de engenharia em Xangai

A Universidade de Lisboa está a ultimar a parceria com a Universidade de Xangai, para a abertura, já no próximo ano, de três cursos de engenharia naquela universidade chinesa. O currículo dos cursos, o nome dos professores, a forma como vai ser ensinado e o modelo financeiro “já estão fechados"

O estabelecimento de ensino português prevê a abertura dos cursos já em 2020, e o objetivo é abrir as três licenciaturas, num total de 60 vagas.

Em entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1, António Cruz Serra, adiantou que “nesta nova escola vão ser lecionados três cursos de engenharia, civil, eletrotécnica e de computadores e engenharia do ambiente.

“Haverá também mestrados nestas áreas, mas que só devem avançar no ano seguinte ao lançamento da escola”, referiu o reitor da Universidade de Lisboa.

Os cursos vão funcionar em Xangai durante a licenciatura, exceto num semestre, que será em Lisboa.

"Portanto os alunos chineses virão para Lisboa um semestre, quer na licenciatura, quer no mestrado, nós daremos 30% de todas as aulas, quer em Xangai, quer em Lisboa, e, de licenciatura, e seremos responsáveis por 50% de todas as aulas nos mestrados, É uma grande operação, que envolve recursos grandes, isto tem que se fazer com dimensão", explicou.

Serão deslocados também professores da Universidade de Lisboa para Xangai.

O ensino destes cursos na faculdade da Universidade de Lisboa em Xangai será realizado em inglês, mas terá uma segunda língua, nomeadamente portuguesa, “que permitirá que os estudantes tenham obrigatoriamente, disciplinas de português”. In “Revista Port. Com” - Portugal

domingo, 11 de agosto de 2019

Lusofonia - Escolas de engenharia portuguesas unem-se para reforçar impacto no mundo lusófono

Com a presença da Universidade de Aveiro (UA), um Consórcio que une seis das principais Escolas de Engenharia portuguesas numa estratégia conjunta e com vista para o mundo e o futuro - e tendo para já como foco os países de língua portuguesa- foi anunciado a 24 de julho, numa cerimónia presidida pelo ministro da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor



O evento contou com os representantes das seis escolas de Engenharia, e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) que se junta a esta colaboração. O Consórcio (CEE) reúne o Instituto Superior Técnico, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM), Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT Nova) e a UA. A colaboração assume linhas de ação comuns em vários domínios, nomeadamente na contribuição para a excelência no ensino, na investigação e inovação.

Segundo Paulo Vila Real, que acompanhou a criação do Consórcio por parte da UA, “a qualidade do ensino, da investigação e o número de alunos na área das Engenharias, permitiu à UA associar-se aos seus membros fundadores. A participação da UA nesta iniciativa, permitir-lhe-á aprofundar a cooperação com os membros do Consórcio, contribuindo de maneira relevante para a formação de quadros, docentes e investigadores dos países de língua portuguesa. Os decisores políticos passarão a dispor de um interlocutor que contribua para as reflexões e decisões de políticas de educação e investigação na área das engenharias”.

“Formar docentes e investigadores dos países de língua portuguesa, capacitando-os da melhor forma para os desafios do futuro e para as lideranças que poderão exercer” é um importante objetivo deste consórcio, de acordo com João Falcão e Cunha, diretor da FEUP. Prova disso mesmo serão as 20 bolsas de doutoramento atribuídas anualmente ao consórcio, a serem atribuídas por concurso, e que estarão já disponíveis a partir do próximo ano letivo.

A ideia vem sendo trabalhada pelos representantes das escolas de Engenharia há algum tempo, cientes das mais-valias que residem nesta colaboração. “Como se costuma dizer a união faz a força e conjuntamente temos uma capacidade de ensino, inovação e investigação muito maior”, salienta o professor João Falcão e Cunha, que foi nomeado diretor executivo do consórcio. “Queremos, com este consórcio, que a Engenharia tenha, cada vez mais, um maior impacto na sociedade e na economia portuguesas, e o reforço da formação é um investimento fundamental para atingirmos esse objetivo”, acrescenta o diretor da FEUP.

Os resultados deste Consórcio tornar-se-ão visíveis já em setembro, com a abertura de concursos para os estudantes de doutoramento. “O que vamos propor é que esse conjunto de alunos, apesar de serem distribuídos pelas várias escolas, sejam acompanhados e se mantenha o contacto entre eles para que se criem laços que no futuro podem vir a ser importantes como forma de ligar as escolas e empresas em que vão trabalhar”, salienta o professor Arlindo Oliveira, membro da Comissão Executiva. Além das bolsas, está previsto que sejam, também, celebrados anualmente, e no âmbito das mesmas, dois contratos para investigadores doutorados.

O MOOC “Astrolábio” que versará sobre a área de Sistemas de Informação e Engenharia de Software é outro dos produtos resultantes deste Consórcio.  O curso de ensino à distância conta com o contributo das seis escolas da Engenharia e estará disponível a partir de janeiro de 2020. “Este é também um contributo importante, e identificámos esta área das tecnologias de informação como sendo uma das mais relevantes nos dias que correm”, explica o professor Arlindo Oliveira.

O Centro UNESCO, com a designação de Ciência LP – Centro Internacional para a Formação Avançada em Ciências Fundamentais de Cientistas oriundos dos Países de Língua Portuguesa, também apresentado hoje pela FCT, é um reforço e simultaneamente um pilar dos objetivos do CEE. O mesmo tem como objetivo dar formação avançada aos cientistas, numa primeira fase de língua portuguesa, e se as necessidades identificadas assim o justificarem em outras línguas. O objetivo é melhorar a capacidade de investigação e de educação dos candidatos que vêm destes países. As bolsas de doutoramento e a contratação de investigadores por parte dos consórcios serão feitas em articulação com o Centro UNESCO.

A sessão da assinatura do Consórcio contou também com a presença da ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola, Maria do Rosário Sambo, do ministro da Educação Nacional e Ensino Superior da Guiné-Bissau, Daurtarin Costa e da ministra da Educação, Família e Inclusão Social de Cabo Verde, Maritza Rosabal Peña.

Aproveitando o momento e a sua essência foi também assinado um protocolo de cooperação entre a Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) e o Consórcio de Escolas de Engenharia (CEE) para “estimular a modernização progressiva e a reestruturação do ensino da engenharia no contexto universitário europeu”. In “Universidade de Aveiro” - Portugal

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Estados Unidos da América - Assista à construção do próximo robô que irá a Marte

Assistir construção do robô marciano



Você já pode acompanhar ao vivo o processo de construção e montagem do robô marciano Mars 2020 (Marte 2020), que a NASA planeja enviar ao planeta vermelho no ano que vem.

Uma câmera recém-instalada oferece ao público uma visão do rover à medida que ele toma forma no Laboratório de Propulsão a Jato, em Pasadena, na Califórnia.

É possível ver os engenheiros e técnicos montando e testando todos os equipamentos do robô dentro de uma sala limpa. Os estágios de navegação e descida à superfície já foram montados e testados.

A webcam só mostra vídeo - sem áudio.

O trabalho na sala limpa começa às 9h da manhã no horário de Brasília (8h da manhã no horário de Nova Iorque).

A sala limpa pode estar ou parecer estar vazia quando a atividade de montagem precisa ser transferida para outras instalações ou quando o trabalho sai da vista da câmera para outras partes da sala limpa. Segundo a NASA, a câmera também pode ser desligada periodicamente por problemas técnicos ou de manutenção.

É possível assistir a montagem do robô marciano ao vivo aqui.

Marte 2020

Finalizados a montagem final e os testes, o robô marciano será enviado ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

O período de lançamento começa em 17 de julho de 2020. Se não houver atrasos, o Marte 2020 chegará a Marte em 18 de fevereiro de 2021.

Além de procurar sinais de antigas condições habitáveis e vida microbiana passada, o robô coletará amostras de rocha e solo, armazenando-as em tubos de amostra na superfície do planeta, para que elas possam ser coletadas por missões futuras para serem trazidas à Terra. In “Inovação Tecnológica” - Brasil

sábado, 25 de maio de 2019

Cooperação entre Portugal e China vai permitir na área da engenharia criar uma escola superior conjunta

Portugal e China vão criar uma escola conjunta que agregará a Universidade de Lisboa e a de Xangai e que será dedicada sobretudo às áreas de engenharia, disse o reitor da Universidade de Lisboa.

“Se tudo correr bem, no próximo ano é já possível termos a ‘joint school’ a funcionar em Xangai”, disse à Lusa António Cruz Serra, à margem do encontro “Anos de cooperação entre Portugal e China”, a decorrer em Lisboa.

De acordo com o reitor, a ‘joint school’ permitirá aos alunos “fazer o curso em Xangai e parte em Lisboa”, sendo o grau académico atribuído pelas duas universidades.

O projecto encaixa-se no âmbito da cooperação entre instituições do ensino superior dos dois países que já “abrange 64 universidades chinesas”, referiu António Cruz Serra.

Em estudo está também a “criação de uma universidade conjunta”, desta vez incluindo um grupo privado, e que significa “uma participação em pé de igualdade da universidade estrangeira [neste caso, portuguesa] e da universidade chinesa”.

Um projecto que ainda terá de passar pela aprovação dos ministérios da Educação dos dois países, mas em que a China já tem experiência.

“São uma experiência chinesa desde o início do século XXI e começaram com universidades inglesas”, explicou o responsável da Universidade de Lisboa, adiantando que, neste caso “é mandatório ter um terço dos docentes de cada universidade”.

Actualmente, e de acordo com Cruz Serra, existem 1100 alunos chineses em Portugal, dos quais cerca de 20 por cento estão na Universidade de Lisboa. In “Hoje Macau” - Macau

domingo, 5 de maio de 2019

Macau - “Esperamos introduzir tecnologias avançadas nos países lusófonos”

O presidente da Assembleia-Geral da Associação dos Engenheiros de Macau olha com confiança para o projeto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Eddie Joe Wu, que também é deputado nomeado à Assembleia Legislativa, salienta que foi atribuída a Macau a missão de ter um papel liderante no processo de desenvolvimento da zona ocidental do Delta do Rio das Pérolas. A ligação com os países de língua portuguesa é central, afirma, ao mesmo tempo que demonstra preocupação com a escassez de profissionais qualificados em número suficiente para o desenvolvimento futuro

- De que forma deve Macau posicionar-se para tirar proveito do plano de desenvolvimento da Grande Baía?

Eddie Joe Wu - O Plano da Grande Baía prevê entre as nove cidades de Guangdong e as duas regiões administrativas especiais, quatro cidades que servirão como âncora para o desenvolvimento da região. Macau é a única dessas quatro que fica localizada na zona ocidental do Delta do Rio das Pérolas, sendo a “cabeça do dragão” deste lado sendo-lhe atribuído um papel especial para fomentar o desenvolvimento de Jiangmen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai.

O desenvolvimento de Macau reflete também a estratégia indicada pelo Governo Central de ênfase na plataforma com os países de língua portuguesa e na cidade como centro mundial de turismo e lazer ao mesmo tempo que funciona como um centro de cultura e património da China. Macau é um local único onde as culturas oriental e ocidental se encontram de uma forma que não tem par noutros locais. Sendo assim, o posicionamento de Macau é bastante claro. Temos agora que encontrar formas de ligação com o exterior, incluindo a integração da indústria e tecnologia com outras cidades da zona ocidental da Grande Baía.

- O que pode ser concretizado nesse campo?

E.J.W. - Esperamos introduzir tecnologias avançadas nos Países de Língua Portuguesa (PLP). Ao mesmo tempo, procurar-se-á, atrair fundos, através de Macau, para investimentos nos PLP.

Macau é também uma plataforma informativa, uma vez que somos uma cidade mais aberta ao exterior que no passado, funcionando como ponto de contacto entre a China e o Ocidente. Os nossos media poderão ser usados como veículo de difusão de informação através de Macau para se chegar a Zhuhai, Zhaoqing ou Zhongshan.

- Que medidas pode o Governo de Macau tomar para estimular o desenvolvimento do plano?

E.J.W. - Parece haver uma certa contradição aqui. Macau tem falta de talentos e ao mesmo tempo necessita de muita mão de obra qualificada. Por exemplo, diz-se que Macau necessita de avançar para a diversificação económica e desenvolvimento tecnológico, mas não temos um número suficiente de gestores e mão-de-obra qualificada. Por outro lado, espera-se que os nossos jovens possam aproveitar as oportunidades que advém do desenvolvimento da Grande Baía.

Todavia, na verdade, não há contradição. Porquê? Porque, por um lado Macau como plataforma pode atrair e introduzir talentos, a partir das nossas relações, para fazer ligação com outras cidades da Grande Baía. Além do mais, ao entrar na Grande Baía, uma empresa pode também atrair talentos para Macau. É por isso que o Governo devia encorajar mais jovens para utilizarem Macau como plataforma no futuro.

- Como devem os empresários de Macau encarar este processo para maximizar as suas oportunidades?

E.J.W. - Há tantas oportunidades à vista. Como empresários o que podemos fazer? Em primeiro lugar há a aposta nos talentos, uma vez que temos dificuldades aqui em Macau. Sobretudo, os estudantes da China continental que se formam nas universidades em Macau não podem trabalhar em Macau. Podemos ter como referência Hong Kong onde estes jovens têm um ano para encontrar emprego após terminarem o curso. A verdade é que ao longo dos últimos 30 a 40 anos, as universidades formaram muitos jovens que não foram aproveitados pela cidade.

-O que planeia fazer a Associação dos Engenheiros de Macau para promover o projeto da Grande Baía?

E.J.W. - O setor da engenharia em Macau no passado não tinha um papel preponderante. Nos anos mais recentes, com os projetos de grande escala como o metro ligeiro de superfície, túneis e aterros tivemos que recorrer ao exterior.

A questão é como devemos tirar proveito do projeto para localizar know how e tecnologias em Macau. Ao mesmo tempo, esperamos poder aprender com as cidades vizinhas através de uma cooperação frutífera com a Grande Baía.

Além disso, ao longo da última década, Macau tem adquirido experiência ao nível da gestão de infraestruturas. Isso é visível através do vários casinos e hotéis que surgiram. Os nossos engenheiros acumularam experiência ao nível de gestão de equipamentos, infraestruturas, proteção contra incêndios ou sistemas de segurança. Ao trabalharem na Grande Baía, a experiência dos nossos engenheiros em termos de gestão de equipamentos constitui uma mais valia.

- Como estamos ao nível do reconhecimento por parte das entidades da China continental dos técnicos de engenharia e atividades correlacionas de Macau?

E.J.W. - Cada sector procura naturalmente proteger-se, mas não podemos ter as portas fechadas. Temos de comunicar e trabalhar em conjunto. E temos de discutir a questão do reconhecimento mútuo de qualificações profissionais com Guanhzhou. Hengqin já reconhece a possibilidade de engenheiros de Macau e Hong Kong poderem participar em gestão de projetos em Hengqin, mas Macau ainda não o faz reciprocamente. Espero que no futuro todos os lados possam reconhecer-se mutuamente. Começamos com a discussão num sentido primeiro, uma vez que os engenheiros em Macau ainda estão numa fase de crescimento. J. Carlos Matias – Macau in “Plataforma”

quarta-feira, 21 de março de 2018

Portugal - Vera Navis projecta ferries para a Escócia

Uma empresa especializada em engenharia naval está a relançar as competências portuguesas na projecção e construção de navios. Dois projectos de ferries para um armador escocês, construídos em Glasgow, parecem prová-lo. E contribuem para o crescimento sustentado da empresa



Até ao final deste ano ou início do próximo, a empresa Vera Navis deverá concluir e entregar o projecto de detalhe e construção de dois ferries para transporte de passageiros e mercadorias encomendados pelo estaleiro escocês de construção naval Fergusson Marine Engineering Limited (FMEL), situado em Glasgow.

De acordo com Pedro Antunes, Director e um dos fundadores da empresa, a participação neste projecto tem sido particularmente importante para a Vera Navis, quer no plano financeiro – representa um encaixe estimado de 800 mil euros -, quer em ternos do seu desenvolvimento orgânico – permitindo-lhe um salto evolutivo relevante.

O projecto tem ainda a particularidade de se destinar à construção, pela primeira vez no Reino Unido (nos estaleiros da FMEL, em Glasgow), de ferries dotados de propulsão mista (a gás natural liquefeito, ou GNL, e a marine gas oil, ou MGO) e para operarem entre portos escoceses, sob a propriedade do armador Caledonian Maritime Assets Limited (CMAL).

Participam igualmente no projecto outras empresas, com outras especialidades, como a TTS, a Kongsberg e a Wartsilla. A cargo da Vera Navis ficou o plano tridimensional, os planos de construção e a “coordenação para o detalhe de estruturas, sistemas de redes de fluídos e gás, modelo de ventilação e ar condicionado e rede eléctrica e esteiras”, conforme já divulgado na Revista de Marinha.

Segundo apurámos, originalmente, o projecto destinava-se a dois navios iguais, mas posteriormente evoluiu para dois projectos distintos, com diferenças ao nível das estruturas e dos sistemas. O orçamento inicial também evoluiu, de cerca de 650 mil euros para o valor estimado actualmente. Em Novembro, recorda a Revista de Marinha, a primeira destas embarcações, a Glenn Sannox, foi posta a flutuar, o que não significa que esteja concluída.

O conceito dos navios é o de embarcações com 102 metros, capazes de transportar até mil passageiros e 127 veículos “ou 16 HGV’s ou uma combinação de ambos”, refere o site oficial da Vera Navis. Sendo que HGV’s (heavy goods vehicle) designa veículos para transporte de carga pesada. A boca é de 17 metros e a velocidade até 16 nós.

Consta ainda do mesmo site que “os ferries serão capazes de operar numa faixa de calados e velocidades para atender aos requisitos precisos do operador actual CalMac Ferries Ltd, e serão capazes de servir uma vasta gama de portos e rotas, sem significativo desenvolvimento nos seus esperados mais de 30 anos de vida útil”. Ali se diz também que “para garantir que as novas embarcações podem operar nas condições exigentes da costa oeste da Escócia, o design vencedor da FMEL incorpora uma elevada redundância melhorando a sua fiabilidade e a capacidade”.

De acordo com Pedro Antunes, o que permitiu à empesa aceitar o projecto foi a percepção “de que não ia ser tão intenso como parecia”. Trata-se de um projecto para requerer cerca de 20 pessoas durante pouco mais de um ano, mas tratando-se de um projecto para mais de dois anos, como acabou por ser o caso, as mesmas 20 pessoas são disponibilizadas, mas de forma mais distribuída no tempo.

Crescimento sustentado

A Vera Navis tem hoje uma equipa de 20 pessoas, das quais cerca de 50% são engenheiros navais, possuindo ainda engenheiros de outras especialidades (aeroespacial, química), todos provenientes do Instituto Superior Técnico (IST), e é, porventura, a principal empresa do país vocacionada para a sua actividade que, tal como se refere no seu sítio oficial, combina serviços de arquitectura naval, engenharia naval, software de design e construção naval e supervisão.

A empresa nasceu em 2009, pela mão de Pedro Antunes e Luís Batista, “no rescaldo de uma empresa que tinha sido formada com um sócio norueguês na véspera da crise do mercado naval”, referiu-nos Pedro Antunes. Em 2009, os dois fundadores tornaram-se fornecedores de serviços de uma ferramenta de desenho naval.

Hoje, são revendedores do software canadiano Shipconstructor para a Península Ibérica, tendo-se tornado os responsáveis pela sua implementação e formação dos seus utilizadores na Europa, e têm outro sócio (uma empresa francesa, que é a representante europeia do software), mas entre os dois detêm mais de 50% da empresa.

Conforme explicam no seu sítio oficial, este software é “dedicado à modelação e desenho de detalhe de estruturas, encanamentos e aprestamentos de navios”, correndo “em ambiente AutoCad” e é o único “no mercado com uma integração total na mesma base de dados das diversas especialidades do navio”. Todos os outros softwares do género “têm a sua informação fragmentada”, ao contrário deste, referiu-nos Pedro Antunes.

A partir de 2010 começaram a ter projectos para embarcações de 10 e 15 metros e a empresa foi crescendo e o projecto para a Escócia acelerou o processo. “Estávamos a recrutar, em média, uma pessoa por ano, nos primeiros cinco anos, e agora, só este ano, já recrutámos cinco pessoas”, admitiu Pedro Antunes. Agora, “importa estabilizar”, referiu-nos o fundador.

O mesmo responsável admitiu ao nosso jornal que, antes deste projecto, a empresa já tinha tido convites para outros trabalhos, maiores do que este “e até de valores superiores”, mas que se tivessem sido aceites, “iam correr mal” por falta de massa crítica. Agora foi o momento certo para um trabalho desta dimensão, que é o de maior valor alguma vez encomendado à Vera Navis. Só por si, representou um volume de negócios equivalente a cerca de 60% do total realizado desde sempre pela empresa.

De acordo com Pedro Antunes, tem sido seguida uma estratégia sustentada para os recursos humanos, e por consequência, para o rumo da própria empresa. “Penso que a equipa está a ficar forte”, referiu-nos, acrescentando que deseja uma “equipa compacta, versátil e com alguns seniores”. “Neste momento, temos um mercado que, apesar da sua incerteza, não coloca a equipa em risco”, reconheceu.

Depois de um ano de 2016 com um volume de negócios invulgarmente alto, a empresa deve fechar 2017 com um volume de negócios de 650 mil euros (o ano ainda não está fechado) porque foram deferidos proveitos, dado que o contrato prevê pagamentos independentemente das entregas. E a previsão para 2018 é a de um volume de negócios a rondar os 800 mil euros, “o que consideramos positivo”, admitiu-nos Pedro Antunes.

Quanto aos elementos mais antigos na empresa, “temos que os colocar a tomar conta dos seus próprios projectos e quando isso acontecer, damos por concluída a primeira fase da empresa, que é a da batalha técnica”, esclarece Pedro Antunes, numa referência ao facto de Portugal estar a retomar competências técnicas de construção naval que se foram perdendo ao longo dos últimos anos. A ponto de Portugal ter ido ao Reino Unido, outro país que perdeu tradição naval, partilhar o seu conhecimento, via Vera Navis.

“Nós queremos, no período de dois, três ou quatro anos, formar mais um especialista”, até porque é difícil ir recrutar um sénior ao mercado. Em Portugal, após concluírem o curso de Engenharia, os recém-formados “ou vão para o estrangeiro, onde se tornam especialistas numa área e não numa empresa tão pequena como a nossa”, nem com as expectativas salariais próprias de Portugal, ou “ficam cá e muito rapidamente deixam de ser engenheiros e tornam-se gestores de qualquer coisa”, refere o fundador da Vera Navis.

O mesmo responsável considera que, nesta área, “os seniores que existem Portugal não são seniores em Engenharia, são seniores, já não fazem Engenharia desde o IST”, pelo que integrá-los na empresa é o mesmo que nada. “Têm uma expectativa salarial face ao que de facto conseguem entregar que é totalmente irrealista”, referiu-nos Pedro Antunes, adiantando que na Vera Navis “evolui-se de baixo para cima”.

Por isso, a empresa opta por recrutar no país, desde cedo, para ir formando as pessoas durante anos e ir crescendo. E admite que importa remunerar bem a equipa, para a manter. “Estamos a tentar dar o máximo de condições a quem está cá para não irem embora, porque ninguém quer ir para a Escócia, a não ser que paguem muito bem”, afirmou Pedro Antunes ao nosso jornal.

Mercados

O projecto escocês serve também para ilustrar que a empresa não perde de vista o mercado externo. E nesse plano, a Noruega, o Reino Unido e a França, por esta ordem, têm sido os principais mercados, sendo-o também em termos globais da empresa. Pedro Antunes, admite no entanto que este projecto pode tornar o Reino Unido no principal mercado e que em 2018 Portugal pode ultrapassar a França como terceiro principal mercado da empresa.

Em Portugal, a Vera Navis tem alguns clientes importantes, com destaque para o Grupo ETE. Pedro Nunes sublinha também que desde 2009, ano da criação da empresa, esta sempre registou alguma facturação em Portugal. Mas admite que se só dependesse do mercado nacional, a empresa não teria mais de dois elementos. Noutras ocasiões também já foram prestados serviços à Navalria e aos Estaleiros de Viana do Castelo, antes da fase West Sea. A empresa foi também consultada por ocasião da aquisição de um novo navio científico pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que acabaria por ser o Mar Portugal.

Questionado sobre a diversificação do mercado externo da empresa, designadamente, para fora da Europa, para a Ásia ou o Extremo Oriente, Pedro Antunes apenas considera, por agora, a possibilidade da América do Norte, e aí refere-se essencialmente ao Canadá, “que investiu na Marinha e tem um programa de revitalização dos estaleiros”. Já os Estados Unidos são um mercado suficientemente extenso por si só, com algumas regras proteccionistas (no caso da construção para cabotagem, por exemplo) e reservas de informação quando está em causa um projecto militar.

Fora deste quadro, noutros mercados, “os negócios são muito politizados, com clientes que exigem muita capacidade financeira e política e alguma capacidade técnica”, refere. E conclui, sublinhando que no que respeita à capacidade técnica, a Vera Navis possui-a, deixando no ar a resposta às outras capacidades.

Face à influência do mercado britânico na carteira de negócios da empresa, coloca-se a questão de saber se o Brexit terá impacto na actividade da Vera Navis. Admitindo que esse é um tema sobre o qual ainda pairam muitas incertezas, Pedro Antunes esclareceu-nos que já foram equacionados vários cenários.

Um dos cenários implica a desvalorização da moeda britânica, o que torna a Vera Navis mais dispendiosa sem ter feito nada para isso. “Isso pode ser um problema”, reconhece. Outra possibilidade é a eventual necessidade de sub-contratação do Reino Unido na construção naval, se não adquirirem capacidades entretanto. E nesse caso, “estamos na corrida” e, no limite, “podemos equacionar instalar lá uma delegação, se se justificar”.

De uma coisa Pedro Antunes parece não duvidar: “vai haver um recrudescimento da indústria naval no Reino Unido por causa do Brexit”. Na sua opinião, alguns estaleiros terão aí uma oportunidade de ter trabalho. In “Jornal da Economia do Mar” - Portugal