Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Portugal – BEN, o automóvel elétrico português

BEN recebe homologação europeia e coloca Portugal no mapa dos construtores de veículos elétricos


Portugal passa a contar, formalmente, com um veículo elétrico homologado para circular em toda a União Europeia. O BEN, desenvolvido pelo CEiiA, o Centro de Engenharia e Desenvolvimento, recebeu o certificado de homologação europeia após um processo técnico realizado no centro IDIADA, em Espanha, concluindo a primeira fase de desenvolvimento do projeto e abrindo caminho à sua produção e utilização em vários países europeus.

Segundo o CEiiA, o BEN foi concebido desde o início como um e-car pequeno, acessível e sustentável, pensado para ser utilizado e transacionado como serviço. O modelo integra um contador de emissões de dióxido de carbono evitadas, que permite acompanhar e compensar, durante a utilização, as emissões associadas à sua produção. Esta funcionalidade assenta na tecnologia AYR, distinguida com o Prémio Bauhaus Europeu em 2021.

A arquitetura do BEN resulta da integração de duas plataformas desenvolvidas em Portugal, uma digital e outra física, pensadas para permitir a adaptação do veículo a diferentes serviços de mobilidade.

Plataforma digital Spirit

A plataforma digital SPIRIT funciona como uma camada de software externa ao veículo, desenhada para evoluir continuamente com a integração de novas funcionalidades. Inclui identificação e personalização do utilizador através de sistemas biométricos, acesso ao veículo por chave digital partilhada, configuração do modelo em função do serviço, ferramentas de inteligência e análise de dados, bem como um Digital Twin do veículo em tempo real. Esta plataforma permite ainda a monitorização contínua das emissões de carbono evitadas, promovendo a integração entre veículos, utilizadores e infraestruturas.

Plataforma física Body

A plataforma física BODY baseia-se numa arquitetura modular e leve, estruturada num formato “skate”, com cerca de 2,50 metros de comprimento, 1,50 metros de largura e 1,52 metros de altura. O interior é flexível e multiconfigurável, permitindo até três lugares e uma capacidade de carga variável entre 100 e 400 litros. Esta base foi concebida para diferentes aplicações, desde o transporte de passageiros às pequenas entregas, e está preparada para futura integração de sistemas de condução autónoma.

O BEN é uma das concretizações da Agenda Mobilizadora e Verde para a Inovação Empresarial Be.Neutral, integrada no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e gerida pelo IAPMEI. A agenda é liderada pela NOS e envolve cerca de 40 parceiros, incluindo o CEiiA e oito municípios do Norte de Portugal, entre os quais Guimarães, que será Capital Verde Europeia em 2026.

Helena Silva, administradora e CTO do CEiiA, afirma que “com o BEN, Portugal é, a partir de agora, um construtor (de mobilidade) europeu”, sublinhando que o projeto representa uma resposta europeia a um modelo social mais inclusivo, baseado em veículos elétricos acessíveis, compactos e sustentáveis. A responsável enquadra ainda o BEN na iniciativa “Small and Affordable e-car”, lançada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Com a homologação agora obtida, o CEiiA prevê avançar com a produção de uma primeira série de unidades na BEN Garagem, em Matosinhos. A fase seguinte contempla a produção de lotes de edições limitadas, adaptadas a diferentes aplicações, acompanhada pela evolução do produto e da unidade piloto de produção, com capacidade estimada para 200 unidades por ano.

De acordo com a informação divulgada, a produção em larga escala deverá arrancar em 2026, através de vários locais de produção em Portugal e noutros países europeus. Estão igualmente em curso negociações para que, em 2030, a produção descentralizada atinja as 20.000 unidades anuais, com um preço anunciado a partir dos 8000 euros. In “Sapo” - Portugal



quarta-feira, 2 de abril de 2025

Portugal - Apresenta primeiro avião civil-militar LUS-222

O LUS-222 é um bimotor de asa alta com porta de carga traseira projetado pelo Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), a Força Aérea Portuguesa e a empresa Geosat, primeira aeronave projetada e fabricada em Portugal, que deverá realizar o primeiro voo em 2028



Representantes da CTI Aeroespacial, incluindo militares da Força Aérea Portuguesa e da empresa Aircraft and Maintenance, apresentaram esta quarta-feira a aeronave LUS-222, no Brasil, durante a feira LAAD Defense & Security, realizada no Rio de Janeiro.

O LUS-222 é um bimotor de asa alta com porta de carga traseira projetado pelo Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), a Força Aérea Portuguesa e a empresa Geosat, primeira aeronave projetada e fabricada em Portugal, que deverá realizar o primeiro voo em 2028.

Os desenvolvedores do projeto preveem que o avião terá a capacidade de transportar 19 passageiros ou até duas toneladas de carga, podendo atuar em missões militares, missões de busca e salvamento e também na aviação comercial regional. A aeronave terá um alcance de até 2100 quilómetros e poderá atingir velocidade de até 370 quilómetros por hora.

João Cartaxo Alves, chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa, disse à Lusa que a aeronave foi projetada inicialmente para transporte civil regional, mas com a adesão da Força Aérea houve o desenvolvimento de capacidades e perspetivas para missões militares.

"A Força Aérea juntou-se ao projeto por ver as necessidades e também por poder adaptar a aeronave para cumprir determinadas missões fundamentais, nomeadamente, desde logo, o apoio à preservação da vida em evacuações aeromédicas, em busca e salvamento, em transporte e carga, lançamento de carga para sítios em que haja necessidade e que haja impossibilidade de aterrar", explicou Cartaxo Alves.

"É para isso que a Força Aérea se juntou a este projeto para desenvolver esta característica do 'dual-use' civil e militar e é nisso que estamos a desenvolver este projeto", acrescentou.

O projeto do LUS-222 conta com investimentos de 220 milhões de euros, que incluem a construção de uma fábrica em Ponte de Sor, capaz de produzir 12 aviões por ano num turno e 20 aviões por ano em dois turnos.

O projeto é financiado por fundos públicos nacionais e europeus, através do apoio do Governo português, por capitais próprios dos acionistas da empresa e fundos de investimento privados.

"Porquê o Brasil? Por duas razões principais"

Miguel Braga, administrador da Aircraft and Maintenance, empresa que está a desenvolver e que vai construir, industrializar e comercializar o avião, apontou que a aeronave portuguesa tem um trem de poiso fixo e pode aterrar em pistas não preparadas, não pavimentadas e muito curtas e, portanto, o Brasil é um bom mercado para sua comercialização.

"Porquê o Brasil? Por duas razões principais. Uma, é público que a Força Aérea Brasileira quer substituir a aeronave Bandeirantes, que continua a operar, mas que já não se fabrica e o Brasil tem mais de 60 aviões Bandeirantes esta quarta-feira em operação que vão terminar o seu tempo de vida", afirmou Braga.

"Portanto, o Luz 222 apresenta-se como uma das soluções para a Força Aérea Brasileira substituir a sua frota de aviões do mesmo segmento que já vão deixar de voar", acrescentou.

Falando sobre a parceria entre Brasil e Portugal no segmento de Defesa e Aviação, que vai além da aeronave apresentada na maior feira de Defesa da América Latina no Rio de Janeiro, Cartaxo Alves classificou a relação entre os países de "virtuosa e fundamental".

"Nessas parcerias ao nível da aeronáutica aeroespacial, desde logo, vemos o caso do KC-390 da Embraer. A Força Aérea Portuguesa, depois a seguir, veio ajudar também no desenvolvimento de algumas capacidades do Supertucano", lembrou o chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa.”

"E, agora, vemos aqui também uma parceria muito interessante entre capacidades de Portugal e do Brasil, nomeadamente a conceção, o pensamento e o desenvolvimento de uma aeronave totalmente portuguesa, mas também com a Akaer, uma empresa brasileira, que vai desenhar estruturas das aeronaves, as asas, a fuselagem, e, portanto, há uma parceria virtuosa", concluiu. In “SIC Notícias” – Portugal com “Lusa”


terça-feira, 25 de abril de 2023

Brasil - Embraer assina Memorando de Entendimento com a Indústria de Defesa de Portugal

Neste 24 de abril, a Embraer anunciou, durante visita a Portugal do Presidente brasileiro, a assinatura de um Memorando de Entendimento com as empresas aeroespaciais do país, em evento que contou com a presença do Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa. O memorando foi assinado com as empresas: Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), Empordef Tecnologias de Informação, S.A. (ETI), GMVIS Skysoft, S.A. (GMV) e a OGMA S.A.


“É uma enorme satisfação celebrar uma nova etapa no relacionamento entre a Embraer e o Estado Português, por meio da indústria de Defesa de Portugal, para nós uma referência na cooperação em projetos aeroespaciais e de defesa. Os resultados da parceria estratégica do KC-390 Millennium tem mostrado o potencial que governos e empresas dos dois países, trabalhando juntos, podem alcançar”, disse Francisco Gomes Neto, Presidente e CEO da Embraer.

O objetivo principal do memorando é o desenvolvimento da Base Tecnológica e Industrial de Defesa de Portugal, reforçando a sua capacidade de desenvolver atividades de engenharia, pesquisa e desenvolvimento. Segundo a empresa, “a Embraer reforça seu compromisso estratégico de longo prazo com Portugal no desenvolvimento de seu ecossistema aeroespacial e de defesa”.

Entre os diferentes desdobramentos do memorando, destaque para o potencial relacionamento estratégico nas áreas de desenvolvimento e integração de sistemas envolvendo o A-29 Super Tucano, em sua recém-lançada versão A-29N, voltada para o atendimento das necessidades dos países membros da Organização Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Estão incluídos neste contexto os processos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, com o intuito de ampliar e aumentar as relações comerciais de longo prazo entre as empresas durante as fases de desenvolvimento, produção e suporte à operação da aeronave A-29N.

“Damos hoje, com a assinatura deste memorando de entendimento, mais um passo importante no contínuo desenvolvimento de tecnologias relacionadas ao A-29 Super Tucano. O interesse dos países da OTAN nesta aeronave levou a Embraer a anunciar, recentemente, o lançamento de uma nova versão, o A-29N, a qual, temos certeza, será um sucesso no mercado internacional”, disse Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

Empresa aeroespacial global com sede no Brasil, a Embraer tem negócios nas áreas de Aviação Comercial e Executiva, Defesa & Segurança e Aviação Agrícola. A empresa projeta, desenvolve, fabrica e comercializa aeronaves e sistemas, fornecendo Serviços e Suporte aos clientes no pós-venda. Desde que foi fundada em 1969, a Embraer já entregou mais de 8000 aeronaves.

Super Tucano – O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Ribeiro, confirmou na sexta-feira em Lisboa que a aeronáutica brasileira Embraer vai produzir o avião Super Tucano com padrões OTAN/NATO, numa parceria com as OGMA, onde a empresa já tem uma participação.

Numa “parceria da Embraer brasileira com a empresa daqui [OGMA], vamos fabricar aviões brasileiros já com as características da OTAN [NATO]” em Portugal. “O Super Tucano brasileiro não tinha” essas características, explicou. Além disso, admitiu outra ideia é exportar o KC-390, já produzido pela Embraer em Portugal, para outros países europeus.

Nesta segunda, o primeiro-ministro português destacou que os dois países vão novamente trabalhar em conjunto em um projeto da Embraer. Após a viagem de volta à capital portuguesa, presidente Lula visitou as instalações das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico da Indústria Aeronáutica de Portugal e assinou o protocolo para adaptação do Super Tucano.

“O Centro de Engenharia e Desenvolvimento foi peça central no maior projeto de inovação cooperativa e de engenharia desenvolvido entre Portugal e Brasil e que se traduziu no KC-390. Regressamos hoje a Lisboa precisamente no primeiro avião KC-390 que a Embraer já entregou à Força Aérea Portuguesa”, revelou António Costa.

KC-390 – No projeto do avião KC-390, o maior já construído pela Embraer, o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Portugal foi responsável pelo desenvolvimento completo de 2/3 da estrutura da aeronave, que acabou incorporada à Força Aérea Portuguesa. Este foi o mais relevante projeto de engenharia desenvolvido em conjunto entre os dois países, resultado de 12 anos de trabalho e de mais de 750 mil horas de engenharia.

Os investimentos realizados pela Embraer em Portugal, na Indústria Aeronáutica de Portugal (OGMA) e em duas fábricas no Parque Industrial de Évora, alcançam US$ 500 milhões, tendo gerado por volta de 2500 empregos diretos e sete mil empregos indiretos, além da cooperação tecnológica em uma área estratégica. Um contrato entre a Embraer e o governo português prevê a entrega de cinco aeronaves KC-390 à Força Aérea Portuguesa. Uma por ano, a partir de 2023, pelo montante de 872 milhões de euros.

O presidente brasileiro lembrou-se de sua última visita a Portugal e exaltou como a parceria entre a Embraer e o CEiiA, que resultou no moderno avião KC-390, comprova que a atuação conjunta entre os países pode ser ainda maior daqui para frente.

“Quando estive em Portugal pela última vez como presidente, na 10ª Cimeira, testemunhei os primeiros passos dessa parceria, com investimentos da Embraer no setor aeronáutico português. A parceria deu frutos, mostrando que quando há trabalho, diálogo e cooperação, as sementes plantadas florescem”.

O primeiro-ministro português, António Costa, adotou o mesmo tom. “Esses acordos traduzem do ponto de vista institucional o grande potencial que existe e a vontade efetiva das instituições trabalharem para abrirem a porta para que as empresas façam o seu caminho”, afirmou. “Queria agradecer a todas as empresas portuguesas e brasileiras que aqui estão, pela vontade que manifestam de se encontrar, de conhecerem e construírem projetos em conjunto”, completou Costa.

“O Centro de Engenharia e Desenvolvimento representa muito bem a cooperação empresarial que queremos impulsionar com o encontro de hoje: uma cooperação voltada para o futuro, a tecnologia, as energias renováveis, a mobilidade urbana e a saúde”, destacou o presidente Lula. In “Mundo Lusíada” - Brasil


quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Portugal – Avião desenvolvido e industrializado no país nasce em 2025

Lus 222 é o nome da primeira aeronave desenvolvida e industrializada em Portugal. Pensada em Évora e montada em Ponte de Sor, foi graças a capital estrangeiro que um avião que podia ser construído em qualquer lugar do mundo aterrou no Alentejo. Responde a uma necessidade civil e militar e está prevista a produção de 20 a 30 unidades por ano. Projeto vai criar 300 postos de trabalho e foi apresentado no Portugal Air Summit


Lus 222. A primeira aeronave desenvolvida e industrializada em Portugal nascerá em finais de 2025, prevendo-se desde já a produção de 20 a 30 unidades anualmente, reúne conhecimento português e peças nacionais, custará 100 milhões de euros, recebeu capital estrangeiro, pode criar 300 postos de trabalho direto e 800 indiretos e destina-se essencialmente ao mercado africano e sul-americano.

Miguel Braga, do Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), centro que, juntamente com o EEA Aircraft, entidade integradora responsável pelo desenvolvimento, industrialização e comercialização a partir de Portugal e de Ponte de Sor, começou por esmiuçar a razão das siglas e números no nome com o qual a aeronave foi batizada.

“Lus, de luz de Portugal”, começou por dizer durante a apresentação aos jornalistas no decurso da 6.ª edição do Portugal Air Summit, a decorrer em Ponte de Sor até dia 15. “Os três 2 são: dois motores, 2 mil quilómetros de distância e duas toneladas de carga”, enumerou.

A aeronave tem Évora como local de incubação (desenvolvimento de engenharia fixado no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia, em Évora) e será produzido em Ponte de Sor, no aeródromo municipal. O CEiiA entra como parceiro de engenharia para o desenvolvimento da aeronave, tendo como curriculum e background o trabalho realizado na aeronave KC-390 (Embraer), onde já investiu mais de 650 mil horas de engenharia.

“Vamos fazer a primeira aeronave em Portugal, terá a maior integração nacional de sempre de todos os componentes que o avião integra”, explicou. “Na verdade, a única parte que não é portuguesa, são os trens de aterragem e os motores, não há ninguém que o faça em Portugal. Tudo o resto é português”, garantiu.

“Em Ponte de Sor vamos ter a linha montagem final e é a primeira em Portugal. Temos a Embraer e as OGMA, mas nenhuma monta o avião por completo. É um grande salto para o cluster e o ecossistema aeronáutico português e é um grande resultado para o país”, sublinhou Miguel Braga durante a assinatura do memorando de entendimento entre o município de Ponte de Sor e a EEA Aircraft.

O documento possibilita a construção de um hangar para linha de montagem final de aeronaves, a primeira em Portugal, no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, no distrito de Portalegre. Ali será igualmente construída a cabina de pintura, o centro de manutenção, o centro de treino e formação e os edifícios administrativos (sede).

A aeronave regional ligeira, “não pressurizado, de 19 lugares, para dois mil quilos de carga e para dois mil quilómetros de alcance”, recordou, terá uma “versão civil e outra militar”.

Nasce a partir de uma necessidade sentida e de uma oportunidade global, explicou ainda Miguel Braga no stand do avião português, cuja maquete está em exposição na “maior cimeira” aeronáutica da Península Ibérica, Portugal Air Summit.

“A aeronave, que pela sua robustez, dimensão, custo e no final, pelo seu preço, os grandes construtores aeronáuticos deixaram de fabricar porque os custos de operação não permitiam ter uma aeronave desta dimensão e focaram-se noutras”, avançou.

“A Força Aérea brasileira tem 60 aviões com esta configuração que o fabricante deixou de produzir. Está aí um espaço de oportunidade”, especificou o responsável do CEiiA.

A aeronave de 16, 5 metros de comprimento, 6,5 metros de altura, 3,7 toneladas de peso quando vazio (suporta até 8,2 toneladas), e atinge uma velocidade de 210 KN, necessitando de 900 metros para levantar voo e 450 para aterrar, podendo fazê-lo em “pistas curtas e não pavimentadas”, frisou.

O avião made in Portugal será “muito destinado aos mercados de África e da América do Sul”, identificou. “É preciso fazer chegar pessoas e mercadorias a sítios remotos”, anotou.

O Lus 222 responderá a uma procura por este tipo de aeronave estimada em “mais de cinco mil aviões nos países de destino para substituir as aeronaves em fim de vida nos próximos 15 anos”, avançou. “Este é o racional económico para fazer um projeto destes”, prosseguiu.

A fábrica de aviões de Ponte de Sor terá capacidade para produzir “entre 20 a 30 aeronaves por ano, em velocidade cruzeiro”, afiançou o responsável da CEiiA que juntamente com a Cosme Aerospace, holding portuguesa, forma o EEA Aircraft and Maintenance.

Questionado pelo Sapo 24 sobre os custos de produção do avião, refugiou-se na alma do negócio. “Não podemos divulgar o valor da aeronave, mas sabemos o que o mercado pratica”, disparou. “A grande questão do preço está no custo. E no custo não conseguimos antecipar. Já estamos a sentir os primeiros efeitos. O software que é necessário já custa mais 15-20% quando comparado com o trimestre passado. O que poderia ter custado 6 milhões no ano passado pode custar 7 milhões daqui a três anos”, antecipou.

“O que nós prevemos até ao final de 2025, primeiro trimestre de 2026, é ter a primeira aeronave fabricada para certificação”, disse. A partir dessa data, apontou para a produção “de 20 a 30 aeronaves em velocidade cruzeiro”.

Em relação ao investimento no projeto, inserido na agenda mobilizadora Aero.Nex, não fugiu aos números ao ser questionado pelo Sapo 24 na conversa com os jornalistas. “Pelas nossas estimativas rondam os 100 milhões de euros”, precisou.

Chegado a esse ponto, Miguel Braga, não deixou de referir o papel decisivo da Cosme, parceiro privado da EEA, uma holding que “reúne capital espanhol, francês e belga”, informou. “Foram eles que decidiram apostar em Portugal. Investidores internacionais que vieram para Ponte de Sor, desafiaram o CEiiA (parceiro de engenharia e sócio), mas são eles os responsáveis por estar a ser desenvolvido em Portugal. Este avião podia estar a ser desenvolvido noutro país...”, revelou.

Não foi e será feito na cidade norte alentejana, onde criará cerca de 300 postos de trabalho diretos e cerca de 800 postos de trabalho indiretos”, reforçou Hugo Hilário, presidente da câmara de Ponte de Sor. Miguel Morgado – Portugal in “Sapo 24”


segunda-feira, 13 de abril de 2020

Portugal – Projetos nacionais para o desenvolvimento de ventiladores para o combate ao covid-19

Quase um mês depois da pandemia por COVID-19 ser decretada, já foram alcançados protótipos funcionais e industrializáveis de ventiladores pulmonares portugueses. O JPN recolheu alguns projetos pioneiros na produção de aparelhos e complementos de ventilação no país



Antes da pandemia de COVID-19, Portugal não produzia ventiladores: importava-os. Agora, em fase de mitigação do vírus, estes equipamentos tornaram-se vitais. Vários modelos estão a ser desenvolvidos e linhas de produção estão a ser reorientadas para satisfazer as necessidades das unidades de saúde. Desde protótipos criados a partir de modelos de acesso livre (open source) a dispositivos desenvolvidos por universidades e centros de investigação, Portugal já apresenta vários equipamentos de ventilação produzidos em território nacional. O JPN reuniu alguns destes projetos pioneiros.

“Atena”: a primeira linha de produção de ventiladores portugueses



Depois de três semanas de cooperação com a comunidade médica, o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produtos do Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel (CEiiA), em Matosinhos, alcançou um protótipo de ventilador funcional e industrializável na passada quinta-feira (02). O projeto, denominado “Atena”, consiste na construção de ventiladores pulmonares mecânicos invasivos para assistir na insuficiência respiratória aguda causada pela COVID-19.

“Entrámos numa lógica de comunidade, numa lógica de rede, e envolvemos médicos, investigadores e também a indústria e fornecedores para perceber rapidamente como é que nos poderíamos agilizar”, explica Tiago Rebelo, membro da Direção da Unidade de Produtos e Serviços do CEiiA, na apresentação do projeto ao primeiro-ministro, no dia 27 de março.

O centro de investigação foi convertido numa linha de produção de ventiladores e compromete-se, assim, ao fabrico de 100 ventiladores já até ao final de abril, e 10 mil até setembro, com a colaboração dos parceiros industriais. Quem o diz é António Costa, aos jornalistas, na visita ao centro em Matosinhos.

Na passada quinta-feira (02), o CEiiA emitiu um comunicado a revelar as primeiras entidades a apoiar o ventilador pulmonar português. Entre elas estão a EDP, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação La Caixa/BPI e a REN. Como explica, no mesmo comunicado, José Rui Felizardo, CEO do CEiiA, esta colaboração foi “determinante” para reforçar a “capacidade de resposta no desenvolvimento destas primeiras 100 unidades”.

A produção em causa, que em condições normais levaria cerca de um ano, está a ser reduzida para dois meses pela equipa do CEiiA. O ventilador vai permitir uma utilização intuitiva e fiável e uma fácil descontaminação. Além disso, deve garantir um “funcionamento contínuo, sem falhas, por um período mínimo de 15 dias – 24 horas por dia – e ser compatível com outros componentes médicos”, como se pode ler no comunicado.

“Air4all”: o projeto que antecipou a necessidade de ventiladores



A Air4all é um projeto português que nasceu para oferecer ventiladores aos hospitais. Em declarações ao JPN, Helena Simão de Almeida, responsável pelo departamento de comunicação, explica que a realidade vivida em países próximos chegaria, eventualmente, a Portugal. “Apercebemo-nos de que os ventiladores estavam a apertar em Itália e o que se passava lá passaria cá também, posteriormente. Tentamos usar esse tempo que tínhamos, até à chegada do vírus, para criar e desenvolver ventiladores”, conta.

Depois dessa tomada de consciência, Pedro Monteiro, o coordenador do projeto, que “como está na área da mecânica [é diretor executivo da Morphis Composites], percebeu que haveria alguma coisa da parte dele que pudesse fazer, então começou a reunir uma equipa”, esclarece Helena Simão de Almeida sobre a fundação da Air4all.

O projeto reúne especialistas de várias áreas: investigadores do Instituto Gulbenkian, professores do Instituto Superior Técnico de Lisboa, médicos, enfermeiros e farmacêuticos, empresas industriais, engenheiros, entre outros profissionais. Por sua vez, a equipa que está diretamente ligada ao desenvolvimento dos protótipos está dividida em dois: uma está em Aveiro e a outra em Cascais.

O projeto nasceu no dia 13 de março e já conta com dois protótipos diferentes finalizados pelas duas equipas: um ventilador mecânico, criado pela equipa de Aveiro, e um pneumático, desenvolvido pela equipa de Cascais. “Ambos estão concluídos e em fase de aferição e já temos especialistas para isso: temos engenheiros e médicos intensivistas que vão validar os protótipos”, explica a responsável.

Após essa validação, fica a faltar a notificação do Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde – para que os projetos obtenham licenciamento. Por esse motivo, ainda não é possível avançar para a produção, apesar de já estarem a ser feitos contactos nesse sentido, como avança Helena Simão de Almeida. “A partir do momento em que temos o produto validado e notificado, podemos começar a produzir”, explica.

Cada ventilador custará, no máximo, cerca de dois mil euros. Algumas entidades que estão a apoiar financeiramente projetos semelhantes já deram um parecer positivo à Air4all. Se os meios financeiros disponibilizados não forem suficientes para as unidades que tiverem de ser produzidas, Helena Simão de Almeida explica que o crowdfunding será, então, uma opção. De qualquer das formas, “os valores irão exclusivamente para produção e distribuição dos ventiladores”, garante.

“Vent2Life” e “Open Air”: recuperação de ventiladores inoperáveis e construção em código aberto

A Vent2Life é uma plataforma que dá nova vida aos ventiladores que já não estão a ser usados nos hospitais. O procedimento é relativamente simples: os hospitais reportam problemas de equipamentos, os técnicos especializados encontram soluções para os reparar e, por último, o hospital aprova a sua recuperação. Depois de identificados e recuperados, a Vent2Life devolve os aparelhos às unidades de saúde portuguesas para a assistência de doentes com COVID-19.

Segundo o Diário de Notícias, a plataforma pretende recuperar 200 ventiladores pelo país, estando alguns já a ser analisados por especialistas que participam no projeto através da Faculdade de Ciências e Tecnologia da NOVA (FCT/UNL), do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e da Ordem dos Engenheiros Portugueses. Assim, a Vent2Life estabelece o contacto entre doadores de equipamentos inutilizáveis e especialistas capazes de os reabilitar.

Esta iniciativa está associada ao “Open Air”, que surgiu nos Estados Unidos pelas mãos de um investigador português, João Nascimento. O “Project Open Air” funciona, também, como uma ponte entre especialistas, das mais variadas áreas, e ideias que resolvam a escassez de material médico nesta batalha contra o novo coronavírus.

A produção de ventiladores de código aberto é uma delas – a ideia surgiu há três semanas e já terminou a primeira fase de desenvolvimento. São ventiladores de emergência para cuidados intensivos, criados com materiais industriais comuns por um grupo de voluntários portugueses. Depois dos testes laboratoriais bem sucedidos, a equipa registou a patente do ventilador “em nome da Humanidade, para que nenhuma entidade possa retirar proveitos económicos desta inovação”, como explica a organização em comunicado.

A grande vantagem passa pelo baixo custo de fabrico deste modelo minimalista, o que, ultimamente, facilita a sua produção em escala, a nível mundial. Os criadores do projeto asseguram que para produzir o equipamento são necessários “componentes baratos e de fácil acesso”, pelo que “pode ser produzido em massa e em qualquer parte do mundo, a um baixo preço e com grande rapidez”. Com o protótipo, que “cumpre os requisitos mínimos necessários à ventilação de doentes COVID-19”, a Open Air espera poder “salvar dezenas de milhares de vidas”.

“Pneuma”: o ventilador alternativo do INESC-TEC e FEUP



O “Pneuma” é o protótipo desenvolvido por uma equipa de engenheiros e médicos liderada pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Trata-se de um ventilador alternativo “com um balão autoinsuflável, de baixo custo e fácil montagem”, conforme se lê no comunicado enviado à imprensa.

Tal como os outros protótipos que têm sido desenvolvidos a nível nacional, foi criado para apoiar os hospitais portugueses no combate ao novo coronavírus. O grande objetivo do “Pneuma” é libertar os ventiladores “convencionais” para os casos mais graves, podendo ser usado nos pacientes que aguardam transferência para hospitais centrais. Em caso extremo de falta destes equipamentos, o “Pneuma” é uma opção.

O dispositivo permite controlar o volume, a frequência respiratória e a inspiração e expiração. Segundo Nuno Cruz, coordenador do projeto, “é rapidamente replicável, ou seja, é mais fácil, rápido e económico produzir soluções iguais a esta do que ventiladores novos”, lê-se no comunicado. Criado a partir de um trabalho original da Universidade de Rice, nos Estados Unidos, o protótipo mimetiza a utilização manual de um balão.

O modelo já foi testado em ensaios pré-clínicos e, neste momento, está a ser organizada a sua industrialização, produção e montagem. Nuno Cruz, investigador do INESC TEC e professor na FEUP, estima “poder colocar o projeto e um plano para entrega dos dispositivos nas mãos das autoridades de saúde dentro de duas semanas”.

A Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP) é a entidade que está a suportar os custos de produção de uma pré-série para testes em hospitais. As primeiras unidades serão entregues à Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte).

A equipa responsável pelo desenvolvimento do “Pneuma” é composta por entidades como a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), o Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), e o Centro Hospitalar Universitário do Porto – Hospital de Santo António.

O trabalho está a ser feito em pro bono, em contacto com o Infarmed, e os resultados obtidos serão propriedade intelectual aberta. A ideia é permitir a produção do modelo em qualquer país do mundo.

“Project Tube Connector”: um complemento para sistemas não invasivos



Paulo Roberto, anestesiologista no Hospital de Gaia e doutorado em Biomedicina, está a desenvolver um equipamento de ventilação alternativo para os doentes internados com COVID-19. Com a ajuda de Pedro Duarte Menezes, aluno de mestrado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), um protótipo funcional ficou pronto a 16 de março.

Este mecanismo – intitulado de “Project Tube Connector”- pretende complementar os sistemas de ventilação assistida não invasivos, disponíveis nas unidades de saúde. Ou seja, não se trata de um novo aparelho, mas sim de uma nova manga de conexão que liberta o ar expirado pelo doente. Resulta de uma colaboração multidisciplinar entre engenheiros, biomédicos e designers, e com empresas de impressão 3D e de fabrico de plásticos e borrachas.

A inovação não pretende substituir um ventilador normal mas, como diz o anestesiologista à Universidade de Aveiro (UA), pode ajudar quando se sentir a escassez dos mesmos. “Claro que ter mais ventiladores invasivos adequados é a solução ideal, mas até essas condições serem conseguidas podemos enfrentar a necessidade de ter equipamentos, que mesmo não sendo ideais, cumpram a função eficazmente”, afirma.

O protótipo passou nos testes de viabilidade realizados por uma equipa de engenheiros da Bosch Termotecnologia. “O teste de resiliência por 24 horas teve resultado positivo e o ventilador é capaz de se manter eficiente em operação contínua por esse período, sem variações significativas”, explica o médico à UA. Conclui-se, então, que este dispositivo pode ser acrescentado a um ventilador não invasivo e permitir uma intubação, e ventilação, bem sucedidas.

A implementação do conceito nas unidades de saúde ainda está a ser estudada. Paulo Roberto está a consultar colegas de profissão e tem vindo a estabelecer contacto com o Infarmed e o Ministério da Saúde sobre o protótipo.

A rede de politécnicos que se juntou para fazer dois protótipos

Também os Institutos Politécnicos de Viseu e de Coimbra criaram dois protótipos de ventiladores. No espaço de uma semana, as duas instituições desenvolveram os protótipos para tentar dar resposta à falta de ventiladores. O projeto resultou de uma colaboração com uma rede de politécnicos de norte a sul do país e de empresas. O anúncio já foi feito no dia 22 de março.

Após um processo de licenciamento junto do Infarmed, os dois modelos poderão ser depois fabricados em série, afirmou à Lusa o presidente do Instituto Politécnico de Viseu (IPV), João Monney Paiva. A ideia partiu de uma equipa de 15 a 20 pessoas de ambas as instituições.

Relativamente aos dois arquétipos de ventiladores de emergência, segundo João Monney Paiva, um deles é “baseado na operação de um motor elétrico” e o outro funciona “com base em ar comprimido pneumático”. Ambos foram baseados num modelo de acesso livre disponibilizado pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology).

De acordo com o presidente do IPV, já está montada uma rede de politécnicos de Beja, Bragança, Cávado e Ave, Guarda, Lisboa, Tomar e Viana do Castelo disponíveis a colaborar com máquinas usadas em contexto de aulas ou de investigação para apoiar na produção dos ventiladores.

Medtronic: a partilha global de um modelo de ventilador

Tal como o MIT, também a Medtronic – uma das maiores empresas a nível mundial no setor da tecnologia médica – partilhou especificações técnicas e manuais de fabrico de um modelo de ventilador. O objetivo é o mesmo: acelerar o aumento da produção global destes equipamentos e ajudar os médicos e doentes que estão a lidar com a COVID-19.

O modelo de ventilador em causa chama-se PB 560 e pode ser utilizado em vários tipos de cuidados. Fornece suporte respiratório a adultos e crianças, pode ser usado em hospitais ou em casa, e garante ainda suporte respiratório móvel.

A tecnologia e design do equipamento “tornam-no numa solução de ventilação importante para fabricantes, criadores, startups e instituições académicas que pretendem aumentar rapidamente o desenvolvimento e produção de ventiladores”, conforme se lê no comunicado de imprensa.

O ventilador PB 560 foi introduzido no mercado inicialmente em 2010 e, atualmente, é vendido em 35 países em todo o mundo. O produto e as suas especificações técnicas já podem ser consultadas, a empresa garante que outras informações em falta vão ser disponibilizadas em breve. Inês Pinto e Mara Tribuna – Portugal in “JPN-JornalismoPortoNet” da “Universidade do Porto”

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Portugal - Flow.me será o primeiro carro-drone português

Chama-se Flow.me e será o primeiro carro-drone português. É um projecto do Centro de Engenharia CEiiA que faz sonhar com um futuro bem mais perto das nuvens



O futuro parece estar quase a chegar. E o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), em Matosinhos, quer levar-nos até lá com o primeiro carro-drone português, o Flow.me. Está previsto para 2022 o lançamento deste carro autónomo que também voa, a fazer-nos lembrar o Spinner do clássico de ficção científica Blade Runner, em que o amanhã futurista chegaria em 2019. O Flow.me não estará pronto nesse ano, mas talvez não falte muito para uma revolução da mobilidade urbana e, esperemos, do sonho que é poupar umas horas no trânsito e estar mais perto das nuvens logo pela manhã.

O CEiiA criou uma unidade de aeronáutica há cerca de dez anos e, desde então, já participou pelo menos em dois desafios dignos de nota. Colaborou com a empresa Leonardo (a segunda maior construtora de helicópteros do mundo) na aeronave AW609, que combina as vantagens de um helicóptero e de um avião de asas fixas. E com a brasileira Embraer no KC390, o primeiro avião de carga militar daquela empresa, um projecto considerado um passo importante para a engenharia aeronáutica portuguesa.

Agora, o CEiiA está a desenvolver o carro-drone, que terá um investimento global de 18 milhões de euros, segundo um comunicado de imprensa do centro agora divulgado. O projecto terá parcerias com outras empresas portuguesas e brasileiras do sector automóvel e aeronáutico, mas por agora Helena Silva, directora executiva do CEiiA, não quer adiantar pormenores.

O futuro carro que voa chama-se Flow.me porque se pretende aumentar o fluxo (flow em inglês) do trânsito. Estamos a falar de um carro eléctrico e que anda sozinho, constituído por três módulos: um sistema terrestre, um habitáculo e um sistema aéreo.



A parte que anda no chão terá autonomia até 200 quilómetros e funcionará como uma doca para acoplar o habitáculo, transportando-o por estrada. A parte aérea será um drone, com propulsão semelhante à de um helicóptero e uma autonomia de voo de três a seis horas. Acoplado ao drone, o habitáculo pode libertar-se do sistema terrestre num local e ir aterrar noutro local, onde terá de estar disponível um outro sistema terrestre. Resta saber se podemos largar metade do carro no trânsito – será que irá estacionar sozinho? –, ou se temos de ir primeiro até um parque de estacionamento.

Este carro-drone é a evolução de um veículo eléctrico autónomo que começou a ser desenvolvido há seis anos no CEiiA e cuja produção está prevista para 2020, explica Helena Silva. O Flow.me, acrescenta, resulta da valorização do sistema terrestre autónomo desse veículo e inclui um habitáculo que pode ser acoplado a um drone.

Numa primeira fase, o carro-drone está destinado apenas a transportar carga, até 500 quilos. “Em zonas como parques industriais”, diz Helena Silva, sublinhando que, por razões de segurança, é necessária legislação e também infra-estruturas, como corredores e estações nas cidades, para receber os carros-drone. “Num futuro, poderá estar associado ao transporte de pessoas no habitáculo, que tem três metros e capacidade para dois a quatro passageiros.”



Os veículos vão estar ligados em tempo real ao Mobi.me, uma plataforma de gestão de mobilidade, também concebida pelo CEiiA, e que já está em funcionamento com mais de 400 mil utilizadores em dez países e 70 cidades, refere Helena Silva. Em Portugal, esta plataforma é responsável, por exemplo, pela Rede de Mobilidade Eléctrica em vários pontos do país, o sistema de Mobilidade Integrada de Cascais e de outros operadores. E, em conjunto com o carro-drone, o Mobi.me funcionará como um serviço de transporte partilhado, em acção integrada com a oferta já existente. A partir dos nossos telemóveis, esta plataforma funcionará como um “comando” com a introdução das coordenadas, tal como acontece com apps como a da Uber, mas neste caso não será sequer necessário condutor, à semelhança de outros veículos autónomos. “Queremos construir um modelo de negócio sustentável e massificá-lo”, afirma Helena Silva, dizendo que o Brasil é, por exemplo, um mercado muito importante para se ganhar dimensão na América Latina.

Por enquanto, a equipa do CEiiA está a testar um protótipo pequeno. Estes testes estão a decorrer em Portugal, mas o centro quer manter a localização exacta em segredo. “A solução final será três vezes maior do que a que está a ser testada”, frisa a directora executiva, que conta que os testes estão a ser feitos em terra e no ar, com voos verticais e aterragens, e que já foram atingidos 200 metros de altitude e cerca de 40 a 70 quilómetros por hora. “A primeira fase de testes concluídos em Outubro correspondeu à validação em voo do protótipo integrado com a plataforma Mobi.me, tendo uma duração aproximada de 88 horas”, revela. A fase seguinte de testes, com um protótipo funcional, está prevista para 2019 – por sinal, o ano em que se passa a acção de Blade Runner, numa Los Angeles futurista, onde os Spinners eram conduzidos como veículos terrestres que podiam deslocar-se verticalmente e voar pela cidade.

Muito antes de o Flow.me ser uma realidade a voar nas cidades, e de os carros nem sequer terem um condutor, Helena Silva salienta que será necessário fazer legislação em Portugal para criar “zonas livres tecnológicas”, onde se possam fazer testes a estes veículos em segurança, em condições semelhantes ao dia-a-dia. Raquel Silva – Portugal in "Público"