Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 30 de março de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra é o primeiro membro português no grupo de especialistas do Serviço de Meteorologia Espacial da ESA

O Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra (OGAUC) tornou-se o primeiro membro português a integrar o grupo de especialistas do Serviço de Meteorologia Espacial da Agência Espacial Europeia (ESA), reforçando a presença de Portugal em estruturas científicas internacionais dedicadas ao estudo das perturbações espaciais e à sua previsão.


A participação da Universidade de Coimbra (UC) neste grupo insere a investigação nacional nos mecanismos científicos da ESA e destaca a atividade desenvolvida na área da Meteorologia Espacial, que analisa a atividade do Sol e os seus impactos em sistemas tecnológicos críticos, como comunicações, navegação por satélite, aviação e redes elétricas.

A antecipação de eventos como tempestades solares, capazes de afetar infraestruturas na Terra e no espaço, é um dos principais desafios desta área. A integração da UC permite contribuir diretamente para programas europeus de monitorização e previsão, com impacto científico, tecnológico e socioeconómico.

Este reconhecimento evidencia o trabalho desenvolvido na UC, em particular no OGAUC, onde tem sido consolidada a investigação em física solar e meteorologia espacial.

Ao assumir um papel de destaque na meteorologia espacial, uma área crítica e em plena expansão, a UC reafirma o seu protagonismo científico global. Este sucesso estratégico fortalece a missão do UC Space Hub, transformando investigação de ponta em valor real e afirmando a Universidade como um parceiro incontornável no ecossistema tecnológico e espacial europeu. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Portugal - Investigadores apostam no desenvolvimento de equipamento para deteção de lixo espacial de baixo custo

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver um equipamento de baixo custo, que permitirá detetar o lixo espacial.

O projeto “Algoritmos de detritos espaciais em imagens de constelações de satélites para a caracterização e determinação orbital de detritos”, de Joel Filho, estudante de doutoramento em Engenharia Física no Departamento de Física (DF) da FCTUC, acaba de vencer uma bolsa da Agência Espacial Europeia (ESA) no valor de 90 mil euros.

«Estamos a desenvolver um método para identificar e caracterizar o lixo espacial em imagens, baseado em algoritmos de deteção de código aberto e determinar as suas órbitas para utilização a bordo de satélites, fazendo uso das imagens que estes utilizam para determinação da sua orientação no Espaço, imagens essas que não podem ser armazenadas, mas das quais se extrairão informações relativas aos detritos espaciais antes de serem apagadas», revela Joel Filho.

A crescente concentração de lixo espacial apresenta um risco cada vez maior para as atividades espaciais. Atualmente, sabe-se eu há cerca de 35 mil objetos com mais de 10 centímetros (cm) de diâmetro a orbitar a Terra, sendo que são apenas conhecidas as órbitas de cerca de 90% deles, havendo também cerca de um milhão, com tamanhos entre 1 e 10 cm, quase todos por catalogar, e estima-se que existem ainda cerca de 130 milhões de objetos, entre 1 mm e 1 cm, por rastrear.

De acordo com Nuno Peixinho, investigador do DF e do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), «é precisamente por estas razões que o estudo do lixo espacial é hoje, e cada vez mais, uma área prioritária nas ciências do espaço, e a FCTUC também está envolvida nisso», afirma, explicando que «os atuais radares e telescópios óticos terrestre, usados para deteção e rastreamento de lixo espacial, estão limitados pela sua sensibilidade, implicando limites de tamanho baixos para os detritos, fornecendo um catálogo com uma muito pequena quantidade do total. Além disso, é difícil obter informações precisas sobre a localização orbital destes objetos».

Assim, a ideia é desenvolver um equipamento constituído por minicomputadores com câmaras de baixo custo, e o algoritmo de deteção que está a ser desenvolvido pelo estudante de doutoramento. As câmaras low cost já foram testadas da terra para o espaço com o objetivo de perceber se são capazes de detetar o rasto deixado pelos satélites, que é muito semelhante ao lixo espacial, e os resultados são bastante promissores.

Esta investigação está a ser desenvolvida sob a orientação de Nuno Peixinho, Paulo Gordo, da empresa Synopsis Planet e do CENTRA, e Rui Melício da Universidade de Évora. Joel Filho irá realizar uma fase do seu projeto de tese no Centro Europeu de Operações Espaciais (ESOC) da ESA, em Darmstadt, Alemanha, onde terá a oportunidade de trabalhar diretamente com Tim Flohrer, diretor do Gabinete de Lixo Espacial (Space Debris Office) da ESA. Universidade de Coimbra - Portugal 


terça-feira, 19 de abril de 2022

Internacional - Experiência liderada pela Universidade de Coimbra vai para o espaço no primeiro veículo reutilizável da ESA

A experiência científica “TGF Monitor”, um sistema de deteção de telureto de cádmio (CdTe) pixelizado para raios gama e com capacidades polarimétricas, que abrirá novos horizontes tecnológicos e científicos, liderada pela Universidade de Coimbra (UC), acaba de ser selecionada para ir para o espaço a bordo do Space Rider, o primeiro veículo espacial reutilizável da Agência Espacial Europeia (ESA).

A equipa é coordenada por Rui Curado Silva, docente do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), e tem a participação do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), da Universidade da Beira Interior (UBI) e das empresas Active Space Technologies (Coimbra) e Advacam (Praga, República Checa).

Segundo Rui Curado Silva, a experiência “TGF Monitor”, se for bem sucedida, irá contribuir para «estabelecer os detetores de CdTe como uma tecnologia com aplicações que vão da astrofísica à segurança da aviação; e realizará novas medições científicas, em particular as relacionadas com flashes de raios gama terrestres (Terrestrial gamma-ray flashes, TGF)». Os TGF, explica, «são emitidos por nuvens cumulonimbus (nuvens com grande desenvolvimento vertical associadas a sistemas de trovoadas) e são uma preocupação para a saúde e a segurança de tripulações e passageiros de aeronaves».


A experiência abrange diversos tópicos, tais como efeitos da radiação orbital em detetores de CdTe, «que poderão ser usados como plano de deteção de telescópios para astrofísica de altas energias; observação de emissões gama, nomeadamente da Nebulosa de Caranguejo, com um detetor de CdTe com capacidades polarimétricas; medições científicas das emissões de TGF, em particular, a possibilidade de medir a polarização linear pode contribuir para responder a questões em aberto sobre os processos físicos geradores de TGF», detalha Rui Curado Silva.

A experiência compreende ainda a monitoração das emissões de TGF e avaliação do potencial dos detetores de CdTe pixelizados como monitores de TGF a bordo de aeronaves. «A sua utilização como alerta e para a caracterização da magnitude da emissão poderia ser uma valiosa contribuição para a segurança da aviação», afirma o investigador e docente da FCTUC.

O Space Rider será lançado de Kourou (Guiana Francesa) em 2024 a bordo de um foguetão Vega. Estará em órbita dois meses numa órbita terrestre baixa equatorial. A experiência TGF Monitor será instalada no Space Rider, «onde ficará exposta ao ambiente de radiação espacial. Apontará para o espaço, permitindo registar as emissões de raios gama, por exemplo da Nebulosa do Caranguejo, e também para a Terra, registando TGF», explica Rui Curado Silva. No final da missão, o Space Rider vai aterrar em Kourou ou no aeroporto da ilha de Santa Maria, nos Açores. A experiência será então recuperada e analisada.


Além de Rui Curado Silva, a equipa é constituída pelos investigadores Jorge M. Maia, José Sousa, Joana Mingacho, Pedro Póvoa, Joana Gonçalves, Gabriel Falcão, Gabriel Salgado e Miguel Moita. Da parte das empresas, a equipa é composta por Filipe Castanheira, Frederico Teixeira, Henrique Neves e Sara Freitas, da Active Space Technologies, Carlos Granja, Jiri Sestak e Jan Jakubek (Advacam). Universidade de Coimbra - Portugal






domingo, 19 de dezembro de 2021

Internacional - Universidade de Évora em Portugal integra projeto para alterar rota de asteroide

Um professor e investigador da Universidade de Évora (UÉ) participa num projeto internacional, com a norte-americana NASA e a Agência Espacial Europeia, para estudar um asteroide e alterar a sua rota, foi divulgado

O projeto representa “um contributo importante para o conhecimento sobre os asteroides, para a engenharia aeroespacial em Portugal e para a aposta da UÉ no aeroespacial”, afirmou Rui Melício, o docente e investigador envolvido na iniciativa.

Rui Melício, que integra a equipa científica do projeto, é docente do Departamento de Engenharia Mecatrónica e investigador do Instituto Ciências da Terra (ICT), da UÉ, e do Instituto de Engenharia Mecânica (IDMEC), do Instituto Superior Técnico (IST).

Segundo a academia alentejana, através do projeto, denominado “NEO-MAPP/ESA – missão HERA”, uma equipa de investigadores pretende reforçar o conhecimento sobre o asteroide Didymos e a sua lua Didymoon e alterar a sua rota.

Envolvendo a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) e a Agência Espacial Norte Americana (NASA, na sigla em inglês), o projeto já lançou um foguetão, a partir uma base na Califórnia, nos Estados Unidos.

O foguetão agora lançado faz parte da missão de Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo (DART) e tem o objetivo de tentar mudar a trajetória do asteroide binário Didymos, que se encontra a 11 milhões de quilómetros da Terra, indicou a UÉ.

Citando a NASA, a academia alentejana realçou que este foguete é “cerca de 100 vezes menor” do que o asteroide Dymorphos, descoberto em 2003, e foi escolhido para esta missão porque “o seu tamanho é comparável aos asteroides que poderiam representar uma ameaça para a Terra”.

Contudo, vincou, “o sistema de asteroide duplo em si não é uma ameaça para a Terra”.

De acordo com a UÉ, a missão DART pretende “gerar um impacto a 25 mil quilómetros por hora contra o asteroide binário Didymos (o asteroide Didymoon de 170 metros de diâmetro que orbita em torno do Didymos de 780 metros)”.

“Além da cratera, prevê-se a alteração imediata de um milímetro por segundo na velocidade do asteroide, que, com a força da gravidade, acabará por influenciar a trajetória do elemento maior do par”, referiu.

Passados 10 anos, salientou, “essa alteração na rota pode representar um desvio de centenas de quilómetros”.

Prevendo que o resultado desta missão seja apurado em 2026, a UÉ adiantou que “os efeitos do impacto da colisão” vão ser monitorizados através da missão HERA, levada a cabo pela ESA, contando com “um instrumento automático” criado em Portugal.

Denominado LIDAR, esse instrumento foi desenvolvido por investigadores do Centro de Astrofísica e Gravitação (CENTRA) do IST, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do ICT e pelas empresas EFACEC e Synopsis Planet.

O LIDAR (‘Light Detection and Ranging’), que utiliza “tecnologia ótica de deteção remota que mede propriedades da luz refletida”, vai seguir a bordo de um outro foguetão para “auxiliar na navegação, recolher dados para reconstruir o perfil destes asteroides e apurar que elementos contém o seu interior”.

De acordo com a Universidade de Évora, um meteorito com 100 metros, a 20 mil quilómetros por hora, gera uma cratera de um quilómetro de diâmetro e um rasto de destruição num diâmetro de 10 quilómetros.

Já “um meteorito de um quilómetro arrasa uma área de 100 quilómetros, desencadeia sismos e tsunamis em vários pontos do globo e dispersa poeiras capazes de alterar o clima e destruir parte da vida na Terra”, notou.

Os investigadores, acrescentou, dizem ser possível detetar, até 10 anos atempadamente, uma colisão com meteoritos de grande dimensão, pelo que existe uma margem de quatro a cinco anos para desenvolver missões específicas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Portugal - Experiência STRATOSPOLCA a caminho do espaço


Depois de um longo processo de preparação e testes, está tudo a postos para a experiência científica STRATOSPOLCA seguir para o espaço no balão BEXUS 31 da Agência Espacial Europeia (ESA).

O projeto, que será lançado entre os próximos dias 27 de setembro e 1 de outubro, a partir das instalações do Esrange Space Center, em Kiruna, no norte da Suécia, é da autoria de um grupo de estudantes da Secção de Astronomia, Astrofísica e Astronáutica da Universidade de Coimbra (UC), sob orientação de Rui Curado Silva, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e investigador do LIP - Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, e com o apoio de outros investigadores e técnicos do LIP, da Universidade da Beira Interior (UBI) e da Universidade de Aveiro (UA).

Esta experiência científica, que foi selecionada, em 2019, pelo programa REXUS/BEXUS (Rocket/Balloon Experiments for University Students) da ESA, pretende medir a radiação de fundo no comprimento de onda dos raios gama.

«Imaginemos um rádio dos antigos que, se não estiver na frequência certa, produz aquele ruído de fundo tão conhecido. Mas, para saber qual é o canal da música, necessitamos de saber o que é o ruído. Na nossa experiência fazemos isso mesmo: medimos a radiação de fundo nos raios gama, o ruído, para que consigamos “ouvir a música” que vem de corpos celestes longínquos», ilustra o porta-voz da equipa de estudantes da UC, Henrique Neves.

Para garantir que o sistema desenvolvido pelos estudantes reunia todas as condições para o lançamento, em agosto decorreu nos laboratórios do LIP, na Universidade de Coimbra, o “Experiment Acceptance Review” do projeto STRATOSPOLCA, com a presença de Armelle Frenea-Schmidt, engenheira do programa BEXUS da ESA, que deu o aval para a experiência seguir para o espaço.

Em seguida, a equipa realizou os testes finais, garantindo «que os sinais produzidos pelo detetor de radiação eram corretamente transmitidos através dos vários andares do sistema eletrónico, até ao interface de registo e análise de dados», explica o docente e investigador da FCTUC, Rui Curado Silva.

Os resultados das medições efetuadas pela STRATOSPOLCA, aponta o docente, «contribuirão para melhorar a sensibilidade dos futuros telescópios que observam o céu no comprimento de onda gama. Neste comprimento de onda, o céu revela-nos os fenómenos mais energéticos e cataclísmicos do Universo, como supernovas, pulsares, o centro das galáxias ou o colapso de estrelas, em particular esperam-se medir novos surtos de raios gama associados à deteção de ondas gravitacionais, contribuindo para a nova área da astronomia multi-mensageira». Universidade de Coimbra - Portugal


 

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Portugal - Investigador português ganha prémio da Agência Espacial Europeia

O investigador português Luís Simões foi o grande vencedor da competição Ariel Machine Learning Data Challenge, da Agência Espacial Europeia, que visa o desenvolvimento de técnicas de Inteligência Artificial e aprendizagem automática (machine learning) de “alta precisão” para a caracterização de planetas em órbita de outras estrelas, também conhecidos como exoplanetas

O algoritmo criado pelo também fundador da empresa ML Analytics será usado na missão espacial Ariel, que será lançada em 2029, para estudar a atmosfera química de mil exoplanetas e irá permitir aos cientistas estimar “as dimensões de planetas quando estes transitam em frente das suas estrelas”.

As estimativas da solução vencedora criada pelo português alcançam um erro médio de 0,00007 por cento, resultado “consideravelmente inferior ao das restantes equipas, e que coloca o método já bem próximo dos objetivos de precisão da missão Ariel”, lê-se no comunicado.

“É um orgulho para mim e para a ML Analytics, empresa que fundei, trazer este prémio para Portugal”, sublinha Luís Simões (na foto acima) na nota de imprensa. “Trata-se do culminar de muitos anos de investigação a acompanhar e a contribuir para a evolução da Inteligência Artificial. Espero que este pequeno passo para a Ciência conduza, através da missão Ariel, a uma grande expansão do conhecimento humano sobre o Universo”, conclui. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Internacional - Experiência liderada pela Universidade de Coimbra vai para o espaço em missão da Agência Espacial Europeia

Uma experiência científica liderada por Rui Curado Silva, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e investigador do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), vai para o espaço a bordo da Estação Espacial Internacional através da Agência Espacial Europeia (ESA).

Além da Universidade de Coimbra, a experiência, designada "Ageing of Ge/Si and CZT samples for sensors and Laue lenses", integra investigadores da Universidade da Beira Interior (UBI), do Observatório de Astrofísica e Ciências do Espaço de Bolonha, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália (INAF/OAS-Bologna), e do Instituto de Materiais para Eletrónica e Magnetismo do Conselho Nacional de Investigação de Parma (CNR/IMEM-Parma, Itália).


A experiência foi selecionada no âmbito do concurso “Euro Material Ageing” promovido pela ESA e pretende analisar os efeitos do ambiente espacial nos materiais das câmaras dos futuros telescópios de raios gama.  Rui Curado Silva explica que, «para observarmos o Universo nos comprimentos de onda dos raios X e dos raios gama (astrofísica de altas energias), somos obrigados a enviar para o espaço telescópios equipados de sensores capazes de captar imagens do céu nessa banda do espectro eletromagnético. Com efeito, nesta banda do espectro (mais energética do que a banda do visível), a atmosfera protege-nos e absorve a radiação antes de chegar à superfície da Terra».

Os cientistas de Coimbra desenvolveram novos sensores de semicondutor de CZT (telureto de cádmio e zinco) para as câmaras dos telescópios de raios X e gama. O problema, esclarece o coordenador da experiência espacial, «é que estes sensores quando são expostos ao ambiente de radiação orbital no espaço são danificados e o seu funcionamento degrada-se com o tempo. Até hoje, estes efeitos nunca foram estudados com a requerida profundidade para este tipo de sensores».  

Por isso, vão ser enviados alguns desses sensores para o espaço, que serão instalados numa plataforma que está no exterior da Estação Espacial Internacional (ISS: International Space Station). Essa plataforma chama-se Bartolomeo e «está exposta ao ambiente exterior de radiação, bem como a variações de temperatura extremas: cerca de -150° C quando a ISS orbita do lado noturno da Terra, e a temperaturas da ordem dos 120° C quando a ISS se encontra do lado do sol», indica o docente da FCTUC.


Após um ano de exposição à radiação e a ciclos extremos de variação de temperatura na plataforma Bartolomeo – tempo que vai durar a missão, cujo lançamento deverá acontecer entre final de 2021 e meados de 2022 –, «os sensores de CZT ser-nos-ão enviados de volta para Coimbra. Iremos ligá-los e testá-los para avaliar se continuam operacionais e, caso funcionem, qual o nível de degradação do seu funcionamento», explica.

A partir desta análise, a equipa poderá então validar ou não estes sensores para serem utilizados nos futuros telescópios espaciais para astrofísica de altas energias, bem como perceber como será possível produzir sensores ainda melhores.

«A astrofísica de altas energias poderá beneficiar muito deste desenvolvimento tecnológico, em particular a compreensão da física das recém-descobertas ondas gravitacionais, que são medidas em instalações terrestres em simultâneo com fortes explosões de raios gama que são medidas no espaço por telescópios espaciais. Esta deteção simultânea através de dois mensageiros diferentes (ondas gravíticas e raios gama) designa-se como astrofísica multimensageira e é atualmente um dos tópicos mais relevantes da astrofísica», conclui Rui Curado Silva. Universidade de Coimbra - Portugal





terça-feira, 13 de outubro de 2020

Europa - Consórcio quer promover as Geociências Planetárias

Criar um mestrado Erasmus Mundus em Geociências Planetárias é o objetivo do projeto “GeoPlaNetSP”, que reúne em consórcio várias universidades europeias, nomeadamente as universidades de Coimbra, Porto, Nantes, Pádua e Chieti/Pescara.

Para criar as condições para ter o novo mestrado a funcionar no ano letivo 2022/2023, o consórcio vai estreitar e aprofundar relações através da criação, utilização e partilha de tecnologias inovadoras no ensino de geociências planetárias, voltadas para o fortalecimento da excelência académica nesta área do conhecimento.

Para tal, obteve um financiamento de 263 mil euros da União Europeia no âmbito do programa “Erasmus+ Strategic Partnership for higher education”. Esta verba vai permitir o intercâmbio de professores e alunos, «para atividades letivas integradas nas formações de mestrado já existentes em cada uma das instituições parceiras. As atividades, que envolvem igualmente a ESA [Agência Espacial Europeia] e empresas locais de tecnologia para o espaço, têm como temas principais a empregabilidade e práticas inovadoras de ensino na área das ciências do espaço, assim como habitabilidade e mapeamento geológico em análogos planetários», afirmam Alexandra Pais, Fernando Carlos Lopes, João Fernandes e José Pinto da Cunha, docentes da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) envolvidos no projeto.


Os docentes sublinham que as geociências planetárias visam essencialmente o conhecimento dos planetas do sistema solar, «em particular os planetas que são rochosos como a Terra (Mercúrio, Vénus e Marte), bem como os respetivos satélites naturais. Neste âmbito, são adaptadas a esses astros as técnicas e tecnologias usadas na Terra. Assim, as Geociências Planetárias oferecem uma possibilidade de testar modelos de formação do sistema solar e de alcançar um conhecimento mais integrado sobre a composição, estrutura e evolução dos planetas».

Por outro lado, acrescentam, «num tempo em que se perspetiva (numa escala de tempo inferior a um século) a realização de viagens interplanetárias tripuladas, a preparação dessas missões necessitará a montante do conhecimento profundo da natureza dos planetas que desejarmos visitar». 

O projeto “GeoPlaNet-SP” tem ainda a colaboração de uma empresa francesa de base tecnológica - VR2Planets -, que trabalha na área da realidade virtual, e está inserido numa rede mais alargada que congrega duas dezenas de instituições e laboratórios de investigação de 16 países. Esta rede, que nasceu em 2017, por iniciativa do Laboratoire de Planétologie et de Géodynamique da Universidade de Nantes, centra-se na interação e colaboração entre investigadores na promoção das geociências planetárias (na Europa) e nela se integra desde o início o Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC).

A participação da UC neste consórcio tem por base o plano de estudos do Mestrado em Astrofísica e Instrumentação para o Espaço e a participação de empresas tecnológicas ligadas ao espaço, com as quais este mestrado tem vindo a colaborar. Universidade de Coimbra - Portugal



domingo, 24 de novembro de 2019

Portugal - Projeto que pretende inovar no setor imobiliário recebe financiamento do ESA BIC Portugal

O projeto “Localista”, focado no desenvolvimento de uma solução digital inovadora para o setor imobiliário, recebeu um financiamento de 50 mil euros do Business Incubation Center da Agência Espacial Europeia em Portugal (ESA BIC Portugal).

O “Localista” é liderado pelo docente e investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), no âmbito do Programa MIT Portugal, João Fonseca Bigotte, e pretende mudar o paradigma na compra e venda de casas.

Hoje em dia, a informação disponibilizada nos websites imobiliários, um dos principais meios de pesquisa, «centra-se em dois critérios - descrição das características do imóvel e indicação do preço -, negligenciando um fator de decisão crucial – a localização. A nova solução irá permitir comparar a localização dos imóveis de forma objetiva, traduzindo a facilidade de acesso a equipamentos e serviços que uma dada localização permite, ou seja, vamos fornecer um índice de atratividade (de A a E, de forma semelhante às classes de eficiência energética)», explica João Fonseca Bigotte.



Assim, será possível que cada utilizador «encontre o imóvel mais adequado aos seus interesses, avaliando a localização deste em função das suas preferências de mobilidade e de qualidade/estilo de vida, por exemplo, o acesso a meios de transporte públicos, a proximidade a escolas, a zonas verdes ou a zonas de entretenimento, etc.», explicita o investigador do Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente (CITTA).

Para tal ser possível, «reunimos um conjunto de dados de diversas fontes, muitos deles georreferenciados, mas a grande inovação consiste em incorporar tecnologias espaciais, que no nosso caso respeitam a dados de satélite de observação da Terra, para conseguirmos determinar este nosso índice de atratividade de uma determinada localização», refere.

O projeto, que conta já com o interesse de duas das cinco maiores agências de mediação imobiliária nacionais em realizar um projeto-piloto, irá traduzir-se numa ferramenta «muito útil, quer para os agentes imobiliários que para o consumidor final, porque, atualmente, uma das grandes dificuldades de um mediador imobiliário é conseguir perceber o que é que o cliente pretende exatamente e, por isso, muitas vezes mostra imóveis que não correspondem às expectativas de quem procura. Podemos dizer que o Localista vai facilitar a comunicação entre o mediador e o cliente. Para o mediador, permite efetuar uma melhor qualificação do cliente e uma melhor pré-seleção de imóveis a visitar. Para o cliente, permite encontrar e comparar imóveis mais adequados às suas expectativas», nota ainda João Fonseca Bigotte.

O programa ESA BIC, promovido pela Agência Espacial Europeia em vários países-membros, é coordenado em Portugal pelo Instituto Pedro Nunes (IPN). Este programa destina-se a apoiar financeiramente o desenvolvimento tecnológico de protótipos de soluções inovadoras, com elevado potencial de mercado, que incorporem tecnologias espaciais e/ou dados de satélite de observação da Terra. Universidade de Coimbra - Portugal

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Mapeamento

Tecnologia e know-how da Critical Software suportam missão da Agência Espacial Europeia para mapear a nossa galáxia

A Critical Software, empresa portuguesa especializada no desenvolvimento e comercialização de sistemas de informação críticos, contribuiu com a sua tecnologia e know-how para a concretização da missão Gaia- Global Astrometric Interferometer for Astrophysics – Interferómetro Astrométrico Global para Astrofísica, da Agência Espacial Europeia, que visa construir o mapa mais completo e rigoroso do nosso sistema solar.

O principal objetivo da missão Gaia é construir o mapa tridimensional da nossa galáxia mais preciso e rigoroso de sempre, através do levantamento de 1% das cerca de 100 mil milhões de estrelas existentes no Universo, de modo a permitir a revelação da composição, formação e evolução da galáxia.

Os instrumentos da missão Gaia vão fornecer medidas de velocidade radial e posicional com as precisões necessárias para produzir um censo estereoscópico e cinemático de cerca de mil milhões de estrelas da nossa galáxia e todo o Grupo Local, valor que representa cerca de 1% da população estelar galática.

A Critical Software, cuja génese está profundamente ligada à Agência Espacial Americana – NASA, para quem desenhou as suas primeiras soluções e projetos, participou em várias fases e projetos relacionados com o desenvolvimento e concretização da missão Gaia, destacando-se o trabalho realizado em estreita colaboração com a ESA para a avaliação e melhoria do Sistema de Controlo de Missão.

Este Sistema é responsável, e entre outras ações, pelas operações de receção de dados científicos e envio de comandos, pela monitorização de todos os parâmetros da missão, pelas operações de manutenção da órbita; iv) pelas manobras de correção da navegação, e ainda por evitar que o satélite seja afetado por eclipses terrestres.

A Critical Software participou igualmente na criação de um simulador do Focal PlaneAssembly (FPA) para gerar imagens iguais às que a missão GAIA vai captar. A validação do FPA foi executada contra as imagens de referência geradas pelo simulador desenvolvido, tendo em consideração o modelo de física do CCD (Charge Coupled Devices) e as características dos corpos celestes.

Os resultados do simulador serviram para consolidar o FPA, para as especificações CCD e para permitirem a integração com o simulador de unidade de processamento de vídeo da sonda GAIA, apoiando assim a validação end-to-end de toda a cadeia de processamento de dados.

A Critical Software prestou também suporte à GAIA VPU (Unidade de Processamento de Vídeo) SW Production Team nas instalações do Reino Unido da Astrium Ltd. A Unidade de Processamento de Vídeo é um dos instrumentos de carga a bordo da missão. O suporte prestado pela Critical Software incluiu as especificações da arquitetura, bem como a conceção e a implementação do software da Unidade de Processamento de Vídeo.

A Critical Software foi particularmente responsável pelo design e pela codificação da maioria dos componentes de software, nomeadamente: Payload algorithms sequencer; Payload interfaces; Health & Monitoring; FDIR; e Low-level HW interfaces. Este é o software que vai a bordo da sonda e que vai processar os dados científicos antes destes serem enviados para a Terra.

O satélite, sucessor natural do Hipparcos, pesa 2050 kg, foi lançado a partir de Kourou, na Guiana Francesa, no passado dia 19 de Dezembro de 2013, a bordo de um lançador Soyuz-Fregat. Este satélite vai ficar numa órbita a cerca de 1,5 milhões de km da terra e a missão tem uma duração prevista de cinco anos para completar o mapeamento previsto das estrelas.

“A Critical Software está muito orgulhosa por participar em mais um relevante projeto da indústria espacial. A preferência da Agência Europeia Espacial pelas nossas soluções e know-how corrobora a inegável capacidade e liderança da empresa enquanto parceiro tecnológico numa das áreas de mercado mais exigentes e competitivas do mundo- o setor da exploração espacial,” afirma Paulo Guedes, Business Development Manager da Critical Software.

A Critical Software é uma empresa global que fornece tecnologia de Software fiável para sistemas de informação críticos para o Negócio e/ou Missão de empresas e organismos líderes nos seus mercados. As suas soluções de software ajudam as empresas a controlar os seus custos e melhorar o seu desempenho, fornecendo feedback em tempo real, necessário para identificar e resolver rapidamente problemas que inibem o processo, produto e melhorias de serviços.

Fundada em Portugal em 1998, a Critical Software tem atualmente escritórios em Coimbra, Lisboa e Porto, e subsidiárias no Reino Unido (com escritórios em Southampton e Yeovil), Alemanha (Frankfurt), EUA (Califórnia), Brasil (São Paulo), Moçambique (Maputo), Angola (Luanda) e Singapura.

A empresa possui um sistema de gestão de qualidade com certificações CMMI® Level5, ISO 9001:2008 Tick-IT, EN 9100, AQAP 2110 e 2210 (NATO), e implementa também os standards ISO 12207 e ISO 15504 (SPICE). in Sul Informação – Portugal

Critical Software, SA - Parque Industrial de Taveiro, Lote 49 3045-504 Coimbra, Portugal - t +351 239 989 100 f +351 239 989 119 - e info@criticalsoftware.com - u www.criticalsoftware.com – Marco Costa CEO Critical Software