Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Macau - Projecto do viaduto entre Zonas A e B procura “equilíbrio”

O projecto do viaduto entre as Zonas A e B vai mesmo avançar, sendo que o Chefe do Executivo indicou que o design está a ser aperfeiçoado. Recorde-se que a UNESCO tinha exigido uma “avaliação de impacto ambiental abrangente” e a submissão de “documentação detalhada” em relação a este projecto. “Proteger o Centro Histórico é uma missão importante”, frisou Sam Hou Fai, garantindo que a ideia é encontrar um “equilíbrio” entre património e transportes


O Chefe do Executivo disse ontem que o Governo “está a aperfeiçoar o design” do projecto do viaduto entre as Zonas A e B, “de acordo com as exigências do Centro de Protecção do Património Mundial”, sendo que o objectivo é encontrar um “equilíbrio” entre património e a necessidade de transportes. Sam Hou Fai falava à margem da recepção comemorativa do 26.º aniversário da RAEM quando garantiu ainda que o Executivo mantém uma “atitude aberta” em relação às opiniões da sociedade.

“Em Abril, já mencionei que os Serviços de Obras Públicas estão a levar a cabo o design sobre o viaduto entre as Zonas A e B, sendo que o Governo irá manter uma atitude aberta para ouvir as opiniões do público, com o objectivo de resolver a longo prazo a procura pela deslocação entre a Zona A e a Península e ao mesmo tempo contemplar a protecção do património cultural”, afirmou Sam Hou Fai em declarações aos jornalistas.

Lembrando que este ano marcou os 20 anos da inscrição do Centro Histórico de Macau no Património Mundial da UNESCO, o líder da RAEM frisou que “proteger o Centro Histórico é uma missão importante”. Sam Hou Fai apontou que a tutela dos Assuntos Sociais e Cultura, liderada pela Secretária O Lam, “está a manter contacto estreito com a Administração Estatal do Património Cultural da China e com o Centro de Protecção do Património Mundial”.

O objectivo, vincou Sam, é “garantir a continuação das vantagens de Macau de fusão cultural entre o Oriente e o Ocidente e desempenhar o papel de Macau enquanto plataforma de integração de culturas do Oriente e do Ocidente na região da Ásia-Pacífico e até em todo o mundo”.

Recorde-se que, apesar do viaduto entre as Zonas A e B dos Novos Aterros seguir o princípio “colina-mar-cidade”, o Comité do Património Mundial da UNESCO considerou que uma parte do projecto poderia violar as restrições de altura na zona do Farol da Guia, tendo instado a RAEM a realizar uma “avaliação de impacto ambiental abrangente” e submeter “documentação detalhada”. Um mês depois, em Agosto deste ano, o Instituto Cultural disse estar a acompanhar o pedido da UNESCO.

Ontem, o Chefe do Executivo notou ainda que a Zona A dos Novos Aterros vai acolher mais de 100 mil habitantes, sendo “necessário” construir um acesso entre essa nova zona e a Península. “A tutela dos transportes e obras públicas está a estudar uma ligação através do Metro Ligeiro”, afirmou.

Nas Linhas de Acção Governativa para 2026, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas voltou a abordar o plano de desenvolvimento do Metro, indicando que está prevista uma extensão a Coloane. Raymond Tam falou ainda nas diversas linhas, incluindo a Linha Sul, que poderá ligar o posto fronteiriço de Macau na Ponte do Delta à estação ES5 da Zona A, passando pelo NAPE, lote A9 em Nam Van, Sai Van e Barra. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Macau - Direcção dos Serviços de Obras Públicas vai iniciar estudo sobre impacto da Linha Leste do Metro Ligeiro no Farol da Guia

O Governo vai avançar com um estudo sobre o impacto da Linha Leste do Metro Ligeiro na paisagem do Farol da Guia, adiantou o Instituto Cultural, uma tarefa que caberá à Direcção dos Serviços de Obras Públicas. Recorde-se de que este tinha sido um dos pedidos feitos pelo Centro do Património Mundial da UNESCO, em Julho


A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) irá dar início à “Avaliação do Impacto da Linha Leste do Metro Ligeiro na Paisagem do Farol da Guia”, revelou o presidente substituto do Instituto Cultural (IC), Cheang Kai Meng. Em Julho, recorde-se, o Centro do Património Mundial da UNESCO pediu estudos de impacto relativamente a dois projectos, um deles precisamente a Linha Leste do Metro Ligeiro, mas também o viaduto entre as Zonas A e B dos Novos Aterros, como noticiou este jornal.

O órgão internacional exigiu ainda o envio de um relatório actualizado sobre o estado de conservação do Centro Histórico de Macau à Administração Estatal do Património Cultural da China, a ser enviado até ao dia 1 de Dezembro de 2026.

Em resposta a uma interpelação escrita do deputado Ron Lam, o presidente substituto do IC indica ainda que a Linha Leste – que terá cerca de 7,7 quilómetros de extensão – será construída através de túnel subterrâneo e incluirá seis estações subterrâneas. “Com excepção dos acessos às estações, salas de equipamentos e saídas de emergência, que ficarão à superfície, todas as restantes instalações localizar-se-ão no subsolo”, indicou ainda.

Já relativamente ao viaduto entre as Zonas A e B dos Novos Aterros, definido como “uma infraestrutura de transportes relevante” para a futura ligação entre a Península e os Novos Aterros, “presentemente, os serviços de obras públicas estão a elaborar o respectivo projecto”. Cheang Kai Meng assegurou ainda que o Governo da RAEM “mantém uma atitude aberta”, tendo em conta as “preocupações manifestadas pelos cidadãos quanto à forma de construção”. Segundo disse, o Executivo vai prosseguir com a recolha, organização e análise, “de forma abrangente”, das opiniões, “no sentido de aperfeiçoar o projecto”.

Sublinhando que a “Avaliação de impactos sobre o património” é um mecanismo geral para os trabalhos de protecção do património mundial, o mesmo responsável acrescenta que o Governo continuará a realizar esse tipo de estudo “para os programas que tenham necessidade, incluindo a avaliação sobre programas ulteriores nos termos das exigências constantes das decisões do Centro do Património Mundial”.

Nesse sentido, relembra que após a conclusão do estudo da “Avaliação do impacto patrimonial e concepção urbana da zona ao redor da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues”, o Governo submeteu o “conteúdo principal” do estudo ao Centro do Património Mundial para apreciação. Também sobre esta avaliação a UNESCO pediu mais detalhes. “Relativamente às informações e dados a serem adicionados após a decisão, o Governo da RAEM está a acompanhar o caso de acordo com o conteúdo da decisão”, acrescentou, não adiantando mais detalhes.

O Governo tem apresentado periodicamente informações sobre estudos e relatórios ao Centro do Património Mundial, com quem irá manter uma comunicação e intercâmbio “estreitos”, sobre qualquer assunto relacionado com a preservação e gestão do Património Mundial de Macau, garantiu ainda o IC.

O organismo lembra também que o Comité do Património Mundial se congratulou com o conteúdo do “Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau” por reunir pareceres do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios e do Centro do Património Mundial da UNESCO. Segundo Cheang, o plano constitui “um quadro abrangente e ferramentas eficazes para a preservação e gestão do Património Mundial de Macau”. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 9 de junho de 2022

Macau - Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia critica novo projecto do edifício inacabado da Calçada do Gaio

Depois de o proprietário do edifício inacabado da Calçada do Gaio ter apresentado o novo projecto, que mantém a altura do prédio em 81 metros, o Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia critica o novo plano e insiste que a altura máxima deve ser de 52,5 metros. Ao contrário do Instituto Cultural, o grupo diz que o novo projecto não satisfaz as exigências da UNESCO

O Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia está descontente com o novo projecto para o edifício inacabado da Calçada do Gaio. Para o grupo, a altura do edifício deve ser, no máximo, de 52,5 metros, ao contrário dos 81 metros previstos no novo projecto apresentado recentemente pelo proprietário.

“A melhor solução deveria ser a redução da altura do edifício para 52,5 metros”, aponta o Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia num comunicado enviado ontem às redacções. O grupo lembra que “a UNESCO exige que ‘o projecto para os andares superiores deste edifício seja revisto para ser mais transparente e menos volumoso, a fim de diminuir o seu impacto visual’”. E afirma: “Não vemos como é que o actual projecto pode cumprir este requisito”. O grupo diz mesmo que “a demolição dos pisos superiores deve ser a melhor solução ou, em alternativa, os pisos superiores devem ser reduzidos em volume”.

A construção do edifício começou em 2006, mas teve de ser suspensa em 2008, devido a um despacho do Chefe do Executivo que definia quotas altimétricas para os edifícios em redor do Farol da Guia, de forma a preservar a paisagem. Originalmente, a ideia era que o prédio, de natureza comercial, tivesse 36 andares e 126 metros de altura. Actualmente, o prédio tem, então, 19 pisos construídos e uma altura de 81 metros.

A situação provocou críticas e o Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia chegou a enviar várias cartas à UNESCO para pedir que a integridade visual para o farol fosse assegurada. Na altura, o grupo já pedia que a altura do edifício da Calçada do Gaio fosse de apenas 52,5 metros.

O Instituto Cultural (IC) apresentou na terça-feira passada os detalhes do edifício inacabado da Calçada do Gaio. O novo projecto prevê que a altura do edifício se mantenha nos 81 metros e que sejam utilizados materiais que minimizem o impacto da vista para o Farol da Guia. Na reunião de ontem do Conselho do Património Cultural, os membros deram luz verde à nova proposta.  Na reunião plenária do Conselho do Património Cultural, Choi Kin Long, representante do IC, indicou também que o telhado projectado originalmente vai ser transformado num telhado plano e será usado vidro transparente no topo do edifício.

“A construção da obra do prédio exterior e a decoração do interior, sem alterar altura actual, não prejudicará fundamentalmente o valor do centro histórico de Macau”, afirmou Choi Kin Long, acrescentando que “o IC considera que a proposta actual já satisfaz todos os requisitos da UNESCO”. Leong Wai Man, presidente do IC, sublinhou que, assim, “ficam satisfeitos os requisitos da UNESCO”. A responsável não adiantou uma data para o recomeço dos trabalhos de construção. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Macau - UNESCO avalia resposta da China sobre polémica do Farol da Guia

A UNESCO está a avaliar a resposta das autoridades chinesas sobre o plano de construção de edifícios que cortam o corredor visual do Farol da Guia. Numa resposta ao Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla inglesa) indicou ter recebido “recentemente informações e documentos” da China e “que estão a ser examinados” por parte do Centro do Património Mundial e pelo Comité do Património Mundial.



A organização garantiu ter pedido esclarecimentos à China relativamente aos relatórios que o Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia lhe enviou referentes “à construção de edifícios de grande altura nas proximidades do Sítio do Património Mundial”.

O Farol da Guia é um dos monumentos incluídos no centro histórico de Macau, classificado como Património da Humanidade pela UNESCO, tem estado envolto em polémica devido à construção de um prédio de 90 metros que corta o seu corredor visual. Ainda na mesma nota da UNESCO, partilhada na rede social Facebook pela associação de Macau, lembrou ainda que o relatório o estado de conservação dos edifícios do património cultural deverá ser apresentado pelo China até ao dia 1 de Dezembro. “A UNESCO continuará a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades e órgãos consultivos chineses para assegurar que o valor universal excepcional dos edifícios do património cultural seja adequadamente protegido”, assegurou a organização.

O centro histórico de Macau foi inscrito na lista do Património da Humanidade da UNESCO em 15 de Julho de 2005, tendo sido designado como o 31.º local do Património Mundial da China. A classificação integra vários edifícios históricos construídos pelos portugueses, incluindo o edifício e largo do Leal Senado, a Santa Casa da Misericórdia, as igrejas da Sé, de São Lourenço, de Santo António, de Santo Agostinho, de São Domingos, as Ruínas de São Paulo e Largo da Companhia de Jesus ou o Farol da Guia. In “Ponto Final” - Macau

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Macau - Grupo de salvaguarda do Farol da Guia lamenta ainda não ter recebido resposta da UNESCO

O Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia enviou uma carta ao Comité do Património Mundial da UNESCO no dia 10 de Junho. Num comunicado divulgado ontem, o grupo lamenta ainda não ter obtido resposta e lembra que, a 6 de Julho, a UNESCO tinha indicado que iria responder “muito em breve”.

“Infelizmente, até ao momento ainda não recebemos uma resposta oficial do director-geral da UNESCO”, lê-se no comunicado agora divulgado, que acrescenta: “Esperamos que esteja a ter umas férias de Verão agradáveis e esperamos sinceramente que a UNESCO possa manter a sua promessa de nos enviar uma ‘resposta oficial muito em breve’, para clarificar as posições da UNESCO sobre as questões levantadas”.

A carta enviada à UNESCO a 10 de Junho alertava o organismo para a construção em altura junto ao local, que diz prejudicar a integridade visual do farol da Guia. A carta alertava para a “necessidade urgente de reduzir a altura de um prédio em construção na Calçada do Gaio”. Segundo a missiva, este edifício excede “desastrosamente” o limite de 52,5 metros. Além disso, o grupo indicava que “a restrição de 90 metros de altura para edifícios a serem construídos ao longo da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues é inadequada para a protecção da integridade visual e das principais linhas de visão do Farol da Guia”.

O grupo queixava-se de que, “após 12 longos anos, o Governo da RAEM não cumpriu a sua promessa de reduzir a altura do prédio em construção na Calçada do Gaio” e que, em vez disso, tentou manter a altura do prédio inacabado nos 81 metros, “numa clara violação do limite de altura de 52,5 metros”. “Em nenhum dos relatórios do Governo da RAEM apresentados à UNESCO, essa violação foi mencionada ou explicada”, lembrava o grupo. In “Ponto Final” - Macau

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Macau - Características históricas e culturais do Farol da Guia ameaçadas por prédios altos, alertam especialistas

Num comunicado publicado ontem, o Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia criticou as “contradições” do Instituto Cultural e desafiou o Governo a “assumir medidas decisivas” para reduzir a altura de dois edifícios que estão a prejudicar a integridade visual do Farol da Guia. O Instituto Cultural desvalorizou no sábado as preocupações levantadas pelo grupo numa carta enviada à UNESCO e garantiu atribuir “uma grande importância à protecção da paisagem do Farol da Guia”. Na perspectiva de especialistas contactados pelo Ponto Final, o Governo não está a cumprir o dever de proteger o Farol da Guia enquanto património cultural e histórico de Macau



O Instituto Cultural (IC) não prevê “a necessidade de proceder à avaliação do impacto no património” dos projectos de construção na Avenida Rodrigo Rodrigues, apesar de reconhecer, no mesmo comunicado, que um edifício inacabado na Calçada do Gaio excede, efectivamente, os “requisitos de limite de altura aprovados” por lei. Na semana passada, o Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia endereçou uma carta ao Comité do Património Mundial da UNESCO sobre o risco de destruição da “integridade visual” do farol mais antigo da costa chinesa. Especialistas contactados pelo PONTO FINAL criticaram a resposta do IC, e apontaram para o perigo de descaracterização da paisagem de Macau, caso os pontos de referência da cidade não sejam preservados no futuro.

Numa carta endereçada à UNESCO, o Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia assinalou que “um prédio em construção na Calçada do Gaio” excede “desastrosamente” o limite de 52,5 metros, e que “a restrição de 90 metros de altura para edifícios a serem construídos ao longo da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues é inadequada para a protecção da integridade visual e das principais linhas de visão do Farol da Guia”. O documento foi enviado ao organismo das Nações Unidas na sequência da apresentação da Planta de Condições Urbanísticas (PCU), por parte da DSSOPT, posta a consulta pública e cujo prazo de apresentação de comentários termina hoje.

“Em relação a esses dois casos concretos deviam ter tido um controlo mais rigoroso. De facto, a altura actual desses dois edifícios tem um real impacto na visibilidade do Farol da Guia”, começou por dizer o arquitecto André Lui, membro da ICOMOS internacional e da ICOMOS China, acrescentando que tem de ser feita “uma avaliação do impacto visual ou impacto ambiental em relação aos dois edifícios em questão”.

No comunicado de sábado, o Instituto Cultural defendeu que “todos os edifícios recém-desenvolvidos” na zona “cumprem os limites de altura” previstos por lei, e que, por isso, não “se prevê a necessidade de proceder à avaliação do impacto do património”. Uma decisão pouco razoável para Sandy Lam San, aluna de mestrado em Conservação de Património da Universidade de São José. “O Governo tem o dever de proteger o património de Macau, se este tipo de iniciativas continuar, as características únicas da cidade podem ser afectadas permanentemente. Não podemos provocar mais danos. O Instituto Cultural justificou-se com a lei para não proceder à avaliação do impacto do património. Não foram razoáveis. Basta ver fotografias da periferia do Farol da Guia desde 1996 para perceber o enorme impacto que as novas construções tiveram na paisagem do Farol da Guia, que, agora, está praticamente tapada por prédios”, assinalou Sandy Lam San.

Farol da Guia, património cultural da região

Uma opinião partilhada por Mário Duque. “O farol há-de ser sempre uma construção que tem uma absoluta necessidade de ser avistável pela sua função”, começou por referir o arquitecto. Apesar de reconhecer que os faróis deixaram de ser cruciais na navegação moderna, as construções em redor do Farol da Guia podem afectar a sua característica cultural e histórica, assinala. “Se esses elementos são considerados de valor e se são considerados património cultural dos sítios, obviamente que destruir-lhes a configuração física corresponde a retirar-lhes o sentido, o valor e a sua própria razão. Os faróis já não são necessários, só que o Farol da Guia tem um significado importante pois foi constituído património cultural da região”, disse Mário Duque.

Para o arquitecto João Palla, as características paisagísticas de Macau podem estar em risco. “Devia haver uma sensibilidade maior àquilo que são as vistas e o sistema de vistas dos diferentes pontos da cidade para pontos focais. Obviamente que o Farol da Guia é um ponto focal que se guia de muitos outros pontos da cidade, assim como a Igreja da Penha, a Fortaleza do Monte. Devia haver um cuidado muito maior à volta destas zonas para não se perder a legibilidade da orografia de Macau”, afirmou.

Na carta enviada à UNESCO, o grupo queixou-se de que, “após 12 longos anos, o Governo da RAEM não cumpriu a sua promessa de reduzir a altura do prédio em construção na Calçada do Gaio” e que, em vez disso, tentou manter a altura do prédio inacabado nos 81 metros, “numa clara violação do limite de altura de 52,5 metros”. “Em nenhum dos relatórios do Governo da RAEM apresentados à UNESCO, essa violação foi mencionada ou explicada”, frisou o Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia.

Na resposta, o IC admitiu que o edifício inacabado na Calçada do Gaio “excede os requisitos de limite de altura do edifício aprovado”, e que, o mesmo, “pode ter um impacto na paisagem do Farol da Guia. No entanto, na sequência de uma avaliação da Academia Chinesa do Património Cultural, encomendada pelo Governo, o IC apontou que “o projecto deve manter a actual altura”. “O IC disse que não havia necessidade de baixar a quota do edifício, o que é uma parvoíce. O mínimo que podiam ter feito era, depois de tantos anos com aquilo parado, terem cortado o edifício pela quota com que deveria ter sido feito o edifício originalmente para não ultrapassar o Farol da Guia”, frisou João Palla em relação ao edifício inacabado na Calçada do Gaio.

Instituto Cultural não assume responsabilidades

Já André Lui estranhou o facto de o Governo ter recorrido a uma avaliação da Academia Chinesa do Património Cultural para concluir os trabalhos de avaliação do impacto no património. “Um grupo profissional da China fez a avaliação, mas porque é necessário vir alguém do interior da China? Em Macau também temos técnicos de avaliação tão bons como os outros”, afirmou o membro da ICOMOS internacional e da ICOMOS China.

Uma situação também assinalada por João Palla. “Porque é que uma Academia Chinesa, que não conhecemos, está a validar coisas aqui em Macau? O problema é haver uma instituição que se substitua ao Instituto Cultural. O Instituto Cultural deveria ser quem dá esse parecer, e está a reconhecer uma academia para dar esse parecer”, referiu o arquitecto.

Em reacção, ontem, ao comunicado do IC, o Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia lamentou a falta de um perito de património cultural “com consciência”, que esteja na disposição de avaliar os projectos de construção ao longo da Avenida Rodrigo Rodrigues, e criticou o secretismo em torno do relatório da Academia Chinesa do Património Cultural. “O IC não deve adoptar, novamente, a política da avestruz diante de uma ameaça iminente, em relação à paisagem e integridade visual do Farol da Guia, Património Cultural da Humanidade, rodeada por uma vizinhança de arranha-céus”. Eduardo Santiago – Macau in “Ponto Final”

eduardosantiago.pontofinal@gmail.com

domingo, 2 de setembro de 2018

Macau – Instituto Cultural lança livro de António Pedro Pires sobre o Ano Novo Chinês

A grande festividade chinesa do Ano Novo Lunar é explicada, ao detalhe, na mais recente obra de António Pedro Pires. A publicação integra a colecção “Farol da Guia” do Instituto Cultural



A celebração do Ano Novo Lunar – grande festividade do povo chinês – é analisada em detalhe na mais recente obra de António Pedro Pires. As primeiras páginas do livro “Festividade do Ano Novo Lunar em Macau”, publicado pelo Instituto Cultural (IC), são dedicadas à “marcha da Humanidade desde a tomada de consciência do tempo e da sua medição até à invenção do calendário e ao aparecimento dos relógios” numa clara abordagem ao calendário lunar propriamente dito.

De acordo com o organismo, a segunda parte descreve o Ano Novo Lunar do ponto de vista da preparação da festa, bem como o papel das “grandes religiões chinesas (taoismo, budismo, confucionismo e culto dos antepassados) nos rituais que a antecedem”. Além disso, “é prestada especial atenção ao último dia do ano, à preparação do jantar-reunião de família, aos rituais que o precedem, sobretudo à veneração dos antepassados e à culinária própria da reunião”.

Por sua vez, o autor optou também por descrever a entrada do ano novo e tudo o que ele implica: o ruído, as visitas aos templos, as multidões e rituais no seu interior, sobretudo nos templos de Á-Ma e Kun Iam. “E porque não há festa sem culinária, um capítulo é dedicado à culinária da festa, à culinária como linguagem, e ao simbolismo dos pratos”, acrescenta o IC.

Já na recta final da obra são descritos os rituais que ditam o fim da festividade. Nesta secção aborda-se a festa das lanternas no 15º dia e reflecte-se sobre a importância da festa para a construção duma sociedade mais pacífica e harmoniosa. Isto porque, durante o Ano Novo Lunar, a “sociedade renasce com nova força e vigor, retempera o seu ser. É a vida que se renova, os afectos que circulam, os laços que se estreitam, os amigos que se “cativam”. Não há festa como esta”, vinca o IC.

António Pedro Pires, formado em Ciências Antropológicas e Etnológicas, é também autor de dezenas de artigos publicados em revistas, catálogos e jornais sobre a condição feminina e a cultura chinesa. Proferiu também várias conferências durante as quais se versou sobre a mulher na China e em Portugal, chá, porcelana, festividades cíclicas, ano novo lunar, minorias étnicas, culto dos antepassados, entre outros temas.

O livro pode ser comprado na Livraria Portuguesa, Plaza Cultural, Livraria Seng Kwong, Arquivo de Macau e Centro Ecuménico Kum Iam por 140 patacas sendo o quinto da Colecção “Farol da Guia”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau