Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 15 de julho de 2026

França - Discurso de Jean-Luc Mélenchon sobre a divisão pós-colonial com os territórios ultramarinos encontra eco em Casamansa

Na atmosfera acalorada do salão de reuniões de Saint-Denis, em Seine-Saint-Denis, Jean-Luc Mélenchon optou, no domingo, 7 de junho de 2026, por não falar primeiramente sobre o poder de compra ou pensões, mas sim sobre a questão mais explosiva que a República Francesa enfrenta: a sua arquitetura institucional e o destino dos territórios localizados nas fronteiras da França continental. Para o líder do partido La France Insoumise, candidato declarado à eleição presidencial de 2027, o tempo dos ajustes tímidos acabou. Trata-se de uma ruptura com o passado, que ele abraça integralmente.


Falando para uma plateia receptiva, Mélenchon traçou uma linha clara: a Nova Caledónia caminharia "rumo à independência" sob uma presidência rebelde; a Córsega seria apoiada "rumo à autonomia ampliada que o seu povo exige"; quanto às Antilhas, Guiana Francesa e Reunião, não haveria "tabus" em relação à autonomia, com a perspectiva de um "direito pleno à autonomia" quando as populações envolvidas o desejassem e no ritmo que escolhessem.

Isto é mais do que uma promessa eleitoral. É um ataque frontal ao modelo jacobino, ao centralismo herdado da Revolução que, durante tanto tempo, fez de Paris o coração pulsante e único de uma República "una e indivisível". Ao colocar a descolonização inacabada e o direito dos povos à autodeterminação no centro do seu discurso, Mélenchon reposiciona a França Insubmissa como herdeira de uma esquerda radical, pós-colonial e pluralista.

Um cálculo político e uma convicção

A escolha de Saint-Denis não é insignificante. Esta cidade, símbolo da diversidade francesa, onde descendentes de imigrantes dos territórios ultramarinos e da França continental convivem, permite a Mélenchon consolidar um eleitorado popular e ultramarino, muitas vezes negligenciado. Mas, para além da tática, o discurso revela uma mudança doutrinária. O político inflamado, que durante muito tempo defendeu a unidade republicana, criticando as suas tendências neocoloniais, abraça agora abertamente uma visão confederal ou diferenciada da República.

Para a Nova Caledónia, ainda marcada pelos Acordos de Matignon e Nouméa e pela violência recente, a promessa é direta. Para a Córsega, faz parte de um diálogo contínuo com os nacionalistas. Para os departamentos e regiões ultramarinos (DROM), a formulação permanece cautelosa — condicionada à vontade popular —, mas abre a caixa de Pandora institucional que sucessivos governos, tanto de direita quanto de esquerda, sempre fecharam com firmeza.

Casamansa: um espelho inesperado

Como jornalista da Casamansa, que há décadas observa as convulsões da política francesa que muitas vezes influenciam indiretamente a dinâmica africana, este discurso ressoa com particular força. A Casamansa, este território verdejante, outrora autónomo durante a colonização portuguesa e francesa, carrega as cicatrizes de um conflito de independência com o Estado senegalês há mais de quarenta anos. O Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC) forjou a sua luta em torno de queixas históricas: o processo de descolonização, a marginalização económica, a exploração dos recursos naturais e a integração forçada num Estado-nação de estilo jacobino, modelado em parte no sistema francês.

Ver um dos principais candidatos da esquerda francesa, o herdeiro intelectual do pensamento universalista, reconhecer explicitamente o "direito à autonomia" e até mesmo à independência de povos insulares ou remotos não pode deixar ninguém indiferente. É claro que os contextos são diferentes: a França é uma potência democrática pós-imperial que luta com o seu legado colonial; o Senegal é um jovem Estado soberano, ansioso por preservar a sua unidade territorial fragmentada diante do risco de balcanização.

No entanto, os paralelos são impressionantes. O jacobinismo senegalês, centralizador e por vezes desconfiado das particularidades culturais e históricas da Casamansa (fulanis, diolas, mandincas, balantes, diahankeses, etc.), há muito responde com repressão, promessas não cumpridas e uma descentralização superficial. Os sucessivos acordos de paz permaneceram letra morta, mas a questão do estatuto específico da Casamansa permanece sem solução, como uma ferida que não cicatrizou completamente.

O discurso de Mélenchon, por extensão, levanta uma questão incómoda para os líderes africanos: se até mesmo para a França, a histórica guardiã do centralismo, é forçada a evoluir sob a pressão das suas populações ultramarinas, por quanto tempo os estados pós-coloniais poderão ignorar as legítimas aspirações por um maior controlo local sobre os recursos, a cultura e as instituições?

Reações e armadilhas

Na França, essa declaração forçará os outros candidatos a posicionarem-se. A direita e o centro a verão como uma ameaça à unidade nacional; Emmanuel Macron ou os seus potenciais sucessores serão acusados ​​de fraqueza se não responderem com firmeza. Em Reunião e Martinica, onde a autonomia tem raízes, mas a independência ainda é uma visão minoritária, o debate corre o risco de se polarizar violentamente.

Para Mélenchon, a aposta é arriscada: consolida a sua base ativista, mas pode assustar uma parcela do eleitorado francês apegada à ideia de uma República indivisível. Ele também está a explorar questões históricas, lembrando aos eleitores que a descolonização não estará completa até 2026.

Na Casamansa, onde os acontecimentos na França são acompanhados com uma mistura de esperança e ceticismo, este encontro serve como um lembrete de que as grandes potências não mudam por filantropia, mas sob a pressão combinada das urnas, da opinião pública e da história. A busca de Casamansa por uma paz justa, baseada na verdade histórica e no reconhecimento do seu caráter único, não deve nada esperar diretamente de Paris. Mas pode encontrar ali um incentivo intelectual: o direito dos povos à autodeterminação não é mais apenas um slogan terceiro-mundista dos anos 1960. Está-se a tornar, ainda que timidamente, um tema de debate no coração da metrópole.

Resta saber se Jean-Luc Mélenchon, caso chegue ao poder, traduzirá essas palavras em ações. O histórico de promessas eleitorais relativas aos territórios ultramarinos franceses sugere cautela. Mas a mensagem foi transmitida: a França pluralista que ele idealiza não pode mais ignorar as vozes vindas das ilhas, das florestas equatoriais… e, por extensão, dos arrozais da Casamansa. Abdou Diallo – Casamansa in “Le Journal du Pays”


segunda-feira, 6 de abril de 2026

Casamansa - A Juventude pela Independência de Casamansa (JICASA) endurece a sua posição e reafirma a sua determinação pela independência do Senegal

Reunidos de sábado, 28, a domingo, 29 de março de 2026, em Balantacounda, os membros e representantes da JICASA demonstraram uma determinação inequívoca em continuar a luta pela independência da Casamansa, num contexto marcado por tensões persistentes na sub-região.


Impulsionada pelo forte apoio de Kassa, Fouladou, Pakao e Fogny, a reunião também contou com a participação notável de delegações da Gâmbia, Guiné-Bissau, Mali e Guiné. Para os organizadores, esta participação reflete a crescente solidariedade regional com a causa da Casamansa.

Numa declaração contundente, a JICASA prestou uma homenagem entusiasmada aos combatentes da ATIKA, destacando as recentes vitórias militares contra as forças senegalesas entre fevereiro e março de 2026. O movimento considera essas ações como prova de uma resistência que permanece ativa e determinada no terreno.

Além do aspecto militar, a JICASA destaca os progressos políticos que considera significativos, enfatizando o papel central da diáspora. Esta última é elogiada pelo seu compromisso com as populações deslocadas e os refugiados da Casamansa na Gâmbia e na Guiné-Bissau, numa demonstração de solidariedade considerada "vital ".

O movimento condenou veementemente a situação dos 21 presos políticos da Casamansa detidos sem julgamento no Senegal, descrevendo-a como uma " flagrante injustiça " e exigindo a sua libertação imediata.

Outro ponto de discórdia: a governação na Casamansa. A JICASA critica as nomeações administrativas e coloniais impostas (governadores, prefeitos, administradores civis, diretores, médicos, juízes, comissários e comandantes), que compara a práticas de outra época, denunciando uma persistente marginalização das populações locais.

Nesse mesmo sentido, os jovens separatistas apontam para o silêncio dos deputados da Casamansa diante dos recentes acontecimentos trágicos, um silêncio que consideram " inaceitável ", especialmente em comparação com os debates no Parlamento da Gâmbia sobre a situação na Casamansa.

À luz destas descobertas, a JICASA apela para uma maior mobilização de todas as forças ativas — autoridades religiosas e tradicionais, sociedade civil e diáspora — para alcançar uma paz duradoura, mas também para apoiar o que considera uma luta legítima pela dignidade, justiça e autodeterminação.

Numa Casamansa marcada por mais de quatro décadas de conflito entre o exército senegalês e os combatentes do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC), esta nova posição confirma que a questão da Casamansa permanece sem solução e continua a cristalizar tensões e aspirações. Balanta Mané – Casamansa in “Le Journal du Pays”


sábado, 6 de agosto de 2022

Casamansa - Rejeição e condenação do chamado acordo "deposição de armas" assinado em Bissau

Rejeição e condenação do chamado acordo de deposição de armas entre Lansana Fabouré, César Atoute Badiate e o governo senegalês


Acabamos de saber, pela imprensa da Guiné-Bissau, que Lansana Fabouré, ex-tesoureiro de Diakaye e César Atoute Badiate que deixou o cargo há vários anos, doente como está, assinou um acordo chamado paz e deposição de armas com o representante da Macky Sall, o contra-almirante Farba Sarr, chefe dos serviços secretos senegaleses, sob a égide do presidente proclamado da Guiné-Bissau Umaru Sissoco Embalò e da ONG Diálogo Humanitário (HD) representada por um funcionário europeu e pela senhora Ndèye Khady Diouf.

O Movimento das Forças Democráticas de Casamança (MFDC), todos os ramos reunidos, suas alas internas e externas, seus órgãos civis e políticos não se reconhecem neste ato unilateral colocado por estes signatários, sem qualquer consulta democrática das forças da Casamansa, sem qualquer legitimidade, sem qualquer mandato.

Denunciamos uma manobra senegalês-Bissau-guineense destinada a cortar parte da Attika e da sua liderança política interna e externa. O objetivo de Macky Sall e o seu aliado estratégico na sub-região é estabelecer um equilíbrio de poder militar que lhe seja favorável, a fim de obter a capitulação sem negociações dos separatistas da Casamansa.

Além disso, por meio de textos de acordos setoriais, opacos com Diakaye e hoje com Lansana Fabouré e César Atoute Badiate, o Senegal aposta na exacerbação das diferenças entre as facções Attika para despertar tensões fratricidas dentro do braço armado do MFDC.

Os signatários do MFDC deste acordo não estão ativos na luta há vários anos. A maioria dos combatentes não se refere mais a eles. Porque todas as bases da Attika mantendo a postura de guerra rejeitaram, há várias semanas, os passos do Presidente Embalò visando fazê-los aderir a este texto de acordo falso e sem valor político.

O Almirante Sarr e Embalò e o seu Chefe de Estado-Maior particular aproveitaram-se da fraqueza física do Comandante Atoute, chantageando-o sobre os prisioneiros de Attika para forçá-lo a assinar um texto que jamais será seguido.

O Senegal nunca respeitou o menor texto assinado com o MFDC e a Casamansa em luta, de Toubacouta a Bissau passando por Banjul, Diakaye, Roma e ainda hoje Bissau. O Senegal sempre foi de má-fé para com o MFDC e o povo da Casamansa.

É por isso que sempre pedimos um processo de paz sério que envolvesse a aceitação do problema político-jurídico, a nomeação de um mediador estatal neutro e confiável, uma condição prévia para um cessar-fogo, num terreno neutro para as negociações e seguro, a fim de chegar a um acordo sério e duradouro sobre um texto de acordo global e de qualidade.

Qualquer acordo que se desvie deste esquema será nulo e sem efeito aos nossos olhos. As nossas forças demonstrarão a sua rejeição a esta traição, esta traição contra o povo da Casamansa, tomando as medidas necessárias dentro do braço armado do MFDC e dos militantes.

Comunicado feito na Europa em 5 de agosto de 2022, O Movimento das Forças Democráticas de Casamansa e todos os seus órgãos, MFDC e/ou o Círculo de Intelectuais e Académicos do MFDC. In “Journal du Pays” - Casamansa


quarta-feira, 6 de abril de 2022

Casamansa - Invicta Félix!

No 24º dia da guerra de Macky Sall em Casamansa, uma saída timidamente toma forma. O preço desta aventura de jovens recrutas senegaleses nas florestas ao norte de Bignona é de cem mortos e dez mil refugiados e deslocados. Tudo isso pela vontade de um único homem, ferido pelo ódio do povo de Casamansa e sedento de sangue.

O presidente Macky Sall teria como alvo o início do mês do Ramadão e a data de 3 de abril, véspera do feriado nacional e do exército, para declarar no seu tradicional discurso, a sua "grande vitória" contra os combatentes da independência de Atika do Movimento de Forças Democráticas de Casamansa (MFDC). A aposta está perdida.

É aliás “uma guerra relâmpago” que os oficiais militares senegaleses anunciaram aos soldados, à opinião pública nacional e internacional nestes termos: “uma operação cujo principal objetivo é desmantelar todas as bases da facção Salif Sadio situadas ao longo da fronteira norte."

Noutras palavras, "destruam todas as bases rebeldes e capturem vivo ou morto o seu líder no norte, Salif Sadio."

No terreno, a realidade parece transformada em pesadelo. As forças senegalesas "recuaram" para se concentrar em torno das cidades de Bignona e Ziguinchor, de modo que se retiraram completamente do norte de Casamansa, que vários observadores definem como uma derrota.

Mais de 35% das capacidades móveis do exército foram eliminadas. Das 52 viaturas militares mobilizadas pelo exército senegalês na sua “segurança fronteiriça”, 34 regressaram ao quartel, notam os peritos militares.

Após dez anos de suprema magistratura à frente do Estado do Senegal, Macky Sall, como os seus antecessores, Léopold Sédar Senghor, Abdou Diouf, Abdoulaye Wade, como os portugueses, os franceses e as várias alianças turcas e marroquinas, nunca vencerá em Casamansa e os seus dignos filhos do MFDC. “Invicta Félix!“, Feliz Invicta! Antoine Bampoky – Casamansa in “Journal du Pays”

 

quinta-feira, 24 de março de 2022

Casamansa – O Movimento das Forças Democráticas da Casamansa considera perigoso o envolvimento da Guiné-Bissau e da Gâmbia ao lado das forças senegalesas

Baseando-se nos seus acordos de defesa assinados com Umaro Sissoco Embalò da Guiné-Bissau e Adama Barrow da Gâmbia, Macky Sall e as tropas senegalesas em 13 de março de 2022 usaram mercenários guineenses para realizar ataques contra combatentes da Casamansa vindos do território gambiano.

A Casamansa em luta pela independência, os seus órgãos políticos, civis como combatentes, condenam com a maior firmeza o perigoso envolvimento da Guiné-Bissau e da Gâmbia na escalada da guerra de Macky Sall actualmente em curso no norte da Casamansa.

Embora disponíveis para a resolução pacífica do conflito, levamos a comunidade nacional e internacional a testemunhar, quanto à nossa infalível determinação, de fazer uso do direito de perseguição do inimigo onde quer que opere, considerando que qualquer país que se envolva de uma forma ou de outra no conflito, é um ato de declaração de guerra contra a Casamansa.

Como a sua palmeira, a Casamansa florescerá.

Viva a Casamansa livre e independente. Movimento das Forças Democráticas da Casamansa

Na última semana dezenas de soldados senegaleses foram mortos, incluindo quatro soldados da Guiné-Bissau, um helicóptero senegalês foi abatido e uma coluna de viaturas militares composta por 13 veículos foi destruída. Renderam-se aos militares do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC) 33 soldados senegaleses. In “Journal du Pays” - Casamansa

 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Casamansa – Libertação de sete prisioneiros de guerra senegaleses

“No âmbito das ações humanitárias em relação às famílias, informamos da iminência da libertação dos sete prisioneiros de guerra senegaleses, apanhados com a arma na mão durante um ataque, a 24 de janeiro de 2022, vindos da Gâmbia às nossas bases no norte de Casamansa”, disse ao Journal du Pays um líder político e militar do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC).

A fonte especifica que os sete prisioneiros serão libertados esta segunda-feira, 14 de fevereiro, a partir das 10h00 em Casamansa, de acordo com o protocolo do processo de libertação dos prisioneiros de guerra.

Os prisioneiros serão entregues às autoridades da Gâmbia da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), funcionários da Gâmbia, delegados do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e da ONG Sant' Egídio.

As fileiras de combatentes do MFDC estão-se a preparar para todas as eventualidades e são enviados pedidos de mobilização geral em todas as bases ao norte e ao sul de Casamansa.

Desde a sua criação em março de 1947, o MFDC luta pela independência de Casamansa, uma colónia do Senegal. Samsidina Badji – Casamansa in “Journal du Pays”

 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Casamansa - Pronta para enfrentar a ameaça do colonizador


O povo da Casamansa deve estar preparado para enfrentar a ameaça à segurança na Casamansa e na sub-região.

O Senegal há anos que representa ameaças expansionistas perigosas, certas, diretas e indiretas, em Casamansa, Gâmbia, Guiné-Bissau e Guiné Conakry. Teremos que fortalecer as capacidades das frentes internas para frustrar todas as conspirações inimigas e campanhas tendenciosas na mídia visando a Casamansa e a região.

Além disso, somos obrigados a fazê-lo porque o nosso país, Casamansa, tem obrigações regionais impostas pelo seu papel central, além das suas posições de princípio inalteráveis ​​de apoio a todas as causas justas, como a sua participação ativa na luta pela independência da Guiné-Bissau.

A determinação dos jovens da Casamansa, do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa e do povo da Casamansa para superar todos os perigos e constrangimentos é mais necessária do que nunca.

Investiremos todos os dias nas capacidades do povo da Casamansa para enfrentar todas as provas que visam minar a unidade do povo e, além disso, na sincera, justa e corajosa orientação de independência nacional adoptada pelas nobres autoridades da Casamansa desde as colonizações portuguesa e francesa.

O combate a estes planos hostis dirigidos ao nosso país implica a necessidade de o nosso povo estar ciente dos desígnios ulteriores que o Senegal pretende realizar e, consequentemente, a sua mobilização em torno da independência para os frustrar.

O povo da Casamansa poderá derrotá-los, como tem conseguido sempre que os colonos europeus e seus parceiros tentaram fazer mal ao nosso país.

Juntos enfrentaremos os desafios e as questões e venceremos esta etapa crucial que atravessa o nosso país, da mesma forma que acreditamos plenamente nas suas capacidades de dar o seu contributo e o seu compromisso positivo e real com o sucesso.

A Casamansa avançará no caminho de construir os alicerces de uma nova Casamansa independente, à qual aspiraram gerações e gerações que juraram seguir os passos dos seus antepassados, homens fiéis, que fizeram o sacrifício supremo pelo seu povo e seu país, Casamansa. Emile Tendeng – Casamansa in “Le Journal du Pays”


 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Casamansa - Movimento das Forças Democráticas de Casamansa acusa o Senegal de fomentar crise política na Guiné-Bissau

Bissau - O Movimento das Forças Democráticas de Casamansa (MFDC) acusou na passada quinta-feira os políticos senegaleses e guineenses de estarem a prejudicar a estabilidade política na Guiné-Bissau para concretizar o acordo da Zona Económica Conjunta (ZEC) sobre exploração petrolífera.

Em declarações à Lusa por telefone, Pape Famara, membro do MFDC, afirmou que há responsáveis políticos de Dakar e Bissau que querem "prejudicar a situação de estabilidade política na Guiné-Bissau para poderem avançar com o que querem".

Esta semana, uma das concessionárias para a exploração de petróleo na zona, cujas receitas são partilhadas pelo Senegal (85%) e a Guiné-Bissau (15%), anunciou que tenciona fazer prospeção ainda em 2020.

A parte do Senegal na ZEC é reivindicada pelo MFDC, em guerra civil com Dakar, desde 1990, reclamando a independência do território, no sul do país, entre a Gâmbia e a Guiné-Bissau.

"Este não é o momento para fazer avançar" o dossiê do petróleo, "porque esta não é a solução para a crise" na região, afirmou Pape Famara.

"É preciso que o Senegal discuta com a Casamansa uma solução para o problema antes de falar sobre petróleo", sublinhou o ativista.

Segundo o independentista Pape Goudiaby Famara, o movimento "está atento ao que se está a passar" na Guiné-Bissau, um país que vive numa situação de tensão política, depois das eleições presidenciais de dezembro de 2020, que deu a vitória a Umaro Sissoco Embaló, ainda não estarem validadas pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Sissoco Embaló tem-se apresentado como aliado e "amigo pessoal" de Macky Sall, Presidente do Senegal.

O ainda Presidente guineense, José Mário Vaz, denunciou formalmente o acordo a 29 de dezembro de 2014, propondo ao Senegal a reabertura de negociações para fixação de novas bases de partilha, aumentando as receitas para Bissau.

Várias personalidades da sociedade guineense, entre as quais o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Zamora Induta, defendem que as negociações devem ser suspensas até que o Senegal aceite renegociar a delimitação de fronteiras marítimas e terrestres.

Até ao momento não se conhecem resultados relativas às negociações pedidas por José Mário Vaz.

Na passada terça-feira, a canadiana OP AGC Central Lda, uma das duas empresas estrangeiras que detêm as seis licenças de prospeção do petróleo na zona de exploração conjunta (ZEC), constituída entre a Guiné-Bissau e o Senegal, esteve reunida com entidades públicas e privadas e autoridades tradicionais das regiões de Cacheu, Bolama, Biombo e Bissau.

Em declarações à Lusa, Mamadou Samba, consultor senegalês ao serviço da OP AGC, disse que o objetivo é iniciar a prospeção de petróleo ainda em 2020, estando em curso a auscultação das populações para depois elaborar um documento de avaliação do impacto ambiental.

Para o MFDC, "não é aceitável que o Senegal assine acordos com a Guiné-Bissau para a zona de Casamansa com os quais os habitantes não estão de acordo".

A Zona Económica Conjunta (ZEC) foi constituída em 1993, após disputas nos tribunais internacionais entre a Guiné-Bissau e o Senegal e comporta cerca de 25 mil quilómetros quadrados da plataforma continental.

Com a sede em Dakar, Senegal, a ZEC é considerada rica em recursos haliêuticos, cuja exploração determina 50% para cada um dos Estados e ainda hidrocarbonetos (petróleo e gás), mas ainda em fase de prospeção.

A Guiné-Bissau dispensou 46% do seu território marítimo para constituir a ZEC e o Senegal 54%.

As receitas futuras da exploração de petróleo, segundo o acordo em vigor, serão divididas entre o Senegal (85%) e a Guiné-Bissau (15%). In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau com “Lusa”

No passado dia 31 de janeiro, vários órgãos da comunicação social anunciaram ter havido uma operação de fraude informática para interferir nos resultados das eleições na Guiné Bissau, publicamos de seguida uma dessas notícias, da revista “Exame Informática”.

Um grupo de três hackers do Barreiro foi contratado por 75 mil euros para sabotar as eleições na Guiné Bissau. Os piratas terão conseguido introduzir um vírus no computador da Comissão Nacional de Eleições guineense e falseado o resultado final que, recorde-se, deu a vitória a Umaro Sissoco Embaló, do Movimento para a Alternância Democrática da Guiné Bissau. A revelação foi feita pela revista Sábado.

O trabalho jornalístico tem por base a recolha de documentos, depoimentos e mensagens escritas e de voz – e é comparado a um enredo de um filme de espionagem, devido aos diferentes episódios que vão «desde a contratação no Barreiro, à forma como se infiltraram no computador da CNE, os vírus que deixaram no sistema e a guerra em torno do pagamento, que está na origem da revelação de todo o esquema», revela a revista.

O candidato apoiado pelo PAIGC, Domingos Simões Pereira, já tinha avançado com uma impugnação do ato eleitoral, alegando várias irregularidades. Com estas revelações, todo o processo pode ser cancelado e levar a novas eleições.

Os três hackers seriam de nacionalidades diferentes e terão sido contratados em Portugal, sendo uma prova da relativa facilidade de contratação deste tipo de pirataria no nosso país. In “Exame Informática” - Portugal

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Casamansa - Os Estados Unidos da América procuram encontrar uma solução para a crise com o Senegal

Uma delegação americana de alto nível composta por dois diplomatas mandatados pelo embaixador dos Estados Unidos em Dakar Tulinabo Salama Mushingi e sob a orientação do presidente americano Donald Trump, permaneceu de 4 a 5 de dezembro de 2019 em Ziguinchor, capital da Casamansa.

Numa lógica inclusiva de entender a situação de crise entre o Senegal e a Casamansa, os diplomatas reuniram-se com os órgãos do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC) na sede de Mangoukouro em Ziguinchor e com uma das células do movimento de independência em Bignona .

Esta visita a Mangoukouro corresponde à cerimónia do quadragésimo dia da morte pelo assassinato de Abdou Elinkine Diatta, ex-autoproclamado Secretário-geral.

Receberam também, num hotel em Ziguinchor, um grupo de mulheres que afirmam pertencer à "Plataforma das Mulheres" e seis ex- "milicianos de Diakaye" que afirmam ser um Comité Provisório criado por Robert Sagna.

O objetivo destas reuniões para a delegação americana é encontrar soluções para a cessação das hostilidades entre o Senegal e a Casamansa e iniciar um processo de paz real após 37 anos de conflito.

Desde a sua criação em 1947, o MFDC vem lutando pela independência da Casamansa. Samsidine Badji – Casamansa in “Journal du Pays”

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Casamansa – Delegação da diáspora visitou a Gâmbia, Guiné-Bissau e a Região



Uma delegação das maiores associações de casamanseses na diáspora visitou no passado mês de março a Casamansa, Gâmbia e Guiné Bissau, informou o “Journal du Pays” em Bignona.

Liderada por membros da Internacional Casamansa pela Liberdade (ICL), pela Associação de Casamansa residente na Alemanha (ACRA) e pela Associação de Nacionais de Casamansa na América (ARESCA), a delegação num primeiro momento, visitou os refugiados que vivem nos países limítrofes da Gâmbia e da Guiné-Bissau e depois a população deslocada internamente na própria Casamansa.

A Delegação reuniu-se com organizações religiosas, vítimas da guerra, associações de mulheres e jovens casamanseses e visitaram famílias dos presos políticos.

Para o desenvolvimento do programa da visita cujos temas foram: renovar as relações e o diálogo entre casamanseses, começar uma iniciativa de paz inclusiva e examinar a situação de segurança e a protecção dos recursos naturais, os delegados reuniram-se com os membros políticos e combatentes do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa (MFDC). Samsidine Badji – Casamansa in “Journal du Pays”

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Casamansa – Conversações no seio do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa

Bissau – As discussões em curso no seio do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa (MFDC), para permitir que as suas diferentes facções unificassem posições para uma eventual negociação com as autoridades senegalesas começam a dar frutos, disse Robert Sagna, coodenador do Grupo de Reflexão para a Paz em Casamansa (GRPC).

“Os diferentes chefes rebeldes estão hoje muito avançados nessas conversações, devendo proceder o que eles chamam de “concertação inter-MFDC”, declarou Sanhá à estação privada, Rádio Futuro Medias (RFM).

Segundo o antigo presidente da Câmara Municipal de Ziguinchor, os esforços dos responsáveis das diferentes facções do MFDC, “estão em vias de trazer os seus frutos” mesmo se Salif Sadjo, considerado o chefe da ala radical da rebelião não está, por enquanto, implicado nas conversações.

O coordenador do Grupo de Reflexão para a Paz em Casamansa diz que a iniciativa global é necessária para se ver a rebelião falar numa única voz, para que as decisões que venham a ser tomadas numa eventual negociação com as autoridades de Dakar possam contar com o engajamento de todas as facções.

Robert Sagna referiu que a maioria dos chefes das facções do MFDC estão em contacto permanente e aguardam que Salif Sadjo se junte ao grupo, abrindo-se ao diálogo e a paz, pois será bem-vindo.

Disse que os membros GRPC devem ser considerados como facilitadores e não mediadores.

A imprensa senegalesa, citando o correspondente da RFI em Bissau, Allen Yoro Embalo, jornalista que ultimamente tem falado com Salif Sadjo, refere que o chefe rebelde estará pronto para negociar a paz em Casamansa mas que, para isso, “quer um mediador credível”.

O MFDC iniciou a rebelião em 1982 reclamando a independência de Casamansa, a parte Sul do Senegal constituida por Kolda, Sedio e Ziguinchor.

O grupo intensificou a violência em 1990 tendo sido as populações as principais vítimas, mas a tensão baixou na região em 2000.

Os confrontos entre militares senegaleses e os combatentes do MFDC deram, desde 2012, lugar à uma certa acalmia que permitiu o regresso dos refugiados à Casamansa, outrora considera celeiro do Senegal, e o relançamento, ainda que lentamente, da economia na região. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Casamansa – Comunicado sobre a situação na Guiné-Bissau

O Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC) reconhece que a Guiné-Bissau está a passar neste momento por uma crise política profunda que inquieta toda a Comunidade Internacional e os países vizinhos.


Mas, nestes três meses, alguns meios de comunicação social e blogues mostram um provável envolvimento dos combatentes do MFDC em atividades subversivas destinadas a derrubar o regime na Guiné-Bissau.

Tal informação caluniosa e falsa apenas tem um objectivo, manchar a imagem do nosso movimento.

Por isso o General César Atoute Badiate, comandante-em-chefe no mato do MFDC precisa que o seu movimento nem de perto nem de longe se encontra envolvido nesta crise no que diz respeito à Guiné-Bissau.

Desmentimos com energia as informações irresponsáveis transmitidas por vendedores de ilusões que só nos procuram manchar.

A Casamansa e a Guiné-Bissau estão ligadas pela história e pela geografia.

Prova disso, a Casamansa serviu de base de retaguarda para os combatentes do PAIGC que lutaram pela independência do seu país. Da mesma forma, a Guiné-Bissau acolhe os filhos da Casamansa que fogem da guerra no nosso território.

"Nós não cortamos o galho sobre o qual nos sentamos", diz um velho ditado.

O objetivo da nossa luta é de libertar a Casamansa da ocupação do Senegal.

Rezemos por todos os nossos desejos para que a unidade, compreensão e tolerância prevaleçam nas negociações para uma saída com êxito da crise naquele país. Porque a paz na Guiné-Bissau é sinónimo da paz na Casamansa. Movimento das Forças Democráticas da Casamansa

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Casamansa – Conselheiro especial do Presidente Obama regressa a casa

O conselheiro especial dos EU América para a Casamansa, o embaixador Mark M. Boulware regressou ao seu país, terminando a missão que o levou ao Senegal e mais concretamente à Casamansa onde manteve contactos com todos os interlocutores interessados no problema casamancês, principalmente o Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC) que receberam o embaixador na sede em Mangokouro na cidade de Ziguinchor.

No seu último acto por terras de Casamansa, no passado dia 22 de Novembro de 2014, o embaixador Mark M. Boulware visitou o rei de Cabrousse Nialou onde se inteirou da história da rainha Aline Sitoé Diatta. O reino de Cabrousse está localizado próximo da fronteira com Guiné-Bissau numa pequena aldeia com o mesmo nome. Embora actualmente só tenha cerca de 6 mil habitantes Cabrousse era um dos reinos mais importantes desta região até há poucos anos. Foi nesta região que nasceu a rainha diola Aline Sitoé Diatta, famosa resistente casamancesa que participou activamente na resistência à ocupação francesa, iniciando em 1942 um movimento de desobediência contra a ocupação francesa que pretendia que a população fizesse a monocultura do arroz para alimentar as suas tropas. Foi presa, tendo vindo a falecer na prisão a 22 de Maio de 1944.

O embaixador Mark M. Boulware, que domina para além da sua língua materna, o português, o francês, o espanhol e o indonésio, conhece muito bem a região, pois já exerceu o cargo de embaixador em diversos países do ocidente e centro de África como a Gâmbia, Burkina Faso, Camarões, Guiné Equatorial, Mali, Chad, executou as suas funções com dedicação, o que levou à população da Casamansa um sentimento de consternação na hora da despedida. Baía da Lusofonia

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Casamansa - Pânico entre os inimigos da Casamansa


Na sequência das visitas feitas pelo Conselheiro dos Estados Unidos para a Casamansa o embaixador Mark Boulware, a delegação da Associação de Cidadãos da Casamansa nos Estados Unidos da América (ARESCA), o grupo de alunos da Casamansa em Mangoucouroto, sede do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC), todos a proclamar a sua hostilidade para com a violência, a opção de uma solução política para a paz em Casamansa está a triunfar.


É um passo importante na direcção certa, estimam os observadores. Ao mesmo tempo, os casamanceses prepararam-se para as comemorações do naufrágio do navio "Joola", que se realizou no passado dia 26 de Setembro de 2014, visou dar um novo desenvolvimento de justiça ao Senegal...


Enquanto os "Senhores Casamansa", recrutados e treinados para retardar o processo de negociação, estão em plena falência e com as sucessivas deserções que atingem as diferentes células “federalista ou Diakayistes" o MFDC continua a apelar explicitamente ao reencontro de todos os casamanceses em redor da verdade, da justiça e da paz.


É neste contexto que as autoridades senegalesas e os seus lacaios casamanceses na região estão em pânico. O que explica aliás o conluio urdido pelos soldados senegaleses nos diferentes postos de controlo na Casamansa em maltratar os habitantes e a colocar minas antipessoais nos trilhos frequentadas pela população. Todas estas manobras não enfraquecem a determinação dos casamanceses para restaurar a confiança e serenidade na sua única via de procura da independência. Bintou Diallo - Casamansa

domingo, 3 de agosto de 2014

Senegal – Embaixador em Portugal solicita a demissão

O embaixador do Senegal em Portugal, o general Abdoulaye Fall solicitou ao presidente senegalês Macky Sall a sua demissão do cargo que ocupava em Lisboa e para o qual tinha sido nomeado no passado mês de Fevereiro de 2014.

Conforme um comunicado do Ministério de Negócios Estrangeiros do Senegal emitido ontem, 02 de Agosto de 2014, o presidente senegalês aceitou o pedido de demissão.

O Senegal, Observador Associado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), estatuto que recebeu durante a Conferência de Chefes de Estado e de Governo que se realizou a 25 de Julho de 2008, em Lisboa, é um país em que a sua juventude tem procurado a aprendizagem do português, havendo actualmente trinta mil jovens que leccionam a disciplina de português no ensino geral senegalês, uma população jovem distribuída por todo o Senegal, principalmente na região de Casamansa que aspira a ser um estado independente.

O general Abdoulaye Fall, natural de Yang-Yang, uma localidade do norte do Senegal, terminou a sua carreira de comandante da polícia no final do ano de 2013 e foi nomeado no início de 2014 para o cargo de embaixador em Lisboa. Nas suas novas funções o general Abdoulaye Fall começou com os seus colaboradores a preparar uma Comissão Mista para aprofundar um desenvolvimento económico e social entre os dois países.

Entretanto, o antigo adjunto do general Abdoulaye Fall na polícia, o coronel Abdoulaye Aziz Ndaw denunciou, em dois livros recentemente publicados, que o general Abdoulaye Fall era cúmplice do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC).

Enquanto o coronel foi convidado pelas autoridades senegalesas a abandonar as suas funções de adido militar na embaixada do Senegal em Roma, capital italiana e regressar ao país, o general solicitou a suspensão do seu desempenho em Lisboa, para se poder defender das acusações contra si proferidas pelo seu antigo adjunto. Baía da Lusofonia

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Casamansa – Hedionda conspiração

Hedionda conspiração contra a Casamansa

O Senegal não quer fazer parar o seu jogo doentio e perigoso que consiste em instrumentalizar os irmãos e as irmãs casamanseses para atacar a Casamansa.

Tudo acaba por se saber. Esta regra, repetidamente verificada, é aplicável às duras provas que os casamanseses experimentaram desde 1960.

Depois de terem oposto os líderes políticos, os líderes da guerrilha e os combatentes, mas também as mulheres do MFDC e aquelas da dita “Plataforma”, desta vez a manobra visa dividir as comunidades cristãs e muçulmanas a pretexto do fiasco que acompanhou os diferentes pólos de sensibilidade do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa (MFDC).

Os imãs e bispos “orientados” pelo Senegal retomaram o mesmo discurso político e a mesma estratégia do Estado do Senegal visivelmente para meter a faca na ferida. Um ataque ordenado, sugerindo que dum lado estariam os bons, evidentemente o Senegal e o seu governo e do outro lado estariam os maus, todos aqueles que na Casamansa pretendem ser livres e independentes. Esta abordagem baseia-se na falsidade na acusação de ódio contra o outro como ser humano. Os últimos acontecimentos da blasfémia do culto católico em Ziguinchor esclarecem-nos.

Na Casamansa, todos nós sabemos, animistas, cristãos e muçulmanos vivem em harmonia e simbiose, mesmo antes da chegada dos colonizadores. O cemitério de Santhiaba em Ziguinchor, onde todos os mortos são enterrados independentemente da sua religião, é a grande e bela ilustração da vontade comum de viver juntos até à morte.

É necessário que estas acções visando semear a discórdia entre os muçulmanos, cristãos e animistas cessem imediatamente. O povo da Casamansa não o tolerará. Bintou Diallo - Casamansa

terça-feira, 1 de abril de 2014

Casamansa – Stop Senegal!

Hábeis fabricantes de mentiras e disciplinados a exortar o ódio desde o assassinato de Victor Diatta, o fundador do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa (MFDC), em 1947, os governos senegaleses continuam a institucionalizar políticas de violência e de repressão brutal e sangrenta através de detenções arbitrárias, espancamento, actos de tortura, violações, execuções extrajudiciais e o desaparecimento forçado de casamanseses.

Por detrás dos capachos que são as entidades como o BMS, a polícia, o exército e o seu instrumento de propaganda a DIRPA, a máquina de matar e de doutrinação faz os seus estragos temivelmente e impunemente na Casamansa.

Felizmente, a elite vacinada contra as informações sistematicamente falsificadas desceram do seu pedestal para dizer “Stop Senegal!”.

Esta palavra de ordem estende-se mesmo para lá dos casamanseses e exalta os intelectuais de todas as nações democráticas partidários dos direitos humanos e da justiça.

De todos os lados e com todas as forças, nós temos o direito de repugnar os traidores azedados dum poder doente da sua arrogância e do seu despropósito.

A preocupação das contínuas violações dos direitos humanos cometidos pelas autoridades senegalesas contra o povo da Casamansa não torna a tarefa fácil ao embaixador Mark Boulware, conselheiro americano para a Casamansa. Ele sabe-o, fazer a paz nestas condições é irrealista e inaceitável.

O único remédio que me vem à mente, é de exigir directamente ao presidente Obama, ao seu mandatário, ou ao Congresso norte-americano de preocupar-se mais sobre a situação dos direitos humanos na Casamansa e da exploração ilegal das riquezas mineiras e piscícolas pelo Senegal e empresas estrangeiras, propondo um projecto de resolução ao Conselho de Segurança da ONU, para introduzir um mecanismo de fiscalização dos direitos humanos no âmbito da Missão das Nações Unidas.

Caso contrário, as torturas até à morte de honestos cidadãos casamanseses, como foi o caso de Abdou Bodian no passado Domingo, 23 de Março de 2014, continuarão sem justiça e o espectro de uma limpeza étnica ou simplesmente um genocídio seguir-se-á. Bintou Diallo - Casamansa

domingo, 23 de março de 2014

Casamansa - Privilegiar a abordagem política

Comunicado do Círculo de Intelectuais e Universitários (CIU)

O MFDC não deve ser mais um movimento no seio da qual todo o indivíduo seja ele chefe militar, tenha o direito de se proclamar tanto SG e chefe da ala militar da Ática.

A ética política que incarnaram os líderes do MFDC especialmente o Abade Diamacoune dos quais alguns se reclamam em suma, sustenta-se no princípio da legitimidade política que o povo em luta confere a quem quer dirigir o MFDC.

Nenhum congresso, nenhuma concertação ampla foi realizado desde que Diamacoune desapareceu. Portanto, apenas uma reunião juntando a maioria dos membros armados como os membros políticos e civis que estão logicamente habilitados a determinar quem dirigiria o MFDC, inclusive no contexto de conversações políticas.

Somente a reunião inter ou intra MFDC decidirão a modalidade política ou militar segundo a qual nós realizaremos o sonho da criação de um Estado-Nação Casamansese.

Ao irmão Salif nós certamente saudamos a sua feroz dedicação para a independência da Casamansa, como de todo nós saudamos a determinação pela mesma causa da parte dos outros irmãos que lutam como ele e às vezes até mais do que ele.

Mas a Casamansa e as suas crianças democratas, as suas elites engajadas na luta pela libertação e o nascimento de um Estado-Nação casamansese democrático, nunca aceitariam que um dos seus filhos erige-se em guru. Porque na Casamansa de amanhã, as nossas instituições devem ser democráticas, as nossas populações livres, as nossas elites populares e tudo sob o signo da ética do nosso povo que consiste na resistência a qualquer indivíduo que procuraria impor-se sem alguma legitimidade sobre eles. O nosso povo sempre teve uma aversão vis-à-vis as pessoas que pretendem passar por Deus na terra.

Se Salif a arma, a Casamansa tem a sua moral, a sua cultura da luta e as suas elites vigilantes em vista por uma Casamansa para sempre desembaraçada de veleidades ditatoriais e autoritárias em perspectiva.

A qualquer irmão que seja tomado da loucura da grandeza ou de guru, dizemos com a maior firmeza que a Casamansa de Sounkarou Camara, de Dofa Bodian, de Djignabo Bassène, de Ahoune Sane, de Aliin Sitoe Diatta, de Diamacoune Senghor, de Sihalebe Diatta, de Moussa Molo Balde sempre manifestarão a sua aversão a todo o indivíduo que não compreenda que a política reside na humildade inspiradora na procura da legitimidade do povo.

Ir a Roma e organizar um show vergonhoso para recordar o compromisso com a independência é certamente um belo sedução, mas deixar Macky Sall, desdobrar a sua cilada tingindo o seu paradigma de desenvolvimento na Casamansa, querendo jogar um jogo com os Almirantes que vos adoçaram com 3 milhões oferecidos ao hospital de Ziguinchor, é ficar armadilhado.

Nós não iremos a Roma, nem a outro lugar, na medida que a Ática e o Senegal não assinarão um cessar-fogo, tanto que os nossos estão sob os mandatos de detenção internacionais e as Nações Unidas ou um Estado não se envolvem fortemente na organização de uma reunião com o intra ou inter do MFDC. Essas reuniões seriam geradoras da legitimidade política de uma equipa de negociadores ou de dirigentes democráticos.

Como os restos mortais de Aliin Sitoe Diatta localizados em Tombouctou ou de Sihalebe Diatta no Museu do Homem em Paris não são repatriados para Casamansa, como a ONU não é escolhida como mediadora na resolução do conflito entre nós e o Senegal, não estamos indo a parte alguma, muito menos aceitaremos algum contacto com os emissários senegaleses.

Vir à Casamansa para falar sobre o acto três da descentralização ou do plano de desenvolvimento, é desprezar a inteligência da Casamansa em luta. É substituir-nos sempre na escolha do desenvolvimento, sem debate, é negar a nossa capacidade de invenção de modelos de desenvolvimento e de organização política que sejam originais para o nosso povo.

Macky Sall pode perder o seu tempo com os seus cúmplices do GRPC que não alardeiam alguma relação crítica vis-à-vis ao que é proposto para a Casamansa.

O tempo chegou, as elites da Casamansa e o povo, numa nova dinâmica de luta, dotados de uma legitimidade forte e apoiados pelo seu exército democrático, que incorpora o suficiente separação dos poderes políticos e militares, marcarão uma viragem decisiva no quadro da luta de libertação.

No início foi uma marcha política memorável, por fim a força que ficará é a voz do povo e portanto na política, não um guru militar e / ou político.

Viva a Casamansa livre e independente.

O Círculo de Intelectuais e Universitários (CIU) do MFDC. CIU - Casamansa