Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 27 de março de 2026

Macau - Instada a liderar cooperação de Finanças Verdes entre os países lusófonos e a Grande Baía

Macau - Instada a liderar cooperação de Finanças Verdes entre os países lusófonos e a Grande Baía


Macau deve investir na cooperação internacional de finanças verdes através da sua conectividade com o mercado dos países de língua portuguesa e da Grande Baía, defendeu Ip Sio Kai, presidente da Associação de Bancos de Macau, no Fórum Verde desta edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF).

“[A RAEM] deve reforçar a cooperação em matéria de finanças verdes entre as instituições financeiras da Grande Baía e dos países de língua portuguesa, bem como estudar, criar um quadro de articulação entre as normas de finanças verdes da Grande Baía e da União Europeia”, observou.

A proposta de Ip Sio Kai foi apresentada na primeira sessão do Fórum Verde, que decorreu ontem e que foi ao mesmo tempo o 2.º Fórum de Desenvolvimento do Mercado Global de Crédito de Carbono, onde foram abordados temas como investimentos ESG (Environmental, Social and Governance), obrigações verdes e finanças de carbono digitais.

Na opinião do também deputado, Macau tem vantagens como a plataforma sino-portuguesa e as “relações de amizade de longa data” com os países de língua portuguesa, pelo que é oportuno desenvolver-se, no aspecto económico, numa ligação com os mercados financeiros entre os países lusófonos e o interior da China.

Para avançar com a cooperação de finanças verdes a nível internacional, Ip Sio Kai salientou que será necessário criar, primeiro, um mecanismo de reconhecimento mútuo de normas ecológicas entre a Grande Baía e a União Europeia, que servirá para clarificar e unificar os limites normativos, métodos de medição e indicadores de divulgação de informação em domínios como obrigações verdes, crédito verde e certificação ESG. A iniciativa pode, assim, aumentar a compatibilidade e a interconectividade das partes em termos de finanças verdes, apontou o responsável.

Ip Sio Kai sugeriu ainda que as instituições financeiras locais lancem produtos financeiros verdes inovadores que se adaptem aos padrões do mercado internacional, o que “ajudará as empresas de qualidade da China continental a aceder aos mercados de língua portuguesa e espanhola através de Macau”.

Com estes produtos financeiros verdes, Ip Sio Kai espera também atrair capital de qualidade dos países de língua portuguesa a participarem na construção de projectos de indústrias verdes na Grande Baía, concretizando, assim, o fluxo bidirecional de capital.

As “Finanças Verdes”, conceito que existe há algum tempo e que tem vindo a ser promovido graças ao Acordo de Paris, são um conjunto de práticas que visam mobilizar e também aumentar o fluxo de recursos financeiros dos sectores público, privado e sem fins lucrativos, para as prioridades de desenvolvimento sustentável. O objectivo da iniciativa é alcançar a melhor gestão dos riscos ambientais e sociais, ao mesmo tempo que encontrar oportunidades tanto para uma taxa de rendibilidade razoável como benefícios ambientais.

Projectos sobre o carbono

A sessão ontem do Fórum Verde contou ainda com a participação de vários especialistas de áreas como neutralidade de carbono, políticas da sustentabilidade, bem como tecnologias verdes e serviços de carbono.

Jiang Kejun, professor da Neutralidade do Carbono e das Alterações Climáticas da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong (Cantão), abordou na ocasião a necessidade de acelerar a redução de emissões no contexto do aumento rápido da temperatura global. O académico recorreu como exemplo ao interior da China, onde há uma utilização cada vez maior de energia renovável, bem como a “quase zero-emissão” dos meios de transporte.

Por sua vez, Wu Linqiang, representante do Centro de Estudo do Serviço Geológico da China, dedicou o seu discurso à indústria de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês), que são tecnologias que separam, recolhem e transportam o dióxido de carbono proveniente de emissões industriais para locais adequados para armazenamento ou reutilização.

O orador sublinhou que os projectos da CCS estão em crescimento a nível mundial e, até Novembro do ano passado, a capacidade de armazenamento cumulativa global atingiu 383 milhões de toneladas. Na China Continental há 120 projectos da CCS em funcionamento, cuja maioria pertence ao sector da electricidade, indústria química do carvão e petroquímica.

“Um sistema tecnológico preliminar da CCS foi estabelecido na China, conferindo-lhe um certo nível de influência no panorama internacional”, afirmou Wu Linqiang, acrescentando que os projectos da CCS na China apresentam vantagens do baixo-custo em comparação com o exterior.

O especialista prevê uma expansão do mercado da CCS devido à “enorme procura” de redução de emissões. Segundo estima Wu Linqiang, até 2050, as reduções globais de emissões provenientes da CCS serão 120 vezes superiores ao nível actual. Citou ainda as previsões da consultora McKinsey a apontar que, até 2050, a indústria global da CCS irá impulsionar um investimento directo anual de 2,78 mil milhões de dólares americanos, o que mostra oportunidades de os projectos da CCS se tornarem em “activos de infraestrutura robustos”.

“Transição verde” das empresas

A Bolsa Internacional de Emissões de Carbono de Macau (MEX), enquanto primeira bolsa de emissões de carbono da cidade, deixou na mesma sessão do Fórum Verde o compromisso de trabalhar para a transição verde das empresas e a modernização da indústria com baixas emissões de carbono no território.

Lu Minfang, sócio do Fundo Yunfeng e administrador da MEX, adiantou o plano de orientar mais capital de qualidade para o sector verde e de baixo carbono, com vista a “apoiar a concretização de projectos que combinem benefícios ambientais e valor social”. O empresário notou que com o aumento contínuo da atenção global em relação ao ESG e às finanças verdes, os créditos de carbono tornaram-se uma “direcção importante” na alocação global de activos. “O objectivo do estabelecimento da MEX é, a partir de Macau, construir uma plataforma de transacção de créditos de carbono aberta, transparente, eficiente e baseada na confiança mútua, promovendo o reconhecimento mútuo de padrões, a interligação de activos e a interconectividade dos mercados entre regiões”, lembrou Lu Minfang.

Neste caso, a MEX aguarda por uma maior cooperação com instituições financeiras, promotores de projectos de carbono e fornecedores de tecnologia, em termos de melhorar as regras de negociação e introduzir normas internacionais e aplicar tecnologias digitais, com ambição de “criar uma janela conveniente e regulamentada para a participação de parceiros globais no mercado de carbono da Ásia-Pacífico”, concluiu. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 4 de abril de 2022

Macau - Proposta aliança bancária aos empresários da CPLP

A Associação de Bancos de Macau (ABM) vai propor este mês à Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP) a criação de uma aliança com os bancos dos países lusófonos. O vice-presidente da ABM, Sam Tou, disse à Lusa que o repto será lançado na próxima reunião ‘online’ com a CE-CPLP, “em meados de Abril”.

A ABM é um associado benemérito da CE-CPLP desde Junho de 2020 e teve em Fevereiro uma reunião ‘online’ com a confederação, sublinhou o também director executivo do Banco Nacional Ultramarino (BNU). A eventual criação da aliança bancária, “através da plataforma da CE-CPLP”, vai depender da resposta da direcção da confederação, disse Sam Tou.

O executivo disse que a associação “tem estado a trabalhar activamente com as suas congéneres nos países de língua portuguesa e estabeleceu uma rede muito estreita de contactos e cooperação”.

Sam Tou lembrou que a ABM assinou em Maio de 2019, em Macau, um acordo de cooperação com associações de bancos de Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. O acordo previa a criação de uma aliança para apoiar o lançamento na China de produtos financeiros dos países de língua portuguesa e para oferecer serviços financeiros a empresas chinesas interessadas em investir em mercados lusófonos.

A aliança poderá “promover a cooperação entre bancos nos países de língua portuguesa e em Macau, o que poderia contribuir para o papel de Macau como uma plataforma comercial e de serviços entre a China” e os mercados lusófonos”, defendeu Sam Tou.

Estes são também os dois principais objectivos do Comité do Desenvolvimento dos Serviços Financeiros Sino-Portugueses, criado pela nova direcção da ABM. O comité é liderado pelo BNU, com a vice-presidência entregue à sucursal em Macau do Banco da China, que tem presença em Portugal, Brasil, Angola e Moçambique.

Os membros incluem ainda o Banco Well Link, que incorporou o Novo Banco Ásia, a sucursal em Macau do Haitong Bank, o sucessor do Banco Espírito Santo Investimento, a sucursal local do banco português Millennium BCP, a sucursal do chinês ICBC em Macau e o banco local CMB Wing Lung Bank. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

 

segunda-feira, 28 de março de 2022

Macau - Bancos da Região preparam aliança com bancos lusófonos

A Associação de Bancos de Macau quer criar uma aliança com os bancos dos países de língua portuguesa, disse à Lusa o vice-presidente da ABM, Sam Tou

A nova direcção da Associação de Bancos de Macau (ABM) decidiu criar uma comissão dedicada aos serviços financeiros entre a China e os mercados lusófonos, liderada pelo Banco Nacional Ultramarino (BNU), que faz parte do grupo Caixa Geral de Depósitos.

A nova comissão inclui ainda a sucursal em Macau do Banco da China, que tem presença em Portugal, Brasil, Angola e Moçambique, o Banco Well Link, que incorporou o Novo Banco Ásia, e a sucursal em Macau do Haitong Bank, o sucessor do Banco Espírito Santo Investimento.

Sam Tou disse que a comissão tem dois principais objetivos: “melhorar as ligações de Macau com a China e os países de língua portuguesa e tornar-se uma plataforma de serviços financeiros”. Objectivos que passam pela criação de uma aliança que reúna os bancos de Macau e dos países de língua portuguesa, explicou o também director executivo do BNU.

A ABM está a preparar o terreno e em Fevereiro teve uma reunião online com o secretariado executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, adiantou Sam Tou.

O executivo disse que a associação “tem estado a trabalhar ativamente com as suas congéneres nos países de língua portuguesa e estabeleceu uma rede muito estreita de contactos e cooperação”. Sam Tou lembrou que a ABM assinou em maio de 2019 um acordo de cooperação com associações de bancos de Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

O acordo previa a criação de uma aliança para apoiar o lançamento na China de produtos financeiros dos países de língua portuguesa e para oferecer serviços financeiros a empresas chinesas interessadas em investir em mercados lusófonos.

Apesar dos obstáculos criados pela pandemia, o interesse chinês na “cooperação comercial e económica e no investimento” nos países de língua portuguesa “não diminuiu”, disse à Lusa Cai Chun Yan.

O director-geral adjunto da sucursal do Banco da China em Macau disse que “há algumas décadas” que as empresas chinesas se aventuraram “sozinhas” em mercados como Portugal, Brasil e Angola. Mas actualmente, “mesmo alguns grandes grupos domésticos”, preferem ir através de Macau, aproveitando “o conhecimento sobre os países de língua portuguesa” na cidade, defendeu Cai Chun Yan.

Na direcção oposta, disse Sam Tou, países como Moçambique, Cabo Verde, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe estão “cada vez mais atentos” à ajuda que Macau lhes pode dar a identificar “oportunidades de desenvolvimento” na China.

O BNU abriu em 2017 uma sucursal em Hengqin, que pode ajudar o banco a aproveitar o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, disse o executivo. Sam Tou disse que o BNU quer ter uma maior presença na região da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e está a ponderar abrir uma nova agência em Guangzhou ou Shenzhen. In “Ponto Final” - Macau