Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Estados Unidos da América - Trump oficializa censura de jornalistas

A imprensa internacional e brasileira já deram amplo destaque e interpretações aos discursos dos presidentes Lula e Trump na abertura da Assembleia da ONU em Nova Iorque. Ficou na base de conjecturas, como ocorrerá e quais serão os resultados do encontro entre os dois presidentes, previsto para a próxima semana.

Esse encontro, anunciado pelo próprio Trump, será destinado a discutir uma redução do tarifaço com base em questões econômicas e comerciais ou terá por objetivo se transformar numa tentativa inoportuna de Trump para questionar a recente condenação do ex-presidente Bolsonaro?

Nesta última hipótese, a de Trump forçar a mão na questão da soberania brasileira, poderão piorar as relações entre Brasil e EUA, pois a posição brasileira ficou bem clara no discurso de Lula. Uma parcela da imprensa brasileira prefere ser otimista, imaginando Trump reativando as boas e amigáveis relações costumeiras com o Brasil, como acaba de fazer com o presidente ucraniano Zelenski.

Outros mais realistas preferem a versão de um desencontro ou encontro negativo entre Trump e Lula, vaticinado pelo filho de Bolsonaro, Eduardo que, durante meses, procurou envenenar Trump contra os ministros do STF, correndo agora o risco de prisão e cassação do mandato de deputado federal.

Enquanto os dois presidentes, do Norte e do Sul, não se encontram, vale a pena destacar como Donald Trump, cujos pendores autoritários não enganam mais ninguém, continua seu processo de censura da imprensa agora com os correspondentes estrangeiros.

Da censura dos jornalistas norte-americanos, no noticiário nacional, são os próprios jornais que cuidam, ao fazer o copy desk de seus repórteres e comentaristas. Quem sair da regra, como foi o caso do Wall Street Journal e do New York Times, tomam processos de pesadas multas.

A liberdade de imprensa nos EUA está sob forte pressão mas alguns sinais de reação começam a surgir. A Tv ABC, pertencente à Disney anulou a  suspensão ao humorista Jimmy Kimmel por ter feito ironia com o significado da morte do influenciador e líder de extrema direita Charlie Kirk, ponta de lança do trumpismo junto à juventude norte-americana e evangélica conservadora. Cresceram os protestos de artistas contra o cerceamento da liberdade de expressão do humorista, no país que se considera o mais livre do mundo. E Jimmy Kimmel voltou ao seu show de grande audiência nos EUA.

Prosseguindo no processo de controle da imprensa, Trump quer também evitar o vazamento de más notícias dos EUA para o Exterior com o uso da censura. Agora todo correspondente de jornais estrangeiros tipo Le Monde, Le Temps, Globo, Estadão e UOL (a correspondente Mariana Sanches que se cuide) responsável por cobertura no Pentágono, o setor militar dos EUA, terá de mostrar seu texto ou sua gravação, antes de divulgação, para o ex-Ministério da Defesa, agora com novo nome: passou a se chamar Ministério da Guerra, imagina-se por premonição trumpista!

O ministro da Guerra, ex-da Defesa, Pete Hegseth, ex-animador da Fox News, da extrema-direita, avisou não querer ver nenhum correspondente perambulando pelos corredores do governo. "Sigam as regras ou voltem para casa", disse o ministro. Os correspondentes tiveram de assinar um novo formulário restringindo seus direitos sob pena de retirada do credenciamento e imediata perda de visto nos EUA.

Fora isso, antes de Trump os correspondentes tinham direito a um visto de residência de 5 anos, agora diminuído para 240 dias renováveis. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Brasil - Soberania nacional é para ser respeitada

Um grupo de nove governadores se reuniu na casa do governador do Distrito federal, Ibaneis Rocha, para discutir o tarifaço, sem se referirem às ações desenvolvidas junto ao governo Trump pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro e sem se reportarem às ameaças, chantagem e ingerência na soberania brasileira feitas pelo presidente Trump com o objetivo de forçar o Supremo Tribunal Federal a anular o processo por golpismo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e lhe conceder uma ampla anistia para poder disputar as eleições presidenciais no próximo ano.

Ignorando o aspecto político do tarifaço aplicado ao Brasil, os governadores, representados junto à imprensa pelo governador Tarcísio de Freitas, se limitaram a criticar o presidente Lula por não ter ido a Washington negociar com Trump, como se não soubessem das tratativas feitas pelo vice-presidente Alkmin. Essa argumentação também utilizada numa entrevista pelo governador mineiro Romeu Zema, foi considerada como discurso de palanque com objetivo eleitoral pelo comentarista da Jovem Pan, Cristiano Vilela, pois a presidenta suíça voou para Washington, depois da Suíça ter sido taxada em 39%, mas nada conseguiu e sequer foi recebida pelo presidente Trump.

No caso do Brasil, a situação se complica, pois as ameaças de Trump repercutidas pela própria embaixada dos EUA em Brasília, e a ingerência ditando o que deve fazer o Judiciário brasileiro, consideradas pelo presidente Lula como atentatórias à soberania nacional, impedem uma negociação direta. Muitos comentários na imprensa, como as falas de Reinaldo Azevedo no Uol são pela defesa da soberania brasileira e contra uma interferência norte-americana no Judiciário brsileiro.

Diante dessa diferença de comportamento de cerca de uma dezena de governadores, entre eles três declaradamente pré-candidatos à presidência, Tarcísio, Zema e Caiado, não vendo nenhuma ameaça à soberania brasileira nas exigências de Trump, é normal nos lembrarmos do ocorrido no passado, na Europa. Mesmo depois da invasão da França pelas tropas nazistas alemãs, havia políticos complacentes com Hitler, a ponto de constituírem um governo colaboracionista, comandado pelo marechal Philippe Pétain e Pierre Laval, o chamado regime de Vichy, de 1940 a 1944.

Esse regime de sujeição aos invasores alemães transformou em leis francesas as exigências de Hitler, foi o caso da perseguição e caça aos judeus enviados aos campos de concentração e extermínio nazistas, num plano antissemita de genocídio. O lema Deutsche Uber Alles nazista não é muito diferente do Brasil Acima de Tudo, da extrema-direita evangélicobolsonarista, e do Make America Greater Again. 

Trump não é Hitler, mas é evidente estar assumindo atitudes despóticas, mesmo dentro dos EUA, interferindo no funcionamento da Justiça e Universidades, passando por cima dos direitos humanos no tratamento e na expulsão dos imigrantes, convocando um reforço da Guarda Nacional em Washington como quem se prepara para aumentar seu poder discricionário e impedir resistências.

Não se falava, na época, em Hitler ungido por Deus, mas uma grande parte da igreja luterana alemã apoiava Hitler e - ao contrário da teologia do domínio criada nos EUA pelos pentecostais, baseada no Deus guerreiro do Velho Testamento - a extrema-direita religiosa hitlerista queria se desfazer da herança judaica do cristianismo por um Jesus ariano. A igreja luterana anti-Hitler teve dois mártires, executados pelo governo nazista: Martin Niemoller e Dietrich Bonhoeffer

Por que essa lembrança do regime colaboracionista de Vichy com os invasores nazistas dirigido de 1940 a 1944 pelo marechal Pétain? Porque numa entrevista ao Uol, e apesar da insistência de três entrevistadores, o governador Ronaldo Caiado minimizou, ignorou, descartou com uma certa hipocrisia a evidência de que o tarifaço de Trump contra o Brasil é político.

O governdor Caiado não mostrou nenhuma repulsa ou reação aos ataques do presidente Trump à soberania brasileira e à intromissão do presidente norte-americano no funcionamento do Judiciário brasileiro, mas criticou a reação nacionalista do presidente Lula, como se ao Brasil caberia se sujeitar e cumprir as exigências norte-americanas de Trump. Lula deveria ter ido a Washington negociar com Trump até onde vai a soberania brasileira e até onde podem legislar os ministros do Supremo Tribunal Federal?

Caiado, assim como Zema e Tarcísio aceitam como normal para o Brasil um tratamento de colônia ou de país sujeito às leis e pressões autocráticas de um autoritário presidente estrangeiro, desvinculadas dos organismos internacionais de regulação do comércio exterior e taxas aduaneiras? Caso afirmativo, esses três líderes presidenciáveis estariam abrindo mão da soberania e independência brasileiras, em favor de uma relação de sujeição e colaboração com os EUA, inspirada no regime petainista da França ocupada de Vichy.

Alguma coisa estranha nas últimas críticas do governo Trump ao Brasil, focadas no desrespeito aos direitos humanos e violências policiais. Não passaram despercebidas as denúncias às violências cometidas pela polícia de Guilherme Derrite, secretário de confiança do governador Tarcísio de Freitas, já citadas aqui no Observatório da Imprensa.

Como os articuladores e fornecedores de informações ao ministro Marco Rúbio e presidente Trump nos EUA contra o governo e Judiciário brasileiros são o neto do ditador João Figueiredo, Paulo Figueiredo, e o filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, auto-candidato à sucessão de Lula e preferido pelo pai, fica a suspeita de que tais denúncias são destinadas a inviabilizar junto a Trump uma candidatura, nas próximas eleições, do nome de Tarcísio de Freitas. Uma espécie de golpe entre amigos. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

terça-feira, 5 de agosto de 2025

China - Abre mercado a café brasileiro em resposta a taxas norte-americanas

A China autorizou 183 empresas brasileiras a exportar café para o seu mercado interno, avançou a imprensa local, dias após os Estados Unidos imporem tarifas de 50% sobre o café proveniente do Brasil


A medida, válida por cinco anos, foi divulgada poucos dias depois do anúncio da nova tarifa norte-americana, que entra em vigor na quarta-feira, e provocou alarme entre produtores e exportadores brasileiros, agora forçados a procurar mercados alternativos.

Segundo dados da indústria, cerca de 85% da produção brasileira de arábica em 2025 – a variedade mais exportada para os EUA – já foi colhida. Este tipo de café desempenha um papel central no mercado norte-americano, onde é frequentemente misturado com grãos mais suaves de outros produtores latino-americanos para se adequar ao gosto local. O Brasil é responsável por 44% da produção mundial de arábica, o que faz do país um fornecedor difícil de substituir a curto prazo.

Os Estados Unidos são o maior consumidor mundial de café e importaram 3,3 milhões de sacas de café brasileiro no primeiro semestre do ano, quase 23% do total exportado pelo Brasil nesse período. Já a China importou 530 mil sacas no mesmo intervalo. Embora o mercado chinês seja ainda menor, tem vindo a ganhar importância à medida que o acesso brasileiro ao mercado norte-americano enfrenta novas barreiras.

Em novembro passado, a ApexBrasil, a agência brasileira de promoção de exportações, assinou um acordo com a Luckin Coffee, maior cadeia de cafetarias da China, para o fornecimento de 240 mil toneladas de café brasileiro entre 2025 e 2029. O contrato está avaliado em 2,5 mil milhões de dólares (mais de 2,1 mil milhões de euros) e sucede a um acordo anterior, de meados de 2024, no valor de 500 milhões de dólares (432 milhões de euros), para o fornecimento de 120 mil toneladas.

Fundada em 2017, a Luckin Coffee opera atualmente mais de 22 mil lojas em todo o território chinês e serve mais de 300 milhões de clientes. Embora o chá continue a ser a bebida tradicional dominante, o consumo de café tem vindo a crescer rapidamente no país asiático, sobretudo entre os jovens profissionais urbanos. O consumo ‘per capita’ duplicou em cinco anos, passando de oito para 16 chávenas por ano – ainda muito abaixo da média global de 240 chávenas e das mais de 400 registadas nos EUA.

Na altura do acordo, o diretor executivo da Luckin Coffee, Jinyi Guo, elogiou o café brasileiro e descreveu o contrato como “apenas o início” de uma colaboração a longo prazo. “No futuro, queremos expandir ainda mais esta parceria”, disse.

Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, com o comércio bilateral a passar de nove mil milhões de dólares (7,8 mil milhões de euros), em 2004, para 188 mil milhões (162 mil milhões de euros), em 2024. O Brasil desempenha, em particular, um papel importante na segurança alimentar da China, compondo mais de 20% das importações agrícolas e pecuárias do país asiático.

A segunda maior economia mundial alimenta quase 19% da humanidade com apenas 8,5% das terras aráveis do planeta. Em comparação, o país latino-americano tem quase 7% das terras aráveis para 2,7% da população mundial. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 31 de julho de 2025

Depois da União Europeia e Suíça, tarifaço chega ao Brasil

Quem viu a presidente da Suíça confessar a impotência da Suíça, "um país pequeno" disse ela, para fazer frente ao presidente Trump, imaginou que dias difíceis viverá o Brasil, mesmo sendo um país muito maior! Mas não poderia imaginar a ousadia de Trump em desfechar uma tentativa de atentado à soberania brasileira, utilizando da pressão econômica e política contra o STF e contra o governo brasileiro.

Ainda há alguns dias, Trump reafirmava indiretamente estar decidido a punir o Brasil ao mostrar, numa entrevista, sua preocupação por Bolsonaro, definindo-o como um homem de bem injustiçado, que não deveria ser processado.

Os temores se confirmaram com a decisão do presidente Trump de utilizar o tarifaço como instrumento político e de chantagem contra o Brasil, mais especificamente contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, enquadrando-o na lei Magnitsky.

No domingo, numa propriedade de Trump na Escócia, era a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, praticamente obrigada a apertar a mão de Trump, que "comemorava" a celebração de um acordo comercial de exportação e importação com os Estados Unidos, considerado uma derrota pela maioria da imprensa e políticos europeus, um acordo qualificado de capitulação, humilhação e submissão pela correspondente do jornal suíço Le Temps.

O tarifaço imposto por Trump à Suíça é de 31%, as negociações prosseguem nos EUA, mas como diz a presidenta Karin Keller-Sutter, às vésperas da Festa Nacional suíça, "nós não somos uma superpotência. Temos uma certa força econômica mas não política, temos de levar isso em conta. Agora está nas mãos dos Estados Unidos, nas mãos do presidente Donald Trump".

Com esse tipo de capitulação declarada, a Suíça dá a impressão de não estar negociando com Trump mas esperando um favor.

Porém, antes dessa declaração ser tomada como submissão e aceitação de uma derrota, a presidenta suíça acrescenta, numa tentativa de salvar as aparências: "mas não devemos nos fazer mais pequenos do que somos".

Difícil de reagir diante de um Trump prepotente, cheio de si, capaz mesmo de dar um ultimato a Putin para acabar com a guerra à Ucrânia, valendo-se de sua maioria absoluta na Câmara, Senado e na Suprema Corte, agindo com a arrogância de um ditador ou imperador absolutista.

A orgulhosa alemã Ursula von der Leyen, representando os 27 países da União Europeia, foi obrigada a ir à Escócia para negociar com Trump, no intervalo de suas partidas de golfe, e obter a diminuição das tarifas aduaneiras de 30% a 15% para os produtos europeus exportados para os EUA, enquanto os produtos norte americanos entrarão livremente na Europa.

Uma verdadeira capitulação contra a qual os europeus não vão usar o instrumento anti-coerção, a prometida "bazuca europeia" contra a pressão de Trump. A União Europeia terá de comprar petróleo, seus derivados, armamentos e investir nos EUA uma parte de sua economia, sem contrapartida dos norte-americanos.  Até agora, só a China foi capaz de peitar o super-presidente Trump.

Um ex-presidente do Banco Mundial, Prêmio Nobel de Economia de 2001, Joseph Stiglitz, elogiou a atual resistência do presidente Lula ao tarifaço de Trump e esperava reação semelhante, que não houve, de outros líderes mundiais. Tão logo foi conhecida a decisão de Trump de manter o tarifaço contra o Brasil, acompanhado do vergonhoso enquadramento do ministro Alexandre de Moraes na lei Magnitsky, o presidente Lula, falando em nome de todos os brasileiros, repudiou o ataque de Trump à nossa independência e à soberania brasileira.

O economista Stiglitz também se referiu ao ataque dos seguidores de Bolsonaro aos prédios dos Três Poderes, em Brasília, já presos e punidos severamente, e ao ataque do Capitólio pelos seguidores de Trump, já anistiados, afirmando serem mais firmes as instituições brasileiras.

Outro Prêmio Nobel de Economia, em 2008, Paul Krugman, defendeu a decretação de um impeachment de Trump depois de ter taxado em 50% as exportações brasileiras.

E aqui, diferente das taxas aduaneiras para a Suíça e União Europeia, entra outro fator. O tarifaço contra o Brasil não é só uma regulamentação econômica aduaneira, mas tem um objetivo político: punir o Brasil e utilizar o tarifaço como chantagem contra os ministros do STF, para proteger o ex-presidente Bolsonaro, prestes a ser condenado à prisão por tentativa de golpe, para implantar uma ditadura no Brasil.

Os dois prêmios Nobel de Economia não falaram, mas Trump parece agora também interessado em utilizar o tarifaço para fazer também chantagem ao Brasil, a fim de permitir aos EUA a exploração dos minerais estratégicos brasileiros.

Mostrando ser um especialista em chantagens, Trump parece oferecer ao Brasil, com a entrega da exploração dos minerais estratégicos aos EUA, uma variante à anulação do processo de Bolsonaro e decretação de anistia geral aos golpistas. Essa variante eliminaria o atual despertamento do nacionalismo em defesa das instituições brasileiras, contra a ameaça de pressão e intervenção norte-americanas no Executivo e Judiciário.

Uma reação visível no distanciamento de uma parte da direita à armadilha montada, nos EUA, pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro com apoio de Paulo Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo, para salvar Jair Bolsonaro ao preço de uma crise econômica no Brasil. A trama de Eduardo Bolsonaro, pela qual tem sido qualificado como entreguista e traidor da pátria, tem provocado crescimento de Lula nas sondagens, divergência entre os líderes do agronegócio e queda dos prováveis candidatos bolsonaristas à presidência Tarcísio, Zema e Caiado. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

sábado, 26 de julho de 2025

Brasil - Agosto, mês de cahorro louco

Agora, eles querem a nossa soberania, mas não vamos ceder, vamos nos unir, direita e esquerda, católicos, evangélicos, espíritas, umbandistas, ateus, para dizer que o Brasil é nosso, quem faz as leis e as aplica no judiciário somos nós os brasileiros

Mais alguns dias e chegaremos ao primeiro de agosto. Agosto, mês de cachorro louco, é verdade. Na história que o Brasil vai viver a partir do primeiro de agosto, tem cachorro e tem louco.

Vocês escolhem quem é o cachorro e quem é o louco, entre o presidente dos Estados Unidos que vai taxar nossas exportações para os americanos em 50%, e o patriota filho do ex-presidente Bolsonaro, que foi aos Estados Unidos, pedir ao Trump para ferrar o Brasil, para o Trump sacanear o Brasil e provocar uma crise econômica, que tornará tudo mais caro e tornará ainda mais difícil a vida das famílias pobres.

Graças ao Eduardo Bolsonaro, para quem não interessa se o Brasil sifo... , para ele o importante é seu pai não ser condenado por ter tentado dar um golpe militar e se tornar ditador.

Você que se enrola na bandeira brasileira, você que se dizia e era chamado de patriota, acampado diante dos quartéis, você concorda que outro país faça chantagem com o Brasil e ameace de nos fazer uma guerra econômica se não nos curvarmos e não aceitarmos fechar a STF e demitirmos o Lula?

Você acha que um gringo, que está expulsando de maneira violenta brasileiros que estavam vivendo nos EUA, que um gringo tem o direito de provocar uma crise na exportação da carne, da soja e cereais, numa chantagem para ser anistiado o ex-presidente Bolsonaro, da tentativa de golpe?

Não somos nós brasileiros que devemos dizer o que é bom para o Brasil? Essa guerra econômica é como se os fuzileiros navais dos gringos entrassem nas nossas casas no Amazonas, Goiás, Pernambuco, São Paulo, Rio ou Rio Grande do Sul, para citar só alguns Estados.

Você acha que Deus e Cristo estão do lado dos gringos e do Trump, nessa chantagem contra o Brasil e que o jeito é mesmo de baixar as calças e trocar de bandeira e cantar o hino nacional deles, para o Trump acabar com a guerra econômica que declarou contra o Brasil?

Faz quase cem anos, eles queriam ficar com nosso petróleo, e nós dissemos Sai pra lá gringo, o petróleo é nosso! Agora, eles querem a nossa soberania, mas não vamos ceder, vamos nos unir, direita e esquerda, católicos, evangélicos, espíritas, umbandistas, ateus, para dizer que o Brasil é nosso, quem faz as leis e as aplica no judiciário somos nós os brasileiros.

Todos unidos contra Trump e contra o traidor brasileiro, que colocou Trump contra nós. Rui Martins - Brasil 

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Brasil - Reação surpreendente do Estadão ao tarifaço

Em termos de imprensa e do mundo jornalístico, um dos importantes acontecimentos da semana, mesmo um tanto surpreendente, foi o editorial Aprendizes de Bolsonaro do jornal O Estado de São Paulo, também conhecido como Estadão, ao atacar com virulência o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu clã político familiar, e os governadores Romeu Zema, de Goiás, Ronaldo Caiado de Minas Gerais e mais particularmente Tarcísio de Freitas de São Paulo.

As críticas vieram na sequência da decisão do presidente norte americano Donald Trump de agravar a taxação dos produtos brasileiros exportados para os EUA para 50%, como punição pelo tratamento dado pelo STF ao ex-presidente Jair Bolsonaro, seguida da chantagem de ser anulada a taxação no caso de um decreto de anistia.

Essa chantagem ao governo brasileiro, equiparada como um atentado à soberania nacional, arquitetada em Washington, por Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, foi ignorada por alguns governadores.

Essa abstenção ao que considera como um ataque às instituições brasileiras irritou a direção do jornal Estadão, que reagiu duramente no editorial do domingo, dia 13 de julho:

"O recente ataque do presidente americano, Donald Trump, às instituições brasileiras, supostamente em defesa de Bolsonaro, é só uma gota no oceano de males que o bolsonarismo causa e ainda pode causar aos brasileiros".

E mais adiante..."é ultrajante a complacência de governadores como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) diante dos ataques promovidos pelo presidente dos EUA ao Brasil. As reações públicas dos três serviram para expor a miséria moral e intelectual de uma parcela da direita que se diz moderna, mas que continua a gravitar em torno de um ideário retrógrado, personalista, francamente antinacional e falido como é o bolsonarismo.

Tarcísio, Zema e Caiado, todos aspirantes ao cargo de presidente da República, usaram suas redes sociais para tentar impingir a Lula, cada um a seu modo, a responsabilidade pelo “tarifaço” de Trump contra as exportações brasileiras".

Ora, o Estadão nos seus 150 anos representa a potência dos empresários, banqueiros e dirigentes da indústria e economia paulista, em outras palavras, a direita tradicional e conservadora, atingida em cheio pelo "tarifaço".

Estadão acabou com o sonho do capitão Tarcísio

Nesta altura, com a divisão da direita, Tarcísio pode tirar o cavalo da chuva. Acabou seu sonho de chegar à presidência. O governador de São Paulo, também capitão do exército, estragou sua carreira ao colocar na cabeça, na avenida Paulista, no último pequeno comício de Bolsonaro, o boné vermelho de apoio ao presidente Trump - Faça a América maior de novo, como se tivesse mudado de nacionalidade e deixado de ser brasileiro. Como se tivesse virado norte-americano. Erro fatal, neste momento de uma onda de nacionalismo provocada por Trump.

Pensando ser muito esperto, reagiu à carta chantagista e aos 50% de Trump contra o Brasil sem coragem de atacar o presidente norte-americano, que mostra traços de ditador. Isso lhe valeu ser taxado de vassalo pelo ministro brasileiro de Economia Fernando Haddad.

Mas faltava a pá de cal no capitão sem farda, candidato à presidência, depois de ter perdido o apoio dos bolsonaristas ao tentar negociar um amaciamento nos 50% de Trump, esquecendo-se de que isso foi obra do filho do seu amigo Bolsonaro, com cuja bênção se elegeu governador de São Paulo. Trocou os pés pelas mãos e conseguiu desagradar a gregos e troianos, criando condições para ser chamado de vassalo dos EUA!

A pá de cal veio de onde Tarcísio não esperava - foi condenado pelo editorial do jornal Estadão, em outras palavras, pelo porta-voz dos grandes empresários, dos donos da bola das empresas, indústrias, comércio e bancos do Estado de São Paulo.

O editorial do Estadão mostrou também ter rachado a direita, com a direita democrática tomando distância do grupo de extrema-direita, do qual alguns líderes estão sendo julgados por tentativa de golpe de Estado.

Resta saber se a tentativa de golpe e se a tentativa de intervenção e chantagem dos EUA provocaram reações dentro das igrejas e comunidades evangélicas, sustentadoras do bolsonarismo.

Essa crise coincide também com o julgamento do ex-presidente Bolsonaro por tentativa de golpe. Ora, o clima criado por Trump com sua taxação de 50% ao Brasil não favorece manifestações em favor de Bolsonaro. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.