Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Portugal - Cientistas recorrem a machine learning para detetar precocemente eventos trombóticos

Uma equipa de cientistas do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (DF/FCTUC) desenvolveu simulações computacionais avançadas para modelar a forma e deformação dos glóbulos vermelhos em diferentes condições de escoamento e adesão. Estes estudos podem contribuir para a deteção precoce de eventos trombóticos.

Nesta investigação, liderada pelo Instituto de Medicina Molecular (iMM), os especialistas estão a estudar o aumento da viscosidade sanguínea, frequentemente associado a níveis elevados da proteína fibrinogénio. Esta proteína tem um papel crucial na ligação entre os glóbulos vermelhos, aumentando a sua adesão, o que pode agravar diversas condições clínicas.

«A equipa está a analisar a concentração de fibrinogénio em pacientes com diferentes níveis da patologia e a relacionar esses níveis com a adesão dos glóbulos vermelhos, utilizando um conjunto avançado de técnicas experimentais. O nosso objetivo é criar um modelo computacional que simule diferentes interações entre os glóbulos vermelhos, permitindo uma comparação rigorosa com os resultados experimentais obtidos pela iMM», elucida Rui Travasso, professor do DF e investigador do Centro de Física da Universidade de Coimbra (CFisUC).

«Os testes realizados até ao momento indicam que, em presença de maiores concentrações de fibrinogénio, os glóbulos vermelhos apresentam maior adesão. Com o apoio de técnicas de machine learning e processamento de imagem, conseguimos identificar automaticamente as alterações na forma dos glóbulos vermelhos antes e após a colisão entre eles, estabelecendo correlações entre as simulações e os dados experimentais», revela o físico.

O próximo passo, de acordo com o responsável do projeto na UC, é a criação de uma vasta base de dados que integre tanto as simulações computacionais como as experiências laboratoriais. «Esta base de dados permitirá uma análise quantitativa mais robusta e a classificação das alterações nos glóbulos vermelhos de forma automatizada. Além disso, está a ser desenvolvida uma ferramenta baseada em machine learning para identificar os choques mais representativos das alterações observadas experimentalmente», conclui.

Os resultados preliminares são promissores, mostrando que a abordagem funciona. O objetivo a longo prazo é obter uma compreensão mais profunda dos processos de adesão e deformação dos glóbulos vermelhos em diversas patologias, contribuindo assim para o avanço do conhecimento científico e o desenvolvimento de potenciais intervenções terapêuticas. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 22 de maio de 2020

Angola – A malária tira a vida a cerca de 11 mil pessoas todos os anos

O Instituto de Medicina Molecular (IMM), em Lisboa, Portugal, acaba de divulgar, na revista Science Translational Medicine, um estudo que coloca pela primeira a possibilidade de a ciência chegar a uma vacina 100% eficaz contra a malária, a doença que mais mata o mundo, mais de 400 mil pessoas anualmente, e que em Angola tira a vida a cerca de 11 mil pessoas todos os anos

Uma equipa multinacional, liderada pelo investigador português Miguel Prudêncio, que conta ainda com, entre outros cientistas, Robert Sauerwein do Radboud University Medical Center, que integra a Universidade Radboud, de Nijmegen, e Perry van Genderen do Erasmus MC (UMC Roterdam), ambas na Holanda, acaba de anunciar que a fase de testes por que passou esta potencial vacina, denominada PbVac, resultou na conclusão de que os elementos do estudo obtiveram uma protecção de 95%.

Em comunicado, o IMM de Lisboa informa que os 24 indivíduos a quem foi administrada esta vacina não ficaram "totalmente protegidos contra a doença" mas os resultados mostraram "uma redução muito significativa de 95% na infecção hepática dos voluntários imunizados em relação aos indivíduos controlo, não imunizados".

A malária é uma doença infecciosa provocada por um parasita, o plasmodium, um protozoário, que chega aos humanos através de um vector, o mosquito fêmea da espécie anófeles, sendo o plasmodium falciparum normalmente tido como o mais perigoso dos cinco tipos existentes.

"Este estudo abre caminho para desenvolvimentos adicionais da vacina PbVac e similares, no sentido do desenvolvimento de uma estratégia de vacinação eficaz contra a malária humana", avança ainda esta nota do IMM.

O investigador português que liderou a equipa, Miguel Prudêncio, avança nesta nota que o estudo agora concluído permite a "validação clínica" para a nova abordagem de vacinação contra a malária (paludismo), abrindo "possibilidades para a sua optimização no sentido da criação de uma vacina eficaz contra a malária".

O que esta vacina tem de inovador – existem dezenas de laboratórios a tentar obter este tipo de resposta para esta doença, ou outras, além dos actuais já bem conhecidos antipalúdicos, que podem  ser igualmente eficazes - é que, como o investigador explica, foi usado um parasita que infecta roedores, denominado Plasmodium berghei, e que não causa patologia nas pessoas, mas foi geneticamente alterado para car semelhante ao plasmodium falciparum, que infecta humanos.

Este composto vai incidir sobre a presença do plasmodium no fígado humano, uma das etapas essenciais para o seu desenvolvimento.

E é nesse estádio de evolução do parasita que a PbVac se mostou segura e bem tolerada, alcançando uma redução de 95% na infecção hepática por P. falciparum. In “Novo Jornal” - Angola

segunda-feira, 25 de março de 2019

Portugal – Investigadores criam novo método para definir agressividade de cancros


O método passa por identificar genes problemáticos no mecanismo da divisão celular responsável pela formação de tumores e foi descoberto por investigadores portugueses



Nuno Barbosa Morais, do Instituto de Medicina Molecular (IMM), liderou a investigação da equipa com indivíduos do Instituto e Inovação em Saúde do Porto (IISP) e do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC). Ao identificar genes associados a tumores que contêm anomalias no mecanismo de divisão celular, Barbosa Morais afirmou em entrevista à agência Lusa que «conseguimos definir melhor qual é o tipo de cancro, o prognóstico e terapias».

Ao dividir-se pela primeira vez, uma célula forma dois centrossomas, mas, «nos casos de cancro, esse mecanismo está avariado e em vez de dois centrossomas, formam-se três ou 4 e o ADN fica mal distribuído nas células-filhas» explicou o investigador. Quanto mais centrossomas, mais maligno é o tumor, mas detetar os centrossomas «é muito dificilmente experimentalmente», o que levou a equipa a procurar genes em 20 associados com anormalidades no centrossoma, em milhares de tumores diferentes. «Temos um sucedâneo destas anormalidades, que acontece em níveis diferentes em diferentes tipos de cancro e esta assinatura dá-nos mais fraquezas do cancro, do ponto de vista terapêutico, para que se possa atacar os tumores a partir dos genes», explicou Nuno Morais.

Publicado na revista científica “PLoS Computational Biology”, o estudo do IMM destaca a presença dominante da mencionada «assinatura» genética no cancro da mama em particular. In “Revista Port. Com” - Portugal