Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Macau - Novos alunos da Escola Portuguesa aperfeiçoam português em curso de Verão

Já em Julho, a Escola Portuguesa de Macau vai organizar um curso de Verão em Português, obrigatório, para os novos alunos do primeiro ciclo que tenham outra língua materna, no sentido de haver uma melhor aprendizagem. Enquanto isto, a curto prazo, o estabelecimento de ensino tenciona criar um laboratório de línguas. A ideia, segundo o director Acácio de Brito, é introduzir, para além do português e do mandarim, igualmente o francês e até o latim “para quem queira frequentar”


A dificuldade dos alunos de língua não materna em se expressarem em português levou a Escola Portuguesa de Macau (EPM) a criar, já a partir de Julho deste ano, um curso de Verão, no sentido de uma “melhor aprendizagem” dos estudantes que entram pela primeira vez, revelou ao Jornal Tribuna de Macau o director do estabelecimento de ensino.

Acácio de Brito considera ser importante que os novos alunos, que não têm como língua materna o português, aperfeiçoem a língua, pelo que o curso tem esse objectivo.

A iniciativa surge na sequência de cerca de uma dezena de alunos que fizeram a inscrição na EPM para o próximo ano lectivo, a maioria dos quais vem do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, num total de mais de 60, estreando-se assim no primeiro ano, terem manifestado dificuldade na língua portuguesa. No total, o curso contará com a participação de 20 alunos.

“Este é um projecto do primeiro ciclo, para os alunos que nós notámos no acto da entrevista que eram muito fracos nos conhecimentos da língua”, afirmou Acácio de Brito, justificando assim a realização do curso, cuja inscrição será voluntária e obrigatória. “Isto é, eles têm de frequentar esse curso, que é absolutamente gratuito e vai acontecer no mês de Julho, mediante a disponibilidade dos professores do primeiro ciclo”, sublinha.

Para o director da EPM, esta acção de aprendizagem para os estudantes que entram pela primeira vez na escola, no total de cerca de uma dezena, trata-se de “uma boa iniciativa, até porque falamos tanto na valoração da língua portuguesa”. Por isso, acentua, “temos de a valorar logo no seu início, porque cada vez mais temos tentado captar alunos de outras nacionalidades, designadamente chineses, para virem frequentar a EPM e para isso temos de ter meios para poder suprir as dificuldades normais na aprendizagem de uma língua”. “Quanto mais cedo os apanharmos, melhor”, enfatiza.

Esta será a grande novidade para o próximo ano lectivo, mas há outras que poderão surgir a curto prazo, como é o caso da intenção da EPM de criar um Laboratório de Línguas, na sequência do que tem acontecido com o desenvolvimento do mandarim.

“Pretendemos introduzir um Laboratório de Línguas, e, ainda que de uma forma muito incipiente, já começámos a adquirir o software necessário”, disse o responsável. Especificando, frisa que “a EPM desenvolverá em termos laboratoriais o português, naturalmente também o mandarim, assim como o francês e até, num futuro próximo, porque essa é a tendência, introduzir de forma optativa, como é evidente, o latim, a quem queira frequentar”.

Explicando a razão dessa possível aposta no latim, Acácio de Brito entende que, embora seja uma língua morta, é basilar no compreendimento estruturante da própria língua portuguesa. “É uma ideia que está a ser estudada, tem de ser meditada, pensada, mas temos recursos para isso, com pessoas com formação no latim”, assevera.

Como é um projecto que está a ser “maturado”, ainda não há certeza “se poderá ou não ser desenvolvido já para o próximo ano lectivo”, esclarece.

Relativamente aos alunos que irão frequentar a EPM em 2026/2027, o responsável aponta para um número muito semelhante ao deste ano que está prestes a findar, ou seja, entre os 800 e os 820, também dependente da entrada, ou não, da dezena de novos estudantes que irão participar no curso de Verão.

Quanto às inscrições para o próximo ano lectivo, foram já realizadas, seguindo-se as respectivas matrículas. “O processo de matrículas é agora automático e só em anos de mudança de ciclo é que se exige a presença, porque há um conjunto de escolhas que eles têm de fazer, designadamente no 1º ano que é necessário, assim como nos 5º, 7º e 10º”, nota.

Cinco novos professores pertencem ao quadro de Portugal

A Escola Portuguesa de Macau já escolheu os cinco novos professores necessários para o próximo ano lectivo, destinados às disciplinas de Matemática, Ciências Físico-Químicas, Educação Musical, Português e Inglês. Os docentes aprovados são todos do quadro das escolas de Portugal e foram seleccionados através de concurso público para o qual se apresentaram cerca de quatro dezenas de candidatos. A contratação “dependerá agora dos procedimentos normais de autorização da RAEM e das licenças especiais”, disse o director, Acácio de Brito, ao Jornal Tribuna de Macau. O dirigente do estabelecimento de ensino observou que “as autorizações levam o seu tempo, como é normal”, mas espera que os docentes estejam disponíveis para leccionar quando as aulas se iniciarem, em Setembro. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


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