Já em Julho, a Escola Portuguesa de Macau vai organizar um curso de Verão em Português, obrigatório, para os novos alunos do primeiro ciclo que tenham outra língua materna, no sentido de haver uma melhor aprendizagem. Enquanto isto, a curto prazo, o estabelecimento de ensino tenciona criar um laboratório de línguas. A ideia, segundo o director Acácio de Brito, é introduzir, para além do português e do mandarim, igualmente o francês e até o latim “para quem queira frequentar”
A dificuldade dos alunos de língua não
materna em se expressarem em português levou a Escola Portuguesa de Macau (EPM)
a criar, já a partir de Julho deste ano, um curso de Verão, no sentido de uma
“melhor aprendizagem” dos estudantes que entram pela primeira vez, revelou ao
Jornal Tribuna de Macau o director do estabelecimento de ensino.
Acácio de Brito considera ser importante que os novos
alunos, que não têm como língua materna o português, aperfeiçoem a língua, pelo
que o curso tem esse objectivo.
A iniciativa surge na sequência de cerca de uma dezena de
alunos que fizeram a inscrição na EPM para o próximo ano lectivo, a maioria dos
quais vem do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, num total de mais de
60, estreando-se assim no primeiro ano, terem manifestado dificuldade na língua
portuguesa. No total, o curso contará com a participação de 20 alunos.
“Este é um projecto do primeiro ciclo, para os alunos que
nós notámos no acto da entrevista que eram muito fracos nos conhecimentos da
língua”, afirmou Acácio de Brito, justificando assim a realização do curso,
cuja inscrição será voluntária e obrigatória. “Isto é, eles têm de frequentar
esse curso, que é absolutamente gratuito e vai acontecer no mês de Julho,
mediante a disponibilidade dos professores do primeiro ciclo”, sublinha.
Para o director da EPM, esta acção de aprendizagem para
os estudantes que entram pela primeira vez na escola, no total de cerca de uma
dezena, trata-se de “uma boa iniciativa, até porque falamos tanto na valoração
da língua portuguesa”. Por isso, acentua, “temos de a valorar logo no seu
início, porque cada vez mais temos tentado captar alunos de outras
nacionalidades, designadamente chineses, para virem frequentar a EPM e para
isso temos de ter meios para poder suprir as dificuldades normais na aprendizagem
de uma língua”. “Quanto mais cedo os apanharmos, melhor”, enfatiza.
Esta será a grande novidade para o próximo ano lectivo,
mas há outras que poderão surgir a curto prazo, como é o caso da intenção da
EPM de criar um Laboratório de Línguas, na sequência do que tem acontecido com
o desenvolvimento do mandarim.
“Pretendemos introduzir um Laboratório de Línguas, e,
ainda que de uma forma muito incipiente, já começámos a adquirir o software
necessário”, disse o responsável. Especificando, frisa que “a EPM desenvolverá
em termos laboratoriais o português, naturalmente também o mandarim, assim como
o francês e até, num futuro próximo, porque essa é a tendência, introduzir de
forma optativa, como é evidente, o latim, a quem queira frequentar”.
Explicando a razão dessa possível aposta no latim, Acácio
de Brito entende que, embora seja uma língua morta, é basilar no
compreendimento estruturante da própria língua portuguesa. “É uma ideia que
está a ser estudada, tem de ser meditada, pensada, mas temos recursos para
isso, com pessoas com formação no latim”, assevera.
Como é um projecto que está a ser “maturado”, ainda não
há certeza “se poderá ou não ser desenvolvido já para o próximo ano lectivo”,
esclarece.
Relativamente aos alunos que irão frequentar a EPM em
2026/2027, o responsável aponta para um número muito semelhante ao deste ano
que está prestes a findar, ou seja, entre os 800 e os 820, também dependente da
entrada, ou não, da dezena de novos estudantes que irão participar no curso de
Verão.
Quanto às inscrições para o próximo ano lectivo, foram já
realizadas, seguindo-se as respectivas matrículas. “O processo de matrículas é
agora automático e só em anos de mudança de ciclo é que se exige a presença,
porque há um conjunto de escolhas que eles têm de fazer, designadamente no 1º
ano que é necessário, assim como nos 5º, 7º e 10º”, nota.
Cinco novos professores pertencem ao quadro de Portugal
A Escola Portuguesa de Macau já escolheu os cinco novos
professores necessários para o próximo ano lectivo, destinados às disciplinas
de Matemática, Ciências Físico-Químicas, Educação Musical, Português e Inglês.
Os docentes aprovados são todos do quadro das escolas de Portugal e foram
seleccionados através de concurso público para o qual se apresentaram cerca de
quatro dezenas de candidatos. A contratação “dependerá agora dos procedimentos
normais de autorização da RAEM e das licenças especiais”, disse o director,
Acácio de Brito, ao Jornal Tribuna de Macau. O dirigente do estabelecimento de
ensino observou que “as autorizações levam o seu tempo, como é normal”, mas
espera que os docentes estejam disponíveis para leccionar quando as aulas se
iniciarem, em Setembro. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal
Tribuna de Macau”
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