Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

China - Suspende proibição de compra de carne de frango do Brasil

Associação de produtores comemora retomada de venda do produto



A China suspendeu a proibição de compra de carne de frango brasileira, medida adotada em maio após o primeiro registo de contaminação por gripe aviária, numa granja comercial no município gaúcho de Montenegro.

Desse modo, o comunicado da suspensão, feito pela administração das alfândegas chinesas na sexta-feira (7), foi confirmado e comemorado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que creditou o resultado à “competência técnica e diplomática do Brasil”.

“A suspensão ocorreu no contexto do único foco registado – e que já foi totalmente superado – de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) na produção comercial de carne de frango do Brasil”, recorda a nota da associação.

Além disso, a suspensão da compra do produto, pela China, teve anúncio em maio. Portanto, quando o país era, segundo a associação, o maior comprador da carne de frango brasileira. Dessa maneira, com embarques de 562,2 mil toneladas em 2024, cerca de 10,8% do total.

“Até maio [de 2025], mês da ocorrência de IAAP, a China era a maior importadora de carne de frango do Brasil. Apenas entre janeiro e maio, o país havia importado 228,2 mil toneladas de carne de frango (10,4% do total exportado pelo Brasil até então). Assim, gerando receita de US$ 545,8 milhões”, detalhou a ABPA, após o anúncio da suspensão chinesa.

Desta maneira, no dia 18 de junho, o Brasil declarou-se livre da doença após a desinfecção da granja afetada. Assim como, não ter registado nenhum outro caso pelo prazo de 28 dias.

Em setembro, foi a vez de a União Europeia reconhecer que o país estava livre da doença, permitindo a retomada das exportações para o bloco.

“Gradativamente, todos os grandes importadores de carne de frango retomaram as compras. Hoje, a China, último grande importador de carne de frango fechado, reabriu os seus portos para o produto brasileiro”, comemorou na passada sexta-feira a ABPA.

Segundo a entidade, “as autoridades brasileiras dedicaram amplos esforços diplomáticos para o restabelecimento do fluxo comercial dos mercados suspensos”, afirmou, em tom elogioso dirigido ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o seu secretariado, bem como ao Planalto e ao Itamaraty.

“Houve um amplo e altamente profissional trabalho de negociação neste processo, que incluiu a renegociação de certificados sanitários para evitar suspensões totais de países em eventuais novas ocorrências”, acrescentou ao afirmar que a reabertura “coroa o sucesso” dessas ações. Pedro Peduzzi – Brasil in “Boqnews” com “Agência Brasil”


quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Libéria – Aumento da produção de cacau fomenta a desflorestação em massa

A produção de cacau está a alimentar o desmatamento ilegal na Libéria, revela nova investigação


A produção de cacau causa um grande impacto ambiental. Agricultores frequentemente desmatam florestas tropicais para plantar novas árvores, causando danos ambientais significativos.

Uma nova investigação da Associação de Iniciativas para o Desenvolvimento Comunitário e Conservação Florestal (IDEF), uma organização sem fins lucrativos da Costa do Marfim, demonstra a grande escala desse desmatamento na Libéria.

O relatório pede que a União Europeia, a maior importadora mundial de cacau, tome medidas.

Por que os produtores estão a voltar-se para a Libéria?

A Costa do Marfim é a maior exportadora mundial de grãos de cacau. Mas décadas de dependência da indústria prejudicaram o meio ambiente. O desmatamento em massa e os fertilizantes químicos enfraqueceram o solo, levando os produtores a procurar outros produtos.

O desmatamento é ilegal pela lei liberiana, mas isso não impediu os produtores de tentarem estabelecer novas plantações de cacau no local. O relatório também mostra que, desde 2020, mais de 38.000 pessoas foram registadas na região de Grand Gedeh, que faz fronteira com a Costa do Marfim.

De acordo com a Global Forest Watch, em 2024, o país perdeu 162.000 hectares de floresta natural.

'A escala do desmatamento é colossal'

O relatório do IDEF constatou níveis "maciços" de desmatamento na Libéria devido à produção de cacau. Somente na região de Grand Gedeh, quase 500.000 hectares de floresta primária foram desmatados e convertidos em plantações de cacau desde 2020.

“A escala do desmatamento é colossal”, afirma o Diretor Executivo do IDEF, Bakary Traoré, num comunicado à imprensa. “Nas localidades que visitámos, todas as famílias haviam cedido áreas florestais que variavam de 50 a 300 hectares, em comparação com 8 ou 10 hectares no nosso relatório anterior, do ano passado.”

O relatório não demonstrou apenas danos ambientais. Os investigadores destacaram a tendência crescente de tráfico de pessoas, exploração e trabalho infantil. Muitos jovens são recrutados para trabalhar na produção de cacau e no desmatamento.

O papel da Europa na indústria

A União Europeia é o maior importador mundial de cacau e um dos principais produtores de chocolate acabado.

Em 2023, a UE criou um novo regulamento de desmatamento (EUDR) para conter o desmatamento. O regulamento proíbe a comercialização europeia de produtos que contribuem para o desmatamento, como café, cacau, borracha, óleo de palma, soja, carne bovina e madeira.

Se efetivamente promulgada, a medida poderia ajudar a conter o desmatamento relacionado ao cacau na região, já que o cacau produzido por meio do desmatamento não seria exportado. No entanto, esse processo foi adiado novamente para dezembro de 2026, o que os autores do relatório consideram "extremamente preocupante".

“Embora a Europa pudesse desempenhar um papel fundamental na salvação dessas florestas e no auxílio a essas comunidades graças às suas regulamentações sobre o desmatamento, ela não está a conseguir fazê-lo devido à sua constante procrastinação”, diz Traoré.

“Enquanto a Europa hesita e continua adiando a implementação da sua lei, não haverá mais florestas na Libéria e será tarde demais.” Euronews.green


domingo, 17 de novembro de 2024

Angola - Precisa produzir 1,2 milhões de toneladas de arroz

O País precisa produzir 1,2 milhões de toneladas de arroz anualmente para se tornar autossufiente na produção deste cereal. Actualmente, a produção nacional deste cereal com grande peso na dieta dos cidadãos é de 40 mil toneladas, segundo o presidente da Associação Agropecuária de Angola (AAPA)


"Quando fazemos a comparação de 40 mil toneladas com 1,2 milhões de toneladas percebemos o quão distante estamos daquilo que é efectivamente a nossa capacidade de abastecer o nosso País", disse Wanderley Ribeiro.

De acordo com o líder da AAPA, para Angola produzir 1,2 milhões de toneladas de arroz seriam necessários pelo menos 300 mil hectares e outras condições produtivas, que estão longe da realidade actual.

Wanderley Ribeiro, que falava na conferência sobre "Financiamento de Cadeias Produtivas Agrícolas e Segurança Alimentar", organizada pela Associação de Bancos, explicou que apenas 50% do arroz produzido no País, ou seja, 20 mil toneladas, são disponibilizadas ao mercado.

"Nós importamos arroz descascado e produzimos 40 mil toneladas do arroz em casca. A cada 100 quilos só o equivalente a 50% é que é arroz que se consegue consumir, o resto é casca, farelo e outros produtos", clarificou.

No ano passado a importação de arroz consumiu 223,1 milhões USD, uma queda de 39% face a 2022, segundo cálculos do Expansão, com base em dados da AGT relativos à importação de produtos do PRODESI. Este montante permitiu a entrada no País de 339 mil toneladas de arroz, menos 206,6 mil toneladas do que no ano anterior.

Ainda assim, a importação deste cereal continua a ser a solução para atender às 500 mil toneladas de arroz que o País consome anualmente, fazendo fé nas palavras de Domingos Veloso, director Nacional das Florestas.

Em Maio, o Ministério da Indústria e Comércio autorizou a importação de 240 mil toneladas de arroz até ao final do ano. A autorização foi dada a nove empresas, na sua maioria ligadas a capitais indianos, libaneses e eritreus.

A medida de adjudicar a importação do arroz visa garantir a segurança alimentar e proteger a produção nacional de arroz, justificou o MINDCOM em comunicado. O ministério liderado por Rui Miguêns estimou em 270 mil toneladas a quantidade necessária de arroz até ao final do ano. Faustino Diogo – Angola in “Expansão”


segunda-feira, 15 de julho de 2024

China - Quer trabalhar com Países Baixos em prol de “cadeias de abastecimento estáveis”

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, disse ao homólogo neerlandês que a China está “disposta a trabalhar” com o país europeu para “assegurar a estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento”

As relações entre os dois países foram abaladas pelas restrições impostas pelos Países Baixos às exportações de equipamento de fabrico de semicondutores, componentes essenciais na produção de alta tecnologia, para a China.

Os semicondutores e a tecnologia necessária para a sua produção são cada vez mais sensíveis, à medida que Pequim tenta desenvolver a própria indústria de alta tecnologia, o que tem implicações militares.

Wang sublinhou “o valor” que a China atribui aos seus laços com os Países Baixos, manifestando o desejo de estabelecer “contactos estreitos” com o novo governo neerlandês, segundo um comunicado emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do país asiático.

Reiterou também o “apoio da China ao processo de integração europeia e ao crescimento e desenvolvimento” da União Europeia (UE), sublinhando a importância da “independência estratégica da região”.

Wang condenou as recentes “acusações infundadas feitas contra a China” na cimeira da NATO, realizada esta semana em Washington. O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, criticou Pequim por “apoiar a economia de guerra russa” contra a Ucrânia e avisou que “a China não pode facilitar o maior conflito na Europa na história recente sem afetar negativamente os seus interesses e reputação”. Wang defendeu o historial de paz e segurança da China, reafirmou o papel de Pequim como “força estabilizadora na comunidade internacional” e instou a aliança transatlântica a “evitar interferir nos assuntos” da Ásia.

O chefe da diplomacia neerlandesa, Caspar Veldkamp, reconheceu a “força e robustez” da atual relação entre a China e os Países Baixos, apontando a China como uma “grande potência global” e o “principal parceiro económico e comercial” dos Países Baixos na Ásia, de acordo com a nota da diplomacia chinesa. Veldkamp sublinhou ainda a importância das relações entre UE e China, apelando a uma “cooperação construtiva” que não seja prejudicada por divergências, numa altura em que são frequentes as fricções comerciais entre o bloco europeu e Pequim.

Os Países Baixos impuseram no ano passado controlos mais rígidos sobre as exportações de tecnologia que usa luz ultravioleta para gravar circuitos nos ‘chips’ mais avançados.

Com sede na cidade de Veldhoven, no sul dos Países Baixos, a firma ASML é o único fornecedor global deste tipo de tecnologia. O Governo dos Países Baixos proibiu a ASML de exportar algumas das suas máquinas para a China em 2019, mas a empresa ainda vendia sistemas de litografia de qualidade inferior ao país asiático. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 14 de junho de 2024

França - Também quer tarifas sobre painéis solares e turbinas eólicas com origem na China

A França vai envidar esforços para obter validação dos países da União Europeia sobre as tarifas de importação aos carros eléctricos chineses, pretendendo ainda medidas semelhantes para os painéis solares e turbinas eólicas importadas daquele país asiático.


Esta posição foi assumida pelo ministro da Economia e Finanças francês, Bruno Le Maire, numa entrevista, ontem, à emissora Sud Radio.

“Cada Estado-membro tem de perceber que deve ser restabelecida esta relação de força” com a China, afirmou o governante, confirmando que a França vai votar a favor da proposta anunciada esta quarta-feira pela Comissão Europeia de aplicação de tarifas de importação de veículos eléctricos chineses em até 38,1 por cento, por considerar que os apoios dados distorcem a concorrência com os fabricantes europeus.

Bruno Le Maire disse ainda que o seu país vai tentar convencer os outros Estados-membros de que nesta questão faz falta uma maioria qualificada, em particular a Alemanha, que se tem manifestado contra, por recear retaliações por parte da China, que é o principal mercado de destino das exportações alemães, em particular da indústria automóvel.

O ministro francês – que está em campanha para as eleições legislativa antecipadas em França, nas quais a extrema-direita se posiciona como favorita propondo um programa proteccionista na vertente económica – disse ainda esperar que a Comissão Europeia faça o mesmo relativamente aos painéis solares e turbinas eólicas importadas da China. In “Hoje Macau” - Macau





domingo, 10 de dezembro de 2023

Canadá - Proíbe marfim de elefante e chifres de rinoceronte no país

A proibição total do comércio de marfim de elefante e chifres de rinoceronte chegou ao Canadá. A importação e exportação de troféus de caça contendo estes materiais também foi proibida

O anúncio foi feito pelo ministro do Ambiente do país numa conferência em Ottawa, onde afirmou que o governo canadiano pretende proteger e conservar esses animais.

“Com o rápido declínio das populações de elefantes africanos e as ameaças às populações de rinocerontes devido à caça furtiva, o Canadá reconhece a importância de limitar ainda mais o comércio de marfim de elefante e chifre de rinoceronte para o Canadá”, disse ele.


Elefantes

Os elefantes são inteligentes e emotivos, com um comportamento social muito desenvolvido. Eles são caçados há séculos por causa das suas presas de marfim. Desde 1980, o número de elefantes na África diminuiu muito: caiu de 1,3 milhão para aproximadamente 415 mil. Isso representa uma queda de 70% na população de elefantes no continente.

Rinocerontes

Os números de rinocerontes na natureza também continuam a cair drasticamente. No início do século 20, havia cerca de 500 mil na África e na Ásia. Hoje, temos uma média de 27 mil. A espécie também está em perigo e enfrenta ameaças de sobrevivência.

Mais sobre a lei do Canadá

Também será necessário obter licenças para importar utensílios domésticos e objetos pessoais feitos de marfim de elefante ou chifre de rinoceronte trabalhado. Existem algumas exceções muito limitadas para essas regras, como para museus, zoológicos, pesquisa científica ou aplicação da lei. “As alterações regulatórias mais rigorosas anunciadas garantirão que o Canadá continue a fazer a sua parte para proteger estas espécies para as próximas gerações”, disse o ministro. In “Milénio Stadium” - Canadá


terça-feira, 24 de outubro de 2023

Macau - Empresas portuguesas e chinesas continuam a apostar na importação do café

O café é um dos produtos de foco na “C-PLPEX”, a Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa organizada pelo IPIM, com diversas bancas de países lusófonos e chineses a promoverem os seus produtos. Dos vários expositores, falámos com duas experiências opostas: a de uma empresa portuguesa importadora de café já há muitos anos estabelecida em Macau que pretende expandir-se para o mercado chinês, e a de outra iniciativa chinesa que também vende café, mas quer fazer o caminho no sentido inverso, trazendo grãos e máquinas de café a Macau.


A empresa portuguesa Café Angola, que já há 23 anos é fornecedora de café e outros produtos alimentares em Macau, quer desenvolver mais parcerias com províncias chinesas. Rui Moreira, terceira geração da família proprietária da marca Café Angola, originalmente fundada em Portugal em 1932, confessou que “o mercado chinês é muito diferente do mercado de Macau”. Diferenças no fuso horário, na cultura e na língua são barreiras que têm sido transpostas, mas este é “um mercado que tem de ser trabalhado com tempo, com bastante persistência”. Apesar de terem começado por Macau por uma “questão de familiaridade” e “de língua e cultura”, desde 2000 que estão a “apostar muito” no mercado da China. “Já começámos a trabalhar o mercado, principalmente as províncias mais pequenas. Acreditamos que é o futuro”. O maior desafio, explicou, é a marca Portugal, que ainda não tem o prestígio que outras marcas têm. “Temos de fazer um trabalho primeiro de apresentar o país, apresentar a nossa cultura, e só depois é que podemos apresentar os nossos produtos”.

A Taste GBA & Gemilai é uma cooperação de duas empresas da Grande Baía. A Taste GBA vende café cru em grão, e a Gemilai, empresa produtora de máquinas de café, foi criada há mais de 10 anos em Shunde, da província Guangdong. Kari Mak, representante da banca, disse ter “elevada expectativas” de que a C-PLPEX possa ajudar na entrada no mercado de Macau e até nos mercados lusófonos. “É a nossa primeira vez que participamos numa exposição comercial em Macau, temos muitas expectativas. Pretendemos promover as nossas marcas para mais pessoas as conhecerem, também queremos fazer algum negócio aqui para fazer crescer as empresas”, disse.

Ao Ponto Final, a responsável adiantou que, para a presente edição da C-PLPEX, a marca Gemilai lançou uma máquina de café cuja aparência tem revestimento de cores representantes da China, Brasil e Portugal, para acrescentar elementos de cultura sino-lusófona. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Filipinas - O país onde a cebola é mais cara que a carne

Assim como em muitos países da América Latina, alho e cebola estão na base da culinária das Filipinas. O hábito de refogar com os dois ingredientes remonta ao período da colonização pela Espanha, que se estendeu entre 1521 e 1898 e acabou por influenciar a gastronomia do país.

Há quase um mês, contudo, a cebola tornou-se artigo de luxo para os filipinos. Literalmente: após um aumento nos preços, a cebola passou a custar mais do que carne bovina e de frango.

O quilo da cebola roxa e da branca chegou nesta semana a 600 pesos filipinos, aproximadamente 88 patacas. Corte de carne mais caro da lista de produtos monitorizados pelo governo, a alcatra de boi custava, no mesmo período, 480 pesos filipinos (70 patacas); o frango inteiro, 220 pesos (29 patacas).

O valor é superior ao do salário mínimo diário nas Filipinas, que gira em torno de 500 pesos (73 patacas), com variações, segundo os diferentes sectores.

Com a alta de preços, as autoridades do país chegaram a apreender contrabando do vegetal. Num deles, do início de Janeiro, o equivalente a 17 milhões de pesos em sacas de cebola foi interceptado num carregamento da China declarado como sendo de roupas.

Nas redes sociais, os filipinos têm se manifestado com mensagens de indignação em relação ao governo Ferdinando Marcos Jr-Sara Duterte, que vêem como tendo tido uma parcela de culpa na situação actual e com algum humor.

“Chau chocolates, olá cebolas. A cebola está a tornar-se uma das melhores lembranças de viagem porque com ela se pode dar um presente a um filipino”, disse um natural do arquipélago, que vive nos Estados Unidos, através de um post no Twitter.

Também em viagem aos Estados Unidos, um utilizador do Twitter partilhou a imagem de um frasco de cebola em pó: “Como a cebola virou ouro nas Filipinas, fiz questão de comprar um desses daqui para dar de presente, mas já fui a cinco supermercados e todos estão sem estoque. Perguntei a uma empregada e ela disse: ‘Ah, os filipinos têm comprado muitos desses’. Pergunto-me porquê…”

Morador da cidade de Manila, capital das Filipinas, o economista do banco ING Nicholas Mapa conta que alguns restaurantes chegaram a parar de vender produtos que levam cebola – as muito populares “onion rings” dos estabelecimentos de comida rápida, por exemplo, desapareceram de alguns menus.

“Eles não conseguem apresentar preços adequados à população ou simplesmente não conseguem fornecimento de cebola”, disse, em entrevista por email à BBC.

Alguns, como o chef Jam Melchor, fundador do Movimento para Preservação da Herança Culinária das Filipinas, vêm procurando substitutos. Ele tem recorrido a um tipo de cebola nativa chamada “lasona”, que tem um sabor diferente das variedades tradicionalmente usadas e é muito pequena, do tamanho de uma uva.

“Tanto os restaurantes quanto a população em geral têm sofrido com a situação. 600 pesos é um valor caro, por isso estamos a tentar aproveitar ao máximo do que temos disponível entre as alternativas”, afirmou à reportagem.

“A cebola é muito importante para a gastronomia local. Ela entra em quase todos os pratos que preparamos aqui. É um ingrediente crucial em toda a cozinha filipina”, completa.

Projecções do Departamento de Agricultura divulgadas em Agosto indicavam que o país produziria menos cebolas do que a procura estimada para o fim de 2022. O volume foi, contudo, pior do que o previsto: as Filipinas foram atingidas por um supertufão entre Agosto e Setembro, o que ainda prejudicou mais as plantações.

“Infelizmente, a importação foi feita de forma tardia, só depois que os preços dispararam – e muito perto do período de colheita, que é Fevereiro”, avalia o economista.

Na primeira semana de Janeiro, o governo aprovou a importação de cerca de 22 milhões de toneladas de cebola para tentar normalizar a oferta e conter os preços.

A demora, para especialistas como Fermin Adriano, que já foi assessor do Departamento de Agricultura, foi uma falha grave da actual administração.

Na sua avaliação, uma vez que o governo sabia que o produto faltaria no mercado doméstico, deveria, para garantir a segurança alimentar do povo filipino, ter ordenado importação em nível suficiente para pelo menos igualar a oferta à procura prevista.

Numa coluna no jornal The Manila Times, ele relembra que a senadora Maria Imelda Josefa “Imee” Marcos, irmã do presidente do país, Ferdinand Marcos Junior, criticou o relatório do Departamento de Agricultura divulgado em Agosto, ao afirmar que pessoas mal intencionadas queriam criar a falsa ideia de que havia escassez do produto para lucrar com uma eventual importação.

Gestão Bongbong

Nas redes sociais, muitos filipinos vêem relação entre a desorganização da gestão do sector agrícola e o facto de que o polémico Ferdinand Marcos Junior, conhecido como “Bongbong” e eleito presidente no ano passado, ter decidido acumular com a pasta de ministro da Agricultura, apesar de não ter experiência na área.

Filho do ditador Ferdinand Marcos, que comandou um regime brutal nas Filipinas nos anos 1970 e 80, Bongbong voltou ao país em 1991 e começou uma carreira política. Foi governador, deputado e senador antes de se eleger presidente. Parte da campanha de Marcos foi construída a referir aos eleitores a ideia de que a ditadura foi uma “era de ouro” – expressão que muitos têm usado de forma irónica nas redes sociais, escrevendo de forma jocosa que o “ouro” a que o político se referia era o preço da cebola.

Outros observadores, porém, consideram que a decisão do recém-eleito presidente demonstra, pelo contrário, a incapacidade do Ministério da Agricultura que aumentou no consulado do anterior presidente Rodrigo Duterte.

Cindy van Rijswick, analista de frutas e hortaliças do Rabobank, reconhece que, tradicionalmente, as Filipinas são um país importador de cebola – ou seja, o volume produzido internamente geralmente não é suficiente para suprir a demanda. Essa necessidade oscila bastante: foram 5 milhões de quilos em 2011, e expressivos 132 milhões de quilos em 2016, exemplifica.

“O país costuma comprar da Índia, da China e até da Holanda, dependendo do preço e da disponibilidade”, disse a analista, que está baseada na Holanda.

Uma das razões é o facto de que a maior parte do cultivo no país, dadas as condições físicas e climáticas, é de variedades de cebola com tempo reduzido de prateleira. É diferente do que acontece nalgumas regiões do norte da Europa e América do Norte, onde, com as condições adequadas, as cebolas podem ser armazenadas durante cerca de um ano.

A popularidade da cebola vai muito além da América Latina, da Península Ibérica e das Filipinas. A especialista afirma que é longa a lista de países que usam a cebola para cozinhar. “Na maior parte do mundo, ela está entre os três vegetais mais consumidos pela população. É por isso que a cebola também é, em volume, o terceiro vegetal mais produzida no mundo. Apenas tomate e pepino têm volume maior de produção”, completa.

Entre as razões para o aumento está a redução da área plantada pelos agricultores e aumento do custo de produção, já que produtos como fertilizantes foram impactados pela alta do dólar e pela guerra na Ucrânia. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”

 

terça-feira, 27 de julho de 2021

Mercosul: o que se espera do governo

São Paulo – Por concordância de todos os países-membros do Mercosul, o Brasil foi autorizado a aplicar seu próprio regime de ex-tarifário para bens de capital e de informática e telecomunicações até o dia 31/12/2021. Ocorre que este prazo está em vias de se expirar e muitas empresas, que já se utilizam deste recurso e que têm interesse em sua manutenção, ainda não sabem como será feita esta renovação, que precisará passar também pelo crivo do bloco.

O governo brasileiro espera conseguir até a data prevista um acordo com os demais parceiros do bloco sobre como será feito o procedimento, porém, até o momento não há nenhuma negociação em concreto. É de se lembrar que o regime ex-tarifário consiste na redução temporária da alíquota do imposto de importação de bens de capital, de informática e telecomunicação previstos na Tarifa Externa Comum (TEC), quando não houver a produção nacional equivalente. Por isso, sua importância é fundamental, pois, além de promover a atração de investimentos em bens de capital e tecnologia para o País, viabiliza o aumento da inovação e produz um efeito multiplicador de emprego e renda em segmentos diferenciados da economia nacional.

Na última reunião de cúpula do Mercosul, um dos principais pontos abordados foi a proposta brasileira de revisão da taxa de importação de 10% sobre os percentuais aplicados atualmente. Já o governo argentino apresentou uma contraproposta, para que sejam zerados mais de 2000 produtos considerados insumos importantes para a indústria. Para que seja feita alguma mudança, é preciso unanimidade.       

Para fortalecer o Mercosul, é preciso que as relações entre seus membros se renovem e que seus termos de isenções tarifárias se atualizem, pois só assim poderá interagir com outros blocos econômicos. Nesse caso, é de se lembrar ainda que, para assinar acordos com outros países ou blocos, há um agravante: nem todos os parceiros do Mercosul cumprem padrões trabalhistas e ambientais mínimos.

Por outro lado, se com a concordância dos demais parceiros, o Brasil partisse para negociações individuais haveria um enfraquecimento do bloco, abrindo espaço para a entrada de produtos de países que se utilizam de práticas desleais, o que representaria uma grave ameaça à produção e ao emprego no País.  Além disso, essa opção acabaria por tornar o Brasil, praticamente, um fornecedor de produtos de baixo valor agregado, prejudicando as empresas nacionais que estão inseridas em segmentos de produtos industrializados, como aço, máquinas, automotivo e fármacos, entre outros.

Em outras palavras: nessa negociação com os parceiros do Mercosul, é preciso levar em conta, em primeiro lugar, a necessidade de estancar a atual trajetória de desindustrialização, inserindo a economia nacional em atividades de maior valor agregado e com mais conteúdo tecnológico. Afinal, só assim será possível reduzir os bolsões de pobreza que estão explodindo em quase todas as cidades do País, pois apenas os segmentos de maior valor agregado podem criar empregos que absorvam trabalhadores mais qualificados e mais bem remunerados.

O que parece claro é que os negociadores brasileiros para o Mercosul não estão levando em conta as reais necessidades do País, pois nunca houve por parte do atual governo a preocupação de consultar e ouvir os segmentos industriais e dos trabalhadores. Por isso, o que se espera é que o governo, na próxima reunião de ministros do Mercosul, proponha uma avaliação mais aprofundada sobre a TEC e a política de negociação com terceiros países. E que o ministro da Economia, antes de participar daquela reunião, ouça as reivindicações e sugestões das entidades representativas da indústria e dos trabalhadores. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de relações institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

domingo, 4 de abril de 2021

Brasil – Consumidores procuram por vinhos portugueses

 


Uma missão empresarial inversa que levou a Portugal compradores brasileiros resultou na venda de vinhos portugueses avaliados em mais de um milhão de euros, “a maior exportação registrada de uma só vez” para o Brasil, divulgou no dia 30 a AEP.

Segundo a Associação Empresarial de Portugal (AEP) – que promoveu a iniciativa – a missão inversa brasileira era composta por representantes da principal cadeia de distribuição do Brasil, o grupo Pão de Açúcar, tendo resultado na exportação de 400 mil garrafas de vinhos portugueses de cinco regiões vinícolas.

“O negócio, avaliado em mais de um milhão de euros, constitui a maior exportação (22 contentores) registrada, de uma só vez, de vinhos portugueses para o mercado brasileiro”, destaca.

Desenvolvida no âmbito do projeto de internacionalização da AEP “Business On the Way”, esta ação de promoção foi promovida na sequência do “crescente interesse do mercado brasileiro pelos vinhos portugueses”, conforme explicou o presidente da associação.

“A presença de vinhos portugueses no mercado brasileiro tem vindo a registrar um significativo acréscimo nos últimos anos”, disse Luís Miguel Ribeiro, explicando que “a grande distribuição representa cerca de 70% das vendas de vinhos portugueses no Brasil” e é “considerado como o grande ponto de abastecimento de vinho neste mercado”.

E “apesar da carga fiscal elevada, que penaliza os vinhos nacionais face a outros mercados”, o líder da AEP diz haver “cada vez mais consumidores brasileiros a procurarem os vinhos portugueses”: “Fora da União Europeia, o Brasil continua a ser um bom cliente de Portugal em termos de comércio de bens”, refere.

Com a ação agora desenvolvida, a AEP propôs-se “promover o vinho português no mercado brasileiro – capaz de proporcionar vendas efetivas e de escala de um produto único num mercado que tão bem tem recebido o vinho português – e contribuir para posicionar no ponto de venda brasileiro variadíssimos vinhos portugueses”.

No âmbito desta missão inversa de compradores do Brasil, a associação diz terem sido realizadas provas de vinhos de 16 produtores nacionais oriundos de cinco regiões vinícolas: Vinhos Verdes, Alentejo, Lisboa, Dão e Douro.

“As provas de vinhos foram realizadas em Portugal por um conjunto de produtores/enólogos previamente selecionados de acordo com o perfil pretendido pelos decisores brasileiros”, refere, precisando que “a ação também contemplou visitas técnicas às adegas/propriedades dos produtores portugueses selecionados”.

Complementarmente, esta ação promocional de vinhos portugueses com a cadeia Pão de Açúcar tem ainda em curso uma campanha de ‘marketing’ no mercado brasileiro, em mais de 380 lojas daquele grupo, e que engloba a promoção e publicidade nos lineares de vinhos das lojas, a decoração dos espaços e lineares, panfletos e folhetos publicitários e promoção em ‘websites’ e presença em jornais, entre outros.

As empresas portuguesas envolvidas nesta ação são a Quinta das Arcas, Adega de Monção, Quinta de Carapeços, Quinta da Lixa, Campelo, Ermelinda Freitas, Quinta de Gomariz, Quinta da Pedra Cavada, Quinta de Santa Cristina, Fiúza, Adega Ponte de Lima, Casa Agrícola HMR, Adega Ponte da Barca, Wine With Spirit, Sociedade Agrícola Casa de Vila Nova e Sociedade Agrícola Boas Quintas.

A AEP promoveu já três outras ações deste tipo em 2016, 2018 e 2019, tendo a primeira proporcionado a exportação de 100 mil garrafas de vinho verde de 19 produtores, num negócio avaliado em 300 mil euros, e a última (em 2019) resultado na exportação de 234 mil garrafas de vinho oriundas de todas as regiões de Portugal, num negócio de cerca de 600 mil euros.

O Brasil é destacado pela associação como o maior mercado da América Latina, a 9.ª economia mundial e o 5.º país mais populoso do mundo, possuindo uma população de cerca de 210,1 milhões de habitantes, a maior dos países da região.

Apesar da instabilidade social e política em que o país tem vivido, com repercussões na sua atividade económica, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,4% em 2019, em termos reais, a que se seguiu uma contração de -5,3% em 2020 no contexto da pandemia, segundo dados das Nações Unidas (de março de 2021), que projetam uma recuperação de 3,2% em 2021 e 2,2% em 2022.

Na balança comercial de bens, em 2020, o Brasil foi o 11.º mercado de destino das exportações portuguesas (4.º fora do espaço da UE, após o ‘brexit’), com um peso de 1,4% (correspondendo a 728 milhões de euros), e o 9.º maior fornecedor, com um peso de 2,4% (correspondendo a 1.640 milhões de euros de importações).

Em 2020, Portugal registrou um déficit de 912 milhões de euros com o Brasil, traduzindo uma taxa de cobertura de 44,4%.

Em termos de evolução do comércio bilateral, as exportações de bens para o Brasil recuaram 3,0% em 2020, enquanto as importações aumentaram 59,6%.

Em 2019, os produtos agrícolas representaram 50,4% das exportações portuguesas para o mercado brasileiro e os produtos alimentares 9,9%, números que recuaram 46,5% e 9,7%, respetivamente, no período de janeiro a julho de 2020.

Conforme salienta a associação, “apesar da pandemia, as exportações portuguesas de vinho para o Brasil registraram um crescimento anual de 23,4% em 2020, atingindo um novo máximo da série (iniciada em 2000), no valor de 67,8 milhões de euros, que representa 9,3% das exportações totais para o Brasil e 8,0% das exportações nacionais de vinho”.

Estes são “os pesos mais altos da série, evidenciando uma importância crescente no comércio internacional português”, destaca. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


terça-feira, 25 de agosto de 2020

Angola - Governo "acaba" com importação de produtos agrícolas para os quais já há resposta interna

O Governo angolano aprovou na segunda-feira, em Conselho de Ministros, na sua Comissão Económica, o fim da utilização de divisas do Estado para importar um conjunto alargado de produtos agrícolas para os quais o País já dispõe de produção interna que corresponde à procura

Entre os produtos incluídos na lista estão leguminosas, hortícolas e ainda transformados industrialmente, como o tomate, o feijão, cebola ou, entre outros, a batata-doce e a água engarrafada.

A Comissão Económica do Conselho de Ministros, que reuniu com a presença do Presidente João Lourenço, determinou que nenhuma divisa do Estado será, doravante, alocada à importação destes bens, embora tenha deixado que isso continue a ser feito por aqueles operadores que disponham de divisas próprias.

Porém, as taxas aplicadas à sua importação foram revistas em alta, o que torna substancialmente mais difícil e oneroso a sua compra no exterior.

Esta medida poderá ter um impacto importante nas grandes superfícies comerciais visto que algumas delas conseguem importar este tipo de produtos a preços mais baixos que aqueles proporcionados pelo mercado de oferta interno, devido, essencialmente, a problemas logísticos.

O ministro da Indústria e Comércio de Angola, Victor Fernandes, no final da reunião, explicou que a Comissão Económica do Conselho de Ministros que os recursos ordinários do tesouro vão ficar fora das verbas aplicadas na importação de produtos agrícolas para os quais já existe produção interna bastante. In “Novo Jornal” - Angola

sábado, 4 de abril de 2020

Macau – A importância de haver uma quarentena controlada para quem regresse do estrangeiro

O covid-19 não é de geração espontânea, é sempre importado de qualquer lado

Foi detectado esta sexta-feira o 43º caso de infecção com covid-19. De acordo com um comunicado do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, trata-se de uma mulher, residente de Macau, com 53 anos de idade, tendo a profissão de escriturária. No dia 4 de Fevereiro a doente e o marido foram a Portugal de férias e visitar familiares, tendo a doente contactado com um parente diagnosticado, no dia 26 de Março, com pneumonia causada pelo novo tipo de coronavírus.

O casal apanhou um voo a 30 de Março de Lisboa, com escala na Holanda (voo n.º KL1694, lugar n.º 1D), com destino Hong Kong (voo n.º KL887 – lugar n.º 5C) no mesmo dia. Chegados ao aeroporto internacional de Hong Kong, o casal foi transportado para Macau através do transporte especial cedido pelo Gabinete de Gestão de Crises do Turismo através da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.

O comunicado dá conta que, chegados ao território, a mulher “não manifestou quaisquer sintomas, tendo apresentado uma temperatura corporal era normal”. A residente ficou na Pousada Marina Infante a cumprir os 14 dias de quarentena obrigatória.

Esta sexta-feira, dia 3, foram realizados os testes de zaragatoa nasofaríngea, tendo os os resultados sido positivos para o novo tipo de coronavírus. Foi feito então o diagnóstico de covid-19, com confirmação de pneumonia.

Neste momento “a doente está em condições clínicas consideradas normais e internada na enfermaria de isolamento do Centro Hospitalar Conde de São Januário para tratamento”. Já o marido “é considerado como o contacto próximo e será encaminhado às instalações dos Serviços de Saúde para a observação médica”. In “Hoje Macau” - Macau

terça-feira, 17 de março de 2020

China - Número de casos importados de Covid-19 excede número de infecções locais pelo terceiro dia consecutivo


O número de novos casos importados de coronavírus entretanto confirmados na parte continental da China superou o número de novas transmissões e infecções locais pelo terceiro dia, segundo dados oficiais. As autoridades locais afirmam que a contenção de casos “importados” é a “prioridade máxima” nesta altura.

De acordo com a Comissão Nacional de Saúde (NHC, na sigla inglesa), um total de 16 novos casos foram confirmados no domingo, 12 dos quais tendo chegado do exterior e confirmados na China

Pequim está agora a reforçar a aplicação da lei para conter casos importados, numa altura em que muitas pessoas regressam de países atingidos pelo vírus. Actualmente, existem 120 mil entradas diárias no país, desde que a OMS declarou o Covid-19 uma pandemia na semana passada, de acordo com dados emitidos pela Administração Nacional de Imigração.

O vírus mortífero, detectado inicialmente na província de Hubei, abrandou na China, à medida que se espalha rapidamente pelo resto do mundo. A Itália relatou 1809 mortes e 853 pessoas perderam a vida no Irão na segunda-feira.

Os passageiros que não cooperaram com as autoridades alfandegárias à entrada no país, incluindo esconder ou forjar informação sobre a sua saúde e medidas de quarentena, poderão ser punidos, segundo um comunicado emitido pelas autoridades competentes.

Várias cidades e províncias, incluindo Pequim e Xangai, anunciaram uma quarentena de 14 dias para pessoas provenientes do exterior. Oficiais de Pequim disseram que todos os viajantes internacionais ficarão de quarentena num local isolado, pagando os custos desse período.

Catorze pessoas morreram no domingo, aumentando o número total de mortes da pandemia na China para 3213. Os 14 óbitos ocorreram na província de Hubei, o epicentro do surto, segundo Mi Feng, porta-voz da NHC.

Até domingo, existiam 148 casos de infecção na Região Administrativa Especial de Hong Kong, 11 em Macau. In “Portuguese People” - China

terça-feira, 5 de março de 2019

Macau - Crescimento de 31,3% nas importações de países lusófonos



Macau importou em Janeiro mercadorias dos países lusófonos no valor de 95 milhões de patacas, um crescimento de 31,3% em comparação a igual período de 2017. As exportações de Macau para os países de língua portuguesa cresceram no primeiro mês do ano, mas o défice da balança comercial com os países lusófonos continua a aumentar. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), Macau exportou para os países lusófonos mercadorias no valor de 122 mil de patacas, um aumento de 670%, face a igual período do ano passado, mas muito inferior aos 95 milhões de patacas em produtos importados.

No total, as exportações do território subiram 24,6% até final de Janeiro, para 1,53 mil milhões de patacas, mas o défice da balança comercial continua a aumentar fruto do crescimento das importações em 7,2%, para 8,97 mil milhões de patacas. As exportações para a China continental atingiram, no período em análise, 167 milhões de patacas, uma quebra de 21,9% face a idêntico período do ano passado.

O valor das exportações para as nove províncias do Delta do Rio das Pérolas caiu 23,8%. As vendas para os Estados Unidos e União Europeia subiram 74,9% e 27,9%, respectivamente. Também as exportações para a vizinha Hong Kong aumentaram 38,6% para 1,12 mil milhões de patacas. O valor total do comércio externo de mercadorias em Macau correspondeu a 9,59 mil milhões de patacas, mais 9,4% face ao período idêntico de 2017.

Em 2018, Portugal exportou para Macau mercadorias no valor de 329 milhões de patacas, um crescimento de 23,2% em comparação com 2017, de acordo com dados oficiais. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), os produtos mais exportados de Portugal para Macau no ano passado foram bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres (78,5 milhões de patacas) e vestuário e acessórios (66,5 milhões de patacas). In “Ponto Final” - Macau

sábado, 29 de dezembro de 2018

Mercosul na rota de uma crise

SÃO PAULO – Se o Mercosul nunca teve poder de fogo para negociar um acordo de livre-comércio com a União Europeia (UE), pois não dispõe de tratado de grande amplitude com outro bloco, a partir de agora é que não terá cacife para dar continuidade a negociações que já duram mais de duas décadas. Provavelmente em concordância com integrantes da nova administração federal, o governo Temer, em fim de mandato, decidiu reduzir de 16% para 0% as alíquotas de importação para 41 bens de informática e telecomunicações, além de promover o mesmo corte para 535 bens de capital.

Com isso, é de se imaginar que o Mercosul não só está com os dias contados como a indústria brasileira também, pois, afinal, pressionada pelas despesas do chamado custo Brasil – infraestrutura logística deficiente, carga tributária excessiva, juros altos e burocracia aduaneira –, com a redução unilateral das tarifas para os produtos importados, não terá preço competitivo para os seus manufaturados no mercado externo e tampouco no interno.

A decisão da Secretaria Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), publicada no Diário Oficial da União (DOU), de 11 de dezembro de 2018, coloca por terra também todo o esforço, tempo e recursos gastos pelo governo nas negociações com a UE, pois, a partir de agora, o Brasil, principal parceiro do Mercosul, se já reduziu por sua própria conta as tarifas para tantos produtos, pouco terá a oferecer aos europeus em troca de possíveis concessões.

Na verdade, a impressão que se tinha até aqui é que o Mercosul já havia cedido à UE mais do que devia e estava apenas à espera de um gesto de boa vontade por parte dos negociadores europeus. Como se sabe, os maiores obstáculos estariam no setor agrícola, onde os europeus, especialmente os franceses, não querem ceder em seu espaço um milímetro sequer para produtos sul-americanos, como carne, etanol, açúcar e arroz, impondo cotas mais baixas que as oferecidas anteriormente.

Diante disso, ao Mercosul, se sobreviver às intenções do novo governo brasileiro, só restará buscar acordos com outros parceiros, como a Coreia do Sul, o Canadá e o México, que já vinham sendo discutidos. E, quem sabe, um acordo mais amplo com os Estados Unidos, que poderia funcionar como um meio de pressão sobre os europeus com vistas a uma retomada das negociações com o Mercosul, pois, afinal, com a livre entrada de produtos norte-americanos nos mercados sul-americanos, a UE teria de oferecer mais vantagens para preservar a sua fatia.  

O problema é que, hoje, com a saída do Reino Unido do bloco, o chamado Brexit, e a impopularidade do presidente Emmanuel Macron e o ativismo dos “coletes amarelos” na França, a UE não tem condições políticas para ceder em suas negociações com o Mercosul. Pelo contrário. Essas circunstâncias aliadas à recente decisão do governo Temer de reduzir de forma unilateral tarifas de produtos, sem objetivar nenhuma compensação por parte de outros parceiros, colocaram o Mercosul na rota de uma crise que poderá ser fatal para a sua sobrevivência. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

China – Proíbe a importação de “lixo estrangeiro”

Desde o passado dia 01 de Janeiro de 2018 que a China, o maior importador de resíduos de plástico, proibiu a importação de “lixo estrangeiro”.

Entre os países que mais exportavam resíduos de plástico estão o Reino Unido, os Estados Unidos e o Japão. Só o Reino Unido enviou desde 2012 mais de 2,7 milhões de toneladas de plástico.

Com esta proibição por parte da China, vai obrigar os países que mais utilizavam o mercado chinês como um autêntico vazador, a tomarem medidas contra o desperdício de embalagens e outros recipientes de plástico, voltando a redescobrir produtos que sejam reutilizáveis. Baía da Lusofonia

domingo, 1 de outubro de 2017

Catalunha – Comércio Internacional

Portugal é o quarto cliente da Catalunha. Trocas comerciais e investimento recíproco têm aumentado. Portugal está em décimo lugar na lista de fornededores da região

A Comunidade da Catalunha tem uma população de 7,5 milhões de habitantes, 16% do total da população espanhola, e com quase 20% do total, é a comunidade que mais contribuiu para o produto interno bruto (PIB) de Espanha.

O PIB médio per capita espanhol foi de 22 780 euros. A Catalunha atingiu 26 996 euros por habitante, o quarto no ranking espanhol e que em termos relativos corresponde a 119% do país.

A Catalunha tem um forte cariz industrial, com base no têxtil, mas desenvolveu em paralelo outros setores como automóvel, plásticos, químicos, farmacêutico, a eletrónica, entre outras. A biotecnologia, energias renováveis ou reciclagem são exemplos de novas indústrias, que par das atividade terciárias das TIC, audiovisuais, logística ou turismo compõem o atual tecido económico catalão.

As exportações da Catalunha ultrapassam os 60 mil milhões de euros e as importações atingem os quase 72 mil milhões de euros e têm estado a aumentar.

 Em termos do ranking de clientes da Catalunha, em 2014, o primeiro lugar foi de França, seguida da Alemanha e da Itália. Portugal ocupa a quarta posição com uma quota de 6,8% sobre o total. Entre os fornecedores Portugal está em décimo lugar, com uma quota de 2,4% sobre o total, numa lista em liderada pela Alemanha, seguida de França e da China

No primeiro semestre 2017, a região autónoma da Catalunha foi o principal exportador de Espanha para Portugal com um total de 2334 milhões de euros, seguida da Comunidade de Madrid com 1502 milhões e em terceiro lugar a Galiza com 1313 milhões. Em relação às vendas de Portugal a Espanha, neste mesmo período o primeiro comprador é a Comunidade de Madrid 1011 milhões, seguida da Galiza com quase 1000 milhões e em terceiro lugar a Catalunha com 836 milhões.

Mais investimento

Em 2016  a Catalunha tinha exportado 4366 milhões de euros, ou seja, 24% do total exportado, que ascendeu a 18188 milhões de euros, com destaque para o vestuário, a indústria química e os veículos de transporte. Em segundo lugar, aparece a Comunidade de Madrid com 2700 milhões de euros.

Em relação às compras espanholas a Portugal, também em 2016, o principal comprador é a Galiza com 1924 milhões, seguida da Catalunha com 1.684 milhões e em terceiro lugar a Comunidade de Madrid com 1586 milhões. O valor global das transações entre os dois países em 2016 foi de 28787 milhões de euros. Mais de 50% do total é destas três comunidades.

Nos últimos anos a Catalunha concentrou 17% do Investimento Direto Estrangeiro (IDE) em Espanha, em consonância com as sedes sociais das principais empresas. De Portugal chegou 3,4% do total do IDE no país, sendo que deste 3%, foi para a Catalunha. A comunidade catalã investiu 3,9% do total espanhol em Portugal.

Em relação ao investimento catalão em Portugal, existem vários como a SEAT, Bimbo, Nutrexpa, Panrico, Freixenet, entre outros, mas, o principal investidor é o grupo financeiro La Caixa, com um importante investimento no banco BPI. Entre as empresas portuguesas sediadas na Comunidade da Catalunha estão por exemplo o Grupo Amorim, Barbosa e Almeida, CIN Indústria, Endutex, Grupo Pestana, Inapa, José de Mello Saúde, Logoplast ou Sonae. In “Semanário Sol” - Portugal