Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Internacional - Faculdade de Medicina da Universidade do Porto propõe nova abordagem para reduzir risco cardiovascular em doentes com diabetes tipo 2

Estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Medicina avaliou a eficácia de dois fármacos combinados para reduzir de forma adicional o risco cardiovascular

Um estudo internacional liderado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que a combinação de dois fármacos específicos, bem conhecidos pelos médicos, pode reduzir o risco de doença cardiovascular em doentes com diabetes tipo 2.

Neste trabalho, a equipa avaliou dois grupos de fármacos com benefícios significativos e amplamente usados e seguros, mas cujo impacto do tratamento sob a forma combinada ainda não era suficientemente claro.

Segundo João Sérgio Neves, médico e investigador da FMUP, os resultados revelaram que “a utilização dos dois fármacos em simultâneo reduz de forma adicional o risco cardiovascular”, podendo contribuir para que os médicos e os doentes passem a optar com maior frequência pela utilização deste tratamento.

O investigador salienta que este é mais um pequeno passo para combater a morbilidade e a mortalidade associadas à doença cardiovascular na diabetes tipo 2, sublinhando que “os diabéticos têm um risco de enfarte do miocárdio ou AVC duas a quatro vezes superior à restante população”.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores efetuaram uma análise ao estudo internacional Harmony Outcomes, no qual havia sido avaliado o impacto do tratamento com um medicamento antidiabético da classe dos agonistas do recetor do GLP-1 em doentes diabéticos com alto risco cardiovascular.

Nesta população, os investigadores avaliaram o impacto do tratamento com um agonista do recetor do GLP-1 nos doentes com e sem tratamento simultâneo com medicamentos da classe dos inibidores SGLT2 (outro grupo de medicamentos com benefícios cardiovasculares conhecidos). Posteriormente, os resultados obtidos foram combinados com os dados de um outro estudo internacional – Amplitude-O – o que permitiu avaliar o impacto da terapêutica combinada em mais de mil doentes.

Nova recomendação em vigor

Já após a publicação deste estudo, a Sociedade Europeia de Cardiologia atualizou as suas guidelines, passando a recomendar que todos os doentes com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular sejam tratados com as duas classes de fármacos em combinação, “desde que tenham indicação clínica e não apresentem contraindicações ou intolerância”, salientam os investigadores.

O artigo científico foi recentemente publicado na “Revista do Colégio Americano de Cardiologia”, uma das mais relevantes publicações da área cardiovascular.

Intitulado «GLP1 Receptor Agonist Therapy with and Without SGLT2 Inhibitors in Patients with Type 2 Diabetes», o trabalho é assinado pelos investigadores da FMUP João Sérgio Neves, Marta Borges-Canha, Francisco Vasques-Nóvoa, Davide Carvalho, Adelino Leite Moreira e João Pedro Ferreira. Universidade do Porto - Portugal


sábado, 5 de agosto de 2023

Internacional – Diabetes tipo 2, cientistas descobrem gene que regula açúcar no sangue

Estudo analisou mais de 55 mil pessoas em todo o mundo para perceber o que mudou na genética quando se é diagnosticado com diabetes tipo 2


A insulina, hormona que regula os níveis de açúcar no sangue, desempenha um papel crucial no desenvolvimento do diabetes tipo 2. Por isso, os investigadores da Universidade Cambridge propuseram-se a estudar os mecanismos que subjazem à resistência à insulina após a ingestão de uma refeição ou bebida açucarada, um fator crítico nesta patologia.

Neste estudo que reuniu informações de mais de 55 mil indivíduos de todo o mundo – e sobre uma doença de prevalência crescente e que afeta milhões -, a equipa internacional analisou dados genéticos de 28 estudos para identificar variantes genéticas que influenciam os níveis de insulina após um teste de glicose.

A pesquisa descobriu 10 novos loci (zonas do genoma) associados à resistência à insulina, oito dos quais também foram associados a um risco mais elevado de diabetes tipo 2. Ao detalhe, dentro daquelas regiões do gene, ressaltou um dos aspetos relacionados o transporte de glicose da corrente sanguínea para as células após a ingestão de comida. Ora, quantidades diminuídas desse mesmo ‘transportador’, o GLUT4, no tecido muscular foram associadas a esta variante genética.

Para os investigadores, esta análise pode abrir caminho para futuros tratamentos para a doença que atínge pessoas que lutam para regular os níveis de glicose devido à secreção inadequada ou resistência à insulina.

“Sabemos que existem algumas pessoas com doenças genéticas raras específicas nas quais a insulina funciona de forma completamente normal em jejum, quando atua principalmente no fígado, mas muito mal após uma refeição, quando atua principalmente no músculo e na gordura”, diz o Stephen O’Rahilly, codiretor do Wellcome-MRC Institute of Metabolic Science, citando um comunicado da Universidade de Cambridge. “O que não ficou claro é se esse tipo de problema ocorre mais frequentemente na população em geral e se é relevante para o risco de contrair diabetes tipo 2”. In “Delas” - Portugal