Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 6 de setembro de 2025

Luxemburgo entre os países da UE com melhor acesso a cuidados dentários e Portugal entre os piores

Em 2024, só 3% da população no Luxemburgo ficou sem cuidados dentários por falta de meios, enquanto Portugal surge como o quarto país da UE com mais dificuldades de acesso


O Luxemburgo é um dos países da União Europeia (UE) onde a população enfrenta menos dificuldades no acesso a cuidados de saúde dentários. Em 2024, apenas 3% das pessoas que vivem no Grão-Ducado não conseguiram aceder a cuidados dentários, segundo dados divulgados recentemente pelo Eurostat. Já Portugal é o quarto país da UE onde um maior número de pessoas não tem acesso a cuidados dentários: 15,4% da população indicou que não conseguiu ir ao dentista.

Em 2024, 6,3% das pessoas com 16 anos ou mais na União Europeia que precisavam de cuidados odontológicos relataram que não conseguiram recebê-los devido a “razões financeiras, longas listas de espera ou distância dos dentistas”, refere o Eurostat.

Entre os países da UE, a proporção de pessoas com necessidades de cuidados dentários não satisfeitas foi mais elevada na Grécia (27,1%), Letónia (16,5%), Roménia (16,2%) e Portugal (15,4%). As percentagens mais baixas foram observadas em Malta (0,4%), Alemanha (0,9%), Croácia (1,1%) e Hungria (1,5%), com Luxemburgo a ocupar a 11.ª posição neste ranking europeu.

Os dados mostram ainda que a proporção de pessoas em risco de pobreza que relataram necessidades de cuidados dentários não atendidas (13,7%), em 2024, foi substancialmente maior do que a registada entre a população sem essa vulnerabilidade económica (5,1%).

Um padrão semelhante foi verificado em todos os países da UE, com diferenças mais significativas nuns do que noutros. No Luxemburgo, a percentagem sobe de 3% para 7% entre os mais vulneráveis, um desfasamento reduzido em comparação com a realidade europeia. Já em Portugal, o contraste é mais acentuado: de 15,4% na população em geral para 32,5% entre quem vive em risco de pobreza.

Apoios estatais

A discrepância entre Luxemburgo e Portugal, que ocupam posições quase opostas no acesso aos cuidados dentários, pode ser explicada em parte pelos distintos modelos de apoio estatal.

No Grão-Ducado, a Caisse Nationale de Santé (Caixa Nacional de Saúde, CNS) cobre uma vasta gama de atos de medicina dentária, garantindo o reembolso integral para menores. Os tratamentos comparticipados vão de consultas normais e urgentes a desvitalizações, extrações dentárias, assim como tratamentos ortodônticos e protéticos.

Em Portugal, desde 2016 que os centros de saúde passaram a disponibilizar consultas de medicina dentária, assegurando aos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) referenciados pelo médico de família o acesso a cuidados e tratamentos básicos sem pagamento de taxa moderadora. Contudo, no âmbito destas consultas podem ser estabelecidos planos de tratamentos e ser cobrados valores de acordo com a tabela de estomatologia em vigor.

Existe ainda o cheque-dentista, um vale emitido pelo SNS que dá acesso gratuito a consultas e tratamentos de medicina dentária, quer em unidades de saúde públicas como em consultórios privados aderentes, de acordo com a informação disponível no site do SNS. Contudo, a cobertura é mais restrita, não incluindo vários tratamentos, como ortodontia ou próteses, abrangendo sobretudo as áreas da prevenção, diagnóstico e tratamentos básicos.

Os cheques-dentista também só são atribuídos a grupos populacionais considerados prioritários, que apresentem particular vulnerabilidade, nomeadamente menores, grávidas em acompanhamento pré-natal no Serviço Nacional de Saúde (SNS), beneficiários do Complemento Solidário para Idosos que sejam utentes do SNS, portadores do VIH/SIDA e pessoas em situação de risco aumentado de cancro oral. Uma parte significa da população portuguesa continua, assim, dependente do setor privado, suportando custos elevados. Sofia Cristino – Portugal in “Contacto”


sábado, 18 de julho de 2020

Portugal - Universidade de Coimbra quer prevenir transmissão do vírus no sistema de Saúde

Um projeto para criar um programa de monitorização para prevenir a transmissão da covid-19 no Serviço Nacional de Saúde (SNS) está sendo desenvolvido por uma equipe multidisciplinar da Universidade de Coimbra.

“Com o objetivo de criar um programa de monitorização para prevenir a transmissão do coronavírus SARS-CoV-2 nas instituições do SNS”, uma equipa multidisciplinar da Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver “um estudo para identificar os pontos críticos de contaminação em diversas superfícies e no ar interior, e verificar a eficácia das medidas de higienização implementadas nos espaços”, revela a UC.

Envolvendo investigadores das faculdades de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e de Medicina (FMUC) da UC e o Serviço de Nefrologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), o projeto tem um financiamento de 40 mil euros da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no âmbito da iniciativa ‘Research4Covid – Projetos de implementação rápida para soluções inovadoras’.

Na primeira fase, o trabalho vai incidir numa unidade de hemodiálise, desde logo pelas características dos doentes, que apresentam concomitantemente muitas patologias e são, portanto, uma população com risco acrescido para a covid-19, mas também devido às particularidades deste tipo de serviço.

“As unidades de diálise são habitualmente locais de excelência na aplicação de processos de controle de infecção, tendo ciclos bem definidos de entrada e saída de doentes e um programa de limpeza e desinfecção bem estabelecido, o que ajudará” a estabelecer “indicadores para outras unidades de saúde”.

Além de identificar os pontos em que o risco de presença de vírus é maior e determinar a melhor metodologia para o monitorizar, o projeto visa ainda avaliar a eficácia de dois equipamentos de purificação de ar no que respeita ao SARS-CoV-2.

Um desses aparelhos utilizará radiação ultravioleta e outro filtros HEPA (sigla que se refere a High Efficiency Particulate Air), para ser possível perceber o grau de contaminação do ar e avaliar especificamente a eficácia destes aparelhos para garantir que o ar não contém vírus.

“O nosso ponto de partida é a investigação da contaminação no interior de uma unidade de saúde com doentes covid-19”, adianta Gil Correia, investigador principal no projeto, referindo que admite que a transmissão entre pessoas “ocorra, sobretudo, por contacto e através da via aérea”.

O contágio por contato “pode dar-se por transmissão direta entre pessoas (por exemplo, aperto de mão) ou por contatos com superfícies (por exemplo puxadores das portas) em que, depois de contaminada, a pessoa toca na face e é possível que o vírus entre através das mucosas”.

Já a transmissão aérea “pode ser por gotículas ou por aerossóis em determinadas circunstâncias”, explicita Gil Correia, sublinhando que “os equipamentos de proteção individual são fundamentais para impedir a transmissão do vírus”.

Mas “também é fundamental garantir a segurança dos espaços e reduzir a probabilidade de transmissão para todas as pessoas que os frequentam, utentes e profissionais”, sustenta o investigador.

Para isso, os especialistas vão efetuar múltiplas colheitas em várias superfícies, “como mesas, cadeiras, equipamentos médicos, puxadores de portas e outros, de forma a quantificar a presença do vírus nas mesmas”, esclarece.

“Faremos também várias colheitas de ar para determinar o grau de contaminação do ar interior pelo vírus, bem como nos filtros do sistema de ventilação, para assegurar o seu correto funcionamento e garantir que não existe emissão de vírus por esta via”, acrescenta o investigador da FMUC.

Essas colheitas serão realizadas em momentos diferentes, permitindo aferir os locais com maior propensão para deposição viral.

“Todas as colheitas serão feitas em duplicado, antes e após o processo de higienização do espaço”, refere Gil Correia, notando que, desta forma, os especialistas pretendem “confirmar a eficácia dos processos de limpeza e desinfeção”.

Com a informação fornecida pela análise das colheitas, os estudiosos vão determinar quais os pontos críticos que devem ser avaliados futuramente num programa de monitorização de qualidade nas unidades de saúde.

Os pesquisadores esperam concluir até final do ano um protótipo de programa para que possa ser testado em diferentes unidades do SNS. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”