Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Portugal - Universidade de Coimbra estuda impacto dos incêndios nos animais selvagens

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai investigar, nos próximos meses, o efeito dos incêndios florestais ocorridos, em agosto, na fauna a nível nacional. Adicionalmente, e no seguimento dos trabalhos já em curso, será dado um destaque particular à monitorização das populações de cervídeos.


O projeto “Mapear para Proteger!”, desenvolvido por investigadores do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da FCTUC, e integrado na iniciativa “Memórias da Floresta”, do HTC - Pólo CFE na NOVA FCSH, inclui o lançamento de uma plataforma digital aberta ao público, que permitirá aos cidadãos registar observações e, assim, contribuir para o estudo do impacto do fogo na floresta e nos animais.

«No caso particular da Serra da Lousã, e apesar desta zona já ter sido afetada por incêndios anteriormente, este ano, a área ardida é bastante extensa, o que implica um reforço na monitorização. Este ano, vamos alargar a área de monitorização, englobando tanto as áreas afetadas pelos incêndios, como as não ardidas, no sentido de perceber as consequências deste fenómeno no comportamento e movimentação dos cervídeos presentes na serra», explica Joana Alves, investigadora do CFE e responsável pelo projeto.

Além dos registos da população, os investigadores irão recorrer a pontos de observação, câmaras de fotoarmadilhagem e gravadores de áudio distribuídos por várias zonas da serra. Esta estratégia permitirá perceber se os animais estão a regressar às áreas ardidas ou se estão a movimentar-se para territórios adjacentes.

Esta investigação coincide com a época da brama do veado, fase reprodutiva caracterizada pelos intensos bramidos. Desde 2019, os investigadores registam estes sons para analisar o comportamento da espécie, a intensidade das vocalizações e os efeitos da pressão humana sobre a reprodução.

«Com os estudos que temos feito, foi possível concluir que os veados vocalizam menos em zonas ruidosas e próximas de parques eólicos, sobretudo aos fins de semana, quando há mais atividade humana. Como os bramidos são essencial durante a reprodução, estes resultados revelam que o ruído provocado pelo ser humano pode perturbar a comunicação da espécie e o seu sucesso reprodutivo», revela a também coordenadora do BeWild Lab.

Os investigadores alertam que os incêndios poderão ter um impacto relevante nas populações selvagens, reforçando a importância deste estudo para compreender a resiliência da fauna e a capacidade dos ecossistemas em manter e recuperar o equilíbrio ecológico. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Europa - Estudo da Science revela crise preocupante de dispersão de sementes

Um estudo, liderado por investigadores do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e publicado na prestigiada revista Science, revela que a Europa está a atravessar uma preocupante crise de dispersão de sementes.


Os resultados desta investigação mostram que um terço das 398 espécies de animais que dispersam sementes ou está já ameaçado de extinção ou as suas populações estão em declínio e poderão vir a enfrentar risco de extinção num futuro próximo. Por outro lado, pelo menos 190 espécies de plantas selvagens na Europa têm a maioria dos seus dispersores conhecidos ameaçados ou em declínio.

«Este estudo demonstra claramente que existe uma crise de dispersão de sementes em todos os biomas europeus. Por outro lado, evidencia ainda que apenas conhecemos os dispersores de 26% das espécies de plantas que produzem frutos carnudos da Europa, pelo que é urgente conhecer melhor quais os animais que podem ajudar as plantas selvagens a escapar das rápidas alterações climáticas e da desertificação, principalmente no Sul da Europa», alerta Sara Mendes, investigadora do CFE e primeira autora do estudo. 

Por sua vez, Rúben Heleno, professor do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC e coautor deste estudo, considera que «é necessário investira mais na investigação e na conservação do serviço de dispersão de sementes na Europa e no mundo, já que este serviço é fundamental para garantir um funcionamento sustentável e a resiliência das florestas.

As plantas não se movem e por isso dependem dos serviços dos animais que se alimentam dos seus frutos para levar as suas sementes para novos locais onde possam crescer. Proteger os animais selvagens que prestam este serviço, beneficiará não só os próprios animais, como também as plantas e todo o ecossistema, do qual depende em última análise a economia e a nossa própria qualidade de vida», nota o também investigador do CFE.

«Este serviço é essencial para recuperar áreas perturbadas, por exemplo por incêndios florestais, cheias ou atividades humanas, especialmente em paisagens muito fragmentadas por vias de comunicação, cidades e vilas, como as que dominam a Europa. Além disso, no atual cenário de alterações climáticas, os animais que se alimentam de frutos são essenciais para ajudar as plantas a acompanhar as alterações do clima, mudando-se para locais com condições mais favoráveis», concluem os especialistas.

A investigação reuniu informação de cerca de dois mil artigos, publicados entre 1660 e 2023, em 27 línguas e de 38 países, para identificar quais os animais que prestam este serviço de dispersão de sementes na Europa e qual o seu estado de conservação. A compilação desta informação demorou mais de três anos e resultou na maior rede de dispersão de sementes do mundo, e a primeira a reunir informação de um continente inteiro. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 19 de setembro de 2024

África - Centenas de elefantes irão ser mortos no Zimbabwé e na Namíbia devido à escassez de alimentos e água

No Zimbabwé, os elefantes serão retirados de uma área onde a população tornou-se insustentável


Zimbabwé e Namíbia anunciaram planos para abater centenas de elefantes selvagens e outros animais para alimentar moradores famintos em meio às severas condições de seca nos países do sul da África.

O Zimbabwé disse na segunda-feira que permitiria a matança de 200 elefantes para que a sua carne pudesse ser distribuída entre as comunidades carentes, enquanto na Namíbia a matança de mais de 700 animais selvagens - incluindo 83 elefantes - está em andamento como parte de um plano anunciado há três semanas.

Tinashe Farawo, porta-voz da Autoridade de Gestão de Parques Nacionais e Vida Selvagem do Zimbabwé, disse que seriam emitidas licenças para caçar elefantes em comunidades carentes e que a agência também mataria parte da cota total de 200 animais.

“Começaremos o abate assim que terminarmos de emitir as licenças”, disse Farawo.

As populações de elefantes do Zimbabwé tornaram-se insustentáveis

Os elefantes serão retirados de uma área onde a população tornou-se insustentável, disse Farawo. A caça ocorrerá em áreas como o Parque Nacional Hwange, no oeste árido do país, onde tem havido uma competição crescente entre humanos e animais selvagens por comida e água, já que o aumento das temperaturas torna os recursos mais escassos.

Hwange tem mais de 45.000 elefantes, mas agora tem capacidade para sustentar apenas 15.000, disse Farawo. A população geral do país de cerca de 100.000 elefantes é o dobro do que os parques nacionais do país podem sustentar, dizem autoridades do parque.

O fenómeno climático El Niño piorou a situação, com a agência de parques dizendo em dezembro que mais de 100 elefantes morreram devido à seca. Mais animais podem morrer de sede e fome nas próximas semanas, à medida que o país entra no período mais quente do ano, disse Farawo.

A Ministra do Meio Ambiente do Zimbabwé, Sithembiso Nyoni, disse ao Parlamento na semana passada que havia dado sinal verde para o programa de abate.

“De fato, o Zimbabwé tem mais elefantes do que precisamos, mais elefantes do que nossa floresta pode acomodar”, disse Nyoni.

Ela disse que o governo estava a preparar-se “para fazer como a Namíbia fez para que possamos abater os elefantes e mobilizar as mulheres para secar a carne, embalá-la e garantir que ela chegue a algumas comunidades que precisam da proteína”.

Abate de elefantes na Namíbia para reduzir o conflito entre humanos e animais selvagens

No mês passado, o governo da Namíbia aprovou o abate de 723 animais, incluindo 83 elefantes, 30 hipopótamos, 60 búfalos, 50 impalas, 300 zebras e 100 elandes, entre outros.

Os animais serão provenientes de cinco parques nacionais da Namíbia, onde o país também procura reduzir o número de elefantes em meio a conflitos entre pessoas e animais selvagens.

“Isto é necessário e está em linha com nosso mandato constitucional, onde os nossos recursos naturais são usados ​​para o benefício dos cidadãos da Namíbia", disse o porta-voz do departamento de meio ambiente Romeo Muyunda. "Este também é um excelente exemplo de que a conservação da caça é realmente benéfica."

O Botswana, que fica entre o Zimbabwé e a Namíbia, tem a maior população de elefantes do mundo, com 130.000, mas, diferentemente dos seus dois países vizinhos, não falou em abater os seus elefantes para alimentar o seu povo.

Guyo Roba, especialista em segurança alimentar e agricultura do grupo de estudos ambientais Jameel Observatory, sediado no Quénia, disse que as medidas governamentais no Zimbabwé e na Namíbia eram compreensíveis, dada a extensão da seca e o estado das suas populações animais.

“Eles estão a trabalhar contra uma população de vida selvagem que está acima da sua capacidade de suporte”, disse Roba.

“Então pode parecer controverso inicialmente, mas os governos estão divididos entre permanecer fiéis a algumas das suas obrigações em nível internacional em termos de conservação e apoiar a população”, disse Roba. Euronews

sábado, 24 de julho de 2021

Angola - Parque Nacional da Quiçama ameaçado com abate de animais por caçadores furtivos

Caça furtiva periga vida selvagem no Parque da Quiçama. Girafas, elefantes e outros animais de grande porte são os mais abatidos. Vida dos predadores é facilitada pela degradação da cerca eléctrica. Ao NJ, Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente diz que tem conhecimento da situação e que tem optado por medidas pedagógicas de sensibilização


Considerado um santuário da vida selvagem em Angola, o Parque Nacional da Quiçama, em Luanda, corre o risco de perder esse estatuto. Em causa está o actual estado de abandono em que se encontra a reserva e o abate de animais praticado por caçadores furtivos. Trata-se de uma situação

sabida pelo Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente (MCTA), que, em resposta a um questionário enviado pelo Novo Jornal, admite ter conhecimento do crescimento da caça furtiva naquela reserva natural.

O MCTA acrescenta que o abate de animais de grande porte é feito por caçadores que entram no parque quer por via fluvial, quer terrestre, colocando armadilhas e com recurso a arma de fogo do tipo AKM. Em contrapartida, o ministério assegura que, como medidas preventivas e de forma a desencorajar essas práticas, tem "enveredado por medidas pedagógicas primárias junto às comunidades locais viradas para a sensibilização".

Numa visita ao parque e em conversa com alguns funcionários, o NJ apurou que os passeios turísticos deixaram de ser feitos há mais de uma semana, por falta de viaturas. A única disponível, por sinal recentemente adquirida, encontra-se avariada. Em virtude disso, quem deseja fazer safari para ver os animais tem de o fazer por meios próprios. Teresa Fukiady – Angola in “Novo Jornal”

 


sábado, 4 de abril de 2020

China – Cidade de Shenzhen proíbe permanentemente a criação e consumo de animais selvagens

Uma das mais prósperas cidades chinesas, Shenzhen, emitiu hoje a proibição mais abrangente até à data de criação e consumo de animais selvagens, num esforço para evitar um surto futuro do coronavírus.

A covid-19 foi detectada pela primeira vez na cidade de Wuhan, centro da China, em dezembro passado, entre pacientes relacionados com um mercado da cidade que vendia animais selvagens, incluindo pangolim e civeta, além de carnes mais convencionais, como frango e peixe. O consumo de animais selvagens é sobretudo popular no sul da China, onde Shenzhen está situado.

Situada na fronteira com Hong Kong, Shenzhen tornou-se num centro global para fabrico de componentes eletrónicos e sede das principais firmas tecnológicas do país. Em 2002, o surto da pneumonia atípica, ou SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), foi inicialmente disseminado por pessoas que consumiam ou criavam e vendiam animais selvagens em áreas próximas de Shenzhen.

Os regulamentos estipulados pelas autoridades da cidade proíbem permanentemente o comércio e o consumo de animais selvagens, o que vai além da proibição temporária emitida pelo Governo central, em fevereiro passado, após o início do surto.

Para além de cobras, lagartos e outros animais selvagens, a diretriz, que cita razões humanitárias, proíbe ainda o consumo de carne de cão e gato, que são há muito tempo especialidades locais.

A proibição prevê multas a partir dos 150 mil yuans, valor que aumentou consideravelmente, dependendo da quantidade de animais apreendidos.

A medida não restringe a criação de animais selvagens para fins medicinais, que tem sido criticada como cruel e perigosa para a saúde pública, embora o consumo desses animais para alimentação passe a ser proibido. In “Hoje Macau” - Macau

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

França - Milhares de pessoas juntam-se para comprar zoo e libertar animais

Mais de 22 mil pessoas juntaram-se para comprar um jardim zoológico francês e salvar os animais



Os membros da ONG Rewild lançaram uma campanha de crowdfunding, no dia 17 de dezembro, para comprar o jardim zoológico de Pont-Scorff, na Bretanha. Em apenas cinco dias, a campanha reuniu os 600 mil euros necessários para montar o projeto que vai transformar o local num centro de reabilitação para animais vítimas de tráfico ilegal.

A campanha continua a receber donativos, já que o objetivo foi elevado para 1 milhão de euros, que serão usados para manter o projeto em atividade e financiar os salários dos funcionários do zoológico, os alimentos e tratamentos veterinários para animais e para adaptar das instalações. Atualmente, já arrecadaram 710 mil euros do milhão necessário para realizar todo o projeto

A organização vai estudar quais dos animais podem ser efetivamente libertados e quais acabarão num santuário que lhes permita sentir que são livres, mantendo os cuidados e vigilância necessária.

A Rewild manteve também todos os antigos funcionários contratados pelo zoológico, para garantir a familiaridade que os 560 animais já têm com eles, trabalhando assim com os mesmos veterinários e cuidadores.

A organização está agora a desenvolver um modo de financiamento sustentável alternativo para o zoológico, que não tenha como base a exibição dos animais, como acontece nos jardins zoológicos. In “Sapo” - Portugal