Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Internacional - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e Universidade do Texas em Austin propõem terapia inovadora contra o cancro

O cancro é a segunda principal causa de morte no mundo e continua a desafiar os sistemas de saúde. Os tratamentos convencionais — como quimioterapia, radioterapia e cirurgia — enfrentam limitações, incluindo baixa eficácia, resistência e efeitos adversos, enquanto alternativas como imunoterapia e terapias direcionadas são caras e nem sempre acessíveis.


É nesse sentido que um estudo, desenvolvido por uma equipa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e da norte-americana The University of Texas at Austin (UT Austin), e recentemente publicado na conceituada revista American Chemical Society (ACS Nano), poderá abrir caminho a novas abordagens na terapia do cancro.

Através de uma terapia fototérmica (PTT), que utiliza nanomateriais capazes de transformar luz em calor para destruir células tumorais de forma localizada e seletiva, os investigadores exploraram o potencial da transformação de pó de dissulfeto de estanho (SnS) em nanoflocos de óxido de estanho (SnOx), que têm uma propriedade chave: absorvem luz no infravermelho próximo (NIR) e transformam essa energia em calor (efeito fototérmico), gerando um aquecimento localizado.

Os nanoflocos atuam como “nano-aquecedores” seletivos dentro do meio celular, e quando iluminados por esta luz, invisível ao olho humano e que consegue atravessar a pele e os tecidos, aquecem e destroem as células cancerígenas, poupando as saudáveis.

Em apenas 30 minutos de exposição, esse calor é suficiente para matar células cancerígenas (que são mais sensíveis ao stress térmico), ao passo que as células saudáveis mostraram ser menos afetadas, revelando a seletividade do tratamento, graças à penetração, de forma eficiente nos tecidos biológicos, da luz NIR.

Sucesso no combate ao cancro do cólon e da pele

Entre os tipos de cancro mais impactantes, o cancro colorretal destaca-se como uma das principais causas de mortes relacionadas ao cancro, enquanto o cancro de pele é um dos cancros mais frequentemente diagnosticados em todo o mundo.

O número de novos casos de cancro tem aumentado consistentemente e as projeções sugerem que poderá ultrapassar os 35 milhões até 2050, representando um aumento de 70% em comparação com os níveis atuais, algo que esta investigação pretende mitigar.

Os testes celulares in vitro com os nanoflocos de SnOx mostraram biocompatibilidade e um efeito anticancerígeno contra duas linhas celulares de cancro SW837 e A431, responsáveis, respetivamente, pelo aparecimento dos cancros do cólon e da pele, não afetando as células saudáveis (HFF-1).

Os benefícios biomédicos deste procedimento são significativos: esta terapia fototérmica não envolve químicos tóxicos como na quimioterapia, e o seu efeito localizado e controlável, aliado ao uso de nanoflocos de SnOx, melhora bastante a eficiência graças à conversão de luz em calor de forma muito eficaz.

Ao contrário dos lasers tradicionalmente usados em terapias fototérmicas, que são caros, complexos e com riscos acrescidos para os tecidos saudáveis, os LEDs oferecem uma alternativa muito mais acessível, segura e portátil. Esta simplicidade poderá abrir caminho a tratamentos fora do ambiente hospitalar e em países onde o acesso a tecnologias médicas avançadas é limitado.

Colaboração transatlântica

Este trabalho resulta da colaboração de longa duração entre Artur Moreira Pinto, investigador da unidade de investigação LEPABE / ALiCE da FEUP, e Jean Anne C. Incorvia, professora associada de Engenharia Eletrotécnica e Informática na UT Austin, no âmbito do programa UT Austin Portugal, uma parceria entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e a The University of Texas at Austin.

Para Artur Moreira Pinto, os frutos desta investigação pretendem criar opções mais sustentáveis, seguras e orientadas para os doentes. “Mostrámos que é possível combinar nanomateriais com LEDs para obter uma fototerapia eficaz e seletiva contra células tumorais. Os LEDs, ao contrário dos lasers, são mais seguros, baratos e de pequenas dimensões”.

“Para além dos ensaios in vitro com SnOx, já alcançámos resultados promissores com outro nanomaterial, o grafeno, em modelos mais complexos e desenvolvemos dispositivos capazes de administrar a terapia em tumores. O nosso objetivo é continuar a desenvolver abordagens mais acessíveis e seguras, contribuindo para terapias mais eficazes e com menor risco de recorrência”, afirma o investigador da FEUP e coordenador do projeto em Portugal.

Os outros coautores do artigo são: Hui-Ping Chang, estudante de doutoramento que liderou o trabalho na UT Austin, no desenvolvimento e caracterização do novo nanomaterial; Eva Nance, estudante da UT Austin que contribuiu com a caracterização dos materiais; Filipa Silva, estudante de doutoramento da U.Porto que realizou a caracterização biológica e visitou a UT Austin; Susana G. Santos, investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da U.Porto (i3S), que supervisionou o trabalho; Fernão Magalhães, professor da FEUP, que contribuiu para a aquisição de financiamento e supervisionou o trabalho; e José R. Fernandes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que desenvolveu os sistemas LED. Universidade do Porto - Portugal



segunda-feira, 30 de junho de 2025

Portugal – Universidade do Porto estabelece parceria com a terceira melhor universidade asiática

Nanyang Technological University, de Singapura, é a segunda melhor do mundo na área da engenharia de materiais e vai colaborar com a FEUP no desenvolvimento de projetos na área da inovação industrial


A Universidade do Porto e a Nanyang Technological University (NTU), de Singapura, acabam de estabelecer um protocolo de cooperação na área da inovação industrial e na produção conjunta de investigação no domínio da manufatura avançada, a qual poderá qualificar substancialmente a capacidade de resposta da academia às necessidades da indústria.

O protocolo assinado pelo reitor da U.Porto, António de Sousa Pereira, prevê, para já, o intercâmbio de investigadores entre a Faculdade de Engenharia (FEUP) e o Singapore Center for 3D Printing, assim como a “colaboração bilateral” em domínios estratégicos como a indústria naval e offshore, a construção civil, a defesa e o desenvolvimento aeroespacial, a bioengenharia, a eletrónica e o design para impressão 3D.

A NTU, refira-se, é a 12ª classificada no ranking QS de universidades de 2026, divulgado este mês, o qual avalia anualmente 8467 instituições de ensino superior de todo o mundo. É a terceira melhor no continente asiático e ocupa o segundo lugar na área da engenharia de materiais. É ainda a quinta a nível mundial no domínio da ciência de dados e da Inteligência Artificial.

A Universidade do Porto, recorde-se, ocupa a 237ª posição deste ranking, tendo subido 41 lugares no último ano e entrado, pela primeira vez, no top 250 mundial.

Segundo António de Sousa Pereira, este protocolo dá sequência à estratégia de internacionalização traçado pela Universidade do Porto, o qual procura alavancar as capacidades próprias mediante a colaboração com estabelecimentos de ensino superior de referência a nível mundial nas mais diversas áreas, “conforme sucedeu, por exemplo, com a Aliança Europeia de Universidade para a Saúde Global (Eugloh), da qual fomos fundadores”.

“Neste caso, pode tratar-se do primeiro passo para a criação, no Porto, de um centro de investigação avançada para desenvolvimento de projetos em ligação com a indústria”, considera o reitor, acrescentando que, embora nesta primeira fase só a FEUP esteja incluída no protocolo, esta colaboração poderá ser alargada a outras unidades orgânicas da U.Porto.

Também o diretor da FEUP, Rui Calçada, enfatiza o “importante avanço” que este acordo representa para a estratégia de internacionalização da FEUP, acrescentando que o protocolo “reforça o nosso posicionamento em áreas de elevada intensidade científica e tecnológica, como a Manufatura Avançada”. “A parceria com uma universidade de referência mundial como a NTU permitirá potenciar sinergias em projetos de investigação e inovação com forte ligação à indústria, criando novas oportunidades para os nossos investigadores e estudantes”, sublinha o diretor da FEUP.

Rui Calçada diz ainda que, com este acordo, “a FEUP fortalece a sua presença na Ásia e estabelece uma ligação privilegiada com uma das mais prestigiadas instituições de ensino superior da região, reconhecida pelo seu dinamismo na investigação aplicada e pela forte ligação ao tecido empresarial”.

A colaboração agora formalizada será desenvolvida com base em iniciativas específicas, a definir por ambas as partes, que assegurem impacto científico, económico e social. A assinatura do Memorando de Entendimento teve lugar no campus da NTU e contou, de resto, com a presença de Carlos Pires, Embaixador de Portugal em Singapura, sublinhando a relevância institucional e diplomática deste marco para o reforço das relações científicas e tecnológicas entre Portugal e Singapura. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 2 de junho de 2025

Portugal - Morreu António Barbedo de Magalhães, um dos principais defensores da causa timorense

Professor Emérito da Universidade do Porto foi uma das principais vozes de defesa da independência de Timor-Leste durante o período de ocupação indonésio daquele território


António Barbedo de Magalhães, Professor Emérito da Universidade do Porto, faleceu aos 82 anos. O também Professor Jubilado da Faculdade de Engenharia (FEUP) foi uma figura incontornável no ensino da engenharia e uma voz forte na defesa da independência de Timor-Leste durante o período de ocupação indonésio no território.

A sua ligação à causa timorense remonta a 1974, ano em que cumpriu o serviço militar em Timor. Já doutorado em Ciências Aplicadas pela Universidade de Ghent, na Bélgica, em 1973, na área da Metalurgia, coordenou o trabalho de uma equipa luso-timorense que elaborou um projeto para a reestruturação do ensino em Timor, com vista a uma eventual independência a médio prazo.

Membro da Comissão para os Direitos do Povo Maubere, da Associação Paz e Justiça para Timor-Leste e da Comissão Organizadora das Jornadas de Timor da Universidade do Porto, além de ter organizado numerosas conferências em Portugal, Alemanha, Austrália, Estados Unidos, Canadá, Brasil e outros países, é autor de sete livros sobre Timor-Leste, o último dos quais, editado pela Afrontamento em 2007, tem 3 volumes (1000 páginas) e cerca de 10.000 páginas em documentos anexos, sobre a história política de Timor-Leste desde 1942 até 2007.

Em 2017, a Biblioteca da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) acolheu a apresentação pública dos acervos documental e bibliográfico relacionados com a história de Timor-Leste e com a política internacional acumulados ao longo de décadas pelo Professor António Barbedo de Magalhães. A iniciativa promovida pelo Serviço de Documentação e Informação da FEUP surgiu na sequência de um tratamento inicial de preservação do acervo documental realizado no âmbito de um projeto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

António Barbedo de Magalhães foi condecorado pelo Estado Português (Ordem do Infante D. Henrique) e pelo Estado Timorense (Ordem de Timor-Leste) pelas suas ações em defesa dos direitos do povo timorense. Desde 1989, teve nessas atividades o apoio da Universidade do Porto, a qual representou em múltiplas iniciativas em diversos países, levando a questão de Timor até ao ‘Caucus’ dos Direitos Humanos do Congresso Americano.

A pedagogia como base no ensino da engenharia

António Barbedo de Magalhães começou a lecionar no Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) em 1968, ano em que terminou o curso. Antes disso, foi membro da Comissão Instaladora da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP), que nunca conseguiu legalizar-se durante a vigência do Estado Novo. Formou-se em Engenharia Mecânica, em julho de 1968, com 17 valores, apesar de ter trabalhado durante parte do curso como desenhador e, depois, na fundição de uma empresa metalomecânica.

Doutorou-se em 1973, na área da Metalurgia, com a Máxima distinção. Foi professor da FEUP até à sua jubilação, quando fez 70 anos, em fevereiro de 2013, e diretor de um centro de investigação e apoio à indústria de fundição, do INEGI (instituto de interface entre o Departamento de Engenharia Mecânica da FEUP e a indústria), criado em 1986 quando era diretor do DEMec.

Autor de cinco patentes de invenção na área das tecnologias da fundição, propôs em 2004 uma componente pedagógica inovadora na FEUP, de projetos liderados por estudantes e realizados por equipas multidisciplinares de estudantes de diferentes cursos e idades, podendo incluir alunos do ensino secundário. Estes projetos, com a designação de PESC (Projetar, Empreender, Saber Concretizar), envolveram centenas de estudantes e dezenas de professores da FEUP e numerosas pessoas ligadas a empresas e organismos públicos. Em 2008 estes projetos interdisciplinares foram generalizados a toda a Universidade do Porto, com a designação de Projetos Lidera e em 2008/09 envolveram mais de 450 estudantes, dos quais cerca de 80 do ensino secundário.

Dirigiu o Programa Doutoral em Segurança e Saúde Ocupacionais da U.Porto, fruto da colaboração de 12 das 14 faculdades da Universidade do Porto, e do qual resultaram, em dois anos, mais de 100 publicações dos respetivos estudantes.

Ciclo de Debates “Novos Paradigmas”

Em 2010, com mais dois colegas da Faculdade de Engenharia, Rui Azevedo e Alcibíades Guedes, Barbedo Magalhães propôs a realização semestral de debates sobre “Novos Paradigmas” sobre os temas mais diversos. Entre março de 2012 – data em que foi lançado publicamente o seu e-book «A evolução dos modelos educativos e a formação de engenheiros-cidadãos para o mundo» – e finais de 2016 grande parte destes debates teve como tema central a Educação.

Na sequência destas iniciativas, foi criada, a Rede para o Desenvolvimento de Novos Paradigmas da Educação (RedeNPEdu), mediante um Memorando de Entendimento, com sede na Faculdade de Engenharia.

O funeral de Barbedo Magalhães realizou-se na passada quinta-feira, dia 29 de maio, na cidade do Porto. Universidade do Porto


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Portugal - Investigadoras da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto desenvolvem tecnologia para o tratamento de Alzheimer

Joana Loureiro e Maria do Carmo Pereira estudam uma tecnologia baseada em nanopartículas concebidas para transportar medicamentos diretamente para o cérebro



A desenvolver investigação no Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), Joana Loureiro e Maria do Carmo Pereira preparam-se para a nova fase da abordagem inovadora que começaram a desenvolver há vários anos em conjunto com investigadores da equipa: um sistema de libertação controlada de fármacos para o tratamento da doença de Alzheimer.

A tecnologia baseada em nanopartículas concebidas para transportar fármacos diretamente para o cérebro é particularmente interessante para o tratamento de perturbações do sistema nervoso central, ao permitir a entrega de fármacos nas regiões afetadas pelo cérebro, maximizando os efeitos terapêuticos e minimizando os efeitos secundários.

Esta tecnologia poderá significar “um avanço no tratamento de doenças neurológicas, tais como Alzheimer, Parkinson e cancros cerebrais, onde as opções de tratamento são limitadas pela incapacidade de se conseguir uma entrega eficiente de medicamentos no cérebro”, perspetiva Joana Loureiro.

“Estas nanopartículas são modificadas com moléculas específicas que têm uma afinidade natural com os recetores cerebrais. Além disso, apresentam moléculas que induzem a permeabilidade celular, fazendo com que possam atravessar a barreira hematoencefálica (BHE) – uma membrana protetora seletiva que normalmente bloqueia a entrada da maioria das substâncias no cérebro”, explica a também professora do Departamento de Engenharia Mecânica da FEUP.

A juntar aos prémios e distinções que têm recebido ao longo dos últimos anos por esta investigação promissora, Joana Loureiro e Maria do Carmo Pereira criaram a startup BNanoTech, que recebeu o primeiro investimento da XTX Ventures, no valor de 120 mil euros, de modo a acelerar esta tecnologia e confirmar o seu potencial disruptivo.

“Os nossos próximos passos envolvem a construção de uma estratégia de financiamento robusta para garantir o capital necessário para mais investigação e desenvolvimento (I&D)”, acrescenta.

A desenvolver a ideia através da Conception X

O potencial desta tecnologia tem sido comprovado em sessões que, entretanto, aconteceram em Londres, em junho e novembro de 2024, onde a recetividade dos investidores tem permitido avançar dentro do programa de empreendedorismo tecnológico da Conception X, empresa londrina que aposta fortemente no talento dos alunos de doutoramento na busca de soluções para os problemas que afetam grande parte dos setores de atividade das nossas sociedades. A FEUP é a primeira instituição fora do território do Reino Unido a integrar o programa de empreendedorismo tecnológico da Conception X.

“Uma das características mais distintivas do programa é a orientação fornecida por especialistas do setor e empresários experientes, que oferecem orientação prática, ajudando os investigadores a enfrentar os desafios específicos do lançamento de um produto tecnológico no mercado. Este apoio estende-se a áreas cruciais como considerações jurídicas, gestão de propriedade intelectual e validação de clientes, dotando os participantes com um conjunto de ferramentas abrangente para o sucesso das futuras startups que possam vir a ser criadas”, refere Joana Loureiro.

Simpósio e workshop para debater a doença de Alzheimer na FEUP

Nos dias 6 e 7 de fevereiro, a Faculdade de Engenharia foi palco do 3.º simpósio sobre a Doença de Alzheimer, que contou com Joana Loureiro no comité organizador, a par de Maria do Carmo Pereira, Maria João Ramalho, Stéphanie Andrade, Meghna Dabur, Débora Nunes e Pedro Carneiro.

O 3rd Symposium on Alzheimer’s Disease surge na sequência do sucesso da primeira (online) e segunda (híbrida) edições, que contaram com mais de 400 participantes, e atraiu cientistas internacionais e jovens estudantes de todo o mundo, estando na vanguarda da compreensão dos mecanismos e da melhoria da terapia da doença de Alzheimer.

Além de apresentações e oportunidades para debater os progressos científicos alcançados em matéria de investigação, este simpósio teve um workshop sobre a produção e caracterização de nanopartículas para carregamento de compostos bioativos, proporcionando o conhecimento de métodos inovadores de produção e caraterização de nanopartículas, materiais biocompatíveis, nanopartículas comerciais e as suas tendências atuais no mercado. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Portugal - Tecnologia "made in" Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto transforma a água do mar em potável

Solução criada por investigadoras do LEPABE permite obter minerais imprescindíveis na indústria farmacêutica, automóvel e eletrónica


As investigadoras Eva Sousa e Sofia Delgado, do Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE), sediado na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), criaram um método de valorização dos materiais presentes na salmoura – associada muitas vezes a água extremamente salgada e carregada de toxicidade em resultado da dessalinização da água do mar – obtidos através de um processo designado por Osmose Inversa.

Com um potencial de mercado estimado em 7 mil milhões, esta nova tecnologia poderá ser a solução para vários problemas associados à sustentabilidade no setor da água. Os resultados preliminares são promissores e deram já origem à SeaMoreTech, uma spin-off da FEUP.

A dessalinização é uma das soluções apontadas para combater a escassez de água e a seca, que vão acontecer com mais frequência e intensidade nos próximos anos, por causa das alterações climáticas.

Esta solução vai permitir obter minerais absolutamente necessários na indústria farmacêutica, automóvel e também no campo da eletrónica que têm visto as suas cadeias de valor muito atrasadas, em consequência da dependência da Rússia e da China neste processo e de toda a situação geopolítica que se vive com o conflito na Ucrânia.

“Ao valorizarmos uma corrente que é vista tipicamente como um subproduto, um resíduo, que é a salmoura, nós podemos, de facto, de uma forma muito rápida e também muito eficiente, devolver todos estes minerais para estas indústrias que tanto necessitam, e em simultâneo, viabilizar a própria tecnologia da osmose inversa no ponto de vista de duplicar, por exemplo, a eficiência na recuperação de água potável”, explica Sofia Delgado.

“Estamos em Portugal, um país com 900 quilómetros de costa, temos que nos virar para o óbvio, que é trabalhar no desenvolvimento de uma economia azul sustentável. Há aqui um potencial enorme que tem de ser aproveitado até para podermos viabilizar tudo o que vem a seguir, como a proteção de espécies marinha e dos ecossistemas”, acrescenta Eva Sousa.

As duas jovens engenheiras conheceram-se quando desenvolviam trabalho no âmbito das respetivas teses de doutoramento no LEPABE, baseadas em eletrolisadores e pilhas de combustível para a produção e utilização de hidrogénio verde.

Focadas e fortemente motivadas pelos resultados que têm obtido à escala laboratorial, Eva Sousa e Sofia Delgado assumem que o grande objetivo para os próximos meses passa por trabalhar na comercialização desta tecnologia de uma forma sustentável e conseguir viabilizar a utilização da água do mar para a produção hidrogénio verde ou para a utilização pelas comunidades como água potável. Universidade do Porto - Portugal


terça-feira, 11 de julho de 2023

Portugal - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto desvenda novo protótipo de carro elétrico de corrida para competição

Equipa de estudantes de Engenharia vai participar em provas internacionais já no final de julho, com um protótipo de motorização 100% elétrica


Um palco, um carro. Hoje, dia 11 de julho, ao cair do pano, será desvendado o novo protótipo de carro elétrico de corrida totalmente construído por estudantes da Formula Student (FS) FEUP.

O “Rollout 2023”, assim se designa a sessão de apresentação do novo protótipo, vai juntar cerca de 300 pessoas na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e deverá contar com uma forte adesão por parte dos 50 patrocinadores do projeto, que assim vão ter a oportunidade de conhecer, em primeira mão, o carro de competição que fará a sua estreia absoluta na mítica pista de Silverstone, no Reino Unido, no final de julho.

A equipa, atualmente composta apenas por estudantes da FEUP, não poderia estar mais orgulhosa: “O protótipo representa a conclusão de todos os processos de manufatura e assemblagem dos vários subsistemas, resultado de um longo trabalho realizado pelos nossos estudantes nestes últimos dois anos”, revela Tiago Teixeira, finalista do Mestrado em Engenharia Mecânica e responsável de marketing do projeto.

O entusiasmo é grande dentro da equipa, com a promessa de um Verão diferente e que não será de férias para os cerca de 20 estudantes que rumam à Formula Student UK para integrar a prova “Electric Vehicle Category”.

Ainda em Silverstone, a equipa da FEUP vai participar pela primeira vez na categoria “Dynamic Driving Task”, que avalia e testa o software desenvolvido pelos estudantes num veículo conduzido de forma autónoma.

“A partir de um chassis, grupo motor e acessórios básicos de funcionamento, fornecidos pela organização da prova, este carro vai ser instrumentado pela equipa AI com um sistema programado para navegar autonomamente, realizando um conjunto de provas dinâmicas adaptadas a esta tecnologia”, revela Luís Galamba Carvalho, professor no Departamento de Engenharia Mecânica da FEUP e Faculty Advisor da FS FEUP.

Dois anos de trabalho árduo

A verdade é que desde muito cedo se percebeu que este era um projeto promissor. O esforço e dedicação dos estudantes foi premiado em 2022, altura em que participaram pela primeira vez numa prova internacional. O desenvolvimento do conceito e design do veículo estava validado com o primeiro lugar na classe de conceito na FS UK 2022, e um 2ª lugar, semanas depois, na Formula SAE Italy 2022.

Os lugares de pódio deram um impulso importante à equipa que a partir daí não mais parou, tendo passado à construção do seu primeiro protótipo, desenhado para uma ótima relação performance-custo. Com um chassis tubular, sem estruturas aerodinâmicas avançadas, totaliza 270 kg de peso, que se movem graças ao motor que pode atingir 80kW de potência, alimentado pelo acumulador elétrico de 8kWh, cujas células foram fornecidas pela Tesla como parte do seu patrocínio.

“Fiel ao seu projeto, o carro é o reflexo da aprendizagem e domínio de cada um dos seus membros. Atinge claramente os objetivos estabelecidos, coloca-se confortavelmente no patamar de performance pretendido e nele está depositada a serena confiança dos seus criadores. A equipa, com uma dedicação à prova de bala, merece reconhecimento pelo excelente trabalho!”, felicita Luís Galamba Carvalho.

Depois de Silverstone, a “tour” pelas provas internacionais continua com a 1.ª edição internacional da Formula Student Portugal, a decorrer em agosto no Circuito de Castelo Branco. A época termina na Formula Student Germany, a mais importante competição da área, onde apenas 40 equipas a nível mundial têm oportunidade de participar.

O “Rollout 2023” vai ter lugar no Auditório José Marques dos Santos, a partir das 17h00. Universidade do Porto - Portugal


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Portugal - Investigadora da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto lidera invenção de bateria revolucionária

A investigação está a ser vista como muito sólida e a tecnologia anunciada tem fortes possibilidades de ser industrializada rapidamente



O artigo publicado na revista Energy & Environmental Science está a criar grande entusiasmo junto da comunidade científica internacional e a razão prende-se essencialmente com o facto de se poder estar perante uma nova geração de baterias sólidas, capazes de armazenar muito mais energia do que as de ião de lítio, com uma vida muito mais longa, mais seguras e não poluentes. A garantia chega-nos através de Maria Helena Braga, investigadora do Departamento de Engenharia Física da Faculdade de Engenharia da U. Porto (FEUP), que há mais de dois anos se dedica ao estudo de materiais para o armazenamento de energia em baterias.

A principal inovação destas novas baterias é fazer depender a capacidade de armazenamento de energia a partir do ânodo, em vez do tradicional cátodo, através de um eletrólito sólido de vidro, que permite a utilização de um ânodo construído em metais alcalinos sem a formação de “dendritos” (curto-circuitos internos). Estes elementos podem surgir em baterias de lítio tradicionais, que usam eletrólitos líquidos, levando a curtos circuitos internos que provocam incêndios rápidos e até mesmo explosões.

A tecnologia de eletrólitos em vidro foi desenvolvida por Maria Helena Braga e tem ainda a vantagem de poder operar em temperaturas muito baixas, outro benefício relativamente às baterias de lítio atuais. Isso poderá revolucionar todo o paradigma dos carros elétricos, por exemplo, uma vez que com estas novas baterias vão poder operar a temperaturas de -60 graus celsius.

Maria Helena Braga, 45 anos, publicou pela primeira vez sobre a tecnologia de eletrólitos de vidro em 2014 quando desenvolvia investigação na FEUP. De imediato recebeu inúmeros telefonemas e pedidos de contacto, um deles de Andy Murchison, investigador norte-americano da Universidade do Texas, que conhecia bem John Goodenough, o inventor das baterias de iões de lítio. Com 94 anos de idade e ainda no ativo, Goodenough desafiou a investigadora portuguesa a trabalhar com ele de maneira a provar que a tecnologia de eletrólitos de vidro funcionava, de facto.

“Durante um ano vim muitas vezes a UT-Austin e em fevereiro de 2016 pedi equiparação a bolseiro para fazer trabalho em baterias com lítio-metálico que não podia fazer na FEUP porque à data não tinha laboratório e muito menos caixa de luvas que é absolutamente essencial para este trabalho, uma vez que o lítio reage violentamente na presença de humidade e oxida facilmente”, explica Maria Helena Braga.

Até julho, o objetivo será aproveitar esta estadia nos EUA e a possibilidade de trabalhar de perto com tecnologia e equipamento de ponta. A adaptação correu bem, a forma de fazer investigação não é muito diferente da que se faz na Europa, o que realmente faz a diferença é “a velocidade a que as coisas acontecem”, admite a investigadora. “Fui muito bem-recebida pelo Prof. Goodenough. Ele, apesar dos seus 94 anos é um exemplo de abertura a novas ideias! O Andy também sempre acreditou no que fazíamos”, conclui.

Apesar de os anúncios sobre novas tecnologias de baterias serem frequentes, esta investigação está a ser vista como muito sólida e a tecnologia anunciada tem fortes possibilidades de ser industrializada rapidamente, de acordo com o comunicado divulgado pela Universidade do Texas.

Com a possibilidade de entrar para a história mundial da engenharia física com esta inovação e de a sua vida poder dar uma volta de 180 graus, Maria Helena Braga quer voltar a Portugal e continuar o seu trabalho a partir daqui. No entanto, não deixa de ser crítica do sistema português no que toca à progressão na carreira docente: “As universidades/faculdades têm que reconhecer os talentos antes que as notícias venham de fora… Dito isto, têm que fazer tudo o que estiver ao seu alcance para proporcionar condições a quem quer fazer. Quando sentimos que estão a fazer o que podem por nós, respondemos imediatamente com um sentimento de lealdade… As Universidades teriam que ter mais poder discricionário para poder dar condições a quem quer trabalhar em Portugal. Talvez por exemplo, reduzindo a carga horária e atribuindo mais licenças sabáticas a quem quer fazer investigação”. Universidade do Porto “Faculdade de Engenharia” - Portugal