Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 16 de fevereiro de 2025

Coreia do Sul - Porta-contentores Hyundai movido a energia nuclear transporta até 15 000 contentores

É um gigante do mar, tem uma capacidade para 15 mil contentores e será lançado ao mar pela mão da Hyundai. A característica que faz toda a diferença é o "combustível" que faz mexer este navio: energia nuclear



A HD Korea Shipbuilding & Offshore Engineering (HD KSOE), uma subsidiária intermédia do sector da construção naval da HD Hyundai, apresentou um modelo de navio porta-contentores alimentado pela tecnologia Small Modular Reator (SMR).

Esta inovação promete revolucionar o mercado dos transportes marítimos.

Aprovação preliminar e lançamento oficial

O projeto deste navio porta-contentores de 15.000 TEU recebeu a Approval in Principle, em português Aprovação em Princípio (AIP) do American Bureau of Shipping (ABS), um organismo conhecido pelas suas rigorosas certificações marítimas.

Esta aprovação é um aval inicial para que o projeto prossiga para as fases seguintes de desenvolvimento e certificação final.

A apresentação oficial do modelo teve lugar na New Nuclear for Maritime Houston Summit, realizada no Asia Society Texas Center, em Houston, EUA.

No evento, a empresa destacou as vantagens desta tecnologia em termos de eficiência económica, desempenho e segurança, posicionando-se como uma referência no sector naval rumo à neutralidade carbónica.

Inovações tecnológicas e vantagens de design

Ao contrário dos navios convencionais, este novo modelo SMR de propulsão nuclear não necessita de sistemas de escape nem de tanques de combustível fóssil.

Esta alteração permite otimizar o espaço de maquinaria dos motores tradicionais, aumentando assim a capacidade de carga, o que se traduz numa maior eficiência logística e rentabilidade.

Para garantir a segurança contra possíveis fugas radioativas, foi implementado um sistema de blindagem com um tanque duplo de aço inoxidável e água leve. Esta tecnologia acrescenta uma camada extra de proteção, minimizando os riscos associados à utilização de reatores nucleares em ambientes marítimos.

Além disso, a HD KSOE, em colaboração com a empresa global de tecnologia energética Baker Hughes, incorporou um sistema de propulsão supercrítico à base de dióxido de carbono, que aumenta a eficiência térmica em cerca de 5% em relação aos sistemas de vapor tradicionais.

Esta inovação está em conformidade com os princípios da eficiência energética e da sustentabilidade, essenciais no atual contexto de transição ecológica.

Rumo à comercialização da tecnologia nuclear marinha

A fim de avançar para a aplicação comercial desta tecnologia, a HD KSOE criará uma instalação de demonstração nuclear marinha no seu Centro de Ensaios de Tecnologias Futuras, na Coreia do Sul. Esta instalação permitirá verificar a segurança e o desempenho dos projetos antes da sua instalação em navios operacionais.

Patrick Ryan, Diretor de Tecnologia da ABS, sublinhou que os navios movidos a energia nuclear podem marcar um ponto de viragem no mercado naval, especialmente numa altura em que a neutralidade de carbono se tornou uma prioridade global.

Park Sangmin, chefe do Laboratório de Investigação de Energia Verde da HD KSOE, afirmou que a empresa está a reforçar a sua colaboração com os organismos reguladores internacionais e as sociedades de classificação para estabelecer as bases regulamentares que facilitem a comercialização destes navios. O seu plano estratégico prevê o desenvolvimento de um modelo de negócio de propulsão nuclear marítima até 2030.

Os pequenos reatores de energia nuclear modulares (SMR) são uma alternativa aos combustíveis fósseis tradicionais.

A sua capacidade de funcionar continuamente durante longos períodos sem reabastecimento oferece uma alternativa viável para rotas transoceânicas de longa distância, reduzindo a dependência dos combustíveis convencionais e eliminando as emissões diretas de gases com efeito de estufa. In “Pplware” - Portugal


quinta-feira, 2 de junho de 2022

Japão - Tribunal suspende reativação de central nuclear em Hokkaido

Um tribunal japonês decidiu ontem suspender a reactivação de uma central nuclear em Hokkaido (norte), num novo revés legal para os planos do governo nipónico de expandir a geração de energia atómica, após o desastre de Fukushima em 2011


O Tribunal Distrital de Sapporo decidiu contra o restabelecimento da operação da central nuclear de Tomari, em Hokkaido, cujos três reactores estão inactivos desde Maio de 2012.

A deliberação dos juízes da instância foi ao encontro dos argumentos de uma ação colectiva que foi movida por mil residentes naquela área que se oponham à reativação da central por razões de segurança. O operador da estrutura, Hokkaido Electric Power, tinha solicitado ao regulador japonês para o setor nuclear uma autorização para reiniciar a atividade.

O tribunal considerou que o operador não apresentou provas suficientes para garantir a segurança do sistema de armazenamento de combustível nuclear, nem que possuía medidas de proteção adequadas contra possíveis terramotos e tsunamis de grande escala. A resolução, no entanto, indeferiu o pedido dos queixosos para o desmantelamento total da central nuclear. A Hokkaido Electric Power anunciou, por sua vez, que recorrerá da decisão a um tribunal superior para tentar prosseguir com os seus planos para reactivar a central.

Esta é a terceira sentença de um tribunal japonês que suspende os planos de reabertura de centrais nucleares no país, após outras decisões semelhantes de instâncias regionais contra a reativação dos reatores 3 e 4 da central de Oi (oeste do Japão), em 2014, e contra a infraestrutura de Tokai (centro), em 2021.

O Japão entrou num chamado “apagão nuclear”, após o desastre nuclear na central de Fukushima Daiichi, desencadeado por um forte sismo e um consequente tsunami em Março de 2011. O Governo nipónico e a nova autoridade reguladora da energia atómica estabeleceram critérios de segurança mais rígidos, após a crise de Fukushima, que obrigou todas as centrais do país a suspender as operações até que atendessem aos novos padrões.

Até à data, apenas uma dezena de reactores nucleares recebeu autorização das autoridades para voltar a funcionar, de um total de 42 existentes em condições técnicas para operar, mas que não passaram pelas novas normas de segurança do regulador japonês, ou foram reprovados pela justiça. Este cenário compromete os objectivos traçados pelo executivo japonês, que pretende que as centrais nucleares contribuam entre 22% e 24% para a matriz energética do país até 2030, como parte das metas de descarbonização. In “Ponto Final” - Macau


quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Portugal - Docente da Universidade de Coimbra nomeado para grupo de peritos da União Europeia no domínio da energia nuclear


Luís Neves, professor catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), foi o nome escolhido pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para representar Portugal num grupo de peritos previsto no tratado EURATOM (Comunidade Europeia da Energia Atómica), no domínio dos impactos radiológicos transfronteiriços, durante os próximos cinco anos.

Instituída em 1957 pelo Tratado de Roma, a EURATOM tem por objetivo fomentar no âmbito da União Europeia a investigação, a legislação comum e a partilha de conhecimento visando a segurança de trabalhadores e da população em geral no domínio da energia nuclear.

Ao grupo de peritos da EURATOM, indigitados pelos Estados-membros da União Europeia (UE) para mandatos de cinco anos, compete dar pareceres e recomendações sobre novos projetos nucleares, bem como sobre alterações ou desmantelamento dos existentes, em especial quando se coloquem possíveis impactos transfronteiriços que possam afetar outro Estado-membro, e ainda sobre matérias de regulamentação / legislação.

«São matérias muito sensíveis e de tecnicidade extremamente elevada. Por isso, o grupo reúne peritos independentes provenientes de diferentes domínios científicos, não podendo os seus elementos ter qualquer relação com a indústria nuclear que configure conflito de interesses. O foco deste grupo de peritos situa-se na propagação de radioatividade, através da água, do solo ou do ar, suscetível de atingir países vizinhos, ou seja, de potenciais impactos radiológicos transfronteiriços», salienta Luís Neves.

Apesar dos riscos inerentes à indústria nuclear, o especialista em proteção e segurança radiológica da UC nota que, «do ponto de vista legislativo, é um setor altamente regulado e escrutinado, com órgãos de acompanhamento nacionais muito exigentes e rigorosos».

Luís Neves refere ainda que, com o processo de transição energética em curso, «estamos numa fase em que é mais habitual surgirem questões relacionadas com o desmantelamento de instalações e o armazenamento de resíduos radioativos, do que propriamente com a implementação de novas instalações nucleares. De facto, a política que está a ser seguida em muitos países passa por, terminado o ciclo de vida das atuais centrais nucleares, não se se proceder à instalação de novas unidades, optando em alternativa por potenciar as energias renováveis».

«Inevitavelmente, as centrais nucleares produzem resíduos altamente radioativos, que têm de ser armazenados por muitos milhares de anos até a radioatividade baixar para níveis seguros, o que carece de rigorosas medidas de segurança e de acompanhamento por forma a evitar impactos na saúde humana e no ambiente», conclui o também Vice-Reitor da Universidade de Coimbra.

Mais informação sobre o Tratado EURATOM disponível: aqui. Universidade de Coimbra - Portugal