Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 1 de agosto de 2026

Macau - Curso de Verão “abriu portas ao mundo” na aprendizagem da cultura lusófona

O Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau encerrou o 40.º Curso de Verão de Língua Portuguesa. Para os coordenadores, a iniciativa voltou a ser um sucesso, tendo contado com a participação de cerca de quatro centenas de inscrições. A professora Tânia Ferreira, envolvida pela primeira vez na organização, disse ao Jornal Tribuna de Macau ter ficado surpreendida por “ainda haver esta chama” de interesse pela aprendizagem da cultura e da língua portuguesa


A tendência cada vez maior pelo interesse na aprendizagem da cultura e da língua portuguesa ficou comprovada pela “dedicação inspiradora”, dos alunos participantes na 40.ª edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa da Universidade de Macau (UM).

A expressão é de Tânia Ferreira, coordenadora da iniciativa juntamente com Lu Chunhui, que ao Jornal Tribuna de Macau fez o balanço da formação que decorreu durante três semanas e que contou com cerca de 400 inscrições.

“O balanço é bastante positivo”, salienta a professora do Departamento de Português da Faculdade de Letras da UM, para quem a oferta formativa foi “muito rica”, uma vez que “eles tiveram oportunidade de aprender um pouco sobre danças folclóricas e participar noutros workshops dedicados à língua portuguesa, à cultura dos países lusófonos, à literatura, à história e à tradução”.

Além disso, referiu que, “uma vez que também temos colegas que são especialistas na área do ensino da língua portuguesa e na certificação da aprendizagem do português”, foi oferecido um workshop dedicado ao funcionamento dos exames de proficiência da língua lusa, onde não faltou o patuá e a sua importância em Macau.

Para o sucesso de mais um Curso de Verão da UM, a coordenadora destaca a boa parceria feita com Lu Chunhui. “Ele fala chinês e coordenou bem uma equipa que integrou também alunos que nos ajudaram em toda a área da organização”, indica, sublinhando que o “interesse foi tanto que as inscrições esgotaram horas depois de terem sido lançadas”.

Tânia Ferreira está no Departamento desde Janeiro deste ano, tendo sido contratada para leccionar na área da linguística e coordenação de iniciativas como este Curso de Verão de Língua Portuguesa. Foi, por isso, a sua primeira experiência à frente da iniciativa.

Tendo trabalhado na China, em Pequim, há 12 anos, a docente constatou “com muita alegria” esta “entrega dos alunos”, porque também não conhecia este grande interesse pela língua portuguesa, pelo seu potencial, sobretudo económico, para trabalhar nos países de língua portuguesa (PLP), em especial em África e no Brasil.

Os participantes na formação eram todos de etnia chinesa, incluindo alguns que vivem fora do Continente e Macau, e não só provenientes de universidades, mas igualmente de outras áreas. Demonstraram “uma grande vontade de apreender”, o que achei incrível, e com uma dedicação inspiradora”, enfatizou, concluindo ter ficado surpreendida pelo interesse que existe em aprender a língua portuguesa.

“Não tinha essa noção e, de facto, pude depois confirmar que nos últimos anos tem sido essa a tendência”. Por isso, diz, “estou muito satisfeita por ainda haver esta chama”.

Na cerimónia de encerramento, os dois coordenadores do Curso de Verão da UM destacaram a variedade de actividades incluídas na formação, com temas que abrangeram, para além da dança, a interpretação de grandes autores como Camões e Fernando Pessoa, a evolução cultural e literária do Brasil, a prática de tradução poética, visitas guiadas à história e cultura de Macau, orientações de preparação para os exames CAPLE e a partilha de experiências por uma intérprete profissional, entre outros.

A concepção do curso, apoiado pela Fundação Macau, teve em conta a diversidade temática e geográfica, “articulando-se em diferentes níveis de acesso para que os formandos de todas as etapas pudessem obter resultados frutuosos”, segundo se pode ler num comunicado da UM.

Na sessão final, que incluiu a entrega de diplomas aos participantes, representantes dos alunos de diferentes níveis partilharam as suas vivências académicas e pessoais na universidade.

Lin Xi, da Universidade de Comunicação da China, salientou que o curso lhe permitiu consolidar os conhecimentos de gramática portuguesa e alargar o seu contexto cultural, esperando “aplicar o que aprendeu para promover o intercâmbio sino-estrangeiro e contar melhor a história da China”.

Feng Maomao, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, referiu que o curso lhe proporcionou a vivência da cultura e literatura dos PLP, como a cultura popular do Brasil e o folclore de Portugal, o que representou para si a abertura de “uma nova porta para o mundo”.

Por seu turno, Li Qianyu, aluna do nível avançado, aprofundou a sua compreensão sobre a história e literatura de Macau, afirmando que UM é “uma plataforma de excelência para o intercâmbio intercultural”.

Já Huang Wai Kuan, prestes a ingressar na Faculdade de Direito da UM, explicou que o Direito de Macau exige o domínio tanto do chinês como do português, conseguindo assimilar gradualmente os conhecimentos básicos de português em três semanas.

Durante a cerimónia, os formandos apresentaram diversas actuações, evidenciando não só o que assimilaram durante o curso, mas também a sua paixão pela cultura dos PLP. Como já é tradição no Curso de Verão, alunos de diferentes níveis subiram ao palco para actuar em conjunto na dança folclórica portuguesa, sob a orientação da docente Mirandolina, “num ambiente bastante animado”, realça o comunicado da UM.

Além disso, a sessão final contou ainda com a declamação do poema “Orelhas” e a interpretação das canções “Não Precisa”, de Paula Fernandes, e “Flor de Lis”, famosa canção brasileira escrita e gravada pelo cantor e compositor Djavan. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 9 de julho de 2026

Macau - Patuá esteve em foco no Fórum das Línguas Chinesa e Portuguesa

A Universidade de Macau (UM) realizou recentemente o segundo Fórum Internacional das Línguas Chinesa e Portuguesa, onde se reuniram especialistas e académicos provenientes de países de língua portuguesa, do Interior da China e de Macau para “um intenso intercâmbio académico nas áreas da literatura, linguística, intercâmbio cultural, estudos de tradução e ensino de língua”. Ao longo dos dois dias, o programa incluiu cinco sessões livres e três conferências.


A cerimónia inaugural contou com a presença do académico português Raul Gaião, que aproveitou para apresentar os três volumes da sua mais recente obra, “Papiá Nôsso Lingu, Dicionário de Patuá di Macau”. Para a UM, a publicação “constitui não só um contributo académico de relevo, mas também um importante esforço de sistematização e de preservação do patuá macaense, património linguístico singular que reflecte a herança multicultural de Macau”.

As sessões de partilha foram conduzidas por académicos e estudantes distinguidos do Departamento de Português, incluindo o vencedor do “Prémio Fernão Mendes Pinto” do ano passado, Lu Chunhui, a vencedora do “Prémio Académico Henrique de Senna Fernandes” de 2023, Carla Lopes, e as estudantes premiadas no Concurso Internacional de Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa deste ano, Li Renlan e Wang Siyi.

Já nas conferências, participaram o professor Rui Pereira, da Universidade de Coimbra, a professora Xu Yixing, da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, e a professora Min Xuefei, da Universidade de Pequim. Os temas abordados abrangeram a linguística e o ensino do português, a inteligência artificial aplicada ao ensino de línguas e os estudos de literatura em língua portuguesa, tendo oferecido “reflexões de grande actualidade e profundidade”, de acordo com a UM.

Segundo a instituição universitária, o fórum assume-se como “uma plataforma privilegiada de diálogo académico, contribuindo para reforçar a compreensão mútua entre as línguas e culturas chinesa e portuguesa, bem como para promover a partilha de conhecimento e a construção de novas perspectivas”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Macau - Curso de Verão em Português alimenta desejos profissionais e culturais

Guiados por motivações profissionais ou culturais, quatro centenas de alunos estão a participar na 40.ª edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa na Universidade de Macau


Docentes da Universidade de Macau (UM) consideraram que o interesse dos estudantes chineses pela língua portuguesa passa principalmente por procurar melhores oportunidades de emprego, mas é também motivado pela curiosidade em relação à cultura lusófona.

A universidade iniciou oficialmente na segunda-feira a 40.ª edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa, iniciativa reúne cerca de 400 participantes provenientes de Macau, Hong Kong, China Continental, Malásia e Canadá, mantendo um dos números de inscritos mais elevados dos últimos anos.

Embora a maioria dos participantes seja constituída por estudantes universitários da China Continental interessados em melhorar as perspectivas de carreira, os coordenadores do curso sublinham que uma parte significativa procura o português por razões pessoais e culturais.

“Os estudantes universitários querem aproveitar o português para terem um trabalho melhor no futuro, mas também temos estudantes que já estão no mercado de trabalho e que provavelmente não precisam de saber português pelo trabalho ou para ganhar mais, mas porque gostam. Querem sentir a língua e a cultura por detrás da língua”, disse à Lusa Lu Chunhui, professor e investigador do Departamento de Português da UM e coordenador do Curso de Verão.

“Ainda me lembro de um estudante de cerca de 70 anos de Hong Kong, o mais velho que tive nas minhas turmas. Muitas pessoas como ele quiseram esta aprendizagem sem um objectivo prático, mas mostrando um empenho extraordinário, o que achei muito comovente”, afirmou.

A também coordenadora do curso, Tânia Ferreira, considera que a procura demonstra o interesse sustentado pela língua portuguesa na região. “Este ano foram registadas 407 inscrições, com todas as vagas preenchidas nas primeiras horas, um registo recorde. Para um curso intensivo, é de louvar”, afirmou a professora auxiliar da Faculdade de Letras da UM.

A docente reconheceu que, para muitos participantes, o domínio do português continua associado às oportunidades profissionais nos países lusófonos. “Tendo em conta o perfil dos inscritos nesta edição, que são maioritariamente universitários do interior da China, o interesse é melhorar as suas competências na língua para de facto trabalharem com a língua portuguesa em países como o Brasil, os PALOP e, claro, Portugal”, explicou.

Mas, acrescentou que o programa pretende igualmente aprofundar o contacto com a cultura dos países de língua portuguesa e com a identidade de Macau. “O curso também é uma oportunidade para aprofundarem o seu conhecimento da cultura portuguesa ou brasileira. Este ano incluímos também elementos sobre Macau, como o patuá, sendo importante mostrar um exemplo vivo da herança portuguesa em Macau”, disse.

Para o vice-reitor para os Assuntos Globais da UM, Rui Martins, a longevidade do curso demonstra o interesse contínuo pelo português na Ásia sendo o “curso mais antigo oferecido na Universidade de Macau”, instituição que faz também este ano 45 anos. “Foi considerado a certa altura pelas autoridades da universidade terminar o curso por não dar lucro e custar muito dinheiro. Mas, sempre com o apoio dos colegas do Departamento de Português, foi possível mantê-lo em funcionamento e deixou de ser deficitário há já algumas décadas”, disse.

“Isso demonstra o interesse que há pelo curso, vendo a quantidade de alunos, não só da China, mas também de países e regiões circundantes, o que nos deixa olhar para o futuro com esperança”, acrescentou.

O Departamento de Português da UM conta actualmente com mais de 30 docentes, incluindo aqueles que trabalham a tempo parcial, e cerca de 400 alunos. Os cursos deste departamento chegam, no entanto, a mais de mil alunos em toda a UM, incluindo alunos da faculdade de Direito e outros que frequentam as disciplinas de língua oferecidas transversalmente em todos os cursos da instituição de ensino superior.

Segundo a UM, durante as três semanas de curso, os participantes serão acompanhados e orientados pelos professores do Curso de Verão. “Aliando a teoria à prática, serão dinamizadas actividades e vários workshops diversificados que englobam a aprendizagem em domínios tão variados como as Danças Folclóricas, a Literatura, a Linguística, a História, a Tradução e a Cultura dos Países Lusófonos”, salientou a instituição de ensino superior.

Com o apoio da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, o curso inclui uma turma destinada a estudantes do ensino secundário de Macau. Esta edição do curso conta ainda com o apoio da Fundação Macau. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 9 de junho de 2026

Macau - Recém-licenciados vêem língua portuguesa como essencial no Direito da Região

Recém-licenciados dos cursos de Direito em português e chinês da Universidade de Macau (UM) indicaram à Lusa acreditarem que o português vai continuar a ser uma ferramenta essencial na prática jurídica do território.


A universidade oferece a única licenciatura em Direito Chinês-Português do mundo, um curso que prepara juristas para o sistema jurídico de Macau, de tradição romano-germânica e matriz portuguesa.

A UM realizou a 30 de Maio a cerimónia de graduação que conferiu diplomas a mais de 1700 licenciados, com 30 alunos licenciados no curso de direito bilingue, e dois no curso administrado somente em português.

Tam Sio Pang confessou à Lusa que não tinha interesse na língua portuguesa antes da universidade, com o curso bilingue a ser uma “escolha estratégica” para o futuro profissional.

“Continuo a considerar que a língua portuguesa desempenha um papel importante em certas áreas, sobretudo no Direito. É previsível que no futuro haja mais chineses a trabalhar em Macau e é preciso preparar-se, aprender algo que muitos chineses não sabem, o que considero ser a principal razão pela qual escolhi o [curso] bilingue”, destacou.

O estudante chinês de Macau considera que aprender português o ajudou consideravelmente no estudo de Direito local, por existirem “poucas referências jurídicas escritas em chinês”.

Ao mesmo tempo, apesar de admitir uma certa redução no seu uso na cidade, mostra-se “positivo” quanto ao futuro da língua portuguesa em Macau. “De acordo com a política do Governo chinês, Macau é a cidade de ligação aos países lusófonos. Não acredito que um bom governante abandonasse a característica mais icónica que a cidade tem em comparação com outras cidades chinesas”, apontou.

A Lei Básica estabelece que “o português é igualmente uma língua oficial”, e que decretos-lei consagram que “o chinês e o português têm igual dignidade”.

Após a transição de soberania em 1999, Macau manteve o próprio quadro legal, com a legislação local construída a partir de códigos e leis da República Portuguesa, incluindo o Código Civil, Código Penal e Código Comercial.

Em termos oficiais o sistema vigente está em vigor até 2049, mas advogados defenderam recentemente à Lusa que a posição oficial do Governo de Macau sobre a língua portuguesa contrasta com a “erosão silenciosa” desta enquanto idioma oficial na região.

Juliana Tavares, uma estudante luso-descendente, cuja língua materna é o cantonês, decidiu apostar na internacionalização completando o curso de direito em português da UM. “Escolhi estudar Direito em português porque não falava uma única palavra de português antes da universidade e queria mergulhar num ambiente de língua portuguesa para poder aprender”, explicou.

Em Setembro deste ano vai iniciar um mestrado no Porto em Direito Internacional e Europeu, mas mantém planos de regressar temporariamente a Macau. “Pretendo trabalhar em Macau durante algum tempo depois disso para passar no exame [equivalente ao] da Ordem dos Advogados,” apontou.

Para Juliana, o português continua a ser relevante, e “apesar cada vez menos utilizado”, continua a ser a língua oficial e assim permanecerá até 2049. “Macau está a tentar afirmar-se como uma plataforma intermediária entre a China e os países de língua portuguesa, e penso que também aí existem oportunidades.”

Por sua vez, Cheang Pak In sublinhou ter escolhido o curso bilingue por sempre ter tido interesse “em ciências humanas e de línguas”. “Dentro das escolhas disponíveis, o direito bilingue pareceu-me a opção mais adequada”, disse.

O recém-licenciado pretende continuar a estudar em Macau para compreender melhor as diferenças entre a jurisprudência local e a portuguesa. “Acho que é melhor saber ambas as perspectivas, se estudasse em Portugal só iria saber a perspectiva de Portugal”, apontou.

Já no plano profissional, está decidido a continuar a trabalhar em Macau, e que “não vale a pena ir a Portugal e arriscar perder oportunidades” que existem no território.

“A sociedade precisa de juristas que saibam chinês e português. Dizer isto pode parecer um cliché, mas é verdade”, descreveu. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Macau – Universidade de Macau lançou ‘podcast’ dedicado à língua portuguesa

No âmbito das celebrações do 45.º aniversário da Universidade de Macau, o Centro de Ensino e Formação Bilíngue Chinês-Português lançou o ‘podcast’ intitulado “Diz Lá Dá Cá”. Com dois episódios já disponíveis, as conversas entre académicos, tradutores e profissionais da área incidem sobre a língua, a literatura e a interculturalidade


O Centro de Ensino e Formação Bilíngue Chinês-Português (CPC) da Universidade de Macau (UM) lançou um ‘podcast’ de conversas em língua portuguesa, de modo a assinalar o 45.º aniversário da UM. Para cada episódio do programa “Diz Lá Diz Cá” são convidados académicos, tradutores e profissionais da área da cultura de Macau, do Interior da China, de Portugal, do Brasil e outros países de língua portuguesa (PLP), para discussões sobre temas como a língua, a literatura e a interculturalidade, segundo uma nota da UM.

Os dois primeiros episódios contaram com a participação de Maria José Grosso, professora associada adjunta do Departamento de Português da UM e primeira directora do CPC, e Ana Cristina Alves, investigadora auxiliar e coordenadora do serviço educativo do Centro Científico e Cultural de Macau de Portugal. As convidadas falaram sobre assuntos “como os princípios fundamentais do ensino de línguas, os desafios da tradução de obras literárias clássicas e o intercâmbio cultural entre a China e Portugal”, refere a nota.

O nome do programa foi inspirado no cantonês, numa expressão que significa “fala disso e fala daquilo” e que “reflecte a paisagem linguística única da cidade”, ao mesmo tempo que “transmite o estilo relaxado das conversas do programa”. O ‘podcast’ oferece “uma plataforma auditiva dos contextos autênticos, que combina conhecimento e diversão” a alunos chineses que estudam a língua portuguesa, educadores e entusiastas da cultura sino-portuguesa, para além de constituir “um espaço de intercâmbio de vozes académicas dinâmicas”.

Os episódios podem ser reproduzidos nas plataformas “Ximalaya” e “Apple Podcasts”, assim como no sítio oficial do CPC, no qual os interessados podem obter mais informações e conteúdos complementares ao programa. A “Ximalaya” dispõe de uma função de compreensão assistida por inteligência artificial que auxilia os ouvintes “a acompanhar os pontos principais das entrevistas simultaneamente” e a reduzir a barreira linguística.

Ao possibilitar a partilha de experiências e de perspectivas que vão “além dos livros didáticos”, o “Diz Lá Dá Cá” constrói “uma nova ponte entre as culturas chinesa e dos PLP para professores, estudantes e entusiastas do português”, pode ler-se na nota.

Desde que foi estabelecido em 2017, o CPC tem-se dedicado a promover colaborações com o Interior da China e os PLP, estabelecendo ligações na formação de professores e dando ênfase à formação de talentos bilíngues de chinês-português. Além disso, tem fomentado investigações conjuntas no domínio do ensino da língua portuguesa e promovido o intercâmbio cultural sino-lusófono. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Macau - Vagas para Curso de Português da Universidade de Macau esgotaram “nos primeiros minutos”

As 400 vagas abertas para o 40.º Curso de Português da UM, a realizar-se entre 6 e 24 de Julho, esgotaram nos primeiros minutos, adiantou uma das coordenadoras, Tânia Santos Ferreira, ao Jornal Tribuna de Macau. O processo passa agora por validar as candidaturas. A docente apontou que “o curso oferece uma verdadeira experiência imersiva na língua portuguesa”, vincando que o seu “sucesso” se deve ao papel do Departamento de Português da UM na promoção da língua de Camões, bem como ao “trabalho incansável do corpo docente e administrativo”


A Universidade de Macau (UM) anunciou na segunda-feira a abertura das inscrições para o 40.º Curso de Verão de Português, o qual conta com 400 vagas – “a adesão foi imensa” logo nos primeiros instantes, segundo adiantou uma das coordenadoras do curso, Tânia Santos Ferreira, ao Jornal Tribuna de Macau. “Talvez por serem os 40 anos do curso, nos primeiros minutos a adesão foi imensa e esgotámos as vagas”, disse a docente da UM, adiantando que agora a equipa está no processo de validação de candidaturas.

Tânia Santos Ferreira considera que o “sucesso” do curso se deve ao papel do Departamento de Português da UM na promoção da língua de Camões.

“Este curso tem, de facto, atraído muitos estudantes ao longo das suas edições e o seu sucesso advém do trabalho incansável do corpo docente e administrativo. O curso oferece uma verdadeira experiência imersiva na língua portuguesa, promovendo não só o desenvolvimento das competências linguísticas dos aprendentes, mas também oferecendo um conjunto vasto de actividades relacionadas com a cultura dos países de língua portuguesa”, vincou a docente.

Organizado pelo Departamento de Português da Faculdade de Letras da UM, o curso tem inscrições abertas até 5 de Junho. “O curso destina-se a pessoas de todo o mundo, sem conhecimentos prévios de português ou com diferentes níveis de proficiência linguística”, segundo uma nota da UM.

Lançado em 1986, o Curso de Verão “tem sido, desde sempre, um projecto importante no plano de formação de quadros bilíngues da Universidade”, refere a instituição de ensino superior.

Esta edição vai decorrer entre 6 e 24 de Julho, abrangendo aulas de língua, aulas temáticas e diversos workshops culturais e artísticos. “O curso não só ajudará a melhorar globalmente as competências linguísticas e o conhecimento sociocultural dos participantes, como também reforçará a sua consciência intercultural”, pode ler-se.

Tendo por base o Quadro Comum Europeu de Referência para as Línguas, o curso de língua disponibiliza quatro níveis: inicial (A1), elementar (A2), intermédio (B1 e B2) e avançado (C1). Os participantes podem escolher o nível adequado de acordo com a sua experiência de aprendizagem e nível de proficiência linguística, de forma a obter o melhor aproveitamento.

Segundo Tânia Santos Ferreira, prevê-se a canalização de 17 docentes para leccionarem o curso, com um total de 16 turmas dos diferentes níveis. As aulas de língua decorrem das 9h00 às 13h00, perfazendo um total de 60 horas lectivas.

Além das aulas de língua, os participantes podem participar numa oferta diversificada de workshops à tarde e à noite, com temas que abrangem literatura, história, cultura, dança e cinema, “permitindo-lhes vivenciar plenamente o encanto da cultura de língua portuguesa num ambiente imersivo”.

Tânia Santos Ferreira disse ao JTM que, em relação à edição anterior, estão a ser preparadas “algumas mudanças”, mas nos mesmos moldes. “Prevê-se um conjunto de acções que irão promover o contacto dos alunos com múltiplos aspectos da língua e da cultura portuguesas e dos países de língua portuguesa”, afirmou, acrescentando que os pormenores estão a ser finalizados.

“Estamos a envidar todos os esforços para oferecer acções de formação promovidas por especialistas de diferentes áreas, da literatura, da cultura dos países de língua portuguesa e também de Macau”, adiantou, frisando que a coordenação acredita que “será bastante proveitoso”.

Segundo o comunicado da UM, os materiais didácticos das actividades culturais são totalmente gratuitos. Após a conclusão do curso, os participantes com uma assiduidade igual ou superior a 80% receberão um certificado de conclusão, que incluirá a classificação final obtida. Os candidatos não locais e os que solicitam alojamento no campus devem ter pelo menos 18 anos, enquanto os residentes de Macau devem ter, no mínimo, 15 anos. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Macau - Rui Martins reconhecido pelo contributo para a Região

O vice-reitor da Universidade de Macau (UM), Rui Martins, foi distinguido com o grau de Comendador da Ordem de Mérito de Portugal, atribuído pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. À margem da cerimónia, descreveu o momento como “um reconhecimento de Portugal” e do seu “contributo para o desenvolvimento de Macau”


Recordando o percurso que iniciou em 1992, realçou a contribuição “que tem sido feita no sentido de desenvolver a UM, do ponto de vista académico, com características mundiais”. “Quando aqui cheguei, nunca pensei que isto pudesse acontecer, mas com o grande dinamismo desta região e das suas gentes, e também da nossa contribuição, foi possível”, asseverou.

“Quando vim, era uma cidade muito pequena e, neste momento, estamos na posição 145 do ranking mundial, ou seja, nas 200 universidades de topo. Agora, com o novo campo em Hengqin, creio que em 2030 a UM será capaz de entrar para as 100 universidades de topo a nível mundial”, projectou.

O vice-reitor também salientou o seu papel na “área da micro-electrónica, que não existia e que se desenvolveu ao longo de muitos anos, com a criação de um Laboratório de Referência da China e que também é líder mundial nesta área de ponta”.


Falou igualmente dos laços de Portugal com a China, no âmbito dos documentos do Primeiro Arquivo Histórico de Pequim, que contém registos de uma relação diplomática com 500 anos e que estiveram em exposição, no último ano, na Biblioteca da Ajuda.

Segundo Rui Martins, o Primeiro Arquivo Histórico de Pequim demonstrou “interesse em mostrar a exposição em Portugal”. “Em acordo com a Torre do Tombo, vamos, na segunda metade deste ano, transferir a exposição para lá, para ser exibida”, adiantou, em declarações aos jornalistas.

Na cerimónia de condecoração, que contou com a presença de várias figuras da comunidade, o Cônsul-Geral de Portugal, Alexandre Leitão, e o director do Departamento de Português da UM, João Veloso, teceram elogios ao percurso de Rui Martins. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”




sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

“Macau é importante para Timor-Leste”

Alarico da Costa Ximenes, decano da faculdade de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Nacional Timor-Leste, explica a importância de Macau na diplomacia timorense, que “opta por não se concentrar num só poder hegemónico”. É uma “ponte para os países lusófonos; e parte integrante da China”

– Qual é o projeto específico que o trouxe a Macau?

Alarico da Costa Ximenes – O projeto organizado pelo professor Francisco Leandro diz respeito a uma conferência sobre o estudo de Macau na sua relação com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Através da Universidade de Macau, convidou-me a vir aqui apresentar o meu trabalho, visitar vários lugares, e conhecer melhor a Universidade de Macau e a cooperação que leva a cabo com outros membros da CPLP.

– Qual é hoje em dia a importância da CPLP para Timor-Leste?

A.C.X. – Esse bloco estratégico, como aqui expliquei na minha apresentação, é muito importante para Timor-Leste. Não é só a minha opinião, mas sim a ideia mais comum entre a população e os nossos políticos, porque o país adoptou o português – e o tétum – como línguas oficiais. Por isso a CPLP é importante para Timor-Leste, não apenas para a construção e desenvolvimento de infraestruturas, mas também para melhorar o desenvolvimento da língua portuguesa. Recordo que, naquela época da ocupação de Indonésia – durante 24 anos – o português era proibido em Timor-Leste. Hoje continua a ser muito importante desenvolver a língua portuguesa, a mais adequada para o futuro de Timor-Leste.

– Língua portuguesa, que se tornou um fator central na construção de identidade; um dos pilares da independência…

A.C.X. – Sim, claro; até pelas circunstâncias em que a decisão foi tomada. A língua portuguesa, em geral, é central na construção da identidade dos países membros da CPLP; especialmente em Timor-Leste. Estamos longe, em termos geográficos, e a língua portuguesa faz de Timor-Leste um caso único e especial no Sudeste Asiático. É uma identidade que nos diferencia de outros países membros da ASEAN, e de todos os países do Sudeste Asiático. Isso permite-nos, simultaneamente, desenvolver relações com os países da CPLP e da ASEAN.

– Quando olham para Macau pensam na ponte para a Lusofonia? Ou, sobretudo, numa via que facilita as relações com a China, nomeadamente por via do Fórum de Macau?

A.C.X. – As duas coisas. Em primeiro lugar em termos de língua, porque o português também é aqui língua oficial; para além de um fator de identidade, é um laço forte entre Macau e Timor-Leste. Por outro lado, durante a invasão indonésia estiveram aqui [em Macau] muitos timorenses fugidos da guerra, o que reforça ainda mais a relação. Já no que toca à relação com a China, a questão não se coloca na língua, mas no campo da infraestrutura económica. Timor não vai esquecer Macau, porque a História nos liga; mas também porque nos ajuda a estar não só na ASEAN, com a mais-valia de pertencermos ao bloco dos países lusófonos. Macau é importante para Timor-Leste.

– Essa relação está a crescer, ou está estabilizada?

A.C.X. – Do meu ponto de vista está a crescer. Temos aqui o Fórum de Macau, que tive a oportunidade de visitar; e isso quer dizer que Macau não é uma relação do passado, mas sim do presente. Temos aqui um representante no Fórum de Macau; pelo que, comparado com o passado, posso dizer que a relação com Macau agora cresce mais do que antes.

– Potências maiores, como o Brasil, têm relações bilaterais tão fortes com a China que torna difícil criar em Macau novas oportunidades. No caso de Timor-Leste, Macau pode assumir-se como instrumento estratégico nas relações com a China?

A.C.X. – Timor-Leste vê as duas coisas: Macau como ponte para os países lusófonos; e parte integrante da China.

– Dupla estratégia…

A.C.X. – Sim, é uma dupla visão. Beneficia Timor-Leste como país membro da CPLP; mas também na relação com a China. Em termos de relações internacionais, Timor-Leste opta por não se concentrar num só poder hegemónico, prefere multiplicar as relações. Isso em termos gerais; não vale especificamente para Macau.

– Ou seja, Macau é duplamente importante; garante relações com a China, e toda a Lusofonia. No fundo, é uma ponte para essa diversificação, essa estratégia não monolítica.

A.C.X. – Exatamente; isso é o que Timor está a fazer. Paulo Rego – Macau in “Plataforma”

 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

China - Arrancou construção do novo campus da Universidade de Macau

A construção do novo campus da Universidade de Macau (UM), que vai incluir a primeira faculdade de medicina pública da região chinesa, em colaboração com a Universidade de Lisboa (ULisboa) arrancou na sexta-feira


Num comunicado, a UM disse que a cerimónia de lançamento da primeira pedra, presidida pelo líder do Governo, Sam Hou Fai, decorreu na Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau, na vizinha Hengqin (ilha da Montanha).

O novo campus ocupará uma área de quase 376 mil metros quadrados na zona económica especial e a construção deverá demorar cerca de três anos, com uma inauguração parcial prevista para 2028 e a conclusão das obras em 2029.

Quatro novas faculdades irão nascer no novo campus da UM em Hengqin, incluindo as de Ciências de Informação, Design e Engenharia, assim a primeira faculdade de medicina pública de Macau.

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, uma instituição privada, tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, oficialmente rebatizada como Faculdade de Medicina em 2019.

Em junho, o diretor da Faculdade de Medicina da ULisboa disse à Lusa que os médicos formados na futura Faculdade de Medicina da UM poderão também exercer em Portugal.

A ULisboa está a colaborar com a UM para criar um currículo com uma estrutura “próxima daquela que é a estrutura” dos cursos na instituição portuguesa, disse Luís Graça.

O dirigente explicou que os cursos vão funcionar em co-tutela, permitindo aos médicos formados na UM obterem “uma equivalência e um reconhecimento” pela Faculdade de Medicina da ULisboa.

Entre as vantagens estará “permitir assim que os médicos formados no território possam também exercer medicina em Portugal”, sublinhou o investigador.

Em Dezembro, o vice-reitor da UM, Rui Martins, disse que o novo campus apostará em “‘dual degrees’ [cursos em co-tutela] com universidades estrangeiras. A medicina já está com Lisboa e agora estamos a definir para as outras faculdades”.

O novo campus em Hengqin deverá permitir à UM passar dos atuais 15 mil para um máximo de 25 mil alunos, sublinhou o vice-reitor para Assuntos Globais, numa entrevista ao canal em língua portuguesa da televisão pública local TDM.

Luís Graça, especialista em imunologia de transplantes, demonstrou também entusiasmo com potenciais colaborações entre as duas universidades na área da investigação científica. “Se nós pensarmos em termos de ciência, o reforço do potencial científico de ambas as instituições com uma colaboração próxima entre si é algo que claramente vai beneficiar ambos os lados dessa parceria”, disse o dirigente. Graça disse que a Faculdade de Medicina da ULisboa está a organizar o primeiro simpósio para reunir os investigadores da instituição e da UM, com vista a promover projetos conjuntos de investigação. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 1 de outubro de 2025

China – Português Rui Martins recebe em Pequim a Medalha da Amizade

O vice-reitor da Universidade de Macau, Rui Martins, recebeu em Pequim a Medalha da Amizade do Governo chinês, naquele que é considerado o maior prémio concedido pela República Popular da China a especialistas estrangeiros que tenham feito contribuições notáveis para o progresso económico e social do país”. A cerimónia, integrada nas celebrações do Dia Nacional da China, decorreu no Grande Palácio do Povo e contou com outas personalidades igualmente distinguidas


A Medalha da Amizade, que é a mais alta condecoração da China atribuída a personalidades estrangeiras que se tenham destacado por “contribuições notáveis” em diversas áreas, foi entregue a Rui Martins. A cerimónia foi agendada para o Grande Palácio do Povo, em Pequim.

Outras figuras de relevo que contribuíram para a “modernização socialista da China, a promoção do intercâmbio e da cooperação entre a China e países estrangeiros e a protecção da paz mundial”, foram igualmente distinguidas com medalhas e certificados. Todos os agraciados “cooperaram e participaram activamente no apoio ao desenvolvimento social, cultural, económico e internacional da China em vários graus”, pode ler-se na justificação para a entrega deste galardão.

O “Friendship Award”, que em 2024 distinguiu, entre outros, Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil e presidente, desde 2023, do Novo Banco de Desenvolvimento, sediado em Xangai (Banco do BRICS), foi criado inicialmente como Medalha da Amizade Sino-Soviética em 1951. Nessa altura, foi concedido a especialistas da antiga União Soviética e de países da Europa Oriental pelo então Primeiro-Ministro Zhou Enlai e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Chen Yi.

Em 1955, o governo chinês decretou que cada especialista soviético que partisse receberia uma medalha, a qual apresentava as bandeiras da China e da União Soviética, juntamente com a inscrição “Viva a Amizade Sino-Soviética”.

O prémio da amizade foi abolido com a ruptura sino-soviética no início da década de 1960. Durante o período que se seguiu, em particular a Revolução Cultural, os estrangeiros na China eram frequentemente considerados “espiões” e muito poucos permaneceram no país.

Após a reabertura da China, um novo Prémio da Amizade foi reintroduzido em 1991. Desde então, os vencedores têm sido seleccionados pela Administração Estatal de Assuntos de Especialistas Estrangeiros sob o Conselho de Estado.

O prémio, concedido como parte das comemorações do Dia Nacional da República Popular da China consiste numa medalha e num certificado. A medalha é decorada com uma imagem da Grande Muralha e adoptou vários elementos, como uma pomba, seguida por um sinal de aperto de mão que simboliza a atitude amigável da China para com outros países. A placa da medalha é rodeada por pétalas de lótus, uma flor que representa pureza, paz e harmonia na cultura tradicional chinesa.

Além desta condecoração nacional, vários prémios locais para especialistas estrangeiros também são concedidos nos níveis provincial, regional e municipal.

A primeira Medalha da Amizade, no novo formato, foi concedida pelo Presidente Xi Jinping ao homólogo russo, Vladimir Putin, em 8 de Junho de 2018.

Esta é a primeira condecoração da República Popular da China a Rui Martins, tendo o académico português sido já agraciado em Macau, nomeadamente com a Medalha de Mérito Profissional atribuída em 1999, o “Título Honorífico de Valor (2001) e Medalha de Mérito na Educação (2021). Obteve também o Prémio Nacional de Engenharia Eléctrica (Portugal, 2024).

Com 68 anos de idade, nasceu em São Jorge de Arraiolos, em Lisboa, mas cresceu em Moçambique, onde se formou. É conhecido pelas suas contribuições para a investigação em microelectrónica e ensino superior, exercendo funções de vice-reitor da Universidade de Macau (UM) para os Assuntos Globais, desde 1997. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Macau – Universidade de Macau descobre nova combinação de fármacos para tratar cancros

Um grupo de cientistas da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Macau identificou uma nova combinação de medicamentos, que possibilita melhores terapias para tratar cancros


Uma equipa de investigação liderada por Chuxia Deng, docente da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Macau (UM), identificou uma nova estratégia, que aumenta a eficácia de tratamentos contra tumores sólidos. A abordagem recorre a uma combinação dos medicamentos “tetratiomolibdato de amónio”, “plerixafor” e “bortezomib”, de acordo com um comunicado.

Os resultados do estudo demonstram que esta combinação de fármacos pode ajudar a melhorar tratamentos de cancros da mama. Os inibidores de proteassoma, como o “bortezomib”, são amplamente utilizados em terapias, por serem eficaz para tratar tumores líquidos, como cancros do sangue. Contudo, os inibidores de proteassoma não são tão eficazes contra tumores sólidos.

O grupo de investigadores descobriu que o “tetratiomolibdato de amónio” e o “plerixafor” podem sensibilizar as células do cancro da mama ao “bortezomib”, revertendo eficazmente a resistência dos tumores. O comunicado refere que este estudo tem um “potencial clínico significativo” e fornece uma nova estratégia de combinação de fármacos para a terapia baseada em inibidores do proteassoma contra tumores sólidos.

A investigação atraiu bastante atenção na área da biomedicina e foi publicada na revista internacional “Cell Reports Medicine”. A equipa de investigadores incluiu os doutorandos Tang Dongyang, Lin Shiqi, Chu Xiangpeng, Li Ling, He Lin e Qiao Yunfeng, os pós-doutorandos, Josh Lei Haipeng e Zhou Jingbo, e os professores Shao Fangyuan, Sun Heng e Xu Xiaoling. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sexta-feira, 1 de agosto de 2025

China - Alunos atraídos pelo curso de Verão de Português da Universidade de Macau

A Universidade de Macau terminou mais uma edição do Curso de Verão de Português. Desta feita, houve um aumento do número de alunos face ao ano passado, foram 406, o equivalente a uma subida de 18%. Segundo Vítor Silva, um dos coordenadores do curso, a maioria dos estudantes veio do Interior da China, perfazendo 81% do total. Além disso, 61% dos alunos frequentaram o nível iniciante do curso. Ao Jornal Tribuna de Macau, o docente traçou um balanço positivo da edição deste ano, defendendo que a iniciativa tem condições para “aliciar” cada vez mais pessoas


Terminou mais uma edição do Curso de Verão promovido pelo Departamento de Português da Universidade de Macau (UM). Ao longo de várias semanas, alunos de várias partes do mundo estiveram no território para aprender mais sobre a Língua de Camões. Um dos coordenadores da iniciativa, Vítor Silva, disse ao Jornal Tribuna de Macau que “foi um objectivo muito bem atingido por parte da UM e que se notou até pelo aumento do número de alunos”. Este ano foram 406, contra 343 em 2024, uma subida de 18%.

A maioria dos estudantes é da China Continental, num total de 331, o equivalente a 81,5% do total. Contabilizaram-se ainda 67 de Macau, três de Timor-Leste, um de Taiwan e outro da Austrália. “Em geral, as 18 turmas tinham todas entre 20 a 23 alunos, sendo que 10 turmas eram do nível básico, quatro do elementar, três do intermédio e uma de avançado”, explicou Vítor Silva, vincando que grande parte são de iniciação.

Em concreto, o docente indicou que 248 alunos frequentaram o nível de iniciação, representando 61% do total, ao passo que 96 estiveram no nível elementar, 48 no intermédio e 14 no nível avançado. “Muitos alunos eram, por exemplo, do nível elementar que vinham da China, muitos deles de locais como Sichuan, Pequim… Mas também aparecem muitos alunos que vêm de outras licenciaturas ou que vêm de outras licenciaturas em línguas, mas não propriamente de Português. Daí haver esse número exponencial de turmas do nível básico”, prosseguiu Vítor Silva.

O docente da UM indicou que na maioria os alunos são dos primeiros anos de licenciatura, à excepção de 24 que são enviados pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, que são um pouco mais jovens, uma vez que frequentam as escolas secundárias. “Claro que há um ou outro caso mais específico. Estou a lembrar-me de uma aluna que veio de Xinjiang, licenciada em Economia, e que está a estudar Português porque esteve a trabalhar em Angola”, contou.

Os níveis intermédio e avançado tiveram 45 horas de disciplinas voltadas para a língua e três módulos, de 15 horas, voltados para outros aspectos relacionados: literatura, tradução e interpretação e ainda investigação.

Segundo explicou Vítor Silva, o curso funcionou mais ou menos nos mesmos moldes das últimas duas edições, além das aulas em si, houve actividades para os alunos se ligarem também à cultura. “Durante a tarde tiveram as danças folclóricas e a capoeira. Também tiveram outros dois tópicos, que foi Introdução aos Países de Língua Portuguesa e outro intitulado Portugal contemporâneo”, indicou.

Além disso, “os professores foram todos motivados para levar os seus alunos, a levar cada turma, por exemplo, a passear pela cidade, houve alguns que foram visitar exposições”. “Eu, por exemplo, levei duas turmas ao Tromba Rija”, acrescentou, explicando que dessa forma puderam ficar a conhecer um pouco acerca da gastronomia portuguesa. “Os alunos aproveitaram também para passear em Coloane e Taipa, e certamente é um contexto que não têm nos sítios onde eles vivem”, apontou.

Quanto ao número de docentes, nesta 39ª edição estiveram envolvidos 20 professores de língua ou de áreas específicas. “Houve algumas turmas que tiveram uma primeira parte com um professor e outra com outro docente, dada a dificuldade de encontrar docentes nesta altura”, explicou Vítor Silva. Além disso, houve outros formadores para as actividades extracurriculares.

Vítor Silva considera que o curso de Português de Verão “tem todas as condições para continuar a ser cada vez mais aliciante e a motivar mais pessoas”. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”




quarta-feira, 30 de julho de 2025

Macau - Apoios atribuídos pela Fundação Macau quadruplicaram no primeiro semestre

A Fundação Macau concedeu quase 1,6 mil milhões de patacas de apoio financeiro entre Janeiro e Junho deste ano, um aumento significativo de quatro vezes mais em relação ao período homólogo do ano passado. Além dos subsídios dados a associações tradicionais, destacam-se os apoios para a Universidade de Macau relativos à aquisição de um terreno para o novo campus em Hengqin, envolvendo uma verba superior a mil milhões de patacas


Nos primeiros seis meses deste ano, a Fundação Macau deu aprovação a mais de mil pedidos de apoio financeiro, cujo montante de financiamento atingiu 1,59 mil milhões de patacas. O valor total representa uma subida acentuada de 306% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram canalizados 391 milhões de patacas.

O valor atribuído no primeiro trimestre deste ano foi de 1,26 mil milhões de patacas, equivalendo a um aumento anual de 556%, enquanto o do segundo trimestre foi de 325 milhões de patacas (+64%), segundo consta na lista de apoio financeiro actualizada pela entidade na Plataforma de divulgação pública das informações dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos.

Analisando os dados, a diferença no valor total concedido pela Fundação Macau no primeiro semestre do ano deveu-se principalmente a dois projectos aprovados a pedido da Universidade de Macau (UM). A instituição de ensino superior foi beneficiária de uma verba de 373,4 milhões de patacas em Janeiro, de 659,8 milhões de patacas em Fevereiro, e também de 139,2 milhões de patacas em Junho, o que totalizou em mais de 1,17 mil milhões de patacas.

A Fundação Macau indicou que foram apoios financeiros para a UM relativamente à aquisição de um terreno para fins educativos na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Os três pagamentos correspondem à “primeira prestação” e “última prestação” do subsídio, avançou o organismo.

A Fundação Macau financiou em Janeiro com 50 milhões de patacas a Fundação Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, no âmbito do projecto do satélite “Macau Science Satellite-2”.

Nesse sentido, ao contrário do habitual, as associações tradicionais de Macau deixaram de ser as maiores entre as entidades beneficiárias. Das associações tradicionais, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau continua, como habitualmente, a ser a entidade que recebeu mais subsídios, tendo angariado 36 milhões de patacas, com os montantes de 16,6 milhões e de 19,3 milhões de patacas nos dois trimestres, respectivamente.

Segue-se a Federação das Associações dos Operários de Macau, com um total de 28,7 milhões de patacas de subsídio recebido até Junho. A Associação Geral das Mulheres foi atribuída com 27,6 milhões de patacas, enquanto a Aliança de Povo de Instituição de Macau, associação ligada à comunidade de Fujian, recebeu 14 milhões de patacas.

Os apoios financeiros foram principalmente para as despesas de funcionamento das associações, bem como subsídios para organização de actividades comunitárias.

As entidades de matriz portuguesa estão também entre as beneficiadas. A Fundação Escola Portuguesa de Macau foi concedida com um montante de apoio financeiro de 9,8 milhões de patacas na primeira metade do ano, em termos de subsídios para actividades e despesas para o ano lectivo. Registou-se assim um acréscimo de 20% no valor de apoio financeiro obtido por este organismo em relação ao mesmo período do ano transacto.

Por sua vez, a Casa de Portugal em Macau recebeu um financiamento de 7,5 milhões de patacas, cuja maioria serviu para despesas de funcionamento da associação, além de apoio financeiro para actividades.

A Fundação Macau concedeu à Associação Promotora da Instrução dos Macaenses um apoio financeiro de 765 mil patacas. Já a Associação dos Macaenses recebeu 2,1 milhões de patacas, enquanto a Associação dos Jovens Macaenses angariou 121 mil patacas de subsídio para actividades. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 17 de junho de 2025

Macau - Médicos formados pela Universidade de Macau vão poder exercer em Portugal

Universidades de Lisboa e Macau vão oferecer curso de Medicina em co-tutela, com reconhecimento mútuo e aposta na investigação científica


A Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (ULisboa) está a colaborar com a Universidade de Macau (UM) para criar um currículo com uma estrutura “próxima daquela que é a estrutura” dos cursos na instituição portuguesa, disse à Lusa um dirigente da ULisboa.

Luís Graça explicou que os cursos vão funcionar em co-tutela, permitindo aos médicos formados na UM obterem “uma equivalência e um reconhecimento” pela Faculdade de Medicina da ULisboa.

Entre as vantagens estará “permitir assim que os médicos formados aí no território [Macau] possam também exercer medicina em Portugal”, sublinhou o investigador.

Em dezembro, o vice-reitor da UM, Rui Martins, disse que a ULisboa vai ajudar a criar a primeira faculdade de medicina pública de Macau, no novo campus da instituição, em Hengqin.

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, uma instituição privada, tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, oficialmente rebatizada como Faculdade de Medicina em 2019.

Numa entrevista ao canal em língua portuguesa da televisão pública local TDM, Martins disse que Medicina será uma das quatro novas faculdades a nascer no novo campus da UM em Hengqin.

“Teremos uma Faculdade de Ciências da Informação, uma Faculdade de Engenharia, com novos tipos de engenharia, e também uma Faculdade de Design e que deverá incluir arquitetura”, referiu o académico português.

“A ideia nesse campus é termos ‘dual degrees’ [cursos em co-tutela] com universidades estrangeiras. A medicina já está com Lisboa e agora estamos a definir para as outras faculdades”, acrescentou Martins.

O novo campus em Hengqin, cuja primeira pedra foi lançada em 09 de dezembro, deverá ser inaugurado em 2028 e permitir à UM passar dos atuais 15 mil para um máximo de 25 mil alunos, sublinhou o vice-reitor para Assuntos Globais.

Luís Graça, especialista em imunologia de transplantes, demonstrou também entusiasmo com potenciais colaborações entre as duas universidades na área da investigação científica.

“Se nós pensarmos em termos de ciência, o reforço do potencial científico de ambas as instituições com uma colaboração próxima entre si é algo que claramente vai beneficiar ambos os lados dessa parceria”, disse o dirigente.

Graça disse que a Faculdade de Medicina da ULisboa está a organizar o primeiro simpósio para reunir os investigadores da instituição e da UM, com vista a promover projetos conjuntos de investigação.

A faculdade tem tido “colaborações pontuais de investigadores com investigadores de outras universidades chinesas”, uma vez que “é importante uma proximidade com locais onde se faz ciência de excelência e ensino de excelência”, disse o diretor.

Mas Graça disse que a colaboração com a UM é “mais institucional (…) e pode permitir um reforço ainda maior dessas parcerias”. In “Plataforma” – Macau com “Lusa”