Mar de mares
Dentro da memória se
guarda o amor
silencioso das cinzas. Um
mar secreto
que nos invade em
insistentes dobras
do tempo. Provo de tua
imortalidade,
um cinema tecido entregue
a orações:
dá-me teu amor, oh dá-me
teu amor.
Lembra-me o poeta que a
dor não
passa de um minuto. Nada
se iguala
ao vento de tua voz, festa
de sombras.
Outro corpo que se esboça
em plena dor.
Capela severa do mar
dentro da qual
escrevemos e os versos
nunca retornam.
Secreto vínculo com o
destino — oh dá-me —
que não se encontra nunca
em casa.
Floriano Martins – Brasil
________
Nascido em Fortaleza, no Ceará, onde vive,
Floriano Martins (1957), registrado Floriano Benevides Jr., poeta, editor, ensaísta, artista plástico e tradutor,
tem se dedicado, em particular, ao estudo da literatura hispano-americana,
sobretudo no que diz respeito à poesia. Foi editor do jornal Resto do
Mundo (1988/89) e da revista Xilo (1999). Em janeiro de 2001,
criou o projeto Banda Hispânica, banco de dados permanente sobre
poesia de língua espanhola, de circulação virtual, integrado ao Jornal de
Poesia.
São de sua autoria também o projeto Atlas
Lírico da América Hispânica, tradução de poesia,
que realiza nas páginas virtuais da revista Acrobata, do Piauí; e a
Coleção Livros Impossíveis, e-books distribuídos gratuitamente,
em parceria com a poeta salvadorenha Juana M. Ramos.
Em 1999, criou a Agulha Revista
de Cultura e o selo ARC Edições, com mais de uma centena de
livros publicados de autores de diversos países. Um dos maiores estudiosos do Surrealismo
na América, é autor de dois livros de ensaios nessa área: Um novo continente
– Poesia e Surrealismo na América (Fortaleza, ARC Edições, 2016) e Escritura
conquistada – Poesia hispano-americana (Fortaleza, ARC Edições, 2018).
Entre as suas obras mais recentes,
destacam-se: Sombras no jardim (Natal-RN, Sol Negro
Edições, 2023); Tríptico da agonia, em parceria com Berta
Lucía Estrada (Natal, Sol Negro Edições, 2021); A grande obra da carne (Fortaleza,
ARC Edições, 2017); Un poco más de Surrealismo
no hará ningún daño a la realidad
(ensaio, Universidad Autónoma de la Ciudad de
México, 2015); Antes que a árvore se feche
(Fortaleza, ARC Edições, 2020); Naufrágios do tempo, novela,
em parceria com Berta Lucía Estrada (Fortaleza, ARC Edições, 2020); El frutero
de los sueños (poesia, Wilmington, EUA, Generis
Publishing, 1997), e A volta da baleia Beluxa
(Fortaleza, ARC Edições, 2017-2020), também em co-autoria com Zuca Sardan. Com
Leontino Filho, organizou Confissões de um espelho:
Cruzeiro Seixas (Fortaleza, ARC Edições, 2016).
Traduziu livros de César Moro (1903-1956),
Federico García Lorca (1898-1936), Guillermo Cabrera Infante (1929-2005),
Vicente Huidobro (1893-1948), Enrique Molina (1910-1997), Jorge Luis Borges
(1899-1986), Aldo Pellegrini (1903-1973) e Pablo Antonio Cuadra (1912-2002),
entre outros autores espanhóis e hispano-americanos.
Esteve presente em festivais literários
realizados em países como Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República
Dominicana, El Salvador, Equador, Espanha, México, Nicarágua, Panamá, Portugal
e Venezuela. Foi curador da Bienal Internacional do Livro do Ceará (Brasil,
2008) e membro do júri do Prêmio Casa de las Américas (Cuba, 2009), do Concurso
Nacional de Poesia (Venezuela, 2010) e do Prêmio Anual da Fundação Biblioteca
Nacional (Brasil, 2015). Atuou, em 2010, como professor convidado da
Universidade de Cincinnati, em Ohio, Estados Unidos. Adelto Gonçalves - Brasil
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