Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 14 de abril de 2026

Macau - Líder da UCCLA admite que cidades lusófonas têm “muito a aprender com a China”

O secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), Luís Campos Ferreira, indicou que as cidades lusófonas têm “muito a aprender com a China”


A organização realizou uma assembleia-geral em Macau, região fundadora da UCCLA. “A República Popular da China deposita em Macau a sua plataforma para os países de língua portuguesa e, neste caso concreto, para as cidades de língua portuguesa. A China é muito útil e tem muito conhecimento a transmitir. Todos nós temos muito a aprender com a China também”, afirmou.

O antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, entre 2013 e 2015, destacou também ser preciso melhorar a cooperação entre cidades lusófonas para além dos campos económicos e culturais. “O que sentimos é que há uma vontade de colaborar ainda mais, de as cidades partilharem conhecimento umas com as outras, para responder melhor às necessidades dos cidadãos”, afirmou Luís Campos Ferreira.

O responsável destacou que a comunicação já existe em várias dimensões, “nomeadamente na cultural e na económica”, mas que precisa de ser reforçada.

A reunião aprovou diversas moções de condolências pelas tragédias recentes que afectaram cidades em Portugal, Angola, Cabo Verde e Moçambique, e decidiu que a próxima reunião magna da UCCLA será realizada em Guimarães.

À margem da reunião, realiza-se esta terça-feira um fórum empresarial subordinado ao tema “Infra-estruturas e Cidades Inteligentes”, destinado a reforçar a dinâmica económica e comercial da instituição. Após o encontro, o Governo de Macau organiza uma visita a Hengqin, para explorar oportunidades com empresas do interior da China.

O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, que participou pela primeira vez numa assembleia da UCCLA, sublinhou à Lusa a importância de projectos comuns e da partilha de experiências entre municípios. “É fundamental que os municípios tenham consciência do papel e do potencial que têm. Oeiras tem uma experiência muito positiva em matéria de cooperação descentralizada, com vários milhões de euros já aplicados em projectos, e estamos disponíveis para cooperar”, afirmou.

Isaltino Morais acrescentou que “enquanto alguns municípios têm experiência mais avançada em determinadas áreas”, outros ainda estão a “lutar por infra-estruturas básicas”, mas que “potenciar estas sinergias pode ser muito positivo para a qualidade de vida das populações”.

“Oeiras representa cerca de 10% do PIB [Produto Interno Bruto] português o que nos interessa é tudo o que tenha a ver com desenvolvimento tecnológico, biomedicina, biotecnologias e tecnologias de informação, áreas em que a China tem experiência e capacidade de investimento”, destacou.

A UCCLA é uma organização intermunicipal, sem fins lucrativos, que se dedica ao fomento do intercâmbio e da cooperação entre os seus membros em vários domínios. Constituída em 1985, tem entre as cidades fundadoras Bissau, Lisboa, Luanda, Macau, Maputo, Praia, Rio de Janeiro e São Tomé/Água Grande.

Actualmente, congrega 106 membros, entre os quais 24 efectivos, 44 associados, 28 apoiantes e 10 observadores.

Oferecido busto de Camões


No âmbito das actividades paralelas à Assembleia Geral da UCCLA, foi ontem oferecido às autoridades municipais de Macau um busto de Luís de Camões, “símbolo do elo comum e duradouro entre as cidades e instituições membros da UCCLA de língua portuguesa”. Segundo a UCCLA, a obra, da autoria de Diogo Munõz, é patrocinada pela Comissão para as Comemorações do V Centenário de Luís de Camões, e o pedestal do busto é uma oferta da “China Construction Engineering (Macau)”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”




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