O secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), Luís Campos Ferreira, indicou que as cidades lusófonas têm “muito a aprender com a China”
A organização realizou uma
assembleia-geral em Macau, região fundadora da UCCLA. “A República Popular da
China deposita em Macau a sua plataforma para os países de língua portuguesa e,
neste caso concreto, para as cidades de língua portuguesa. A China é muito útil
e tem muito conhecimento a transmitir. Todos nós temos muito a aprender com a
China também”, afirmou.
O antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e
Cooperação, entre 2013 e 2015, destacou também ser preciso melhorar a
cooperação entre cidades lusófonas para além dos campos económicos e culturais.
“O que sentimos é que há uma vontade de colaborar ainda mais, de as cidades
partilharem conhecimento umas com as outras, para responder melhor às
necessidades dos cidadãos”, afirmou Luís Campos Ferreira.
O responsável destacou que a comunicação já existe em
várias dimensões, “nomeadamente na cultural e na económica”, mas que precisa de
ser reforçada.
A reunião aprovou diversas moções de condolências pelas
tragédias recentes que afectaram cidades em Portugal, Angola, Cabo Verde e
Moçambique, e decidiu que a próxima reunião magna da UCCLA será realizada em
Guimarães.
À margem da reunião, realiza-se esta terça-feira um fórum
empresarial subordinado ao tema “Infra-estruturas e Cidades Inteligentes”,
destinado a reforçar a dinâmica económica e comercial da instituição. Após o
encontro, o Governo de Macau organiza uma visita a Hengqin, para explorar
oportunidades com empresas do interior da China.
O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino
Morais, que participou pela primeira vez numa assembleia da UCCLA, sublinhou à
Lusa a importância de projectos comuns e da partilha de experiências entre
municípios. “É fundamental que os municípios tenham consciência do papel e do
potencial que têm. Oeiras tem uma experiência muito positiva em matéria de
cooperação descentralizada, com vários milhões de euros já aplicados em
projectos, e estamos disponíveis para cooperar”, afirmou.
Isaltino Morais acrescentou que “enquanto alguns
municípios têm experiência mais avançada em determinadas áreas”, outros ainda
estão a “lutar por infra-estruturas básicas”, mas que “potenciar estas
sinergias pode ser muito positivo para a qualidade de vida das populações”.
“Oeiras representa cerca de 10% do PIB [Produto Interno
Bruto] português o que nos interessa é tudo o que tenha a ver com
desenvolvimento tecnológico, biomedicina, biotecnologias e tecnologias de
informação, áreas em que a China tem experiência e capacidade de investimento”,
destacou.
A UCCLA é uma organização intermunicipal, sem fins
lucrativos, que se dedica ao fomento do intercâmbio e da cooperação entre os
seus membros em vários domínios. Constituída em 1985, tem entre as cidades
fundadoras Bissau, Lisboa, Luanda, Macau, Maputo, Praia, Rio de Janeiro e São
Tomé/Água Grande.
Actualmente, congrega 106 membros, entre os quais 24
efectivos, 44 associados, 28 apoiantes e 10 observadores.
Oferecido busto de Camões
No âmbito das actividades paralelas à Assembleia Geral da
UCCLA, foi ontem oferecido às autoridades municipais de Macau um busto de Luís
de Camões, “símbolo do elo comum e duradouro entre as cidades e instituições
membros da UCCLA de língua portuguesa”. Segundo a UCCLA, a obra, da autoria de
Diogo Munõz, é patrocinada pela Comissão para as Comemorações do V Centenário
de Luís de Camões, e o pedestal do busto é uma oferta da “China Construction
Engineering (Macau)”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”
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