A Universidade Nova de Lisboa (UNL) vai inaugurar amanhã, em Macau, um laboratório sino-português para estudar “energia sustentável, ecrãs de última geração e dispositivos inteligentes”, disse a cientista Elvira Fortunato à Lusa. A nova instituição vai juntar o Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3N) da UNL e o Instituto de Ciências e Engenharia de Materiais da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM).
O Laboratório Conjunto Sino-Português de Optoelectrónica
irá reunir “conhecimentos especializados em optoelectrónica, nanotecnologia e
materiais avançados de ambos os lados”, explicou Fortunato.
A optoelectrónica é o estudo e aplicação de aparelhos
electrónicos que fornecem, detectam e controlam luz, incluindo os computadores
do futuro, que poderão funcionar com luz e não só com transições electrónicas.
O objectivo é ser “um espaço onde investigadores de
Portugal, China e outros países podem trabalhar (…) em desafios comuns, como
energia sustentável, ecrãs de última geração e dispositivos inteligentes”,
acrescentou Fortunato.
“Macau, com a sua história singular como ponto de
encontro entre o Oriente e o Ocidente, é um local natural para este tipo de
colaboração”, sublinhou a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e
Ensino Superior (2022-2024).
Fortunato sublinhou que o laboratório conjunto
“representa o culminar de uma longa e profícua parceria” entre as duas
universidades, que no final de 2025 assinaram um novo acordo de cooperação.
O acordo teve o apoio do Governo de Macau e o novo
laboratório conta já com financiamento do Fundo para o Desenvolvimento das
Ciências e da Tecnologia da RAEM. Isto “envia um sinal claro de que o Governo
de Macau está empenhado em desenvolver uma capacidade de investigação de classe
mundial e em transformar as descobertas científicas em impacto no mundo real”,
acrescentou.
Elvira Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, que lidera
a Academia Europeia de Ciências desde 2018, são conhecidos por terem inventado,
em 2008, com colegas, o chamado “papel electrónico”, o primeiro transístor
feito de papel.
Martins, coordenador do i3N-NOVA, sublinhou que o
instituto está também a desenvolver um outro projecto de investigação em
parceria com a UCTM sobre “os chamados materiais funcionais avançados” para a
energia.
Em paralelo com a inauguração do laboratório, a UCTM irá
acolher um fórum de três dias sobre materiais optoelectrónicos, em colaboração
com a Universidade de Suzhou, no leste da China.
Numa nota enviada à Lusa, a UCTM
sublinhou que “este laboratório é o primeiro do seu género em Macau e o
primeiro laboratório de investigação conjunta China-Portugal (…) dedicado à
optoelectrónica”. A instituição vai apostar “no desenvolvimento colaborativo de
materiais e dispositivos optoelectrónicos inovadores, em consonância com o 15.º
Plano Quinquenal de Desenvolvimento Industrial da China”, acrescentou. In “Jornal
Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”
Sem comentários:
Enviar um comentário