Uma rota Macau-Lisboa, via Hangzhou e com serviço de bagagem despachada até ao destino final, está em planeamento da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, que está a estudar com a Beijing Capital Airlines para a operação desta ligação. A empresa revelou também que o transporte de mercadorias de Macau para a Europa representou um terço do volume total de carga do aeroporto local no ano passado
A CAM – Sociedade do Aeroporto
Internacional de Macau (CAM) adiantou estar em negociações com a Beijing
Capital Airlines para lançar voos entre Macau e Lisboa, com escala em Hangzhou,
no interior da China, com registo das malas directo até ao destino final.
A negociação tem como objectivo “promover voos da Beijing
Capital Airlines entre Hangzhou e Macau, utilizando Hangzhou como ponto de
escala para voos directos para Lisboa”, explicou Edman Lee, director adjunto do
Departamento de Marketing da CAM ao Canal Macau em língua chinesa.
Recorde-se que a Beijing Capital Airlines opera já uma
ligação directa entre Lisboa e a cidade chinesa de Hangzhou, sendo actualmente
a única rota aérea directa entre Portugal e a China. Essa ligação tem agora uma
frequência de dois voos semanais e a rota tem uma duração aproximada de 13
horas.
O plano actual entre a CAM e a Beijing Capital Airlines é
permitir que os passageiros do território possam apanhar voos Macau-Hangzhou
com a mesma companhia aérea chinesa e fazer a viagem directa de Hangzhou para
Lisboa, sem passar o controlo de migração em Hangzhou e recolher a bagagem só
na capital portuguesa.
A CAM indicou que será também possível fazer escala em
Pequim para chegar a Lisboa, com a ligação entre as duas cidades a ser lançada
em breve.
Recorde-se que a Beijing Capital Airlines já anunciou que
vai lançar, durante o Verão, uma ligação aérea directa entre Pequim e Lisboa,
numa operação sazonal com início no final de Junho e duração de cerca de três
meses. O voo terá uma frequência semanal que parte de Lisboa à segunda-feira.
Além disso, a CAM pretende ainda utilizar cidades da
China continental, como Pequim, Chengdu e Chongqing, como pontos de escala com
tempo de espera em menos de três horas, para lançar voos com transferência de
bagagem directa para destinos europeus, como a Espanha.
A empresa gestora do Aeroporto de Macau assegurou que
está a “promover activamente” a expansão do mercado do Sudeste Asiático e do
Nordeste Asiático, com plano de aumentar a frequência dos voos e o número de
destinos nestas áreas, como a ligação a Fukuoka, no Japão.
No que diz respeito às rotas de médio e longo curso, a
CAM está a analisar o desenvolvimento de rotas para a Índia e outras opções de
voos com escalas.
As informações da empresa indicam que o Aeroporto
Internacional de Macau conta actualmente com 29 companhias aéreas que operam 44
rotas.
Carga de Macau para a Europa
A CAM, por outro lado, abordou também o transporte de
mercadorias, sublinhando os resultados das rotas exclusivamente de carga entre
Macau e a Europa.
No ano passado, o volume de mercadorias transportadas de
Macau para a Europa foi de cerca de 31.700 toneladas, representando cerca de 29,2% do volume
total de carga do aeroporto. Entre elas, 8700 toneladas corresponderam à rota
de Madrid, representando 8% do total.
Os dados fornecidos por Frank Wu, director do
Departamento de Logística e Desenvolvimento da Aviação Geral da CAM, mostram
ainda que o comércio electrónico transfronteiriço é o principal contribuinte
para a carga do aeroporto, representando 90% do volume total.
A CAM afirmou que os voos directos de carga da Ethiopian
Airlines entre Macau e Espanha já entraram em operação regular. Para as rotas
de longo curso no futuro, a CAM irá lançar voos “que se relacionam com a
plataforma sino-lusófona”, com vista a uma expansão do mercado para a América
do Sul, por exemplo, para países como o Brasil, “que tem uma população numerosa
e uma elevada frequência de utilização de serviços de comércio electrónico”,
frisou.
O porta-voz da CAM referiu ainda que a situação no Médio
Oriente está a afectar os preços dos combustíveis, estando o aumento dos custos
a levar a uma redução dos voos de carga. Mas, “por enquanto, o impacto não é
significativo”, assegurou.
Quanto à previsão da União Europeia de, no segundo
semestre deste ano, cobrar uma taxa fixa de 3 euros e uma taxa de processamento
de 2 euros sobre pequenas encomendas com valor inferior a 150 euros, a CAM
acredita que tal medida irá a afectar, a curto prazo, as exportações de
mercadorias de Macau para a Europa. Catarina Chan – Macau in “Ponto
Final”
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