Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Portugal - Encontro “Esta Língua que Nos Une” na cidade do Porto

O Centro Português de Fotografia (sito na antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto - Largo Amor de Perdição), no Porto, vai receber, no dia 5 de maio - Dia Mundial da Língua Portuguesa -, o encontro “Esta Língua que Nos Une”, uma iniciativa dedicada à língua portuguesa como espaço vivo de criação literária, memória partilhada, circulação cultural e futuro comum entre Portugal, Brasil e o mundo lusófono. O evento é promovido pela Associação Portugal Brasil 200 anos, em parceria com a UCCLA e o Centro Português de Fotografia.


O encontro irá juntar escritores, intelectuais, curadores, professores e representantes institucionais dos dois lados do Atlântico para pensar a literatura como território comum da língua portuguesa.

A entrada é livre, mas sujeita à lotação do espaço. Poderá confirmar a sua presença para os números +351 218172950 ou +55 11995737932 (whastApp) ou através do email uccla@uccla.pt.

A iniciativa conta com o apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, do Instituto Guimarães Rosa, do Consulado-Geral do Brasil no Porto, da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, do Centro Português de Fotografia, através da cedência do espaço, e do Hotel Vila Galé Porto, através do apoio à hospedagem.

O conceito curatorial parte de uma ideia central: a língua portuguesa não é uma herança imóvel, mas uma casa em movimento. Ao longo de um dia de programação, o encontro propõe o português como plataforma de pensamento crítico, diplomacia cultural, criação artística e cooperação entre comunidades.

O programa estrutura-se em torno de três eixos curatoriais - invenção, travessia e futuro - que traduzem a visão da Associação Portugal Brasil 200 anos para a cidadania da língua: uma língua que não se limita a comunicar, mas cria pertença, confiança, cooperação e novas possibilidades culturais.

A sessão de abertura, às 10 horas, contará com intervenções de Teresa Leitão, senadora brasileira, Luís Álvaro Campos Ferreira, Secretário-Geral da UCCLA, e José Manuel Diogo, presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos.

Às 10h30, a primeira mesa, “A Língua em Estado de Invenção”, reúne o escritor brasileiro Sérgio Rodrigues e o ensaísta português Arnaldo Saraiva, com moderação de José Manuel Diogo. A conversa abordará a língua como criação viva, cruzando norma, desvio, humor, literatura, modernismo, oralidade e identidade.

O projeto “O Mundo da Lusofonia”, desenvolvido pelo Agrupamento de Escolas da Caparica, com parceria pedagógica da UCCLA e participação de escolas de Portugal, Cabo Verde e Brasil, será apresentado pelas 12 horas. A iniciativa trabalha a língua portuguesa como instrumento de comunicação, colaboração entre povos, cidadania global e valorização da diversidade multicultural dos países de língua oficial portuguesa. Participam na apresentação os professores Bruno Coimbra e Helena Silva, a Secretária-Geral Adjunta da UCCLA, Paula Leal Silva, e a coordenadora da Área Social da UCCLA Princesa Peixoto.

Pelas 15 horas decorrerá a segunda mesa “Corpo, Memória e Travessia”, reunindo o escritor brasileiro Álvaro Filho e a escritora portuguesa Inês Pedrosa, com moderação da artista, curadora e investigadora Ângela Berlinde. A conversa discutirá como os corpos atravessam países, afetos e imagens, e como a literatura regista pertencimento, desenraizamento, amor, memória, perda e reinvenção.

Às 16h30, a terceira mesa “Poesia, Mundo e Futuro da Língua”, contará com a participação de José Gardeazabal e do poeta brasileiro José Inácio Vieira de Melo, com moderação de Maria Bochicchio. A conversa propõe pensar a poesia como o lugar onde a língua portuguesa continua a arriscar o futuro - entre oralidade e escrita, voz, ritmo, corpo, território, memória e tempo histórico.

Pelas 17h45, terá lugar o lançamento da Leitura Coletiva Global de Os Lusíadas, projeto internacional concebido pela Associação Portugal Brasil 200 anos. A iniciativa convoca leitores de diferentes países lusófonos e das diásporas a partilharem, em voz alta, estrofes do poema camoniano, afirmando Os Lusíadas como património simbólico que atravessa nações, sotaques e gerações.

O encerramento, às 18h15, será marcado por um recital de José Inácio Vieira de Melo, poeta, jornalista e curador alagoano radicado na Bahia. A apresentação celebrará a musicalidade e a força da língua portuguesa através de textos clássicos e contemporâneos. UCCLA

Programa


segunda-feira, 5 de maio de 2025

Portugal - Migração brasileira desafia escolas e o futuro da língua portuguesa, segundo especialistas

Especialistas consideram que o aumento do número de brasileiros em Portugal molda a forma como se fala a língua no país, e que estas alterações até enriquecem o idioma.



Em declarações à Lusa a propósito do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se assinala hoje, 05 de maio, o presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos, José Manuel Diogo, destacou que a forte emigração de brasileiros para Portugal resulta na intensificação ao nível académico e comercial.

José Manuel Diogo defende, no entanto, a necessidade de “mais políticas públicas para explicar mais a cultura portuguesa aos brasileiros antes de emigrarem”, observando a preocupação em Portugal com a crescente influência do português do Brasil na linguagem dos jovens.

Contudo, o especialista considera a língua um “território sem fronteiras”, recordando a sua natureza mutante ao longo da história, desde o galaico-português ao latim, citando Camões: “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

Adotando uma visão inclusiva, o presidente da associação critica as barreiras a outras formas de falar português, especialmente o brasileiro, falado por 220 milhões de pessoas.

José Manuel Diogo exemplificou com o movimento na Academia Brasileira de Letras para incluir vozes indígenas, que utilizam o português para organizar as suas línguas.

O responsável referiu ainda a importância geopolítica do português como língua oficial da Organização das Nações Unidas (ONU) une hemisférios, e propõe um eixo econômico Norte-Sul de colaboração igualitária entre Portugal e o Brasil, acreditando que “o português e a língua portuguesa podem ser centrais nesse momento histórico”.

Por outro lado, a linguista do Priberam Helena Figueira, também em declarações à Lusa, enfatiza o peso global do português como “língua de trabalho, língua de comércio e língua franca”.

Embora a especialista reconheça as interferências do português do Brasil no europeu, relativiza essa influência, afirmando que é menor que a do inglês, não acreditando numa fusão das variantes, dada a manutenção das suas particularidades.

A linguista partilha a perspetiva de enriquecimento mútuo através do contacto e das interferências entre as variantes, recordando a evolução da língua portuguesa como resultado de contactos anteriores.

Tanto para José Manuel Diogo quanto para Helena Figueira, a dinâmica entre as diversas formas de falar português, impulsionada por fatores como a migração e a globalização, molda o futuro do idioma, mantendo a sua relevância e adaptabilidade no cenário mundial.

Esta influência no território português deriva da forte presença das comunidades imigrantes provenientes do Brasil, sendo que nas escolas portuguesas “cerca de um terço dos alunos”, em 2019–2020, eram brasileiros, o que torna as salas de aula cada vez mais luso-brasileiras, segundo o presidente da Associação de Professores de Português, João Pedro Aido.

O responsável acredita que é crucial ultrapassar-se preconceitos linguísticos e reconhecer-se o direito dos alunos de falarem a variedade do português do Brasil, ao mesmo tempo em que se ensina a norma culta de Portugal, legitimada pela escrita literária.

Para tal, torna-se fundamental que os professores dominem as características das duas normas padrão, para poderem trabalhar textos de ambas as variedades e corrigir os alunos com rigor científico.

Segundo o especialista, os desafios enfrentados na educação exige um “equilíbrio entre o acolhimento linguístico e a exigência académica”. Apesar de o programa de português já abordar a variação da língua, a revisão das aprendizagens essenciais poderá explicitar o “pluricentrismo da língua portuguesa”. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Brasil - Exposição “Os Rostos de Camões” já pode ser visitada em Brasília

Entre os dias 3 de dezembro e 19 de janeiro de 2025, o Senado Federal brasileiro, em parceria com a Associação Portugal Brasil 200 anos, com sede em Coimbra, vai receber a exposição “Os Rostos de Camões: 10 Ideias para um Futuro de(s)colonizado”, em Brasília. A exposição terá dois momentos no Brasil: será exibida na Biblioteca Acadêmico Luiz Viana Filho: de 3 de dezembro a 3 de janeiro de 2025; e no Salão Negro do Congresso Nacional: de 18 de dezembro a 19 de janeiro de 2025. O objetivo, segundo apurámos, é “explorar a riqueza e a diversidade da língua portuguesa”.



Sob a visão do fotógrafo e artista visual João Francisco Vilhena, a exposição une passado e presente numa narrativa visual inspirada no célebre retrato de Luís Vaz de Camões. Composta por dez retratos contemporâneos, as obras trazem figuras anónimas vestidas com trajes do século XVI, simbolizando a pluralidade das culturas de língua portuguesa. Os retratos são acompanhados de textos inéditos de José Manuel Diogo, responsável pela Associação Portugal Brasil 200 anos, que aprofundam a reflexão sobre identidade e herança cultural.

Os retratos, criados com figurinos de óperas como Rigoletto e Roberto Devereux, incluem peças icónicas como os gibões e as gorjeiras brancas, evocando o espírito maneirista do século XVI. A diversidade das idades, origens e territórios de língua portuguesa representados nas imagens sublinha a unidade na diversidade que caracteriza a herança da língua.

Depois da estreia em Coimbra, Portugal, a mostra chega à capital do Brasil, Brasília. Ígor Lopes – Brasil in “Mundo Lusíada”