A Universidade de Lisboa (ULisboa) está a liderar a criação de um mestrado, em quatro países, para acelerar a aplicação dos resultados da investigação médica fora do laboratório. O director da Faculdade de Medicina da ULisboa revelou à agência Lusa que o programa de mestrado está na fase de “instalação e criação”, no âmbito do projecto europeu Erasmus Mundus.
Além da ULisboa, o mestrado vai juntar a Universidade
Federal do Rio de Janeiro, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau
(UCTM, na sigla em inglês) e a Universidade Humanitas, em Milão.
O programa de dois anos “visa criar uma linguagem comum
em pessoas que têm licenciaturas ou em medicina ou outras áreas próximas”,
explicou João Eurico Fonseca. O objectivo é formar “facilitadores da
investigação de translação, portanto, de passagem do laboratório para a prática
clínica, de investigação clínica, de empreendedorismo, de ligação às empresas”,
acrescentou o especialista.
Os alunos vão receber formação em pelo menos três das
quatro instituições que irão fazem parte do futuro mestrado, sublinhou o também
director do Serviço de Reumatologia da Unidade Local de Saúde de Santa Maria.
Fonseca falava no final de uma deslocação a Macau que
incluiu uma reunião com a UCTM sobre o mestrado, mas também encontros com a
Universidade de Macau (UM) sobre a criação da primeira faculdade de medicina
pública da região.
A UCTM tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde,
que foi oficialmente rebaptizada como Faculdade de Medicina em 2019.
O acordo sobre a Faculdade de Medicina da UM vai ser
assinado “na próxima semana, em Lisboa”, pelo reitor da ULisboa, Luís Ferreira,
e pelo reitor da Universidade de Macau, Song Yonghua, disse João Eurico
Fonseca. Song Yonghua vai estar integrado na delegação que acompanha o líder do
Governo de Macau, que irá visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de Abril, na
primeira deslocação ao estrangeiro desde que Sam Hou Fai tomou posse, no final
de 2024.
“Estamos mesmo no final de todo este processo em que, na
fase de validação, vai participar a Agência de Avaliação e Acreditação do
Ensino Superior (A3ES)”, referiu João Eurico Fonseca.
Os médicos formados na futura Faculdade de Medicina da
UM, com inauguração previsto para 2028, poderão também obter o reconhecimento
da ULisboa e assim exercer em Portugal, confirmou o dirigente.
Mas Fonseca sublinhou que, para isso acontecer, os
finalistas da licenciatura em Medicina da UM terão ainda de fazer uma tese para
completar o mestrado integrado da ULisboa.
Em Janeiro, a UM disse que a futura Faculdade de Medicina
vai ter quatro mil estudantes, no novo campus da instituição, que está a ser
construído em Hengqin. In “Jornal Tribuna de Macau” com “Lusa”
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