O 36.º Festival de Artes de Macau, um dos grandes eventos artísticos da cidade, está prestes a tornar-se ainda maior. Este ano, o festival vai decorrer durante quase dois meses, de 8 de Maio a 27 de Julho, sob o tema “Novas Correntes de Inspiração”. A iniciativa arranca na segunda sexta-feira de Maio com um espectáculo gratuito de um grupo de dança do Cazaquistão, ecoando os valores de interculturalidade e descoberta de novos mundos que caracterizam esta edição
O programa da 36.º edição do Festival
de Artes de Macau (FAM) foi divulgado na sala de conferências do Centro
Cultural de Macau, a poucas semanas do seu início oficial no dia 8 de Maio. A
partir do tema “Novas Correntes de Inspiração”, a iniciativa deste ano convida
residentes e visitantes a embarcar numa viagem multidisciplinar pelas culturas,
artes e relações de amizade que se desenvolveram (e desenvolvem) ao longo da
Rota Marítima da Seda.
O festival desde ano arranca a 8 de Maio e culmina no dia
27 de Junho, englobando uma série de experiências, actividades, workshops
e espectáculos interpretados numa multiplicidade de línguas e expressões
artísticas. Reflectindo o tema central de expansão geográfica e intercâmbio
cultural, o espectáculo de abertura consiste numa apresentação do conjunto de
dança folclórica BIRLIK, do Cazaquistão, que se vai unir a grupos de dança
locais para a performance “O Lótus na Rota da Seda – Tradições em Movimento”. A
entrada para esta sessão de arranque é gratuita, mediante aquisição prévia de
bilhete.
A música continua a dominar a fase inicial do FAM, com a
passagem do musical “A Noite Estrelada” pelo palco do Grande Auditório do
Centro Cultural de Macau nos dias 15 e 16 de Maio. A peça é produzida pela
Actors’ Family, uma das principais companhias de teatro musical em Hong Kong.
Nos dias 16 e 17 de Maio, está agendada outra apresentação que funde as artes
do teatro e da música com “1014 – Nanyin x Jazz”, uma história sobre memória,
tecnologia e a importância da música na sensibilidade humana.
Ainda no domínio do teatro, a peça “Entrelinhas”, do
encenador Tiago Rodrigues, assinala a única presença portuguesa no programa
deste ano. O monólogo terá lugar no Teatro Dom Pedro V, nos dias 19 e 20 de
Maio, e esbaterá as linhas entre ficção e realidade ao relacionar o mito de
Édipo com cartas escritas por um prisioneiro à mãe.
Nos dias 22 e 23, a cultura cazaque volta a sobressair
com um espectáculo duplo da companhia de dança Jolde. A primeira parte,
“Tamyr”, une a elegância da dança contemporânea às vozes de um coro para falar
sobre rituais, humanidade e identidade, enquanto a segunda parte, “Intemporal”,
explora a memória colectiva e a fluidez do tempo.
Outro dos grandes destaques do programa passa por um
palco ainda maior: o Jardim do Mercado do Iao Hon, aberto a toda a comunidade.
Neste local, entre os dias 22 e 24, vai decorrer uma mostra de espectáculos ao
ar livre intitulada “Onde a Cultura Floresce, a Felicidade Acontece”. De acordo
com as informações divulgadas na conferência de imprensa, as actividades vão
desde actuações musicais e ‘flashmobs’ à troca de livros e à promoção da
leitura. Haverá ainda actividades destinadas a toda a família, como oficinas
temáticas, pinturas faciais e visitas guiadas.
Voltando ao Centro Cultural de Macau, é tempo também de
recuar até 2006, quando estreou a peça “Eterna Juventude”. Vinte anos depois, a
versão revista “2.0” chega ao Centro Cultural de Macau para uma história sobre
a passagem do tempo, proporcionando uma reunião entre conhecidos actores de
Macau e o dramaturgo local Lawrence Lei.
Outro dos eventos mais aguardados deste ano é o regresso
dos Dóci Papiaçám, que voltam aos palcos com mais uma sátira mordaz em patuá.
Desta vez, a peça intitula-se “Agora Como?” e tem como pano de fundo o fecho
dos casinos-satélite e as suas consequências para a economia no território. As
actuações estão marcadas para 23 e 24 de Maio.
Depois de Portugal, as artes europeias voltam a ter lugar
no festival com “A Divina Comédia”, assinada pela companhia italiana NoGravity
Theatre. Nos dias 29 e 30, os artistas cénicos vão interpretar o poema épico de
Dante através de uma coreografia meticulosa e profundamente artística, com
recurso a espelhos para criar uma dupla dimensão visual.
Junho traz ópera, ballet e homenagens à Macau antiga
O mês de Junho começa com uma homenagem à mitologia
chinesa. No dia 6, o Sands Theatre recebe uma visita da Associação de Ópera
Cantonense Zhen Hua Sing, que sobe ao palco com intérpretes locais. Trata-se de
uma peça teatral de ópera inspirada na lenda de He Xiangu, a única mulher entre
os Oito Imortais.
Nos dias 19 e 20 de Junho, Macau recebe uma interpretação
de uma das mais importantes obras do ballet clássico: “Lago dos Cisnes”, do
compositor russo Tchaikovski. O Ballet de Xangai traz uma versão criada pelo
coreógrafo britânico Derek Deane, que combina a técnica clássica com técnicas
contemporâneas como a inclusão de um conjunto de cisnes cintilantes em palco.
A peça “A Velha Casa das Orquídeas”, já estreada em 2025
no Festival Fringe, volta nos dias 20 e 21 com uma encenação repensada para o
Centro Cultural. Mais uma vez, o público pode esperar uma narrativa sobre os
bairros antigos de Macau, reimaginados ao som de música ao vivo.
Também nos dias 20 e 21, a Associação de Dança Hou Kong,
sediada em Macau, apresenta “A Noite de Zheng Guanying”. A Casa do Mandarim vai
então transformar-se num palco dinâmico, permitindo que os artistas percorram e
dancem por pátios e corredores, como se recuando aos tempos do seu antigo
proprietário.
A peça “A Dinastia Dela”, cuja estreia aconteceu no
Festival de Teatro de Wuzhen em 2025, segue para Macau nos dias 25 e 27 de
Junho. A narrativa centra-se em quatro noites na vida de Wu Zetian, a única
imperatriz da China, e partilha com o público a sua ascensão ao poder e o seu
espírito resiliente, que ousou desafiar o sistema patriarcal chinês.
Outro dos acontecimentos artísticos sobressaídos no
programa é a exposição “Duetos da Natureza: Pinturas de Paisagem das Dinastias
Ming e Qing do Museu Nacional da China”, já em exposição no Museu de Arte de
Macau desde 24 de Abril. O projecto permanece patente até dia 26 de Junho, a
véspera do encerramento do festival, possibilitando a apreciação de 65
obras-primas da pintura de paisagem das dinastias Ming e Qing.
Para além do extenso programa de espectáculos e
apresentações artísticas, o FAM vai também realizar nove actividades relativas
ao Festival Extra, que incluem workshops, conversas pós-espectáculo e
palestras. Os bilhetes para o espectáculo de abertura, a título gratuito, podem
ser adquiridos já a partir das 10h do dia 2 de Maio. Os restantes bilhetes vão
ser vendidos entre 2 e 9 de Maio, na Bilheteira Enjoy Macau. O público pode
consultar a programação completa, assim como os descontos disponíveis na compra
de bilhetes, na página oficial do Instituto Cultural (IC).
De acordo com a presidente do organismo, Leong Wai Man, a
iniciativa terá um custo de 22 milhões de patacas para o Governo. Este é um
valor ligeiramente inferior ao do ano passado, quando o orçamento foi de 23,4
milhões de patacas, embora esta edição se prolongue por mais um mês do que a
anterior. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto
Final”