Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 2 de agosto de 2026

Europa - Fundada por portugueses, Native Scientists continua a crescer

A organização pan-europeia sem fins lucrativos Native Scientists, fundada em 2013 por investigadores portugueses, continua a afirmar-se na promoção da literacia científica junto de crianças provenientes de comunidades migrantes, minoritárias e socialmente desfavorecidas


De acordo com o jornal As Notícias UK, o balanço do ano letivo 2025/2026, a organização revelou ter inspirado 6917 crianças através dos programas Same Home Town (SHT) e Same Migrant Community (SMC), um aumento de mais de duas mil crianças em relação ao ano letivo anterior. Mais de metade dos participantes (55%) tiveram, pela primeira vez, a oportunidade de conhecer e conversar diretamente com um cientista.

A Native Scientists conta atualmente com uma rede de mais de 3000 cientistas voluntários distribuídos por vários países europeus. Estes participam em oficinas práticas nas escolas, aproximando a ciência das crianças e mostrando que o conhecimento científico pode estar ligado à sua realidade e identidade cultural.

Segundo a referida fonte, entre os destaques do último ano está também a publicação de um artigo científico desenvolvido em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e o Centro de Linguística da mesma universidade. O estudo apresenta o “Relational Engagement Model”, um novo modelo de comunicação de ciência que propõe uma relação de proximidade entre cientistas e comunidades, baseada em experiências, cultura e contextos partilhados, em substituição da tradicional transmissão unilateral de conhecimento. Os programas da Native Scientists são apresentados como casos de estudo que demonstram a eficácia desta abordagem.

A organização lançou ainda a primeira edição do seu Programa de Estágios, que envolveu 22 participantes em funções de gestão e coordenação. Ao longo do ano, a iniciativa contribuiu para o desenvolvimento de mais de 60 novas parcerias.

Outro momento em destaque foi o encontro Ponto de Interrogação, realizado na Fundação Calouste Gulbenkian, que reuniu investigadores, professores e responsáveis políticos para debater temas como a educação, a equidade e a comunicação científica. A Native Scientists participou igualmente na conferência nacional SciComPT 2026, em Évora, onde apresentou três comunicações dedicadas à comunicação inclusiva da ciência. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




Alemanha - Livro sobre Lisboa na Segunda Guerra apresentado na cidade de Berlim

A embaixada de Portugal em Berlim recebe, no próximo dia 22 de setembro, às 18h00 (hora local), o lançamento do livro “Lissabon 1941 – Stadt der Spione, Hafen der Hoffnung”, de Alexander Smoltczyk, numa sessão que contará com a presença do autor


A obra conduz os leitores à Lisboa da década de 40 do século XX, reconstruindo o ambiente vivido na capital portuguesa durante a Segunda Guerra Mundial, quando a cidade acolhia milhares de refugiados, diplomatas e agentes secretos.

Partindo das histórias de figuras como Hannah Arendt, Heinrich Mann, Marc Chagall, Josephine Baker e Ian Fleming, Alexander Smoltczyk retrata Lisboa como um dos mais improváveis palcos da Europa naquele período.

A entrada na sessão é livre, sendo, no entanto, necessária pré-inscrição através do endereço de correio eletrónico camoes.berlim@mne.pt.

Recorde-se que a embaixada de Portugal fica na Kurfürstenstr. 57, em Berlim, com entrada pela Derfflingerstr. 12. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


MudaR











Vamos aprender português, cantando

 

MudaR

 

Vou ter que mudar

doa o que doer

só não sei como fazer

o que vai ficar

o que vou esquecer

o que é que eu faço

 

É ilógico não faz mal

e é

patológico natural

mas vou tentando

 

Só no reconhecer

já fico a ganhar

mas há que materializar

todo um novo ser

tanto cabo pra ligar

o que é que eu faço

o que é que eu faço

o que é que eu faço

 

Onde deixei o manual,

na página dois ou três e tal

ei, só uma ajuda normal

real, pousa bola de cristal. Hah!

 

Cada migalha é um monstro que baralha

cresce no caos da batalha

dissipa o nevoeiro de guerra

desliga primeiro esse ecrã

se o futuro te reserva!

 

Decisões a tomar!

não está fácil ocupar este posto sem vacilar

na receita tempestade perfeita

ok chef! Mistura a gosto então no ponto avança!

 

O que é que eu faço, ainda me desgraço

preciso de espaço, pra dar o próximo passo!

Marco rumo, traço plano, pisco olho, pelo globo

diz-me o quê? O que é que eu faço!

 

MarloN - Portugal

Presto - Portugal

 

sábado, 1 de agosto de 2026

Macau - Curso de Verão “abriu portas ao mundo” na aprendizagem da cultura lusófona

O Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau encerrou o 40.º Curso de Verão de Língua Portuguesa. Para os coordenadores, a iniciativa voltou a ser um sucesso, tendo contado com a participação de cerca de quatro centenas de inscrições. A professora Tânia Ferreira, envolvida pela primeira vez na organização, disse ao Jornal Tribuna de Macau ter ficado surpreendida por “ainda haver esta chama” de interesse pela aprendizagem da cultura e da língua portuguesa


A tendência cada vez maior pelo interesse na aprendizagem da cultura e da língua portuguesa ficou comprovada pela “dedicação inspiradora”, dos alunos participantes na 40.ª edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa da Universidade de Macau (UM).

A expressão é de Tânia Ferreira, coordenadora da iniciativa juntamente com Lu Chunhui, que ao Jornal Tribuna de Macau fez o balanço da formação que decorreu durante três semanas e que contou com cerca de 400 inscrições.

“O balanço é bastante positivo”, salienta a professora do Departamento de Português da Faculdade de Letras da UM, para quem a oferta formativa foi “muito rica”, uma vez que “eles tiveram oportunidade de aprender um pouco sobre danças folclóricas e participar noutros workshops dedicados à língua portuguesa, à cultura dos países lusófonos, à literatura, à história e à tradução”.

Além disso, referiu que, “uma vez que também temos colegas que são especialistas na área do ensino da língua portuguesa e na certificação da aprendizagem do português”, foi oferecido um workshop dedicado ao funcionamento dos exames de proficiência da língua lusa, onde não faltou o patuá e a sua importância em Macau.

Para o sucesso de mais um Curso de Verão da UM, a coordenadora destaca a boa parceria feita com Lu Chunhui. “Ele fala chinês e coordenou bem uma equipa que integrou também alunos que nos ajudaram em toda a área da organização”, indica, sublinhando que o “interesse foi tanto que as inscrições esgotaram horas depois de terem sido lançadas”.

Tânia Ferreira está no Departamento desde Janeiro deste ano, tendo sido contratada para leccionar na área da linguística e coordenação de iniciativas como este Curso de Verão de Língua Portuguesa. Foi, por isso, a sua primeira experiência à frente da iniciativa.

Tendo trabalhado na China, em Pequim, há 12 anos, a docente constatou “com muita alegria” esta “entrega dos alunos”, porque também não conhecia este grande interesse pela língua portuguesa, pelo seu potencial, sobretudo económico, para trabalhar nos países de língua portuguesa (PLP), em especial em África e no Brasil.

Os participantes na formação eram todos de etnia chinesa, incluindo alguns que vivem fora do Continente e Macau, e não só provenientes de universidades, mas igualmente de outras áreas. Demonstraram “uma grande vontade de apreender”, o que achei incrível, e com uma dedicação inspiradora”, enfatizou, concluindo ter ficado surpreendida pelo interesse que existe em aprender a língua portuguesa.

“Não tinha essa noção e, de facto, pude depois confirmar que nos últimos anos tem sido essa a tendência”. Por isso, diz, “estou muito satisfeita por ainda haver esta chama”.

Na cerimónia de encerramento, os dois coordenadores do Curso de Verão da UM destacaram a variedade de actividades incluídas na formação, com temas que abrangeram, para além da dança, a interpretação de grandes autores como Camões e Fernando Pessoa, a evolução cultural e literária do Brasil, a prática de tradução poética, visitas guiadas à história e cultura de Macau, orientações de preparação para os exames CAPLE e a partilha de experiências por uma intérprete profissional, entre outros.

A concepção do curso, apoiado pela Fundação Macau, teve em conta a diversidade temática e geográfica, “articulando-se em diferentes níveis de acesso para que os formandos de todas as etapas pudessem obter resultados frutuosos”, segundo se pode ler num comunicado da UM.

Na sessão final, que incluiu a entrega de diplomas aos participantes, representantes dos alunos de diferentes níveis partilharam as suas vivências académicas e pessoais na universidade.

Lin Xi, da Universidade de Comunicação da China, salientou que o curso lhe permitiu consolidar os conhecimentos de gramática portuguesa e alargar o seu contexto cultural, esperando “aplicar o que aprendeu para promover o intercâmbio sino-estrangeiro e contar melhor a história da China”.

Feng Maomao, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, referiu que o curso lhe proporcionou a vivência da cultura e literatura dos PLP, como a cultura popular do Brasil e o folclore de Portugal, o que representou para si a abertura de “uma nova porta para o mundo”.

Por seu turno, Li Qianyu, aluna do nível avançado, aprofundou a sua compreensão sobre a história e literatura de Macau, afirmando que UM é “uma plataforma de excelência para o intercâmbio intercultural”.

Já Huang Wai Kuan, prestes a ingressar na Faculdade de Direito da UM, explicou que o Direito de Macau exige o domínio tanto do chinês como do português, conseguindo assimilar gradualmente os conhecimentos básicos de português em três semanas.

Durante a cerimónia, os formandos apresentaram diversas actuações, evidenciando não só o que assimilaram durante o curso, mas também a sua paixão pela cultura dos PLP. Como já é tradição no Curso de Verão, alunos de diferentes níveis subiram ao palco para actuar em conjunto na dança folclórica portuguesa, sob a orientação da docente Mirandolina, “num ambiente bastante animado”, realça o comunicado da UM.

Além disso, a sessão final contou ainda com a declamação do poema “Orelhas” e a interpretação das canções “Não Precisa”, de Paula Fernandes, e “Flor de Lis”, famosa canção brasileira escrita e gravada pelo cantor e compositor Djavan. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Cabo Verde - Emanuel Spencer apresenta o livro “Entre Duas Ilhas” em São Vicente

“Entre Duas Ilhas” é o título do primeiro livro de Emanuel Spencer apresentado esta quinta-feira, 30, na ilha de São Vicente. O livro “Entre Duas Ilhas” é uma viagem de memórias, de vivências e de sentimentos que unem duas ilhas, dois mundos e um só coração. A apresentação do livro teve lugar na Esplanada do Hotel Porto Grande


Segundo o autor, o livro resultou de um percurso de vida invulgar, vivido entre a informática, à docência, a intervenção cívica e uma crescente paixão pela escrita.

“Foi nos primeiros passos da Internet em Cabo Verde e, mais tarde, nas plataformas digitais, que descobri o prazer de transformar ideias em palavras, até perceber que escrever era, para mim, muito mais do que um exercício literário. Era uma forma de preservar memórias, de agradecer às pessoas que marcaram o meu caminho e de contribuir para um diálogo mais sereno sobre o futuro do nosso país”, salienta.

O autor explica que, ao escrever este livro, procurou transformar uma vida repartida entre duas ilhas numa homenagem a Cabo Verde e às pessoas que lhe dão alma. “Mais do que contar histórias, quis dar voz aos pescadores, agricultores, professores, músicos, emigrantes, trabalhadores anónimos e a tantos outros que, longe dos holofotes, ajudam diariamente a construir, silenciosamente, a identidade do nosso arquipélago. São eles os verdadeiros protagonistas desta obra, que é a principal razão de ser destas páginas”.

Emanuel Spencer conta que este livro começou a ser escrito nas suas caminhadas matinais. “Quase sempre acompanhado por um pequeno leitor de MP3, deixo que a morna e a coladeira conduzam o meu pensamento, enquanto o mar, o vento e as melodias de Cabo Verde vão dando forma às palavras”.

Por isso, indica que as páginas acolhem também pequenos excertos de mornas e coladeiras que, ao longo de décadas, ajudaram a contar a história e a alma do nosso povo. “Muitas vezes é nesse instante que surge, inesperadamente, a imagem de um caranguejo, personagem discreto que me acompanha em silêncio, como se viesse recordar-me que as melhores histórias nascem quase sempre das coisas mais simples”.

Conforme o autor, Entre Duas Ilhas é uma obra que convida o leitor a viajar pelas memórias, pela cultura, pelas gentes e pelos valores de Cabo Verde, tendo São Nicolau e São Vicente como ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre a identidade, a memória e o futuro de Cabo Verde.

“Ao longo das suas páginas cruzam-se histórias, contos, memórias, episódios de humor, cartas e reflexões sobre a cidadania, a educação, a amizade, a emigração, a política, a tecnologia e os desafios do país, sempre com a convicção de que as palavras podem despertar consciências, preservar memórias e fortalecer o sentido de comunidade”, relata.

Neste sentido, espera-se que o leitor termine esta viagem Entre Duas Ilhas com um olhar mais atento sobre Cabo Verde, mais próximo das suas raízes e mais confiante na capacidade do nosso povo para construir um futuro melhor.

“Se este livro conseguir despertar uma memória esquecida, reconciliar alguém com a sua terra ou inspirar um gesto de cidadania, sentirei que todas estas páginas cumpriram plenamente a sua missão”, frisa.

O autor disse que gostaria que este livro despertasse em cada leitor a consciência de que o futuro de Cabo Verde não pode continuar a ser deixado exclusivamente nas mãos dos seus governantes.

“Pertence, antes de mais, a cada cidadão. Só uma cidadania activa, participativa e exigente será capaz de elevar a qualidade da nossa democracia e de inspirar uma acção política à altura dos desafios do país”, refere.

Emanuel Spencer afirma que está convencido de que esta é uma das maiores responsabilidades da nossa geração. “Caso contrário, dificilmente Cabo Verde voltará a irradiar toda a claridade intelectual, cultural e cívica que os Claridosos sonharam para as nossas dez ilhas e dezasseis ilhéus, quando fizeram da cultura, do pensamento e da consciência cívica uma luz orientadora para o futuro da nação”. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


Galiza - Falo galego, fala-me português!

A AGAL, Associaçom Galega da Língua, lança a campanha Falo galego, fala-me português para sensibilizar as pessoas lusófonas sobre a realidade linguística galega. A campanha promove que as pessoas galegofalantes e lusófonas se comuniquem entre elas sem mudarem a língua


Existe uma queixa contínua cada vez que uma pessoa galega visita Portugal: “É que eu lhes falo em galego, e sempre me respondem em portunhol”. O motivo de que isto aconteça nom é desleixo nem maldade, é simplesmente desconhecimento. A maioria das pessoas que falam português nom conhecem a realidade linguística galega e nom sabem da continuidade linguística que existe entre as duas beiras do Minho.

É por isso que a AGAL decidiu lançar a campanha Falo galego, fala-me português. Com este slogan tam simples, a campanha quer dar a conhecer o galego às pessoas de todos os países de língua oficial portuguesa. Por um lado, a campanha procura que quando uma pessoa galega visite um país de língua portuguesa, as pessoas estejam sensibilizadas com a sua realidade. Que saibam que é uma pessoa galega a falar em galego, e nom uma pessoa castelhanofalante a esforçar-se por falar em português. E que saibam que essa pessoa galega agradece que lhe falem em português, e nom quer que a outra pessoa se esforce em falar castelhano ou portunhol. Polo outro lado, a campanha também quer mostrar a Galiza como uma terra acolhedora para todas as pessoas que falam português. Que saibam que podem vir falando na sua língua e que vam ser entendidas, que nom é preciso que mudem de língua para falarem com as pessoas galegas.


A Campanha

A campanha começou oficialmente no dia 25 de julho, coincidindo com o Dia Nacional da Galiza. A primeira açom fôrom as camisolas com o logo da campanha, pensadas para que as pessoas galegas vistam quando visitem Portugal. As camisolas estivérom disponíveis no posto que tivo a AGAL no Festigal e esgotárom-se no mesmo dia. “Estamos totalmente abraiados”, dixo Jon Amil, presidente da associaçom, “nom esperávamos que a campanha tivesse um recebimento tam grande”.

A campanha continuará a desenvolver-se nos próximos meses, com mais camisolas, crachás e outros objetos promocionais. Também se apostará polas redes sociais como vetor para visibilizar a campanha no mundo, com vídeos de pessoas relevantes da cultura e da internet. “Isto está apenas a começar”, declarou Jon Amil. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


Cabo Verde - Dia Nacional do Batuque: Historiador pede maior reconhecimento das batucadeiras e fazedores do batuque

Cidade da Praia – As batucadeiras e fazedores do batuque carecem ainda de maior reconhecimento, como cachês justos e formalização no sistema de proteção social, considerou, na cidade da Praia, o historiador cabo-verdiano José Soares.


Celebra-se, neste dia 31 de julho, o Dia Nacional do Batuque, data instituída por unanimidade na Assembleia Nacional, em 2021, para homenagear um dos géneros musicais mais antigos de Cabo Verde e destacar o papel central das mulheres na preservação desta tradição secular.

Em declarações à Inforpress, José Soares considerou que a institucionalização da efeméride teve “um impacto brutal”, por formalizar uma vontade antiga das batucadeiras e dos seguidores desta manifestação cultural.

Segundo o historiador e ex-deputado da Nação, a aprovação no parlamento representou “um momento importante”, tendo em conta que todos os deputados votaram favoravelmente a iniciativa, sem qualquer pronunciamento contra.

José Soares destacou que o batuque já era reconhecido dentro e fora de Cabo Verde, mas sublinhou que ainda existem desafios para garantir a valorização plena desta expressão cultural.

“Falta muito ainda para fazer para o batuque”, afirmou, defendendo que esta manifestação deve ter presença nos grandes palcos de festivais com uma remuneração proporcional à sua importância.

Para o mentor do Dia Nacional do Batuque, os grupos de batuque não devem receber uma “gratificação”, mas sim um cachê igual ao atribuído a outros grupos musicais, considerando o número de pessoas envolvidas e o trabalho realizado.

“Os nossos promotores culturais ou instituições têm que saber cada vez mais a história do batuque, para valorizarem o batuque e, quando convidarem para alguns eventos, atribuírem o cachê e não uma gratificação”, defendeu.

José Soares considerou ainda que os fazedores do batuque devem estar formalizados e inscritos no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), para que possam beneficiar de uma reforma após anos de contribuição para a cultura cabo-verdiana.

Na sua perspectiva, o batuque deve ser valorizado como um produto cultural e turístico, por representar “a alma do povo cabo-verdiano” e a “morabeza” de Cabo Verde.

Sobre o envolvimento dos jovens, José Soares afirmou que existe actualmente um grande interesse das novas gerações pelo batuque, lembrando o grupo juvenil Pó di Terra, do Tarrafal, que levou esta manifestação dos terreiros para os palcos no ano 2000.

O historiador acrescentou que hoje existem jovens cabo-verdianos na Europa a integrar grupos e a participar em festivais, demonstrando que o batuque deixou de ser visto como uma manifestação menor.

“Hoje, os jovens não têm complexo de que batuque é igual à morna, igual à coladeira, igual ao funaná. É a tradição da nossa terra”, concluiu. In “Inforpress” – Cabo Verde