Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Timor-Leste - Ensino superior terá pela primeira vez um curso de história

A Unesco apoiou o desenvolvimento da nova disciplina. A reitora da Faculdade que abrigará a cadeira diz que objetivo é honrar o passado e formar futuros educadores, a primeira turma começa no ano letivo de 2027


Timor-Leste está prestes a ter o seu primeiro Departamento Académico de História, marcando um passo significativo para fortalecer a forma como o país ensina, pesquisa e preserva o seu próprio passado.

Em fevereiro, o Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura aprovou a criação do novo departamento sob a égide da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Nacional de Timor-Leste.

Rigor e honestidade

A reitora da Faculdade, madre Esmeralda Piedade, disse que o objetivo é honrar o passado da nação formando futuros educadores e garantir que a história do país de língua portuguesa, no sudeste da Ásia, “seja contada com o rigor e a honestidade que merece”.

Timor-Leste foi colonizado por mais de quatro séculos por Portugal, e depois ocupado pela Indonésia, a nação vizinha. A longa luta pela restauração da independência culminou num referendo organizado pela ONU em 1999, que garantiu o caminho para a autodeterminação dos timorenses, três anos depois.

Desde 2002, a educação em história tem sido reconhecida como essencial, não apenas para a identidade nacional, mas também para a reconciliação, direitos humanos e construção de uma cultura de paz.

No entanto, até agora, nenhuma universidade timorense oferecia um programa académico dedicado a esta disciplina. Professores ensinaram História sem treino especializado e investigadores trabalharam sem instituições de residência.

Dois caminhos académicos

A criação do novo departamento resolve essa lacuna no ensino superior, oferecendo dois caminhos académicos. A primeira opção será Educação em História, preparando futuros professores para escolas em todo o país.

A segunda é Gestão Cultural e do Património, construindo uma experiência nacional na preservação e promoção da cultura timorense.

A pedido de parceiros nacionais, a Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, ofereceu suporte técnico para moldar o desenvolvimento do novo departamento.

A representante da agência no país, Maki Katsuno, disse que as universidades “são onde as sociedades se reúnem para documentar e preservar sistematicamente o seu passado e imaginar o futuro”.

Primeira turma

Ela afirmou que a Unesco tem orgulho de apoiar a Universidade Nacional de Timor-Leste, a única instituição pública de ensino superior do país, na construção de um Departamento de História que atuará com “um profundo compromisso com o povo de Timor-Leste”.

Espera-se que o Departamento receba a sua primeira turma de estudantes no ano letivo de 2027.

O plano estratégico, que será finalizado até junho de 2026, estabelece a visão do departamento, o currículo, a agenda de pesquisa, o caminho de desenvolvimento do corpo docente e as parcerias institucionais para os seus primeiros cinco anos. ONU News – Nações Unidas


domingo, 15 de março de 2026

Timor-Leste - Portugueses procuram aprender tétum

“Neineik, neineik” (devagar), é assim que a professora timorense Beatriz Sarmento lida com o desânimo dos seus alunos portugueses, que estão a aprender tétum, língua oficial de Timor-Leste a par do português, na Escola Portuguesa de Díli (EPD)


Desde o início de fevereiro, que mais de 20 portugueses se inscreveram na nona edição do curso de tétum, nível básico, do Centro de Formação da EPD.

Beatriz Sarmento não tem dúvidas que aumentou a procura de portugueses a querer aprender tétum.

“Já avançámos até à nona edição do curso tétum e tenho pedidos individuais de portugueses que querem aprender. Na verdade, cresceu. Este ano a turma cresceu bastante”, afirmou à Lusa.

A professora explicou o aumento do interesse pela aprendizagem do tétum com a integração social, mas também por razões profissionais.

“Estou a aprender tétum principalmente por uma questão profissional e depois também por uma questão de integração em Timor-Leste. No meu caso, acho que me devo render ao tétum e integrar-me na sociedade timorense”, afirmou à Lusa Bruno Pereira, um dos alunos do curso, que trabalha como assessor no Governo timorense.

Mário Coutinho, professor em Timor-Leste, disse que decidiu aprender tétum por “curiosidade” e por “necessidade” de perceber como os alunos comunicam.

Questionado pela Lusa sobre se é uma língua difícil de aprender, Mário Coutinho disse que é um “bocadinho complicado”.

“O sistema gramatical, a sintaxe semântica é um bocadinho diferente da língua portuguesa, mas ‘neineik, neineik’, aos poucos iremos conseguir”, afirmou Mário Coutinho.

Para Amélia Costa, que trabalha como jurista no Governo timorense, a aprendizagem do tétum é essencial para quem trabalha com a Administração.

“Só as pessoas mais idosas é que falam e percebem português e para acompanharmos reuniões e falar em reuniões é absolutamente necessário o tétum”, disse.

Amélia Costa afirmou também que é um bocado difícil aprender a falar tétum até porque a estrutura da língua é completamente diferente do português.

“Eu supunha que havia muito mais palavras portuguesas no tétum, que tinha uma base essencialmente portuguesa e não tem tanto como eu pensava, e depois há palavras que querem dizer várias coisas ao mesmo tempo, por isso, é um bocadinho difícil”, considerou Amélia Costa.

Apesar da grande percentagem de palavras emprestadas do português, mas que se escrevem de outra forma, a professora Beatriz Sarmento salienta que “não é fácil adquirir o tétum” para os portugueses.

É que o tétum, explicou, tem uma estrutura frásica bastante diferente do português e as palavras que se usam diariamente são muito diferentes.

Depois há também verbos que se encontram implícitos e as letras aspiradas, como o “h”, que não existem no português, e a troca e adaptação da ortografia.

“Outra dificuldade é o sentido duplo ou triplo de uma palavra”, acrescentou.

Mas, “neineik, neineik”, a aprendizagem lá se vai fazendo e após um mês de aulas, o curso termina no final de março, os alunos já conseguem articular algumas frases e ter os conhecimentos básicos para as necessidades diárias, incluindo ir às compras.

Sobre se a aprendizagem da língua portuguesa também está a ter mais procura por parte dos timorenses, Beatriz Sarmento, que trabalha igualmente como professora no Centro de Língua Portuguesa da Universidade Nacional de Timor-Leste, afirmou que há cada vez mais pedidos.

“Neste momento não temos recursos humanos suficientes para atender os pedidos que chegam” ao centro da universidade pública timorense, acrescentou.

Após a restauração da independência, em 20 de maio de 2002, Timor-Leste adotou as línguas tétum e portuguesa como línguas oficiais, e o indonésio e o inglês como línguas trabalho. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Macau - Universidade Nacional de Timor-Leste pede apoio ao Instituto Português do Oriente para certificar proficiência em língua portuguesa

A Universidade Nacional de Timor-Leste quer o apoio do Instituto Português do Oriente para começar a certificar a proficiência em língua portuguesa, disse o reitor da instituição

O reitor da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL), João Soares Martins, disse que uma delegação da instituição visitou o Instituto Português do Oriente (IPOR) para saber mais sobre a experiência do instituto na certificação do conhecimento de português. “Nós, na nossa universidade, no nosso Centro de Língua Portuguesa, queremos também ter essa capacidade”, explicou Soares Martins.


O dirigente sublinhou que a UNTL terá primeiro de “lutar para obter uma base legal”, algo que terá de passar por um decreto-lei do Governo de Timor-Leste, mas acrescentou que, mais tarde, o IPOR pode ajudar a universidade. “Queremos que eles partilhem a experiência deles e trabalhem connosco para elevar a capacidade do nosso Centro de Língua Portuguesa, para ter a capacidade de certificar a proficiência” em português, disse Soares Martins.

Também em Macau, a UNTL e a Universidade de Macau (UM) assinaram na segunda-feira um acordo de cooperação que prevê “mais oportunidades para a mobilidade dos professores e dos estudantes”, sublinhou o reitor.

A delegação timorense visitou na UM o Departamento de Português, o Laboratório de Referência do Estado para Investigação de Qualidade em Medicina Chinesa e a Faculdade de Direito, onde foram formados alguns dos atuais docentes da UNTL. “Seria bom a Universidade de Macau poder fornecer algumas vagas para os nossos professores poderem continuar os seus cursos, tanto mestrado como doutoramento”, sublinhou Soares Martins.

O responsável falava à margem do segundo dia da 14.ª conferência anual do Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges), que terminou ontem.

A UNTL, a Universidade Católica Timorense São João Paulo II e a Universidade de Díli vão organizar de forma conjunta a 15.ª edição da reunião da Forges, entre 25 e 27 de novembro de 2025, referiu o dirigente. “Será uma grande honra e uma grande vantagem também para Timor-Leste poder receber esta conferência”, disse Soares Martins. “Estamos entusiasmados porque raramente temos eventos dos países lusófonos ou da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] em Díli”, referiu o reitor da UNTL. A conferência da Forjes conta com o apoio da Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Na terça-feira, na abertura da conferência deste ano, organizada pela Universidade Politécnica de Macau, a presidente da Forges, Margarida Mano, anunciou que o evento vai decorrer em Angola, em 2026, e na Guiné–Bissau, em 2027. A antiga ministra da Educação portuguesa disse que a Universidade de Luanda vai acolher a reunião anual da Forges daqui a dois anos, com a conferência seguinte a cargo da Universidade Lusófona da Guiné-Bissau. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 7 de maio de 2024

Timor-Leste - Há “inúmeros pedidos” para frequentar cursos de língua portuguesa

O coordenador científico-pedagógico do projeto FOCO (Formar, Orientar, Certificar e Otimizar), implementado pelo instituto Camões em parceria com a Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL), afirmou que há “inúmeros pedidos” de pessoas para “frequentar cursos de língua portuguesa”

“Qualquer timorense quer aprender português. As visitas ao centro de língua, ao novo centro de língua portuguesa que nós temos, agora são frequentíssimas, e não só por essa via, à Embaixada de Portugal, à reitoria, chegam todos os dias todas as semanas, inúmeros pedidos para frequentar cursos de língua portuguesa, para saber falar português”, disse à Lusa Paulo Faria.

O projecto FOCO, que funciona no Centro de Língua Portuguesa da UNTL, teve início em 2019 e termina no final deste ano e tem como objetivo contribuir para a melhoria da qualidade do ensino em Timor-Leste e da proficiência da língua portuguesa.

Segundo Paulo Faria, na UNTL o reitor, os vice-reitores e decanos todos frequentam cursos de língua portuguesa, incluindo funcionários e estudantes. “É uma busca continuada e incessante”, salientou o coordenador científico pedagógico, explicando que no ano passado formaram cerca de 700 pessoas, mas com mais recursos humanos poderiam ter alcançado entre 1000 e 2000 pessoas.

O primeiro grande objectivo do FOCO é a “formação de professores de língua portuguesa”, ou seja, o projeto recebe professores timorenses licenciados, que com o apoio de professores internacionais optimizam as suas “competências linguísticas”. “Isso faz-se de variadíssimas formas, através de tutorias, através de programas de mestrado. Só para dar um exemplo, no ano passado, o ano de 2023, conseguimos que três dos 13 professores nacionais timorenses que constituem o projecto FOCO terminassem as suas dissertações de mestrado”, afirmou Paulo Faria.

O FOCO, atualmente, já tem mais professores de língua portuguesa timorenses do que portugueses, o que Paulo Faria considerou como o “grande legado que pode deixar” um projeto daquela natureza, que é a formação.

Outro grande legado do programa é a certificação do Centro de Língua Portuguesa da UNTL, que deverá começar a certificar cursos de português em 2025, o que atualmente só acontece em Portugal e no Brasil. “Qualquer cidadão timorense que queira ver reconhecidas as suas capacidades no âmbito de proficiência linguística em língua portuguesa de forma oficial, poderá fazê-lo em princípio no próximo ano, 2025”, disse o vice-coordenador do FOCO.

Além da actuação na UNTL, o FOCO também formou em língua portuguesa funcionários de várias instituições do Estado timorense.

Em declarações à Lusa, o coordenador-geral do projeto e vice-reitor da Universidade Nacional de Timor-Leste, Samuel Freitas, disse que o programa tem de continuar porque ainda falta concluir o “C” de FOCO, certificar, e cumprir com o último “O”, otimizar. In “Ponto Final” - Macau