Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Portugal - Investigadores da Universidade de Coimbra alertam que a avaliação da saúde dos rios em Portugal está incompleta e propõem um método complementar

Um estudo coordenado pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com o laboratório Rede de Investigação Aquática (ARNET), alerta que a avaliação da saúde dos rios em Portugal está incompleta e propõe um método complementar baseado na decomposição da matéria vegetal.


O trabalho, intitulado “Moderators of Organic Matter Decomposition in Portuguese Streams: A Field Study and Literature Review” e publicado na revista Freshwater Biology, envolveu 23 investigadores de sete instituições nacionais. A equipa analisou a decomposição de folhas e madeira em 37 ribeiros do continente e da Madeira, e realizou uma revisão de 61 estudos prévios sobre decomposição de detritos vegetais em rios portugueses.

Segundo os investigadores, medir a taxa de decomposição da matéria vegetal permite avaliar a integridade funcional dos ecossistemas aquáticos, um aspeto que não é considerado na avaliação oficial, que se baseia quase exclusivamente em indicadores estruturais, como as comunidades aquáticas ou a qualidade da água.

“Mesmo entre ribeiros praticamente intactos, observamos grande variabilidade nas taxas de decomposição”, afirma Verónica Ferreira, coordenadora do estudo. “Só conhecendo as taxas naturais de decomposição é possível identificar desvios que indiquem perturbações, mesmo antes de serem visíveis nas comunidades aquáticas.”

O estudo revela, ainda, que fatores como o tipo de detrito vegetal, a presença de macroinvertebrados fragmentadores, a temperatura da água, o regime hidrológico, a estação do ano e a composição química da água influenciam a velocidade de decomposição. Ribeiros permanentes e intermitentes apresentam dinâmicas distintas, refletindo diferenças na disponibilidade de água e na atividade biológica ao longo do ano.

Os autores defendem a padronização dos métodos de medição das taxas de decomposição - incluindo o tipo de detrito a usar, a duração da incubação e o acesso dos invertebrados - como ferramenta robusta para avaliação funcional e comparações entre diferentes ecossistemas.

“Este trabalho estimula a integração de indicadores funcionais na avaliação da saúde dos rios, permitindo uma visão mais completa e realista da condição destes ecossistemas”, concluem os investigadores. Universidade de Coimbra - Portugal


Sem comentários:

Enviar um comentário