Antônio Brasileiro
de Almeida Jobim
tu és o verdadeiro
irmão do passarim.
Nos lábios das meninas
cem beijos de batom
te esperam nas esquinas
das ruas do Leblon.
Copacabana e o mar
têm cheiro de alecrim.
Hora de namorar
o Antônio Passarim.
Chega um rumor do espaço
um riso de Arlequim.
São as águas de março
ao som de um bandolim.
Lágrimas em nossa face
têm gosto de amendoim.
Menina, isto é saudade
do Antônio Passarim.
Diz que faz mas não faz
a vida é sempre assim.
Saudade não tem cheiro
tristeza não tem fim.
Francisco Carvalho –
Brasil
In Centauros Urbanos, (2003, Fortaleza, Editora Imprece)
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Francisco de
Oliveira Carvalho nasceu em Russas - Ceará, no dia 11 de junho de 1927 e
faleceu na cidade de Fortaleza, no dia 4 de março de 2013.
Ingressou
na Academia Cearense de Letras no dia 26 de abril de 1996, ocasião em que foi
saudado pelo então presidente Artur Eduardo Benevides. Ocupou a vaga deixada
por Cláudio Martins, cadeira número 31, cujo patrono é Farias Brito.
Notável
poeta cearense, reconhecido no Brasil a julgar pelos vários prêmios que fez
jus. Iniciou seu trabalho poético nos jornais O Nordeste, O Povo
e o Unitário.
Ingressou
em 1964 na Universidade Federal do Ceará, ocupando as importantes funções de
secretário do Conselho Universitário, membro do Conselho de Redação do Jornal
de Cultura da UFC e do Programa Editorial da Casa José de Alencar.
Participou
dos suplementos literários dos jornais O Povo, Diário do Nordeste
e do Suplemento de Literatura de Minas Gerais. Recebeu as Medalhas do Mérito
Cultural e Administrativo da UFC.
Recebeu
os prêmios: Concurso de Poesia da Academia de Letras de Teresópolis (duas
vezes), da UFC e da Primeira Bienal Nestlé de Literatura, em 1982.
Obras
principais: Os mortos azuis (1971); Pastoral dos dias maduros
(1977); As verdes léguas (1ª ed. 1979, 2ª. ed., 1997); Rosa dos
eventos (1982); Quadrante solar (Prêmio Nestlé de Literatura, em
1982) (1983); Crônica das raízes (1992); Sonata dos punhais
(1994); Artefatos de areia (1995); Raízes da voz (1ª. ed. 1996 e
2ª. ed. 1997); Os exílios dos homens (1997); Romance da nuvem do
pássaro (1998); A concha e o rumor (2000); O silêncio é uma
figura geométrica (2002); Centauros urbanos (2003); Corvos de
alumínio (2007); Memórias do espantalho – Poemas escolhidos (2004).
A
poesia de Francisco Carvalho combina rigor formal, imaginação simbólica e
reflexão existencial, sendo frequentemente descrita como introspectiva e densa.
Sua obra percorre tanto o lirismo amoroso quanto questionamentos sobre o
sentido da vida e do tempo. In “Academia Cearense de Letras”
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