A emigração portuguesa continua a variar geografia. De acordo com o relatório “Emigração Portuguesa 2025: Relatório Estatístico”, divulgado em março de 2026 pelo Observatório da Emigração e pela Rede Migra, 2024 foi marcado por um reforço das saídas para vários países da Europa continental e por quebras assinaláveis em destinos tradicionais como o Reino Unido e o Canadá.
Os dados sobre as entradas de portugueses entre 2023 e
2024, mostram que a Alemanha é o país onde a variação é mais positiva, seguida
de França e Bélgica.
Estes três destinos destacam‑se claramente no topo do gráfico, sinalizando um
crescimento mais expressivo da imigração portuguesa. Logo a seguir surgem os
Estados Unidos (com variação calculada entre 2022 e 2023), a Austrália e a Áustria,
todos com aumentos visíveis no número de entradas de portugueses.
Também Itália, Noruega, Macau (China), Brasil, Holanda,
Suécia e Dinamarca registam saldos anuais positivos, ainda que de menor
dimensão. Em conjunto, estes dados confirmam que a Europa continental, alguns
mercados anglófonos extraeuropeus e territórios com ligação histórica a
Portugal continuam a atrair emigrantes portugueses, ainda que com intensidades
diferentes.
No lado oposto, o gráfico evidencia que o Reino Unido é o
país com a maior quebra nas entradas de portugueses entre os dois anos mais
recentes. A barra correspondente surge destacada no campo negativo, abaixo de
todos os outros destinos analisados. Canadá e Angola surgem também com descidas
significativas, seguidos por Suíça, Espanha e Luxemburgo, onde o número de
novas entradas de cidadãos portugueses diminuiu face ao período anterior.
Estes recuos sugerem o impacto combinado de fatores como
o endurecimento de políticas migratórias (no caso britânico e canadiano), a
evolução dos mercados de trabalho ou, em alguns casos, a estabilização e
eventual regresso de parte dos emigrantes.
O relatório, com 312 páginas,
caracteriza a emigração e a população portuguesa emigrada entre 2000 e 2024,
combinando dados nacionais e estatísticas oficiais de países de destino como
Alemanha, França, Espanha, Suíça, Luxemburgo, Brasil, Estados Unidos, Canadá,
Austrália, Noruega ou Macau. A obra analisa não só os fluxos anuais, como
também os stocks de população portuguesa no estrangeiro e as remessas enviadas
para Portugal.
Produzido pelo Observatório da Emigração e pela Rede
Migra, no âmbito do CIES‑IUL do ISCTE‑IUL, o relatório contou com o apoio do Ministério dos Negócios
Estrangeiros, do Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas,
do Fundo para as Relações Internacionais e da Direção‑Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades
Portuguesas.
Assinado por Inês Vidigal, Cláudia Pereira, Joana
Azevedo, Sofia Vilhena e Rui Pena Pires, o estudo confirma que a emigração
portuguesa continua a ser um fenómeno estrutural, mas em reconfiguração: perde
peso em alguns destinos tradicionais e reforça‑se em economias europeias centrais e em novos polos de
atração fora da Europa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo
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