Assinala-se hoje, 23 de Abril, o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor. E no dia 26 do corrente mês, o Dia Mundial da Propriedade Intelectual. O volume, como receptáculo moderno, evoluiu desde as inscrições rupestres e papiros para se tornar uma ferramenta dinâmica de preservação da memória
Numa breve conversa com alguns autores
do nosso mercado, podemos observar que a maioria dos escritores angolanos não
domina aspectos legais vinculados à sua própria produção.
Iniciamos com Hélder Simbad, escritor e docente
universitário que, analisando o actual contexto do livro e dos direitos de
autor no país, considerou que existe uma profunda “iliteracia jurídica” entre
os autores, uma vez que a maioria dos escritores não domina aspectos legais
vinculados à sua própria produção.
Ao analisar a importância histórica da escrita e do
livro, contrastando-a com a actual precariedade dos direitos autorais no país,
Simbad defendeu a profissionalização do sector e a necessidade urgente de uma
estrutura institucional que proteja efectivamente os escritores contra a
pirataria e a iliteracia jurídica. O escritor apontou a ausência de uma
indústria do livro profissionalizada e a falta de fiscalização como resultados
de um cenário de pirataria desenfreada, onde obras são vendidas em mercados
informais, como no Asa Branca, sem qualquer defesa para o criador.
O autor salientou que o SENA DIAC e outras instituições
correlatas ainda não são percebidos como estruturas capazes de oferecer
protecção real ao escritor angolano.
A visão predominante, segundo Simbad, é de que, enquanto
a literatura não for tratada como uma indústria profissionalizada e não houver
uma rede complexa de institutos colaborando entre si, o direito autoral
continuará a ser ignorado ou desprezado pelos próprios autores, que não vêem
vantagens práticas no registo de suas obras.
Considerou que a Protecção da Propriedade Intelectual em
Angola transcende a mera burocracia; ela exige uma reforma estrutural que
transforma a literatura numa indústria viável. Sem fiscalização contra a pirataria
e uma educação jurídica acessível aos autores, o livro permanecerá vulnerável,
e o direito autoral será apenas um conceito distante da realidade prática dos
criadores angolanos. Augusto Nunes – Angola in “O País”
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