Verónica Lii e Wizard HTF juntam-se em Bendedera, um novo single acompanhado de videoclipe que mergulha numa realidade tantas vezes ignorada, mas central para muitas comunidades: a luta diária de quem faz da rua o seu espaço de trabalho e de sobrevivência.
Com produção de Joeezy e realização de Patrick Clacket, a
faixa afirma-se como um manifesto sem cair no discurso vazio e assenta numa
ligação direta à vivência da própria artista.
“A inspiração vem do meu sangue”, explica Verónica. A
artista cresceu rodeada por vendedores e voltou a confrontar-se com essa
realidade numa visita à tia, ainda ativa no mercado. O momento acabou por
expandir a ideia inicial e a homenagem deixou de se limitar ao comércio
informal, passando a incluir toda a cadeia que o sustenta, da agricultura à
banca. A participação de Wizard reforça esse objetivo ao reconhecer a rede de
esforço contínuo que alimenta comunidades inteiras.
No videoclipe, a presença do empreendedor DeePuna Ortet
funciona como um ponto de ligação entre o comércio tradicional e uma visão de
futuro. A intenção é mostrar que a base é a mesma: iniciativa, resistência e
capacidade de construir a partir de pouco. A par da representação, a
participação de Ortet procura motivar gerações mais novas a olharem para estas
áreas com outra perspetiva, num contexto em que setores como a agricultura
continuam a afastar jovens e a ser pouco valorizados socialmente.
Do ponto de vista sonoro, Bendedera segue uma
construção consciente. Joeezy começa por um registo mais contido, quase
introspectivo, antes de introduzir uma batida mais marcada. O contraste foi
pensado para que a suavidade inicial expusesse a fragilidade, enquanto a
evolução da produção traduzia a força necessária para enfrentar o quotidiano.
O impacto mais evidente sente-se, no entanto, fora do
estúdio. Durante as gravações no mercado, pessoas a parar, a dançar, a
reconhecer-se, é o tipo de coisa que Verónica assume que não se encena e
justamente por isso que procura com este lançamento: que quem vive esta
realidade se veja como protagonista, e não apenas como pano de fundo.
Bendedera não
resolve desigualdades nem altera estruturas, mas cumpre o papel frequentemente
dado à música e a outras expressões artísticas/culturais: dar espaço, voz e
dignidade a histórias que continuam a sustentar economias inteiras, muitas
vezes fora do radar. In “Bantumen” - Portugal
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