Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 12 de fevereiro de 2023

Timor-Leste - Presidente José Ramos-Horta destaca os 101 anos do padre João Felgueiras

Jesuíta natural de Caldas das Taipas vive há 53 anos naquele país

O Presidente da República Democrática de Timor-Leste, José Ramos-Horta, visitou o padre jesuíta João Felgueiras, que vive naquela ilha do Sudeste Asiático há mais de 50 anos, apelidando-o de “profeta” e invocando a sua naturalidade: “Só pode ter vindo de Guimarães”.

Através das redes sociais, o chefe de Estado timorense lembra que o padre João é natural de Guimarães, “cidade Berço de Portugal” e local onde “Afonso Henriques tramou contra a mãe, consolida o poder, avança para o Sul, expulsa os Mouros e no Ano Cristão de 1143 fundou Portugal”.

E elogia: “Um homem de tão invejada longevidade, ainda lúcido e animado aos quase 102 anos de idade, só pode ter vindo de Guimarães herdando o ADN do Primeiro Rei de Portugal. Em Timor-Leste há mais de 50 anos de missão de servir com total entrega”.

Ramos-Horta adiantou que a conversa com o padre João foi “animada” e durou “mais de uma hora”, com o jesuíta a dirigir “uma oração” pela “saúde e sabedoria” do governante.

Em reportagem da Agência Lusa, datada de maio de 2022, o padre João Felgueiras é descrito da mesma forma em que hoje recebeu o Presidente daquela recente nação: “Sentado, ao lado da pequena capela do Centro Juvenil Padre António Vieira, em Díli, num banco castanho de madeira algo desgastado, o cabelo curto e fino e do mesmo branco da barba e da batina até aos pés, tapados com sapatos beges claros, quase da cor da pele”.

Natural de Caldas das Taipas, concelho de Guimarães, é o mais novo de oito irmãos, três rapazes e cinco raparigas: “Somos dois padres e quatro religiosas, uma família de missionários”, disse, considerando-se “português e timorense”.

“Vim para aqui como missionário para trabalhar, enquanto a Companhia de Jesus quisesse e assim foi até agora. Todos contribuímos. O passado foi vivido, e estou contente de ter vivido em paz, não fiz nada contra ninguém, nada de mal contra o povo e estou contente poder ter contribuído alguma coisa”, explicou na mesma reportagem.

Felgueiras foi um educador que dedicou mais de metade da sua vida a Timor-Leste e aos timorenses, vivendo até hoje, na alma, todas as lutas da população.

Em maio de 2016, quando o então chefe de Estado Taur Matan Ruak condecorou o padre Felgueiras com a Insígnia da Ordem de Timor-Leste, lembrou a sua dedicação como “educador infatigável de sucessivas gerações de timorenses, e na preservação da nossa identidade nacional e promoção do desenvolvimento cultural do país”.

Antes, em 2002, foi condecorado como Grande Oficial da Ordem da Liberdade, pelo então Presidente português, Jorge Sampaio, em reconhecimento da sua luta pela preservação da língua portuguesa em Timor-Leste.

A educação, e a educação em língua portuguesa, foram os grandes motes da vida de João Felgueiras.

Mesmo nos tempos mais duros, quando ensinar português era proibido, dedicou-se ao ensino da língua, escondido e na clandestinidade, sempre com o sonho de ver nascer uma escola.

Finalmente, em 2017, viu nascer esse projeto, a ampliação da Escola Amigos de Jesus, projeto de vida do jesuíta que vive há 53 anos em Timor-Leste e que ensinou português na clandestinidade.

No dia da inauguração, a 04 de fevereiro de 2017, João Felgueiras falava do sonho que se concretizava, mas cuja primeira pedra tinha começado a ser construída muito antes, fruto da atividade pastoral dos padres jesuítas durante a ocupação indonésia.

Anos antes, em maio de 1999, João Felgueiras já falava, apaixonado, sobre a sua terra, e a versão inicial da ‘escola’ era uma casa e algumas árvores onde algumas centenas de timorenses aprendiam português, meio às escondidas.

Na altura, o padre Felgueiras recordava que houve períodos em que falar português em Timor-Leste representava quase uma condenação imediata:

“Nos primeiros anos houve muitos timorenses que foram perseguidos e maltratados por terem livros em português. Houve alguns que morreram apenas porque usavam a língua portuguesa”, contou na altura.

Diz-se motivado pelos “bons exemplos”, que teve em casa, na família, na escola e na Companhia de Jesus: “Como que um jardim sempre a acompanhar-me de valores, que me ajudaram muito a transmitir esses valores aos outros”.

Em 2021 perdeu o seu maior amigo em Timor-Leste, o também jesuíta padre José Martins, de Barcelos, de quem sente grandes saudades.

“Era um grande amigo que tínhamos cá. A vida é assim. tenho pena e uma saudade muito grande. Tenho lá a fotografia dele ao pé das dos meus irmãos. Um amigo desde o princípio, que viveu todos os problemas ao meu lado”, disse. In “O Minho” - Portugal


quinta-feira, 25 de março de 2021

Namíbia - Mais de 7 mil angolanos que fugiram à fome acampados em Omusati

Os milhares de angolanos que entraram ilegalmente na Namíbia para fugir à fome e ao desemprego, nas últimas semanas, poderão ser repatriados em breve através de um mecanismo que está a ser preparado pelo Governo de Luanda em colaboração com as autoridades namibianas

O governador de Omusati, na Namíbia, que faz fronteira com Angola, avançou que pelo menos 7000 angolanos que fugiram da fome e do desemprego devido à seca nas províncias do sul, estão acampados em vários locais desta região, uma das que acolheram mais cidadãos nacionais nestas condições nas últimas semanas.

Como o Novo Jornal noticiou, ultimamente, devido ao acumular dos efeitos devastadores da seca prolongada que afecta as províncias do sul de Angola, milhares de angolanos, especialmente homens e mulheres, muitos com filhos pequenos, passaram ilegalmente a fronteira para a Namíbia, onde procuram desesperadamente comida e trabalho na agricultura, por vezes a troco de migalhas.

Erginus Endjala, governador da região de Omusati, que lembra que os empregadores namibianos estão impedidos de acolher angolanos porque a entrada destes no país é ilegal devido às restrições geradas pelas medidas de controlo da pandemia da Covid-19, ressalta que estão a decorrer conversações entre as autoridades dos dois países de forma a encontrar soluções.

Na semana passada, a embaixadora angolana na Namíbia, Jovelina Costa, deslocou-se às regiões que fazem fronteira com Angola para analisar a situação com as autoridades locais e recolher informação sobre o número e as necessidades dos angolanos que passaram a fronteira nos últimos tempos.

Uma das medidas em análise, segundo o governador de Omusati, citado pelo The Namibian - a imprensa namibiana tem dado grande destaque a este assunto - é a abertura das fronteiras para que os angolanos, desesperados pela fome e desemprego, possam encontrar, legalmente, trabalho no país vizinho e, essencialmente, lhes possa ser prestada assistência humanitária.

Erginus Endjala disse mesmo que "não se pode virar as costas a pessoas que procuram fugir da fome fechando-lhes as fronteiras", ao mesmo tempo que adiantava que o Governo de Luanda está a preparar um sistema de transporte para repatriar os cidadãos angolanos que se encontram na condição de imigrantes ilegais em território namibiano.

O responsável sublinhou que esse repatriamento só poderá suceder depois de as autoridades angolanas terem criado condições mínimas para o efeito, incluindo a garantia de alimentação para as pessoas que vão ser deslocadas.

Para já, as duas regiões com mais concentração de angolanos que deixaram o seu País para procurar comida e trabalho no país vizinho estão, na sua maior parte, concentrados nas regiões de Omusati Ohangwena, para onde o Governo de Windhoek enviou 500 sacos de milho e 2000 latas de peixe em conserva.

Endjala notou que o Governo namibiano está a fazer "um grande esforço para ajudar estas pessoas" apesar de também estar a lidar com "problemas sérios devido à pandemia da Covid-19".

"Estamos a ajudar com o pouco que temos", disse, ao mesmo tempo que lembrou que o Governo de Luanda prometeu "enviar ajuda para garantir alimentos e abrigo a estas pessoas".

E observou que os angolanos que estão nestas condições procuram essencialmente trabalho como pastores ou empregados domésticos, mal remunerados, mas que isso não deixa de obrigar os empregadores a pedir uma autorização legal para o fazerem.

O que significa que o consulado de Angola deve emitir um "cartão verde" para cada cidadão que tiver conseguido um contrato de trabalho, de forma a evitar acusações de tráfico ilegal de seres humanos e evitar que estes sejam deportados.

Recorde-se que a maior parte destas pessoas está a sobreviver há várias semanas da ajuda de organizações humanitárias e de pessoas que podem ajudar com alimentos, roupas e mesmo medicamentos.

Recorde-se que a par deste problema, como o Novo Jornal também noticiou, centenas de angolanos que se encontram no campo de refugiados de guerra de Osire há largos anos, estão em risco de serem obrigados a voltar a Angola por terem perdido o estatuto de refugiados. In “Novo Jornal” - Angola