Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Cabo Verde - V volume de “Mulheres e Seus Destinos” lançado sexta-feira na cidade da Praia com foco nas vítimas das cheias do Tarrafal

Cidade da Praia – O V volume da antologia “Mulheres e Seus Destinos”, intitulado Chuvas de Lágrimas: Poemas de Dor e Resiliência, será lançado sexta-feira, 29, na cidade da Praia, numa edição inspirada nas cheias que devastaram o Tarrafal.


A informação foi avançada pela mentora e coordenadora do projecto, Lena Marçal, em entrevista à Inforpress, ao destacar que esta edição reúne poemas marcados pela dor, perda e resiliência das populações afectadas pelas enxurradas.

Segundo aquela responsável, a obra nasceu depois de ter presenciado de perto os estragos provocados pelas cheias no Tarrafal, experiência que descreveu como “uma tristeza enorme”.

“Vi casas destruídas, ruas cobertas de lama e pessoas que perderam praticamente tudo. Senti necessidade de transformar essa realidade em poesia”, afirmou.

A coordenadora explicou que, pela primeira vez, a antologia apresenta um subtítulo temático, diferenciando-se dos quatro volumes anteriores da colectânea “Mulheres e Seus Destinos”.

O livro conta com 123 participantes, entre os quais 106 mulheres e 17 homens, reunindo textos sobre as vivências das famílias afectadas, os pescadores, as mulheres, as praias e a identidade cultural do Tarrafal.

Alguns poemas retratam igualmente os impactos da tempestade Erin na ilha de São Vicente.

Lena Marçal considerou, por outro lado, que a forte adesão feminina demonstra o crescimento da presença das mulheres no universo literário cabo-verdiano, embora reconheça que a participação masculina continua reduzida.

Além da vertente literária, a coordenadora destacou o carácter social do projecto, lembrando que as receitas da venda dos livros revertem integralmente para o Gabinete de Acção Social da Câmara Municipal do Tarrafal.

“É um projecto de cariz social que procura despertar nas pessoas o sentido de responsabilidade social”, sublinhou.

Aquela responsável revelou ainda que as diferentes edições da antologia já permitiram apoiar associações e causas sociais com valores próximos de um milhão de escudos.

Lena Marçal apelou à participação do público e incentivou os presentes a adquirirem pelo menos um exemplar da obra em apoio às famílias e causas sociais beneficiadas pelo projecto. In “Inforpress” – Cabo Verde


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Moçambique - Lançamento de “Novas Vozes, Novas Estórias” celebra vencedores do Prémio Literário Carlos Morgado 2025

Chega ao público a 3.ª edição da antologia Novas Vozes, Novas Estórias, que reúne os 10 melhores contos de novos autores moçambicanos distinguidos na edição 2025 do Prémio Literário Carlos Morgado (PLCM).


Organizado pela Fundação Carlos Morgado e pela Catalogus, o prémio recebeu, em 2025, um total de 203 contos provenientes de diferentes pontos do país, um número que confirma o seu alcance nacional e a crescente relevância no panorama literário moçambicano.

A cerimónia de lançamento da antologia terá lugar na terça-feira, 10 de Março, às 17h30, no Business Lounge by Nedbank, em Maputo. No mesmo evento será oficialmente lançada a edição 2026 do prémio, marcando a abertura de um novo ciclo de candidaturas, que decorrerá de Março a Maio de 2026.

Autores publicados na edição 2025

A antologia apresenta textos de:

  • Omar Mahando António
  • Arquilito Silambo
  • Solange Guambe
  • Zaida Abacar
  • Daniel dos Santos
  • Argentina Guirrugo
  • Atumane Taibo
  • Pedro Mucheu
  • Alex Gujamo
  • Delton Lisboa

A obra propõe um retrato plural do Moçambique contemporâneo, explorando diferentes contextos sociais, experiências individuais e perspectivas ficcionais. O objectivo mantém-se claro: incentivar a criação literária, descobrir novos talentos e fortalecer a cultura do livro no país.

O Prémio Literário Carlos Morgado é instituído pela Fundação Carlos Morgado, organizado pela Catalogus, com o suporte da MGC – Matola Gas Company.

Com esta iniciativa, os promotores consolidam o seu papel na dinamização do sector editorial e no incentivo ao surgimento de novas vozes na literatura moçambicana. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Angola - Antologia “Construir amanhã com barro de dentro – vozes do pós-independência” vai ser lançado no Camões – Centro Cultural Português em Luanda

Depois de Moçambique, a antologia de prosa Construir amanhã com barro de dentro – vozes do pós-independência, organizada pelos escritores e jornalistas Eduardo Quive e Israel Campos, e editada pela Catalogus, será lançada em Angola.


Em evento que será no dia 11 de Dezembro, às 17h30, no Camões – Centro Cultural Português em Luanda, a obra que reúne 19 narrativas de 19 autores de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe será apresentada pelo escritor e crítico de arte Adriano Mixinge.

Por ocasião do lançamento do livro, o escritor moçambicano Eduardo Quive participará de uma série de actividades literárias, juntamente com o escritor Israel Campos, juntando-se a eles, os autores angolanos que participam na antologia, Rosa Soares, Oliver Quiteculo e Sérgio Fernandes.

Essas actividades serão, nomeadamente, no dia 05 de Dezembro, às 17h30 na Livraria Kiela, uma sessão de conversa o tema “Pontes literárias nos PALOP: Desafios e Oportunidades”, moderada por Ngoi Salucombo (Programador cultural do Goethe-Institut Angola). No dia 06 de Dezembro, às 10 horas, uma sessão de conversa com autores na Biblioteca Contr’Ignorância, e às 15 horas, do mesmo dia, na 10Padronizada, debate sobre o tema “construindo pontes, sonhando utopias: o livro, a circulação e o acesso em Angola e Moçambique”.

No dia 08 de Dezembro, às 17 horas na União dos Escritores Angolanos (UEA), debate-se sobre o tema “entre a memória e o porvir: os jovens e os livros nos PALOP”, moderado pelo escritor e jornalista Gociante Patissa.

Dia 09 de Dezembro, às 11 horas, na Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto, conversa sobre o livro “Construir amanhã com barro de dentro – Vozes do pós-independência”, com a moderação da professora e escritora Domingas Monte.

A antologia Construir amanhã com barro de dentro – vozes do pós-independência, é editada pela Catalogus com o apoio do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, tendo sido lançada na capital moçambicana em Agosto de 2025. Agora ela persegue a utopia em constituir uma ponte de circulação e acesso à literatura contemporânea dos países unidos pela língua portuguesa dentro do continente africano.

A obra contempla escritores nascidos no período pós-independência que, na sua maioria, já são referência na literatura contemporânea africana e outros promissores que têm vindo a destacar-se pelo seu talento. São eles Amadu Dafé, Ailton Moreira, Alice Pessoa, Edson Incopté, Eileen Barbosa, Happy Taimo, Ivanick Lopanza, Janine Oliveira, Jessemusse Cacinda, Luana Cardoso Pereira, Marinho Pina, Maya Ângela Macuácua, Mélio Tinga, Oliver Quiteculo, Pedro Sequeira de Carvalho, Rosa Soares e Sérgio Fernandes, incluindo os contos dos organizadores, Eduardo Quive e Israel Campos.

A antologia conta com o prefácio da consagrada escritora moçambicana Paulina Chiziane e de Inocência Mata, professora de Literatura e Estudos de Cultura na Universidade de Lisboa.

Sobre os organizadores

Eduardo Quive é jornalista e escritor. Publicou, entre outros, A cor da tua sombra (Romance, 2025), Mutiladas (Contos, 2024), Para onde foram os vivos (Poesia, 2022) e O Abismo aos pés – 25 escritores lusófonos respondem sobre a iminência do fim do mundo em 2020 (co-autor, Entrevistas). Co-fundou a Catalogus e é colaborador da Fundação Fernando Leite Couto.

Israel Campos é jornalista e escritor angolano, vencedor da 2ª edição do Prémio Literário Imprensa Nacional/Casa da Moeda (2024) e do Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro (2025). Com quase uma década de experiência na imprensa, colaborou como freelancer para a imprensa internacional em órgãos como a BBC, Voice of America, Al Jazeera e Wall Street Journal. Em 2023, publicou o seu romance de estreia E o Céu Mudou de Cor (Kacimbo, 2023). Actualmente é doutorando em Media e Comunicação na University of Leeds. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


terça-feira, 15 de abril de 2025

Brasil - Academia de Escritores homenageia Angola

A Academia Brasileira de Escritores homenageou Angola, no fim-de-semana, em São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, Brasil, na cerimónia de lançamento do quinto volume da antologia “Elos da Língua Portuguesa”



A antologia, que reúne textos de escritores de diferentes nações e contextos históricos, é um testemunho da pluralidade da Comunidade de Países de Língua Oficial Português (CPLP).

Mais do que uma colectânea de textos, Elos da Língua Portuguesa celebra a unidade na diversidade, uma ponte entre diferentes realidades, em torno de um bem comum.

De acordo com os organizadores do evento, o projecto, mais do que avaliar a qualidade técnica dos textos publicados, exalta a coragem, a criatividade e o desejo de expressão de cada autor. In “Jornal de Angola” - Angola


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Moçambique - Gala Gala Edições lança “Blasfêmeas” no Instituto Guimarães Rosa

No dia 20 de Fevereiro, às 17h30, no Instituto Guimarães Rosa (antigo Centro Cultural Brasil-Moçambique), Cidade de Maputo, a Gala-Gala Edições vai lançar o livro “Blasfêmeas, Sangue e Poesia: Novas Vozes Femininas”, uma antologia que reúne 18 novas vozes da poesia moçambicana como Kaya M, Hera de Jesus e N’wantshukunyani Khanyisani.



Segundo uma nota de imprensa, entre os dias 20 de Julho e 20 de Setembro de 2022, a Gala-Gala Edições recebeu textos para a chamada “Blasfêmeas — Sangue e Poesia”, válida para autoras que ainda não haviam publicado livros (ainda que antologiadas). 

A organização recebeu, ao todo, 96 textos de 32 autoras. 

Os textos seleccionados imaginam o lugar da mulher na sociedade moçambicana e no mundo e denunciam os males que enfrentam.

Para a editora,, a iniciativa visa dar a conhecer o trabalho de novas vozes da poesia escrita por mulheres, para quem, a poesia e a música fizeram sempre parte do seu quotidiano, mas não antes tiveram a oportunidade de publicar em livro. Por isso “BlasFêmeas”, pois “queremos que este seja um acto de heresia, de empoderamento, de liberdade, de pôr as novas poetisas [ou mesmo poetas] a declamarem os seus amores, as suas liberdades, lutas e direitos”.

A antologia, de 104 páginas, homenageia Noémia de Sousa, a “mãe dos poetas” de Moçambique, que, ao longo da sua vida e obra, abriu portas para muitas mulheres (e homens) expressarem as suas verdades e complexidades. Ademais, a publicação celebra a sua influência geracional na literatura, um ano antes do seu centenário (a acontecer em 2026).

O lançamento do livro contará com a apresentação da estudiosa Sara Jona Laisse e será comentada pelo poeta Sangare Okapi.

“Blasfêmeas, Sangue e Poesia: Novas Vozes Femininas” integra a colecção Plural da Gala-Gala Edições. In “O País” - Moçambique


quinta-feira, 9 de março de 2023

Brasil - Projeto inspirado no Real Gabinete Português de Leitura será lançado em 2023

Antologia “A biblioteca das almas esquecidas” reunirá contos de 29 autores brasileiros


Reconhecida como uma das bibliotecas mais bonitas do mundo, o Real Gabinete Português de Leitura será palco e protagonista de uma antologia que reunirá 29 autores nacionais. Mais do que ambientar contos no coração literário do Rio de Janeiro, na tradicional rua Luís de Camões, a obra “A biblioteca das almas esquecidas” chega para instigar o imaginário coletivo, segundo a organização, em uma celebração à cultura lusófona.

A antologia conecta uma pluralidade de estilos, vozes e ideias que alimentam a imaginação acerca do Real Gabinete, inclusive por meio de encontros fantasmagóricos. Quantos segredos se libertam das páginas dos livros e andam livremente pelos corredores da biblioteca depois que as visitas acabam e as luzes se apagam? As narrativas breves trazem enredos inspirados em obras, autores e, até mesmo, membros da equipe do local.

Conforme explica Mih Lestrange, organizadora do projeto, a proposta é surpreender o público. “A ideia de histórias envolvendo fantasmas de personagens de livros clássicos, ou mesmo de alguns autores, pode parecer bastante restrita, pois tanto o cenário quanto alguns personagens principais já estão pré-definidos. Ainda assim, é impressionante ver como os autores exploraram as brechas da proposta, criando histórias envolventes, assustadoras, reflexivas e inovadoras”.

Para a revisora de textos e leitora crítica, a autora carioca Raiany Távora, a experiência de escrever um conto sobre a biblioteca pública foi “maravilhosa”. “Sou do Rio e, durante a graduação, eu costumava ir ao Real Gabinete para estudar. O lugar possui uma aura mágica incrível e o meu principal desafio, ao criar o conto ‘Quando ninguém vê’, era passar essa sensação para o papel. Além de escrever sobre um casal de outras vidas, o amor pelos livros precisava ficar marcado em cada linha”.

O projeto

Segundo a organização, a realização de antologias é um posicionamento da editora para lançar no mercado autores que estão iniciando na carreira ou autores já experientes, dando apoio e incentivo à escrita.

“É uma alegria imensa ver a realização e satisfação dos nossos autores, é o sorriso que nos estimula a continuar! A campanha de arrecadação foi um sucesso e a previsão de entrega dos exemplares aos apoiadores é agosto de 2023”, reforça Janaina Storfe, diretora executiva da Cartola Editora.

O projeto ainda está com campanha de financiamento coletivo no Catarse. Interessados podem apoiar a obra até o dia 10 de março de 2023. As recompensas englobam desde versões do livro em e-book a impresso, além de marcadores de páginas personalizados e descontos na livraria da Cartola Editora. Mais informações pelo Instagram: @cartolaeditora. In “Mundo Lusíada” - Brasil



sábado, 29 de janeiro de 2022

Alemanha - Oxalá Editora procura poetas

A Oxalá Editora, com sede na Alemanha e vocacionada para a publicação de obras de autores lusófonos residentes fora de Portugal, está a convidar autores para integrarem a IV Antologia de Poetas Lusófonos na Diáspora a ser publicada na primavera de 2022


A III edição da antologia lançada em 2020 reuniu mais vinte e cinco poetas residentes na Europa, Canadá, Brasil, EUA, etc.

“Esta iniciativa editorial veio contribuir para a descoberta de excelentes poetas nas comunidades de língua portuguesa residentes no estrangeiro”, diz Mário dos Santos, editor e responsável pela Oxalá Editora, com sede na Alemanha. 

O editor sublinhou o facto dos volumes das antologias entretanto publicados “ter dado palco a amantes da poesia que até então se confrontavam com dificuldades em divulgar os seus trabalhos”.

Acrescente-se que os anteriores volumes se encontram esgotados, havendo, inclusive, uma segunda edição da III Antologia.

A Oxalá Editora, sediada na região de Dortmund, Alemanha, foi criada em Junho de 2015 e tem um já longo catálogo de obras de autores da diáspora lusa.

Com alguns milhões de portugueses a viverem fora do país, Mário dos Santos acredita que “na diáspora há muita gente que escreve com qualidade” e a Oxalá pretende fazer um trabalho de “descoberta desses autores”.

A IV Antologia é coordenada pela autora e poetisa São Gonçalves, residente no Luxemburgo e colunista regular do Bom Dia.

Os poemas devem de ser enviados para oxalaeditora@hotmail.com até ao dia 15 de março de 2022, acompanhados da respetiva ficha de inscrição. Os interessados devem consultar o regulamento aqui. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 7 de novembro de 2021

França - Livros: “La poésie du Portugal – des origines au xxe siècle”, um monumento à poesia portuguesa

Quando foi a última vez que viu nas livrarias uma antologia de poesia com quase duas mil páginas, bilingue – português e francês – que, de modo cronológico, percorre um longo caminho histórico, feito de mil poemas e trezentos poetas, desde o século XII, com as Canções de Amigo dos trovadores galaico-portugueses, até às portas do século XXI?

Talvez nunca tenha visto. E é natural, pois esta monumental obra editada pela Chandeigne – é impressionante o trabalho de Michel Chandeigne, ao longo das últimas décadas, em prol da promoção e difusão em França das Literaturas em língua portuguesa – aparece uma vez na vida.

“La Poésie du Portugal – des origines au XXe siècle”, edição e tradução, ritmada e fluida, do também poeta Max de Carvalho, começa o seu longo percurso de 900 anos de poesia portuguesa com a lírica em língua vulgar dos dealbares da criação de Portugal, embora, por ser a mesma cultura ibérica e a mesma língua, enverede também por Castela e Leão: a poesia do rei sábio Afonso X é um dos marcos fundamentais das culturas peninsulares.

E é desse caldo primordial que nasce a poesia portuguesa, “uma”, diz o editor, “das mais fecundas tradições líricas e épicas da Europa”. Um percurso que termina com os poetas contemporâneos, descendentes diretos da chamada “idade de ouro” que nasce no pós-guerra, durante os anos 1940, com o surrealismo e com a hegemonia póstuma de Pessoa que paira sobre a poesia da segunda metade do século XX. Uma explosão de criatividade poética que, paradoxalmente (ou não), surge da opressão fascista do triste Portugal de Salazar.

Esta antologia é um longo rio quase milenar no qual o leitor mergulha não apenas na história e no romance nacionais, construídas graças a uma eterna permuta de influências, sejam árabes, africanas ou brasileiras, mas também nos seus mitos, medos e fantasmas coletivos. Uma história perturbada que nasce da reconquista – essa longa cruzada ibérica que termina com a conquista do Algarve em 1249 por Afonso III (Granada cairá apenas em 1492, annus mirabilis castelhano) – e atinge os píncaros com a expansão portuguesa – esses “Descobrimentos” que marcam tanto o início de grandes avanços científicos e geográficos como o começo da “industrialização” do tráfico negreiro transcontinental – que tem nos “Lusíadas” o seu momento estratosférico.

Depois, século após século, é uma inexorável decadência histórica feita de batalhas perdidas, reis desaparecidos, naufrágios, crescente irrelevância global, terramotos e longas ditaduras…

Uma decadência que não se verifica na poesia, que, pelo contrário, se alimenta dos tristes fados nacionais, enriquecendo-se de tal maneira que, ainda hoje, os portugueses (mito ou realidade?) acreditam constituir um povo feito de poetas. Gomes Garcia – França in “LusoJornal”


segunda-feira, 20 de setembro de 2021

‘Quadrigrafias’: a poesia do efêmero

                                                                    I

O leitor compra um livro e leva quatro boas obras de poesia. É esta a proposta de Quadrigrafias, fruto de um projeto criado e incentivado pelo escritor e diplomata Márcio Catunda, desde 2003, que consiste na edição de livros de livros. Quadrigrafias reúne quatro obras independentes entre si: Elaine Pauvolid comparece com Silêncio-Espaço, Márcio Catunda com Dias Insólitos, Tanussi Cardoso traz Dos Significados e Ricardo Alfaya, Álbum sem Família.


O título é alusivo aos quatro autores, suas escritas, suas visões e suas visualidades, já que a palavra grafias tanto sugere a escrita quanto as artes visuais, modalidades que cada vez andam mais próximas. Essa é a terceira coletânea de livros individuais em que os quatro autores estão juntos. As anteriores foram Rios (Rio de Janeiro, Ibis Libris, 2003), e Vertentes (Rio de Janeiro, Editora Five Star, 2009).

Em Quadrigrafias, a carioca Elaine Pauvolid (1970), poeta e artista plástica, autora também do prefácio, participa com poemas de O silêncio como contorno da mão (Selo Orpheu, 2011), revisitado, e Poemas para projetor. No primeiro poema, mostra seu interesse pelo tema do vazio, observando que “a impossibilidade da palavra em dizer completamente” constitui “o motor do fazer poético”. É o que procura dizer nestes versos em que faz um excepcional jogo de palavras: deus o silêncio abrasa / deu-se o silêncio à brasa / deus o silêncio abraça. Já em Poemas para projetor, procura explorar a espacialidade dos versos no branco da página, em poemas minimalistas.

O cearense Márcio Catunda (1957), em Dias Insólitos, faz da meditação uma força transformadora, como assinalou Ricardo Alfaya no prefácio que escreveu para esta obra.  E o faz sem se prender a modismos, deixando-se levar pela meditação e, principalmente, evocando reminiscências, como aqui nestes versos de “Poema de fevereiro” em que diz: “(...) Quisera ser aquele menino / que atravessava a Avenida Atlântica, / na década de 70. / Ir à praia, com o mesmo entusiasmo de outrora. / Mas, ao menos, caminho descalço pela areia / e ainda cobiço os belos corpos femininos. / Recuso-me a ser este homem idoso que recorda / os passeios marítimos de sua juventude (...).

Ou quando evoca a imagem da mãe perdida no tempo passado, como diz no poema “Dona Zenilda”: (...) Lá fora, vejo o esplendor abissal do dia. / Fito a luz do Sol, / na expectativa de ver o rosto de minha mãe. / Quando as estrelas brilharem, / sei que ela estará naquelas imediações.  

 

                                                                    II

Por sua vez, o carioca Ricardo Alfaya (1953), advogado e jornalista, em Álbum sem Família, livro temático, composto por 100 poemas, expõe textos que seriam legendas para fotografias reunidas num álbum, que, metaforicamente, representaria o próprio autor em sua solidão, ironia e perplexidade de divorciado sem filhos. Tanussi Cardoso no prefácio que escreveu para este livro observa que, “atrás de uma aparente simplicidade, (Alfaya) trabalha um jogo de espelhos quebrados, onde os fragmentos dispersos são unos e únicos”.

E acrescenta: “Os poemas são pequenas joias: fotos de um realismo, filtradas em poesia valorosa e elegante, mesmo quando aborda temas sociais ou sutilmente libidinosos e amorosos”. Veja-se aqui em “Foto 031: a tarde desnuda”, poema em que recupera o seu cotidiano no Rio de Janeiro e evoca uma viagem a Madri: “Encontro, encantado, a tarde. / Descubro-a de repente, / recostada no espaldar de uma cama, no El Prado. / A tarde é clara e tem o peito perfumado. / Os alados bicos de seus seios tremulam / junto à linha do horizonte. / A tarde é morena, / mora em Ipanema / e tem a fragilidade de um dia. / Mistura de paisagem que flutua, / mulher nua e tela de Goya”.

 

                                                                   III

Por fim, em Dos Significados, o poeta, crítico, contista e letrista de música popular Tanussi Cardoso (1946), carioca, jornalista e advogado por formação, faz uma profunda reflexão sobre o sentido e o significado da poesia, como se vê no poema “Das possibilidades” em que parece dialogar com o poeta Manuel Bandeira (1886-1968): “Não lamentes o que és / ou o tempo que poderia ter sido. / O passado não existe / e o que és é futuro. / O amor é sempre a falta de. / O intervalo entre. / A ausência de. / A hora do que seria. / Nunca a completude, / mas o verbo do que poderia. / O amor é sempre / a impossibilidade do possível. / Não chores nem lamentes. / Tua cidade te espera. / Tua cadela te late. / Teu silêncio é tua música. / Tua cama é tua calma. / Pacifica teu coração / que, apesar de tudo, / bate. / O amor pode não ser, / mas a vida é sempre / a possibilidade do impossível”.

No prefácio, Ricardo Alfaya avisa que quem abrir o livro Dos Significados encontrará mais perguntas implícitas do que esclarecimentos semiológicos, mas desde logo garante: o leitor sairá gratificado. E cita o poema “Memorabilia”, considerando-o um poema cheio de movimento cinematográfico, “que faz a mente brincar de ir a vir e que retira qualquer um da imobilidade mental, o que seria uma das mais belas e profícuas funções da arte”.

Até por isso vale a pena reproduzir o poema aqui: “esqueço o trem. / e ao esquecer o trem, esqueço / o gesto de adeus / do homem na janela do trem. / esquecendo o gesto do adeus, esqueço o rosto do homem triste / olhando pela janela do trem. / e esquecendo o adeus e o olhar / do homem triste na janela do trem, / esqueço sua / história. e ao esquecer sua história, / deixo para trás sua vida, / como se deixa partir um trem”.        

Embora distintos, os quatro livros que compõem esta antologia procuram resgatar, de maneira lírica, o que de efêmero há na vida. E constituem uma prova da vitalidade que ainda há na poesia contemporânea brasileira. Enfim, o leitor que descobrir Quadrigrafias, com certeza, terá em mãos uma bela amostra da produção de quatro dos mais importantes poetas do Brasil neste começo de século XXI. Adelto Gonçalves - Brasil

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Quadrigrafias, de Elaine Pauvolid, Márcio Catunda, Ricardo Alfaya e Tanussi Cardoso. Rio de Janeiro: Editora Uapê. 212 páginas, R$ 33,00 (frete incluído), 2015. Pedidos para: Alfaya Livreiro e Revisor. Link: https://alfayalivreiroerevisor.blogspot.com/

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br





quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Portugal - Antológica de Miguel Palma revela obra do artista "em sobressalto" no Museu Berardo

Uma exposição antológica da obra de Miguel Palma, com 54 peças que refletem o trabalho de um artista que vive "em sobressalto" com a modernidade, está em exposição no Museu Coleção Berardo, em Lisboa



A mostra intitula-se "Miguel Palma. (Ainda) O Desconforto Moderno", tem curadoria de Miguel von Hafe Pérez, e apresenta uma panorâmica dos últimos trinta anos do trabalho de um artista fascinado pelo mundo das tecnologias, e pelo seu impacto na vida quotidiana e na natureza.

Durante uma visita guiada aos jornalistas, na presença do curador e da diretora artística do museu, Rita Lougares, questionado pela agência Lusa sobre o título da exposição, Miguel Palma justificou: "Eu muitas vezes sinto-me desconfortável, até como artista, e não tem a ver com não gostar, mas com uma inquietação e sobressalto".

"Esse sobressalto é o resultado de uma urgência que eu sempre senti no trabalho, que não é o de fazer por fazer. Tem a ver com uma vigilância. Eu sinto-me sempre não obrigado, mas orientado para essa vontade de construir algo porque é importante, porque tem de ser feito, e muitos dos meus trabalhos passam por essa posição do tudo ou nada", explicou.

Com séculos e séculos de avanço das tecnologias, que continuam a surgir, Miguel Palma continua também a sentir-se "desconfortável", e a criar: "Se o mundo fosse confortável, eu não faria arte", justificou.

A obra de Miguel Palma respira movimento, engenharia, mecânica, e existe através de engenhos, maquetes, aparelhos nascidos do mundo automóvel, da aeronáutica ou navegação.

Para o espaço desta exposição criou especificamente uma nova obra - "A Montanha" (2019) - que teve apoio à produção do Museu Coleção Berardo.

Rita Lougares disse, na visita, que o Museu Berardo pretende investir mais no apoio à produção de obras de arte contemporânea portuguesa, porque "a Coleção Berardo é bastante internacional, e não tem muitos artistas portugueses".

Miguel Palma, nascido em 1964, em Lisboa, foi descrito pelo curador Miguel von Hafe Pérez como "um artista que se apropria das narrativas de uma modernidade em permanente questionamento para melhor refletir sobre o presente".

A arquitetura, a natureza, e a tecnologia em geral estão presentes em obras icónicas como "Engenho" (1993), um veículo que criou e que levou de Lisboa para Serralves escoltado pela polícia, como recordou o curador.

Também é possível ver o "Googleplane", um avião em escala natural pertencente à Coleção Berardo, que volta a estar suspenso no espaço expositivo, e também diversas maquetes e uma série de pintura criadas com a poluição de um dos seus engenhos.

"A criatividade do artista desdobra-se numa pulsão construtiva que convoca e problematiza conceitos como o progresso, a degenerescência, a velocidade e o fracasso", apontou Hafe Pérez.



A exposição apresenta uma seleção antológica do trabalho de Miguel Palma que cobre um arco cronológico de trinta anos, e transita entre a escultura, o vídeo, a instalação, o desenho e a performance.

Além de obras de escala monumental nunca antes apresentadas em Portugal, como é o caso de "Cinq temps" (2016), produzida para o MuCEM, em Marselha, o artista criou a "Montanha" (2019), em ferro, que expele neve, e será agora apresentada pela primeira vez, no Museu Berardo, no Centro Cultural de Belém.

Aquilo que Miguel Palma propõe em forma de obras de arte "são considerações de uma espessura existencial absolutamente única".

"A sua curiosidade e o modo como articula diferentes horizontes do saber sublinham a capacidade de nos reinventarmos, dissimulando a inexorável lei maior, que é a da vitória do tempo sobre a finitude humana", sublinha o curador sobre um artista que tem a sua obra representada nas instituições de referência.

O Centro Galego de Arte Contemporânea (CGAC), com sede em Santiago de Compostela, Galiza, Espanha, recebeu, em 2015, uma antológica do artista.

A exposição ficará patente até 19 de janeiro de 2020. In “RTP” – Portugal com “Lusa”

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Lusofonia - Concurso para jovens poetas lusófonos


A EMERGENTE é miscigenada: canta o fado, fala crioulo, dança samba e semba ao fim da tarde, come tapioca e caril, bebe chá de jasmim e cheira a especiarias.

O escritor Samuel Pimenta, Prémio Jovens Criadores 2012, condecorado com a Comenda Luís Vaz de Camões em 2014 e galardoado com o Prémio Liberdade de Expressão 2014 em Outubro passado pela Associação de Escritores de Angra dos Reis (Brasil), lançou um concurso para poetas dos 18 aos 30 anos para a participação na antologia “Emergente – Novos Poetas Lusófonos”, que decorre até 31 de Dezembro de 2014, numa parceria com a editora Livros de Ontem e está aberto a todos que se expressam em língua portuguesa, qualquer que seja a sua variante, quer pertençam aos países lusófonos, às regiões como a Galiza, Macau, Goa, Malaca, Casamansa ou outro espaço lusófono, poetas falantes de língua portuguesa na diáspora, ou simplesmente cidadãos que escrevam em português.

“Iniciativas como esta, viradas para jovens poetas, são pouco recorrentes no âmbito da lusofonia. Por isso pretendemos seleccionar até 12 jovens poetas emergentes de todo o universo lusófono e reuni-los numa publicação anual. Queremos que a Emergente tenha uma voz plural e que seja representativa do Português que se fala em todo o mundo.”, explica Samuel Pimenta, coordenador da antologia.

Face às dificuldades que muitos jovens poetas encontram em afirmar-se no mercado editorial, a antologia “Emergente” pretende criar um espaço de oportunidade e de reconhecimento que possibilite a projecção nacional e internacional dos seus participantes.

“Independentemente do local onde residam os poetas, a única condição é expressarem-se em Português, qualquer que seja a sua variante. Estão por isso incluídos, também, todos os poetas que vivem na diáspora, assim como os que não têm o Português como língua materna, mas que optam por escrever em Português.”, explica João Batista, CEO e editor da Livros de Ontem.

O júri do concurso é composto por Samuel Pimenta, um membro da editora Livros de Ontem e por um terceiro elemento surpresa, que será revelado em breve.

“Será um poeta ou uma poeta já com uma carreira sólida e reconhecida.”, adianta Samuel Pimenta.

Para saber mais sobre a antologia e o regulamento, consulte aqui. Baía da Lusofonia



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