Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Timor-Leste – Banco Nacional Ultramarino entrega certificados a 19 formandos e promete reforçar aposta no ensino da língua portuguesa

O curso gratuito de iniciação, promovido em parceria com a Embaixada de Portugal e a Escola Portuguesa de Díli para assinalar os 114 anos do BNU em Timor-Leste, termina com promessa de continuidade. Responsáveis destacam a importância da formação para a qualificação profissional e para a consolidação da língua portuguesa no país


Os 19 participantes do curso de iniciação em Língua Portuguesa promovido pelo Banco Nacional Ultramarino (BNU) receberam, esta terça-feira, 14 de julho, os certificados de conclusão da formação, numa cerimónia que assinalou o encerramento da iniciativa lançada para celebrar os 114 anos da instituição em Timor-Leste.

O curso, gratuito, teve a duração de 60 horas e foi promovido pelo BNU em parceria com a Embaixada de Portugal e a Escola Portuguesa de Díli (EPD), destinando-se a funcionários públicos e estudantes universitários timorenses.

Menos celebrações, mais investimento na comunidade

O diretor-geral do BNU, Paulo Lopes, explicou que o banco optou por assinalar o aniversário de uma forma diferente, canalizando os recursos habitualmente destinados às comemorações para uma iniciativa de responsabilidade social.

“Em vez de assinalarmos o aniversário do Banco com uma festa, fogo de artifício e confetes, utilizámos esses recursos para um ato de responsabilidade social, devolvendo à comunidade timorense algo em troca daquilo que também nos tem proporcionado”, afirmou.

Segundo Paulo Lopes, a aposta na formação, quer na língua portuguesa quer noutras áreas do conhecimento, é essencial para reforçar as competências dos recursos humanos. O responsável sublinhou que essa evolução já é visível tanto na melhoria da qualidade do trabalho desenvolvido pelos funcionários do banco como no crescente interesse de timorenses em integrar os quadros da instituição.

“De ano para ano, há cada vez mais quadros timorenses mais qualificados e preparados para serem bem-sucedidos no mundo profissional”, afirmou.

O embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Bué Alves, elogiou a iniciativa do BNU, desenvolvida em parceria com a EPD e a Embaixada de Portugal, considerando que contribui para reforçar o ensino da língua portuguesa no país.

“É uma iniciativa muito importante porque dá prioridade à língua portuguesa, à sua disseminação e ao seu enraizamento, uma das grandes prioridades da Embaixada, fortalecendo e formando jovens capacitados com um melhor domínio da língua portuguesa”, sublinhou.

Também presente na cerimónia, o ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, Gastão de Sousa, agradeceu a oportunidade dada aos funcionários do ministério para frequentarem a formação.

“Quero agradecer muito aos meus colegas portugueses, que proporcionaram esta oportunidade de aprender português, porque isso facilitará a progressão na carreira dos funcionários públicos.”

O governante manifestou ainda o desejo de que esta iniciativa tenha continuidade, permitindo que mais funcionários possam beneficiar da formação. Apelou igualmente aos trabalhadores da Administração Pública para continuarem a aprender português, lembrando que “já é hora de aprender português, a língua oficial de Timor-Leste”.

Formandos destacam evolução e pedem continuidade

Entre os participantes, Isaura Mota de Jesus, funcionária da Secretaria de Estado dos Assuntos da Toponímia e Organização Urbana, explicou que utiliza diariamente a língua portuguesa para redigir e responder a correspondência oficial, razão pela qual considerou a formação particularmente útil.

A formanda destacou a dinâmica das aulas e a metodologia utilizada pela professora, afirmando que a evolução dos participantes foi evidente ao longo do curso.

“No início, foi difícil, porque não sabíamos como nos expressar em português. Mesmo tendo dúvidas, não tínhamos coragem para perguntar. Mas agora é diferente: fazemos prática no curso e aprendemos tanto a falar como a escrever.”

Isaura Mota de Jesus agradeceu ainda a oportunidade proporcionada pelo BNU, considerando que a iniciativa reforçou o orgulho dos participantes numa das línguas oficiais de Timor-Leste. “Foi uma oportunidade muito interessante para nós e espero que este curso tenha uma segunda etapa, para podermos avançar para o nível seguinte”, afirmou.

BNU e Embaixada prometem dar continuidade ao projeto

No encerramento da cerimónia, Paulo Lopes felicitou os formandos e incentivou-os a continuarem a investir na sua formação ao longo da vida.

“A mensagem que vos posso deixar é que isto vos sirva de incentivo para procurarem mais formações, estarem disponíveis para aprender e serem melhores profissionais e, dessa forma, contribuírem para o futuro e para o desenvolvimento do país”, afirmou.

O diretor-geral anunciou ainda a intenção de reforçar esta iniciativa no próximo ano, quando o BNU assinalar os 115 anos de presença em Timor-Leste.

“Para o ano, como se assinalam os 115 anos, um número mais redondo, acho que merece ser comemorado de forma mais abrangente, com mais iniciativas, mas sempre dentro desta lógica de menos festas e mais devolução à comunidade timorense.”

A mesma garantia foi deixada pelo embaixador de Portugal, que manifestou o compromisso de apoiar a continuidade do projeto, permitindo que os atuais formandos avancem para o nível intermédio e que novos participantes possam integrar futuras edições.

Segundo Duarte Bué Alves, a evolução do domínio da língua portuguesa em Timor-Leste é claramente percetível. “Mesmo estando no país há apenas dez meses, tenho tido oportunidade de falar com profissionais que trabalham em várias áreas em Timor-Leste. Toda a gente me diz que, se olharmos para o domínio da língua portuguesa hoje em dia, comparando com há dez ou 20 anos, a situação é muito melhor.” InDiligente” – Timor-Leste


terça-feira, 26 de setembro de 2023

Macau – BNU recebe delegação de bancos centrais de países de língua portuguesa

A convite da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), uma delegação de representantes dos bancos centrais dos países de língua portuguesa esteve recentemente de visita à sede da BNU, uma visita que “evidenciou as relações de longa data entre o BNU e a AMCM” e o “papel do BNU como banco emissor e a sua forte presença no sector financeiro” na RAEM. Em nota, o banco acrescentou ainda que durante a visita, que contou com uma exposição das notas emitidas pelo BNU e a evolução histórica e presença do banco no território, o director geral Carlos Cid Alvares agradeceu a visita da delegação.


“O BNU tem uma forte reputação no meio local e uma relação histórica profundamente enraizada na comunidade, posicionando-se como um banco com uma presença proeminente no mercado de retalho, a par do apoio activo ao crescimento das PME locais”, destacou o representante do BNU. Já Rui Gomes, director executivo do banco, esclareceu os presentes sobre a posição do banco no Grupo CGD e do seu papel fundamental como plataforma de negócios entre Macau, a China, a Área da Grande Baía e, em particular, os Países de Língua Portuguesa.

A sessão culminou com uma visita à recém-renovada Agência Central do BNU, no cruzamento entre as avenidas Almeida Ribeiro e Praia Grande, onde os convidados “tiveram a oportunidade de testemunhar em primeira mão as modernas instalações do banco e a dedicação dos seus colaboradores na prestação de serviços bancários de excelência” indicou ainda a mesma nota. A visita desta delegação, destacou o BNU, serviu para reforçar ainda mais os laços com as entidades reguladoras, “abrindo caminho a futuras colaborações. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 27 de abril de 2023

Macau - Banco Nacional Ultramarino “é para ficar, pelo menos, mais 120 anos"

A afirmação partiu do presidente do Conselho de Administração do BNU, que está de visita a Macau onde assistiu à cerimónia de reabertura da renovada agência sede do banco de matriz portuguesa. José João Guilherme revelou que é esse o desejo da casa-mãe, a Caixa Geral de Depósitos, instituição cujo capital social do BNU pertence na totalidade


O presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional Ultramarino (BNU) desejou, numa breve declaração aos jornalistas, que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) enquanto accionista único do BNU em Macau “continua apostada em estar, pelo menos, mais 120 anos em Macau”. A afirmação de José João Guilherme foi feita à margem da cerimónia de reabertura da renovada agência sede, que sofreu, nos últimos meses, obras de melhoria.

Também no final da cerimónia, o presidente da Comissão Executiva do BNU admitiu à comunicação social que existem fortes possibilidades de empresas portuguesas investirem na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, na sequência da recente visita do Chefe do Executivo da RAEM, Ho Iat Seng, a Portugal.

Carlos Cid Álvares classificou a visita como “muito positiva” e, à semelhança do que disse José João Guilherme, revelou que “a CGD dá grande apoio à continuidade da actividade bancária do BNU em Macau”, ao mesmo tempo que considera que a economia local, em rumo pós-Covid-19, “está a dar sinais de recuperação”, apesar de admitir que essa recuperação não se consegue ver de um dia para o outro. “O aumento de turistas nas ruas de Macau acaba por reflectir-se na confiança das pessoas.”

A renovação da agência esteve a cargo de uma equipa de projecto liderada pela OBS-Arquitectos em colaboração com a Impromptu Projects, a quem se juntou a Tecproeng Macau como consultores de sistemas eletromecânicos e eléctricos, sistemas de segurança contra incêndios e HVAC sistemas, Resonance Engineering Consultancy Ltd para sistemas de comunicação e equipamentos audiovisuais, CHUBB para sistemas de segurança, CESL Asia na gestão de projectos e Ng Kam Kee Constructions para a execução.

Durante a cerimónia de abertura, o presidente da Comissão Executiva do BNU, Carlos Cid Álvares, explicou que o conceito por detrás da proposta de design de interiores “é inspirado no emblemático isotipo do BNU, a icónica caravela, que representa o espírito aventureiro português e uma abordagem multicultural”. “Da mesma forma que, em 1997, a ampliação da sede se materializou com uma pegada moderna utilizando o revestimento de vidro no topo do prédio colonial existente, esta renovação do interior da agência que aqui vemos hoje mantém a herança simbólica, transformando-a na base estrutural da própria caravela. Os tradicionais cascos de madeira, são modernizados com perfis brancos que unem todo o design do lobby, e que permitem ter um espaço dinâmico e que transmite a sensação de mobilidade e evolução nos tempos modernos. Como a era digital é composta por fibra óptica e rede sem fio para conectar o mundo, os materiais foram escolhidos propositadamente para proporcionar aos nossos visitantes uma sensação de leveza, utilizando a identidade da marca BNU, o branco e o azul ultramarino”, disse o responsável.

Com 120 anos de história ao serviço de Macau e da comunidade, o BNU “pauta-se por uma estratégia de proximidade e de foco no cliente, na qual a modernização e inovação dos serviços desempenham um papel crucial”. “Com este propósito, o BNU renovou a sua agência sede e tem o prazer de trazer aos cidadãos de Macau um novo espaço, com uma disposição moderna e funcional, que, aliado ao profissionalismo e conhecimento da equipa do BNU, irá certamente proporcionar a melhor experiência bancária”, disse Cid Álvares durante o seu discurso na cerimónia de reabertura, sublinhando que “a fachada histórica integra agora com um interior moderno, resultando numa verdadeira simbiose entre o passado e o futuro, e que procura acompanhar as tendências de design da era digital”. Gonçalo Pinheiro - Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 18 de abril de 2022

China – Empresários continuam interessados nos mercados lusófonos

Apesar do impacto da covid-19, os investidores chineses continuam interessados nos países de língua portuguesa, disse o diretor-geral da sucursal do Banco Nacional Ultramarino (BNU) em Hengqin.

Baal Loi disse à Lusa que, devido às restrições de entrada impostas, tanto em Macau como na China, para controlar a pandemia, os projetos pensados para a ilha “não estão a avançar tão depressa como antes”.

Mas os empresários chineses “continuam a procurar contactos com empresas dos países de língua portuguesa para pelo menos estabelecer novos negócios”, disse o executivo bancário.

Loi acredita que a pandemia trouxe novas oportunidades para Macau, nomeadamente devido ao confinamento imposto para controlar surtos de covid-19 na vizinha região de Hong Kong, um dos principais centros financeiros da China.

“Vemos algumas mudanças. Há cada vez mais empresas a estudar como usar Macau e Hengqin como plataforma, em vez de Hong Kong e Shenzhen”, revelou.

O diretor-geral da sucursal do BNU em Hengqin acredita que o interesse pela ilha deverá crescer quando for divulgado o plano detalhado de desenvolvimento da zona económica especial e quando for removida a fronteira com Macau. “Acredito que provavelmente depois de junho vamos ter novidades quanto a isso”, acrescentou.

O BNU em Macau, que faz parte do grupo Caixa Geral de Depósitos, registou um lucro de 447,4 milhões de patacas em 2021, mais 6,4% do que em 2020. Nos primeiros nove meses de 2021, a sucursal do banco em Hengqin registou um aumento na margem financeira de 76,5%.

Baal Loi disse que os resultados para todo o ano de 2021 ainda estão a ser contabilizados, mas admitiu que o volume de negócios sofreu “uma pequena desaceleração”. O executivo falou à Lusa após uma palestra sobre o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, na Universidade de Macau.

Durante a palestra, Loi disse que o futuro de Macau como plataforma comercial entre a China e os países de língua portuguesa “deve ser muito bom, desde que as pessoas o queiram, porque a infraestrutura já lá está”.

O responsável defendeu que, na última década, o nível de vida elevado e o rápido crescimento da região não encorajou os habitantes de Macau a procurarem novos negócios além do jogo, o setor dominante da economia local.

Em março, o diretor executivo do BNU, Sam Tou, disse à Lusa que o banco quer ter uma maior presença na região da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e está a ponderar abrir uma nova agência em Guangzhou ou Shenzhen. In “Hoje Macau” - Macau

 

segunda-feira, 28 de março de 2022

Macau - Bancos da Região preparam aliança com bancos lusófonos

A Associação de Bancos de Macau quer criar uma aliança com os bancos dos países de língua portuguesa, disse à Lusa o vice-presidente da ABM, Sam Tou

A nova direcção da Associação de Bancos de Macau (ABM) decidiu criar uma comissão dedicada aos serviços financeiros entre a China e os mercados lusófonos, liderada pelo Banco Nacional Ultramarino (BNU), que faz parte do grupo Caixa Geral de Depósitos.

A nova comissão inclui ainda a sucursal em Macau do Banco da China, que tem presença em Portugal, Brasil, Angola e Moçambique, o Banco Well Link, que incorporou o Novo Banco Ásia, e a sucursal em Macau do Haitong Bank, o sucessor do Banco Espírito Santo Investimento.

Sam Tou disse que a comissão tem dois principais objetivos: “melhorar as ligações de Macau com a China e os países de língua portuguesa e tornar-se uma plataforma de serviços financeiros”. Objectivos que passam pela criação de uma aliança que reúna os bancos de Macau e dos países de língua portuguesa, explicou o também director executivo do BNU.

A ABM está a preparar o terreno e em Fevereiro teve uma reunião online com o secretariado executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, adiantou Sam Tou.

O executivo disse que a associação “tem estado a trabalhar ativamente com as suas congéneres nos países de língua portuguesa e estabeleceu uma rede muito estreita de contactos e cooperação”. Sam Tou lembrou que a ABM assinou em maio de 2019 um acordo de cooperação com associações de bancos de Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

O acordo previa a criação de uma aliança para apoiar o lançamento na China de produtos financeiros dos países de língua portuguesa e para oferecer serviços financeiros a empresas chinesas interessadas em investir em mercados lusófonos.

Apesar dos obstáculos criados pela pandemia, o interesse chinês na “cooperação comercial e económica e no investimento” nos países de língua portuguesa “não diminuiu”, disse à Lusa Cai Chun Yan.

O director-geral adjunto da sucursal do Banco da China em Macau disse que “há algumas décadas” que as empresas chinesas se aventuraram “sozinhas” em mercados como Portugal, Brasil e Angola. Mas actualmente, “mesmo alguns grandes grupos domésticos”, preferem ir através de Macau, aproveitando “o conhecimento sobre os países de língua portuguesa” na cidade, defendeu Cai Chun Yan.

Na direcção oposta, disse Sam Tou, países como Moçambique, Cabo Verde, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe estão “cada vez mais atentos” à ajuda que Macau lhes pode dar a identificar “oportunidades de desenvolvimento” na China.

O BNU abriu em 2017 uma sucursal em Hengqin, que pode ajudar o banco a aproveitar o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, disse o executivo. Sam Tou disse que o BNU quer ter uma maior presença na região da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e está a ponderar abrir uma nova agência em Guangzhou ou Shenzhen. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Macau - Sucursal do BNU em Hengqin obteve resultados recorde

Os resultados operacionais da sucursal de Hengqin do BNU atingiram em 2021 o nível mais elevado desde a sua abertura há cinco anos. Num ano em que o seu lucro total cresceu 6,4%, o BNU voltou a destacar-se na área dos negócios internacionais do grupo Caixa Geral de Depósitos

Em 2021, a actividade do Banco Nacional Ultramarino (BNU) na Ilha da Montanha voltou a “apresentar sinais positivos” quanto à participação da instituição no processo da “diversificação económica” de Macau. Os resultados operacionais em Hengqin atingiram um “recorde desde a sua abertura em 2017, e espera-se que continue com um bom ritmo de crescimento impulsionado pela recente criação da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau”, referiu o banco, sem especificar números.

Formalmente inaugurada a 18 de Janeiro de 2017, a sucursal de Hengqin começou a funcionar em pleno no final desse ano com o objectivo de apoiar o desenvolvimento e o investimento das empresas e residentes de Macau no Continente chinês, bem como promover os laços comerciais entre a República Popular da China e os países de língua portuguesa, onde o grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD) possui forte presença. Seguindo a missão inicialmente definida, essa agência “envolve-se activamente com promotores imobiliários em Hengqin e empresários de Macau”, por forma a apoiar os residentes da RAEM em aquisições de imóveis e no financiamento de projectos na Ilha da Montanha, bem como concedendo crédito para fundo de maneio a empresas do território.

Como já tinha sido divulgado, em termos gerais, o resultado líquido consolidado não auditado do BNU ascendeu a 447,4 milhões de patacas em 2021, mais 6,4% ou 27,1 milhões do que em 2020. Porém, devido ao impacto da situação pandémica, os lucros foram inferiores em 29,5% ou 187 milhões aos apurados em 2019.

Em comunicado, o banco realçou que o resultado de 2021 continuou a reflectir o efeito da descida das taxas de juro, tendo a margem financeira sofrido um decréscimo anual de 112,5 milhões de patacas (-14%). Essa quebra foi “parcialmente compensada” pelo aumento de outros proveitos core, que cresceram 35,4 milhões (+23%), incluindo um acréscimo de 17,9 milhões (+14,7%) nas comissões líquidas.

Por sua vez as provisões líquidas reportadas tiveram uma variação favorável de 1,2 milhões de patacas, contrariando uma perda de 86,3 milhões em 2020, o que reflecte “uma melhoria das perspectivas económicas”. Segundo o BNU, não foi necessário a realização de provisões especificas não recorrentes, como aconteceu em 2020 devido ao “desfavorável desenvolvimento de certas exposições creditícias”.

Apesar do ano também ter sido marcado por um controlo mais rigoroso dos custos operacionais, que caíram 3% face a 2020, o banco garante que continua a “investir em tecnologia e inovação como forma de melhor servir os seus clientes e aumentar níveis de eficiência”.

O BNU sublinhou ainda que mantém “um elevado rácio de solvabilidade de 21,65%, muito acima do requisito regulamentar de 8% e níveis de liquidez muito elevados”.

No ano passado, o BNU também voltou a sobressair na área de negócios internacionais do grupo CGD. Segundo o grupo bancário português, os principais contributos para o resultado da actividade internacional derivaram do BNU Macau (47,9 milhões de euros), BCI Moçambique (34,9 milhões de euros), e Banco Caixa Geral de Angola (22,6 milhões de euros). Em geral, o produto global da actividade internacional aumentou 8,2% face a 2020, sendo de salientar a variação positiva na margem financeira (+8,0%).

A Caixa Geral de Depósitos teve lucros totais de 583 milhões de euros em 2021, mais 18,7% do que em 2020.

Banco encara 2022 com prudência

O BNU espera alcançar lucros de 500 milhões de patacas este ano, porém, “ainda são previsões bastante prudentes”, disse o presidente da comissão executiva do banco à Rádio Macau. “Há alguns sinais positivos que podem fazer com que a economia mexa, como o lançamento do concurso para as novas licenças de jogo, mas ainda há poucos sinais de abertura neste lado. Se não houver muitos turistas, a economia não vai recuperar”, observou Carlos Cid Álvares, acrescentando que o período de taxas de juro muito baixas também “não costuma ser fantástico para os bancos apresentarem bons resultados”. No fundo, o BNU está “razoavelmente satisfeito”, mas gostaria de ver “a actividade económica a progredir”, frisou. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quinta-feira, 15 de julho de 2021

Macau - Presidente do Banco Nacional Ultramarino afirma que os negócios China-Portugal têm potencial de crescimento

O presidente do Banco Nacional Ultramarino considera que os negócios entre Portugal e a China têm potencial de crescimento, ainda que até maio o comércio bilateral tenha registado um aumento de cerca de 18%.

“Sem pandemia podiam ter sido melhores”, afirmou Carlos Álvares, presidente do Banco Nacional Ultramarino (BNU), acrescentando que ainda assim em 2020, ano em que a pandemia se fez mais sentir em termos económicos, já se tinha verificado um crescimento homólogo.

As trocas comerciais aumentaram 4,82% em 2020, para 6,9 mil milhões de dólares, de acordo com dados oficiais no portal do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa (Macau), com base nas estatísticas dos Serviços de Alfândega chineses. Em termos de investimento entre os dois países, explicou Carlos Álvares, há ainda uma disparidade grande entre os dois: a China investe cerca de 75 vezes mais do que Portugal.

À margem do Seminário sobre o Estado de Investimento e Desenvolvimento das Relações Luso-Chinesas no âmbito da covid-19, a consultora especial da MdME Lawyers Un I Wong disse à Lusa que as dificuldades de circulação entre os dois países, assim como restrições as restrições fronteiriças impostas no regresso à China têm causado uma redução geral nos investimentos.

Há investidores que “investem mesmo sem ver os imóveis”, disse, ainda que tenha sentido, “em geral, uma redução de investimentos”. “O interesse está lá”, frisou a também vice-presidente da Associação de Jovens Empresários Portugal-China, mostrando-se confiante que muitos negócios se concretizarão após a pandemia. Até lá, a responsável disse que tem verificado que muitos projectos em curso têm sido “adiados e alguns cancelados, por causa da incerteza” e que os investidores estão “mais prudentes e cautelosos”.

Para além da pandemia, detalhou Un I Wong, tem-se registado nos últimos tempos “cada vez mais restrições por parte do Governo Central para investimento para fora da China”.

Também à margem deste seminário realizado no Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, no antigo território administrado por Portugal, o presidente da CESL Asia, António Trindade, afirmou à Lusa que prevê “um aumento de potencial de valor à relação económica entre Portugal e China”.

Na sua opinião, “as exigências de valor acrescentado e a aversão ao risco aumentou o potencial de atividades económicas que têm maior credibilidade estabelecidas”, num contexto em que há uma mudança estrutural na economia chinesa e de restruturação do sistema financeiro, investimento estrangeiro e das próprias empresas estatais.

Numa outra via complementar, frisou, a China pode utilizar Macau para atrair mais investimento em Portugal e consequentemente, via Portugal, aumentar o investimento na Europa. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

 

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Macau – Banco Nacional Ultramarino em posição estratégica para apoiar negócios sino-lusófonos



O presidente do Banco Nacional Ultramarino (BNU) de Macau defendeu ontem que a instituição está “actualmente numa posição estratégica para apoiar os negócios entre a China e os países de língua portuguesa”. “O BNU faz parte do Grupo CGD [Caixa Geral de Depósitos], uma das maiores instituições financeiras da Europa, com uma vasta rede global em quatro continentes e sete países de língua portuguesa”, começou por salientar Carlos Álvares numa cerimónia que assinalou o facto de aquela instituição e o Banco da China continuarem a ser emissores de moeda em Macau nos próximos dez anos. “Para além de Macau, o BNU está também presente em Xangai e abriu uma sucursal em 2017 na nova zona de Hengqin de Zhuhai”, acrescentou.

Carlos Álvares explicou que tal veio criar “mais oportunidades económicas”. Oportunidades para os países lusófonos que surgem não só para o desenvolvimento da Grande Baía, como também para a iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’.

Na mesma ocasião, o secretário para a Economia e Finanças de Macau salientou que “os dois bancos emissores têm cooperado desde sempre e de forma plena com a RAEM, colaborando ativamente com as políticas definidas pelo Governo, com o intuito de assegurar a estabilidade do abastecimento monetário (…), e cumprindo os seus deveres de agenciamento na emissão de notas”.

Lei Wai Nong lembrou que “o número de notas em circulação em Macau, que era inferior ao equivalente a 1,3 mil milhões de patacas no final de 1995, tem aumentado anualmente, correspondendo actualmente a 18,5 mil milhões de patacas, o que representa um aumento superior a 13 vezes”. Um aumento que traduz, sustentou, “a trajetória ascendente”, o “crescimento da economia, da população e dos turistas” ao longo de 25 anos.

Há um mês, o Governo anunciou que o BNU e o Banco da China iriam continuar a ser os bancos emissores de moeda em Macau nos próximos dez anos. Os novos contratos têm validade até 15 de Outubro de 2030. In “Ponto Final” - Macau 

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Timor-Leste - Dois estudantes da Universidade Nacional Timor Lorosa’e vencem VII Prémio de Língua Portuguesa da Fundação Oriente



Díli – A Fundação Oriente anunciou hoje os vencedores do VII Prémio de Língua Portuguesa de 2020, dois estudantes da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL).

Segundo o comunicado a que a Tatoli teve acesso, o primeiro lugar foi atribuído a uma estudante do quarto ano do Departamento de Língua Portuguesa da Faculdade de Educação da UNTL, Inocência Merelis do Rosário Osório, que participou com o conto “Builai no mar azul”. A segunda classificação foi de um aluno do quinto ano da Faculdade de Direito da UNTL, Gerson Armindo da Silva Leite Araújo, que apresentou a concurso o texto “Henrique no país de outro mundo”.

Em terceiro lugar, ficou Alexandrina Sousa dos Santos, estudante do primeiro ano da Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde da UNTL, com o texto “Para além do que os olhos veem”. Na quarta posição, ficou Ana de Jesus da Costa Xavier, estudante do terceiro ano da Faculdade de Direito da UNTL com a lenda “Oceano de Curiosidades”. O quinto classificado foi Nicolau Alves Moreira, estudante do terceiro ano da Faculdade de Ciências Exatas da UNTL, com o conto “A viagem no mar”.

No comunicado, a Delegada da Fundação Oriente em Timor-Leste, Joana Saraiva, recorda que o Prémio de Língua Portuguesa da Fundação Oriente é “uma das atividades mais reconhecidas” desta instituição, tendo ao longo dos anos mobilizado centenas de jovens.

“Este sucesso não seria alcançado sem o entusiasmo e a coragem dos participantes e o importante apoio dos nossos parceiros, entre eles a Embaixada de Portugal em Díli, o Instituto Camões, o BNU e o Centro de Língua Portuguesa da Universidade Nacional Timor Lorosa’e”, agradece Joana Saraiva.

De acordo com o documento, os dois jovens estudantes da UNTL participarão, durante um mês, nos Cursos de Verão de Língua e Cultura Portuguesas numa universidade em Portugal, com todas as despesas pagas. Já os terceiro, quarto e quinto classificados poderão frequentar cursos de língua portuguesa, que se realizarão na Delegação da Fundação Oriente em Díli.

“No contexto das complicações da pandemia mundial da covid-19, as datas dos referidos cursos estão condicionadas à evolução da situação atual. Entretanto, os prémios estão assegurados aos vencedores para aproveitarem logo que seja possível”, diz a nota.

Recorde-se que o Prémio de Língua Portuguesa é um concurso anual de escrita em português destinado a estudantes timorenses entre os 18 e os 24 anos de idade. Desde 2013, quando o prémio literário foi lançado, já foram enviados 15 jovens estudantes timorenses para universidades em Macau e Portugal.

A VII edição do concurso foi lançada em fevereiro e os 25 candidatos participaram previamente numa oficina de escrita criativa.

“Os contos apresentados a concurso foram avaliados em sistema de anonimato e tiveram como base num excerto do poema ‘O Infante’ de Fernando Pessoa: […] E viu-se a terra inteira, de repente, surgir, redonda, do azul profundo”, refere o documento.

A cerimónia de entrega de prémios faz tradicionalmente parte do programa de comemoração do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), no dia 5 de maio.

“Este ano a data ganha ainda maior expressão, após a oficialização pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que passou a integrar o calendário oficial das Nações Unidas, dando mais relevo a esta língua que nos une a todos”, diz a nota. In “Tatoli” – Timor-Leste

Macau - BNU e ICBC anunciam parceria para promover negócios entre China e países lusófonos

O Banco Nacional Ultramarino (BNU), do Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), e o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, na sigla em inglês) anunciaram uma parceria para promover os negócios sino-lusófonos. O protocolo assinado tem como objectivo “promover conjuntamente os negócios entre a China e os países de língua portuguesa, alavancando as suas redes globais” e “apoiar o desenvolvimento de Macau como centro financeiro privilegiado para os negócios transfronteiriços entre empresários e empresas sino-lusófonas”, segundo um comunicado.

Na mesma nota salienta-se que a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” – de desenvolvimento de infra-estruturas e investimentos em países da Europa, Ásia e África -, o projecto de Pequim de criar uma metrópole mundial que junta Macau, Hong Kong e nove cidades da província de Guangdong, bem como o papel de Macau de plataforma de serviços sino-lusófona “irão gerar inúmeras sinergias, que se traduzem em oportunidades de negócios em vários sectores”.

Razão pela qual tanto o BNU e o ICBC, “com as suas extensas redes internacionais, estão empenhados em promover os intercâmbios e as parcerias económicas e comerciais sino-lusófonas, fornecendo às empresas a experiência financeira e as ferramentas necessárias para o seu crescimento, expansão e sucesso”.

“As actuais circunstâncias adversas decorrentes da pandemia de covid-19 e a consequente desaceleração económica constituirão um desafio para muitas empresas e negócios nos próximos meses e anos”, assinala-se no comunicado, ressalvando-se, contudo, que “será também uma oportunidade de ajustar estratégias e planear a longo prazo, onde a internacionalização dos negócios e a diversificação de mercados serão fundamentais”.

O BNU em Macau registou em 2019 lucros de 721,9 milhões de patacas. Em relação a igual período de 2018, os lucros do BNU, do grupo CGD, subiram cerca de 23%. No final do mês de Janeiro, a CGD indicou que o BNU de Macau contribuiu com 69 milhões de euros para o resultado líquido de 776 milhões de euros, em 2019. In “Ponto Final” - Macau

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Macau - Comunidade cabo-verdiana cria conta solidária

Associações de matriz cabo-verdiana em coordenação com o Delegado de Cabo Verde criaram uma conta bancária solidária no BNU. A campanha durará 30 dias e o montante arrecadado será usado para a aquisição de equipamentos e materiais de prevenção

A comunidade cabo-verdiana de Macau uniu-se para criar uma conta solidária, cujos fundos serão usados para apoiar o país de origem no combate ao COVID-19.

Em comunicado, os promotores da iniciativa referem que a propagação da pandemia “tem provocado visíveis e significativos danos no plano de saúde pública em vários países” e a grande mobilidade de pessoas entre os vários países deu condições propícias ao coronavírus para se “propagar rapidamente”. “Sendo Cabo Verde um país aberto e de comunicações com o exterior, incluindo países bastante atingidos pelo COVID-19 e fruto de deslocações de turistas, trabalhadores, estudantes, emigrantes, era, infelizmente expectável que o Coronavírus chegasse a Cabo Verde”, o que acabou por acontecer, tendo-se registado já uma morte e vários casos de contágio em três ilhas – Boavista, Santiago e São Vicente.

Assim, a Associação de Amizade Macau-Cabo Verde e a Associação de Divulgação da Cultura Cabo-verdiana, com apoio institucional do Delegado de Cabo Verde no Fórum Macau decidiram criar uma conta solidária no Banco Nacional Ultramarino denominada “Solidariedade Cabo Verde COVID-19” com o número 9016573567.

A campanha terá a duração de 30 dias aproximadamente “e o montante arrecadado irá para a aquisição de equipamentos e materiais de prevenção” do COVID-19, a favor do Ministério da Saúde e Segurança Social de Cabo Verde, responsável pela gestão dos materiais médicos. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

segunda-feira, 30 de março de 2020

Macau – BNU “fez a ponte” para assegurar a compra de 500 ventiladores ao Estado português

Executivo de António Costa garantiu uma encomenda de 500 ventiladores junto de um fornecedor chinês através do Banco Nacional Ultramarino de Macau. O negócio de 10 milhões de dólares americanos esteve em risco de se perder para o Canadá, mas o Governo português conseguiu contornar o problema e concretizar o pagamento no fuso horário da China

Uma exigência de última hora de um fornecedor de ventiladores na China obrigou o Governo de Portugal a recorrer ao Banco Nacional Ultramarino de Macau para assegurar a compra de 500 aparelhos, por 10 milhões de dólares americanos, até às 02h00 da madrugada de segunda-feira passada em Lisboa, revelou o jornal Público na sua edição de sábado. Uma informação confirmada ao Ponto Final por uma fonte do BNU.

“O BNU fez aquilo que tinha de fazer em articulação com a Caixa Geral de Depósitos para conseguir, no fundo, concretizar um pagamento que o Estado português tinha de fazer na segunda-feira [passada] às 02h00 da manhã de Lisboa, 10 da manhã daqui de Macau”, revelou a mesma fonte a este jornal.

De acordo com a informação veiculada pelo jornal Público, o Governo português já tinha um contrato para comprar 500 ventiladores a um vendedor da China e já tinha dado uma garantia, quando, no domingo, recebeu a informação do fornecedor, de que se não pagasse o total da encomenda (10 milhões de dólares americanos) até segunda-feira de manhã (dia 23 de Março) os aparelhos seriam entregues ao Canadá.

Antes de avançar para o depósito no BNU, a primeira acção do Executivo liderado por António Costa foi abrir o Instituto de Gestão e Crédito Público para que o dinheiro fosse disponibilizado imediatamente. Segundo escreve o referido diário, o Governo português ainda equacionou recorrer ao BCP-Millenium, uma vez que o banco português tem uma agência em Macau, e à Sonae, empresa que detém uma central de compras na China, mas com um prazo tão apertado, a escolha acabou por recair no BNU de Macau.

“O responsável máximo da Caixa Geral de Depósitos ligou à uma da manhã (de Lisboa), e verificámos que era possível fazer as transferências para o fornecedor e, às 08h30 da manhã de Macau, portanto 01h30 da manhã de Lisboa, estávamos a fazer as diligências necessárias até às 02h00 da manhã de Lisboa, 10h00 da manhã de Macau. E foi possível entregar os comprovativos das transferências a quem de direito, que os fizeram chegar aos fornecedores para confirmar que os pagamentos tinham sido efectuados”, explicou ao Ponto Final a mesma fonte do BNU, acrescentando que, todo o processo foi feito em articulação com o Instituto de Gestão e Crédito Público.

Com a concretização do depósito de 10 milhões de dólares americanos no BNU dentro do prazo, seguiu-se a obrigatoriedade de apresentação do comprovativo da transferência ao comprador, sendo esta a única forma de assegurar que os 500 ventiladores eram vendidos a Portugal. Segundo a informação avançada pelo jornal Público, o comprovativo do depósito chegou ao Governo de António Costa às 02h30 da madrugada de Lisboa, e foi enviado de seguida ao embaixador português na China, José Augusto Duarte, que tratou de o ir apresentar pessoalmente ao fornecedor chinês de forma a assegurar a encomenda de 500 ventiladores para Portugal.

Na sexta-feira, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, garantiu que os ventiladores deverão começar a chegar “de forma faseada” a Portugal a partir de Abril. Para além destes 500 ventiladores, há ainda 78 ventiladores na Embaixada de Portugal na China para rumar a Portugal em voos específicos. Eduardo Santiago – Macau in “Ponto Final”

eduardosantiago.pontofinal@gmail.com

quarta-feira, 25 de março de 2020

Macau - Comunidade lusa angaria fundos para Portugal

A comunidade portuguesa em Macau lançou uma recolha de fundos urgente para comprar equipamento de proteção para os profissionais de saúde em Portugal e material que garanta mais testes para despistar a Covid-19.

O movimento junta quase duas dezenas de entidades e personalidades e, em cerca de 12 dias quer apoiar Portugal “no esforço de guerra” face ao surto do novo coronavírus, estabelecendo como prioridade a aquisição de equipamento que proteja todos aqueles que estão na linha da frente e a capacidade nacional de deteção de casos, explicaram os seus membros à agência Lusa.

Para já foi criada uma conta no Banco Nacional Ultramarino (BNU) em Macau, com o número 9016556516, sob o nome COVID19 – Portugal Conta Solidariedade.

A presidente da Casa de Portugal em Macau, Amélia António, explicou que a partir de uma lista do Ministério da Saúde de Portugal foram definidos objetivos prioritários, sempre com um pressuposto: evitar que morra o menor número de pessoas possível e reduzir o total de infetados.

O presidente da Santa da Casa da Misericórdia, António José de Freitas, afirmou que se trata da contribuição para “um esforço de guerra” que está a ser travado em Portugal e destacou que não existe já muito tempo, até porque a conta solidária vai estar ativa apenas até 05 de abril.

A conselheira das comunidades portuguesas em Macau, Rita Santos, sublinhou à Lusa a importância de se conseguir mobilizar a comunidade portuguesa, sem se esquecer o desafio que vai representar a aquisição do material na China, bem como a logística que implica o envio para solo nacional.

O presidente da Associação dos Médicos de Língua Portuguesa de Macau salientou a importância de se enviar equipamento capaz de assegurar a proteção de todos os profissionais de saúde que estão na linha da frente do combate à propagação e ao tratamento da Covid-19.

“Sem médicos e enfermeiros não se tratam doentes!”, frisou José Manuel Esteves.

O movimento solidário, que fez a sua primeira conferência de imprensa, conta com o apoio institucional do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e BNU.

Em Portugal, há 33 mortes e 2362 infeções confirmadas, segundo o balanço feito pela Direção-Geral da Saúde.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira e até às 23:59 de 02 de abril.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de 425 mil pessoas em todo o mundo, das quais cerca de 19 000 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 6820 mortos em 69 mil casos. Segundo as autoridades italianas, 8 mil dos infetados já estão curados.

A China, sem contar com os territórios de Hong Kong e Macau, onde a epidemia surgiu no final de dezembro, conta com mais de 81 mil casos, tendo sido registados 3285 mortes.

Os países mais afetados em números absolutos a seguir à China e Itália são os Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Irão e França. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”




sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Macau - Secretário-geral da Associação Portuguesa de Bancos afirma que a Grande Baía “é mais uma oportunidade”

Os dois protocolos assinados entre a Autoridade Monetária e Cambial de Macau, a Associação de Bancos de Macau e a Associação Portuguesa de Bancos têm sido divulgados junto da banca portuguesa e de expressão lusófona no sentido de fomentar investimentos. Norberto Rosa, secretário-geral da APB, diz que é importante a banca portuguesa diversificar parceiros, pensando também no Oriente, e que tanto o BNU como a sucursal do BCP em Macau foram importantes durante a última crise económica em Portugal



A Associação Portuguesa de Bancos assinou dois protocolos, um com a Associação de Bancos de Macau e outro virado para a cooperação entre a China e os países de língua portuguesa. Na prática, o que tem sido feito nesse sentido?

NR - Em 2018 tivemos uma reunião com a Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) numa perspectiva de colaboração entre as autoridades portuguesas, a Associação Portuguesa de Bancos (APB) e a Associação de Bancos de Macau (ABM). Posteriormente tivemos uma reunião com a ABM que nos convidou a participar nesta iniciativa, no sentido de estabelecer um protocolo não só com a ABM, mas também com associações de bancos de países de expressão portuguesa. Tudo com esse objectivo de promover a participação entre a China e esses países, onde Macau serviria como plataforma. A partir daí divulgámos esse protocolo pelos bancos portugueses, porque depois, com base nesse documento, serão os bancos a proceder a uma articulação com as autoridades de Macau no sentido de desenvolver esse processo de cooperação.

Cabe então a cada entidade estabelecer essa ligação.

NR - Sim. O que entendi desse processo foi que havia uma intenção do Governo de Macau e da China de promover a RAEM como uma plataforma a fim de estabelecer mais facilmente essa relação entre Portugal, os países de expressão portuguesa e a China. Há aqui uma dupla função no sentido de os bancos, mesmo através dos países de expressão portuguesa, se poderem articular de forma mais adequada com a China quer em processos de financiamento ou desenvolvimento desses países, quer na actividade comercial.

Há então uma aposta no financiamento de grandes projectos.

NR - Sim. Tem duas vertentes. Por um lado, temos esse financiamento [no sentido de] poder haver investimentos cá em Portugal e em outros países de expressão portuguesa. Por outro lado, essa plataforma também poderá ajudar a que empresas que queiram ter relações comerciais com a China sejam apoiadas pelos bancos através desta plataforma. Poderá haver a possibilidade não só de fazer investimentos em actividades já existentes, adquirindo instituições ou empresas, como também de fazer novos investimentos. [Os protocolos] poderão facilitar essa articulação e aí os bancos podem vir a ter um papel importante no apoio às empresas portuguesas e às empresas chinesas que se queiram estabelecer em Portugal, nomeadamente através dos bancos de capital chinês que poderão facilitar essa actuação. Aí Macau poderá também ter um papel preponderante como o interface nesse processo.

Os vinte anos da transferência de Administração de Macau celebraram-se o ano passado. Esta aproximação no sector financeiro com Portugal deveria ter acontecido de forma mais visível ao longo dos anos, e não apenas recentemente?

NR - Isto tem um momento histórico para acontecer. Portugal viveu também uma crise financeira bastante grande e está ainda num processo de recuperação. Esta abertura da China e de Portugal à entrada de capitais chineses foi uma alteração estrutural que aconteceu recentemente. Antes não havia uma grande participação de capital chinês em Portugal e isso veio aprofundar o relacionamento entre os dois países. Tem-se assistido, por outro lado, a um aumento significativo da estrutura do comércio externo português, em que a China é um mercado importante. Neste momento penso que todas essas tendências poderão ser potenciais com este apoio dos bancos e o apoio da RAEM. Qual é a vantagem? É que há ali uma melhor percepção e compreensão do comportamento de Portugal e, por outro lado, também percebem melhor o comportamento da China. Há aqui uma facilidade de entendimento.

Numa intervenção que fez em Macau falou de uma maior estabilidade do sector bancário na zona Euro depois dessa crise. É importante ter alternativas por parte dos bancos face aos desafios que a zona Euro comporta? A China deve fazer parte da alternativa?

NR - É sempre importante alguma diversificação. No caso concreto das instituições em Macau, como o BNU e a sucursal do BCP, o [seu] papel foi importante no período de crise em que os bancos passaram por dificuldades. Isto porque [esses dois bancos] continuaram a contribuir para resultados positivos e para a liquidez das instituições financeiras portuguesas quando elas passaram por dificuldades de liquidez. [Essa presença] amenizou, [os bancos] não tinham a dimensão suficiente para impedir que houvesse uma crise, mas amenizou de alguma forma. Ter uma maior diversidade geográfica é importante para mitigar os riscos. Ou seja, uma vez que estamos na Europa onde existem dificuldades estruturais, que se prendem com o facto de estarmos com taxas de juro de referência do BCE negativas, de termos um sistema bancário maduro, com pouca capacidade de crescimento, o facto de existir alguma diversidade mitiga os riscos do sistema bancário nacional, apesar da melhoria que se registou nos últimos anos. A situação dos bancos está hoje muito melhor do que estava há dois ou três anos, mas há ainda problemas estruturais.

O sector bancário português deve estar atento ao projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau?

NR - É mais uma oportunidade de negócios. Pelo que entendi da apresentação do projecto da Grande Baía estamos a falar de um projecto megalómano no sentido de ter uma grande dimensão, e poderão haver aqui outras oportunidades de negócios fundamentalmente em determinadas áreas industriais portuguesas, nomeadamente da construção, onde os bancos poderão apoiar essas empresas a participarem nesse grande projecto. Em Portugal é um assunto pouco conhecido. Havendo uma maior publicidade, penso que esse projecto teria vantagens e oportunidades para outros sectores que não apenas o financeiro. Mas os bancos que já têm presença em Macau poderão apoiar essas empresas que queiram participar na Grande Baía.

Como olha para a presença do BNU em Macau? Surpreende-o este desenvolvimento do banco ao longo dos anos?

NR - O BNU tem de ser visto de uma perspectiva quase institucional, quase como o representante de Portugal e mais do que uma instituição em particular. O BNU foi criado como um banco emissor com actividade comercial e está em Macau desde 1902 e foi sempre banco emissor com maior autonomia a partir dos anos 80. O relacionamento com a AMCM e a China foi sempre bom. O banco continua a ter grande prestígio e o facto de ser banco emissor continua a ter essa importância. Esse reconhecimento foi feito pela China quando prorrogou o prazo para continuar a ser o banco emissor. A China tem reconhecido, e a RAEM tem continuado a reconhecer o BNU como uma entidade que contribui para o desenvolvimento da região, uma entidade com prestígio. Esta evolução do BNU não é surpresa.

Macau está a passar por uma fase de mudanças no seu sector financeiro, com o fim do regime offshore, por exemplo. Fala-se também na criação de uma bolsa de valores mais virada para o mercado dos países de língua portuguesa. É uma outra oportunidade para o sector bancário?

NR - O projecto da bolsa de valores] está articulado com a possibilidade dos próprios países de expressão portuguesa usarem mais o renmimbi. Estive em Macau na altura em que houve a emissão dos panda bonds. A criação de uma bolsa de valores poderá estar mais associada a esse tipo de entidades que tenham uma maior ligação entre a China e os países de expressão portuguesa. No futuro, algumas empresas poderiam usar a bolsa de valores até para se financiarem se tiverem uma actividade importante na China. Há aqui uma questão importante. A China caracteriza-se por ter um excesso de poupança e de liquidez, e portanto, o facto de [Macau] ter uma bolsa de valores é outra alternativa para investimentos. De alguma maneira isso poderá ser a forma de algumas empresas terem uma ligação mais íntima com a China em termos comerciais. As empresas poderão também ter vantagens em ter algum capital ou financiamento através de uma bolsa de valores em Macau, mas isso só o futuro o dirá. Mas compreendo que haja essa intenção de tornar Macau numa perspectiva mais alargada em termos de actividade, ou seja, tornar o território num centro financeiro com várias vertentes. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


Andreia Sofia Silva - Jornalista, 31 anos de idade. Formada em Jornalismo com uma pós-graduação em Ciência Política e Relações Internacionais. Escreve sobretudo sobre política, sociedade e cultura. Email: andreia.silva@hojemacau.com.mo